sexta-feira, 9 de novembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHAIEI SARA 5773


BS"D

PEREGRINO OU MORADOR? - PARASHÁ CHAIEI SARA 5773 (09 de novembro de 2012)

"Os habitantes de certo reinado tinham um costume muito estranho: uma vez por ano eles saíam pela estrada principal que levava ao reinado e coroavam como rei o primeiro que aparecia no caminho. Esta pessoa recebia o poder de decidir todos os assuntos do reinado por um ano. No fim deste ano, eles tiravam a pessoa do trono e a expulsavam da cidade. Sem a sua realeza, a pessoa ia embora sem nada, exatamente como tinha chegado. Então os habitantes iam para a estrada escolher um novo rei.

Certa vez, um mendigo estava passando naquela estrada. Apesar de não ter dinheiro, ele tinha muita sabedoria. De repente, viu uma enorme multidão vindo em sua direção, cantando alegremente. Antes mesmo de entender qual era o motivo de tanta alegria, ela já estava vestindo um manto e a coroa real, e estava sendo carregado nos ombros da multidão em direção ao palácio. Lá, uma grande festa o aguardava para que oficialmente assumisse o trono daquele reinado.

Pensando nos estranhos acontecimentos daquele dia, o novo rei reuniu seus ministros e pediu explicações. Eles descreveram o costume local de, uma vez por ano, escolher uma pessoa qualquer na estrada para ser o rei. Como ele estava no local certo e no momento certo, havia sido o escolhido da vez.

Quando foi deitar-se, o novo rei parou para refletir um pouco. Se uma vez por ano um novo rei era escolhido, isto significava que dentro de um ano ele seria destituído do trono e voltaria à sua miséria. Então o que ele poderia fazer para não perder tudo no final daquele ano? Após pensar bastante, encontrou a solução: durante todo o tempo em que foi rei, enviou para sua própria casa o máximo de dinheiro, joias e mercadorias valiosas que conseguiu.

Quando o ano estava para terminar, uma multidão entrou em sua casa trazendo suas velhas roupas de mendigo. Após se trocar, ele foi oficialmente expulso daquele reinado e escoltado até os portões, onde os guardas receberam a ordem de nunca mais deixá-lo entrar. Mas ao contrário do que as pessoas esperavam, o mendigo estava feliz, até cantava de alegria. Ele se lembrou do imenso tesouro que o esperava em casa. E aquele tesouro foi suficiente para sustentar sua esposa e filhos, com conforto, pelo resto de suas vidas"

Explica o Rav David HaNaggid que viemos para este mundo apenas por um tempo limitado. Muitas vezes estamos tão imersos na busca de prazeres materiais que esquecemos que o tempo está passando rapidamente. E somente quando chega o momento de partir, a pessoa percebe que está indo embora de mãos completamente vazias. Já a pessoa sábia prevê o futuro e, enquanto está neste mundo, se esforça para mandar um tesouro para depois de sua partida daqui. Este tesouro é composto por Mitzvót e bons atos, que servem como méritos para nossa vida eterna no Mundo Vindouro.
 
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A Parashá desta semana, Chaiei Sara, começa nos contando sobre a morte de Sara, a nossa primeira matriarca, aos 127 anos. Além do sofrimento pela perda de sua querida esposa, Avraham passou por mais uma grande dificuldade. Apesar de D'us já ter prometido que daria a ele e a seus descendentes a Terra de Israel, ele precisou comprar, por um preço muito alto, um lugar para enterrar sua esposa.

Na conversa que Avraham teve com o povo de Chet, os habitantes do local naquela época, ele pediu que lhe vendessem a "Mearat Hamachpelá" como local de sepultura para Sara. E há algo que nos chama a atenção na frase dita por Avraham: "Eu sou um peregrino e um residente permanente com vocês" (Bereshit 23:4). Este versículo é completamente contraditório, pois como alguém pode ser, ao mesmo tempo, um peregrino e um residente permanente? O que Avraham quis dizer para o povo de Chet?

A mesma pergunta surge quando observamos um dos versículos da Parashá Emor, que trata sobre as leis de venda de um terreno na Terra de Israel. Assim está escrito: "E a terra não será vendida de maneira permanente, pois a terra é Minha, pois vocês são peregrinos e habitantes permanentes Comigo" (Vayikrá 25:23). Este versículo nos ensina que as terras em Israel somente podiam ser vendidas até o ano do Yovel (Jubileu), que ocorre a cada 50 anos. No Yovel, cada terra que havia sido vendida voltava automaticamente aos seus verdadeiros donos. O que nos chama a atenção é que novamente um versículo junta os conceitos de peregrinos e residentes permanentes. Isto não é contraditório?

O Maguid Mi Duvno explica qual foi a intenção de Avraham quando ele disse esta frase contraditória ao povo de Chet. Segundo o judaísmo, a mentira é uma transgressão muito grave, a ponto de D'us nos advertir de maneira mais enfática do que em outras transgressões, como está escrito: "Se afaste da mentira" (Shemot 23:7). Não é suficiente apenas não mentir, devemos fazer todo o possível para nos afastar de uma mentira. Porém, existem algumas poucas situações nas quais há permissão de distorcermos a verdade, como em casos onde dizer a verdade completa causaria uma briga ou colocaria uma pessoa em perigo de vida. Esta situação aconteceu com Avraham, pois D'us havia prometido para ele a Terra de Israel, Avraham sabia que aquela terra era toda sua, mas se ele falasse a verdade para os Chitim, colocaria sua vida em risco. Por outro lado, Avraham era uma pessoa tão íntegra e correta que não concebia a possibilidade de que mentiras saíssem de sua boca, mesmo que o momento assim exigia. Por isso, quando ele falou com os Chitim, ele foi extremamente cuidadoso e sábio, utilizando uma linguagem com duplo sentido e falando a verdade, mas deixando que os Chitim entendessem o que quisessem entender.

Como Avraham conseguiu este efeito de duplo sentido? Ele disse "eu sou um peregrino e um residente permanente com vocês". Quando ele incluiu o "com vocês", Avraham quis dizer que, entre ele e os Chitim, um era peregrino e o outro era residente permanente. O entendimento mais simples, e assim os Chitim entenderam, é que Avraham era o peregrino e eles eram os residentes permanentes. Porém, a intenção de Avraham era dizer justamente o contrário, que ele era o residente permanente enquanto os Chitim eram os peregrinos.

Mas ao entendermos a intenção de Avraham, surge outra grande pergunta. Se a estrutura da frase dita por Avraham era para dar um duplo sentido às suas palavras, então o mesmo conceito deve se aplicar ao versículo que fala sobre a venda de terras em Israel. Por que D'us falou algo com duplo sentido? Qual o entendimento verdadeiro das palavras do versículo da Parashá Emor?

A resposta começa com as palavras dos nossos sábios: "Este Mundo se assemelha a um corredor diante do Mundo Vindouro. Se prepare no corredor para que você possa entrar no palácio" (Pirkei Avót 4:16). Da mesma forma que o corredor de um palácio é apenas uma passagem, assim também é a nossa vida neste mundo material, devemos viver como se fossemos peregrinos em uma terra estranha, como pessoas convidadas para passar a noite em uma casa estranha, pois é somente algo passageiro. Então o que viemos fazer aqui? Nos preparar para poder entrar no "palácio", o Mundo Vindouro. E como fazemos a preparação? Diz David Hamelech (Rei David): "Eu sou um peregrino na terra, não oculte de mim as Suas Mitzvót" (Tehilim 119:19). David Hamelech está nos ensinando que a estadia do ser humano neste mundo é apenas temporária e, portanto, ele não deve desperdiçar esta oportunidade, que apesar de ser breve, é muito valiosa. O ser humano deve se esforçar para dar sentido à sua existência através da conexão com as Mitzvót de D'us. Devemos viver como peregrinos, isto é, nossa dedicação principal deve ser as aquisições espirituais, enquanto nossas ocupações com o mundo material devem ser secundárias, pois do mundo material não levaremos nada para nossa eternidade. De que adianta trabalhar 24 horas por dia e acumular milhões se de nada servirão para adquirir nosso Mundo Vindouro?

Portanto, quando D'us disse "Vocês são peregrinos e habitantes permanentes Comigo", o versículo está juntando D'us e os seres humanos na mesma frase. O sentido da frase, como no caso de Avraham, é que entre D'us e nós há um que é peregrino e um que é habitante permanente. O que isto significa? Que o comportamento de D'us conosco depende das escolhas que fazemos na vida, está em nossas mãos. Se nós escolhemos ser peregrinos neste mundo, isto é, se vivemos de maneira em que a busca pelos prazeres materiais é secundária e nos dedicamos com prioridade aos valores espirituais, então D'us se comporta conosco como um residente permanente, está constantemente ao nosso lado. Mas se nos comportamos neste mundo como residentes permanentes, investindo nossos esforços apenas em adquirir mais bens, prestígio e prazeres, então Ele se comporta conosco como se fosse apenas um peregrino de passagem.

É por isso que o versículo diz: "E a terra não será vendida de maneira permanente", pois devemos viver aqui como vive uma pessoa que está em uma casa alugada. Alguém que vive de aluguel não passa o tempo todo investindo em melhorias no apartamento, pois sabe que é uma estadia provisória, sabe que a qualquer momento terá que deixá-lo. Assim também em nossas vidas, devemos investir no que levaremos para sempre, ao invés de investir nas coisas que ficarão aqui neste mundo. Somente assim nossa existência fará sentido e sairemos deste mundo para receber, no Mundo Vindouro, um verdadeiro tesouro.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIERÁ 5773


BS"D

FAZENDO CÁLCULOS EQUIVOCADOS - PARASHÁ VAIERÁ 5773 (02 de novembro de 2012)

"Adriano e Gustavo, dois grandes amigos, decidiram participar de uma tradicional competição de natação que era realizada no principal lago da cidade onde moravam. Enquanto Adriano investiu muito tempo para aprender e praticar as regras fundamentais da natação, Gustavo não se interessou em aprender nada, muito menos em praticar.
 
Chegou o esperado dia da competição. Adriano entrou na água com confiança e segurança. Já experiente nas regras da natação, manteve seu corpo plano sobre a água. As mãos estavam em formato de concha, puxando o máximo de água a cada braçada. Os pés, movimentando-se com firmeza e coordenação, o impulsionavam para frente com velocidade. Adriano sentia uma alegria especial enquanto se deslocava com tanta agilidade. Assim, com constância e tranquilidade, chegou à pequena ilha no meio do lago, o ponto de chegada, entre os primeiros colocados. Enquanto descansava ele refletiu e percebeu o quanto ter se focado no conhecimento e na prática das regras o havia ajudado a atingir seu objetivo.

Já Gustavo não teve tanto sucesso. Ao contrário, sua participação na competição foi um grande fracasso. Ele entrou apressado na água, sem nenhuma preparação nem aquecimento, sentindo um enorme nervosismo desde o primeiro momento. Sem conhecer as regras básicas da natação, ao invés de nadar com tranquilidade e equilíbrio, Gustavo começou a chutar a água e a se debater, seus braços e pernas se movimentando de maneira aleatória. Sem nenhum objetivo em mente, ele começou a nadar em muitas direções. Rapidamente ele foi superado pela exaustão. A emoção de participar da competição foi substituída pelo terror de sentir que estava se afogando.

Enquanto Adriano recebia uma medalha de honra por ter completado a prova entre os primeiros e era muito aplaudido pelo público, que reconheceu seu esforço, Gustavo era retirado da água pelo salva-vidas, completamente humilhado, diante da multidão que apontava para ele e dava gargalhadas"

Muitas vezes queremos fugir das regras. Queremos nos sentir livres, fazer as coisas do nosso jeito, sem obrigações. Mas na verdade as regras não nos atrapalham, ao contrário, são elas que nos ajudam a chegar ao topo. Se fugirmos das regras, o mais provável é acabarmos afundando no fracasso.
 
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Na Parashá desta semana, Vaierá, D'us continuou testando Avraham Avinu. O décimo e mais difícil teste foi o pedido de D'us para que Avraham sacrificasse seu filho, como está escrito: "E Ele disse: Por favor, pegue seu filho, seu único, aquele que você ama, Yitzchak, e vá para a terra de Moriá; eleve-o ali como uma oferenda sobre uma das montanhas que Eu vou te dizer" (Bereshit 22:2).

Muitas vezes o teste de Avraham é entendido de maneira infantil, perdendo com isso muito do profundo ensinamento que nos transmite. Por isso, antes de tudo precisamos entender qual foi exatamente o último teste de Avraham. Será que foi apenas a dificuldade de vencer o amor pelo filho, ou será que este teste esconde uma luta interna de Avraham muito mais intensa?

Explicam os nossos sábios que o teste de Avraham não foi um teste emocional como aparenta. Por mais que Avraham amava muito Yitzchak, e um pai naturalmente arrisca sua própria vida para proteger a vida de seu filho, o teste não foi sentimental, pois Avraham chegou a um nível de entendimento intelectual de D'us tão profundo e completo que nunca deixaria seus sentimentos influenciarem na sua escolha de seguir a verdade. O teste de Avraham foi, na realidade, um teste intelectual muito difícil. Que teste foi este?

Na época de Avraham, uma das idolatrias mais comuns era chamada "Molech". A pessoa servia esta idolatria passando o próprio filho sobre uma fogueira e queimando-o vivo. Avraham levantou-se fortemente contra esta prática absurda de sacrificar o próprio filho para um deus. O que aconteceria se Avraham sacrificasse seu filho a pedido de D'us? Ele seria considerado um grande hipócrita e perderia a credibilidade. Toda a luta de Avraham para aproximar as pessoas de D'us e afastá-las da ideia estúpida de que o mundo era controlado por deuses de madeira e pedra perderia completamente a força e o sentido. Avraham poderia ter pensado que, por D'us, seria melhor ele não sacrificar seu filho Yitzchak.

Além disso, o Rambam (Maimônides) diz que Avraham investiu todo o seu intelecto, dos 3 aos 48 anos de idade, para entender D'us em todos os níveis possíveis para um ser humano. Ele pretendia dar continuidade a este trabalho espiritual através de seu filho Yitzchak. Ele queria que esta claridade atingisse toda a humanidade e que todos entendessem o conceito da unicidade de D'us. Mas se ele sacrificasse Yitzchak, quem daria continuidade ao seu trabalho espiritual, um investimento de uma vida inteira? Quem transmitiria ao mundo suas revelações sobre o monoteísmo? Não fazia sentido algum o que D'us estava pedindo, pois aparentemente ia contra o propósito da criação do mundo.

Portanto, o verdadeiro teste enfrentado por Avraham foi um teste intelectual, uma contradição no seu entendimento de D'us. E agora, o que seria melhor fazer: cumprir a ordem de D'us, mesmo que parecia completamente ilógica e ia contra tudo o que ele havia entendido até aquele momento, ou atender ao pedido de D'us sem questionamentos?

Para entender a dificuldade da escolha de Avraham, precisamos voltar um pouco no tempo, até Adam Harishon, o primeiro ser humano, que passou por um teste parecido. D'us havia dado para Adam apenas uma Mitzvá, e se ele tivesse passado pelo teste de escutar D'us, teria chegado à perfeição e todos os seus descendentes teriam nascido em um nível elevado. A ordem de D'us era para que ele não comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal. Mas Adam comeu e despencou espiritualmente, causando que seus descendentes nascessem em um nível muito mais baixo. Por que Adam, que era elevado como um anjo, não escutou a ordem de D'us, que havia sido simples e direta?

Explicam nossos sábios que Adam escutou e entendeu a ordem de D'us, mas ao invés de cumpri-la, ele preferiu fazer cálculos. Confiando em sua própria sabedoria, Ele quis fazer melhor do que D'us havia pedido. Como Adam conhecia a força da Teshuvá (arrependimento), ele sabia do conceito espiritual de que uma pessoa que se arrepende por amor transforma seus erros em méritos. Por isso ele pretendia intencionalmente errar e ir contra a vontade de D'us, para depois se arrepender e transformar seu erro em mérito, chegando a um nível ainda mais alto do que chegaria antes do erro.

Aparentemente a ideia de Adam estava correta. Existe realmente o conceito de que se uma pessoa arrepende-se de seus erros e, por amor a D'us, corrige seus atos, neste caso suas transgressões são transformadas em méritos. Mas no caso de Adam isto não se aplicava. O Talmud explica que isto vale apenas para alguém que transgrediu por ter sido levado por seu mau instinto, mas uma pessoa que comete um erro e diz "vou pecar agora, mas não tem problema, pois depois D'us vai me perdoar", esta pessoa não merece o perdão. Foi este o erro de Adam: a lógica parecia boa, mas ele apenas esqueceu o pequeno detalhe de que estava indo contra a lógica do próprio Criador do mundo, que havia ordenado que ele não comesse do fruto proibido.

Qual foi a fonte do erro de Adam? Ele se considerou mais sábio do que D'us. Ele se achou no direito de fazer cálculos intelectuais para descumprir um pedido explícito do Criador. E as consequências foram trágicas para ele e para o resto da humanidade. Adam foi expulso do Gan Éden e dificultou o trabalho do ser humano de chegar à perfeição. Portanto, as consequências do seu erro são sentidas até os nossos dias.

Esta foi a semelhança do teste de Avraham com o teste de Adam Harishon. Quando D'us comandou Avraham a sacrificar seu filho, ele também poderia ter feito cálculos, poderia ter tentado fazer "melhor" do que D'us pediu, ele tinha motivos lógicos suficientes para isso. Mas Avraham venceu o teste, como afirma o próximo versículo: "E Avraham madrugou de manhã e selou seu jumento..." (Bereshit 22:3). Avraham não ficou dormindo até tarde, esperando D'us mudar de ideia. Ele madrugou e começou a fazer pessoalmente os preparativos, para cumprir a vontade de D'us o mais rápido possível.

Porém, o teste não terminou no momento em que Avraham decidiu fazer a vontade de D'us. Assim diz o próximo versículo: "No terceiro dia Avraham levantou os olhos e viu o lugar de longe" (Bereshit 22:4). Por que a Torá detalhou que o sacrifício aconteceria no terceiro dia, que diferença faz? D'us não queria que Avraham fizesse Sua vontade apenas por impulso. Se D'us pedisse para Avraham sacrificar seu filho imediatamente, teria sido mais fácil ele juntar suas forças e, no ímpeto, sacrificar seu filho. Mas D'us fez com que Avraham andasse por três dias, o tempo todo com a ideia na cabeça de que estava indo sacrificar seu próprio filho. Por três dias Avraham lutou contra seu próprio intelecto, e venceu. A conclusão da história é que Avraham cumpriu a vontade de D'us e tudo terminou bem, sem nenhuma contradição. A lógica de D'us se mostrou, obviamente, muito superior à lógica limitada de Avraham.

Podemos criticar Adam Harishon por ter caído no seu teste. Mas na realidade temos que perceber que esta é a fonte da maioria dos erros que nós cometemos. A falta de humildade nos leva a pensar que podemos ir contra a vontade de D'us e ainda assim ter sucesso. Ele nos entregou a Torá, um "manual de instruções" de como viver a vida, para que possamos errar menos e acertar o caminho correto. Para todas as atividades que fazemos na vida há um certo e um errado, e a Torá nos ensina o que fazer em cada situação. Mas apesar disso, jogamos o manual pela janela e preferimos viver de acordo com as nossas "certezas", mesmo que a experiência mostre que estamos indo cada vez mais para baixo. Desunião, desonestidade, violência e promiscuidade são, infelizmente, valores cada vez mais normais.

Um dos equipamentos imprescindíveis de mergulhadores profissionais é um relógio que mostra se ele está afundando ou subindo. Aparentemente este relógio não serve para nada, pois qualquer pessoa normal sabe, sem dificuldades, se está subindo ou descendo na água. A resposta é que por causa das altas pressões no fundo do mar, muitas vezes um mergulhador pode sentir um mal estar súbito chamado "embriaguez dos mergulhadores", no qual ele perde as referências de direção, como se tivesse ingerido uma grande quantidade de álcool. Isto pode ser fatal no fundo do mar, pois a pessoa pode afundar ao invés de subir, morrendo afogado. O relógio serve para a pessoa, neste momento em que está se sentindo desnorteada, saber se está afundando ou subindo. Assim também é a nossa Torá, um "equipamento" para utilizarmos em momentos como o que vivemos atualmente, onde tudo está confuso, para saber se estamos subindo ou afundando.

Por que Avraham é chamado de "Avinu" (Nosso pai)? Pois da mesma forma que um pai transmite para seus filhos a herança genética, Avraham nos transmitiu uma herança genética espiritual. Recebemos dele a força para vencer os testes que surgem em nossa vida. Recebemos dele o ensinamento de não fazer cálculos diante dos ensinamentos de D'us. Se foi D'us Quem nos comandou algo, não devemos questionar, pois somos limitados, somos insignificantes diante Dele. Seguindo o "manual", podemos nos tornar grandes vencedores, ao invés de terminar a corrida da vida afogados nas incertezas e dificuldades.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ LECH LECHÁ 5773


BS"D

DEFEITOS E QUALIDADES - PARASHÁ LECH LECHÁ 5773 (26 de outubro de 2012)

Certo dia Carlinhos chegou da escola irritado. Dudu, um colega de classe, havia "pisado na bola" com ele. Ao perceber que o filho estava incomodado, o pai de Carlinhos chamou-o para conversar e perguntou se estava tudo bem. Carlinhos desabafou, dizendo que não aguentava mais Dudu, pois ele tinha muitos defeitos. O pai de Carlinhos explicou que todos têm defeitos e por isso precisamos focar nas qualidades dos outros, mas Carlinhos não queria aceitar, pois achava que não tinha defeitos assim tão grandes como os de Dudu. Então o pai ensinou, com um exemplo, uma importante lição para Carlinhos:

- Sabe, filho, as pessoas nem sempre conseguem enxergar seus próprios defeitos, mas em relação aos outros sempre enxergamos com claridade os pontos fracos. Sabe com o que nos assemelhamos? Com pessoas caminhando em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás. Na sacola da frente nós colocamos as nossas qualidades, enquanto na sacola de trás guardamos os nossos defeitos. Durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos, pois estão presas em nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente em todos os defeitos do companheiro que está na nossa frente, pois estão pendurados nas suas costas, diante dos nossos olhos. Por isso nos julgamos melhores que os outros, pois não conseguimos enxergar a sacola de virtudes do próximo e nem perceber a gigantesca sacola de defeitos que carregamos nas nossas próprias costas.

Neste dia Carlinhos conseguiu aprender que quando estamos ocupados demais procurando os defeitos dos outros, deixamos de perceber e consertar os nossos próprios defeitos.

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Ensina o Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Dez vezes Avraham Avinu foi testado, e passou por todos eles" (Avót 5:4). E a Parashá desta semana, Lech Lechá, descreve alguns dos testes pelos quais Avraham passou durante sua vida, começando com o teste de "Lech Lechá" (Vá para você), no qual D'us pediu para que Avraham saísse da comodidade e segurança de sua casa, abandonasse seus amigos e parentes e fosse para uma terra estranha. E segundo nossos sábios, os testes pelos quais Avraham Avinu foi submetido foram gradativamente se tornando mais difíceis, iniciando com situações mais "cotidianas", como a fome que assolou a terra de Knaan e obrigou Avraham a ir para o Egito, e culminando com o teste de sacrificar o seu próprio filho, Yitzchak.

O Rav Yerucham Leibovitz, baseado neste ensinamento dos nossos sábios, faz uma pergunta muito interessante: se D'us queria testar Avraham, e os testes foram gradativamente ficando mais difíceis, por que Ele não mandou diretamente o teste do sacrifício de Yitzchak, que era o mais difícil de todos? Ao vencê-lo, Avraham provaria de uma só vez ser capaz de passar todos os desafios e não precisaria passar pelo sofrimento dos testes anteriores. Então por que mesmo assim D'us mandou 10 testes?

Uma das explicações é que cada teste foi dando para Avraham a força necessária para vencer o próximo teste. Se Avraham tivesse sido submetido diretamente ao teste do sacrifício de Yitzchak, talvez ele não tivesse conseguido juntar as forças para vencê-lo. Mas como os testes vieram de forma gradual, Avraham foi crescendo aos poucos, até conseguir vencer um dos testes mais difíceis que um ser humano já conseguiu superar.

Isto nos ensina um importante fundamento, que nos ajuda a vencer nossas dificuldades cotidianas: D'us não manda um teste para o qual não estamos preparados. Não existe nenhuma situação na qual D'us nos coloca e que não temos as ferramentas necessárias para superá-la. Portanto, se estamos passando por uma dificuldade, certamente é porque temos capacidade de vencer este teste. Avraham nos ensinou que podemos encontrar dentro de nós a força para vencer todos os testes da vida. Basta termos tranquilidade e a Emuná (fé) de que D'us nos ajudará a vencer todos os desafios.

Também aprendemos o quanto é uma grande tolice reclamar das dificuldades que surgem em nossa vida, pois são testes que D'us está nos mandando para que possamos desenvolver novas ferramentas, para um dia alcançarmos a perfeição. Cada teste nos dá mais força, nos dá mais habilidades, nos prepara melhor para vencer na vida. Em lugares onde não há dificuldades, também não há crescimento. É interessante perceber que em locais como a Suíça, onde não há analfabetismo, roubo ou pobreza, também praticamente não há pessoas que se destacam, nem na área dos esportes nem nas áreas intelectuais.

Mas por que é tão difícil chegar à perfeição? Por que tentamos tanto e não conseguimos? Pois o ser humano é uma criatura extremamente complexa, composta por diversas tendências, algumas delas contraditórias. Por exemplo, uma pessoa por ser muito tranquila, mas ao mesmo tempo extremamente sovina. Outra pode ser muito caridosa, mas explosiva e sem paciência. E para dificultar ainda mais, em geral focamos nos nossos pontos fortes e esquecemos os nossos defeitos. Por isso, mesmo quando pensamos que estamos crescendo, na verdade estamos apenas refinando nossos pontos fortes, mas nossos pontos fracos, nos quais deveríamos nos dedicar mais, acabam ficando para trás. Por isso a maioria das pessoas acaba ficando longe da perfeição.

Baseado neste conceito, o Rav Yerucham Leibovitz responde que não seria suficiente D'us mandar para Avraham apenas o último teste. Ele mandou os 10 testes para Avraham para testar todas as tendências que havia dentro dele. Mesmo que Avraham passasse pelo teste do sacrifício de Yitzchak, apesar de ser o teste mais difícil, não necessariamente ele passaria pelo teste de abandonar a sua casa ou de não reclamar no momento em que houve fome na terra de Knaan, pois são áreas completamente diferentes. Somente quando Avraham foi testado em 10 diferentes áreas de sua vida, e passou em todos os testes, é que ele demonstrou realmente seu nível elevado. Se passasse apenas no teste do sacrifício de seu filho, teria apenas demonstrado domínio sobre certo aspecto de suas características, mas não o domínio sobre todas elas, como mostrou nos 10 testes que venceu.

Esta segunda resposta também nos ensina uma importante lição para a vida. Uma das características mais desprezíveis do ser humano é o orgulho. O livro "Orchót Tzadikim" diz que D'us considera o orgulhoso uma pessoa abominável.  De onde vem o orgulho? Do sentimento que somos melhores que os outros por causa de alguma característica em que nos destacamos. Alguns se acham superiores por terem mais sabedoria, outros se acham mais merecedores de honra por terem conseguido acumular mais dinheiro e bens materiais. Mas este sentimento de superioridade é uma grande tolice, pois como somos compostos de diversas características, podemos ser melhores que os outros em algumas delas, mas certamente somos muito piores em outras. Cada pessoa tem suas qualidades e defeitos, todos têm seus pontos fortes e fracos. O orgulhoso esquece que tem defeitos e que precisa trabalhar muito na vida para consertar seus próprios erros. A verdade é que, se o tempo que o orgulhoso gasta procurando os defeitos dos outros fosse utilizado para que ele procurasse e consertasse seus próprios defeitos, certamente já teria chegado à perfeição.

Somente quando aprendermos a enxergar os nossos próprios defeitos e a buscarmos apenas as qualidades nos outros, nos tornaremos aptos, como Avraham Avinu, a vencer todos os testes da vida.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NOACH 5773


BS"D

ESTE É O SEU DESTINO - PARASHÁ NOACH 5773 (19 de outubro de 2012)

Ricardo era um rapaz esforçado, investia muito no seu crescimento espiritual. Fixava horas de estudo de Torá todos os dias e procurava sempre refletir sobre a vida e a importância do tempo, nosso bem mais precioso. Mas foi quase por acaso que ele recebeu uma das maiores lições sobre o valor da vida.

Certa vez havia falecido um parente distante de Ricardo e ele decidiu ir ao cemitério para cumprir a importante Mitzvá de "Levaiat Hamet" (acompanhar o morto até a sepultura). Como ele não conhecia o caminho até o cemitério, programou seu GPS e foi seguindo as instruções.

Durante todo o caminho, o GPS foi dando as coordenadas: "Vire à direita", "Vire à esquerda", "Siga em frente". Quando o carro entrou no cemitério, Ricardo ficou arrepiado. O GPS, em alto e bom som, anunciou: "VOCÊ CHEGOU AO SEU DESTINO"...

Quando lembramos que estamos aqui neste mundo apenas por um tempo limitado, aproveitamos mais a nossa vida, damos valor para cada segundo. A única certeza que temos na vida é que um dia a vida acaba. Então vale a pena aproveitar cada segundo do nosso tempo.

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Nesta semana lemos a Parashá Noach, que nos ensina sobre o dilúvio que destruiu toda a humanidade. Mas apesar de toda a corrupção e imoralidade que haviam se institucionalizado no mundo, Noach e sua família se mantiveram íntegros e encontraram graça aos olhos de D'us, sendo salvos, junto com um par de cada animal da Terra, em uma gigantesca arca. Durante 40 dias e 40 noites D'us mandou uma forte chuva sobre a Terra, acabando com toda a vida que havia ficado para fora da arca.

Quando D'us anunciou que mandaria um dilúvio, avisou para Noach: "Eu estabelecerei Meu pacto com você, e você deve vir até a arca – você, seus filhos, sua esposa e as esposas dos seus filhos com você" (Bereshit 6:18). Por que D'us, ao comandar Noach, separou os homens das mulheres? Explica o comentarista Kli Yakar que D'us estava proibindo os seres humanos de terem relacionamentos íntimos durante os dias em que estivessem dentro da arca, pois eles não poderiam se ocupar dos seus próprios prazeres enquanto o resto da humanidade estava passando por terríveis sofrimentos.

Após um ano fechados na arca, D'us comandou que eles saíssem: "Saia da arca, você e sua esposa, seus filhos e as esposas de seus filhos junto com você" (Bereshit 8:16). Desta vez D'us comandou Noach a sair com sua esposa, e os filhos com suas esposas, para comunicar que a proibição das relações maritais não mais se aplicava. Ao contrário, agora eles precisavam repovoar o mundo, que estava completamente desolado e vazio.

Porém, alguns versículos depois a Torá descreve a saída de Noach da arca: "E saiu Noach, e seus filhos, e sua esposa e as esposas dos seus filhos com ele" (Bereshit 8:18). Se D'us já havia novamente permitido as relações maritais, por que a Torá descreve que os casais saíram da arca separados, como se a proibição das relações íntimas ainda existia?

Explica o Kli Yakar que Noach não queria mais ter filhos. O ser humano precisa encontrar um sentido no que faz na vida. Uma pessoa não passaria o dia empilhando lixo, mesmo de maneira remunerada, se soubesse que de noite alguém pegaria a pilha e espalharia tudo de novo, fazendo com que o trabalho recomeçasse do zero no dia seguinte, pois ninguém consegue fazer um trabalho que é vão e sem sentido. Foi isso o que Noach sentiu naquele momento, ele pensou que mesmo se trouxesse descendentes ao mundo, logo alguma geração não muito distante se corromperia e um novo dilúvio destruiria novamente o mundo inteiro. Então por que se esforçar se logo tudo seria destruído? Noach ficou firme em sua decisão até que D'us confortou-o, jurando que nunca mais traria um dilúvio ao mundo, como está escrito: "Nunca novamente toda a carne será destruída pelas águas do dilúvio, e nunca novamente haverá um dilúvio para destruir o mundo" (Bereshit 9:11).

Mas surge uma grande pergunta filosófica. Sabemos que tudo o que D'us faz é por bondade, mesmo quando Ele precisa nos castigar de maneira severa. É como um pai que, ao ver seu filho colocando a própria vida em risco, lhe dá um castigo duro para convencê-lo a não fazer mais o mesmo erro. Segundo este fundamento, por que D'us mandou o dilúvio? Pois o mundo havia se corrompido tanto que Ele achou necessário, pelo bem da humanidade e das futuras gerações, reconstruir o mundo. Então como D'us poderia jurar que nunca mais mandaria um dilúvio para o mundo? E se a humanidade novamente se corrompesse e se desviasse do caminho correto, D'us não mandaria mais o "conserto" necessário?

Explicam nossos sábios que o mundo "pós-dilúvio" não foi reconstruído da mesma maneira como era antes. D'us fez mudanças para que a humanidade nunca mais se corrompesse naquele nível. Em certo nível, D'us tirou um pouco do nosso livre arbítrio, para nos impedir de cair tanto quanto caiu a geração de Noach. Mas que mudanças foram estas e como nos ajudam a não cair?

A primeira mudança foi na diminuição da expectativa de vida dos seres humanos, como está escrito: "E disse D'us: Meu espírito não continuará a julgar o homem para sempre, uma vez que ele não é mais do que carne. Seus dias serão 120 anos" (Bereshit 6:3). Até a geração de Noach as pessoas viviam mais de 700 anos, mas D'us decretou que a expectativa de vida do ser humano iria gradativamente diminuir, até chegar ao limite de 120 anos. Por um lado, um tempo de vida longo pode ser utilizado para acumular sabedoria e espiritualidade, mas se for mal utilizado, resulta em tempo suficiente para cometer muitas bobagens na vida. Com a diminuição do tempo de vida, as pessoas ficaram menos propensas a desenvolver um nível muito grande de maldade. Além disso, o medo da morte, um fenômeno que passou a ser algo mais próximo do ser humano, ajudou as pessoas a se concentrarem no que é principal e deixar de lado o que é secundário.

A segunda mudança foram alterações climáticas na Terra, como está escrito: "Enquanto a Terra existir, a época do plantio e da colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite, não cessarão" (Bereshit 8:22). Antes do dilúvio, todos os dias eram dias de primavera, com um clima ameno e agradável. Não havia estações do ano nem temperaturas extremas. Neste clima agradável e constante, o tempo parecia não passar. As mudanças de estação nos ajudam a perceber, de uma maneira mais clara, que o tempo está correndo. Nos ajuda a refletir que a vida é curta, que precisamos aproveitar as oportunidades ou elas passam e nós as perdemos, talvez para sempre. Além disso, quando tudo está tranquilo, a tendência é as pessoas se acomodarem. As dificuldades de viver em uma constante luta contra o frio e o calor nos despertam, nos dão força, nos ajudam a atingir o nosso objetivo.

Estas mudanças que D'us fez para diminuir nosso Yetzer Hará (má inclinação) nos ensinam uma importante lição para a vida: a melhor maneira de evitar cometer transgressões, e a receita para fugir de uma vida de vanidades, é lembrar constantemente que estamos neste mundo apenas por um tempo limitado e que todos os nossos atos neste mundo são levados em consideração para definir o nível espiritual que teremos por toda a eternidade. A vida passa em um piscar de olhos, o tempo não espera, ele não para nunca. Quem não aproveita sai deste mundo de mão vazias.

Por que não aproveitamos as oportunidades de crescimento espiritual? Pois vivemos como se nunca fossemos morrer. As oportunidades aparecem, mas sempre deixamos as coisas importantes para depois. Sempre dizemos: "Amanhã eu faço" ou "Depois eu cuido disso". Quando o ser humano vivia mais de 700 anos, havia tempo de sobra para se preocupar com o Mundo Vindouro. Mas já não vivemos tanto, como diz David Hamelech: "Os dias da nossa vida chegam a 70 anos, e para alguns mais fortes chegam a 80 anos" (Tehilim - Salmos 90:10). Algumas vezes vamos ao cemitério e o choque momentâneo de perceber que um dia a vida acaba nos acorda, mas com o tempo voltamos ao comodismo de antes. Precisamos despertar do nosso sono espiritual, precisamos aproveitar cada instante de nossa vida para construir méritos para a nossa Vida Eterna. Temos que nos esforçar ao máximo para que, nos dia em que chegarmos realmente ao nosso destino final, possamos sair deste mundo com a nossa mala espiritual completamente cheia.
 
SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BERESHIT 5773

BS"D
CUIDE, POIS NÃO É SEU - PARASHÁ BERESHIT 5773 (12 de outubro de 2012)

"Nos primeiros dias do ano de 1905, o Rav Aryeh Levin viajou para Israel e foi para a cidade de Yafo. A primeira coisa que fez foi visitar um grande sábio que vivia lá. Conversaram por um longo tempo sobre vários assuntos de Torá e, depois de Minchá (reza da tarde), saíram para dar uma volta. Era costume daquele sábio passear diariamente pelos campos para refletir e organizar seus pensamentos. No caminho, o Rav Arieh Levin viu uma flor bonita e arrancou-a. O sábio foi pego de surpresa e disse, gentilmente:

- Acredite em mim, todos os dias da minha vida eu me cuidei para nunca arrancar sequer uma folha de grama ou flor desnecessariamente enquanto ela tinha capacidade de crescer ou florescer. Nossos sábios ensinam que não há uma única folha de grama aqui na Terra que não tem uma força celestial dizendo "cresça, cresça". Cada folha de grama diz algo, transmite algum significado. Cada pedra sussurra, em silêncio, alguma mensagem oculta. Toda criação profere sua canção.

Aquelas palavras, saídas de um coração tão puro, gravaram-se profundamente no coração do Rav Aryeh Levin. A partir daquele momento, ele passou a nutrir um sentimento de compaixão por todas as criaturas"

Muitos conceitos que parecem ser modernos já foram ensinados ao povo judeu há mais de 3.300 anos. Um deles é o cuidado com os recursos naturais, que foram criados por D'us para o nosso benefício, mas que não podem ser utilizados de forma destrutiva e impensada.

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Nesta semana recomeçamos a leitura da Torá com o primeiro livro, Bereshit. E a Parashá da semana, Bereshit, começa descrevendo a criação do mundo, desde os objetos inanimados, os vegetais, os animais e o primeiro ser humano, Adam Harishon. Após D'us terminar a criação, Ele ensinou a Adam o que ele poderia fazer e o que não poderia. Por exemplo, D'us ensinou a Adam o que ele poderia comer, como está escrito: "E eis que Eu dei para vocês toda planta que produz semente na face da terra, e toda árvore que tem fruta com sementes" (Bereshit 1:29).

Porém, desta ordem de D'us para Adam Harishon surge uma grande pergunta. No terceiro dia da Criação, D'us já havia garantido que todas as espécies vegetais produziriam sementes, com a capacidade de se autoperpetuarem, como está escrito: "E disse Deus: produza a terra vegetação, plantas que produzem sementes... e árvores frutíferas que, segundo as suas espécies, deem frutos que tenham em si a sua semente, sobre a terra" (Bereshit 1:11,12). Então por que D'us precisou repetir para Adam esta característica das plantas e árvores de se autoperpetuarem? Além disso, no versículo seguinte, quando D'us comandou aos animais o que seria permitido comer, esta característica não é mais mencionada, como está escrito "Para todo animal da terra, todo pássaro do céu e a todo ser vivente que rasteja sobre a terra, toda vegetação de planta será alimento" (Bereshit 1:30). Portanto, qual é o ensinamento que está contido nas palavras de D'us para Adam Harishon?

Esta pergunta se conecta com outra pergunta interessante: quando a Torá Oral precisou ser escrita, para que seus conhecimentos não se perdessem durante o exílio do povo judeu, seu conteúdo foi dividida em 6 ordens: Zeraim (Sementes), Moed (Festividades), Nashim (Mulheres), Nezikim (Danos), Kodashim (Coisas Sagradas) e Taharót (Purezas), sendo que em cada uma destas ordens estão contidos diversos Tratados. Esta divisão foi feita por um dos maiores sábios da história do povo judeu, Rabi Yehuda Hanassi, o líder de sua geração. O nome que o Rabi Yehuda Hanassi deu para cada ordem representa o conteúdo dos Tratados contidos nela. Por exemplo, Nezikim (Danos) contém os Tratados que discutem as leis de danos e compensações, enquanto Moed (Festividades) contém os Tratados que explicam as leis do Shabat e das diversas Festas judaicas. Mas há umas das ordens cujo nome aparentemente não condiz com o conteúdo dos seus Tratados: Zeraim (Sementes). O primeiro Tratado da ordem de Zeraim é Brachót (Bençãos), que ensina, entre outras coisas, sobre as Brachót feitas para cada tipo de alimento. Os outros Tratados desta ordem, apesar de ensinarem leis agrícolas, focam principalmente na produção e nas comidas em sua forma já terminada. Com exceção do tratado de Kilaim, que ensina sobre a proibição de misturar alguns tipos de sementes, nenhum dos outros Tratados fala sobre os alimentos enquanto ainda estão em estágio de semente. Então por que Rabi Yehuda Hanassi deu para esta ordem o nome "Sementes", se não é sobre isso que os Tratados discutem?

Estamos em uma geração movida pela ganância, onde a única coisa que importa são os lucros. Não se pensa mais no futuro, o importante é apenas o presente, ganhar e lucrar o máximo agora. Um dos grandes efeitos colaterais é o impacto negativo sobre a natureza e a utilização irracional dos recursos naturais. Um exemplo disso é o Rio Tietê, que há 50 anos era um rio limpo, utilizado para natação e lazer, mas atualmente é um rio morto e podre. Nos incomoda ver nos documentários o extermínio dos elefantes africanos para a extração do marfim. O descaso com a natureza e com os animais é tão grande que em muitos países é permitido a caça apenas por esporte, e a tourada, um espetáculo de covardia e crueldade com os animais, ainda atrai milhares de espectadores.

Contra estes atos de descaso surgiram, nos últimos anos, vários grupos de proteção à natureza, como o Greenpeace, cujo objetivo principal é conscientizar a população dos danos causados pelo mau uso dos recursos naturais. Muitos pensam que este cuidado com a natureza é algo moderno, mas a Torá nos ensina que este conceito foi transmitido para Adam Harishon logo depois dele ter sido criado.

Por que Adam foi criado por último, depois dos minerais, plantas e animais? Para que ele soubesse que todos os recursos naturais estavam à sua disposição para que ele conseguisse cumprir seu objetivo no mundo. Mas explica o Rav Yochanan Zweig que quando D'us deu permissão ao ser humano para usufruir dos recursos naturais criados por Ele, avisou que esta permissão vinha junto com uma responsabilidade: cuidar dos recursos naturais para que eles não se esgotassem. Quando D'us repetiu o conceito de que as plantas e frutas tinham sementes, isto é, podiam se autoperpetuar, Adam estava sendo avisado que, apesar de ter acesso aos benefícios do mundo material, ele não tinha direitos indiscriminados. O direito de uso não dava a Adam o direito de destruir o mundo que D'us havia construído. Ele poderia utilizar os recursos, mas deveria se esforçar para garantir que eles continuariam existindo para as próximas gerações.

E assim dizem nossos sábios: "No momento em que D'us criou Adam Harishon, Ele pegou-o, o fez passar por todas as árvores do Gan Éden (Paraíso) e disse para ele: Veja as Minhas criações, como são belas e louváveis. E tudo o que Eu criei, para você Eu criei. Tome cuidado para não estragar e destruir o Meu mundo" (Kohelet Rabá 7:13). Portanto, o Greenpeace não inovou o conceito da ecologia e da proteção à natureza. Há mais de 3.300 anos a Torá já havia nos ensinado a importância de cuidar do nosso planeta. Esta mensagem foi transmitida somente ao ser humano, que através do seu intelecto pode cuidar para que o uso dos recursos naturais seja feito de uma forma consciente. Já aos animais, que não têm intelecto e discernimento entre o certo e o errado, D'us não comandou nada em relação ao uso dos recursos naturais. Por isso no versículo que se refere à alimentação do ser humano está escrito "plantas e frutas com semente", mas no versículo que se refere à alimentação dos animais está escrito apenas "plantas e frutas", ocultando a característica de autoperpetuação delas através das sementes.

E foi exatamente esta a mensagem que o Rabi Yehuda Hanassi quis nos transmitir ao dar o nome da primeira ordem da Torá Oral de "Sementes". Os Tratados desta ordem contêm as regras das Brachót que fazemos sobre a comida pronta e outras regras agrícolas que são pré-requisitos para o consumo das comidas. Mas mesmo quando todos os pré-requisitos foram preenchidos, não podemos esquecer a lição das "sementes", isto é, que também um importante pré-requisito para utilizar os recursos naturais é garantir a continuidade destes recursos, evitando um mau uso que leve ao seu esgotamento.

Ensina o Sefer HaChinuch que existe uma Mitzvá, chamada "Baal Tashchit", que nos proíbe de desperdiçar qualquer coisa. A raiz desta Mitzvá é educar nossas almas a evitar destruir coisas de maneira desnecessária, nos conectando com o bem e nos afastando do mal e de qualquer tipo de destruição. Isto nos leva a praticar atos bons, desejar a paz e buscar o bem dos outros. A destruição dos recursos naturais, ao contrário, é um ato completamente egoísta, de não pensar nas futuras gerações, de não se importar com os impactos negativos que virão ao mundo daqui a 50 ou 100 anos pela nossa má utilização dos recursos naturais. Quando D'us comandou o povo judeu a construir o Mishkan (Templo Móvel), ordenou que fosse utilizada madeira de Acácia. Por que justamente esta árvore foi escolhida? O Midrash (Shemot Rabá 35:2) diz que a escolha foi pelo fato da Acácia não ser uma árvore frutífera. Assim D'us está nos ensinando que Ele se importa em não causar uma destruição desnecessária e, portanto, devemos nos comportar como Ele.

Por outro lado, é preciso tomar cuidado para não perder o equilíbrio e o bom senso. A palavra "Midót", que significa "características de comportamento", também significa "medidas". Por que? Pois as nossas Midót são como o sal, somente é bom quando está na medida certa, mas se colocamos sal demais ou pouco sal, estragamos a comida. É isto o que vemos acontecendo com alguns integrantes de grupos de proteção à natureza, que chegam ao ponto de agredir e machucar pessoas por considera-las "inimigos da natureza". Por mais que devemos nos preocupar com a natureza e com os recursos naturais, não podemos esquecer que nada é mais sagrado e importante do que uma vida humana. Tudo deve ser feito dentro de limites, sem os exageros que muitas vezes acompanham as ações dos grupos de defesa da natureza.

Cuidar da natureza não é uma ideia recente, é algo tão antigo quanto a própria humanidade. Portanto, devemos fazer a nossa parte e dar a nossa contribuição para que as próximas gerações também possam usufruir deste mundo maravilhoso e todos os recursos naturais que D'us nos deu.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - SHMINI ATSÉRET E SIMCHÁ TORÁ 5773

BS"D

 FORÇA NA SUBIDA - SHEMINI ATSÉRET E SIMCHÁ TORÁ 5773 (05 de outubro de 2012)


O Rav Elazar Man Shach zt"l, que foi o Rosh Yeshivá de Ponovitch e um dos maiores sábios da geração passada, tragicamente perdeu sua filha mais velha, Miriam Raizel, que faleceu de pneumonia com a tenra idade de 14 anos. Pouco tempo após esta irreparável perda, o Rav Shach foi visitar o Rav Chaim Ozer Grodzinski e, como consolo, o Rav Chaim citou um versículo de Tehilim: "Se não fosse a Sua Torá para mim um deleite, eu teria morrido em minhas aflições" (Salmos 119:92). Então o Rav Chaim falou para o Rav Shach: "Sem a Torá, minha vida não teria nenhum sentido" (o próprio Rav Chaim perdeu sua única filha com a idade de 20 anos). E durante muito tempo, todas as vezes em que o Rav Chaim encontrava o Rav Shach, ele repetia o mesmo versículo de Tehilim.

Mas foi só muitos anos mais tarde que o Rav Shach entendeu com profundidade as palavras do Rav Chaim. Ele as explicou com a analogia de dois prisioneiros na cadeia, completamente humilhados, ambos com as cabeças raspadas e usando uniformes da penitenciária. Mas apesar de sua aparência idêntica, havia uma enorme diferença entre eles. Um constantemente sorria e dizia palavras amigáveis, enquanto o outro estava sempre sombrio e silencioso. A diferença entre os dois é que um deles sabia que sua pena era temporária, e logo ele seria solto e poderia voltar para casa, enquanto o outro havia recebido uma condenação de prisão perpétua e não tinha mais nenhuma esperança para sua vida.

O Rav Shach entendeu que o Rav Chaim estava ensinando-lhe que duas pessoas podem passar pela mesma situação trágica e mesmo assim reagir de maneira completamente diferente. Uma pessoa pode entender que as dificuldades são passageiras, e encontram consolo na Torá; enquanto outra pessoa pode entender que os sofrimentos não terão fim. Uma pessoa que não conhece a Torá e nunca experimentou o prazer de estudá-la, quando passa por uma tragédia pessoal, não tem no que se segurar, não encontra nenhum consolo e dificilmente se recuperará. Mas ao contrário, aquele que está conectado com o estudo da Torá pode continuar a crescer em seus estudos e sua conexão com D'us, conseguindo manter sua sanidade mesmo após passar por dores e sofrimentos terríveis.

Portanto, a alegria encontrada no estudo da Torá é uma ferramenta que pode trazer efeitos benéficos vitais, que dá força para a pessoa vencer grandes dificuldades e sofrimentos de cabeça erguida.

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Nesta semana o Shabat coincide com um dos últimos dias da festa de Sucót. E no Domingo de noite (07 de outubro) comemoramos a festa de Shemini Atséret. Apesar de ela vir imediatamente após Sucót, Shmini Atséret é uma festa independente e traz uma mensagem muito profunda e especial para o povo judeu. E justamente em Shemini Atséret nossos sábios fixaram a Festa de Simchá Torá, o dia em que completamos o ciclo anual de leitura da Torá. Em Israel, onde há apenas um dia de Yom Tov, Shemini Atséret e Simchá Torá são comemorados no mesmo dia. Fora de Israel, onde há dois dias de Yom Tov, Simchá Torá é comemorada apenas no segundo dia. Em Simchá Torá todos os Sifrei Torá (Rolos de Torá) de cada sinagoga são retirados do Aron Hakodesh (Arca Sagrada) e, tanto de noite quanto de manhã, cantamos e dançamos com alegria, carregando a nossa querida Torá nos braços.

As Festas de Shmini Atseret e Simchá Torá despertam alguns questionamentos. De todos os Chaguim (Festas judaicas) que temos durante o ano, por que nossos sábios escolheram justamente Shmini Atséret para fixar o fim do ciclo de leitura da Torá? Além disso, se todo o propósito de Simchá Torá é mostrar o nosso amor pela Torá, por que apenas dançamos com a Torá, e não passamos a noite inteira estudando-a, como fazemos em Shavuót? E finalmente, a tradução literal do nome da Festa de Shmini Atséret é "O Oitavo, o dia da parada". Por que este nome? Pois nos sete dias de Sucót nós oferecíamos 70 Korbanót (sacrifícios) no Beit Hamikdash (Templo Sagrado), um para cada um dos 70 povos do mundo. Mas em Shmini Atséret era oferecido um único Korban, em nome do povo judeu. Com o que isto se compara? A um rei que oferece vários dias de festa para todos os seus súditos. Mas quando os dias de festa acabam, o rei convida seus amigos mais próximos para uma pequena festa íntima adicional. Shmini Atséret é um dia adicional, dedicado totalmente ao relacionamento entre o povo judeu e D'us, como se Ele estivesse nos dizendo: "A partida de vocês é muito dolorosa para Mim, fiquem mais um dia". Mas se D'us criou Shmini Atséret como um dia adicional por ser difícil para Ele se separar de nós, como mais um dia de festa alivia a dor da despedida? Não seria apenas um adiamento da inevitável tristeza?

Para responder estas perguntas, precisamos antes entender a profundidade espiritual que está por trás da Festa de Shmini Atséret. Explica o Rav Chaim Fridlander que a Festa de Sucót ocorre em uma época naturalmente alegre, pois coincide com o momento em que os frutos dos campos, pomares e vinhedos eram colhidos e trazidos para dentro de casa. Para canalizar esta alegria material para o espiritual, D'us nos comandou algumas Mitzvót, como habitar por 7 dias em uma Sucá (cabana) e segurar os Arba Minim (4 espécies). Quando nos ocupamos com atos materiais dedicados a D'us, conseguimos direcionar nossa alegria física para algo espiritual.

Porém, quando chega Shmini Atséret, percebemos algo interessante: não temos mais as Mitzvót de Sucá e Arba Minim. Por que? Explica o Sefer HaChinuch (Mitzvá 324) que em Shmini Atséret não precisamos destas "ferramentas" para nos aproximar de D'us, pois a conexão é intrínseca. Depois dos dias sagrados de Rosh Hashaná e Yom Kipur, e dos sete dias festivos de Sucót, a pessoa adquiriu a capacidade de se aproximar tanto de D'us que não é mais necessário nenhuma ferramenta externa para desenvolver esta conexão. Por isso não é necessária mais nenhuma Mitzvá adicional em Shmini Atséret.

Explica o Rav Chaim Fridlander que este dia adicional, sem a necessidades de ferramentas externas que nos conectem a D'us, nos ensina que na verdade não ocorre nenhuma separação entre D'us e nós. Passando um dia adicional com o povo judeu, D'us nos ensina que não precisamos das Mitzvót da Sucá e dos Arba Minim de uma maneira permanente para que possamos manter um relacionamento com Ele, pois D'us está constantemente envolvido com nossas vidas e quer a nossa proximidade.

Mas há uma ferramenta que sim é necessária para manter nossa conexão constante com D'us: a Torá. Sem a Torá é impossível construir um relacionamento com D'us, pois a Torá é o meio de comunicação Dele conosco. Sem a Torá não saberíamos o que D'us quer de nós, nem como Ele enxerga o mundo. Nossos sábios fixaram o fim do ciclo anual de leitura da Torá em Shmini Atséret justamente por Shmini Atséret nos ensinar que não há uma separação de D'us, nós podemos estar constantemente conectados com Ele através do estudo da Torá. E por isso nós demonstramos toda a nossa alegria com a Torá neste dia, para nos lembrar que, enquanto nós estivermos estudando a Torá, conseguiremos manter nossas conexão com D'us mesmo nos momentos mais difíceis. O estudo da Torá é o combustível que nos impulsiona mesmo nas subidas mais íngremes da vida.

Mas então por que, ao invés de cantar e dançar, não passamos o dia estudando a Torá? Pois nossos sábios estão nos ensinando uma preciosa lição sobre o nosso relacionamento com a Torá. É verdade que é essencial que cada pessoa dedique o máximo de tempo possível para o estudo da Torá. Porém, também é essencial desenvolver uma alegria no estudo da Torá. Uma pessoa que estuda mas não sente gosto pelo seu estudo está muito mais propícia a se desconectar da espiritualidade e se conectar com os prazeres materiais imediatos. Além disso, aquele que ama o que estuda consegue estudar e praticar o que estudou de maneira mais eficiente e produtiva.

A alegria que demonstramos pela Torá no dia de Simchá Torá deve ser uma alegria intensa. Ela deve deixar uma marca para todo o ano, deve criar a vontade de estudar e conhecer cada vez mais a sabedoria de D'us contida dentro do nosso "Manual de Instruções" chamado Torá. A Torá, um presente de D'us, tem a capacidade de nos alegrar nos momentos bons da vida e serve de porto seguro nos momentos de tempestade e turbulência, para nos ajudar a viver a vida de uma maneira mais harmônica e a superar todas as nossas dificuldades.

SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH

R' Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE YOM TOV (1º dia de Shmini Atséret) 
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel ben Ester, Marcos Mordechai Itschak ben Habibe, Yacov Eliezer ben Sara Masha, Yossef Gershon ben Taube, Manha Milma bat Ita Prinzac, Rachel bat Luna, Chaim Shmuel ben Sara, Moshe Avraham Tzvi ben Ahuva, Avraham ben Ahuva, Miriam bat Yehudit, Alexander Baruch ben Guita, Shmuel ben Nechama Diná, Avracham Moshe ben Miriam Tobá, Guershon Arie ben Dvora, Mazal bat Miriam, Yadah ben Zarife, Shmuel Ben Chava, Mordechai ben Malka, Chaim Dov Rafael ben Esther, Menachem ben Feigue, Shmuel ben Liva, Hechiel Hershl ben Esther, Shlomo ben Chana Rivka, Natan ben Sheina Dina, Mordechai Ghershon ben Malia Rochel, Benyomin ben Perl, Ytzchok Yoel haCohen ben Rivka, Sarah Malka ben Rivka, Malka bat Toibe, Chana Miriam bat Sarah, Feigue bat Guitel, Gutel bat Slodk, Esther bat Chaia Sara, Michael ben Tzivia, Ester bat Lhuba, Brane bat Reize, Chaya Rivka Bat Miriam Reizl, Michele Chaia  bat Eny, Avraham ben Chana, Chaia Sluva bat Chaika, Esther bat Arlette, Bentzion ben Chana, Chaia Feigue bat Ides, Rachel bat Adele, Itzhak ben Faride, Pessach ben Chani, Menusha bat Hana, Sarah bat Reizel, Yossef ben Dinah, Bentzion ben Chana, Yossef ben Mazal, Dvora bat Stera, Miriam bat Dvora Simcha, Isaac Ben Chava, Miriam Bat Lea, Yossef ben Simcha, Moshe ben Rachel, Ida bat Mazal Fortunée, Israel Rafael ben Sara Nesha, Amalia Mili bat Luciana, Guitel (Gretta) bat Miriam, Fiszel Czeresnia, Aviva (Jackelin) bat Mirta, Daniel ben Monique, Shimshon ben Nechuma.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ HAAZINU E SUCÓT 5773

BS"D

PEQUENOS VASOS VALIOSOS - PARASHÁ HAAZINU E SUCÓT 5773 (28 de setembro de 2012)

"Gabriel era um homem muito piedoso e cuidadoso com a observância das Mitzvót. Mas ele era tão pobre que não tinha dinheiro nem mesmo para comprar uma bacia e uma caneca para lavar suas mãos quando acordava de manhã. Certa noite, Gabriel sonhou que D'us havia se comovido com a sua pobreza extrema e o havia presenteado com uma bacia e uma caneca. Quando Gabriel acordou de manhã, viu que no chão, ao lado de sua cama, estavam a bacia e a caneca com os quais ele havia sonhado. Não tinha sido um sonho, D'us realmente havia lhe dado um presente, e ele apreciou muito.

Então algo incrível aconteceu, pois a partir daquele dia a sorte de Gabriel mudou. Ele enriqueceu e logo decidiu fazer uma enorme reforma em sua casa. Quando o serviço estava terminando, Gabriel foi supervisionar o trabalho e percebeu que a caneca e a bacia haviam desaparecido. Ele ordenou aos trabalhadores que parassem tudo e não continuassem até que aqueles objetos fossem encontrados. Após muita procura, eles finalmente encontraram, mas ficaram perplexos. Eles acharam que se tratava de algo muito valioso, feito de ouro ou prata, de valor inestimável. Mas quando encontraram a caneca e a bacia, e viram que eram feitas de um metal barato, algo que poderia ser encontrado em qualquer camelô, não entenderam por que o homem havia ficado tão angustiado com a perda. Gabriel então explicou:

- Se D'us pessoalmente tivesse dado algo a vocês de presente, vocês não considerariam este o objeto mais valioso de suas casas?"

Assim se comportam os Tzadikim (Justos). Eles valorizam tudo o que possuem, pois sabem que cada coisa que têm na vida é um presente que receberam diretamente de D'us. Por isso não desprezam nada.

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Neste Shabat lemos a Parashá Haazinu, um cântico entoado por Moshé que expressa o reconhecimento da harmonia da Criação. E no domingo de noite (30/09) começa a festa de Sucót, também conhecida como "Zman Simchateinu" (O tempo da nossa alegria). Por uma semana comemos e dormimos na Sucá, uma habitação temporária e desprotegida até mesmo das intempéries, coberta apenas por bambus, galhos e folhas. Qual é a essência desta festa tão especial que, como o nome já indica, nos ensina a verdadeira fonte da felicidade?

Explica o Tur Shulchan Aruch (Orach Chaim 417) que os "Shalosh Regalim" (Pessach, Shavuót e Sucót) correspondem aos nossos três patriarcas, Avraham, Yitzchak e Yaacov. O Tur continua e explica que a festa de Sucót corresponde ao patriarca Yaacov, pois assim está escrito no versículo: "E para o seu gado ele (Yaacov) construiu "Sucót" (cabanas)" (Bereshit 33:17). Mas será que esta é a única conexão entre Yaacov e a festa de Sucót?

Para enxergar a verdadeira conexão, é preciso entender o contexto do versículo trazido pelo Tur Shulchan Aruch. No primeiro livro da Torá, Bereshit, está descrito o difícil relacionamento de Yaacov com seu irmão Essav. Embora Essav tivesse vendido a sua primogenitura para Yaacov, ele ficou furioso ao saber que Yaacov havia recebida a Brachá (Benção) de primogenitura em seu lugar, obrigando Yaacov a fugir para salvar sua vida. Mais de 30 anos depois, no caminho de volta para casa, Yaacov foi atacado pelo anjo da guarda de Essav. Apesar de sair ferido, Yaacov venceu a luta com o anjo. Depois disso, com muita apreensão, Yaacov encontrou-se com Essav, mas saiu deste encontro ileso. Então cada irmão seguiu seu caminho, e assim diz o versículo sobre Yaacov: "E Yaacov viajou para Sucót, e construiu para ele uma casa, e para o seu gado ele fez cabanas (Sucót). E por isso chamou o nome do lugar de 'Sucót' " (Bereshit 33:17).

O Talmud (Chulin 91a) descreve que Yaacov estava sozinho quando foi atacado pelo anjo da guarda de Essav. Por que, se ele estava viajando com toda a família? Pois ele lembrou-se que havia esquecido no local do acampamento anterior alguns pequenos utensílios e voltou sozinho para buscar. Eram pequenos vasos, de pouco valor monetário, mas Yaacov dava muito valor às suas posses. O Talmud aprende do ato de Yaacov que para os Tzadikim (Justos), seu dinheiro é mais querido do que seu corpo. Mas este ensinamento do Talmud nos deixa um grande questionamento: por que Yaacov, e todos os Tzadikim, acham suas posses tão preciosas? Eles não deveriam dar mais valor à espiritualidade do que aos bens materiais?

A resposta está na continuação da explicação do Talmud: "Eles (os Tzadikim) não estendem sua mão para roubar". Explica o Rav Chaim Vital que os Tzadikim apreciam cada pequeno objeto que possuem, cada centavo que ganham, não pelo valor intrínseco dos objetos e do dinheiro, mas porque sabem que foi D'us quem deu para eles, para que possam utilizar para cumprir seu trabalho espiritual no mundo. Os Tzadikim não roubam, eles não querem utilizar nada do que D'us não deu para eles. Por isso eles valorizam cada pequena coisa com as quais D'us os abençoou, pois eles sabem que podem utilizá-las para cumprir as Mitzvót da Torá. Eles valorizam cada centavo que recebem, pois sabem que é um verdadeiro presente entregue pessoalmente por D'us.

Sucót é a festa na qual nós abandonamos o conforto de nossas casas e passamos a semana na Sucá, uma moradia temporária. E da mesma forma que a Sucá é uma moradia temporária, devemos nos lembrar que nossa vida neste mundo material é apenas temporária e provisória. E mais do que isso, da mesma maneira que D'us nos fez habitar em Sucót no deserto e nos proveu de tudo o que necessitávamos, assim também Ele provê tudo o que é necessário para nossas vidas.

Mas por que o versículo diz que Yaacov construiu Sucót (cabanas) para seu gado, isto é, suas posses, mas para si ele construiu uma casa? Explica o Targum Yonatan que o versículo não está falando literalmente sobre uma casa, e sim sobre uma "casa de estudos" (Beit Midrash). Isto demonstra que Yaacov tinha muita claridade de seu papel no mundo. Ele valorizava suas posses pelos motivos corretos, não utilizava seu dinheiro em coisas passageiras, investia em coisas permanentes, como na construção de uma casa de estudo de Torá. Já as suas posses temporárias ele guardava em Sucót, cabanas temporárias.

Este é o propósito da nossa Sucá. Ela deve nos ensinar a mesma lição que aprendemos com Yaacov. Nós devemos ter claridade sobre nosso propósito neste mundo material passageiro. Nós devemos ter claridade sobre quais são as nossas prioridades na vida. Devemos ter apreço por nossos bens, cuidar do que é nosso, mas não pelo que eles representam e sim pela forma como eles podem ser investidos no nosso crescimento espiritual. Devemos entender que o roubo e a inveja são tolices, pois recebemos de D'us tudo o que necessitamos para o nosso trabalho, não precisamos de nada que pertence aos outros.

Somente quando tivermos esta claridade, de que cada centavo e cada pequeno objeto que temos na vida é um presente vindo de D'us, então chegaremos à felicidade de Sucót, a felicidade de saber que somos milionários com cada um dos bens que possuímos.

SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH.

R' Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT (PARASHÁ HAAZINU):
São Paulo: 17h47  Rio de Janeiro: 17h29  Belo Horizonte: 17h35  Jerusalém: 16h48

HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE YOM TOV (1º dia de Sucót) 
São Paulo: 17h47 Rio de Janeiro: 17h30 Belo Horizonte: 17h36 Jerusalém: 16h45

HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE YOM TOV (2º dia de Sucót) 
acender depois de São Paulo: 18h39 Rio de Janeiro: 18h22 Belo Horizonte: 18h27 
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