quinta-feira, 7 de novembro de 2013

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ VAIETSE 5774

BS"D

UMA CASA COM HARMONIA - PARASHÁ VAIETSE 5774 (08 de novembro de 2013)

Com paciência e sabedoria, um professor ensinava seu aluno a ler a Torá. Quando chegou a um determinado versículo, vendo que o rapaz não sabia pronunciar uma palavra, o professor explicou:

- Estas duas letras "yud" juntas representam o sagrado nome de D'us, que não deve ser mencionado a não ser em ocasiões especiais. Este nome é tão sagrado que muitas vezes ele não é nem mesmo escrito nos livros, e sim substituído por estas duas letras "yud". Portanto, quando estas letras aparecerem, substitua por "Hashem", que significa literalmente "o Nome de D'us".

Com este novo entendimento, o menino tentou ler sozinho. Mas na conclusão de cada versículo, para a surpresa do professor, o aluno dizia "Hashem".

- Onde você vê o Nome de D'us após cada versículo? - perguntou o professor, curioso.

O menino apontou os dois pontos que apareciam no final de cada versículo. Eram pontos que lembravam duas letras "Yud", mas que ficavam um em cima do outro e separavam os versículos. O professor sorriu e explicou:

- Meu querido, um judeu é representado pela letra "yud". Quando dois "yud" estão lado a lado, unidos, D'us fica feliz e habita ali. Estes são os dois "yud" que são pronunciados como o Nome de D'us. Porém, se um judeu fica acima do outro, significa que eles não estão em harmonia, e então D'us não habita ali. Estes são os dois "yud" do final de cada versículo. Eles representam o fim, não o sagrado Nome de D'us.

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Na Parashá desta semana, Vaietse, a Torá descreve uma experiência sobrenatural pela qual passou nosso terceiro patriarca, Yaacov. Para fugir da fúria de seu irmão Essav, ele partiu para o exílio, para a terra de seu tio Lavan, pai de suas futuras esposas Rachel e Léa. Quando escureceu, Yaacov estava no lugar onde futuramente seria construído o Beit Hamikdash (Templo Sagrado), e ali ele deitou para dormir. Durante a noite, ele sonhou com uma escada que chegava até o céu, de onde desciam e subiam anjos. Neste mesmo sonho D'us se revelou para ele e prometeu protegê-lo durante todo o tempo em que estivesse no exílio. Quando Yaacov acordou, ele disse: "Certamente D'us está neste lugar e eu não sabia... Como é incrível este lugar. Aqui é nada menos do que a Casa de D'us, e este é um portão para o Céu" (Bereshit 28:16,17). Mas o que Yaacov quis dizer quando afirmou que aquele lugar era a "Casa de D'us"?

Esta pergunta se conecta com uma intrigante afirmação do Talmud (Pessachim 88a): "Não como Avraham, que chamou (o Templo) de 'montanha', como está escrito: "Na montanha D'us será visto" (Bereshit 22:14), e não como Itzchak, que chamou (o Templo) de 'campo', como está escrito: "E Itzchak saiu para rezar no campo" (Bereshit 24:63), mas como Yaacov, que chamou (o Templo) de 'casa', como está escrito: "Ele chamou o lugar de 'Bet-El' (Casa de D'us)" (Bereshit 28:19). O que os nossos patriarcas estavam nos ensinando ao se referirem ao Templo como uma montanha, um campo e uma casa?

A resposta está nas palavras do Rambam (Maimônides), que ensina que o Beit Hamikdash tinha três propósitos: ser literalmente uma Casa de D'us, isto é, o local onde repousava a Shechiná (Presença Divina); ser um local para a oferenda de Korbanót (sacrifícios); e ser um local para que o povo judeu pudesse subir, três vezes ao ano, para comemorar as Festas Judaicas (Pessach, Shavuot e Sucót) e se inspirar.

Explica o Rav Zev Leff que Avraham referiu-se ao local do Beit Hamikdash como uma montanha, isto é, um lugar onde a pessoa pode subir e se inspirar. Avraham estava referindo-se ao nosso Primeiro Beit Hamikdash, onde a Presença Divina era mais evidente e aconteciam muitos milagres abertos, como a ausência de moscas no local onde os animais eram sacrificados e a coluna de fumaça que subia do Mizbeach (altar de sacrifícios) e que não se desviava nem mesmo com os ventos mais fortes, causando um enorme reforço espiritual em cada judeu que entrava pelos seus portões.

Já Itzchak referiu-se ao local do Beit Hamikdash como um "campo". O campo é um lugar propício para o crescimento e o desenvolvimento das sementes. Assim também é o Beit Hamikdash, um ambiente que conduz o ser humano ao seu crescimento e desenvolvimento espiritual. Mas o campo não inspira as pessoas como uma montanha alta. Itzchak estava referindo-se ao Segundo Beit Hamikdash, onde a Presença Divina já não era mais tão perceptível e muitos dos milagres que ocorriam no Primeiro Beit Hamikdash já não ocorriam mais no Segundo. Porém, mesmo assim era um lugar incrível para as Tefilót (rezas) e para a oferenda dos Korbanót.

Finalmente Yaacov referiu-se ao local do Beit Hamikdash como a "Casa de D'us". O que ele queria nos ensinar ao fazer este paralelo com uma casa? Para responder, precisamos antes entender qual é a função de uma casa. Ela é composta basicamente por quatro paredes, uma porta e uma janela, e tem principalmente três funções: criar um domínio interno privado, separado do domínio público; formar um ambiente que envolve e une os indivíduos que vivem nesta área interna; e servir como proteção contra as influências externas hostis. Yaacov estava referindo-se ao nosso futuro Terceiro Beit Hamikdash, que será um lugar com muita santidade, harmonia e proteção contra as más influências.

Por que Yaacov percebeu o aspecto daquele local como sendo a "Casa de D'us" justamente quando estava indo para o exílio? Para nos ensinar que durante o nosso exílio, enquanto ainda não temos o nosso Terceiro Beit Hamikdash construído, o conceito da "Casa de D'us" se materializa através de três locais: a "Casa de Rezas" (Beit Haknesset), a "Casa de Estudo de Torá" (Beit Midrash) e a "Casa judaica". Estas três "Casas" são as responsáveis por manter o povo judeu vivo mesmo durante a escuridão espiritual do exílio, e nos darão a força necessária para um dia voltarmos para Israel e meritarmos a verdadeira e definitiva "Casa de D'us": o Terceiro Beit Hamikdash.

Obviamente que não podemos desprezar a santidade necessária nas nossas "Casas de Reza" e nas nossas "Casas de Estudo", mas será que nos preocupamos com a santidade das nossas próprias casas? Será que entendemos que o nível espiritual dos nossos lares é tão importante quanto o nível espiritual das sinagogas e centros de estudo de Torá?

Precisamos transformar nossas casas em um Beit Hamikdash em miniatura, isto é, devemos criar um ambiente de morais e valores judaicos, um santuário interno de espiritualidade que serve como fundação para o estudo e a observância da Torá. Além disso, nossas casas devem transbordar harmonia e entendimento. O conceito de "Shalom Bait" (paz familiar) refere-se à harmonia perfeita que a casa cria, onde cada indivíduo se sente parte de uma unidade que funciona apenas quando todos trabalham juntos, cada um com seus talentos, para atingir uma meta em comum. E finalmente nossa casa deve ser uma fortaleza, que nos protege dos valores deturpados que vão contra os princípios da Torá e das Mitzvót. Uma vez que a área interna da casa está repleta de santidade e propósito, a luz interior pode ser projetada através da janela, e a intensa santidade deste ambiente familiar pode ser exposta ao mundo externo.

É interessante perceber que estes importantes valores podem ser alcançados através de algumas Mitzvót relacionadas justamente com as nossas casas. Por exemplo, a Mitzvá de acender as velas de Shabat simboliza a santidade que a casa deve produzir e a iluminação dos valores e da ética da Torá. Além disso, as velas de Shabat representam a harmonia que é produzida quando cada um dos membros cuida para não pisar nos outros, pois a luz espiritual criada afasta a escuridão da ignorância e do egoísmo. As Mitzvót da Mezuzá e do Maakê (proteger com um parapeito os locais da casa que possam oferecer perigo, como uma varanda) simbolizam a proteção que a casa oferece contra os perigos físicos e espirituais do mundo externo. A Mitzvá de checar e exterminar o Chametz (farinha fermentada) antes de Pessach nos ensina que, de tempos em tempos, precisamos checar se influências externas estranhas conseguiram invadir nossa casa e, caso isto tenha ocorrido, devemos nos esforçar para removê-las completamente. E, finalmente, a Mitzvá de acender as velas de Chánuka e colocá-las fora de casa ou em uma janela de onde podem ser vistas da rua, simbolizando a influência que uma casa judaica deve ter sobre o mundo externo.

Para sobrevivermos espiritualmente ao nosso exílio e meritarmos o Terceiro Beit Hamikdash, que influenciará positivamente o mundo inteiro, devemos preparar nossas Casas de estudo e nossas Casas de reza para que elas estejam sempre com alto nível de santidade. Mas, acima de tudo, devemos preparar as nossas próprias casas para que elas possam refletir as reais funções da futura "Casa de D'us", que são a santidade, a harmonia e a proteção contra os valores incorretos.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ TOLDOT 5774

BS"D


SENSIBILIDADE COM O PRÓXIMO – PARASHÁ TOLDOT 5774 (01 de novembro de 2013)

 

Era a primeira noite de Pessach e o Rabi Akiva Eiger (Hungria, 1761 - Prússia, 1837) estava sentado à mesa celebrando o Seder de Pessach com vários convidados. As belas peças de prata, louças e cristais, que brilhavam após terem sido lustrados em honra daquela noite especial, foram colocadas sobre a mais fina toalha de linho branca, a melhor que a família Eiger possuía, e que ficava o ano inteiro guardada apenas para esta ocasião especial.

 

O Seder seguia tranquilo, com todos os convidados se sentido muito à vontade e revivendo juntos a saída do Egito. Quando todos estavam prestes a levantar as taças para cumprir a Mitzvá de beber um dos quatro copos de vinho, um dos convidados se descuidou e derrubou sua taça. Imediatamente o vinho tinto espirrou sobre toda a linda toalha de linho branca, deixando uma enorme mancha.

 

Antes que as pessoas pudessem ter qualquer reação, e sem pensar duas vezes, o Rabi Akiva Eiger começou a balançar a mesa até que sua própria taça também virou, derramando todo o conteúdo na toalha branca. Fingindo estar aborrecido consigo mesmo, ele falou em voz alta, olhando para a pessoa que havia derramado a taça:

 

"Não acredito, esta mesa está balançando muito, deve ser por isto que os copos caíram. Eu devia tê-la consertado antes do Seder. Me desculpe"

 

O convidado respirou aliviado. Com aquela enorme agilidade, o Rabi Akiva Eiger poupou sua visita de passar por uma grande vergonha pública. Ele já tinha tão internalizada a preocupação com o próximo que não foi necessário nem pensar antes de tomar aquela atitude rápida em prol da honra do próximo.

 

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Na Parashá desta semana, Toldot, a Torá começa a contar um pouco da vida do nosso patriarca Itzchak e sua esposa Rivka, como está escrito: "E Itzchak tinha quarenta anos quando tomou Rivka, filha de Betuel, o Arameu, de Padam Aram, e irmã de Lavan, o Arameu, como esposa para si" (Bereshit 25:20). A Torá nos ensina que tanto Betuel quanto Lavan eram pessoas desonestas e trapaceiras, que não mediam esforços para enganar os outros e sempre levar vantagem. Além disso, a Torá já havia descrito anteriormente (na Parashá da semana passada) quem eram os familiares de Rivka. Então por que repetir novamente? Não é uma vergonha para Rivka ser mencionada junto com seus parentes Reshaim (malvados)?

 

Explica Rashi, comentarista da Torá, que a intenção do versículo é justamente o contrário, isto é, os parentes Reshaim de Rivka foram mencionados como forma de louvá-la. Rashi, citando um Midrash (parte da Torá Oral), explica que Rivka tinha a enorme força espiritual de não aprender com os maus atos de seus parentes e vizinhos. O entendimento mais simples das palavras do Rashi é que, apesar de Rivka ter nascido em um ambiente tão ruim, em uma casa com valores tão distorcidos, ela conseguiu superar as más influências e manter sua retidão, tornando-se uma das matriarcas do povo judeu.

 

Porém, se nos aprofundarmos um pouco mais nas palavras do Midrash trazido por Rashi, perceberemos que não é exatamente esta ideia que a Torá quer nos transmitir. O Midrash, citando um versículo de Shir Hashirim (Cântico dos Cânticos, do Rei Salomão), define Rivka como "uma rosa entre os espinhos". Se o Midrash estivesse querendo ensinar que Rivka continuou sendo Tzadiká (Justa) apesar das adversidades, então os espinhos representariam as adversidades e a rosa representaria a superação. Mas esta analogia não está correta, pois a rosa não desabrocha apesar dos espinhos, ao contrário, é a proteção dos espinhos que permite que a rosa possa se desenvolver e desabrochar. Então qual é o grande louvor que o versículo está nos ensinando sobre Rivka?

 

Segundo o Rav Yochanan Zweig, para responder esta pergunta precisamos fazer uma análise psicológica dos Arameus, o povo da região onde Rivka vivia. O Talmud (Meguilá 13b) define Lavan, o irmão de Rivka, como sendo um "Ramai" (trapaceiro). A palavra "Ramai" contém exatamente as mesmas letras da palavra "Arami" (Arameu). Isto significa que não apenas Lavan era desonesto, mas todas as pessoas daquela região também eram trapaceiras. Porém, é necessário fazer uma distinção entre um ladrão e um "Ramai". O ladrão, quando age, em nenhum momento finge que suas ações são pelo bem da vítima. Já o "Ramai" se faz passar por alguém de confiança. Ele tem a habilidade de enganar a vítima, fazendo-a pensar que ela está ganhando algo, enquanto está na verdade sendo trapaceada. Somente mais tarde é que a vítima percebe que foi enganada. Para que um "Ramai" consiga cometer crimes desta maneira, é necessário que ele saiba exatamente o que a vítima está pensando. Ele precisa desenvolver a habilidade de ver as coisas a partir da perspectiva do outro. Esta característica era dominante entre os Arameus, e foi neste ambiente que Rivka cresceu.

 

Mas então surge outra pergunta: se Avraham sabia que todas as pessoas daquela região eram trapaceiras e enganadoras, por que pediu para que fosse trazida uma esposa para seu filho Itzchak justamente de lá? Que tipo de qualidades ele esperava de alguém que vivia naquele ambiente tão negativo?

 

Ensinam os nossos sábios que todas as características, mesmo as mais negativas, também podem ser utilizadas de maneira positiva. Até mesmo a característica de ser um "Ramai", apesar de normalmente ser utilizada para enganar e trapacear, também pode ser usada de maneira construtiva. Os maiores atos de bondade são feitos pelas pessoas que desenvolvem uma sensibilidade em relação às necessidades do próximo. Rivka utilizou a habilidade de um "Ramai", isto é, de entender profundamente a cabeça da outra pessoa, de ver a situação com os olhos do outro, para atingir um alto grau de sensibilidade com as necessidades do próximo. Esta era a característica que Avraham queria para a esposa do seu filho, para que fosse futuramente transmitida, através da "genética espiritual" dos patriarcas, ao povo judeu.

 

Portanto, esta é a mensagem mais profunda do Midrash citado pelo Rashi. A característica negativa de ser um "Ramai" são os espinhos. Quando Rivka chegou ao nível de ser uma "rosa", isto é, uma das matriarcas do povo judeu, não foi apesar de ter vivido com pessoas trapaceiras, mas justamente por causa disso, por ter aprendido com os arameus, trapaceiros e desonestos, a entender o coração e as necessidades do próximo. Isto permitiu que ela chegasse a um nível de Chessed (bondade) muito elevado.

 

Esta capacidade dos Arameus de enxergar as coisas a partir da perspectiva do outro pode ser percebida até mesmo em algumas sutilezas de sua linguagem, o aramaico. Há na Torá um versículo difícil de ser entendido: "Um homem que tiver relações com sua irmã... é um 'Chessed', e eles devem ser banidos diante do seu povo" (Vayikra 20:17). A tradução de "Chessed", em hebraico, é "bondade". Como este versículo pode estar ensinando que este tipo de relacionamento, que envolve relações ilícitas, uma abominação aos olhos de D'us, é uma bondade? Explica Rashi que a linguagem "Chessed" em aramaico significa vergonha, e é isto o que o versículo está ensinando, que este relacionamento é uma grande vergonha. Mas por que a palavra Chessed tem sentidos tão contraditórios e, enquanto em hebraico tem uma conotação tão positiva, em aramaico é tão negativo? E por que o versículo escreveu uma palavra com o seu significado em aramaico e não em hebraico?

 

Responde o Rav Yochanan Zweig que os sentidos da palavra Chessed em hebraico e em aramaico não são contraditórios, e sim complementares. O sentido em hebraico foca na perspectiva daquele que faz a bondade, pois aquele que faz o bem ao próximo se sente preenchido com seu ato, enquanto o sentido em aramaico foca na perspectiva daquele que recebe a bondade, pois quem precisa estender a mão para receber ajuda sente vergonha.

 

Quando a Torá utiliza a palavra Chessed em aramaico, ela nos ensina que quando vamos fazer bondades, devemos ter a sensibilidade com a vergonha daquele que está recebendo. O ideal é tentar sempre fazer o Chessed de uma maneira que não envergonhe aquele que recebe, como doar de forma que a pessoa que recebeu não saiba quem está doando. Mas o maior nível de Chessed é, ao invés de dar algo pronto, ajudar a pessoa necessitada a conquistar o que lhe falta, para que ela não precise mais passar pela vergonha de pedir ajuda aos outros. Por exemplo, ao invés de dar esmola para um pobre todo mês, podemos ajudá-lo a conseguir um emprego, para que ele receba seu sustento de forma honrosa, sem sentir nenhum tipo de vergonha nem depender de ninguém.

 

Este é o incrível ensinamento da Parashá: para fazer Chessed de verdade não é suficiente apenas a vontade de fazer o bem, mas também é necessário a sensibilidade para evitar causar qualquer tipo de vergonha ou constrangimento para aquele que recebe. Somente assim poderemos sentir a alegria verdadeira de ter feito a bondade de maneira completa.

 

SHABAT SHALOM

 

Rav Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ CHAIEI SARA 5774

BS"D

 

FUGINDO DO COMODISMO - PARASHÁ CHAIEI SARA 5774 (25 de outubro de 2013)

 

Alguns estudos biológicos demonstram que é muito positiva a capacidade de adaptação dos animais às modificações que ocorrem no ambiente, mas que algumas vezes também pode ser extremamente negativa. Por exemplo, se um sapo for jogado em um recipiente que contém água fervendo, ele salta imediatamente para fora. Ele pode até ficar um pouco queimado, mas escapa vivo. Porém, o que acontece se o mesmo sapo for colocado em um recipiente que contenha a água de sua lagoa, fresca e límpida, e aquela água for lentamente aquecida? O sapo fica estático durante todo o processo de aquecimento, não se move. Ele não reage ao gradual aumento de temperatura e morre, sem esboçar nenhum tipo de reação, quando a água chega a altas temperaturas. A mesma temperatura, que antes era quente o suficiente para que ele imediatamente saltasse para fora, desta vez nem mesmo o tira de sua apatia.


Às vezes nos comportamos como os sapos. Nos acomodamos às mudanças negativas. Aceitamos tudo com passividade. Achamos que está tudo muito bom, ou que o que esta mal vai passar sozinho, é só questão de tempo. O casamento não anda bem, o relacionamento com os filhos cada vez pior, o trabalho cada vez mais desgastante, mas preferimos ficar boiando, estáveis e apáticos, na água que se aquece a cada instante.

 

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A Parashá da semana passada, Vayerá, terminou com o último e mais difícil teste de Avraham Avinu, que ele passou com sucesso: o sacrifício de Itzchak. Avraham fez exatamente o que D'us havia lhe ordenado e, vencendo todo o sentimento de amor e misericórdia pelo seu próprio filho Itzchak, colocou-o sobre o altar e preparou a faca para fazer o sacrifício. No último momento um anjo de D'us interrompeu-o e impediu o sacrifício de ser realizado. Aquele teste, que inicialmente parecia que terminaria com muita tristeza e sofrimento, aparentemente terminou bem.

 

Porém, a Parashá desta semana, Chaiei Sara, nos ensina que o evento do sacrifício de Itzchak sim teve uma consequência dolorosa. A Parashá começa descrevendo a morte de Sara, aos 127 anos. Qual a conexão entre o sacrifício de Yitzchak e a morte de Sara? Explica Rashi, comentarista da Torá, que Sara, ao ficar sabendo que Avraham havia levado Itzchak para sacrificá-lo, não aguentou a emoção e morreu.

 

Mas desta explicação do Rashi fica uma grande pergunta. O Rashi mesmo afirma que o nível de profecia de Sara era ainda maior do que o de Avraham, como D'us explicitamente falou para Avraham: "Tudo o que Sara te disser, escute a voz dela" (Bereshit 21:12). Então como Avraham passou no teste do sacrifício de Itzchak, enquanto Sara, que era mais elevada espiritualmente do que ele, não conseguiu passar?

 

Responde o Rav Chaim Shmulevitz que houve uma grande diferença na forma como Avraham e Sara foram testados. Avraham foi sendo colocado no teste pouco a pouco, como está escrito: "Pegue seu filho, seu único filho, aquele que você ama, Itzchak, e vá para a Terra de Moriá, e lá o eleve como um sacrifício" (Bereshit 22:2). Por que D'us não disse imediatamente que se tratava de Itzchak e não de Ishmael? Por que esta aparente "enrolação"? Pois D'us não queria dar a notícia de surpresa, Ele foi preparando aos poucos o coração de Avraham. Primeiro Ele falou "pegue seu filho", para Avraham já aceitar a ideia de que precisaria pegar um dos seus filhos. Cada pequena espera até D'us finalmente revelar que se tratava de Itzchak ia dando tempo para Avraham se acostumar com a ideia, e somente assim ele conseguiu vencer o amor por Itzchak e chegar ao nível de aceitar sacrificá-lo, de forma consciente e sem nenhuma confusão em seus pensamentos. Já Sara, ao contrário, escutou a notícia repentinamente, sem preparação nem tempo para absorver o impacto, e não aguentou a forte emoção.

 

Mas será que esta "preparação" realmente foi o que fez a diferença? Afinal, Avraham escutou de D'us que teria que sacrificar seu próprio filho. Por que ter escutado aos poucos esta notícia fez com que fosse mais fácil passar o teste? Explica o Rav Chaim Shmulevitz que D'us naturalizou na alma do ser humano a característica de se adaptar às situações difíceis, para que o ser humano pudesse resistir mesmo às piores condições de vida. Infelizmente vimos este fenômeno acontecer durante a época das terríveis atrocidades nazistas. Quando visitamos o Museu do Holocausto ou assistimos filmes e documentários sobre os crimes nazistas, sempre nos perguntamos: como houve pessoas que sobreviveram à este inferno? Como as pessoas aguentaram os sofrimentos insuportáveis aos quais passavam todos os dias, por anos, nos guetos e Campos de Concentração? Como suportaram estas condições e não morreram de desgosto?  A resposta é que a transição entre uma vida tranquila e o inferno pelo qual eles passaram ocorreu aos poucos, não foi algo repentino. Os judeus foram passando por várias fases difíceis: a perda dos direitos sociais, a perda dos direitos civis, a obrigação de viver em guetos com terríveis privações, o transporte em trens de carga, até chegar aos horrores dos Campos de Concentração. A cada fase que passavam, as pessoas iam se acostumando, e isto lhes dava força para aguentar a próxima fase. Foi somente assim que muitos conseguiram sobreviver.

 

Vimos que esta característica que D'us naturalizou em nossa alma, de se adaptar às dificuldades, de se acostumar com uma situação mais difícil, pode ser utilizada de maneira positiva, para dar a força ao ser humano de suportar e passar os piores testes com os quais nos deparamos em nossa vida. Porém, esta característica também pode ser um grande obstáculo para o nosso crescimento espiritual. Muitas vezes passamos por um momento de despertar espiritual. Pode ser por motivações externas, como algum acontecimento que nos faz buscar um sentido para a vida, ou por motivações internas, quando paramos para refletir e começamos a questionar a forma como vivemos. Mas este despertar, que no início surge como um fogo ardente, com o passar do tempo começa pouco a pouco a diminuir. Mesmo pessoas que passam por verdadeiros milagres, com o tempo se acomodam e esquecem tudo o que presenciaram. Pessoas que saíram ilesas de acidentes onde praticamente não havia chances de terem escapado com vida passam por um primeiro momento de despertar espiritual, uma vontade de se conectar à espiritualidade, de deixar de viver tão focada apenas no mundo material, mas em pouco tempo tudo volta ao normal.

 

A Torá nos traz um exemplo impressionante de como ninguém está a salvo desta acomodação espiritual. Quando nosso patriarca Yaacov morreu no Egito, seus filhos levaram seu corpo para ser enterrado em Israel, na Mearat HaMachpela, onde estavam enterrados Avraham e Itzhak. Mas quando chegaram, tiveram uma surpresa: Essav estava na porta, tentando impedir o enterro, dizendo que era ele, o primogênito, que tinha o direito de ser enterrado lá. Os filhos de Yaacov explicaram que ele havia vendido para seu irmão a primogenitura, mas Essav tentou outro argumento, e depois outro. Os filhos de Yaacov, ao invés de perceberem que aquela demora causava uma vergonha para Yaacov, cujo corpo estava lá, esperando para ser enterrado, entraram cada vez mais na discussão. O tempo foi passando e o enterro não acontecia. Até que Chushim, um dos netos de Yaacov, que era surdo, viu que o corpo de seu avô estava ali parado, em total desprezo, sem ser enterrado. Ao entender que Essav estava impedindo o enterro, Chushim pegou um pedaço de madeira e atingiu a cabeça de Essav com um golpe fatal. Somente depois disso Yaacov pôde ser dignamente enterrado. Mas será que nenhum filho de Yaacov se importou com o desprezo ao corpo do pai, somente Chushim? Isto nos ensina até onde chega a força de acomodação espiritual. Os filhos de Yaacov, ao entrarem na discussão com Essav, foram perdendo a sensibilidade ao fato do corpo de Yaacov estar sendo desprezado. Cada novo argumento os afastava um pouco mais da realidade. Somente Chushim, que era surdo, não entrou na discussão e, por isso, não perdeu a sensibilidade.

 

Este é um dos principais inimigos do nosso crescimento: o comodismo, se acostumar com a nossa condição espiritual. A força do comodismo entorpece nosso coração e nos faz perder a noção verdadeira das coisas. Nos acostumamos com a desonestidade, com a imoralidade e com a violência. Nos acostumamos a aceitar as coisas erradas como se fossem normais. Mesmo quando temos certezas na vida, se não tomamos atitudes de mudanças, com o tempo vamos perdendo a força de vontade. Temos que lutar para não cair nunca no comodismo. Como? Refletindo sempre sobre os nossos caminhos e as nossas convicções. Tentando melhorar um pouco a cada dia, em pequenos detalhes, consertar atos cotidianos simples. Com pequenos passos de crescimento, um dia olharemos para trás e sentiremos um grande orgulho de tudo o que conquistamos.

 

"A vida é uma escada rolante que desce. Se não estamos subindo, então estamos automaticamente descendo"

 

SHABAT SHALOM

 

Rav Efraim Birbojm

 

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Aviva (Jackelin) bat Mirta, Ester bat Rivka, Aron Natan ben Avraham, Clarice Chaia bat Nasha Blima, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Baruch ben Yaacov, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Sara Myriam bat Dina, Yolanda bat Sophie, Baruch ben Sarah, Chai Shlomo ben Sara.

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

 

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

 

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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

 

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYERÁ 5774

BS"D



DOAÇÃO DE VIDA - PARASHÁ VAYERÁ 5774 (18 de outubro de 2013)

"O sistema escolar de uma grande cidade americana decidiu criar um programa para ajudar crianças hospitalizadas a não perder o ano escolar. Professoras foram contratadas e visitavam as crianças doentes para ensinar o mesmo material que seus colegas de classe estavam estudando. Mary foi uma das professoras contratadas pelo programa. Certo dia ela recebeu um telefonema avisando sobre uma nova criança que entraria no programa e que precisava aprender substantivos e advérbios. Mary foi ao hospital para começar a primeira aula com a criança doente.

Mas o que ninguém havia avisado para Mary é que a criança era um garoto que havia sofrido queimaduras graves e sentia muitas dores. Foi um grande choque para Mary, ela se sentiu muito mal de ver o garoto naquele estado. Gaguejando, ela explicou que havia sido mandada pela escola para ajudá-lo a aprender os substantivos e advérbios. Abriu o livro, procurando não olhar diretamente para o garoto, passou a lição do dia, levantou-se e saiu.

No dia seguinte, Mary não teve vontade de voltar ao hospital, pois achou que não havia acrescentado nada àquele pobre menino. Mas lembrou-se da importância do projeto e, juntando todas as suas forças, foi dar a aula. Quando chegou, antes mesmo de entrar no quarto do garoto, a enfermeira-chefe correu em sua direção e perguntou: "O que você fez com este garoto?". Mary, achando que havia feito algo errado, começou a se desculpar. A enfermeira-chefe interrompeu-a e disse:

- Não, você não está entendendo. A saúde deste garoto estava cada vez pior, principalmente porque ele estava extremamente triste e sem vontade de viver. Nenhum tratamento estava adiantando e as infecções estavam cada vez mais difíceis de serem controladas, mesmo com os medicamentos mais fortes. Mas desde que você saiu daqui ontem, o garoto começou a reagir aos tratamentos e sua atitude mudou. Ele está novamente lutando pela vida. Parece que, depois de sua visita, ele decidiu viver. O que você fez?

Mary não conseguia entender. Afinal, o que ela tinha feito pela criança? Havia apenas dado uma aula de substantivos e advérbios. Duas semanas depois aquele garoto já estava milagrosamente fora de perigo. Sentindo-se muito melhor, ele explicou aos médicos sua mudança de atitude:

- Eu sentia tantas dores que havia perdido a vontade de viver. Eu acreditava que não tinha mais chances de me recuperar e que os médicos estavam apenas me enganando e escondendo a verdade. Mas quando aquela professora entrou e avisou que estava ali para estudar comigo substantivos e advérbios, tudo mudou, pois eu percebi que iria viver. Eu pensei: "Por que mandariam uma professora para estudar substantivos e advérbios com um garoto que está morrendo?". Foi aí que eu decidi lutar pela minha vida".

Desta história vemos a importância da Mitzvá de "Bikur Cholim" (visitar os doentes), uma Mitzvá com a qual podemos literalmente dar vida aos outros.

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Nesta semana lemos a Parashá Vayerá, que começa com as seguintes palavras: "E D'us apareceu para ele (Avraham) nas planícies de Mamré, e ele estava sentado na porta da tenda, no calor do dia" (Bereshit 18:1). Qual o motivo pelo qual D'us apareceu para Avraham neste momento? Explica o Talmud (Sotá 14a) que Avraham estava se recuperando do Brit Milá (circuncisão) que ele havia feito aos 99 anos. Rashi, comentarista da Torá, acrescenta que aquele era o terceiro dia após o Brit Milá, dia em que há mais dor e sofrimento, e D'us apareceu para Avraham com a intenção de visitar o doente e perguntar como ele estava se sentindo. Logo após D'us ter aparecido, Avraham levantou os olhos e viu três beduínos se aproximando. Ele pediu licença para D'us e correu para receber os convidados, tratando-os como reis. Depois disso, quando a conversa foi retomada, D'us avisou para Avraham que os habitantes da cidade de Sdom haviam atingido o limite de maldade e, por isso, a cidade inteira seria destruída.

Deste início da Parashá surgem algumas perguntas. Em primeiro lugar, como o Talmud pode afirmar com tanta certeza que a aparição de D'us foi para fazer Bikur Cholim (visitar um doente)? Se logo depois D'us revelou para Avraham a iminente destruição de Sdom, como o Talmud sabe que D'us não apareceu para Avraham justamente para dar este aviso ou transmitir qualquer outra mensagem profética?

Além disso, vemos que Avraham praticamente deixou D'us "falando sozinho" para receber seus convidados. Desta passagem o Talmud (Shabat 127a) afirma que cumprir a Mitzvá de "Achnassat Orchim" (receber convidados) é maior do que receber a Shechiná (Presença Divina). Por que esta atitude de Avraham não foi considerada um desrespeito com D'us?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a resposta está no entendimento mais profundo desta Mitzvá tão importante chamada "Bikur Cholim". O principal propósito de visitar um doente é garantir que todas as suas necessidades estejam devidamente cuidadas. O paciente deve ser o foco principal da visita, o centro das atenções. Ao darmos este respeito e carinho ao doente, ajudamos muito na sua autoestima e, consequentemente, em sua recuperação. A pessoa se sente querida e cuidada, sente que tem pessoas de confiança com quem ela pode contar, e esta tranquilidade ajuda muito na melhoria da sua saúde.

A Torá nos ensina que nunca um ser humano alcançou ou alcançará o mesmo nível profético de Moshé Rabeinu. Uma das características que diferenciava Moshé de todos os outros profetas era que sua comunicação com D'us acontecia enquanto Moshé estava plenamente consciente, enquanto os outros profetas recebiam sua comunicação Divina em um estado de transe momentâneo. Por Avraham ter interrompido a "visita" de D'us para ir receber os beduínos, isto demonstra que ele estava consciente. Portanto, propósito da "visita" de D'us não poderia ter sido para transmitir a ele nenhuma informação profética. Então nossos sábios aprendem deste versículo que o verdadeiro motivo desta aparição foi apenas para D'us visitar Avraham, que estava doente. Como o propósito era proporcionar a Avraham a alegria da visita, e isto ajudaria na sua recuperação, então era necessário que Avraham estivesse totalmente consciente quando D'us apareceu para ele.

A Parashá começa falando que Avraham estava sentado na porta de casa. Qual a importância deste detalhe? Apesar da dor, Avraham queria muito receber convidados. Para ele doía mais não fazer Chessed (bondade) do que a dor do Brit Milá aos 99 anos. Ele deveria estar na cama se recuperando, mas foi para a porta para não perder nenhuma oportunidade de fazer bondades. Isto era algo que o preenchia, que fazia bem para ele. Como o propósito da "visita" de D'us era pelo benefício de Avraham, pela sua cura, então Avraham ter saído no meio da "visita" de D'us para receber os convidados, algo que também o curava e lhe dava vida, não foi considerado um desrespeito. Porém, se o propósito da "visita" de D'us tivesse sido para comunicar algo a Avraham, então qualquer interrupção teria sido considerada um grande desrespeito com D'us, mesmo que a interrupção fosse para cumprir uma grande Mitzvá.

Da Parashá aprendemos o quanto é importante fazer atos de Chessed com o próximo. Vemos o quanto D'us pessoalmente se preocupa com cada criatura, a ponto de "visitar" uma pessoa que está doente. Devemos então nos assemelhar ao nosso Criador e fazer bondades com o próximo, principalmente com aqueles que precisam e dependem da nossa ajuda. A Mitzvá de Bikur Cholim é uma oportunidade de dar um pouco mais de ânimo para uma pessoa doente, de alegrar um enfermo demonstrando que nos importamos com ele. Muitos estudos científicos demonstram que pacientes que estão felizes se recuperam de uma maneira muito mais rápida do que pacientes que estão tristes. Portanto, visitar um doente não é apenas um ato de bondade. Pode significar dar um pouco mais de vida para alguém.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ LECH LECHÁ 5774

BS"D
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As Parashiót desta semana e das semanas anteriores podem ser lidas no Blog www.ravefraim.blogspot.com
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 NÃO DESISTA SEM TENTAR – PARASHÁ LECH LECHÁ 5774 (11 de outubro de 2013)

Um dos peixes favoritos de muitos aficionados por aquários é a carpa japonesa, mais conhecida como "Koi". Porém, o que mais chama a atenção nesta carpa não é a sua beleza, e sim o seu fascinante crescimento, que varia de acordo com o ambiente onde ela é criada.

Se você cria um Koi em um pequeno aquário, ele cresce muito pouco e, mesmo adulto, atinge um tamanho máximo de 5 centímetros. Já quando o Koi é criado em uma pequena piscina, em idade adulta ele pode chegar a 25 centímetros de comprimento. Porém, o mais impressionante ocorre quando o Koi é criado em um grande lago. Neste tipo de ambiente, ele pode chegar, em idade adulta, a até 90 centímetros de comprimento. O Koi é um peixe impressionante, pois seu crescimento é diretamente proporcional ao tamanho do local onde ele é criado.

Há uma incrível analogia do Koi com os seres humanos. As pessoas são como as carpas japonesas, pois crescem de acordo com as limitações que colocam em suas próprias cabeças. As pessoas que acham que são pequenas ficam realmente pequenas por toda a vida. Mas as pessoas que decidem ser grandes e que escolhem vencer todas as limitações da vida são aquelas que realmente chegam à grandeza.

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Na Parashá desta semana, Lech Lechá, a Torá começa a descrever a força espiritual de Avraham Avinu, o homem que revolucionou o mundo e deixou seu nome escrito para sempre na história da humanidade. Mesmo após o dilúvio, que ocorreu na geração de Noach (Noé) e quase destruiu a humanidade, as pessoas não aprenderam nada com a lição de D'us e rapidamente voltaram a se desviar dos caminhos corretos. Pouco mais de 300 anos após o dilúvio as pessoas transgrediram gravemente, tentando construir uma enorme torre que levaria o homem até o céu para lutar contra D'us. E assim a humanidade começou a se afastar cada vez mais do Criador e a se apegar na adoração de ídolos. Na geração de Avraham o normal eram as idolatrias, e as pessoas colocavam toda a sua crença em deuses de pedra e madeira. Mesmo o pai de Avracham, Terach, não apenas acreditava nas idolatrias, mas tinha até mesmo uma loja que vendia ídolos. Foi neste péssimo ambiente que Avraham cresceu, mas com uma força descomunal ele conseguiu vencer as pressões sociais e encontrar racionalmente D'us. Graças aos esforços de Avraham as idolatrias foram amplamente abandonadas e se tornaram uma exceção. Pelo seu mérito, atualmente a grande maioria da humanidade acredita em um D'us único. De onde Avraham tirou esta força para lutar contra tantas dificuldades? Como ele conseguiu se levantar contra a crença de uma sociedade inteira?

Avraham passou por muitos testes e dificuldades, e conseguiu vencer todos eles. Um dos grandes testes de Emuná (fé) foi que, até os 99 anos, ele não tinha filhos com sua esposa Sara. Seu desejo por filhos não era por motivos egoístas, ao contrário, ele tinha motivações muito elevadas. Ele ansiava por um descendente que daria continuidade ao seu trabalho de divulgar a unicidade do Criador do mundo. D'us então tranquilizou Avraham e prometeu que ele teria muitos descendentes, como está escrito: "E tirou-o para fora e disse: 'Olhe, por favor, para o céu e conte as estrelas, se você puder contá-las'. E disse para ele: 'Assim serão seus descendentes'" (Bereshit 15:5). O que significam estas palavras de D'us?

O entendimento mais simples do versículo é que D'us estava prometendo para Avraham uma descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu. Da mesma forma que Avraham não conseguiria contar as estrelas do céu, assim também D'us prometeu que ele teria uma descendência tão numerosa que seria quase incontável. Mas será que a promessa era apenas numérica? Apenas ter descendentes numerosos é suficiente para garantir a permanência de um povo para sempre?

Responde o Rav Yehuda Meir Shapiro, o Lubliner Rav, que nas palavras de D'us estava uma incrível mensagem para o povo judeu, os descendentes de Avraham Avinu. Quando D'us ordenou que Avraham contasse as estrelas, Ele estava pedindo algo quase impossível. Sem nenhum equipamento moderno, como os telescópios e satélites, sem nem mesmo um papel quadriculado para servir de guia para fazer uma contagem aproximada, o pedido de D'us parecia algo inatingível. Apesar disso, mesmo sabendo que era uma tarefa praticamente impossível, Avraham saiu e começou a contar as estrelas. Ele não sabia como terminaria seu trabalho, mas isto não foi motivo para ele não começar. Ele não procurou se esquivar, não tentou fugir da responsabilidade, não se recusou a ao menos tentar.

Isto explica as palavras finais do versículo: "Assim serão seus descendentes". D'us não estava apenas nos dando uma Brachá quantitativa, era também uma Brachá qualitativa. Avraham deu origem a um povo com o potencial de vencer o impossível, de superar os limites, de nunca desistir. Por isso Avraham é chamado de "Avinu" (nosso pai), pois da mesma maneira que um pai transmite aos filhos sua genética, Avraham transmitiu aos seus descendentes sua "genética espiritual".

Contam que no século 17 o rei da Prússia, Frederico II, tinha um conselheiro espiritual muito sábio e certa vez quis desafiá-lo. O rei pediu uma prova, imediata e irrefutável, da existência de D'us. O conselheiro, sem hesitar, respondeu: "Os judeus, majestade. Os judeus". Em todas as gerações o povo judeu passou por muitas dificuldades e perseguições. Os egípcios nos escravizaram, os gregos tentaram nos helenizar à força, os babilônios e romanos destruíram nossos Templos e nos espalharam pelos quatro cantos do mundo, os cruzados e os cossacos nos perseguiram com ódio mortal, os portugueses e espanhóis nos expulsaram sem piedade e os alemães tentaram metodicamente nos exterminar. Deveríamos ser um povo fraco e que anda pelos cantos, com vergonha de levantar a cabeça. Os judeus, que representam menos de 0,5% da humanidade, não deveriam ser nem mesmo conhecidos. Mas, apesar de todas as dificuldades, o povo judeu continua vivo e forte, orgulhoso de sua herança e de cabeça erguida. Nossa existência é tão milagrosa que nos tornamos provas ambulantes da existência de D'us. Como eternizou o escritor Mark Twain em sua famosa pergunta: "Qual é o segredo da imortalidade do povo judeu?". Todos os grandes impérios surgiram, dominaram o mundo, tiveram sua época de esplendor e depois desapareceram. Mas o povo judeu, que viu todos eles, foi o único que venceu o teste do tempo. O segredo é que herdamos de Avraham a característica de fazer o impossível, de ir contra todas as probabilidades.

Mas de onde Avraham tirou forças para fazer o impossível? Quando ele escutou a ordem de D'us, ele não ficou procurando desculpas para não cumprir Suas ordens, ele não desistiu sem antes tentar. Ele sabia que se D'us estava pedindo, mesmo que parecia impossível, então ele deveria ao menos fazer a sua parte. Como ensinam os nossos sábios: "Você não tem a obrigação de terminar todo o trabalho, mas você também não é livre para se isentar de participar dele" (Pirkei Avót 2:16).

Herdamos de Avraham este potencial, mas infelizmente muitas vezes não o utilizamos. Gostaríamos de crescer espiritualmente, mas achamos que nunca vamos chegar lá, então desistimos sem nem mesmo tentar. Lemos os livros de grandes sábios, como o Chafetz Chaim ou o Rambam (Maimônides), e pensamos: "Eles foram grandes pessoas pois já estavam predestinados ao sucesso". Isto é um grande erro. Mesmo os maiores sábios do povo judeu tinham as suas lutas internas e precisavam de muito esforço para vencer as dificuldades. A diferença não é que eles já estavam predestinados. A diferença é que eles acreditaram que poderiam chegar lá e não desistiram até conseguir. A vida deles também foi cheia de tropeços, de falhas, de tentativas frustradas, mas eles nunca pararam diante dos obstáculos. Como eles sempre pensaram grande, eles lutaram e alcançaram o sucesso.

Assim garantem os nossos sábios: "Não há nada que resista à força de vontade". Se realmente decidirmos crescer e fizermos todo o esforço necessário, focando no nosso crescimento e não nas dificuldades, então certamente D'us nos ajudará a alcançar nosso objetivo na vida. Pois somos os descendentes de Avraham Avinu, o homem que tornou possível o que era impossível.

"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez" (Mark Twain)

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NOACH 5774

BS"D

BONDADE VERSUS EGOÍSMO – PARASHÁ NOACH 5774 (04 de outubro de 2013)

"Jonas era uma pessoa muito esforçada e trabalhadora, mas não tinha muito sucesso na vida. Não passava necessidades, mas o dinheiro estava sempre contado. Pelo menos ele se alegrava por ter um maravilhoso casamento, no qual havia muito respeito mútuo. Mesmo nas épocas de maiores dificuldades era muito raro o casal discutir.

Certa vez, quando Jonas estava viajando, voltando de uma tentativa frustrada de negócios, ele resolveu fazer uma visita a um famoso rabino, cuja santidade e força de suas Brachót (Bençãos) eram muito conhecidas. Esperançoso, Jonas entrou na sala do rabino e pediu para ele uma Brachá. O rabino segurou a mão de Jonas e, com muita concentração, falou:

- Que seja a vontade de D'us que a primeira coisa que você fizer em casa prospere e dure para sempre.

Jonas ficou muito contente com a Brachá do rabino. Conhecendo a sua santidade, Jonas sabia que aquelas palavras certamente se cumpririam. Então ele começou a refletir sobre qual deveria ser seu primeiro ato quando chegasse em casa. Decidiu que contaria várias vezes todo o dinheiro que tivesse em casa, pois assim a Brachá do rabino recairia sobre o seu dinheiro e ele ficaria rico.

Já sonhando com os milhões que ganharia, Jonas entrou em casa e mal cumprimentou sua esposa. Ele então pediu, em tom de urgência, que ela imediatamente trouxesse todo dinheiro que havia em casa. Um pouco assustada com o estranho pedido repentino do marido e se sentindo muito pressionada, a esposa não conseguia lembrar-se onde estavam guardadas as economias que eles haviam juntado. Após a insistência e o mau-humor de Jonas, a esposa começou a desconfiar que havia algo de errado e se recusou a entregar a ele qualquer dinheiro.

Revoltado com a atitude da esposa, Jonas perdeu a cabeça e esqueceu-se completamente das palavras do rabino. O que estava destinado a ser uma Brachá transformou-se então em uma maldição. Jonas já nem se lembrava que havia voltado para casa para procurar seu dinheiro e  começou a gritar com a esposa, iniciando uma troca de acusações e ofensas. As palavras do rabino se cumpriram e, a partir daquele dia, naquela casa o que prosperou e durou para sempre foram as brigas e discussões. Jonas continuou tão pobre quanto era antes, e agora não tinha nem mesmo uma casa com paz e tranquilidade"

Explica o Maguid MiDuvno que às vezes esquecemos nossas prioridades. Quando focamos apenas nas nossas próprias necessidades, de maneira egoísta, podemos perder as coisas mais importantes da vida.

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Nesta semana lemos a Parashá Noach, que conta a história de uma geração completamente desviada dos caminhos corretos e que praticava apenas maus atos. D'us, descontente com as transgressões daquela geração, decidiu mandar um dilúvio para destruir a humanidade. Os únicos que encontraram graça aos olhos de D'us e tiveram o mérito de serem salvos foram Noach e sua família, como está escrito "Noach era um Tzadik (Justo) e reto em sua geração" (Bereshit 6:9). Mas por que está escrito que Noach era Tzadik "em sua geração"? Explica Rashi, comentarista da Torá, que apesar de Noach ser uma pessoa correta que se destacava em uma geração de Reshaim (malvados), comparado com Avraham Avinu ele não era nada. Onde enxergamos esta diferença tão grande entre Noach e Avraham Avinu?

Em primeiro lugar, enquanto Avraham dedicou sua vida a ajudar e tentar salvar as pessoas e trazê-las aos caminhos corretos, Noach se contentou em salvar a si mesmo e sua família, e não fez grandes esforços para que as pessoas se arrependessem dos seus erros, apesar de D'us ter dado a ele um prazo de 120 anos. Enquanto Avraham implorou a D'us para poupar a cidade de Sdom, onde só havia habitantes Reshaim, Noach pouco fez para salvar a humanidade inteira. É por isso que nossos sábios também chamam o dilúvio de "as águas de Noach", colocando sobre Noach parte da responsabilidade pela terrível tragédia que quase apagou a humanidade, por ele não ter se importado com os outros.

Além disso, após passar um ano na arca, logo que Noach saiu ele fez um ato que não seria esperado de um grande Tzadik: antes de plantar qualquer outra árvore, Noach plantou um vinhedo, para saciar seu desejo de beber vinho. E as consequências deste ato foram trágicas. Noach bebeu do vinho produzido a partir das uvas deste vinhedo, se embriagou e ficou nu dentro de sua tenda. A Torá então descreve que Noach passou por uma enorme vergonha e desonra.

Mas desta passagem da Torá surge uma grande pergunta: se Noach logo que saiu da arca plantou um vinhedo, como pode ser que ele imediatamente conseguiu beber vinho produzido a partir destas uvas? Apesar do plantio das uvas e a fabricação do vinho levar anos, segundo a descrição da Torá tudo aconteceu em poucas horas. Como o processo pode ter sido tão rápido?

Responde o Maguid MiDuvno que logo após o fim do dilúvio, D'us lembrou-se de Noach e quis dar ao mundo uma medida adicional de bondade e misericórdia. Noach deveria ter assumido a liderança na reconstrução do mundo devastado e na recriação de uma nova geração que daria continuidade à humanidade. Contando que Noach estava guiado apenas pelas motivações mais nobres, D'us deu a ele uma Brachá especial: a primeira coisa que ele fizesse ao sair da arca teria muito sucesso e prosperaria de uma maneira sobrenatural.

Infelizmente, ao invés de Noach ter pensamentos elevados, ao invés de investir em algo que pudesse favorecer toda a humanidade, ele pensou apenas em si mesmo e plantou um vinhedo. A palavra de D'us se cumpriu e a grande Brachá dada por Ele foi aplicada ao vinhedo. Noach não teve que esperar anos para ter proveito das uvas, ele pôde colhê-las no mesmo dia em que havia plantado as sementes e transformá-las em vinho.

Portanto, o maior erro de Noach não foi ter perdido o controle e ter se embebedado. O principal erro foi ter perdido o potencial da Brachá que ele havia recebido de D'us. Ao invés de utilizá-la em prol da humanidade, em algo que ajudaria na reconstrução do mundo, Noach preferiu utilizar a Brachá de D'us para um motivo egoísta, que terminou em vergonha e degradação. A própria linguagem utilizada pela Torá nos mostra a queda espiritual de Noach. O versículo no qual Noach plantou o vinhedo começa com as seguintes palavras: "Vayachel Noach" (Bereshit 9:20). Estas palavras podem ser traduzidas como "E começou Noach", mas Rashi comenta que "Vayachel" também significa "E se degradou". A consequência de utilizar a Brachá de D'us para motivos egoístas foi a degradação de Noach.

Já quando a Torá se refere a Avraham, assim está escrito: "E plantou Avraham uma "Eshel" em Beer Sheva, e proclamou o nome de Hashem, D'us do universo" (Bereshit 21:33). O Talmud (Sotá 10a) discute qual o significado da palavra "Eshel". De acordo com uma opinião, Avraham plantou um pomar para que os viajantes que passassem por ali tivessem comida à vontade, enquanto a outra opinião afirma que Avraham construiu uma hospedaria para que os viajantes pudessem descansar. Rashi explica que a palavra "Eshel" é um acróstico de "Achilá, Shtiá e Levaiá" (Comida, bebida e companhia), os três serviços básicos que um anfitrião deve oferecer aos seus convidados. Isto demonstra a enorme diferença espiritual entre Noach e Avraham Avinu. Enquanto Noach plantou um vinhedo para seu próprio prazer, sem pensar nos outros, desperdiçando a Brachá especial de D'us, Avraham se preocupou em fazer atos que beneficiavam as outras pessoas.

Este ensinamento da Parashá é muito importante para nossas vidas, para nos conscientizar que muitas vezes fazemos o mesmo erro de Noach. Ao invés de utilizarmos nossas energias e nossa capacidade para fazer o bem ao próximo, na maioria das vezes utilizamos nosso potencial de maneira egoísta. Aprendemos de Avraham que quando pensamos nos outros, acabamos ajudando também a nós mesmos, mas quando pensamos apenas em nós mesmos, como Noach, somos nós os maiores prejudicados.

"Pois isto é o ser humano: não para si mesmo ele foi criado, e sim para ajudar ao próximo, com toda a força que encontrar" (Rav Chaim Vologzniner)

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Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

SHMINI ATSERET, SIMCHÁ TORÁ E PARASHÁ BERESHIT 5774

BS”D
SHMINI ATSERET, SIMCHÁ TORÁ E PARASHÁ BERESHIT 5774 (27 de setembro de 2013)

“Antônio era um homem muito simples, e vivia em uma pequena cidade do interior cujo único acesso era uma estradinha de terra. Por isso, os habitantes daquela cidade muito raramente saiam de lá. Antônio nunca tinha ido para a cidade grande, nunca havia visto um edifício, não conhecia energia elétrica e nem ruas asfaltadas. Certa vez seu primo José, que morava na capital, o convidou para passar as férias em sua casa. Antônio ficou deslumbrado com toda aquela tecnologia, não sabia nem para onde olhar.

Mas Antônio ficou realmente sem palavras quando José o levou para um supermercado. Acostumado com a pequena mercearia da cidade onde morava, que não tinha mais do que 20 itens, ele percorria deslumbrado os corredores, observando a enorme quantidade diferentes de produtos e comidas. Até que ele viu uma lata onde estava escrito “café instantâneo”. José explicou que era só derramar um pouco do conteúdo daquela lata na água quente e imediatamente um delicioso café ficava pronto. Antônio ficou maravilhado. Para ele preparar um café significava colher os grãos, separar a sujeira, moer, jogar água fervendo e coar. Agora era só abrir uma lata e pronto! Também descobriu que existia leite em pó e até mesmo purê de batatas em pó. Bastava jogar um pouco de água quente e estava tudo pronto. Mas o auge do espanto de Antônio foi quando ele pegou na mão um pote de plástico e deu um grito. Quando José correu para ver qual era o problema, percebeu que Antônio segurava nas mãos um pote onde estava escrito: ‘talco em pó para bebês’. Balançando a cabeça, ele repetia:

- Não pode ser, não pode ser! Olha só o que são os avanços tecnológicos! Ter um bebê era algo tão trabalhoso. Eram 9 meses de ansiedade, de enjoos, de dificuldades. E agora, é só jogar água quente e pronto...”

A tecnologia avançou muito nos últimos séculos, principalmente depois da Revolução Industrial. Com um pouco de água quente podemos te comidas e bebidas preparadas instantaneamente. Mas para fazer um homem de verdade é preciso muito mais do que água quente. É preciso muito esforço e dedicação para que possamos construir um verdadeiro Mentch (ser humano de valores).

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Nesta 4ª feira de noite (25/09) começa a festa de Shmini Atseret. Apesar de vir logo em seguida de Sucót, é uma festa independente, com um grande significado espiritual. Durante os sete dias de Sucót, um total de 70 Korbanót (sacrifícios) eram oferecidos no Beit Hamikdash (Templo), para cada um dos 70 povos do mundo. Então vem a festa de Shmini Atseret, que literalmente significa “O oitavo, o dia da parada”, como se D’us estivesse nos pedindo, depois de uma festa aberta a todos os povos, para ficarmos com Ele mais um dia, mas desta vez em particular.

E junto com Shmini Atseret (fora de Israel, no dia seguinte) nossos sábios fixaram a festa de Simchá Torá, o dia em que terminamos o ciclo anual da leitura da Torá, com a leitura da última Parashá, Vezót Habrachá, que traz as Brachót (Bençãos) que Moshé deu para cada uma das tribos de Israel. E neste dia de tanta alegria para o povo judeu imediatamente recomeçamos a leitura da Torá, lendo um pequeno trecho do primeiro livro, Bereshit, para mostrar nosso amor pela Torá e a nossa vontade de recomeçar o ciclo de leitura semanal.

No Shabat lemos a primeira Parashá da Torá, Bereshit, que começa com a criação do mundo e do primeiro ser humano, Adam Harishon (Adão). Adam teve dois filhos, Cain e Hevel (Abel), e os dois resolveram oferecer Korbanót para D’us. O Korban de Hevel foi aceito, mas o Korban de Cain não, pois Hevel ofereceu a D’us o melhor do que tinha, enquanto Cain ofereceu apenas restos. Dominado pela inveja, Cain cometeu um crime hediondo e assassinou seu próprio irmão. Como castigo, D’us decretou que Cain vagaria pela Terra por toda a vida e nunca teria uma moradia fixa.

Quando a Torá nos ensina que D’us castigou alguém por uma transgressão cometida, não é como uma pessoa que, em um acesso de fúria, castiga por vingança. Um dos princípios da Torá é que qualquer punição Divina é aplicada sob medida, para despertar a pessoa e também como uma forma de conserto do erro cometido. Se a pessoa aceita as condições do castigo, com o tempo ela consegue consertar seu erro. Foi por isso que D’us decretou que Cain deveria viver em um exílio constante, para que o assassinato de Hevel tivesse um conserto.

Porém, vemos através do comportamento de Cain que ele decidiu não aceitar o castigo imposto por D’us. Imediatamente após ter recebido o decreto de exílio constante, a Torá nos descreve a atitude de Cain: “E (Cain) construiu uma cidade” (Bereshit 4:17). Explica o Ramban (Nachmânides) que esta não foi a única cidade que Cain construiu. Ao contrário, ele constantemente tentava construir cidades, mas elas imediatamente colapsavam por causa da maldição que ele havia recebido de D’us. Porém, ao invés de aprender com o colapso de suas cidades e aceitar o decreto Divino, Cain continuou desafiando D’us e tentou, em vão, construir cidades durante toda sua vida.

Esta característica negativa de Cain, de se rebelar contra os decretos Divinos e fugir do conserto dos seus erros, se propagou também para os seus descendentes. Quando Adam Harishon transgrediu, ele recebeu a maldição de que com o suor do seu rosto ele conseguiria seu sustento. Através do árduo trabalho da terra Adam e seus descendentes conseguiriam consertar o erro cometido. Porém, a Torá nos descreve que os descendentes de Cain preferiram evitar o trabalho da terra e buscaram outras formas de conseguir o seu sustento, como está escrito: “E Adá deu à luz Yaval, e ele foi o primeiro dos que moram em tendas e criam gado. E o nome do seu irmão era Yuval, e ele foi o primeiro a tocar lira e harpa. E Tsilá também deu à luz Tuval-Cain, que afiou todos os instrumentos de cobre e ferro” (Bereshit 4:20-22).

Apesar destes versículos aparentemente não acrescentarem nenhuma informação importante, na verdade eles são a chave para entender o desenvolvimento das primeiras gerações da humanidade. Quando Yuval escolheu ser um pastor de ovelhas, ele estava fugindo da determinação de D’us de que o ser humano deveria trabalhar a terra. Yuval foi o primeiro que desenvolveu a arte da música, demonstrando o quanto a humanidade tentou escapar, através das distrações e entretenimento, do peso e da dor que era trabalhar a terra. E finalmente Tuval Cain foi o primeiro a desenvolver armas, o que possibilitou ao ser humano conseguir seu sustento dominando os outros, outra maneira de fugir da maldição de trabalhar a terra.

Portanto, percebemos claramente que o início do desenvolvimento da humanidade foi marcado pelo desejo de evitar cumprir a vontade Divina, fugindo do árduo trabalho da terra, atividade que consertaria o erro de Adam, e optando por estilos de vida mais fáceis. Os avanços, ao invés de ajudarem o ser humano a consertar seus erros, fizeram com que ele caísse ainda mais. A consequência de a humanidade ter se desenvolvido ignorando a vontade de D’us foi que em poucas gerações os valores morais estavam tão corrompidos que D’us precisou mandou sobre o mundo o Grande Dilúvio.

O único que não fugiu do decreto de D’us foi Noach (Noé), como está escrito no final da Parashá: “Ele (Lamech) teve um filho, e chamou seu nome de Noach, dizendo: ‘este nos trará descanso do nosso trabalho e do esforço das nossas mãos, da terra que D’us amaldiçoou’” (Bereshit 5:29). Rashi, comentarista da Torá, explica que Noach inventou diversas ferramentas agrícolas que facilitaram o trabalho da terra e aumentaram muito a produtividade. Noach foi o primeiro que não tentou fugir da maldição que D’us mandou para Adam, ao contrário, ele encarou as dificuldades e aceitou sobre si o trabalho da terra. Ao contrário do resto da humanidade, a vida de Noach foi dedicada a cumprir a vontade de D’us e, por isso, ele não foi atingido pela degradação moral da sociedade em que vivia. Isto explica por que Noach foi o único que encontrou graça aos olhos de D’us e sua vida foi poupada no Dilúvio.

Explica o Rav Yehonasan Guefen que há uma lição muito importante para nossas vidas que aprendemos deste ensinamento da Torá. Os primeiros passos do desenvolvimento da civilização humana foram baseados no desejo de evitar cumprir a vontade Divina. Podemos olhar para as primeiras gerações da humanidade e criticá-los por este grande erro, mas a verdade é que infelizmente isto também se aplica à nossa geração. Nossos dias são marcados pelos imensos avanços tecnológicos em várias áreas: saúde, comunicação, automação residencial, transporte, entre outras, que trazem muitos benefícios diretos e indiretos para nossas vidas. Porém, usamos estes avanços para nos aproximar de D’us ou para fugir das nossas responsabilidades? Por exemplo, o celular foi criado para que as pessoas pudessem se comunicar melhor, em qualquer lugar e a qualquer momento. Mas como utilizamos o celular? Deixamos ligado durante o cinema ou o teatro, irritando as outras pessoas. Falamos alto no meio da rua, revelando detalhes de nossas vidas para quem quiser escutar. Destruímos a nossa privacidade ao não desligar nossos “smartphones” nem mesmo para dormir. Nos conectamos ao Whatsapp e ao Skype enquanto nos desconectamos das nossas famílias. Se pararmos para refletir, os danos que o celular causa para nossas vidas, por causa do mau uso, certamente superam os benefícios que ele traz. Isto não quer dizer que não podemos utilizar os benefícios da tecnologia, mas precisamos estar sempre atentos para que a tecnologia novamente não nos afaste da vontade de D’us, como aconteceu com as primeiras gerações.

Portanto, a Parashá Bereshit é muito mais do que uma descrição da história da humanidade e sua evolução. A Parashá nos ajuda a entender como D’us se comunica conosco e como Ele ajuda, mesmo através de castigos, a humanidade a consertar os erros cometidos. Os ensinamentos, apesar de terem sido transmitidos há mais de 3.300 anos, continuam sendo muito atuais. Os avanços tecnológicos podem nos fornecer cafés instantâneos, “smartphones” e satélites. Mas a única coisa que pode fazer com que as pessoas se tornem seres humanos melhores é a vontade de fazer o que é certo, apesar das dificuldades que surgem no caminho.

CHAG SAMEACH e SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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São Paulo: 17h46  Rio de Janeiro: 17h32  Belo Horizonte: 17h34  Jerusalém: 17h53
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Fanny bat Chava, Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Aviva (Jackelin) bat Mirta, Ester bat Rivka, Aron Natan ben Avraham, Clarice Chaia bat Nasha Blima, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Baruch ben Yaacov, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Sara Myriam bat Dina, Yolanda bat Sophie, Baruch ben Sarah, Chai Shlomo ben Sara.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).