sexta-feira, 3 de julho de 2015

ELEVANDO O MUNDANO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BALAK 5775

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ELEVANDO O MUNDANO - PARASHÁ BALAK 5775 (03 de julho de 2015)

Era uma vez duas vizinhas, dona Miriam e dona Rosa, que viviam em pé de guerra. Não podiam se encontrar na rua que era briga na certa. Depois de um tempo, dona Miriam se arrependeu de tantas brigas e resolveu fazer as pazes com dona Rosa. Ao se encontrarem na rua, muito humildemente, dona Miriam falou:
 
- Querida dona Rosa, já estamos nessa desavença há anos, e sem nenhum motivo verdadeiro. Estou propondo que façamos as pazes e vivamos como duas boas e velhas amigas.
 
Na hora, a dona Rosa estranhou a atitude da velha rival e disse que iria pensar no caso. No caminho, pensamentos de desconfiança começaram a vir em sua cabeça. Será que a dona Miriam no fundo estava querendo aprontar alguma coisa? Como a dona Rosa não queria ficar por baixo, decidiu mandar para a dona Miriam um "presente". Chegando em casa, preparou uma bela cesta de presentes, cobriu-a com um lindo papel, e encheu-a de esterco de vaca. Ela ficou a tarde inteira rindo sozinha, imaginando a cara da dona Miriam ao receber aquele maravilhoso "presente". Mandou a empregada levar o presente à casa da rival, com um bilhete: "Aceito sua proposta de paz. Para selarmos nosso compromisso, envio esse lindo presente".

Quando dona Miriam abriu o pacote recebido, seu sorriso se transformou em espanto. Não conseguia entender porque a dona Rosa havia mandado aquele "presente". Ela estava tentando fazer as pazes com tanto esforço, por que sua vizinha continuava se comportado de maneira tão rude?
 
Alguns dias depois, dona Rosa recebeu uma linda cesta de presentes, coberta com um belo papel. Se preparou, achando que era a vingança daquela vizinha asquerosa. Ficou com medo de abrir o pacote, imaginando o que ela poderia ter aprontado. Mas em certo momento a curiosidade foi mais forte que o medo, e ela abriu. Para sua surpresa, viu um lindo arranjo das mais belas flores, junto com um cartão que trazia a seguinte mensagem: "Estas flores são o que eu te ofereço em prova da minha amizade. Foram cultivadas com o esterco que você me enviou, e que proporcionou excelente adubo para o meu jardim. Afinal, querida vizinha, cada um dá o que tem em abundância em sua vida".
 
As coisas mais mundanas podem ser utilizadas de uma maneira negativa, ou podem ser canalizadas para trazer coisas boas, para nós e para os outros.

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Nesta semana lemos a Parashá Balak, que nos descreve os maus atos de um dos maiores odiadores do povo judeu: o profeta Bilaam. Ele tinha um enorme poder espiritual e conseguia amaldiçoar as pessoas, de indivíduos a povos inteiros, e utilizava este "dom" para ganhar dinheiro e honra. Balak, o rei do povo de Moav, apavorado com o avanço do povo judeu e suas vitórias esmagadoras, contratou Bilaam para amaldiçoar o povo judeu. Apesar de D'us ter proibido Bilaam de se juntar a Balak com a intenção de prejudicar o povo judeu, Bilaam interpretou as palavras de D'us da maneira como lhe convinha, e por três vezes tentou amaldiçoar os judeus, mas foi impedido por D'us, que os protegeu e transformou as maldições em Brachót (bençãos).
 
Uma das Brachót que acabaram saindo da boca de Bilaam foi: "Quem contou o pó de Yaacov?" (Bamidbar 23:10). O que significam estas palavras? Que tipo de Brachá Bilaam estava dando ao povo judeu? Explica Rashi (França, 1040 - 1105), citando um Midrash (parte da Torá Oral), que as palavras de Bilaam podem ser entendidas como se ele estivesse dizendo: "Quem pode contar as Mitzvót agrícolas que o povo judeu cumpre, de tão numerosas que elas são". Porém, desta explicação do Rashi ainda não fica claro porque justamente as Mitzvót agrícolas, ligadas à terra, chamaram a atenção de Bilaam.
 
A resposta está um importante ensinamento em relação à Criação do mundo. No terceiro dia da criação, D'us instruiu que houvesse vegetação, como está escrito: "E disse D'us: que a terra produza vegetação: grama produzindo semente, árvores de frutas produzindo frutas de sua espécie" (Bereshit 1:11). Porém, no momento em que as árvores realmente foram criadas, o versículo utiliza uma linguagem diferente: "e árvores produzindo frutos" (Bereshit 1:12). Ao invés de "árvores de frutas produzindo frutas", o versículo disse apenas "árvores produzindo frutas". Rashi explica que esta diferença é porque D'us comandou que a terra produzisse árvores que também fossem comestíveis e que tivessem o mesmo gosto das frutas que produzissem. Isto significa que, de acordo com a ideia original de D'us, se alguém quisesse comer partes do tronco de uma macieira, sentiriam o mesmo gosto que sentem ao comer uma deliciosa maça. Porém, a terra não obedeceu ao comando de D'us e produziu árvores que, apesar de darem frutos, elas mesmas não eram comestíveis. Esta "indisciplina" da terra não passou despercebida aos olhos de D'us, e quando Adam Harishon transgrediu e foi amaldiçoado por ter comido o fruto do conhecimento do bem e do mal, D'us amaldiçoou também a terra, como está escrito: "Maldita é a terra por sua causa" (Bereshit 3:17).
 
Porém, como entender este ensinamento da Torá de que a terra desobedeceu a vontade de D'us? Qual é o conceito espiritual que está sendo transmitido? Além disso, se a terra transgrediu a vontade de D'us, por que sua punição foi postergada até o momento em que Adam foi castigado, ao invés de ser aplicada imediatamente?
 
Responde o Rav Yohanan Zweig shlita que obviamente a terra não pode se rebelar contra a vontade de D'us. Portanto, a explicação é que quando D'us criou a terra, Ele mesmo já "programou-a" de maneira que, ao invés de produzir árvores em seu estado perfeito, que tinham o mesmo gosto de suas frutas, a terra produziria algo imperfeito. Mas por que D'us criou uma ilusão de que uma de suas criaturas estava se rebelando contra Ele?
 
O nome "Adam" vem da mesma raiz da palavra "Adamá", que significa "terra", pois o homem foi criado da terra, como está escrito "E D'us formou o homem do pó da terra" (Bereshit 2:7). E como o homem foi criado da terra, e a terra "escolheu" não seguir a vontade de D'us, é isto o que dá ao ser humano a possibilidade do livre arbítrio, isto é, da escolha entre obedecer a vontade de D'us ou se rebelar contra ela. E como a possibilidade do homem transgredir é consequência dele ter sido criado da terra, foi somente no momento em que ele realmente transgrediu que a terra também foi castigada. A punição da terra representa um aprofundamento da ilusão de que a terra tem a sua independência e a possibilidade de escolher não obedecer a vontade de D'us. Da punição da terra aprendemos as consequências negativas de quando utilizamos nossa livre escolha de maneira equivocada.
 
Portanto, o propósito final das Mitzvót agrícolas, que envolvem o uso da terra, é pegar o elemento da criação que parece estar mais distante e desconectado de D'us, e que carrega a maior expressão do distanciamento de D'us do mundo, que é a terra, e reconectá-la a D'us. E justamente por ser o elemento que aparenta estar mais desconectado, ao ser reconectado ele revela o poder de D'us de uma maneira mais forte.
 
Foi justamente este potencial do povo judeu, o potencial de pegar algo que foi amaldiçoado e transformar em uma Brachá, de reconectar a D'us algo que havia se desconectado, que teve um impacto tão grande sobre Bilaam. Ele reconheceu que o povo judeu tem a incrível habilidade de ver algo amaldiçoado como uma oportunidade de revelar o poder de D'us, e não como um obstáculo. O povo judeu tinha a força de transformar a maldição da terra em Mitzvót agrícolas. Por isso Bilaam entendeu que o povo judeu estava imune às suas terríveis maldições, que ao saírem de sua boca se transformavam em Brachót.
 
Este é o potencial do povo judeu: transformar as coisas mais mundanas em espirituais. Através do estudo da Torá aprendemos a utilizar o mundo material de forma a elevá-lo. Mesmo os atos mais básicos do ser humano podem ser transformados em formas de nos aproximar de D'us. Por exemplo, apesar de comer ser um ato que até mesmo os animais fazem, podemos transformar nossa mesa em um "Mizbeach" (altar de oferendas) para D'us. Limitar nossa alimentação apenas às coisas que D'us nos permitiu, dizer Brachót antes e depois de comer e os bons modos na mesa transformam o alimento físico em algo espiritual. Assim, podemos nos conectar a D'us através das coisas mais elevadas, como a Tefilá (reza), e também podemos estabelecer e manter esta conexão através das coisas mais mundanas do nosso dia a dia. Esta foi a Brachá que saiu da boca de Bilaam, e que nos acompanha até os nossos dias.
 
SHABAT SHALOM                                           
 
Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 26 de junho de 2015

O GOSTO DAS MITZVÓT - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHUKAT 5775

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O GOSTO DAS MITZVÓT - PARASHÁ CHUKAT 5775 (26 de junho de 2015)

"O Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883) certa vez precisou passar o Shabat na cidade de Kovno. Como ele era uma pessoa ilustre, todos correram para convidá-lo, mas ele escolheu passar o Shabat na casa de um padeiro que não tinha filhos, pois não queria que ninguém deixasse de alimentar seus próprios filhos para alimentá-lo. O padeiro era um judeu observante, mas não se dedicava muito ao estudo da Torá.
 
Na noite de Shabat, depois da Tefilá (reza), o padeiro entrou em casa com seu ilustre convidado e viu que já estava tudo pronto para o Kidush, mas as Chalót ainda não estavam cobertas. Muito irritado, com vergonha de o Rav Salanter pensar que em sua casa as Mitzvót não eram cumpridas da maneira correta, ele gritou com sua esposa:
 
- Por que os Chalót não estão cobertas? Quantas vezes eu preciso te lembrar de cobrir as Chalót antes do Kidush?
 
A pobre mulher, sentindo-se completamente humilhada diante do ilustre convidado, apressou-se em cobrir as Chalót, mas o Rav Salanter não pôde deixar de perceber as lágrimas nos olhos dela. Quando o padeiro quis dar ao rabino a honra de fazer o Kidush, o Rav Salanter perguntou se antes eles poderiam conversar reservadamente. O padeiro dirigiu-se com o rabino ao cômodo ao lado.
 
- Você pode me dizer por que devemos cobrir as Chalót antes do Kidush? - perguntou o Rav Salanter.
 
- Rabino, até mesmo uma criança sabe a resposta desta pergunta - respondeu o padeiro - Quando há muitos alimentos diferentes sobre a mesa, a primeira Brachá (benção) é sempre feita sobre o pão, que isenta todos os outros alimentos. Porém, no Shabat à noite, a primeira Brachá tem que ser feita sobre o vinho. Para não envergonhar a Chalá, que está esperando sua Brachá, então é preciso cobri-la até depois do término do Kidush.
 
- Que seus ouvidos escutem o que sua boca está dizendo - falou o Rav Salanter - Você acha que nossos sábios não entendem que um pedaço de massa não tem sentimentos e nunca se envergonha? Entenda uma coisa importante: um dos principais motivos deste costume é tentar nos sensibilizar em relação aos sentimentos das outras pessoas, para que possamos nos esforçar para nunca magoar ou envergonhar o próximo. Sejam os nossos amigos, nossos vizinhos, e acima de tudo as nossas esposas."
 
Cada uma das Mitzvót, e até mesmo os costumes instituídos pelos nossos sábios, além de sua implicação espiritual mais profunda, também carregam vários ensinamentos cujo objetivo é nos transformar em pessoas melhores. 

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Nesta semana lemos a Parashá Chukat, que começa descrevendo uma das Mitzvót mais enigmáticas da Torá: a "Pará Adumá", a vaca completamente vermelha cujas cinzas eram utilizadas para a purificação de pessoas que haviam se contaminado com alguns tipos de impureza espiritual. Mas o versículo que apresenta esta Mitzvá desperta um grande questionamento, pois está escrito: "Este é o 'Chok' (lei) da Torá" (Bamidbar 19:2). Existem centenas de leis na Torá, então por que está escrito que esta é a lei da Torá?
 
Explicam os nossos sábios que existem dois tipos de Mitzvót: os "Chukim" e os "Mishpatim". "Chukim" são as Mitzvót cuja lógica não é compreendida pela mente humana, como a Mitzvá de Shaatnez (proibição de utilizar, na mesma roupa, lã e linho). Já "Mishpatim" são as Mitzvót que fazem sentido ao nosso intelecto e conseguimos entender sua lógica, como as Mitzvót de não roubar e não matar. O Rav Chaim ben Atar zt"l (Marrocos, 1696 - Israel, 1743), mais conhecido como Or HaChaim HaKadosh, afirma que a Mitzvá da Pará Adumá é um modelo de "Chok", por ser completamente ilógica. Ao descrevê-la como sendo a "lei da Torá", o versículo está nos ensinando que aquele que cumpre um "Chok" como este, apesar de não entender as razões, é considerado como se tivesse cumprido toda a Torá, pois é uma grande demonstração da sua vontade incondicional de cumprir a vontade de D'us. Porém, quando cumprimos uma Mitzvá cujas razões são óbvias, não fica claro se a estamos cumprindo apenas porque faz sentido ou simplesmente pois D'us nos comandou.
 
Através da Mitzvá da Pará Adumá fica claro o quanto a verdadeira razão por trás de cada Mitzvá está muito além do nosso entendimento. Mesmo Shlomo HaMelech (Rei Salomão), o mais sábio de todos os homens, achou que havia entendido as razões mais profundas de cada uma das Mitzvót da Torá, mas quando chegou na Mitzvá da Pará Adumá, cuja lógica sua mente não conseguiu penetrar, percebeu que não havia entendido as verdadeiras razões de nenhuma das Mitzvót. Este é um dos princípios fundamentais da Torá, de que devemos cumprir a vontade de D'us sem fazer cálculos de acordo com a nossa própria lógica. Mas então por que tantos sábios grandes, como o Rambam zt"l (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) e o Sefer HaChinuch, fizeram um esforço enorme para explicar os "Taamim" (razões) das Mitzvót? Como estes sábios tiveram a pretensão de entender as razões das Mitzvót, se nem mesmo a sabedoria de Shlomo HaMelech conseguiu alcançá-las?
 
A resposta é que nenhum destes sábios teve a pretensão de explorar as razões mais profundas das Mitzvót. O intelecto limitado do ser humano não consegue conceber as verdadeiras razões por trás das Mitzvót, pois este conhecimento pertence somente a D'us. Mas, por outro lado, isto não quer dizer que os "Taamei HaMitzvót", isto é, as razões mais superficiais descritas pelos nossos sábios, não são verdadeiras. D'us, em Sua infinita sabedoria, fez um arranjo tão perfeito que permite que cada Mitzvá, apesar de sua profundidade, consiga ser percebida de uma maneira específica para cada nível de existência. Portanto, ao estudarmos os "Taamei HaMitzvót", apesar de não conseguirmos penetrar nos segredos mais profundos de cada Mitzvá, ao menos podemos aprender algo que, para o nosso nível, ajuda em nosso trabalho espiritual aqui neste mundo. Por exemplo, entender os "Taamei HaMitzvót" pode nos ajudar a desenvolver traços de caráter desejáveis e pode nos ajudar a melhorar nossos relacionamentos.
 
Um exemplo interessante são as Mitzvót relacionadas com os conceitos de "Tahará" (pureza) e "Tumá" (impureza), que são extremamente difíceis de serem entendidas de maneira lógica. Porém, apesar desta impossibilidade de entendimento mais profundo, há benefícios óbvios que podemos usufruir ao cumprirmos estas Mitzvót. Dentre as leis de pureza e impureza, talvez uma das mais relevantes atualmente é a "Taharat HaMishpachá" (leis de pureza familiar, que incluem o afastamento entre o marido e a esposa no período em que a mulher está ritualmente impura). O Talmud (Nidá 31b) explica que é extremamente benéfico para o casal um período mensal de separação física, para que o casamento não caia na falta de entusiasmo na área do relacionamento íntimo. Baseado neste ensinamento do Talmud, o Sefer HaChinuch (Mitzvá 166) escreve que este benefício, de trazer um frescor constante para o casamento, é um dos "Taamim" para a Mitzvá de "Taharat HaMishpachá". Isto não significa que a razão pela qual devemos cuidar desta Mitzvá é apenas para melhorar o nosso relacionamento marital. Por outro lado, devemos saber que isto não é apenas uma coincidência, pois certamente D'us também intencionou que, no nosso dia-a-dia, a Mitzvá melhorasse nossa vida.
 
Portanto, apesar de não podermos nos aprofundar nas reais razões de cada Mitzvá, nós podemos entender os "Taamim" delas, que também são verdadeiros para o nosso nível de entendimento. Foi por isso que alguns sábios se esforçaram tanto para entender os "Taamei HaMitzvót". É verdade que nós devemos cumprir as Mitzvót apenas por D'us ter nos comandado, mas não é suficiente cumpri-las como se fossemos robôs, sem nenhum pensamento ou entendimento do que estamos fazendo. As Mitzvót destinam-se a nos mudar, a nos transformar em pessoas melhores, e a maneira que isto ocorre é justamente através dos "Taamei HaMitzvót". O Sefer HaChinuch traz, para cada uma das 613 Mitzvót da Torá, a raiz que está por trás dela, justamente para que possamos ter ideia do possível ganho espiritual com o cumprimento de cada Mitzvá, e possamos trabalhar para atingir este objetivo.
 
Aprender sobre os "Taamei HaMitzvót" não é apenas um exercício benéfico, e sim algo essencial para o nosso relacionamento com D'us. Explica o Rambam que o propósito de todas as Mitzvót é nos trazer mais próximos de D'us e reconhecer que Ele é o nosso Criador. Porém, este processo pelo qual a pessoa se aproxima de D'us através do cumprimento das Mitzvót não ocorre de maneira automática. Se a pessoa cumpre as Mitzvót apenas por hábito, apesar de tecnicamente tê-las cumprido, não as utilizou para alcançar seu objetivo verdadeiro, que é a proximidade com D'us.
 
Este é o importante ensinamento desta Parashá. A Mitzvá da Pará Adumá nos ensina que estamos obrigados a cumprir as Mitzvót sem questionar sua lógica, mas ao mesmo tempo devemos entender os "Taamei HaMitzvót" para que possamos crescer com cada Mitzvá da maneira planejada por D'us, nos tornando a cada dia pessoas melhores. Mesmo em um nível superficial, conseguimos captar intelectualmente a razão das Mitzvót, e isso nos ajuda a crescer em alguma área na vida. Mas isto não é uma tarefa fácil, pois o Yetzer Hará (má inclinação) sabe o quanto podemos crescer com cada Mitzvá. Por isso ele permite que continuemos cumprindo as Mitzvót, mas nos afasta do entendimento do objetivo e dos benefícios de cada uma delas. A consequência é que cumprimos as Mitzvót de forma mecânica, e não conseguimos sentir o gosto de nos aproximarmos de D'us.
 
A palavra "Taam" significa "razão", mas também significa "gosto". O mais importante da comida não é o gosto, e sim as vitaminas e os nutrientes, que nos sustentam e nos dão energia. Mas o gosto é o que torna a comida atrativa e faz do ato de comer algo prazeroso. Da mesma forma, os "Taamei HaMitzvót" não são as partes mais importantes das Mitzvót, mas são o que as tornam mais gostosas e prazerosas de serem cumpridas.

SHABAT SHALOM                                           

Rav Efraim Birbojm

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Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

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sexta-feira, 19 de junho de 2015

CEGUEIRA ESPIRITUAL - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KORACH 5775 

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CEGUEIRA ESPIRITUAL - PARASHÁ KORACH 5775 (19 de junho de 2015)

"Roberto estava distraidamente dirigindo seu carro, mais preocupado com as contas a pagar e com o planejamento das férias de julho do que com o trânsito. De repente, seu celular tocou e ele "despertou". Era sua esposa, aflita, querendo saber onde ele estava.
 
- Fique tranquila, querida, estou quase chegando em casa. Já estou na Marginal Pinheiros.
 
- Ai, meu D'us! - interrompeu a esposa, com a voz muito preocupada - Querido, tome cuidado. Acabei de escutar no rádio que tem um maluco na Marginal Pinheiros dirigindo na contra mão.
 
- Querida, você tem razão. Estou vendo um carro vindo pela contramão. Que maluco, este motorista deveria ser preso! Ei, não é apenas um carro que está na contramão, são 2... não, são 5... são mais de 10..."
 
A piada é engraçada, mas infelizmente é exatamente assim que vivemos. Sempre nós estamos certos e os outros estão errados. E muitas vezes isto pode acabar custando caro espiritualmente. 

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Nesta semana lemos a Parashá Korach, que nos ensina a gigantesca força da inveja e da busca de honra, que conseguem desviar até mesmo pessoas boas e corretas. Korach, o primo de Moshé, era um homem espiritualmente elevado, da tribo de Levi, que acabou se desviando por causa da vontade de se tornar o líder do povo judeu e se rebelou contra a liderança de Moshé. De acordo com o Rav Avraham ben Meir zt"l (Espanha, 1092 - 1167), mais conhecido como Ibn Ezra, a rebelião ocorreu logo depois da inauguração do Mishkan (Templo Móvel), quando Aharon e seus filhos foram designados, no lugar dos primogênitos, como os responsáveis por todos os serviços espirituais. Korach, que também era primogênito, se enfureceu por não ter sido o escolhido. Ele conseguiu juntar outros 250 homens da tribo de Levi, todos primogênitos, e questionou os cargos de Moshé e de Aharon, utilizando a força da zombaria. Ridicularizou Moshé e as Mitzvót da Torá em público, querendo demonstrar que a escolha de Moshé e as leis que ele havia ensinado ao povo não eram Divinas, e sim frutos de sua cabeça.
 
Apesar de ter sido humilhado em público, Moshé, o mais humilde de todos os homens, teve tranquilidade. Ele sabia que a rebelião era uma afronta direta a D'us, que o havia escolhido pessoalmente como líder. Moshé entendeu que as consequências seriam trágicas, e por isso tentou convencer Korach e seus seguidores a desistirem da rebelião. Ao perceber que eles estavam obstinados e não conseguiam escutar nenhum argumento racional, Moshé ainda tentou uma última estratégia: adiar a discussão para o dia seguinte, como está escrito: "Ele (Moshé) disse para Korach e para todo o seu grupo: Amanhã D'us fará conhecer aquele que Lhe pertence e aquele que é sagrado" (Bamidbar 16:5). Moshé achou que eles estavam exaltados pelo calor do momento, mas que se acalmariam quando voltassem para casa e acabariam desistindo da rebelião.
 
Observando com cuidado o versículo desta tentativa de Moshé de ganhar tempo para esfriar os ânimos, há algo que nos chama a atenção. A linguagem utilizada por Moshé foge um pouco do padrão, pois ele não falou "Machar", que literalmente significa "amanhã", e sim "Boker", que significa "manhã". Por que Moshé falou desta maneira com Korach? Qual era a mensagem que ele estava transmitindo?
 
Infelizmente o ser humano tem uma grande dificuldade em reconhecer seus erros. Estar certo nos causa uma sensação de superioridade, enquanto estar errado nos causa uma sensação de inferioridade. Por isso, qualquer coisa que sugira que estamos errados nos incomoda, pois é uma ameaça à nossa autoestima. Temos um mecanismo de defesa, chamado "dissonância cognitiva", que tenta, de forma subconsciente, bloquear nossa busca pela verdade toda vez que somos ameaçados em nossas certezas. Este mecanismo nos faz procurar justificativas e racionalizações para nossos erros, encobrindo-os e ignorando-os, ao invés de os tratarmos de maneira objetiva. Por isso é tão difícil a pessoa enxergar que errou e desagradou a D'us. Porém, no deserto era diferente, pois havia algo que diariamente demonstrava o nível de conexão das pessoas com D'us: o Man, que caía do céu e alimentava o povo judeu. Quando o Man caía de manhã cedo, não caía para todos no mesmo lugar. Se a pessoa era Tzadik (justa), o Man caía na porta de sua tenda e ela não precisava de nenhum esforço para buscá-lo. Mas se a pessoa não era Tzadik, seu Man caía longe de sua tenda.
 
Explicam nossos sábios que quando Moshé utilizou a palavra "Boker", ele estava transmitindo a seguinte mensagem para Korach: "Querido primo, até hoje você sempre foi um grande Tzadik, e a prova disso é que o Man cai todas as manhãs na porta da sua tenda. Mas vamos ver amanhã de manhã, após você ter iniciado esta rebelião, onde o seu Man vai cair". Moshé estava demonstrando para Korach, de maneira lógica e verificável, que a rebelião era um grande erro. Ele estava dando a chance de Korach entender que a rebelião era uma transgressão tão grave aos olhos de D'us que mudaria seu status, de um dia para o outro, de Tzadik para Rashá (malvado). Era a chance de Korach enxergar que estava errado e se arrepender.
 
Korach não se abalou, pois estava confiante na retidão dos seus atos. Mas o que aconteceu na manhã seguinte? O Man de Korach caiu longe de sua tenda, exatamente conforme Moshé havia advertido, demonstrando de forma clara que D'us estava descontente com ele. O que deveria ter ocorrida após esta incrível prova Divina da culpa de Korach? Ele deveria ter se arrependido pelo seu erro, começando com um pedido público de desculpas a Moshé por todas as ofensas e zombarias que ele havia feito. Ao perceber que não estava agradando a D'us com seu ato, Korach deveria ter mudado. Deveria ter reunido todos os rebeldes, que ele havia pessoalmente convencido a se unirem em um plano para derrubar Moshé, e explicado que ele havia se enganado. Mas infelizmente sabemos que não foi este o final da história.
 
Como pode ser que Korach, uma pessoa tão elevada, não enxergou a mensagem explícita de D'us? Por que ele não mudou, mesmo após ter visto que estava errado? Explica o Rav Shmuel Greineman shlita que quando uma pessoa está obstinada, ela fica cega e não consegue enxergar seus erros, mesmo quando são muito graves. Ao invés de assumir seu erro, a pessoa obstinada procura justificativas e racionalizações para sua transgressão. Foi exatamente isto o que aconteceu com Korach. Ao ver de manhã que o Man realmente havia caído longe de sua tenda, ao invés de entender que ele estava errado e que sua rebelião era uma transgressão, ele racionalizou e interpretou a mensagem de D'us justamente ao contrário. Ele juntou seus seguidores e anunciou: "Hoje meu Man caiu longe da minha tenda. Isto é um sinal de que D'us está bravo conosco. E o único motivo que pode explicar a irritação de D'us é que não estamos nos levantando contra a dominação de Moshé com toda a força que deveríamos. D'us quer que continuemos nossa rebelião contra Moshé, mas com mais força e determinação". Korach continuou com sua rebelião até o fim, completamente obstinado, causando não apenas a sua morte precoce, mas também a morte de sua família e de todos os seus seguidores.
 
É assustador ver Korach, um homem com um potencial espiritual tão grande, ter caído de maneira tão "infantil", tentando interpretar a bronca de D'us como se tivesse sido um incentivo à sua rebelião. E se alguém naquele nível estava sujeito a esta confusão, muito mais nós, que estamos em um nível espiritual mais baixo. Então o que fazer para não cairmos no mesmo erro de Korach? Como ter certeza de que as nossas decisões não estão sendo influenciadas, de forma subconsciente, pelas nossas vontades de estarmos sempre certos?
 
A resposta está em um importante ensinamento dos nossos sábios: "Faça para você um rabino e adquira para você um amigo" (Pirkei Avót 1:6). O rabino é um conhecedor das leis do mundo espiritual que, baseado nos ensinamentos da Torá, pode nos aconselhar e nos orientar em diversas áreas da vida. Já um amigo de verdade, cuja amizade valeria a pena mesmo que fosse necessário pagar por ela, é aquele que nos dá uma bronca sempre que nos vê fazendo algo errado. O ponto em comum entre o rabino e o amigo verdadeiro é que, por estarem isentos dos nossos interesses e desejos pessoais que nos desviam da verdade, e por se importarem de verdade com o nosso crescimento, conseguem nos ajudar de uma maneira mais objetiva.
 
Gostamos da sensação de estarmos sempre certos, e por isso é tão difícil buscar a verdade. Mas aprendemos de Korach que viver em uma mentira pode ser trágico. Não podemos confiar apenas em nós mesmos, pois estamos sempre muito suscetíveis a nos enganarmos. Por isso é importante buscar constantemente o aconselhamento das pessoas que realmente gostam tanto de nós que saberão nos dar, por amor, uma bronca quando for necessário. 

SHABAT SHALOM                                           

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
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