quinta-feira, 26 de junho de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHUKAT 5774

BS"D

SANTIFICANDO O NOME DE D'US - PARASHÁ CHUKAT 5774 (27 de junho de 2014)


"No dia 19 de agosto de 2003, um terrível atentado terrorista despedaçou o coração do povo judeu. O ônibus número 2, da companhia israelense Egged, que havia recém saído do Kotel (Muro das Lamentações) e estava completamente lotado, foi explodido por um terrorista suicida. 24 pessoas morreram, entre elas bebês e crianças, e mais de 130 ficaram feridas.

Um dos feridos era Yossef Rosenbaum (nome fictício), um judeu religioso que precisou ficar alguns dias internado no hospital por causa dos ferimentos causados pelos estilhaços. Um repórter veio ao hospital para entrevistá-lo e saber mais detalhes sobre o atentado. Yossef, apesar das dores que ainda sentia, respondeu a todas as perguntas do repórter com paciência. Quando a entrevista terminou e o repórter preparava-se para sair, Yossef chamou-o e disse:

- Será que você poderia me fazer um grande favor? Quando eu entrei no ônibus com meus três filhos, eu tive que entrar pela porta de trás, pois estava lotado. Eu estava esperando o ônibus esvaziar um pouco para poder chegar até o motorista e pagar as passagens. Porém, infelizmente a explosão aconteceu antes de eu ter a oportunidade de pagar. Portanto, será que você poderia pedir para algum funcionário da Egged vir ao hospital para que eu possa pagar pelas passagens?

Certamente o repórter aprendeu naquele dia uma incrível lição de honestidade e temor a D'us. Foi um ato de Kidush Hashem (santificação do nome de D'us), que podemos fazer mesmo nas situações mais cotidianas da vida, simplesmente sendo honestos. (História Real)

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Nesta semana lemos a Parashá Chukat que fala, entre outros assuntos, sobre um erro de Moshé que o fez perder o direito de entrar na Terra de Israel. O povo judeu estava no deserto e se revoltou contra Moshé por causa da falta de água. D'us ordenou que Moshé desse água ao povo de uma forma milagrosa, falando com uma pedra, mas ao invés de falar com a pedra, Moshé a golpeou com seu cajado. A Torá então nos conta que Moshé foi castigado, como está escrito: "E disse D'us para Moshé e para Aharon: pelo fato que vocês não confiaram em mim, para Me santificar diante de todos os Filhos de Israel, por isso vocês não trarão este povo para a terra que Eu dei para vocês" (Bamidbar 20:12). Deste versículo muito comentaristas da Torá aprendem que o principal erro de Moshé neste episódio foi não ter santificado o nome de D'us diante do povo judeu.

Mas desta explicação fica uma grande pergunta: por que foi considerado menos Kidush Hashem as pessoas terem recebido água retirada de uma pedra através do cajado de Moshé? Não foi um enorme milagre o fato de mais de 3 milhões de pessoas terem recebido água para beber, retirada de uma pedra no meio do deserto? Qual teria sido a diferença se Moshé tivesse falado com a pedra, ao invés de golpeá-la?

Afirma o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204), que todos os milagres que já ocorreram e os que ainda vão ocorrer foram originalmente programados nos 6 dias da Criação. Por exemplo, quando D'us criou os mares no segundo dia, Ele incorporou nas propriedades da água o potencial dela se dividir caso Ele achasse isso necessário. Foi esta característica que possibilitou que o Mar Vermelho se abrisse quando o povo judeu saiu do Egito, sem a necessidade de nenhum tipo de alteração nas propriedades da água, pois a habilidade de se abrir já estava incorporada nela desde a Criação do mundo.

Porém, esta afirmação do Rambam parece contradizer um ensinamento dos nossos sábios: "10 coisas foram criadas no crepúsculo da véspera do primeiro Shabat: a boca da terra (que engoliu Korach), a boca do poço (de Miriam, que fornecia água para o povo judeu no deserto), a boca da mula (de Bilaam, que deu uma bronca nele)..." (Pirkei Avót 5:6). Porém, se o Rambam está correto em sua afirmação de que todos os milagres foram programados na natureza no momento em que os elementos associados a este milagre estavam sendo criados, então por que estes 10 milagres citados no Pirkei Avót foram criados apenas na véspera do Shabat, e não cada um junto com seu elemento correspondente?

Explica o Rav Yohanan Zweig que todas as criações podem ser classificadas dentro de 4 níveis de existência: "Domem" (Inanimados), "Tsomeach" (Vegetais), "Chai" (Animais) e "Medaber" (Ser humano, que tem a habilidade da fala). O que é um milagre aberto? É quando D'us interfere nas leis da natureza, como quando Ele transformou as águas do Egito em sangue ou trouxe uma enorme quantidade de insetos e animais ferozes de um lugar para o outro. Mas este é um tipo mais baixo de interferência de D'us, no qual não há mudança no nível de existência dos elementos envolvidos. Por exemplo, tanto a água quanto o sangue são "Domem", e a transferência dos animais e insetos também não muda seu nível de existência como um "Chai".

Já os 10 milagres criados no crepúsculo da véspera do primeiro Shabat são milagres únicos e especiais, pois foram catalisadores que tornaram possível para outras criações transcenderem, de um nível mais baixo para um nível mais alto de existência. Por exemplo, o milagre da boca da mula de Bilaam permitiu que um ser "Chai" se transformasse em um "Medaber". Também Korach não foi simplesmente tragado por um buraco na terra, a Torá descreve que a terra "abriu sua boca", isto é, se transformou em uma criatura viva, passando de "Domem" para "Chai".

De acordo com o Rav Yehuda Loew (Praga, 1525 - 1609), mais conhecido como Maharal de Praga, quanto mais próximo do Shabat algo foi criado, mais esta criação extraiu sua energia do Shabat para sua existência. Por isso os milagres que eram mais sobrenaturais, que envolviam inclusive mudanças de um nível para outro, foram criados mais próximos do Shabat, para que pudessem extrair o máximo de energia possível.

Explica Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, que o poço de Miriam mencionado no Pirkei Avót era a mesma pedra que Moshé golpeou. Este poço já havia sido criado no crepúsculo da véspera de Shabat, justamente por conter o potencial de transcender e mudar de nível. Isto quer dizer que se Moshé tivesse falado com a pedra, ela teria se transformado de um "Domem" em um "Chai", um objeto vivo, com o qual seria possível interagir através da fala. Mas ao bater na pedra, Moshé tratou-a apenas como um "Domem", perdendo a oportunidade única de santificar o nome de D'us através de um milagre que transcendia os níveis de existência das criaturas. Isto mostra o quanto é grave deixarmos de aproveitar oportunidades nas quais podemos santificar o nome de D'us.

Este ensinamento também é muito importante para nós. Apesar de já não termos mais profetas como Moshé, que podiam fazer milagres diante de todo o povo, e nem milagres abertos que envolvem grandes intervenções de D'us na natureza, mesmo assim ainda temos o potencial de, nos atos mais simples do cotidiano, santificar o nome de D'us.

Vivemos em uma época difícil, onde a enganação e a desonestidade são normais e aceitáveis. Nossa sociedade se acostumou a viver de acordo com a "Lei de Gerson", a filosofia de sempre levar vantagem em tudo. As notícias dos jornais nos desanimam, pois parece que não há fim para tanta malandragem e desonestidade. Mas isto não é motivo para desistirmos de lutar, ao contrário, é uma grande oportunidade. Quando uma vela está acesa durante o dia, ela passa despercebida aos olhos das pessoas, mas uma vela na escuridão chama muita atenção. O mundo atual se compara a uma grande escuridão espiritual, e nossos bons atos se comparam a uma pequena vela que acendemos. Cada bom ato faz diferença, cada ato de honestidade chama a atenção de todos. Um motorista de taxi que devolve uma carteira com dinheiro esquecida no seu taxi vira um herói e aparece na manchete de todos os jornais, apesar de não ter feito mais do que sua obrigação, já que a Torá nos obrigar a devolver um objeto encontrado. A escuridão é tanta que o brilho de um pequeno bom ato tem o potencial de iluminar muito mais. Alguns atos como devolver o troco recebido a mais, tratar bem os funcionários e pagá-los na data certa, devolver um objeto encontrado e não utilizar objetos de outras pessoas sem permissão, apesar de serem pequenas atitudes, deixam uma grande marca. Esta é a nossa oportunidade de santificar o nome de D'us através de pequenos atos de honestidade. E se cada um conseguir acender sua pequena vela, conseguiremos juntos transformar o mundo em um lugar muito mais iluminado.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 19 de junho de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KORACH 5774

BS"D

DISCUSSÃO POSITIVA - PARASHÁ KORACH 5774 (20 de junho de 2014)


"Rodrigo, um famoso palestrante, estava dando um curso para um enorme público. No final da aula, como ainda havia sobrado alguns minutos, ele permitiu que o público fizesse perguntas. Quem tivesse interesse poderia escrever sua pergunta em um papel e encaminhar a ele.

O sistema estava funcionando bem. As perguntas chegavam por escrito a Rodrigo, que as lia em voz alta e imediatamente respondia. Até que Rodrigo abriu um dos papéis e viu que estava escrito apenas uma palavra: "Idiota". Em um primeiro momento, Rodrigo ficou furioso. Pensou em tentar descobrir quem era o engraçadinho que havia mandado aquele papel e fazer um escândalo com ele, ensinando-lhe boas maneiras. Mas depois ele se acalmou e decidiu que não valia a pena discutir, pois certamente tratava-se de alguém de baixo nível, que não escutaria sua bronca. Rodrigo teve então uma ideia genial: pegou o papel na mão, leu a ofensa em voz alta, olhou fixamente para o público e disse:

- Senhores e senhoras, há anos eu dou palestras pelo Brasil inteiro, e é muito comum eu permitir que pessoas façam perguntas no final. Na maioria das vezes, as pessoas escrevem a pergunta mas esquecem de assinar o nome. Porém, desta vez aconteceu algo completamente diferente, que nunca havia acontecido antes. A pessoa que mandou o bilhete esqueceu-se de escrever a pergunta, mas lembrou-se de assinar o nome..."

Discussões somente são válidas se nos ajudam a esclarecer algo. Mas quando se tratam de pessoas que não estão dispostas a escutar, então o ideal é não se envolver em nenhum tipo de discussão, pois certamente as consequências serão apenas gritos e aborrecimentos, que não levarão a lugar nenhum.

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Na Parashá desta semana, Korach, a Torá nos ensina a força destrutiva de uma "Machloket" (disputa). Korach, motivado pela inveja e pela busca de Cavód (honra), organizou uma revolta contra Moshé Rabeinu, seu primo, pois estava incomodado com sua posição de destaque dentro do povo judeu. Através de deboches e piadas, que ridicularizavam os ensinamentos de Moshé diante de todo o povo, Korach conseguiu convencer um enorme grupo de pessoas a se juntar a ele na revolta, na tentativa de derrubar Moshé e assumir seu cargo. As consequências foram trágicas, com a morte de Korach e todo o seu grupo através de castigos aplicados diretamente por D'us.
 
Porém, apesar deste lado extremamente destruidor mostrado pela Torá, nossos sábios ensinam que nem toda Machloket realmente é negativa, como está escrito na Mishná (parte da Torá Oral): "Toda Machloket que é Leshem Shamaim (em nome dos Céus), no final se manterá. E aquela que não é Leshem Shamaim, no final não se manterá. Qual é a Machloket Leshem Shamaim? É a Machloket entre Hilel e Shamai. E a que não é Leshem Shamaim? É a Machloket de Korach e seu grupo" (Pirkei Avót 5:17). Mas afinal, o que é considerado uma Machloket Leshem Shamaim? E o que significa dizer que uma Machloket se manterá ou não se manterá no final?

Explica o Rav Ovadia MiBarternura  (Itália, 1445 - Israel, 1515) que uma Machloket Leshem Shamaim é quando surge uma dúvida e dois lados disputam, com as intenções mais puras, para tentar esclarecer a verdade e descobrir o que é o correto. Este tipo de Machloket no final se manterá, isto é, levará os dois lados envolvidos ao objetivo inicial, que é o esclarecimento da verdade. Este é o caso das centenas de discussões entre dois grandes sábios, Shamai e Hilel, que estão gravadas para sempre nos diversos Tratados do Talmud (parte da Torá Oral). Não há dúvidas de que as discussões deles não vinham de uma vontade de "vencer a briga a qualquer custo", apenas para mostrar quem tem razão. Todo o intuito de suas discussões era para definir exatamente qual é a vontade de D'us em determinados assuntos. Portanto, vemos que esta Machloket se manteve, pois as discussões levaram ao estabelecimento de muitas das leis que constam até hoje na Halachá (Código judaico de Leis).

E qual é a Machloket que não é Leshem Shamaim? É aquela na qual o interesse, motivado pelo orgulho, é apenas de "vencer a briga". Como a disputa é por motivos egoístas, sem interesse em escutar o que o outro tem a dizer, consequentemente um lado nunca procurará entender os argumentos do outro, como ocorreu no caso da Machloket de Korach. É interessante perceber que a Mishná não escreve "Machloket de Korach e Moshé", e sim "Machloket de Korach e seu grupo", pois eles estavam tão focados na busca de honra e poder que não escutaram nada do que Moshé tinha para explicar. Como eles não abriram seus ouvidos para escutar o outro lado, não é considerado que eles discutiram com Moshé, e sim que discutiram apenas entre eles mesmos.

É por isso que a Mishná ensina que este tipo de Machloket não se mantém, isto é, nunca chegará a esclarecer nada e nunca levará a um consenso. Se Korach tivesse prestado atenção aos argumentos de Moshé, certamente teria percebido que estava enganado. Mas como ele preferiu continuar na sua "surdez", tristemente a história terminou com trágicas consequências para ele e todos os seus seguidores.

Devemos ter o cuidado de nunca entrar em uma discussão a não ser que seja com o único objetivo de buscar o esclarecimento da verdade. Se a Machloket se desvia deste propósito e se transforma em uma luta pela vitória, marcada pela obstinação e pela falta de vontade de escutar o que o outro lado tem a dizer, então certamente esta Machloket não é Leshem Shamaim e não terá consequências positivas.

Nossos sábios ensinam algo muito interessante sobre o enorme mérito daquele que, em meio a uma discussão, sabe escutar o outro lado. As discussões entre Shamai e Hilel continuaram através de seus alunos, chamados pelo Talmud de "Beit Shamai" e "Beit Hilel". O Talmud (Eruvin 13b) afirma que uma Voz Celestial anunciou que a Halachá (lei) vai de acordo com a opinião de Beit Hilel. Por qual mérito Beit Hilel teve a Halachá fixada de acordo com a sua opinião? O Talmud diz que os alunos de Hilel eram gentis e humildes, estudavam suas próprias opiniões e também as de Beit Shamai, e eram tão humildes que mencionavam as opiniões de Beit Shamai antes das suas próprias opiniões. Isto nos ensina que os alunos de Hilel sempre davam sua opinião apenas depois de levarem em consideração a opinião dos alunos de Shamai, demonstrando o quanto era uma Machloket Leshem Shamaim.

Acima de tudo, o Talmud nos ensina que escutar a opinião dos outros agrada a D'us, pois é uma demonstração de humildade, de que sempre há algo para aprender e que não estamos sempre com a razão. A palavra "Cavód" (honra) vem da mesma raiz da palavra "Coved", que significa "peso". Dar Cavód ao próximo é saber dar o devido peso às palavras ditas pelos outros. É realmente levar em consideração, em uma discussão, o que os outros opinam, questionando sinceramente se a nossa opinião é realmente a correta. É saber escutar até o fim o que o outro tem a dizer, sem interrompê-lo na metade. Mas ao contrário, quando achamos que estamos sempre certos e a opinião dos outros não é importante, isto é uma demonstração de arrogância, uma característica muito desprezada por D'us.

Que possamos nos afastar de Machlokot como a de Korach e seu grupo, para que possamos ter mais paz no mundo, em especial dentro do povo judeu. E que pelo mérito de sabermos escutar o próximo, D'us possa ter misericórdia de todos nós, e os três jovens sequestrados em Israel possam voltar, sãos e salvos, para suas casas.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 13 de junho de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHELACH 5774

BS"D

CONSCIÊNCIA DOS NOSSOS ERROS - PARASHÁ SHELACH 5774 (13 de junho de 2014)

"Rogério contratou um jardineiro para a manutenção do seu jardim. Era um rapaz muito jovem, aparentando ter pouca experiência, mas se mostrou muito esforçado. Quando terminou o serviço, o jardineiro pediu para utilizar o telefone. Rogério, que ficou na sala ao lado, não pôde deixar de ouvir a conversa. O rapaz ligou para uma mulher e perguntou se ela precisava de um jardineiro. Ela agradeceu, mas respondeu que já tinha um. O jovem não desistiu e explicou que além de aparar a grama também tirava o lixo, mas novamente a mulher recusou, argumentando que seu jardineiro também fazia isso. O jovem insistiu mais uma vez, garantindo que limpava bem as ferramentas no fim do trabalho e que nunca deixava um cliente sem um pronto atendimento, porém novamente a mulher recusou, afirmando que tudo isso ela já tinha com seu jardineiro atual. Em uma última tentativa, o jovem falou que o seu preço era muito bom, mas a mulher respondeu firmemente que não estava interessada, pois seu jardineiro também tinha um preço muito bom. Quando o jovem jardineiro desligou o telefone, Rogério sentiu muita pena dele e tentou consolá-lo:

- Não se preocupe, rapaz. Você é esforçado, certamente conseguirá outros clientes.

- Não estou preocupado - respondeu o jovem, abrindo um enorme sorriso - pois eu já sou o jardineiro dela.

- Então por que você ligou para ela oferecendo seus serviços? - perguntou Rogério, confuso.

- Fiz isto apenas para medir o quanto ela estava satisfeita comigo - respondeu o jardineiro - Assim eu posso saber onde preciso melhorar, para fazer sempre meu trabalho da melhor maneira possível."

Teríamos a coragem de fazer a mesma pesquisa feita por este jardineiro? Nos questionamos constantemente para saber se realmente nossos atos estão sempre corretos, ou acabamos nos acomodando e acreditando que nós sempre estamos certos e são sempre os outros que fazem coisas erradas?

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Na Parashá desta semana, Shelach, o povo judeu estava prestes a entrar na Terra de Israel, mas ao invés dos judeus confiarem em D'us, eles preferiram enviar espiões para ver como era a terra. Infelizmente aquela falta de Emuná (fé) teve consequências trágicas. Dos 12 espiões enviados, 10 voltaram falando mal da terra, causando um enorme desespero no povo e um consequente choro. D'us decretou que aquela geração inteira não teria mais o mérito de entrar na Terra de Israel. Apenas 2 espiões conseguiram escapar da transgressão: Yoshua e Kalev. Como eles conseguiram resistir à tentação de se juntar aos outros espiões?

Antes dos espiões partirem, a Torá diz que Moshé acrescentou uma letra ao nome de Yoshua, que até aquele momento se chamava "Hoshea". Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, explica que Moshé rezou por Yoshua, para que ele fosse salvo do teste de querer se unir aos outros espiões, e a manifestação desta Tefilá (reza) foi o acréscimo da letra "Iud" no nome dele. Poucos versículos depois, quando a Torá descreve os primeiros passos dos espiões já na Terra de Israel, Rashi explica que Kalev se separou do grupo e foi até Chevron, para rezar no túmulo dos patriarcas e pedir para ser protegido das más influências dos outros espiões. Portanto, a Torá nos ensina que o que salvou Yoshua e Kalev da transgressão foi a força da Tefilá.

Porém, aparentemente este ensinamento vai diretamente contra um princípio citado pelos nossos sábios no Talmud (Brachót 33b): "Tudo depende dos Céus, menos o temor aos Céus". Isto quer dizer que D'us controla todos os detalhes do que ocorre nas nossas vidas, mas ao mesmo tempo Ele nos deu o livre arbítrio, isto é, a habilidade de escolher entre o certo e o errado, deixando isto completamente nas mãos do ser humano. Quando rezamos para que D'us nos ajude com coisas que não estão sob nosso controle, como a saúde e o sustento, que dependem única e exclusivamente da Supervisão Divina, certamente esta Tefilá pode ser muito benéfica e nos ajudar. Porém, rezar para não cometer uma transgressão parece ser algo inútil, já que a decisão de cometer ou não uma transgressão não está nas mãos de D'us, é algo que está completamente sob nosso controle. Portanto, como pode ser que o que salvou Yoshua e Kalev de cometerem uma transgressão foi a Tefilá, se a decisão de transgredir ou não estava apenas nas mãos deles mesmos?

Responde o Rabino Yossef Chaim (Iraque, 1832 - 1909), mais conhecido como Ben Ish Chai, que há duas formas de uma pessoa transgredir. Uma forma é quando a pessoa tem total claridade que um ato é proibido, mas apesar disso, movida pelos seus desejos, ela decide fazê-lo, com total consciência de que está cometendo um erro. Outra forma é quando o Yetser Hará (má inclinação) da pessoa consegue obscurecer sua capacidade de discernimento e a convence que aquela transgressão é, na verdade, um ato permitido, possibilitando-a de racionalizar que ela não está cometendo absolutamente nenhum erro.

O princípio de "tudo depende dos Céus, menos o temor aos Céus" somente se aplica à primeira forma de transgressão, quando é completamente claro para a pessoa que ela está cometendo um erro. Neste caso, realmente não há nenhum benefício em rezar para que D'us nos proteja da transgressão, pois isto está sob nosso controle, e D'us não interfere no nosso livre arbítrio. Porém, em relação ao segundo tipo de teste, quando a pessoa sinceramente acredita que não é uma transgressão, e o que causa o problema é a falta de claridade sobre o que é correto fazer, então a situação já não está mais completamente nas mãos da pessoa. Neste caso, quando a pessoa quer fazer o que é correto mas sabe que tem risco de ser enganada pelo Yetser Hará, então ela pode direcionar seu coração para D'us e pedir ajuda para que a verdade não seja obscurecida através de racionalizações. Portanto, nesta situação certamente a Tefilá é benéfica e pode ajudar a evitar as transgressões.

O Ben Ish Chai ressalta que Yoshua e Kalev enfrentaram o segundo tipo de teste. Os espiões eram gigantes espirituais, certamente não iriam deliberadamente denegrir a terra prometida por D'us sem nenhuma justificativa para seu comportamento. Ele explica que quando os espiões viram a enorme prosperidade da Terra de Israel, eles tiveram medo que caso descrevessem a verdadeira situação, o povo entraria em Israel com motivações incorretas, apenas focando nos ganhos materiais que poderiam ter, e não na possibilidade de poder cumprir todas as Mitzvót. Por isso eles decidiram falar mal da terra, na esperança de que o povo judeu, mesmo escutando as más notícias, decidiria entrar em Israel com motivações completamente espirituais e, com isso, receberiam uma recompensa muito maior. Porém, esta racionalização era apenas uma tentativa do Yetser Hará de impedir que o povo judeu entrasse na Terra de Israel, o que de fato aconteceu. Foi por isso que Moshé rezou, com sucesso, para que Yoshua, seu aluno mais próximo, fosse protegido de racionalizações deste tipo, que o faria acreditar que falar mal de Israel era uma grande Mitzvá. De forma similar, Kalev rezou para que pudesse manter a sua claridade e assim se proteger das armadilhas do Yetser Hará.

Aprendemos do Ben Ish Chai que há duas maneiras de uma pessoa transgredir: ou a pessoa transgride de forma intencional, ou a pessoa é enganada pelo seu Yetser Hará de forma que ela pensa que não está cometendo nenhuma transgressão. O mais grave dos dois desafios é certamente o segundo, pois quando a pessoa tem claridade dos seus atos, por mais que faça algo deliberadamente errado, ela tem grandes chances de futuramente se arrepender e não voltar a errar mais. Porém, quando o erro é fruto da falta de claridade, é muito provável que a pessoa repetirá o mesmo erro até o fim da vida, pois não entende que está fazendo algo errado, ao contrário, muitas vezes pensa que está até mesmo fazendo uma Mitzvá.

Segundo o Rav Chaim Vologziner (Lituânia, 1749 - 1821), esta falta de claridade surgiu após o erro de Adam Harishon (Adão). Antes de cometer a transgressão de comer o fruto do conhecimento do bem e do mal, ele tinha total claridade do que era bom e o que era mal. As coisas eram tão claras que fazer uma transgressão era tão palpável quando colocar a mão no fogo. Não havia racionalização, o prejuízo causado por uma transgressão era óbvio. Mas quando ele transgrediu, trouxe para dentro de si a mistura do bem e do mal, a confusão. A consequência foi que perdemos a nossa claridade sobre a natureza do mal, a ponto de muitas vezes não termos mais discernimento sobre o que é bom e o que é ruim.

Se alguém nos oferecesse dinheiro para que falássemos mal publicamente de uma pessoa, nunca aceitaríamos, mesmo se o valor fosse alto, pois intelectualmente entendemos o dano espiritual causado pelo Lashon Hará (maledicência), e sabemos que o prejuízo espiritual eterno é muito maior do que o ganho material passageiro. Mas então por que falamos tanto Lashon Hará, e de graça? Pois deixamos que nosso Yetser Hará nos engane. Procuramos permissões onde elas não existem, nos apoiamos em exceções que não se aplicam ao caso, e transgredimos com a sensação de que acabamos de cumprir uma grande Mitzvá. Isto somente dificulta nosso arrependimento e o conserto dos nossos maus atos.

Como buscamos justificativas para a maioria dos nossos erros, devemos sempre fazer Tefilá para que D'us nos salve do desafio de sermos enganados pelo Yetser Hará. Pelo fato do nosso Yetser Hará estar constantemente buscando formas de nos fazer transgredir, precisamos estar sempre atentos para não sermos pegos na armadilha das racionalizações. Além disso, é importante a reflexão sincera e constante dos nossos atos, pois ela é a principal ferramenta para termos claridade, e nos permite andar nos caminhos corretos e cumprir nosso objetivo de vida.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5774

BS"D

OS PRESENTES DA VIDA- PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5774 (06 de junho de 2014)


"Carlos e sua turma, adolescentes alegres e de bem com a vida, foram à festa de aniversário de uma amiga e resolveram, por brincadeira, entregar um presente diferente à aniversariante. Ela ficou contente quando recebeu uma enorme caixa embrulhada. Ela abriu a caixa na frente de todos, devagarzinho, mas para sua surpresa encontrou outra caixa, um pouco menor. Ao abri-la, tornou a encontrar outra caixa, e mais outra, em uma sucessão de embrulhos e caixas que parecia não ter fim. Ele tinha passado um bom tempo desembrulhando caixas, com a ajuda dos convidados, quando finalmente encontrou uma caixinha de madeira, onde estava um lindo anel de ouro, que a deixou emocionada.

Anos mais tarde, cada um daquela turma já tinha seguido um caminho diferente na vida. Mas a brincadeira das caixas nunca mais saiu da cabeça de Carlos. Apesar do anel talvez nem mais existir, ele sabia que aquele presente nunca mais seria esquecido por ninguém, pois ele trazia uma incrível mensagem: a cada momento, a vida está nos presenteando com oportunidades. Mas estes presentes estão quase sempre muito bem embrulhados, por isso não os vemos com facilidade. É preciso treinar nossa forma de observar e desenvolver nossa sensibilidade. É preciso paciência para desembrulhá-los através da constante reflexão, pois só encontram as oportunidades quem está preparado para recebê-las.

A vida começa a ser bem vivida a partir do momento em que aprendemos a desembrulhar os presentes que ela nos oferece"

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A partir da Parashá desta semana, Behalotechá, a Torá traz diversas Parashiót que descrevem muitos erros que o povo judeu cometeu durante o período em que permaneceu no deserto, alguns tão graves que tiveram consequências negativas inclusive para as futuras gerações. Muitos erros estão relacionados com reclamações do povo, que estava sempre insatisfeito com tudo o que D'us fazia, como quando o povo judeu reclamou do "Man", a comida milagrosa que caía do céu. O "Man" envolvia vários milagres, pois caía na quantidade certa para cada pessoa, nutrindo-a com tudo o que ela necessitava. Além disso, o Man tinha o gosto que a pessoa desejasse. Apesar de tantas bondades que envolviam o Man, os judeus desejaram comer carne e gritaram para D'us: "Nós lembramos do peixe que comíamos no Egito de graça, e dos pepinos, dos melões, dos alhos porrós, das cebolas e dos alhos. Mas agora nossas almas estão secas, não há nada a não ser o Man diante dos nossos olhos" (Bamidbar 11:5).

Mas como entender este versículo? Nossos sábios ensinam as dificuldades que o povo passou, os terríveis sofrimentos e castigos aos quais eram submetidos durante a escravidão egípcia. Certamente os egípcios não foram mais misericordiosos com o povo judeu do que os nazistas nos Campos de Concentração. Então como pode ser que o povo judeu reclamou e demonstrou sentir saudades da vida que eles tinham no Egito, se era um verdadeiro inferno?

Explica o Rav Simcha Barnett que o ser humano tem uma tendência natural de mitificar e romantizar seu passado, esquecendo o quanto ele realmente foi difícil. Lembramos apenas dos poucos bons momentos e extrapolamos, como se tivéssemos sido completamente felizes no passado, como eternizou John Lennon em sua música "Yesterday", na qual ele ressalta que seu passado era perfeito e feliz, enquanto seu presente era apenas sombras e tristezas. Mas por que isto acontece? Por que nos sentimos assim, sempre com saudades do passado, apesar das dificuldades e problemas que também tivemos em cada momento?

Um dos motivos é que todos nós queremos voltar para casa. Este desejo, que está no fundo das nossas almas, é o desejo que temos de nos reunir à nossa fonte, D'us. Uma das expressões deste desejo é a vontade de voltar ao passado, à nossa juventude. Mas este desejo deve ser canalizado da forma correta, para nos dar energia, pois caso ele não seja bem utilizado, pode ser extremamente prejudicial. Na prática, muitas pessoas acabam ficando atoladas no seu passado, sentindo-se impossibilitadas de suportar a enorme bagagem de suas experiências de vida, e acabam não aproveitando seu potencial da forma correta.

Combinado com esta glorificação do passado, muitas pessoas também se apoiam nas ilusões, preocupações e metas que elas têm para o futuro, e esquecem completamente de viver o presente. Nós somos puxados pelos nossos planos futuros, sendo que apenas parte deles é composta por responsabilidades, mas a grande maioria é composta por preocupações e fantasias. Nos afundamos tanto no "se tornar" que acabamos deixando de "ser".

Viver com a cabeça no passado ou no futuro, além de ser uma ilusão, distorce também a nossa percepção do próprio presente. Ao invés de verem o Man como uma Brachá (benção) ilimitada, uma demonstração de carinho e cuidado de D'us com o povo, os judeus viram o Man como algo repetitivo e monótono, e deixaram sua imaginação viajar até o ponto de desejaram tanto carne que já não podiam mais suportar comer o milagroso Man. Como não era fácil estar nos deserto, a carne se transformou na solução de todos os problemas, e até mesmo o inferno egípcio se transformou em um paraíso.

A verdade é que o ser humano precisa de uma renovação constante. É por isso que pessoas que viajam para lugares exóticos e fascinantes voltam energizadas, pois cada dia da viagem tem um sentido especial, é possível transformar o cotidiano em algo mágico e novo. Mas o que acontece quando voltam para casa? Esta energia dura apenas alguns poucos dias. Após este período, elas caem novamente no hábito do cotidiano, e passam a novamente viver sonhando com a próxima oportunidade de uma grande viagem ou outra nova sensação na vida. Como fazer para estarmos sempre energizados, não dependendo de pequenos "flashes" de renovação?

A resposta está no próprio Man. Embora superficialmente o Man realmente não apresentasse nenhuma variedade, profundidade ou capacidade de saciar, se fosse abordado da maneira correta, ele teria exatamente o gosto, a variedade e a essência que o povo realmente desejava. O mesmo ocorre com os nossos dias, isto é, se olharmos nosso dia da maneira correta, não dependeremos de viagens exóticas para vermos o quanto nossas vidas podem ser significativas em cada pequeno detalhe do cotidiano.

Este conceito foi muito bem explorado no filme "Feitiço do tempo". Bill Murray, o ator principal, é um repórter da televisão que sonha em fazer uma grande reportagem, mas recebe a missão de cobrir uma estúpida cerimônia chamada "O dia da Marmota" em uma pequena cidade no meio do nada. O que seria apenas mais um dia inútil e atirado no lixo se transforma em uma grande oportunidade. Algo estranho acontece e o repórter fica preso no tempo, acordando sempre no mesmo dia e tendo que viver novamente as mesmas situações. A mensagem do filme é que mesmo um dia que parecia inútil e seria jogado no lixo se transformou em um enorme potencial de crescimento. O repórter percebeu que podia usar o dia para se aperfeiçoar e influenciar positivamente todos à sua volta.

É um pouco assustador pensar que vemos a maioria dos nossos dias como sendo inúteis. Estamos sempre esperando por momentos mais emocionantes ou novas experiências. Esquecemos que nossa vida deve ser vivida hoje, sem estarmos atolados nos erros do passado nem presos às ilusões do futuro. Ensina o Rav Simcha Barnett que nosso lema deve ser: "Viva hoje, pois o amanhã nunca chegará". Se você não vive o "hoje", então você não está vivendo, pois literalmente o "amanhã" nunca chegará. O "amanhã" é uma ilusão, pois quando você chega lá, ele magicamente se transforma em "hoje". Nossa vida é uma soma de "hojes". Todos os nossos objetivos de vida, sonhos e planos que criamos para o nosso futuro somente são úteis se eles nos ajudam a viver o "hoje" da melhor maneira possível.

Há uma dica de como fazer isto na prática: devemos dedicar alguns poucos minutos todos os dias para pararmos de "fazer" e começarmos a "ser". Podemos apenas fechar os olhos por alguns instantes e tentar sintonizar a beleza da vida à nossa volta. Começar a perceber pequenos momentos de prazer que temos no nosso dia, mas que pela força do hábito, deixamos de aproveitar em sua verdadeira intensidade. Podemos escrever em um papel, com o máximo de detalhamento, algo que nos dá prazer. Algo como um café com leite gostoso de manhã, uma ducha quente depois de um dia cansativo de trabalho ou um simples mergulho no mar em um dia quente de férias. Pouco a pouco, isto nos ajuda a vivermos a vida de uma maneira mais vibrante, ao percebermos as oportunidades de prazer e contentamento que temos nas pequenas coisas do cotidiano.

A próxima vez em que olharmos para uma paisagem estonteante, como um por do sol ou um céu estrelado, este momento de transcendência deve nos trazer uma mensagem, um despertar de que este contato com o Criador não deve ser buscado apenas em momentos dispersos e raros, mas de forma constante, nos pequenos detalhes da vida. O mesmo D'us que se revela no esplendor da natureza também se revela nas pequenas coisas do cotidiano. Por um lado podem ser coisas simples, mas ao mesmo tempo são os incríveis "hojes" da nossa vida.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 29 de maio de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NASSÓ E SHAVUÓT 5774

BS"D
RECONHECENDO O ERRO - PARASHÁ NASSÓ E SHAVUÓT 5774 (30 de maio de 2014)

"Rodrigo, um jovem inteligente e esforçado, se candidatou a um alto cargo de uma grande empresa. Passou nas entrevistas e provas da fase inicial, mas faltava ainda uma entrevista final com o diretor. Na entrevista, o diretor viu o excelente currículo escolar de Rodrigo, mas percebeu que ele não vinha de uma família rica. Ele questionou se Rodrigo havia recebido alguma bolsa de estudos na escola, mas o jovem respondeu que não, que havia sido seu pai que havia pagado seus estudos. Explicou que o pai trabalhava em uma serralheria, e assim conseguia sustentar a família. O diretor pediu a Rodrigo que mostrasse suas mãos, e percebeu que eram mãos suaves e perfeitas. Perguntou se alguma vez já havia ajudado seu pai no trabalho, mas o jovem respondeu que não, pois seu pai nunca havia permitido, ele sempre quis que ele estudasse e lesse mais livros. O diretor disse:

- Eu estou seriamente decidido a te contratar, mas tenho um pedido. Quando você for para casa hoje, vá e lave as mãos de seu pai. E venha me ver novamente amanhã de manhã.

Rodrigo sentiu que a sua chance de conseguir o cargo era alta, mas estranhou o pedido do diretor. Mesmo assim, quando voltou para casa, pediu ao pai para deixá-lo lavar suas mãos. O pai também estranhou, mas estendeu as mãos em cima da pia. Rodrigo lavou-as lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que as mãos de seu pai estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Alguns cortes eram tão profundos que ele se arrepiou quando tocou. Naquele momento Rodrigo entendeu o significado daquelas mãos trabalhando todos os dias para pagar seus estudos. Os cortes e feridas eram o preço que seu pai teve que pagar por sua educação, suas atividades escolares e seu futuro.

Naquela noite Rodrigo não conseguiu dormir. Passou a noite pensando que nunca tinha agradecido seu pai por todas as oportunidades que ele tinha lhe dado. Na manhã seguinte, Rodrigo foi à nova entrevista. O diretor percebeu as lágrimas nos olhos dele quando perguntou o que havia aprendido em sua casa na noite anterior.

- Agora eu sei o que é valorizar e reconhecer - respondeu o jovem - Sem meus pais, eu não seria quem eu sou hoje.

- Isso é o que eu procuro no meu pessoal - disse o diretor - Quero contratar uma pessoa que sabe apreciar a ajuda dos outros, que reconhece as dificuldades que os outros têm para fazer suas atividades, e que não coloca o dinheiro como seu único objetivo na vida. Você está contratado."

Saber reconhecer as bondades que recebemos é um dos fundamentos mais importantes para um dia conseguirmos crescer na vida.

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Na Parashá desta semana, Nassó, a Torá descreve o processo de expiação de uma pessoa que ilegalmente reteve um dinheiro que pertencia à outra pessoa, e que completou seu crime negando, através de um falso juramento, a posse do dinheiro. Além da restituição do dinheiro ao seu verdadeiro dono, um dos elementos mais importantes na expiação deste erro é o "Vidui", a confissão verbal da transgressão, como está escrito: "Eles devem confessar o pecado que cometeram" (Bamidbar 5:7).

O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204), em suas leis sobre arrependimento (Hilchót Teshuvá 1:1), cita justamente este versículo quando descreve de forma genérica a Mitzvá de arrependimento por uma transgressão cometida, ressaltando o fato de a confissão verbal ser uma das principais partes do processo de arrependimento e conserto. O Rambam dá ainda mais importância ao "Vidui" ao afirmar que "todo aquele que aumenta suas confissões e se alonga neste assunto é louvado". Mas como entender este ensinamento do Rambam? O que há de tão especial em confessar um erro cometido? E por que aumentar as confissões é algo digno de louvor?

A pergunta fica ainda mais difícil quando levamos em consideração o conceito não judaico da confissão dos pecados. Quando pensamos na ideia de culpa e expiação, as primeiras imagens que vêm à nossa cabeça são pessoas se repreendendo e se martirizando, sentindo-se pessoas indignas após terem cometido uma transgressão. É difícil imaginar que uma pessoa se comportando desta maneira mereça louvores. Ao contrário, este tipo de comportamento é muito perigoso, pois pode levar a pessoa a repetir outras vezes a transgressão. Um dos principais motivos é que a pessoa pode chegar a um ponto no qual sua autoestima está tão baixa que ela já não respeita mais nem a si mesma, podendo se descontrolar e cometer as piores transgressões. Portanto, certamente que não é a este tipo de "confissão" à qual o Rambam está se referindo quando diz que é digna de louvor. Então qual é a visão judaica da confissão?

A palavra em hebraico "Vidui" vem da mesma raiz da palavra "Todá", que significa "agradecimento". Esta conexão entre os dois conceitos é reforçada por um Midrash (parte da Torá Oral) que afirma que quando Adam Harishon (Adão) se arrependeu do seu pecado, ele compôs o Salmo "Tov Lehodot LaHashem" (Tehilim 92:1), que significa "É bom agradecer a D'us". O Midrash ensina que, ao invés de ler "Lehodot" (agradecer), devemos ler "Lehitvadot" (confessar). Certamente o Midrash não está ressaltando apenas a semelhança entre as letras das duas palavras. Qual é a conexão entre agradecer e confessar?

Explica o Rav Yohanan Zweig que quando uma pessoa agradece, é porque reconheceu que recebeu alguma bondade. A palavra "Todá" (agradecimento) também vem da mesma raiz da palavra "Modê", que significa "reconhecimento". Se uma pessoa recebeu uma bondade mas não conseguiu reconhecer, certamente não vai agradecer, pois não percebe que recebeu algo. Por exemplo, alguém que ganhou um relógio "Rolex" verdadeiro, mas pensa que é apenas uma falsificação barata, não vai agradecer, pois não reconheceu o que recebeu. Portanto, a pessoa somente verbaliza um agradecimento quando reconhece as coisas boas que recebeu.

Esta é a mesma fonte espiritual da confissão que traz frutos positivos. Quando alguém verbaliza a sua transgressão de forma sincera, significa que reconheceu as coisas boas que recebe de D'us, e que entendeu o quanto a transgressão cometida é, em essência, uma autodestruição, que a afasta das bondades Dele. D'us criou um mundo de bondades, com a única intenção de nos fazer bem, e somos nós, com nossos próprios maus atos, que causamos os problemas, sofrimentos e dificuldades. É este tipo de confissão que o Rambam está louvando. Não a pessoa que fica se martirizando e sentindo-se se uma pessoa indigna, mas a pessoa que reconhece o quanto seus maus atos impedem que a bondade ilimitada de D'us chegue à sua vida. Este reconhecimento faz com que a pessoa se arrependa de verdade e queira voltar ao caminho da Torá e das Mitzvót.

Parece simples, mas por que para nós é tão difícil reconhecer as bondades de D'us? Em primeiro lugar, pois Suas bondades são tão constantes que acabamos nos acostumando e deixando de percebê-las. Outro motivo é que D'us faz as bondades de forma oculta, sem que Sua mão possa ser facilmente percebida, para não tirar nosso livre arbítrio. Por isso, uma forma de melhorar o nosso reconhecimento das bondades de D'us é melhorando o nosso reconhecimento das bondades feitas pelas pessoas que estão à nossa volta. Quanto mais nos acostumamos a dar valor para as coisas boas que recebemos das outras pessoas, desenvolvemos mais esta característica de reconhecer as bondades. Assim, com esforço nesta área, chegaremos ao nível de também reconhecer e agradecer por todas as infinitas bondades que D'us nos faz, o tempo inteiro, e isto nos ajudará a nos afastarmos das transgressões.

Na próxima terça feira de noite (03 de junho) começa Shavuót, também conhecida como "A Festa da entrega da Torá". É um dia no qual nos alegramos e passamos a noite inteira estudando Torá. O principal motivo desta alegria é o reconhecimento do presente maravilhoso que D'us nos deu. A Torá, através de suas leis e ensinamentos, nos ajuda a crescermos espiritualmente em todas as áreas da vida e a nos tornarmos pessoas melhores, mais preocupadas com o próximo e mais conectadas com D'us. Em Shavuót a Torá é novamente entregue por D'us ao povo judeu. O nível de entendimento que teremos da Torá durante todo o ano depende do nível de alegria com o qual abrimos nosso coração para recebê-la em Shavuót. Por isso, quanto mais refletirmos, mais conseguiremos enxergar e reconhecer os benefícios da Torá em nossas vidas, e mais fácil será sentir a alegria de receber mais uma vez este presente tão especial.

SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 23 de maio de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BAMIDBAR 5774

BS"D

NÃO SE DEIXE INFLUENCIAR - PARASHÁ BAMIDBAR 5774 (23 de maio de 2014)


"Arthur, um grande empresário, tinha tido um dia duro. Tudo o que ele queria era entrar em um restaurante para jantar e relaxar. Ele foi recebido por um garçom muito simpático, que o conduziu até sua mesa. Arthur soltou o último botão da camisa, afrouxou a gravata, sentou-se confortavelmente na cadeira e escolheu seu prato favorito. Quando o garçom já ia em direção à cozinha levar o pedido, Arthur chamou-o e pediu:

- Está muito calor. Será que você poderia ligar o ar condicionado?

O garçom deu um sorriso, balançou a cabeça positivamente e foi imediatamente para uma sala nos fundos do restaurante. Passados alguns minutos, o garçom foi novamente chamado por Arthur, que reclamava que agora o frio estava tão intenso que estava até mesmo incomodando. Pediu para que o garçom desligasse o ar condicionado. Balançando positivamente a cabeça e sem perder o bom humor, o garçom novamente se dirigiu à sala nos fundos. Mais alguns minutos e o garçom novamente foi chamado. Arthur já não aguentava mais o calor que fazia dentro do restaurante, e novamente pediu para que o garçom ligasse o ar condicionado. Com uma paciência que parecia interminável, o garçom deu um sorriso, balançou a cabeça e novamente foi para a sala dos fundos.

Neste momento, uma senhora idosa, que estava sentada em uma das mesas do fundo do restaurante, não aguentou. Ela chamou o garçom de canto e desabafou:

- Mas que homem chato! Ele deve estar te deixando louco, não?

O garçom abriu um enorme sorriso, deu uma piscada para a senhora e respondeu:

- É ele que esta ficando louco, minha senhora. Nós não temos ar condicionado..."

A piada é engraçada, pois confundir entre calor e frio não causa nenhum problema para ninguém. Mas quando o que está em jogo é confundir o que é certo e o que é errado, então é bom estar atento e não deixar se deixar influenciar pelo ambiente.

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Nesta semana começamos o quarto livro da Torá, Bamidbar, que descreve muito acontecimentos importantes dos 40 anos em que o povo judeu caminhou pelo deserto, antes da entrada na Terra de Israel. E a Parashá desta semana, Bamidbar, começa com uma contagem de todo o povo. Apenas a tribo de Levi foi contada separadamente, por causa do seu nível espiritual mais elevado, diferente do resto do povo. Há um versículo na Parashá que ressalta o nível diferenciado da tribo de Levi: "Eis que Eu peguei os Leviim dentre os Filhos de Israel, no lugar de cada primogênito" (Bamidbar 3:12). O que significa que D'us pegou os Leviim no lugar dos primogênitos?

Quando Moshé subiu no Monte Sinai para receber a Torá, ele avisou que permaneceria lá por 40 dias. O povo ficou ansiosamente esperando a volta de Moshé, mas uma falha na contagem fez com que o povo achasse que o prazo estipulado já havia expirado e que Moshé havia morrido. O papel de Moshé era muito central no povo judeu. Por ser um profeta em um elevado nível espiritual, sempre que D'us queria transmitir algo ao povo judeu, o fazia através de Moshé. O povo ficou tão perturbado que decidiu que era necessário um novo líder para conduzi-lo no deserto. Mas havia dentro do povo judeu outro grupo, chamado pela Torá de "Erev Rav" (que literalmente significa "uma grande mistura"), composto por egípcios que haviam decidido se unir ao povo judeu no momento da saída do Egito. Mas a escolha destes egípcios não havia sido de coração. Eles saíram junto com o povo judeu apenas por medo do castigo, não por amor a D'us e Suas leis. Por isso, quando o ambiente de confusão se espalhou pelo acampamento, imediatamente eles voltaram às suas crenças idólatras e, através de feitiços, fabricaram o Bezerro de ouro. O resto do povo, completamente sem rumo, acabou se desviando também atrás deles. Isto causou com que D'us ficasse furioso e quisesse destruir o povo inteiro, e isto somente não aconteceu por causa da intervenção de Moshé, que rezou por misericórdia. D'us aceitou as rezas de Moshé e perdoou o povo. Porém, uma parte do povo acabou pagando muito caro pelo erro que havia cometido: os primogênitos.

A Torá dá muita importância para os primogênitos. No princípio, eles haviam sido honrados com o cargo de fazer todo o serviço Divino do Mishkan (Templo Móvel). Porém, quando eles participaram da transgressão do Bezerro de ouro, perderam seu nível espiritual diferenciado. É isto que o versículo da Parashá veio nos ensinar quando falou que D'us escolheu os Leviim no lugar dos primogênitos. O serviço espiritual do Mishkan, que originalmente havia sido dado aos primogênitos, foi retirado deles e passado para sempre para a tribo de Levi, que não participou do erro do Bezerro de ouro.

Mas se pararmos para refletir, qual foi o grande mérito da Tribo de Levi? Todo o grande "feito" deles foi não ter participado do Bezerro de ouro, isto é, simplesmente conseguiram evitar cair na transgressão de idolatria na qual seus irmãos caíram. Não foi nem mesmo um ato ativo, e sim algo passivo. A recompensa não parece desproporcional ao que eles fizeram?

Explica o livro Lekach Tov que o teste da tribo de Levi não foi assim tão simples. O desespero havia tomado conta do povo. A loucura de construir o Bezerro de ouro começou a se espalhar entre todas as pessoas, e começou a se tornar algo aceitável e até mesmo lógico. A pressão social era tremenda e a confusão pairava no ar. Nestas condições, era muito difícil não se deixar enganar. Um povo inteiro, que quarenta dias antes havia escutado os mandamentos diretamente da boca de D'us, acabou se deixando levar pelo desespero e pela confusão. Somente a tribo de Levi conseguiu se manter em suas convicções e, com isso, escapar do terrível pecado que quase destruiu o povo judeu. Por isso, meritaram receber o serviço Divino do Mishkan.

Daqui aprendemos algo muito importante para nossas vidas: aquele que consegue se manter forte em suas crenças e convicções, e que se esforça para manter sua claridade mesmo em épocas de confusão, mesmo quando a maioria do povo está seguindo caminhos incorretos, merita uma recompensa muito grande de D'us.

Infelizmente esta confusão e inversão de valores está acontecendo nos nossos dias. Escutamos as notícias do que ocorre no mundo inteiro e percebemos que há uma terrível e acelerada perda dos valores mais básicos. A sociedade começa a permitir e a aceitar o que antes ninguém ousava nem mesmo mencionar em público. Ao contrário, aqueles que não concordam são perseguidos e tachados de "extremistas". A desonestidade parece ter se institucionalizado, tornando muito fácil cometer erros e simplesmente dizer "Mas qual o problema? Afinal, todos fazem isso!". Somos influenciados pela sociedade e acabamos deixando que a confusão generalizada mude nossa forma de pensar. Neste ambiente, é muito importante lutar para mantermos nossa claridade, para não irmos atrás daqueles que, apesar de serem maioria, estão se desviando.

Logo após Moshé ter descido do Monte Sinai e ter visto o Bezerro que havia sido construído, ele foi instruído a castigar aqueles que haviam realmente feito idolatria e haviam incitado o resto do povo. Moshé então convocou todos aqueles que quisessem se voluntariar, e anunciou: "Quem está com D'us, venha comigo" (Shemot 32:26). Infelizmente apenas a tribo de Levi escutou o chamado de Moshé e se levantou para cumprir o que D'us havia comandado. Por isso a tribo de Levi recebeu o mérito, para sempre, de estar mais conectada com D'us e poder fazer os serviços religiosos.

Este anúncio de Moshé continua ecoando até os nossos dias. "Quem está com D'us, venha comigo". Precisamos juntar todas as nossas forças para não nos deixar influenciar pelos conceitos equivocados. Não podemos ter vergonha de sermos uma minoria que discorda do que é incorreto e imoral. Não podemos nos acomodar e aceitar em silêncio que a verdade seja corrompida. E podemos fazer isto com a certeza e a tranquilidade de que os frutos de não ficarmos em silêncio serão para sempre, não apenas para nós, mas para todos os nossos descendentes.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BECHUKOTAI 5774

BS"D
FORÇA DA INOVAÇÃO - PARASHÁ BECHUKOTAI 5774 (16 de maio de 2014)


Quando escutamos o nome de Abraham Lincoln, o 16° presidente dos Estados Unidos, pensamos que ele teve uma vida recheada de sucessos. Enquanto foi presidente, Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida, mesmo durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a  união, conseguindo abolir a escravidão, fortalecendo o governo nacional e modernizando a economia. Abraham Lincoln é considerado um dos três melhores presidentes da história dos Estados Unidos.

Mas a verdade é que nem sempre foi assim. Seu caminho até o sucesso foi árduo e sofrido. Ele passou dificuldades na infância, quando seu pai perdeu toda a fortuna que tinha. Aos 23 anos tentou um cargo na política, mas perdeu a disputa. Aos 24 anos resolver abrir uma loja, mas faliu em pouco tempo. Aos 32 anos tentou montar um negócio de advocacia com alguns amigos, mas logo a sociedade se desfez. Aos 35 anos, passou pelo trauma de ver sua namorada falecer, e ainda resistiu a um colapso nervoso que teve aos 36 anos, que o fez passar um bom tempo no hospital.

Mas a vontade de entrar na política não havia desaparecido. Aos 45 anos ele disputou uma cadeira no senado, mas perdeu. Aos 47 anos ele concorreu à nomeação do partido republicano para e eleição geral, porém foi derrotado. Aos 49 anos tentou o senado e fracassou novamente. Somente aos 51 anos ele foi eleito o presidente dos EUA.

Será que seríamos capazes de fazer essa jornada? Falir, ser derrotado, perder entes queridos, adoecer, e mesmo assim não perder a vontade de continuar tentando alcançar o sucesso? Abraham Lincoln nos ensinou que esta é a fórmula dos vitoriosos: nunca desistir. Se ele não tivesse continuado, alguém se lembraria de Abraham Lincoln hoje em dia? Certamente que não. Mas ele escolheu entrar para a história e mudar o mundo. Ele poderia ter desistido diante das dificuldades, mas ele escolheu vencer e inovar. A cada derrota, Abraham Lincoln aprendeu a se reconstruir.

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Na Parashá desta semana, Bechukotai, a Torá nos afirma que quando seguirmos os caminhos que D'us nos comandou receberemos muitas Brachót (bênçãos), como fartura e segurança, mas se nos desviarmos dos caminhos corretos, tragédias terríveis acontecerão ao povo judeu. Estas palavras já se cumpriram em várias épocas da nossa história, tanto a Brachá, como durante o reinado de Shlomo Hamelech (Rei Salomão), quanto as tragédia, como nas destruições dos Templos Sagrados e nos exílios do povo judeu.

Porém, há algo que nos chama a atenção. No meio da descrição das tragédias condicionais, a narração é interrompida para trazer algumas palavras de consolo: "E Eu me lembrarei do Meu pacto com Yaacov, e também do Meu pacto com Yitzchak, e também do Meu pacto com Avraham Eu me lembrarei, e Eu me lembrarei da Terra" (Vayikrá 26:42). Mas por que a ordem na qual os patriarcas são mencionados está ao contrário da ordem cronológica? Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, explica que se os méritos de Yaacov, o "menor" dos patriarcas, não for suficiente, então D'us levará em conta os méritos de Yitzchak. Se mesmo assim ainda não for suficiente, D'us levará em conta também os méritos de Avraham, o "maior" dos patriarcas. Mas por que Avraham é considerado o maior dos patriarcas? Qual característica fez com que ele tenha mais méritos do que Yitzchak e Yaacov?

Estamos sempre acostumados a associar Avraham apenas à característica de Chessed (bondade). Realmente sua tenda no deserto tinha quatro entradas, para que os visitantes se deparassem sempre com a porta aberta, não importando de que direção viessem. Além disso, a Torá descreve que Avraham recebeu os anjos fantasiados de simples beduínos como se fossem verdadeiros reis, servindo-os com as mais deliciosas comidas. Mas não foi apenas esta a característica de Avraham que o diferenciou de todas as outras pessoas. Ele tinha outra característica importante, que o fez chegar ao topo da espiritualidade: a força da inovação.

Se refletirmos sobre os testes de Avraham, perceberemos que foram muito mais difíceis de serem vencidos do que os dos outros patriarcas. Ele nasceu em um mundo onde todos, inclusive seus próprios familiares, eram idólatras. Seu desafio era criar, a partir do nada, uma perspectiva e uma forma de vida completamente novas, começando uma nova época na história. Para espalhar ao mundo inteiro o conceito da existência de D'us, Avraham teve que lutar contra todas as atitudes e estilos de vida prevalecentes na época e começar algo completamente novo, vagarosamente e com muita paciência. Ele poderia ter desistido diante das dificuldades, pois certamente teve muitas decepções e fracassos no caminho. Mas foi sua "força de inovação" que não o deixou desistir e possibilitou que ele tivesse sucesso.

Quando o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) descreve a contribuição de Avraham ao mundo, repete várias vezes que ele era um inovador, o revolucionário e pioneiro "fundador" do povo judeu. Avraham foi o primeiro em tudo o que fez. Ele não tinha modelos para seguir, estava sempre desbravando novos caminhos. Por isso, quando queremos nos comportar como Avraham, não devemos apenas desejar seguir seus passos em relação ao Chessed que ele fazia, mas também devemos almejar ter a sua força de inovação, que trouxe tantos benefícios ao mundo.

O Rav Shlomo Ephraim (Polônia, 1550 – Praga, 1619), mais conhecido como Kli Yakar, ressalta a importância da força de inovação. Durante a descrição da criação do mundo, ao final de cada dia a Torá termina com a frase "e viu D'us que era bom". A única exceção é o final do segundo dia da criação, onde nada está escrito. Explica o Kli Yakar que em todos os dias da criação algo novo foi criado, com exceção do segundo dia, quando D'us separou as águas de baixo e as águas de cima, que já existiam. Neste dia nada novo foi criado e, portanto, ele não foi descrito como um dia bom.

Existem inúmeras áreas nas quais a habilidade de inovar pode fazer muita diferença. É parte da natureza do ser humano deixar sua vida cair na força do hábito. Isto ocorre em vários aspectos, inclusive no crescimento espiritual, nos relacionamentos e nas habilidades de criar e construir. Nos acostumamos com nossa condição e estagnamos na vida. Um dos exemplos mais perceptíveis disso é a nossa Tefilá (reza), que muitas vezes é pronunciada de forma mecânica e desinteressada, apenas palavras que saem da boca e não do coração. Por isso, há momentos na vida em que é muito importante dar um passo para trás e avaliar onde são necessárias novas abordagens. Pois novas abordagens frequentemente nos trazem formas alternativas de lidar com situações problemáticas e difíceis.

Mas não adianta apenas querer inovar. Tão importante quanto tentar buscar novas abordagens para atingir um objetivo é estarmos dispostos a ir até o fim para alcançá-lo, apesar das dificuldades que naturalmente surgirão pelo caminho. Mudar significa sair da "zona de conforto", arriscar, buscar novos desafios. Podemos aprender isto através do exemplo de uma das maiores universidades do mundo. Qualquer pessoa que quer estudar em Harvard precisa inicialmente fazer um requerimento formal. O próximo passo é passar por uma entrevista, na qual o aluno mostra suas notas e descreve ao entrevistador detalhes da sua vida. O entrevistador então faz um relatório que, anexado às notas do estudante, é encaminhado ao "Escritório de Admissão de Harvard". De todos os pedidos encaminhados, apenas 6% são aceitos para cursar a faculdade. Muitos pensam que o único critério utilizado para a admissão são as notas dos alunos, mas isto não é verdade. O Escritório de Admissão deixa claro aos entrevistadores que eles devem buscam alunos que, além de terem boas notas, saíram de suas zonas de conforto. Harvard busca alunos que saíram dos seus limites e dos limites de suas escolas, comunidades e famílias. Harvard procura pessoas inovadoras, que estão dispostas a aceitar novos desafios e encontrar novas formas de resolver as dificuldades. Por que? Pois Harvard sabe que pessoas com este perfil são os que têm maior potencial de se tornarem, no futuro, pessoas de sucesso.

Somos descendentes de Avraham. Temos dentro de nós esta força de inovação, esperando para ser utilizada. Cada um de nós pode mudar o mundo, basta termos a coragem de sair da nossa zona de conforto e trabalharmos duro para alcançar o sucesso, sem desistir por causa dos obstáculos do caminho.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam, Bracha bat Zev Yaacov.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).