sexta-feira, 20 de julho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5772

BS"D

QUEM ESTÁ NO COMANDO? - PARASHIOT MATÓT E MASSEI 5772 (20 de julho de 2012)

"Jacó estava com dificuldades financeiras e acabou pedindo muito dinheiro emprestado para Abrão. Como era uma soma muito alta, quando chegou o dia do pagamento, Jacó ainda não tinha conseguido o dinheiro necessário. Ele ficou andando na sala, de um lado para o outro, pensando em como conseguiria aquela quantia. Já era tarde da noite e ele não conseguia dormir. Tentou deitar, mas ficava revirando na cama. Sara, incomodada com tamanha agitação, perguntou:

- O que você tem hoje? Por que está assim tão agitado? Deita e dorme, pois já é tarde!

- Não consigo dormir, querida - respondeu Jacó - Amanhã de manhã preciso devolver um empréstimo para o Abrão, mas não tenho este dinheiro. O que eu vou fazer? Como eu posso dormir?

Sara, ao escutar isso, pegou o telefone e ligou para o Abrão. Quando ele atendeu, assustado com o telefonema no meio da madrugada, ela disse:

- Abrão, aqui é a Sara. Estou ligando apenas para te avisar que meu marido não vai pagar o dinheiro que ele está devendo. Não adianta insistir. Boa noite.

Quando ela desligou o telefone, o marido, atônito, perguntou:

- Querida, você ficou louca? Por que fez isso?

- Jacó, você já pode deitar e dormir. O Abrão já sabe que você não vai pagar a dívida. Agora quem vai ficar sem dormir é ele..."

Muitas vezes fazemos o mesmo em relação às dívidas que temos com D'us. Nos esquecemos das nossas obrigações e nos comportamos como se, no nosso relacionamento, somente Ele tem deveres.
                       
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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matót e Massei, terminando o 4º livro da Torá, Bamidbar. E a Parashá Matót começa com um assunto muito importante dentro da lei judaica: as promessas e juramentos, como diz o versículo: "Um homem que fizer uma promessa para D'us ou um juramento para proibir algo sobre si, ele não deve descumprir sua palavra. Ele deve fazer de acordo com o que saiu de sua boca" (Bamidbar 30: 3).

Infelizmente não tratamos as promessas e juramentos com a devida seriedade. Estamos acostumados a nos comprometer e a não cumprir nossa palavra, sem sentir nenhuma vergonha por isso. Fazemos juramentos sem nenhuma intenção de cumprir, apenas para mostrar nossa convicção. "Juro que foi assim que aconteceu", "Juro que isso não acontecerá novamente". Será que não estamos desprezando algo importante, que pode ter graves consequências?

Existem duas categorias de promessas. A pessoa pode se proibir de algo que a Torá permite, como alguém que promete não comer mais maças, ou a pessoa pode se obrigar a fazer algo que não estava obrigada, como alguém que promete doar certa quantia de Tzedaká (caridade) para uma instituição. Em ambos os casos é muito grave a pessoa não cumprir sua promessa. E em relação às promessas nas quais nos obrigamos a fazer algo, não apenas é um problema não cumprir o que prometemos, mas também adiar o cumprimento de algo prometido já é extremamente grave. Podemos ver isto através das palavras de um Midrash (parte da Torá Oral), que nos ensina que aquele que prometeu algo e tarda em cumprir o que prometeu, seu castigo é ser lançado ao mar.

Apesar de parecer algo não literal, as palavras do Midrash já se cumpriram muitas vezes durante a história. O profeta Yoná, por exemplo, prometeu a D'us que iria à cidade de Nínive para advertir seus moradores sobre suas graves transgressões e avisá-los que a cidade seria destruída por D'us. Mas ao invés de cumprir sua palavra, Yoná tentou adiar sua missão, fugindo em um navio. D'us então mandou uma tempestade que quase afundou o navio onde estava Yoná. Os marinheiros, apavorados, jogaram a sorte e descobriram que o culpado era Yoná. A tempestade só parou quando ele foi atirado ao mar, cumprindo as palavras do Midrash.

Mas sabemos que os castigos de D'us são "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), isto é, da maneira que erramos, assim somos punidos, para que possamos entender nosso erro e consertá-lo. Então por que a punição de alguém que adia o cumprimento de uma promessa é ser atirado ao mar? Mais do que isso, o que leva alguém a adiar o cumprimento de uma promessa? Provavelmente o Midrash não está falando de alguém que não cumpriu a promessa por algum impedimento de força maior, e sim daquele que poderia ter cumprido e não cumpriu. Se a pessoa prometeu, então por que não cumpre logo sua palavra? E finalmente, há um interessante ensinamento sobre promessas no Talmud (Nedarim 22a), que afirma que aquele que faz uma promessa se compara a alguém que constrói um altar próprio. O que o Talmud está nos ensinando, e qual a conexão com os ensinamentos trazidos anteriormente?

Explica o Rav Yohanan Zweig que, para responder todas estas perguntas, antes é necessário entender o que leva uma pessoa a fazer uma promessa. A promessa é uma ferramenta que a pessoa utiliza para fortalecer suas convicções. Se uma pessoa toma uma decisão sem nenhum tipo de comprometimento, ela pode facilmente mudar de ideia. A promessa entra como uma "ajuda Divina" para que a pessoa se mantenha firme em suas convicções, mesmo quando surgirem dificuldades e desejos contrários. Se refletirmos, vamos perceber que a promessa dá para a pessoa um direito que até agora pertencia somente à D'us: a capacidade de criar um novo status para um objeto. Por exemplo, quando alguém promete não comer mais maças, para esta pessoa a proibição de comer maças tem o status equivalente à proibição estabelecida por D'us de comer carne de porco. Pelo fato da promessa ser um poder dado por D'us aos seres humanos, aquele que a utiliza para o seu próprio benefício é comparado com alguém que constrói em seu quintal um altar para uso privado, ao invés de utilizar o altar coletivo.

Porém, esta consciência de que a pessoa precisa da ajuda de D'us para satisfazer suas necessidades pessoais causa uma forte sensação de endividamento. E assim diz Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "Uma pessoa que toma dinheiro emprestado torna-se escravo daquele que emprestou" (Mishlei - Provérbios 22:7). Da mesma forma que alguém que pediu emprestado dinheiro ao seu companheiro sente que está nas mãos dele, assim também a pessoa que utilizou a força de D'us para o seu próprio benefício sente, mesmo que de forma subconsciente, que está nas mãos de D'us.

Há outro paralelo interessante entre as dívidas monetárias e as promessas. É muito comum encontrar pessoas que, apesar de terem dinheiro para pagar suas dívidas, ficam postergando o pagamento. Qual a verdadeira intenção delas? Ao atrasar o pagamento, elas estão reestruturando o relacionamento. Ao invés de serem controladas pela pessoa que emprestou o dinheiro, eles passam a assumir o papel de controladoras. Agora é a pessoa que emprestou o dinheiro que está nas mãos do devedor. Este paralelo pode ser aplicado à pessoa que pode cumprir uma promessa e adia. O adiamento da promessa dá para a pessoa a sensação de que ele não está mais nas mãos de D'us, ao contrário, ela sente que agora tem controle sobre seu relacionamento com Ele.

O que significa a punição de ser atirado nas águas? Na terra, a pessoa sente que tem controle. Como a terra é o nosso habitat natural, estamos acostumados e já temos muitas habilidades desenvolvidas neste meio. Já na água, a pessoa se sente completamente indefesa, ela sabe que não tem controle sobre nada. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o general Tito, como nos ensina o Talmud (Guitin 56b). Após ter destruído o Beit Hamikdash (Templo Sagrado) e ter causado todos os tipos de desonra possíveis para o nome de D'us, Tito partiu de volta para Roma em um navio carregado de tesouros roubados do Beit Hamikdash. D'us mandou uma forte tempestade que quase partiu seu navio ao meio. Tito então gritou para os Céus: "O D'us dos judeus somente é valente na água. Veio o Faraó e Ele o afogou na água. Veio Sisra e Ele o afogou na água. E quanto a mim, Ele também quer me afogar na água. Se Ele é realmente valente, que me deixe chegar à terra firme e lá guerrearemos". Isto demonstra que, enquanto as pessoas pensam que na terra podem controlar, na água todos se sentem indefesos e totalmente sob o controle de D'us. Aquele que atrasa o cumprimento de uma promessa é atirado ao mar, pois como a pessoa estava motivada pelo seu desejo de controlar, a punição é dada de maneira que ela perca qualquer falsa percepção de que está realmente no controle.

Infelizmente não é apenas com as promessas não cumpridas que tentamos, mesmo que inconscientemente, tirar das nossas costas a responsabilidade do nosso relacionamento com D'us. Pois todo relacionamento implica em uma reciprocidade. Qualquer pacto precisa de duas partes ativamente envolvidas. Mas nós estamos sempre cobrando a parte de D'us. Por que Ele não nos deu o que precisávamos? Por que Ele não evitou aquele problema? Será que esta é a postura correta, sempre jogar a responsabilidade para o outro lado, sem nunca questionar se estamos fazendo a nossa parte?

Além disso, damos diversas demonstrações de que sentimos que somos nós que estamos no comando, não D'us. Por exemplo, todas as vezes em que acontece algo diferente do que esperávamos, ficamos extremamente irritados. O que isto significa? Que estamos insatisfeitos com a vontade de D'us, que queremos as coisas do nosso jeito e não do jeito Dele. Também todas as vezes que sentimos inveja, o que estamos demonstrando? Que sentimos que sabemos mais do que D'us. Se Ele deu o carro novo para o vizinho e não para nós, certamente é porque Ele está equivocado. E assim, se prestarmos atenção no nosso comportamento cotidiano, perceberemos o quanto esquecemos que quem está no controle é D'us, e não nós.

Este é o ensinamento que fica com o assunto das promessas: a seriedade que devemos olhar nosso relacionamento com D'us. O quanto devemos nos sentir endividados por tudo o que Ele fez, faz e fará por cada um de nós. E, principalmente, devemos trabalhar a nossa característica de humildade para aceitar que D'us, cuja sabedoria é ilimitada, busca apenas o nosso bem, mesmo quando, em nossa sabedoria pequena e limitada, não conseguimos enxergar.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

quinta-feira, 12 de julho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ PINCHÁS 5772

BS"D

ATINGINDO SEU PRÓPRIO POTENCIAL - PARASHÁ PINCHÁS 5772 (13 de julho de 2012)

 

"Eduardo foi convidado para participar de uma corrida. Era uma competição diferente, e Eduardo ficou sabendo de apenas algumas poucas informações: a data e o local da corrida, o valor do prêmio milionário que o vencedor receberia e que o outro competidor seria Rafael, um velho conhecido seu. As demais regras seriam divulgadas apenas no dia da competição, o que deixou Eduardo muito ansioso.

 

Quando finalmente chegou o dia marcado, Eduardo chegou ao local combinado. A competição seria uma corrida de 3 horas por uma estrada onde não havia limites de velocidade. Os organizadores então trouxeram para Rafael um lindo carro esportivo, com as mais modernas tecnologias. Eduardo ficou imaginando que receberia um carro igual, mas foi com grande surpresa que ele viu os organizadores trazendo para ele, nada mais e nada menos do que... uma bicicleta. Seria uma piada? Será que ele estava participando de um daqueles programas humorísticos de "câmera oculta"? Enquanto o outro competidor havia recebido um carro esportivo, ele havia recebido uma bicicleta, e ainda por cima sem marchas! Eduardo ficou muito decepcionado, aquela competição parecia muito injusta. Como ele poderia, com uma bicicleta, competir contra um carro?

 

A corrida começou e, apesar do desânimo, Eduardo deu o melhor de si. Ele pedalava com vontade e se esforçava, principalmente nas subidas, mas por mais que tentasse, não chegava nem perto de Rafael. Não que Rafael estivesse fazendo muito esforço, ao contrário, apesar de poder voar a quase 300 km/h, ele passeava tranquilamente, aproveitava para tomar sol e escutar Rock no seu aparelho de som digital. O tempo passava, Eduardo pingava de suor e seus músculos doíam, enquanto Rafael estava tranquilo, sentado no seu carro, com o ar condicionado ligado. Como Rafael viu que era muito mais rápido que Eduardo, não se preocupou em acelerar. Foi tranquilo, fez inclusive uma parada para cochilar e aproveitou para telefonar para seus amigos para contar sobre a sua grande sorte.

 

Após 3 horas de prova, Eduardo estava acabado. Apesar do esforço, havia conseguido completar apenas 90 km do percurso, enquanto Rafael, tranquilo, havia completado 100 km. Rafael já festejava por dentro, estava com um grande sorriso no rosto. Porém, o sorriso desapareceu quando os juízes anunciaram que Eduardo era o vencedor. Agora era Eduardo quem sorria. As dores musculares já não incomodavam mais, todo o esforço tinha valido a pena, ele era milionário! Rafael, inconformado, foi tirar satisfações com um dos organizadores:

 

- Escute aqui, eu venci, pois eu andei mais. Ele andou apenas 90 Km, enquanto eu andei 100 Km. Eu mereço receber o prêmio!

 

- É verdade que você andou mais – disse o organizador – mas quem falou que este era o requisito para a vitória? Você acha que se fosse este o requisito, seria justo você receber um carro esportivo e o outro competidor receber apenas uma bicicleta? Você não percebeu esta aparente "injustiça"?

 

- Na verdade – continuou o organizador - o vencedor foi aquele que melhor aproveitou o potencial do que lhe foi oferecido. O Eduardo recebeu uma bicicleta e andou com ela 90 Km. Como o máximo que ele poderia ter andado seria 100 km, ele aproveitou 90% do seu potencial. Mas você, que recebeu um carro possante, poderia ter andado quase 1.000 km com ele, mas como andou apenas 100 km, aproveitou só 10% do seu potencial. É verdade que você, no total, andou mais do que ele. Mas do seu enorme potencial, você não aproveitou quase nada, enquanto ele, com um potencial muito menor, aproveitou quase tudo. O Eduardo é o vencedor, pois a corrida não era um contra o outro, era cada um contra si mesmo."

 

Assim D'us também julga nossos atos. Ele não leva em consideração até onde cada um chegou, mas quanto cada um aproveitou em relação ao seu próprio potencial.

                       

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Na Parashá desta semana, Pinchás, a Torá escreve em sequência dois assuntos aparentemente desconectados. Após terem cometido muitas transgressões durante os 40 anos no deserto e terem recebido castigos tão duros de D'us, o povo judeu estava desmotivado de entrar em Israel. Muitos estavam tão desanimados que preferiam até mesmo voltar para o Egito. Neste contexto vieram as cinco filhas de um homem chamado Tzlofechad reclamar que elas também queriam um pedaço de terra em Israel. Qual era o motivo da reclamação delas? Quando elas viram que D'us havia pedido uma nova contagem do povo antes da entrada em Israel, entenderam que aquele número era para fazer a divisão das terras entre as famílias que havia em cada tribo. Mas elas perceberam que apenas os homens foram contados, e então entenderam que a divisão das terras seria feita apenas de acordo com a quantidade de homens em cada família. Mas o pai delas, Tzlofechad, havia morrido sem deixar filhos homens e, portanto, elas não teriam direito a nenhuma terra, por isso foram reclamar. D'us gostou desta reclamação, pois demonstrou a vontade que elas tinham de ir para Israel, contrastando com o desânimo do resto do povo. Imediatamente a Torá ensinou as leis de herança, com os detalhes de como os bens deveriam ser passados para os filhos e parentes depois da morte dos pais.

 

Logo depois deste evento a Torá traz outro assunto. Moshé, avisado que sua morte estava iminente, pediu para D'us um novo líder para o povo, como está escrito: "Que nomeie Hashem, D'us dos espíritos de toda a carne, um homem sobre a congregação" (Bamidbar 27:16). Qual a conexão entre estes dois assuntos aparentemente tão distintos, a herança passada dos pais para os filhos e a escolha de um novo líder?

 

Explica Rashi, comentarista da Torá, que quando Moshé viu que D'us havia ensinado para o povo as leis de herança, isto é, que os filhos herdam o que era de seus pais, ele sentiu que era o momento de fazer um pedido pessoal para D'us. Ele pediu para que seus dois filhos, Guershom e Eliezer, também herdassem sua grandeza e se tornassem os próximos líderes do povo judeu. Porém, vemos que D'us não escutou o pedido de Moshé, pois logo depois está escrito "E disse D'us para Moshé: Pegue Yoshua bin Nun, um homem que está repleto de espírito (de sabedoria), e apoie suas mãos sobre ele" (Bamidbar 27:18). Isto quer dizer que D'us pessoalmente escolheu Yoshua, e não os filhos de Moshé, como o próximo líder do povo judeu. Mas qual o motivo desta escolha de D'us? O mais lógico não seria Moshé ter passado a liderança para seus filhos, como fizeram futuramente a maioria dos reis, que passaram o trono para seus descendentes? Então por que os filhos de Moshé não foram os escolhidos?

 

Há um Midrash (parte da Torá Oral) que traz uma resposta surpreendente. O Midrash diz que os filhos de Moshé não foram os escolhidos pois não sentavam para estudar Torá. Já Yoshua, ao contrário, não saía da tenda de estudos e se dedicava ao máximo para adquirir sabedoria de seu mestre Moshé. Mas como entender este Midrash? Moshé se importava demais com o povo, e comprovou isto durante toda sua vida, ao se dedicar de corpo e alma às necessidades do povo antes mesmo de pensar em suas próprias necessidades. Então como ele pode ter pensado em pedir para D'us que nomeasse como líderes do povo seus filhos, se eram pessoas que não estudavam Torá? Ele não sabia o quanto era importante que o novo líder tivesse muita sabedoria para ser também um juiz e um professor para o povo? Ele deixou que subisse à sua cabeça a vontade de que seus filhos herdassem seu posto de liderança, mesmo eles não sendo aptos para isso?

 

Explica o livro Lekach Tov que existe uma grande diferença entre o mundo material e o mundo espiritual em relação a quanto o esforço influencia no valor de algo realizado ou produzido. No mundo material, o valor das coisas não leva em consideração os esforços envolvidos, o que importa são apenas os resultados. Por exemplo, se um artesão habilidoso leva um dia para fabricar um vaso, enquanto outro artesão menos habilidoso leva 3 dias e precisa de muito mais esforço e dedicação, quando os dois vasos estão prontos, eles têm no mercado exatamente o mesmo valor. Isto quer dizer que todo o esforço e a dificuldade envolvidos na fabricação do vaso não são levados em consideração. Mais do que isso, se uma pessoa passa o dia inteiro criando e digitando uma matéria para ser publicada no jornal, mas no momento de salvar o arquivo fica corrompido e não pode mais ser aberto, quanto vale o que a pessoa fez e todo o esforço que ela despendeu? Absolutamente nada.

 

Porém, não é isto que ocorre no mundo espiritual. O valor de cada ato espiritual, como o cumprimento de uma Mitzvá ou o estudo da Torá, não leva em consideração apenas o resultado, mas também todo o esforço envolvido. Quanto maior a dificuldade, maior o valor do ato, como nos ensina a última Mishná do Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "De acordo com a dificuldade, assim é a recompensa". Isto quer dizer que mesmo se duas pessoas cumprirem exatamente a mesma Mitzvá, mas uma delas cumprir com facilidade enquanto a outra cumprir com muita dificuldade e esforço, apesar do resultado ter sido o mesmo, o valor da Mitzvá é completamente diferente para cada pessoa. Para aquele que se esforçou mais, o valor de sua Mitzvá é muito maior.

 

Com este conceito podemos entender o ensinamento do Midrash. Certamente Moshé não era um irresponsável, nunca indicaria com líder alguém que não tivesse capacidade para isso. A verdade é que, em termos de nível espiritual e de conhecimento da Torá, os filhos de Moshé eram tão grandes quanto Yoshua. Mas o problema é que eles tinham um potencial de crescimento ainda maior do que o de Yoshua, eles poderiam ter chegado ainda mais alto. O que aconteceu? Eles desperdiçaram seu potencial, pois não utilizaram todas as suas forças e aptidões. Se tivessem se esforçado mais, teriam chegado muito mais alto do que Yoshua.

 

Quando o Midrash diz que eles não estudaram Torá, não quer dizer que não estudaram nada e não tinham conhecimento. O Midrash quer nos ensinar que eles não atingiram seus verdadeiros potenciais espirituais e, por isso, comparado com nível que poderiam ter chegado, é como se não tivessem estudado. Eles perderam para sempre a oportunidade de serem os líderes do povo judeu. Já Yoshua, ao contrário, apesar de ter menos aptidões do que os filhos de Moshé, utilizou seu potencial no limite. Ele madrugava para ir para a tenda de estudos, passava o dia inteiro próximo de Moshé, absorvendo seus conhecimentos, e só voltava para casa tarde da noite. Seu amor pela Torá e pelos conhecimentos era tão grande que era ele quem organizava a tenda de estudos no final do dia, arrumando as mesas, cadeiras e livros. Por isso foi ele, e não os filhos de Moshé, o escolhido para ser o sucessor na liderança do povo.

 

Este conceito espiritual pode ser aplicado também em outras áreas da vida e nos ajuda a responder uma das grandes perguntas filosóficas. Olhamos para o mundo e vemos muitas desigualdades. Enquanto alguns nascem em famílias abastadas, outros passam por dificuldades e privações. Enquanto alguns nascem fortes e saudáveis, outros nascem fracos e doentes. Por que há tanta desigualdade no mundo? Por que uma pessoa nasce milionária e pode doar milhões, enquanto outra nasce pobre e pode doar apenas alguns trocados? Por que uma pessoa nasce saudável e pode caminhar sem dificuldade para a sinagoga, enquanto outra precisa ir de muletas ou em uma cadeira de rodas. Onde está a justiça de D'us?

 

A resposta é que, pelo fato de D'us não medir as Mitzvót pelo resultado e sim pelo esforço, as dificuldades se transformam em oportunidades. Aquela pessoa pobre, que doa com esforço apenas alguns reais, uma quantia significativo para suas poucas possibilidades, seu ato vale aos olhos de D'us como se ele tivesse doado uma soma muito grande de dinheiro. Aquele que vai para a sinagoga com dificuldade, cada passo vale muito mais, cada palavra de sua reza tem muito mais força.

 

Yoshua nunca invejou os filhos de Moshé por eles terem mais aptidões, e no final vemos que foi ele o escolhido para liderar o povo judeu. Da mesma maneira, não devemos invejar se os outros têm mais dinheiro ou mais aptidões. A inveja é uma tolice, pois recebemos de D'us exatamente as ferramentas necessárias para cumprir nosso papel espiritual no mundo, nada a mais e nada a menos. Devemos lembrar sempre que a corrida verdadeira da vida não é contra os outros, é contra nós mesmos. 


SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

 

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

 

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).


quinta-feira, 5 de julho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BALAK 5772

BS"D


VIVER, E NÃO MORRER, POR UM IDEAL - PARASHÁ BALAK 5772 (06 de julho de 2012)

 

"Roberto era uma ótima pessoa. Era muito responsável e queria que sua família tivesse uma vida tranquila e sem nenhum tipo de privação. Para isso, trabalhava duro, inclusive aos domingos e feriados. Mas seu filho, o pequeno Johny, não estava contente. Apesar de ter os melhores brinquedos, ele sentia a falta do pai. Toda semana Johny perguntava para seu pai se eles poderiam jogar bola no domingo, mas sempre recebia a mesma resposta: "Infelizmente nesta semana não vai dar, filhão. O papai precisa trabalhar".


Então, numa certa semana, após muitas e muitas recusas de Roberto, Johny perguntou:


- Pai, quanto dinheiro você ganha quando trabalha no domingo?

 

O pai, perplexo com a pergunta do filho de 5 anos, fez algumas contas rápidas de cabeça e respondeu o valor. O filho agradeceu e entrou no quarto, sem dar nenhuma satisfação do porquê tinha perguntado aquilo. O pai ficou curioso, mas preferiu não falar nada.

 

No domingo de manhã, Roberto estava saindo de casa para ir trabalhar quando viu Johny parado na porta de casa. Era muito cedo, por que será que ele já tinha levantado? Johny mostrou ao pai a mão fechada. Quando abriu, Roberto viu que havia muitas moedinhas. Johny então começou a contá-las em voz alta e, quando terminou a conta, estendeu o dinheiro ao pai e disse:

 

- Pai, isto deve ser suficiente para pagar 1 hora do seu domingo. Podemos agora sair para jogar futebol?"

 

Esta história é um bom exemplo de como vivemos em uma triste ironia. Toda razão pelo qual um pai trabalha tão duro é para dar aos filhos uma boa vida. Mas o trabalho acaba ocupando tanto nosso tempo que, no final das contas, perdemos o propósito das coisas. Pois os filhos acabam tendo tudo do bom e do melhor, mas ficam sem o principal: ficam sem um pai...

                       

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Nesta semana lemos a Parashá Balak, que nos descreve um dos personagens mais contraditórios da Torá: o profeta Bilaam. Em geral, todas as pessoas que estão mencionadas na Torá têm um comportamento bem definido, isto é, ou são Tzadikim (justos), apesar de algumas vezes cometerem erros, ou são Reshaim (malvados). Mas Bilaam é uma grande exceção. Por um lado era uma pessoa com alto nível de profecia, talvez até maior do que Moshé Rabeinu, e podia falar diretamente com D'us através de sonhos. Por outro lado, se comportava como um animal, dominado por seus desejos e pela busca de honrarias.

 

Bilaam era muito famoso por utilizar seus "dons espirituais" para amaldiçoar pessoas ou povos inteiros. O rei Balak, do povo de Moav, teve medo do avanço esmagador do povo judeu, que no deserto conseguiu derrotar todas as grandes potências da época. Balak sabia que era inútil tentar lutar contra os judeus, pois eram abençoados por D'us. Ele sabia que o sucesso na batalha dependia de méritos espirituais e, por isso, contratou Bilaam para amaldiçoar o povo judeu, aumentando suas chances de vitória. Bilaam aceitou, em troca de uma grande quantidade de moedas de ouro, mas sua missão foi um grande fracasso, pois D'us protegeu o povo judeu e, por três vezes, transformou as tentativas de maldição de Bilaam em Brachót (bênçãos) para o povo judeu.

 

Das palavras que saíram da boca de Bilaam aprendemos muito para nossas vidas. Por exemplo, da primeira vez em que ele tentou amaldiçoar o povo judeu, assim ele falou: "Que minha alma morra a morte dos justos, e que meu fim seja como o deles" (Bamidbar 23:10). O que estas palavras significam? Que tipo de morte Bilaam queria? E por que ele, um grande Rashá, se compara aos Tzadikim?

 

A resposta começa na diferença entre Bilaam e os grandes profetas do povo judeu. Os grandes profetas judeus tiveram que trabalhar duro para atingir o nível de profecia. Para cada um deles foi um trabalho de crescimento gradual, durante toda a vida. Pessoas como Moshé Rabeinu e Eliahu Hanavi trabalharam muito para chegar ao nível em que chegaram. Já Bilaam recebeu seu elevado nível espiritual pronto, sem nenhum esforço, e por isso não conseguiu manter-se elevado.

 

Mas se Bilaam era um profeta, então ele sabia toda a verdade. Ele sabia da existência de D'us, sabia que Ele entregou ao povo judeu a Torá, o documento Divino que contém valores morais para toda a humanidade. E se ele sabia que a Torá era Divina, sabia que todos nossos atos têm consequências espirituais eternas, para o bem ou para o mal. Então, com todo este conhecimento, como ele pode ter se transformado em uma pessoa tão baixa, quase no nível de um animal?

 

Explica um dos mais famosos comentaristas da Torá, o Rav Chaim ben Atar, mais conhecido como Or Hachaim, que Bilaam não conseguiu internalizar as verdades que conhecia porque não parava para refletir e, consequentemente, seus atos não estavam de acordo com seu elevado potencial espiritual. Mas por outro lado, as palavras que saíram de sua boca demonstram que, apesar de viver uma vida desregrada e vazia, ele esperava receber, após a morte, a mesma recompensa dos grandes Tzadikim, isto é, o Mundo Vindouro e seus prazeres espirituais infinitos. Bilaam, que sabia a verdade, achava que receberia uma recompensa mesmo sem ter feito nenhum bom ato? Certamente que não. Ele sabia que existe um sistema de castigo e recompensa para os nossos atos, nada é de graça no mundo espiritual. Então como ele esperava receber esta grande recompensa eterna?

 

O Or HaChaim traz uma resposta surpreendente. Bilaam planejava corrigir sua conduta e fazer Teshuvá (se arrepender de todos os seus maus atos). Mas quando ele pretendia fazer isto? Bilaam sabia que vivia uma vida de mentira e que perdia, a cada instante, méritos para adquirir a vida eterna no Mundo Vindouro. Ele queria mudar, queria ser uma pessoa correta, mas queria isto somente no final de sua vida.

Mas por que deixar para o final da vida? Se esta era a verdade, por que não se arrependeu imediatamente?

 

Bilaam fez um erro nos seus cálculos. E por mais ilógico que seus pensamentos possam parecer, não foi o único na história que errou desta maneira. O Or HaChaim diz que conheceu pessoalmente muitos Reshaim que afirmaram que, se fosse possível fazer Teshuvá e imediatamente morrer, eles fariam, mas não conseguiriam fazer Teshuvá e viver da maneira correta uma vida inteira. Eles argumentavam que eram dominados pelo Yetzer Hará, a má inclinação, e por isso logo voltariam aos maus atos. Bilaam e todos os seus "seguidores" durante a história achavam que era impossível derrotar o Yetzer Hará. Mas eles se esqueceram de um fundamento ensinado pelos nossos sábios: "Não há nada que pode impedir a vontade verdadeira". Mesmo que eles tinham muito Yetzer Hará, se quisessem de verdade poderiam ter vencido. Mas preferiram se acomodar e aceitar passivamente a derrota.

 

Bilaam não é apenas mais um personagem da Torá. Ele representa as pessoas que sabem a verdade e estão dispostas a morrer por ela, mas não estão dispostas a viver por ela. Parece que Bilaam era um grande tolo e fraco. Mas será que muitas vezes não cometemos o mesmo erro? Será que não nos comportamos da mesma maneira no nosso cotidiano, apesar de saber a verdade?

 

Há uma questão básica que todos devem se perguntar em algum momento da vida: "Qual é o propósito da minha vida? Pelo que eu estou vivendo?". E, ao contrário do que parece, esta não é uma questão simples de ser respondida. A grande maioria das pessoas não tem resposta, pois nunca se questionou ou, mesmo se chegou ao questionamento, nunca se aprofundou para encontrar respostas. E mesmo entre os que realmente buscam respostas, a maioria define seu propósito de maneira vaga, dizendo que a meta é se aproximar de D'us. Mas há muitas maneiras de se aproximar de D'us, e não é fácil encontrar um caminho específico, que se adeque ao potencial e às características individuais de cada pessoa. Como fazer então, na prática, para ter a certeza de que estamos vivendo uma vida de verdade?

 

O Rav Noach Weinberg dá uma sugestão para tornar esta busca menos abstrata. A pessoa deve pensar nas coisas pelas quais ela está disposta a morrer. Então, ela deve dizer a si mesma: "Eu não quero morrer por isso. Eu quero viver por isso".

 

Um excelente exemplo, que demonstra que não vivemos de acordo com nossas convicções, é como cuidamos dos nossos filhos. Qualquer um de nós daria a vida pelos filhos, mas será que dedicamos o tempo e a energia suficientes para viver por eles? Muitas vezes optamos por uma vida com mais conforto, mesmo que isto resulte em praticamente trocar o tempo com os filhos por mais e mais tempo no escritório. Também muitos dariam a vida pelo povo judeu, em situações em que a continuidade do judaísmo está sob ameaça de destruição, como fizeram tantos mártires durante nossa história. Mas quanto nos dedicamos para viver pelo povo judeu? Quanto do nosso tempo é dedicado aos nossos irmãos necessitados? Quanta energia gastamos para trazer de volta judeus afastados, que mal sabem o que é judaísmo? Abrimos mão do tempo em que ficamos no escritório em prol do judaísmo ou do povo judeu? Nos sentimos verdadeiramente responsáveis pela continuidade do judaísmo? Infelizmente não.

 

Apesar do seu potencial espiritual elevado, Bilaam é chamado pela Torá de Rashá, pois ele estava apenas disposto a morrer pela verdade, não a viver por ela. Por isso ele acabou se deixando levar pelos seus desejos mais baixos. Qualquer um deve parar e se questionar sobre suas convicções, para não nos perdermos com a correria de nossas vidas. A dica prática é sempre lembrar quais são as coisas pelas quais estaríamos dispostos a morrer, e nos questionar o quanto estamos efetivamente vivendo por elas.

 

Explica o Rav Yonathan Guefen que em muitas gerações os judeus precisaram morrer fazendo "Kidush Hashem" (santificando o nome de D'us), isto é, dando suas próprias vidas para manter a chama do judaísmo aceso. Durante a Inquisição, por exemplo, muitos judeus preferiram morrer a se converter. Também os judeus preferiram abandonar a comodidade de suas vidas em Portugal e na Espanha, e muitos morreram de fome e doenças pelo caminho, mas nunca abandonaram seu judaísmo. Mas nossa geração não precisa mais de judeus que estão dispostos a morrer pelo judaísmo. Nossa geração precisa cada vez mais de judeus que estão dispostos a viver pelo judaísmo. Pois decidir fazer um ato heroico e logo depois morrer é muito louvável e uma decisão difícil, mas não se compara a viver uma vida inteira heroicamente fazendo o que é correto, mesmo quando vai contra nosso comodismo e nossos desejos.

 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).


quinta-feira, 28 de junho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHUKAT 5772

BS"D

SOFRIMENTOS PARA O BEM - PARASHÁ CHUKAT 5772 (29 de junho de 2012)

 

"Havia um fazendeiro judeu muito rico. Certa vez passou pelas suas terras um grande rabino cabalista, conhecedor dos profundos mistérios da Torá. O fazendeiro não desperdiçou a oportunidade de receber alguém tão especial. Convidou-o a se hospedar em sua casa e recebeu-o com todas as honras, oferecendo do bom e do melhor. Conversaram muito durante alguns dias e, em uma das conversas, o rabino cabalista comentou que conhecia a língua dos pássaros. O fazendeiro ficou obstinado com a ideia de entender os pássaros e insistiu muito com o rabino para que lhe ensinasse. Quanto mais o rabino negava, mais o fazendeiro insistia. O rabino, percebendo que não conseguiria dissuadi-lo, concordou em ensiná-lo, mas antes fez uma dura advertência. Avisou que utilizar aquele conhecimento sem o devido cuidado era extremamente perigoso, pois os pássaros podiam prever o futuro, e escutar o que eles diziam poderia ter consequências trágicas.

 

As advertências tiveram um efeito contrário, pois quando o fazendeiro escutou que seria capaz de prever o futuro, se animou ainda mais. Durante dias aprendeu, com dedicação, a língua dos pássaros. Após algumas semanas o rabino foi embora e o fazendeiro resolveu dar uma volta para testar suas novas habilidades. Escutou então dois pássaros falando que no dia seguinte haveria um grande roubo naquela região. Um bando armado roubaria o gado dos fazendeiros, causando um grande prejuízo. Quando o fazendeiro escutou aquilo, logo correu para tomar as devidas providências. Contratou vários seguranças armados, deixou todo o seu gado trancado no curral e conseguiu, assim, evitar o roubo dos seus animais.

 

Na manhã seguinte, contente por ter evitado aquele grande prejuízo, ele foi novamente passear e escutou outra conversa entre os pássaros. Eles diziam que no dia seguinte um grande incêndio destruiria parte da fazenda e traria uma terrível perda para o fazendeiro. Novamente o fazendeiro não perdeu tempo. Preparou centenas de baldes d'água, treinou seus funcionários para combater qualquer princípio de incêndio e pediu para que ninguém na fazenda utilizasse fogo naquele dia. Quando um pequeno fogo começou, vindo da fazenda vizinha, os homens bem preparados conseguiram facilmente apagá-lo antes que se transformasse em um incêndio. Novamente ele se alegrou com sua capacidade de mudar o futuro.

 

Acordou no dia seguinte e, feliz com seu sucesso, foi dar uma volta. Viu alguns pássaros conversando e escutou-os dizendo que ele iria morrer no dia seguinte. O homem ficou desesperado. O que poderia fazer contra a morte? Seria atacado por um ladrão, sofreria um ataque cardíaco fulminante ou seria atingido por um raio? Entendeu que desta vez não conseguiria mudar seu destino e evitar a morte iminente. Lembrou-se então do rabino cabalista e correu para contar-lhe tudo o que havia acontecido, na esperança que ele poderia ajudá-lo. O rabino balançou tristemente a cabeça e disse ao fazendeiro:

 

- A culpa é toda minha. Nunca deveria ter-lhe ensinado a língua dos pássaros. Eu avisei que era muito perigoso saber o futuro sem estar preparado. Provavelmente você já tinha um decreto de morte celestial, mas por você ter feito a Mitzvá de "Achnassat Orchim" (receber hóspedes) de uma maneira tão completa, D'us quis revogar seu decreto. Mas Ele não podia simplesmente cancelar o decreto, então o transformou em um decreto de sofrimento, através do roubo do seu gado, mas você fez de tudo para cancelar este decreto. Então D'us transformou seu decreto de morte em uma enorme perda financeira que viria através de um incêndio na sua casa, mas você também cancelou este decreto. Agora D'us realmente cumprirá o decreto de morte original, e não nos resta mais nada a fazer..."

 

Temos que saber olhar todas as dificuldades e sofrimentos como uma grande bondade de D'us, pois somente Ele conhece o futuro e sabe realmente o que é melhor para nossas vidas.

                       

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Na Parashá desta semana, Chukat, os judeus já haviam permanecido no deserto os 40 anos que D'us tinha decretado e estavam em Kadesh, prestes a entrar em Israel. A forma mais curta e rápida seria cortando pelo território de Edom, os descendentes de Essav. D'us ordenou a Moshé que evitasse qualquer tipo de confronto, e então Moshé enviou emissários para falar com o rei de Edom e pedir autorização para atravessar suas terras, garantindo que não seria causado nenhum prejuízo e nada seria tocado. Moshé instruiu seus emissários a começar a conversa contando sobre todo o sofrimento que eles haviam passado durante a dura escravidão no Egito. Por que os mensageiros não foram direto ao assunto?

 

Explica o Rav Yohanan Zweig que tanto Yaacov quanto Essav teriam direito à terra de Israel, como herdeiros de Avraham Avinu. Mas quando D'us prometeu a Avraham que daria a terra aos seus descendentes, avisou que o pré-requisito seria que eles passassem por um período de sofrimentos e escravidão, como está escrito: "Saiba com certeza que seus descendentes serão estranhos em uma terra que não será deles. E eles os servirão, e eles serão oprimidos por 400 anos" (Bereshit 15:13). Enquanto Yaacov e seus filhos foram para o Egito, para passar pelas dificuldades da escravidão e meritar a terra de Israel, Essav preferiu uma vida tranquila, abdicando do mérito de herdar a terra de Israel, e se estabeleceu na terra de Sehir, fora de Israel. Foi por isso que Moshé mencionou a escravidão, para relembrar aos descendentes de Essav que agora o povo judeu tinha conquistado o direito de ir para a terra de Israel e, portanto, não tinham nenhum interesse no território de Edom. Mesmo assim os argumentos de Moshé não foram suficientes e o rei de Edom proibiu o povo judeu de atravessar suas terras, ameaçando iniciar uma guerra caso eles tentassem passar à força. Moshé poderia facilmente ter esmagado o povo de Edom, como fez posteriormente com os reis Og e Sihon, mas seguiu o comando de D'us e deu a volta, evitando qualquer atrito com eles.

 

Entre os argumentos utilizados pelos emissários de Moshé, há um que nos chama a atenção, como está escrito: "E gritamos para D'us, e Ele escutou nossa voz, e nos mandou um emissário e nos tirou do Egito" (Bamidbar 20:16). A expressão utilizada para "emissário" é "Malach", que também significa "anjo". Rashi, comentarista da Torá, explica que o versículo se refere a Moshé, e daqui aprendemos que D'us chama Seus profetas de anjos. A geração do deserto teve o grande mérito de ter entre eles um emissário de D'us do nível de Moshé, um verdadeiro anjo, que não apenas ensinava as leis da Torá para o povo, mas o advertia quando se afastava do caminho correto. Porém, por que nós não temos nenhum profeta que reze por nós e implore por misericórdia quando passamos por sofrimentos e dificuldades, como fazia Moshé em sua geração?

 

O Rav Isroel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, nos ensina que se prestarmos atenção em todo o processo de salvação do povo judeu no Egito, conseguiremos entender como D'us controla o mundo de maneira que sempre o melhor acontece para nós, mesmo quando não conseguimos enxergar isto no momento em que as coisas ocorrem. O peso da escravidão no Egito era terrível, e quando Moshé via o sofrimento dos seus irmãos, tentava ajudar com todas as suas forças. Quando ele via um judeu que já não aguentava o grande peso dos tijolos que carregava nas costas, corria para ajudá-lo a se reerguer e continuar o trabalho. Quando viu um egípcio golpeando um judeu e tentando matá-lo, levantou-se contra o egípcio e salvou o judeu, mesmo colocando sua própria vida em risco. Mas acima de tudo, ele sentia a dor do povo judeu e, com todo o seu coração, rezava e implorava pela salvação do povo. Apesar de Moshé estar pronto para se tornar o líder e salvador do povo judeu, ainda não havia chegado o momento da redenção, pois o povo ainda não estava pronto.

 

Mas havia um problema no fato de Moshé rezar pela salvação do povo. O exílio era como uma panela no fogo, mas cuja comida ainda não estava completamente cozida. O fogo serve para lentamente cozinhar e deixar a comida no ponto certo. Se uma pessoa retirar a panela antes da hora, causa com que a comida nunca mais fique pronta. As dificuldades no Egito eram como o fogo e o povo judeu era como a comida que ainda não estava pronta. As rezas de Moshé tinham tanta força que poderiam diminuir a escravidão e os sofrimentos do povo judeu. Porém, D'us sabia que todas aquelas dificuldades e sofrimentos eram para o bem do povo, eram parte da preparação para o recebimento da Torá, e não seria bom para todo o futuro do povo judeu acelerar o momento da redenção enquanto eles não estivessem totalmente preparados. Por isso D'us criou uma situação para "tirar Moshé de cena". Após matar um egípcio para proteger um judeu que apanhava, Moshé precisou fugir para Midian para salvar sua vida. Durante todo o tempo em que ele ficou em Midian, a escravidão do povo judeu ficou ainda mais pesada e os sofrimentos aumentaram muito, tudo de acordo com os planos de D'us. A saída de Moshé "aumentou o fogo da panela", acelerando o cozimento e antecipando o momento em que a comida ficaria pronta. Com estes sofrimentos adicionais, D'us conseguiu antecipar o momento da redenção do povo judeu. Dos 400 anos em que os judeus deveriam ter ficado como escravos, eles ficaram apenas 210. Tudo graças aos sofrimentos adicionais pelos quais eles passaram.

 

O mesmo ocorre em nossa geração. Estamos em uma época onde são imensas as dificuldades e sofrimentos, tanto em nível pessoal quanto em relação ao povo judeu como um todo. Israel não tem paz com seus vizinhos, o antissemitismo ressurge de forma ameaçadora em todo o mundo, sem contar no aumento da violência, das dificuldades financeiras e da banalização dos desvios morais. Mas tudo isso é uma preparação para a redenção final, para a vinda do Mashiach. Se nós tivéssemos também um profeta, que rezasse e implorasse por nós, provavelmente os sofrimentos diminuiriam ou até mesmo terminariam antes do momento certo. D'us quer que o povo judeu volte em arrependimento antes da vinda do Mashiach, pois Ele quer nos dar ainda mais méritos. As dificuldades e sofrimentos, sem nenhum profeta que reze por nós, são justamente o "aumento do fogo" que pode antecipar o fim do grande exílio no qual estamos imersos há mais de 2.000 anos, desde a destruição do nosso Beit Hamikdash (Templo Sagrado).

 

Desta explicação do Chafetz Chaim fica um dos ensinamentos mais importantes para nossas vidas. D'us vê tudo e controla tudo, Ele sente todo o sofrimento pelo qual passamos e se entristece com todas as nossas tristezas e sofrimentos. Mas Ele sabe que os sofrimentos são a forma de nos despertar e de limpar nossos erros e transgressões. Ele sabe que é a maneira de trazer nossos corações de volta ao caminho correto. Infelizmente, quando a pessoa está tranquila e com abundância, Ela se esquece de D'us e de sua espiritualidade. Somente quando recebemos uma "cutucada" é que nos despertamos. Tudo é para o nosso bem, tudo é feito de maneira que nosso futuro será o melhor possível, mesmo que agora, durante o sofrimento, não conseguimos enxergar.

 

Precisamos trabalhar a nossa Emuná (fé). Nossos profetas e sábios já haviam previsto que os testes pelos quais as pessoas passariam no final dos tempos seriam muito difíceis, justamente para nos dar muitos méritos. Como ensina a última Mishná do Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "De acordo com a dificuldade, assim será a recompensa". Aqueles que conseguirem passar os testes do fim dos tempos receberão a devida recompensa. Olhando a história, podemos ter o consolo de que, da mesma forma que as dificuldades no Egito trouxeram muita luz para o povo judeu, assim também todos os sofrimentos pelos quais estamos passando servirão apenas para trazer muitos bons frutos, em breve.  

 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KORACH 5772

BS"D

QUANDO O DESEJO FALA MAIS ALTO - PARASHÁ KORACH 5772 (22 de junho de 2012)

"Certo dia, na densa floresta, a raposa estava passeando tranquilamente quando se deparou com um enorme leão, que já estava com a boca aberta, pronto para engoli-la em uma só mordida. Sabendo que tentar fugir seria em vão, pois o leão era muito mais rápido e ágil do que ela, decidiu utilizar a astúcia. Olhou firme nos olhos do leão e disse:

- Espere um momento, Sr. leão. É um grande desperdício você me devorar, pois olhe meu tamanho, não vai te saciar. Mas se você poupar minha vida, não se arrependerá. Eu te levarei até um ser humano, que é muito maior e mais suculento, e você poderá devorá-lo e se sentir saciado.

Qual era o plano da raposa? Ela sabia que o homem a que se referia era um caçador, e que ele havia preparado uma armadilha para pegar feras selvagens. Ele havia cavado um profundo poço e, com folhas e galhos, havia coberto o buraco, sem que nenhum animal conseguisse perceber o perigo. Então ele ficava ao lado do poço, à espera que algum animal caísse na armadilha.

Quando o leão começou a se aproximar do homem, viu que realmente seria um delicioso banquete. Mas um medo começou a lhe incomodar. E se o homem rezasse para que o seu plano de atacá-lo desse errado? E se recaísse sobre ele alguma maldição? Ele sabia da força da reza do homem e o quanto poderia prejudicá-lo. Então a raposa o tranquilizou:

- Não se preocupe, meu amigo. As rezas do homem não recairão nem sobre você nem sobre seus filhos. Talvez, se funcionarem, recairão só sobre os seus netos. Você pode ir tranquilo, pois ficará saciado agora e, até que seus netos nasçam, ainda há muito tempo. Confie em mim.

A fome já estava apertando e, por isso, o leão facilmente foi convencido de que valia a pena. Começou a caminhar lentamente em direção ao homem, confiante, preparando o bote certeiro. Quando estava muito próximo, sentiu o chão desaparecendo e desabou para dentro do poço fundo. Ele havia caído na armadilha do homem. A raposa então foi até a boca do poço e ficou olhando para o leão que, sem entender nada, perguntou para ela:

- Ei, você falou que as desgraças recairiam apenas sobre os meus netos. O que está acontecendo?

- Provavelmente o seu avô atacou algum homem - respondeu tranquilamente a raposa - e a reza daquele homem recaiu sobre você, o neto.

- Mas isto não é justo - gritou o leão - os avós comem doces e é o dente dos netos que fica com cáries?

- Você é muito engraçado, Sr. leão. Por que você não pensou assim desde o começo? Por que você não se importou de se saciar agora e deixar os seus netos pagarem a conta? Agora você não tem o direito de reclamar mais nada"

O grande sábio Hai Gaon contava esta parábola para nos ensinar como se comportam aqueles que são levados apenas pelos seus desejos. No momento em que a vontade fala mais alto, não medem as consequências. Apenas depois percebem o quanto foram tolos e descuidados.
                       
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A Parashá desta semana, Korach, descreve a rebelião na qual parte do povo judeu participou, e cujo intuito era derrubar Moshé e Aaron de seus postos de liderança. A rebelião era encabeçada por Korach, primo de Moshé, e tinha como principal motivador a inveja. Junto com Datan e Aviran, dois conhecidos causadores de tumulto, Korach conseguiu juntar 250 homens para tentar, através de uma campanha difamatória contra Moshé e Aaron, assumir o poder. Mas seus planos foram anulados por D'us e os líderes e suas famílias tiveram um final trágico, sendo engolidos vivos pela terra. Os 250 homens que se deixaram convencer por Korach também tiveram um final trágico, sendo consumidos vivos por um fogo Divino no momento em que ofereciam um incenso para D'us.

Quando lemos o relato do que ocorreu com Korach e seus seguidores, a primeira impressão é que estamos tratando de pessoas espiritualmente muito baixas. Mas explicam nossos sábios que, ao contrário do que parece, Korach era um dos maiores da geração, realmente estava capacitado a ser um dos líderes do povo judeu. Também os 250 homens que o seguiram eram pessoas elevadas, que poderiam ter se tornado gigantes espirituais. Então como pessoas tão elevadas caíram em um erro tão tolo?

Para aumentar a pergunta, ao analisarmos o argumento que eles utilizaram para justificar a rebelião, percebemos que trata-se de algo completamente irracional. Assim eles falaram para Moshé: "Não é suficiente que você nos tirou da terra do leite e mel para nos matar no deserto?" (Bamidbar 16:13). Estamos falando da geração que sentiu na pele as dores da terrível escravidão no Egito. Depois de tudo o que passaram, como estas pessoas, em seu nível tão elevado, puderam utilizar argumentos tão infundados? Será que eles realmente acreditavam em suas próprias palavras?

Explica o livro "Lekach Tov" que a história de Korach é uma grande advertência para todas as pessoas que acham que são sábias e, por isso, estão protegidas contra o Yetzer Hará, a nossa má inclinação. Na verdade, quando o desejo fala mais alto, não apenas a sabedoria não serve para proteger a pessoa, mas o Yetzer Hará a utiliza para justificar os maus atos, transformando, aos olhos do transgressor, os erros em bons atos. Foi o que aconteceu com Korach, que até o fim pensou estar certo, mesmo utilizando argumentos que até mesmo uma criança saberia que são completamente infundados. Ele estava cego pelo desejo de poder, não conseguiu enxergar o óbvio, e pagou caro por sua obstinação.

É isto o que vemos na parábola trazida pelo grande sábio Hai Gaon. O leão, o rei dos animais, apenas caiu na armadilha da raposa por causa do seu desejo incontrolável por um pouco mais de carne. O que ele entendeu com facilidade depois que seu desejo havia desaparecido, algo que era lógico e óbvio, ele não havia conseguido enxergar no princípio, quando ainda estava completamente dominado pelas suas vontades.

Este conceito pode ser visto até mesmo nos nomes dos nossos órgãos, cada um representando uma das nossas forças que utilizamos para tomar decisões. O cérebro, centro da razão, é חמ‎ (Moach). O coração, centro das emoções, é ‎בל (Lev). O fígado, centro dos desejos, é ‎בדכ (Caved). Utilizando as iniciais do nome dos órgãos, aprendemos o que ocorre quando tomamos as decisões de maneira correta ou de maneira incorreta. Se uma pessoa toma decisões com a cabeça, utilizando os sentimentos e os desejos apenas de maneira secundária, ele se torna um "Melech" לךמ (rei), pois governa sobre si mesmo, adquire o autocontrole. Se a pessoa decide primeiro com seus sentimentos e somente depois com a razão, ele se torna um "Lemech" למך‎ (bobo), pois faz bobagens ao tomar decisões sentimentais, muitas vezes irracionais. Mas o pior de tudo é quando a pessoa decide com seus desejos em primeiro lugar, e não com a razão, e se torna um "Clum" ‎כלם (nada), pois perde o que o diferencia dos animais: o uso do intelecto para ter domínio sobre suas vontades.

É interessante perceber que a Parashá da semana passada, Shelach, terminou justamente com este ensinamento. A Parashá terminou com a Mitzvá de Tziztit, onde está escrito o seguinte versículo: "E não sigam atrás dos seus corações e atrás dos seus olhos, atrás dos quais vocês se desviam" (Bamidbar 15:39). O Tzitzit que vestimos, com seus fios aparentes, é justamente um lembrete constante de que devemos controlar os nossos desejos e sentimentos, pois se tomarmos nossas decisões baseadas apenas nos olhos que veem e no coração que deseja, as consequências serão devastadoras.

É o que infelizmente vemos atualmente na nossa sociedade, onde as pessoas correm atrás dos seus desejos e se afastam cada vez mais da espiritualidade. Uma sociedade onde são criados sites que incentivam a traição. Uma sociedade onde os jovens bebem e voltam dirigindo para casa, sem se importar com as consequências. Uma sociedade onde o mais importante é a comida ter sabor, não importa o quanto é prejudicial à saúde. Resumindo, uma sociedade onde quem domina e toma as decisões são os desejos e não o racional.

A solução é nos conectarmos aos valores espirituais. As Mitzvót, por exemplo, nos ajudam a desenvolver o autocontrole, nos ajudam a ajustar as prioridades, nos ajudam a saber, mesmo nos pequenos detalhes do cotidiano, qual o caminho correto a ser seguido.

Uma dica prática para evitar seguir cegamente os desejos é escutar o conselho do Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Leve em consideração o que você ganha com uma transgressão e o que você perde" (Cap. 2 Mishná 1). Os prazeres proibidos duram poucos instantes, enquanto suas consequências, tanto no mundo material quanto no mundo espiritual, podem durar para sempre. Vale a pena pensar nisso e se controlar.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 14 de junho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHELACH 5772

BS"D

CADA PALAVRA CUSTA - PARASHÁ SHELACH 5772 (15 de junho de 2012)

"O Rabino Isroel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, se esforçou muito para ensinar as leis de uma das mais terríveis transgressões da Torá: o Lashon Hará, a maledicência, que pode causar danos físicos, econômicos e até mesmo psicológicos irreversíveis. O Chafetz Chaim aproveitava cada oportunidade para ressaltar o cuidado que precisamos ter com a nossa fala.

Certa vez o Chafetz Chaim estava viajando com seu genro, o Rav Tzvi Levinson, para levantar fundos para a sua Yeshivá, que ficava em Radin, na Polônia, cidade onde morava. Durante a viagem, se encontraram com um homem muito rico de Moscou, um judeu muito generoso que sustentava diversas instituições de Torá e fazia muitos atos de caridade. Eles foram recebidos com muito respeito e honra. O Chafetz Chaim começou a contar sobre o andamento da Yeshivá e suas principais necessidades, enquanto o milionário escutava atentamente.

Após alguns minutos, no meio da conversa, o Rav Tzvi pediu licença e foi para a sala ao lado, para enviar um telegrama urgente. O Chafetz Chaim então comentou com o doador:

- Você vê, aqui nesta sala ao lado há agora dezenas de pessoas sentadas, elaborando o texto de seus telegramas antes de enviá-los, pensando em cada palavra que será incluída. Você sabe por quê? Pois após o telegrama ser enviado, a pessoa terá que pagar por cada palavra escrita.

- Esta é a maneira de evitar o Lashon Hará - continuou o Chafetz Chaim - lembrando-se do cuidado que devemos ter com as palavras que dizemos. Pois quando sairmos deste mundo, as palavras utilizadas de maneira equivocada serão cobradas, cada uma delas. Portanto, o conselho é sempre pensar bastante antes de falar qualquer coisa.
                       
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Quando estudamos a Torá, há muito ensinamentos que não estão apenas no entendimento literal dos versículos. Por exemplo, existe um conceito interessante chamado "Smichut Parashiot" (proximidade entre 2 assuntos) que nos revela muitos ensinamentos profundos. O que significa este conceito? D'us poderia ter escrito a Torá da maneira e na ordem que quisesse. Muitas Parashiót estão inclusive fora da ordem cronológica. Portanto, quando encontramos na Torá dois assuntos, aparentemente desconectados, escritos em sequência, é para nos ensinar que estes assuntos estão, de alguma maneira, conectados entre si. É o que ocorre com o assunto do fim da Parashá da semana passada, Bahalotechá, e o assunto do início Parashá desta semana, Shelach.

A Parashá da semana passada terminou com o Lashon Hará (maledicência) que Miriam fez de seu irmão Moshé. Apesar de ter sido com boas intenções, com o intuito de ajudar, e apesar de Miriam amar seu irmão, ela foi castigada com a Tzaraat, doença espiritual que causava manchas por todo o corpo. Nos locais onde a Tzaraat atingia o transgressor, a pele adquiria o aspecto de uma lepra, como se aquela parte do corpo estivesse morta. Já a Parashá desta semana, Shelach, começa descrevendo um dos erros mais graves cometidos pelo povo judeu durante a sua permanência no deserto. Quando o povo estava prestes a entrar em Israel, decidiu enviar 12 espiões em uma missão de reconhecimento da terra. Eles deveriam voltar com boas notícias, pois era uma terra muito boa, a terra onde flui o leite e o mel, a terra que D'us havia prometido para Avraham, Yitzchak e Yaacov. Mas dos 12 espiões enviados, 10 voltaram falando mal da terra, desanimando todo o povo. Qual a conexão entre estes dois assuntos.

Explica Rashi, comentarista da Torá, que os espiões viram as terríveis consequências que aconteceram com Miriam por causa do Lashon Hará, mas não aprenderam nada com isso, pois logo depois repetiram o mesmo erro, fazendo Lashon Hará da Terra de Israel e trazendo graves consequências para si mesmos e para o resto do povo. Os espiões que fizeram Lashon Hará morreram imediatamente em uma praga, enquanto toda aquela geração, que chorou por causa do relato dos espiões, foi proibida de entrar em Israel. O povo judeu ficou por 40 anos vagando pelo deserto, até que todos daquela geração tivessem morrido.

A proibição de Lashon Hará é uma das mais graves da Torá, e aquele que se acostuma a não controlar sua fala pode chegar a transgredir até 31 Mitzvót diferentes. Em Yom Kipur, se prestarmos atenção no Vidui (confissão das nossas transgressões), perceberemos que 25% do nosso arrependimento é em relação ao mau uso da nossa fala. O Beit Hamikdash (Templo Sagrado), que trazia Luz espiritual para todo o mundo, foi destruído por causa do Lashon Hará, há mais de 2 mil anos, e até hoje não tivemos o mérito de reconstruí-lo, pois continuamos caindo nesta grave transgressão.

Mas deste erro do povo judeu ficam algumas perguntas. Em vários lugares da Torá e do Talmud (Torá Oral) estão explícitas as leis e a gravidade do Lashon Hará. Então por que Rashi diz que os espiões deveriam ter aprendido com o erro de Miriam? Eles eram grandes Tzadikim, pessoas em um nível espiritual elevado, com certeza cumpriam as Mitzvót. Por que justamente o Lashon Hará deveria ter sido aprendido através de um "exemplo", se é algo que está explícito na Torá? Além disso, entendemos o castigo de Miriam, que falou mal de um ser humano, mas o que há de tão terrível em falar mal da terra de Israel, um objeto sem vida, que não se ofende?

Explica o Rav Yohanan Zweig que para responder estas perguntas precisamos voltar ao final da Parashá passada. Imediatamente após Miriam ter feito Lashon Hará de Moshé, a Torá escreve um versículo aparentemente fora de contexto: "E o homem Moshé era extremamente humilde" (Bamidbar 12:3). Qual a conexão entre esta característica de Moshé e o Lashon Hará feito por Miriam?

Em geral, o Lashon Hará só é visto como uma transgressão "Bein Adam Lehaveiró" (entre o homem e seu semelhante), isto é, achamos que a consequência mais destrutiva do Lashon Hará é o seu efeito social nocivo. Embora este efeito social negativo seja realmente terrível, afastando pessoas e causando muitas mágoas e desentendimento, na realidade esta não é a maior consequência negativa do Lashon Hará. Há algo ainda pior, uma consequência ainda mais marcante, que são as forças desencadeadas pelo Lashon Hará e que atingem a própria pessoa que falou.

Por que a Torá escreveu, logo após o Lashon Hará de Miriam, que Moshé era uma pessoa tão humilde? Para ressaltar que ele era tão simples, tão desconectado de qualquer sentimento de rancor, que não foi atingido, de nenhuma maneira, pelas palavras negativas que Miriam pronunciou. Portanto, o único dano causado pelo Lashon Hará de Miriam foi o dano causado a ela mesma. Mas que dano foi este?

Quando D'us criou o mundo, criou-o com palavras. E quando D'us criou o ser humano, criou primeiro seu corpo e depois colocou dentro dele uma alma, como está escrito: "E D'us formou o homem do pó da terra, e Ele soprou em seu nariz uma alma de vida. E o homem se tornou uma alma viva" (Bereshit 2:7). Unkelos, que traduziu toda a Torá para o aramaico, traduziu "alma viva" como "alma falante", deixando claro que a fala e a vida estão diretamente conectadas. Se a pessoa utiliza a fala para o bem, se comporta como D'us e traz vida para o mundo. Mas se utiliza a fala para o mal, se afasta de D'us e causa morte e destruição. O Lashon Hará é o oposto da vida e, por isso, causa com que parte do transgressor morra. Isto se reflete na doença espiritual da Tzaraat, que atingia aquele que falava Lashon Hará causando manchas, parecidas com lepra, dando a impressão de que partes do seu corpo haviam morrido, uma alusão à morte causada ao próprio transgressor. Foi por isso que Aharon, ao implorar para que Moshé rezasse por Miriam após ela ter sido atingida pela Tzaraat, disse: "Não deixe que ela esteja como uma morta" (Bamidbar 12:12).

Apesar de a Torá estar repleta de menções explícitas à grave transgressão do Lashon Hará, até o acontecimento com Miriam a mensagem de que o Lashon Hará destrói a vida daquele que fala, mesmo quando aquele sobre quem está sendo falado não é afetado, não estava tão clara. Os espiões perderam a oportunidade de aprender esta lição. Se esta mensagem tivesse sido absorvida pelos espiões, eles entenderiam a gravidade de falar Lashon Hará sobre a terra de Israel, apesar de ser algo inanimado. Pois pior do que o dano que o Lashon Hará causa para o outro é o dano causado ao próprio transgressor.

Diferente de outras transgressões, em que todo o ato conta apenas como uma transgressão, quando a pessoa faz Lashon Hará, cada palavra proferida é uma transgressão por si só. Além de toda a destruição e tristeza que podemos causar aos outros, o pior efeito do Lashon Hará é a destruição que causamos para nossa própria alma. Apesar de não termos mais a Tzaraat, nossa alma continua sendo prejudicada por cada palavra mal utilizada. Por isso, como alguém que vai enviar um telegrama caro, pense bem no que você vai falar, antes de abrir a boca, pois depois de pronunciadas, somente nos restará pagar a conta de cada palavra mal utilizada.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Eliahu ben Haia Dobe Elke, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).