quinta-feira, 7 de junho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5772

BS"D 

 

ESCRITO NAS ENTRELINHAS - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5772 (08 de junho de 2012)

 

"Certa vez o Rabino Yossef Dov Soloveitchik, mais conhecido como Beit Halevi, estava em casa, na véspera de Pessach, cuidando dos últimos preparativos para o Seder. Foi quando escutou alguém batendo na porta. Era um homem muito pobre, que queria tirar uma dúvida em relação a uma das Mitzvót do Seder de Pessach. Convidaram-no a entrar, e ele fez a seguinte pergunta:

 

- Rabino, eu não tenho dinheiro para comprar vinho. Será que eu posso cumprir a Mitzvá dos 4 copos de vinho do Seder com 4 copos de leite?

 

O Beit Halevi balançou negativamente a cabeça e ensinou ao pobre que, de acordo com a Halachá (lei judaica), não era possível cumprir a Mitzvá dos 4 copos daquela maneira. Mas pediu ao pobre que aguardasse um pouco e voltou, alguns instantes depois, com um soma considerável de dinheiro. Entregou o dinheiro ao pobre e pediu que ele comprasse com aquele dinheiro vinho e comida para o Seder de Pessach. O pobre não cabia em si de contentamento, não sabia nem como agradecer. Abraçou e Beit Halevi e saiu apressado para comprar a comida e o vinho para o Seder.

 

Algum tempo depois do pobre ter ido embora, a esposa do Beit Halevi, não aguentando a curiosidade, perguntou:

 

- Você poderia ter dado apenas o dinheiro suficiente para que aquele homem pudesse comprar uma garrafa de vinho para cumprir a Mitzvá dos 4 copos. Ele não pediu dinheiro para mais nada. Então por que você deu tanto dinheiro para ele?

 

- Provavelmente você não percebeu o que estava nas entrelinhas da pergunta daquele homem – respondeu, com um sorriso, o Beit Halevi - Cada um dos 4 copos deve ser tomado em um momento específico do Seder, sendo que dois deles são tomados apenas depois do término da refeição. Se de acordo com a Halachá não podemos beber leite imediatamente depois de ter comido carne e é necessário esperar algumas horas, então como aquele homem pretendia cumprir a Mitvzvá dos 4 copos com leite? Então eu entendi que ele também não tinha dinheiro nem mesmo para comprar carne para o jantar. Foi por isso que eu dei tanto dinheiro para ele, mais do que o necessário para apenas uma garrafa de vinho"

 

Nossos grandes sábios se esforçaram muito para adquirir a sensibilidade de entender não apenas as palavras ditas pelas pessoas, mas também o que está nas entrelinhas. Pois as entrelinhas muitas vezes carregam mensagens até mais importantes do que aquilo que é efetivamente falado.

                       

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A partir da Parashá desta semana, Behaalotechá, a Torá começa a relatar uma série de reclamações e rebeliões do povo, pelos mais variados motivos como, por exemplo, a insatisfação com o Man (Maná) que caía do céu e o desejo de comer carne. E assim está escrito na Parashá: "E o povo era como aqueles que reclamam, e foi mal aos ouvidos de D'us. E D'us escutou, e Sua fúria se acendeu, e um fogo de D'us queimou contra eles..." (Bamidbar 11:1).

 

Observando a linguagem do versículo, surgem algumas perguntas. Em primeiro lugar, por que a Torá diz que o povo era "como aqueles que reclamam", se eles estavam efetivamente reclamando? Além disso, por que a Torá ressalta que D'us escutou, não é óbvio que D'us escuta tudo? E finalmente, o deserto é um lugar muito difícil, perigoso e estressante e, portanto, era normal que o povo tivesse queixas por causa das dificuldades. Então por que D'us ficou tão furioso por causa de simples reclamações do povo?

 

É interessante perceber que neste versículo não é mencionado nenhum motivo explícito para as reclamações. Rashi, comentarista da Torá, explica que os judeus na realidade não tinham nenhuma reclamação específica, eles estavam apenas procurando um pretexto para se afastar de D'us. Eles não tinham nenhuma razão válida para reclamar, então fizeram parecer que as reclamações vinham por causa das dificuldades da viagem no deserto. Isto explica por que o versículo diz "como aqueles que reclamam", pois na verdade eles não tinham nenhuma reclamação verdadeira, eram apenas desculpas para encobrir o que realmente os incomodava: a grande responsabilidade de viver de acordo com as leis Divinas.

 

Portanto, a Parashá está nos ensinando um fundamento muito importante para utilizarmos em nossas vidas: muitas vezes quando alguém reclama ou cria uma discussão, na verdade nem ele mesmo acredita em seus próprios argumentos. É apenas uma desculpa para encobrir e justificar alguma forma de comportamento indesejável.

 

Um exemplo muito marcante disto pode ser visto na primeira discussão da história da humanidade, entre Cain e Hevel (Abel), que terminou em assassinato. Assim a Torá descreve a discussão: "E Cain falou com Hevel, seu irmão, e enquanto eles estavam no campo, Cain se levantou contra seu irmão Hevel e o matou" (Bereshit 4:9). Mas sobre o que eles conversaram, para que chegasse ao nível de um irmão assassinar o outro? Explicam os nossos sábios que Caim começou a negar D'us, dizendo para Hevel que não havia nem Supervisão Divina, nem castigo e recompensa. Hevel começou a discutir com Cain, argumentando que D'us sim existia, e certamente havia castigo e recompensa para cada ato que fazemos. A argumentação foi ficando cada vez mais forte até que, no calor da discussão, Cain se levantou e matou Hevel.

 

Mas se a discussão entre Cain e Hevel foi um debate filosófico tão fundamental, por que a Torá não escreveu explicitamente o motivo da discussão, deixando para os nossos sábios o detalhamento? Explica o Rav Yssocher Frand que, na verdade, Cain não acreditava em nada do que falou para Hevel, ele estava apenas procurando uma desculpa para começar uma discussão com seu irmão. A Torá não descreveu o conteúdo da discussão pois, na verdade, ele era irrelevante, esta discussão filosófica nunca foi uma discussão real.

 

Diz o Rav Yonathan Guefen que é por isso que no versículo dos "reclamões" da nossa Parashá está escrito que "D'us escutou". O verbo "Lishmoa", utilizado no versículo, não significa apenas escutar, mas também entender, internalizar. D'us, que conhece o coração de cada pessoa, escutou as reclamações do povo, que pareciam reclamações por causa das condições difíceis da viagem, mas entendeu a verdadeira intenção delas. D'us viu que não havia nenhum motivo real para as reclamações, apenas a vontade de se distanciar Dele. Foi por isso D'us reagiu de maneira tão dura com o povo.

 

Por nossas limitações, não podemos, como D'us, ver o coração das pessoas. Mas podemos nos assemelhar a Ele e desenvolver a sensibilidade de entender, não apenas as palavras ditas, mas também o que o está por trás daquelas palavras. Por exemplo, muitas vezes quando alguém pergunta "por que boas pessoas sofrem", não necessariamente a pessoa está em busca de uma resposta filosófica. Pode ser que a pessoa está passando por um sofrimento ou dificuldade e, mais do que uma resposta, precisa de apoio e compreensão. Pode ser que a pessoa quer apenas atacar o judaísmo e, portanto, nenhuma resposta vai satisfazê-lo, pois ele não está perguntando, está atacando. Quando alguém vem discutir, nem sempre a pessoa acredita nos seus próprios argumentos, ela pode estar apenas demonstrando alguma dificuldade em aceitar a verdade. Uma criança que diz que não gosta de ir para a escola não é necessariamente uma criança preguiçosa que precisa de ajuda para gostar dos estudos. Pode ser um sinal de ela está passando por algum tipo de constrangimento ou humilhação, mas não se sente à vontade para se abrir e contar a verdade. Portanto, sempre que escutamos algo, precisamos ser ponderados, agir com paciência e prestar atenção nos detalhes.

 

Grandes líderes do povo judeu, como Yaacov, Moshé e David Hamelech (Rei David), foram pastores. Por que? Pois os animais não falam, e por isso eles conseguiram desenvolver a capacidade de entender além das palavras. Esta é uma importante qualidade que precisamos alcançar na vida: não entender apenas o que fala a boca dos outros, mas se esforçar principalmente para escutar o que diz o coração deles.

 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NASSÓ 5772

BS"D

 

DÊ O EXEMPLO - PARASHÁ NASSÓ 5772 (01 de junho de 2012)

 

Certo dia, há alguns anos, repórteres e funcionários da estação de trem se aglomeravam em uma estação de Chicago, esperando a chegada de um famoso Prêmio Nobel. Ele desceu do trem - um homem muito alto, com os cabelos revoltos e um grande bigode. O brilho do flash das câmeras iluminou o saguão, enquanto os repórteres e funcionários da estação de trem corriam, com as mãos estendidas, para recepcionar o famoso viajante e dizer-lhe como era uma grande honra conhecê-lo pessoalmente.

 

O homem agradeceu pela maravilhosa recepção. Quando ia começar a dar entrevistas, parou por alguns instante e, olhando por cima da cabeça dos repórteres, pediu desculpas e avisou que iria se ausentar por alguns instantes. Imediatamente caminhou por entre a multidão, com passos rápidos, até que chegou a uma senhora idosa que estava tendo problemas ao tentar carregar duas malas grandes. Ele pegou as malas e, sorrindo, ajudou a senhora a subir no ônibus. Com ela à bordo e as malas devidamente ajeitada no compartimento de bagagem, desejou-lhe uma boa viagem.

 

Enquanto isso, uma multidão o seguia. Ele se virou e disse:

 

- Perdão por tê-los feito esperar. Podemos agora começar as perguntas.

 

O homem era o Dr. Albert Schweitzer, o famoso médico-missionário que dedicou sua vida a ajudar os pobres e famintos da África e recebeu, no ano de 1952, o Prêmio Nobel da Paz. Ao presenciar o ato de bondade do Dr. Schweitzer, que deixou os jornalistas por alguns instantes para auxiliar uma senhora que precisava de ajuda, um membro do comitê de recepção declarou para um dos repórteres:

 

- Viemos conhecer este grande vencedor do Prêmio Nobel. Eu esperava aprender com suas palavras, mas ele me surpreendeu, pois é um verdadeiro "sermão ambulante". Ele ensina sem precisar abrir a boca.

                       

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Nesta semana lemos a Parashá Nassó que, entre outros assuntos, nos ensina sobre o Nazirato, um tipo de "voto" que as pessoas podiam voluntariamente fazer, recebendo sobre si, por um período mínimo de 30 dias, as seguintes restrições: o Nazir estava proibido de consumir uvas ou qualquer derivado, não podia cortar seu cabelo e não podia se impurificar através do contato com mortos, nem mesmo se fosse um parente próximo. Mas o Nazirato não era apenas receber sobre si uma série de proibições. O Nazirato era uma maneira de alcançar níveis maiores de santidade abstendo-se, temporariamente, de prazeres do mundo material.

 

Um dos Nazirim mais famosos da história foi Shimshon (Sansão), um dos juízes do povo judeu. Infelizmente, influenciados por filmes do cinema e da televisão, temos uma ideia completamente equivocada de quem foi ele. Por exemplo, diferente da imagem mostrada nos filmes, Shimshon não era uma pessoa grande e musculosa, nem a fonte de sua força eram seus cabelos. Ele era uma pessoa normal, sem nenhuma força física sobre-humana. Mas como ele era um Nazir desde seu nascimento, estava em um elevado nível de santidade. Por isso, quando era necessário, a Presença Divina entrava nele e lhe dava a força de centenas de homens. Quando Shimshon cortou seu cabelo, quebrou seu voto de Nazirato, perdendo imediatamente sua enorme santidade e, portanto, a Presença Divina que o acompanhava.

 

Na Haftará desta semana (trecho dos Profetas e Escrituras lido após a leitura da Torá) é descrito o nascimento de Shimshon. Um anjo de D'us se revelou para a mãe dele, que até então não tinha filhos, e revelou que ela engravidaria e teria um filho em breve, mas advertiu que ele não deveria ser tratado como uma criança normal, pois estava destinado a ser um grande salvador do povo judeu. Shimshon deveria ser um Nazir desde o nascimento e nunca uma navalha deveria ser passada em seu cabelo. O anjo comunicou que mesmo sua mãe deveria se abster de comer uva e seus derivados e deveria se cuidar de comer qualquer coisa com impurezas espirituais. Quando a mãe de Shimshon contou a Manoach, seu marido, sobre a visão do anjo e tudo o que ele havia revelado, ele rezou para D'us e pediu para que o anjo voltasse novamente. O anjo apareceu e confirmou exatamente tudo o que a esposa de Manoach havia dito.

 

Mas deste trecho lido na Haftará ficam algumas perguntas. Em primeiro lugar, a mãe de Shimshon era uma Tzadeket (mulher justa). Por que seu marido Manoach pediu para que o anjo aparecesse novamente, ele não confiava no que ela havia dito? Além disso, por que D'us concordou com o pedido de Manoach e mandou novamente o anjo, se tudo o que necessitava ser informado já havia sido dito para sua esposa? E finalmente, o que o anjo acrescentou quando apareceu novamente para Manoach, se aparentemente nenhuma nova informação foi adicionada?

 

Explica o Rav Meir Tzvi Bergman que certamente Manoach acreditou no relato de sua esposa, conforme o próprio versículo comprova: "E Manoach se levantou e foi atrás de sua esposa" (Shoftim 13:11). Explica o Talmud (Brachót 61a) que o versículo não se refere apenas à acompanhar a esposa no sentido físico, mas também que Manoach confiava muito em sua esposa e sempre buscava seus conselhos e opiniões. Então o que Manoach queria do anjo? Ele queria instruções a mais de como criar seu filho, que segundo o próprio anjo, seria alguém especial, com um nível muito elevado de santidade desde o nascimento.

 

O anjo revelou que Shimshon seria o salvador do povo judeu do jugo dos Plishtim (Filisteus), que na época causavam muito sofrimento. Portanto, Shimshon deveria ser alguém que não teria temor de nenhum ser humano, mas ao mesmo tempo, como o juiz do povo judeu, deveria ser totalmente guiado, em todos os seus atos, pelo temor a D'us. A própria linguagem usada pelo anjo demonstra a necessidade de educar a criança com temor a D'us. Quando a Parashá descreve a proibição de passar uma navalha no cabelo de um Nazir, utiliza a linguagem "Taar", mas na Haftará, quando o anjo falou com os pais de Shimshon, foi utilizada a linguagem "Morá", que além de "navalha" também significa "Temor". Portanto, Manoach havia entendido tudo o que sua esposa contou, mas ele não sabia como fazer para educar seu filho para que ele tivesse todos estes atributos, e era isto o que ele queria perguntar ao anjo.

 

Mas se esta era a dúvida de Manoach, onde vemos que o anjo respondeu ao seu questionamento, se da segunda vez ele falou menos do que da primeira vez? Explica o Rav Meir Simcha de Dvinsk, mais conhecido como Meshech Chochma, que a resposta está na linguagem ambígua utilizada pelo anjo. Assim diz o versículo: "O anjo de D'us disse para Manoach: Tudo o que eu disse para a mulher, ela deve se guardar. De tudo o que venha de um vinhedo ela não deve comer. Vinho ou bebidas intoxicantes ela não deve beber. Tudo o que eu comandei a ela, ela deve guardar" (Shoftim 13:13,14). A palavra "Tishmor", que significa "guardar", pode ser utilizada na 3ª pessoa do feminino, mas também pode ser utilizada na 2ª pessoa do masculino. Portanto, o mesmo versículo pode ser lido da seguinte maneira: "Tudo o que eu comandei a ela, você deve guardar (também)".

 

De acordo com este entendimento, daquele dia em diante, não apenas a mãe deveria se abster dos derivados de uva e de impurezas espirituais, mas também o pai deveria participar desta santificação. Mas por que? É fácil entender por que a mãe deveria se abster, pois ela alimenta diretamente o filho, tudo o que ela consome também é, indiretamente, consumido pelo feto. Porém, por que o pai também deveria se abster? E o que isto acrescentaria na boa educação da criança?

 

O que o anjo estava ensinando a Manoach e sua esposa é um dos grandes fundamentos de educação: da forma que eles gostariam que o filho se comportasse, assim eles deveriam se comportar. A casa deveria ser um modelo para o filho. Somente quando o pai e a mãe trabalhassem juntos em busca de um objetivo, este também se tornaria o objetivo do filho. Somente quando os pais tivessem um alto nível de temor a D'us é que o filho também iria adquiri-lo. Somente se os pais tivessem sucesso espiritual é que o filho teria sucesso em se tornar o salvador do povo judeu das mãos dos Plishtim.

 

Esta é uma grande regra que se aplica, não apenas na educação dos filhos, mas na nossa tentativa de fazer deste mundo um lugar melhor. Quanto mais conseguirmos ser modelos de boa conduta, de honestidade e de bom caráter, mais pessoas poderão aprender com nossos exemplos. Quanto mais andarmos no caminho correto, mais poderemos influenciar outras pessoas a também não se desviar. Quando D'us nos entregou a Torá e nos colocou o papel de "Luz para as nações do mundo", Ele não esperava que organizássemos palestras lotando estádios. Ele esperava que pudéssemos ensinar ao mundo através dos nossos exemplos, nos pequenos atos cotidianos.

 

Portanto, para mudar o mundo não é necessário fazer atos heroicos, se embrenhar nas selvas africanas para salvar vidas ou virar presidente de uma ONG. Basta, nos pequenos atos do cotidiano, ser um bom exemplo para os outros.

 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5772

BS"D



AMOR ETERNO – PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5772 (25 de maio de 2012)



"Fabiana, uma garota adolescente, viajou certa vez para visitar seus avós. Ficou a tarde inteira vendo um álbum de fotografias, onde estavam até mesmo fotos mais antigas, ainda em preto e branco. As fotos que mais chamaram a atenção de Fabiana foram as do casamento dos avós. Fabiana estava orgulhosa de ver como seus avós, após várias décadas de casamento, ainda se amavam e se respeitavam.



Fabiana quis saber mais detalhes do casamento, quando as almas haviam se conectado. Finalmente ela pediu à avó para ver a aliança de casamento, que parecia um anel muito bonito. Ao pegar a aliança na mão, ela estranhou. Era um anel pesado e grosso, diferente das alianças usadas atualmente. Curiosa, perguntou para a avó:



- Vó, por que a sua aliança é tão grossa e pesada?



A avó não resistiu. Abriu um lindo sorriso e disse:



- É por que na nossa época, os casamentos eram feitos para durar para sempre. Então a aliança precisava ser mais grossa, para resistir ao tempo..."



Infelizmente, com casamentos descartáveis, as novas gerações se afastam cada vez mais do conceito de construir um relacionamento para sempre. Mas todo o ano Shavuót nos recorda que o nosso relacionamento com D'us, cujo casamento foi no Monte Sinai, há mais de 3.300 anos, é eterno.

                       

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Nesta semana começamos o quarto livro da Torá, Bamidbar. E a Parashá da semana, Bamidbar, começa com um censo do povo judeu, como está escrito: "E disse D'us para Moshé no deserto... Faça a contagem de toda a assembleia dos Filhos de Israel, de acordo com suas famílias..." (Bamidbar 1:1,2). Mas por que D'us comandou Moshé a contar o povo? Se Ele é onisciente, já não sabia a quantidade de pessoas? E, além disso, várias vezes na Torá o povo foi recontado. Por que a necessidade de tantas contagens?



Nossos sábios explicam através da comparação com um colecionador de moedas raras. O colecionador adora ficar admirando suas moedas. Ele conta e reconta várias vezes, mesmo já sabendo exatamente quantas moedas existem em sua coleção. O mesmo paralelo se aplica ao povo judeu. O amor de D'us pelo povo é tão grande que, mesmo sabendo quantas pessoas existem, Ele se alegra em recontá-las diversas vezes. E este amor entre D'us e o povo judeu é um dos principais temas da festa que se inicia após o Shabat, quando revivemos um dos momentos mais especiais do ano: Shavuót, o dia em que D'us se revelou diante de todo o povo judeu e nos entregou a Torá.



Para poder aproveitar bem o dia de Shavuót, precisamos entender o que a entrega da Torá realmente significou para o povo judeu. Há um Midrash interessante que diz que D'us, antes de entregar a Torá ao povo judeu, ofereceu-a a todos os outros povos, mas eles recusaram, pois não queriam se comprometer com um código de leis e conduta que implicava em mudanças de atitude. Somente após a recusa de todos os povos é que a Torá foi oferecida ao povo judeu e aceita incondicionalmente.



Deste Midrash fica uma grande pergunta. As Parashiót do começo da Torá, no livro de Bereshit, se alongam nos detalhes da vida dos nossos patriarcas, Avraham, Yitzchak e Yaacov, de quem recebemos uma incrível herança espiritual. Poderíamos pensar que nosso mérito de receber a Torá foi consequência do nível espiritual que eles alcançaram. Mas se a Torá foi oferecida para todos os povos, que não tinham nenhuma conexão com os nossos patriarcas, isto quer dizer que a descendência dos patriarcas não era pré-requisito para o recebimento da Torá. Portanto, para que D'us nos entregou o livro de Bereshit, que descreve a vida dos patriarcas, e não começou diretamente no livro de Shemot, na revelação de D'us e a entrega da Torá no Monte Sinai? Que diferença fez o elevado nível espiritual dos nossos patriarcas no relacionamento do povo judeu com D'us?



A resposta está em uma Mishná do Pirkei Avót, que ensina um importante fundamento sobre o relacionamento entre as pessoas: "Todo relacionamento de amor que é dependente de uma razão, quando a razão termina, o amor também termina. E todo relacionamento de amor que não é dependente de uma razão, não termina nunca" (Pirkei Avót 5:16). Mas como entender esta Mishná? Será que existe alguma maneira de uma pessoa amar outra sem nenhuma razão? Se não há nada especial, o que torna o relacionamento algo único e duradouro?



A verdade é que, no início, a construção de qualquer relacionamento depende de uma razão. Tanto se for uma razão física quanto emocional, esta razão é o que faz o relacionamento começar a florescer. Então o que a Mishná está ensinando? Que há dois tipos de relacionamento: aquele que continua dependente de alguma razão inicial, nunca se desenvolvendo para algo maior; e aquele que continua a se desenvolver até transcender a uma relação que não mais necessita daquela razão inicial. O amor que consegue transcender é o amor que durará para sempre, mas o amor que continua preso a uma razão inicial, quando a razão deixar de existir, o amor também deixará de existir.



Esta é a importância do livro de Bereshit, que descreve que os nossos patriarcas foram escolhidos por D'us por suas qualidades exemplares, por terem se destacado, em seus atos e escolhas, dentre toda a humanidade. Mas não apenas eles foram o motivo da escolha de D'us, eles foram capazes de transcender e transformar este relacionamento em um amor que duraria mesmo quando estas qualidades, que originaram a escolha, não mais existissem. Isto possibilitou que o pacto entre D'us e o povo judeu, firmado no Monte Sinai através da entrega da Torá, fosse eterno, mesmo quando o povo judeu não estivesse cumprindo as palavras da Torá.



O que conecta o povo judeu a D'us é que, através do esforço dos patriarcas, nós fomos elevados ao status de "Filhos". O esforço dos patriarcas é a fundação do nosso relacionamento com D'us. Quando o povo judeu transgrediu durante a história, como no caso do Bezerro de ouro, foi o mérito dos patriarcas que impediu que D'us quebrasse o pacto com o povo, como está escrito: "Moshé começou a suplicar diante de D'us... Retire a Sua raiva e não faça mal ao Seu povo. Lembre-se dos teus servos Avraham, Yitzchak e Yaacov, que Você jurou para eles..." (Shemot 32:11,13).



O que teria acontecido se os outros povos também tivessem recebido a Torá? Seria um pacto baseado em um compromisso mútuo, mas sujeito à revogação no caso de uma das partes quebrar o compromisso. Apenas o povo judeu conquistou, pelas fundações cavadas pelos nossos patriarcas, o mérito de construir um relacionamento eterno com D'us, que nunca foi e nunca será revogado. D'us pode ficar bravo quando o povo judeu se desvia dos caminhos corretos, como já ocorreu diversas vezes na história, quando sentimos a Sua fúria por termos nos afastado. Mas, apesar das dificuldades, o pacto com Ele nunca será quebrado.



Portanto, este é o verdadeiro valor de Shavuót. Devemos reviver neste dia o momento em que selamos um pacto de amor eterno com D'us, recebendo novamente a Torá. A Torá não deve ser algo do passado, uma lembrança dos nossos patriarcas, do alto nível em que chegaram. Deve ser parte de nossa vida, um manual de instruções, um modelo de onde podemos, com esforço e perseverança, chegar.



SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH



R' Efraim Birbojm

sexta-feira, 18 de maio de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5772

BS"D



OLHE SEMPRE PARA CIMA – PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5772 (18 de maio de 2012)



"O Rav Mendel foi enviado para a Sibéria, onde permaneceu um longo tempo preso. Foram anos muito difíceis, mas lá ele aprendeu uma importante lição, que levou para toda a vida.



Seu companheiro de cela era um senhor cuja profissão era caminhar na corda bamba. Sua especialidade era esticar uma corda entre dois edifícios altos e atravessá-la, diante do olhar maravilhado e ansioso dos espectadores. Quando conseguia chegar ao outro lado, era ovacionado pelo público. O Rav Mendel quis entender como ele conseguia realizar tal proeza e perguntou:



- Eu sempre tive uma grande curiosidade. Quando você está lá no alto, suspenso no ar, sem nenhum lugar para se apoiar, como você faz para manter o equilíbrio?



O equilibrista abriu um sorriso, como uma criança que revela seu segredo, e disse:



- É muito simples. Antes de começar a travessia, procuro do outro lado algum objeto e me concentro nele. Não ouso tirar meus olhos daquele objeto enquanto estou caminhando. Não olho nem para a direita e nem para a esquerda. Somente assim, concentrado no meu objetivo e sem tirar os olhos do objeto, é possível atravessar utilizando uma corda bamba"



Este é um grande ensinamento para nosso cotidiano. Nossa vida é como uma corda bamba, pois se não tomamos cuidado, podemos cair a qualquer momento. O segredo é focar em D'us, colocando toda nossa confiança Nele, para conseguirmos assim vencer os desafios e dificuldades da vida.

                       

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Behar e Bechukotai, que ensinam Mitzvót muito importantes. Por exemplo, a Parashá Behar começa com a Mitzvá de Shmitá, o Ano Sabático. Após seis anos de trabalho, os donos de terras em Israel não podem trabalhar em seus campos durante todo o sétimo ano, e devem deixá-los abertos a qualquer um que queira usufruir de seus frutos. Por um lado é uma Mitzvá muito difícil de ser cumprida, mas por outro lado é uma grande oportunidade espiritual, pois todos os que a cumprem da maneira correta conseguem enraizar no coração um dos fundamentos mais importantes do judaísmo: a Bitachon (confiança em D'us), a certeza de que D'us tem controle sobre tudo e cuida, de cada um de nós, com Hashgachá Pratid (Supervisão particular).



Quando um engenheiro constrói um prédio, precisa construir um sistema de distribuição de água, para que todos os moradores recebam, em seus apartamentos, água corrente para os mais diversos usos. As instalações de água são compostas por uma enorme caixa d'água localizada na cobertura, uma extensa rede de tubulações descendo pelo edifício e torneiras localizadas dentro dos apartamentos. Este sistema, se não for bem projetado e executado, pode trazer enormes dores de cabeça para os moradores. Por exemplo, o que aconteceria se o engenheiro, por desleixo, deixasse de fazer as tubulações? Mesmo se a caixa d'água estivesse cheia, os moradores não conseguiriam utilizar a água, mesmo abrindo as torneiras.



A Bitachón tem alguns pontos em comum com a tubulação de água de um edifício. Por exemplo, da mesma forma que a tubulação é o que faz a ligação entre a caixa d'água e as torneiras, assim também a Bitachón é a força que traz para o nosso mundo as Brachót criadas por D'us nos Mundos espirituais. Da mesma forma que não adianta abrir a torneira se não houver uma tubulação ligada até a caixa d'água, também não é possível receber Brachót sem que a pessoa desenvolva sua Bitachón.



Mas não é suficiente apenas fazer uma tubulação de qualquer jeito, sem o dimensionamento correto. Ela precisa ser larga, pois quanto mais largo for o tubo, maior a vazão de água que pode passar nele. Assim também é a Bitachón, a cada nível maior que chegamos, mais Brachót conseguimos trazer para este mundo.



E mais um ponto em comum interessante é que a tubulação de água precisa ser íntegra, isto é, sem furos ou rachaduras, pois nestes furos e rachaduras a água vaza e não chega às torneiras. Assim também a nossa Bitachón deve ser completa, devemos tirar do nosso coração qualquer dúvida ou insegurança, pois as dúvidas e inseguranças são sinais de que a nossa Bitachón ainda não é tão completa quanto deveria ser.



Mas como saber se estamos crescendo em Bitachón? Como saber, na prática, se a nossa Bitachón é completa ou se ainda temos "furos na nossa tubulação"? O livro "Chovot Halevavot" (Deveres do coração) ensina que há um indicador do nível de Bitachón: a tranquilidade da pessoa, mesmo diante dos testes e das dificuldades. A pessoa com elevado nível de Bitachón não se desespera diante de uma dificuldade ou sofrimento, ao contrário, fica tranquila e em silêncio, sem reclamações ou cobranças, pois sabe que tem em quem se apoiar, sabe que pode contar com o Criador, que controla todo o universo e nos criou apenas por bondade.



Porém, será que podemos aplicar este conceito à Mitzvá de Shmitá? Pois assim está escrito: "E se vocês disserem: O que vamos comer no sétimo ano, já que não vamos semear nem recolher nossas colheitas? Eu ordenarei Minha benção no sexto ano e farei com que tenham uma colheita para os três anos" (Vayikra 25:20,21). O que aprendemos destes versículos? Que as pessoas que questionarem D'us no ano de Shmitá, dizendo "O que comerei", receberão no sexto ano uma produção tripla, suficiente para os três próximos anos, até que a pessoa possa voltar a produzir e a colher suas frutas. Já as pessoas que não questionarem D'us, de acordo com os versículos, não receberão nada a mais de produção no sexto ano.



Estes versículos, portanto, despertam grandes questionamentos. Como se sustentam as pessoas que não questionam D'us, no ano de Shmitá e no ano seguinte? E como entender os ensinamentos sobre Bitachón se o que os versículos sugerem é justamente o oposto do foi ensinado, pois o correto seria a pessoa ficar tranqüila e quieta, com a certeza de que D'us cuidaria de suas necessidades, e qualquer questionamento seria um sinal de falta de Bitachón. Então por que a Torá diz que justamente uma produção tripla viria para aqueles que questionassem D'us, enquanto aqueles que não questionassem receberiam a mesma quantidade de produção?  Isto não é completamente contraditório?



Explica o Sforno, comentarista da Torá, que havia duas maneiras da pessoa ter seu sustento garantido durante o ano de Shmitá e o ano seguinte. Uma maneira era a Brachá de D'us que fazia com que a produção no sexto ano fosse tripla. Mas esta Brachá vinha junto com grande dificuldade e esforço, pois no sexto ano a pessoa precisava trabalhar de maneira exaustiva, três vezes mais do que nos outros anos. Porém, havia outra maneira da pessoa ter seu sustento. Para as pessoas que não questionavam, D'us mandava Suas Brachót de maneira oculta, isto é, a pessoa trabalhava e colhia no sexto ano exatamente a mesma quantidade de comida, mas as coisas milagrosamente duravam 3 anos, pois a pessoa se saciava com muito menos.



Portanto, há uma grande diferença entre aquele que se cala e confia em D'us e aquele que reclama. Aquele que tem Bitachón recebe a verdadeira Brachá, de se saciar com o que já tem, sem nenhum esforço extra. Já aquele que reclama recebe, junto com o sustento, o triplo de trabalho e esforço. A reclamação demonstra falta de Bitachón e, por isso, mesmo que a pessoa receba seu sustento, recebe com um nível de Brachá muito menor.



Explica o livro "Lekach Tov" algo ainda mais profundo. Na realidade, a pessoa que reclama com D'us destrói sua tubulação espiritual, não merecendo mais receber, por seus méritos, as Brachót que estavam guardadas para ela no Céu. Então por que acontecia o milagre da produção tripla? Por causa de uma regra espiritual que "quando uma pessoa se ocupa de uma Mitzvá, nenhum mal pode atingi-la". Isto é, como a pessoa está cumprindo a Mitzvá de Shmitá, a Mitzvá a protege de passar fome e por isso a comida vêm, mas junto com um enorme esforço. A verdadeira Brachá, que traria toda a comida necessária sem nenhum esforço a mais, ela não merece, por ter destruído sua Bitachón.



E assim disse o profeta Irmiahu: "Bendito é o homem que confia em D'us" (Irmiahu 17:7). Quando a pessoa confia em D'us, ela torna-se uma pessoa bendita, isto é, merita todas as Brachót do Céu. E como ela demonstra que confia em D'us? Mantendo-se tranquilo e confiante mesmo diante das dificuldades, sabendo que não há nenhuma necessidade de se preocupar.



Este é um grande ensinamento para nossas vidas. Nossa falta de Bitachón nos faz sofrer por antecipação. Imaginamos que coisas terríveis vão acontecer e, na maioria das vezes, nossas previsões negativas não se cumprem. Perdemos a esperança, desistimos fácil demais. Portanto, aquele que tem Bitachón vive mais tranquilo, mais feliz, e garante que todas as Brachót guardadas para ele no Céu chegarão, mais cedo ou mais tarde, para beneficiá-lo.



"Obstáculos são aquelas coisas assustadoras que você vê quando tira os olhos da sua meta"



SHABAT SHALOM



R' Efraim Birbojm

sexta-feira, 11 de maio de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EMOR 5772

BS"D



SANTIFICANDO O NOME DE D'US - PARASHÁ EMOR 5772 (11 de maio de 2012)



"O Sr. Grunenbaum era o chefe de uma família ortodoxa que vivia na cidade de Bnei Brak, em Israel. Além de cumprir com alegria as Mitzvót da Torá, ele tinha uma vontade muito grande de ajudar pessoas afastadas a conhecer um pouco mais dos preciosos ensinamentos da Torá. Mas infelizmente uma das famílias que ele tinha mais dificuldade em ajudar eram justamente seus cunhados, os Weisberg, que não aceitavam seus convites para o Shabat e não estavam abertos para escutar o que ele tinha para ensinar.



Depois de diversas recusas, certa vez os Weisberg aceitaram o convite de passar um Shabat em Bnei Brak. Eles comeram todas as refeições juntos, conversaram bastante, foi um dia muito agradável, mas os Weisberg não queriam nem escutar nada sobre Torá e Mitzvót.



Quando o Shabat terminou, os Grunenbaum acompanharam os Weisberg até o ponto de ônibus, e não sentiram neles nenhuma abertura ou vontade de conhecer mais sobre o judaísmo. De repente, a Sra. Weisberg parou e perguntou para a Sra. Grunenbaum:



- Que ruído é este? - referindo-se a um forte som de vozes que ficava cada vez mais alto.



- Este ruído vem de uma das sinagogas do bairro - respondeu a Sra. Grunenbaum - Tem alguém na cidade muito doente, e centenas de pessoas se juntaram na sinagoga para dizer Tehilim (Salmos) pela recuperação dela. Na verdade, depois de deixar vocês no ponto de ônibus, eu pretendo me juntar a eles também.



- Mas você sabe quem é a pessoa doente? - Perguntou a Sra. Weisberg.



- Não. E a grande maioria das pessoas que estão agora na sinagoga também não a conhecem. Todos sabem apenas que é alguém muito doente que precisa das nossas rezas - respondeu a Sra. Grunenbaum.



- Quer dizer que você vai abrir mão do seu Sábado à noite por alguém que você nem mesmo conhece? - perguntou a Sra. Weisberg, espantada.



- Sim, pois é isto o que a Torá nos ensina que é correto fazer nesta situação – respondeu, com simplicidade, a Sra. Grunenbaum



O contraste era tão grande entre as pessoas de Bnei Brak, tão desprendidas e prontas para ajudar ao próximo, das pessoas egoístas que moravam no bairro da Sra. Weisberg, em Tel Aviv, que isto tocou o coração dela profundamente. E alguns anos depois os Weisberg haviam voltado para suas raízes judaicas"



As pessoas que naquela noite foram à sinagoga de Bnei Brak rezar pela cura física de um doente também ajudaram outra família a encontrar o seu caminho espiritual. Eles fizeram um grande "Kidush Hashem" (Santificaram o nome de D'us).

                       

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Um dos assuntos da Parashá desta semana, Emor, é a santidade com a qual devem ser tratadas as oferendas do Beit-Hamikdash (Templo). Por exemplo, a Torá descreve algumas imperfeições que desqualificavam um animal de ser oferecido como Korban (sacrifício). Depois disso a Torá novamente menciona algumas leis sobre o "Korban Todá", que era oferecido por uma pessoa que havia escapado de algum perigo de vida. E assim está escrito: "Quando vocês oferecerem um Korban Todá para D'us, vocês devem oferecê-lo de forma que seja aceito em favor de vocês... Eu sou D'us. Vocês devem observar Meus mandamentos e cumpri-los, Eu sou D'us. Você não deve denegrir Meu nome sagrado, ao contrário, Eu devo ser santificado diante dos filhos de Israel, Eu sou D'us" (Vayikrá 22:29-32).


Mas destes versículos surgem algumas perguntas interessantes. Em primeiro lugar, quando todos os Korbanót foram descritos na Parashá Vayikrá, para cada um deles está escrito que ele deve ser sacrificado "de forma que seja aceito em favor de vocês". O que há de especial no Korban Todá, já que a Torá precisou enfatizar outra vez que este Korban deveria ser feito "de forma que seja aceito em favor de vocês"? Além disso, por que a frase "Eu sou D'us" é repetida tantas vezes? E finalmente, qual a conexão entre o Korban Todá e o ato de Santificar o nome de D'us?


Explica o Rav Rafael Yom Tov Lipman Hilfrin que devemos nos lembrar em todos os instantes que D'us nos criou a partir do nada, isto é, sem Ele nem mesmo existiríamos. Todas as nossas forças e aptidões, físicas e espirituais, recebemos Dele. Além disso, além Dele ter nos criado, é Ele que nos mantém a cada instante, e não haveria possibilidade de vida na Terra sem que a vitalidade fluísse Dele de maneira constante e ininterrupta.


De acordo com estes princípios, racionalmente não teríamos nenhuma possibilidade de nos levantar contra D'us e fazer algo contra Sua vontade, já que toda a nossa vitalidade e o movimento dos nossos membros dependem Dele. Mas D'us nos fez uma grande bondade. Quando Ele criou o Mundo material, Ele colocou dentro de nós a livre escolha, isto é, a possibilidade de fazer atos contra a Sua vontade. Porém, que tipo de bondade é esta? O que a possibilidade de fazer o que vai contra D'us nos acrescenta?



Se não tivéssemos livre escolha, não teríamos nenhum mérito pelos nossos bons atos. Com o surgimento da possibilidade de nos desviarmos dos caminhos corretos, cada vez que fazemos as escolhas corretas e cumprimos a vontade de D'us, recebemos uma recompensa pela nossa escolha. Assim conseguiremos meritar nossa eternidade no Mundo Vindouro através dos bons atos que escolhermos acumular.


O Korban Todá era trazido por uma pessoa que queria agradecer a D'us por ter se salvado após ter passado por alguma situação em que sua vida esteve em perigo, como em uma doença ou uma viagem perigosa. Mas qual a definição judaica de vida? Será que uma pessoa que anda e fala é chamada de viva? Não, pois segundo o judaísmo, o conceito de vida verdadeira vai muito além dos sinais vitais. Como a passagem neste mundo é algo apenas temporário e nossa vida verdadeira será no Mundo Vindouro, nossa eternidade depende de como nos comportaremos neste mundo.



Por que no Korban Todá está escrito outra vez "de forma que seja aceito em favor de vocês"? A linguagem "Todá" vem da mesma raiz de "Hodaá", que significa admitir. Somente é considerado que alguém admitiu algo quando existe a possibilidade da negação. O Korban é uma declaração de que, apesar da possibilidade de se voltar contra D'us, de negar os caminhos corretos, a pessoa estava escolhendo seguir os caminhos de D'us. É a admissão de que tudo vem Dele, Ele é a causa de todas as causas, o motivo de todos os motivos. Não queremos que apenas nosso Korban seja aceito, mas sim que nossas escolhas de vida sejam aceitas por D'us em nosso favor, em benefício da nossa vida verdadeira, a vida eterna.



É por isso que o termo "Eu sou D'us" se repete tantas vezes. Antes do comando de cumprir as Mitzvót ele aparece duas vezes, uma pelo reconhecimento de que D'us é o Criador, que nos criou a partir do nada, e a outra é pelo reconhecimento de que é Ele quem nos mantém a cada instante. Declaramos que o propósito de nossa vida é seguir as Mitzvót e os ensinamentos Daquele que nos criou e nos mantém a cada instante.



Portanto, quando a pessoa trazia um Korban Todá, não estava apenas agradecendo que D'us a manteve viva. Estava agradecendo a oportunidade de seguir vivendo uma vida verdadeira, uma vida de reconhecimento, uma vida com os princípios éticos e morais da Torá. De nada adiantaria a pessoa escapar de um acidente e continuar, por dezenas de anos, indo contra o que o seu Criador ensinou, sem acumular méritos para sua vida verdadeira.



Quando a pessoa chega neste nível de entendimento, de que toda sua existência depende de D'us, esta pessoa está pronta a santificar o nome de D'us em todas as situações, sendo em vida e, se necessário, morrendo por isso. Pois o versículo termina com "Eu sou D'us" para nos ensinar que Ele, e apenas Ele, é o dono da vida e da morte.



Não precisamos morrer em um ato de heroísmo para santificarmos o nome de D'us. Se for necessário, devemos estar prontos para dar a vida por isso, mas podemos viver de maneira a santificar o nome de D'us a cada instante. Ao cumprirmos as Suas leis, nos transformamos em pessoas melhores a cada dia. Podemos nos tornar exemplos de bondade, de preocupação com o próximo e de respeito, em um mundo cada vez mais egoísta. Assim, além de ajudar a nós mesmos, ajudaremos a tantos outros que ainda não conhecem os caminhos corretos mas que, de maneira subconsciente, estão em busca de respostas.



SHABAT SHALOM



R' Efraim Birbojm