quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

QUANDO VOCÊ DOA, QUEM GANHA? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TERUMÁ 5783

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Sr. Gabriel David ben Rachel
Haim David ben Esther
Chaim Michael ben Matania

--------------------------------------------------------


O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de 
Haviva Bina bat Moshe z"l  

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
NEWSLETTER R' EFRAIM BIRBOJM
NEWSLETTER EM PDF
NEWSLETTER EM PDF
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT


PARASHÁ TERUMÁ



         São Paulo: 18h19                  Rio de Janeiro: 18h05 

Belo Horizonte: 18h05                  Jerusalém: 16h57
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
Spotify
Spotify

MENSAGEM DA PARASHÁ TERUMÁ

ASSUNTOS DA PARASHÁ TERUMÁ
  • Doações para a construção do Mishkan.
  • Aron Hakodesh e a Kaporet.
  • Shulchan.
  • Menorá.
  • 3 coberturas do Ohel Moed.
  • Tábuas (estrutura do Ohel Moed).
  • Parochet e Tela de entrada.
  • Mizbeach.
  • Pátio.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D
QUANDO VOCÊ DOA, QUEM GANHA? - PARASHÁ TERUMÁ 5783 (24/fev/23)

Nos anos 80, no auge da intifada, um soldado israelense chamado Ariel estava dirigindo um jipe do exército perto da cidade árabe de Ramala. De repente, um tiro disparado por um terrorista acertou-o em cheio. Ele caiu do jipe e seu corpo ficou estirado no asfalto. O terrorista, confiante que havia matado Ariel, fugiu. Alguns momentos depois, Yehoshua, um jovem israelense, estava dirigindo naquela estrada e avistou Ariel. Ele desceu do carro rapidamente, carregou Ariel até o seu carro e correu ao hospital israelense mais próximo. O setor de emergência estava a postos quando Yehoshua chegou com o ferido. Médicos e enfermeiras trabalharam em sintonia e com eficiência, realizando todos os procedimentos necessários para salvar a vida do soldado.

Vendo que a situação de Ariel parecia estar sob controle, Yehoshua saiu da UTI e foi embora para casa. Ele não estava procurando agradecimentos ou reconhecimento. Ele sentia que o que havia feito era o que qualquer judeu teria feito no lugar dele. Os pais de Ariel chegaram cerca de duas horas depois. Os médicos lhes disseram que, apesar de Ariel ter chegado em condições críticas e ter perdido muito sangue, ele teria boas chances de sobreviver. Quando os pais de Ariel perguntaram quem havia trazido seu filho, ninguém soube responder.

Após duas semanas, Ariel deixou o hospital e continuou seu tratamento em casa, que ficava em Ashdod. Sua mãe, a Sra. Sara, que era proprietária de um mercado, colocou um anúncio lá, perguntando se alguém tinha alguma informação a respeito da identidade do rapaz que havia salvado a vida de seu filho, para agradecê-lo pessoalmente. O anúncio ficou pendurado durante meses, mas ninguém apareceu com informações. Mesmo assim, a Sra. Sara deixou o anúncio pendurado na loja, como uma lembrança diária de sua gratidão a D'us.

Um ano após o acidente, a Sra. Esther, mãe de Yehoshua, foi fazer compras no mercado da Sra. Sara. Ela havia morado em Ashdod, porém havia se mudado há alguns anos para a cidade de Ranana e estava de passagem para visitar algumas amigas. Ela logo deparou-se com o anúncio procurando o salvador anônimo do soldado Ariel. Será que estavam falando do seu filho Yehoshua? Na época, ele havia lhe contado sobre um soldado ferido que ele havia ajudado a levar ao hospital. Ela se lembrava de ter ficado orgulhosa por ele não ter procurado reconhecimento ou agradecimentos. A Sra. Esther dirigiu-se ao caixa e perguntou com quem ela poderia falar a respeito do anúncio. A Sra. Sara, que estava no caixa, quis saber se ela tinha alguma informação a respeito. A Sra. Esther disse com voz trêmula: "Pouco mais de um ano atrás, meu filho Yehoshua voltou para casa me contando a respeito de um soldado que ele havia socorrido em uma estrada perto de Ramala. Pode ser que era seu filho?". As duas mulheres trocaram informações sobre o incidente e logo ficou claro que, de fato, Yehoshua era o salvador de Ariel. As mulheres se abraçaram, emocionadas.
 
Porém, o mais incrível ainda estava por vir. Enxugando as lágrimas, a Sra. Esther perguntou quantos anos tinha Ariel. A Sra. Sara respondeu que Ariel estava com 21 anos. A senhora Esther tentou conter as lágrimas.
 
- Você não se lembra de mim? - perguntou a Sra. Esther - Cerca de 22 anos atrás, nós duas estávamos grávidas. Na época eu ainda morava aqui em Ashdod. Eu já tinha dois filhos e não queria ter outro. Meu médico havia dito que poderia providenciar o aborto. Você escutou minha conversa com uma amiga e me chamou, tentando a todo custo me convencer a não abortar, a não terminar com a vida do meu filho antes dela começar. No início eu não queria escutar o que você me dizia, mas você não desistia! Até que, finalmente, você conseguiu me convencer. O querido filho que eu dei à luz foi o Yehoshua.

A Sra. Esther fez uma pausa, respirou fundo e disse as palavras que a Sra. Sara nunca mais iria esquecer: "Com suas palavras você salvou o meu filho e, anos depois, o meu filho salvou o seu filho!"

A Parashá desta semana, Terumá (literalmente "Porção"), descreve as instruções de D'us para a construção do Mishkan, o Templo Móvel que acompanhou o povo judeu durante os 40 anos no deserto. E a Parashá começa nos ensinando que o povo judeu foi "convidado" a participar da construção do Mishkan, trazendo doações de materiais, como está escrito: "Peguem para Mim uma porção" (Shemot 25:2). Porém, há algo estranho com a linguagem do versículo. A expressão mais apropriada seria "Deem para Mim", e não "Peguem para Mim". Por que esta mudança?

Em um nível mais simples, podemos explicar que, como D'us de fato é o Dono de tudo, é impossível falar em dar algo para Ele. O verbo "dar" normalmente implica que eu sou o proprietário e estou transferindo a propriedade para outra pessoa. Portanto, quando falamos sobre o Criador do Universo, não utilizamos a expressão "dar", e sim "pegar". Como D'us já é o Dono de tudo, quando doamos nós meramente "permitimos" a Ele pegar o que já é Dele.
 
O dinheiro que a pessoa tem, portanto, não é de fato sua propriedade, e sim um depósito colocado em suas mãos por D'us, para ser administrado da maneira correta. Aquele que utiliza sua riqueza apenas para si mesmo pode ser comparado a uma mosca aprisionada em uma caixa contendo açúcar. A mosca pode comer o quanto desejar, porém nunca poderá deixar a caixa levando o açúcar. Uma pessoa que foi abençoada com muitos bens materiais neste mundo pode viver com conforto, porém não poderá levá-los com ela para fora deste mundo. A única maneira de levar dinheiro para o Olam Habá é utilizando-o para fazer Mitzvót. O Talmud (Baba Batra 11a) descreve um incidente envolvendo o Rei Munbaz, que distribuiu todos os seus tesouros e os tesouros de seus ancestrais nos anos de seca, dando o dinheiro aos pobres. Seus irmãos e a família de seu pai se uniram contra ele para protestar contra suas ações, e disseram-lhe: "Seus antepassados ​​acumularam dinheiro em seus tesouros e adicionaram aos tesouros de seus antepassados, e você está distribuindo tudo aos pobres?". O Rei Munbaz disse a eles: "Não, meus ancestrais armazenaram aqui embaixo, enquanto eu estou armazenando lá em cima. Meus ancestrais guardaram tesouros em um lugar onde a mão humana pode alcançar, e assim seus tesouros poderiam ter sido roubados, enquanto eu estou guardando tesouros em um lugar onde a mão humana não pode alcançar, e assim eles estão seguros". O único dinheiro que verdadeiramente pertence ao homem no Mundo Vindouro é o que ele dá para Tzedaká. Por isso, a pessoa não dá o donativo, e sim o recebe, quando o transforma em Mitzvá.
 
O Rav Shlomo Breuer zt"l (Hungria, 1850 - Alemanha, 1926) também traz uma reflexão profunda sobre esse conceito de "pegar um donativo". Sempre quando "doamos", isto é, fazemos Chessed com o dinheiro, estamos de fato fazendo mais para nós mesmos do que para a pessoa a quem estamos doando. Nos ensina o Midrash: "Mais do que o dono da casa faz pela pessoa pobre, a pessoa pobre faz pelo dono da casa". Ao fazer uma doação, o dinheiro que o pobre recebe é temporário. Talvez pague a próxima refeição ou parte do aluguel. É algo finito. Por outro lado, a pessoa que doa, além de adquirir o Mundo Vindouro, recebe outro enorme benefício: ela adquire o efeito positivo que este ato de doação provoca em sua personalidade, em sua alma e em sua autoestima. Ao ajudar outras pessoas, portanto, estamos recebendo muito mais do que estamos doando.

O Rav Breuer ressalta que a primeira vez que encontramos um ato de Chessed de um ser humano na Torá foi com Avraham Avinu e seus convidados, que na verdade eram anjos disfarçados. Ao observarmos os detalhes dos atos de Avraham, perceberemos algo interessante. A Torá também utiliza a expressão "pegar" nos atos de Chessed de Avraham. Por exemplo: "que seja pego um pouco de água" (Bereshit 18:4) ou "Eu vou pegar pão" (Bereshit 18:5). Avraham deveria ter dito "que seja dada um pouco de água" e "Eu darei pão"! A resposta é que Avraham estava ensinando uma lição aos seus descendentes: "Meus filhos, vocês devem saber, para todas as futuras gerações, que quando você ajuda alguém, você não está dando, você está recebendo". Quando uma pessoa ajuda outra, ela faz mais por si mesma do que pela outra. É isso que a Torá está nos ensinando com a expressão "Pegue para Mim uma porção". Não importa se a pessoa doa para uma instituição ou para um indivíduo necessitado, o doador realmente está recebendo muito mais do que está doando.

Ensina o Rav Simcha Cohen que muitos louvores são mencionados na Torá em relação àquele que dá Tzedaká. Por exemplo, está dito que por este mérito são rasgados maus decretos Celestiais, a pessoa é salva da morte e ajuda as rezas da pessoa a serem recebidas por D'us, entre outros benefícios. Por que a Tzedaká é tão exaltada? Pois ela traz benefícios a quem recebe, mas também para quem doa. Ela ajuda a pessoa que está passando por dificuldades físicas e psicológicas, e ajuda a pessoa que doou a se desconectar do seu dinheiro, algo que é extremamente difícil. Portanto, o doador também se eleva com seu ato.
 
Nos ensina o Talmud (Baba Batra 9b): "Todo aquele que dá um pequeno valor a um pobre recebe seis Berachót, mas aquele que o encoraja com palavras recebe onze Berachót". Portanto, mesmo que uma pessoa não tenha dinheiro, ela pode ainda assim cumprir a Mitzvá de Chessed com palavras de consolo e incentivo ao necessitado. Mas por que recebe ainda mais Berachót? Pois é mais fácil tirar dinheiro do bolso do que doar apoio emocional ao próximo. A fala é um dos fundamentos da nossa alma. Doar palavras de incentivo e apoio é, portanto, como doar parte de si mesmo. Além disso, apesar de ser inegável a importância de darmos dinheiro aos necessitados, sem nenhuma dúvida é ainda mais importante darmos apoio emocional, incentivo e elogios. Muitas vezes isso pode salvar vidas e impedir pessoas de fazerem atos impensados. Ajude sempre, com o que você puder. Mas o principal é que seja com o coração. 

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

RECOMPENSA DAS MITZVÓT - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ MISHPATIM 5783

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Sr. Gabriel David ben Rachel
Haim David ben Esther
Chaim Michael ben Matania

--------------------------------------------------------


O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de 
Haviva Bina bat Moshe z"l  

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
NEWSLETTER R' EFRAIM BIRBOJM
NEWSLETTER EM PDF
NEWSLETTER EM PDF
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT


PARASHÁ MISHPATIM



         São Paulo: 18h24                  Rio de Janeiro: 18h11 

Belo Horizonte: 18h09                  Jerusalém: 16h51
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
Spotify
Spotify

MENSAGEM DA PARASHÁ MISHPATIM

 
ASSUNTOS DA PARASHÁ MISHPATIM
  • O Escravo judeu.
  • "Venda" da filha e a escrava judia.
  • Assassinato.
  • Agressão e injúria aos pais.
  • Morte de Escravos.
  • Penas por agressão física.
  • Morte causada por um animal.
  • Autodefesa.
  • Danos com animais.
  • Danos com fogo.
  • Os 4 tipos de Shomrim.
  • Sedução.
  • Práticas Ocultas.
  • Idolatria e Opressão.
  • Empréstimo de Dinheiro.
  • Aceitação da Autoridade.
  • Justiça.
  • Animais Perdidos.
  • Animal Caído.
  • Shalosh Regalim.
  • Promessas e Instruções.
  • A Terra.
  • Selando a Aliança.
  • Aceitação da Autoridade (Naasê Ve Nishmá).
  • Visão de D'us.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D
RECOMPENSA DAS MITZVÓT - PARASHÁ MISHPATIM 5783 (17/fev/23)

"Shmuel era um ótimo pai e um marido muito presente. Todos os dias ele levava e buscava na escola seu filho de cinco anos, Shaul. Além disso, todos os dias ele ajudava sua esposa com os afazeres domésticos, ajudava Shaul a se trocar e dava comida para ele. Certo dia, quando Shmuel estava conversando com um de seus vizinhos, ele desabafou:

- Já não sei mais o que fazer. Acho que meu filho está doente. Ele não come nada! Eu fico horas tentando fazer com que ele abra a boca e coma, mas ele se recusa. Estou desesperado!

- Fique tranquilo - disse o vizinho - Eu já sei como resolver seu problema, não se preocupe. Na hora do jantar eu irei à sua casa.

No começo da noite, o vizinho veio visitar Shaul. Ele chegou com um embrulho lindo e disse:

- Shaul, tenho aqui um lindo presente. Porém, ele somente será seu se você comer tudo o que estiver no prato.

Shaul, ao ver aquele lindo embrulho, se empolgou. Para a surpresa de Shmuel, seu filho abria a boca para comer colheradas cheias, uma após a outra.
 
Após limpar o prato, o vizinho deu a Shaul o presente e foi falar com Shmuel, orgulhoso por sua incrível tática vitoriosa. Mas Shmuel não estava feliz. Com uma enorme tristeza estampada no rosto, ele disse:

- O que eu vi apenas confirma minhas preocupações com a saúde do meu filho. Se ele estivesse realmente saudável, comeria para satisfazer seu apetite, não porque estava ansioso para ganhar um presente..."

Assim também acontece conosco. Da mesma forma que a comida é o alimento do corpo, a Torá e as Mitzvót são o alimento da alma. E da mesma forma que sentimos fome quando nosso corpo precisa de alimento, também deveríamos naturalmente sentir "fome" de alimentar a nossa alma. Portanto, aquele que cumpre as Mitzvót apenas pensando na recompensa que receberá demonstra que não está espiritualmente saudável.

Na Parashá desta semana, Mishpatim (literalmente "Leis"), a Torá traz muitas leis, em especial "Bein Adam Lehaveiro" (entre a pessoa e seu companheiro), que nos ajudam a viver com justiça e harmonia. Mas por que estas leis vêm logo depois da entrega dos Dez Mandamentos no Monte Sinai, que lemos no final da Parashá da semana passada? Poderíamos pensar que estas leis "Bein Adam Lehaveiro" foram criadas por Moshé ou por sábios do povo que, com as melhores intenções, queriam garantir uma convivência pacífica e harmônica do povo. Porém, seriam apenas leis civis, limitadas, feitas por seres humanos. A proximidade dos assuntos nos ensina que, da mesma forma que os Dez Mandamentos foram entregues por D'us no Monte Sinai, assim também todas estas leis "Bein Adam Lehaveiro" vieram do Monte Sinai. Assuntos como pagamento de danos, empréstimo de dinheiro, devolução de objetos perdidos, entre outros, são ensinamentos Divinos, não humanos e, portanto, há uma enorme perfeição em cada um deles, muito acima da lógica humana.

Por exemplo, um dos assuntos "Bein Adam Lehaveiro" trazidos nesta Parashá é o conceito de "Shomer". Um "Shomer" é alguém que cuida de um objeto que pertence a outra pessoa. Mas por que é necessário leis para isso? Pois quando uma pessoa assume a tarefa de cuidar de um objeto que pertence ao seu companheiro, automaticamente ela torna-se responsável por este objeto e responde perante a lei por consequências negativas que possam ocorrer. É extremamente importante ter esta claridade pois, quando falamos de um objeto, pode ser desde algo muito simples e barato, como uma caneta Bic, até algo extremamente caro, como uma Ferrari. Portanto, caso o "Shomer" seja negligente, ou até mesmo menos cuidadoso do que deveria ser, ele precisará ressarcir ao dono os eventuais danos causados ao objeto, como perda, furto, roubo ou quebra.

Para entendermos o quanto isso é algo frequente em nossas vidas, quando uma pessoa pede para guardarmos um objeto enquanto ela vai resolver algo e nós aceitamos fazer esta gentileza, durante o tempo de ausência do dono nos tornamos "Shomrim" e, portanto, legalmente responsáveis por aquele objeto. Recentemente o dono de uma rara Lamborghini emprestou seu carro para que fosse feito um vídeo de um canal do Youtube. O piloto que pediu o carro emprestado acabou batendo a Lamborghini, causando um prejuízo de quase trezentos e cinquenta mil reais. O dono ameaçou processar o piloto, e ele acabou pagando o prejuízo, conforme seria o veredicto de acordo com a Torá.

Os "Shomrim" se dividem em quatro categorias: "Shomer Chinam" (alguém que guarda um objeto sem receber nenhum pagamento por isso), "Shomer Sachar" (alguém que guarda um objeto, mas recebe um pagamento por isso), "Socher" (alguém que aluga, ou seja, a pessoa paga para ter proveito do objeto) e "Shoel" (alguém que pega algo emprestado, isto é, a pessoa não paga nada pelo benefício do objeto).

Porém, além do conceito físico, há também uma implicação espiritual neste conceito. De uma maneira geral, todos nós somos "Shomrim", pois estamos em um mundo que pertence a D'us, e é nosso dever cuidar dele. Mas como fazemos isso? Quando Adam foi colocado no Gan Éden, recebeu o comando de "trabalhar e cuidar do Jardim". Poderíamos pensar que o versículo se refere a atos de jardinagem, mas nossos sábios explicam que se refere ao estudo da Torá e ao cumprimento de Mitzvót, pois no Gan Éden não era necessário trabalhar a terra. Através do estudo da Torá e do comprimento das Mitzvót, estamos cuidando do mundo que D'us criou.

Baseado neste conceito, o Rav Yeshaia Halevi Horovitz zt"l (República Checa, 1555 - Israel, 1630), mais conhecido como "Shla Hakadosh", explica que os quatro "Shomrim" simbolizam quatro formas diferentes de servir a D'us. O nível mais elevado é o "Shomer Chinam", pois ele se propõe a guardar o objeto sem pedir nada em troca, apenas para agradar o dono. Isso se compara a uma pessoa que serve D'us com total dedicação, cumprindo as Mitzvót com o único objetivo de cumprir Sua vontade, sem esperar nenhuma recompensa em troca. O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) define esta pessoa como sendo um "Oved Meahava", isto é, uma pessoa que serve D'us por amor.

O segundo nível é o "Shomer Sachar". Neste caso, a pessoa também se dedica ao máximo para cuidar e guardar o objeto do dono. Porém, ela espera algum pagamento em troca. Este nível se compara à pessoa que estuda Torá e cumpre as Mitzvót com toda a dedicação e fervor, mas esperando receber uma recompensa em troca.

O terceiro nível é o "Socher", aquela pessoa cujo principal objetivo é ter proveito do objeto. Porém, para isso ela deve pagar para o dono. Isso se compara à pessoa cuja vontade principal é aproveitar os prazeres deste mundo. Porém, como ela sabe que é D'us que provê tudo, então ela estuda Torá e cumpre as Mitzvót como forma de "pagar" a D'us por todo o bem que Ele lhe dá.

O quarto nível é o "Shoel", a pessoa que apenas aproveita do objeto e nem sequer sente necessidade de pagar. Isso se compara a uma pessoa que quer apenas aproveitar este mundo, e não sente sequer a necessidade de "pagar" por isso. Porém, há um detalhe interessante que chama a atenção. Vemos que o "Shoel", apesar do seu comportamento, está incluído dentro do grupo dos "Shomrim". Isso significa que não se trata de um perverso, alguém que apenas busca prazeres na vida e não cumpre suas obrigações. Trata-se certamente de alguém que cumpre Torá e Mitzvót. Porém, ele não sente ligação entre o seu cumprimento de Torá e Mitzvót com as Berachót que D'us lhe dá. Ele acredita que todas as Berachót que tem na vida vêm pelo seu esforço e pelo seu próprio merecimento. Por isso ele não sente que tem absolutamente nenhuma obrigação de "pagar".

Quando nascemos, somos egoístas, só pensamos em receber, em aproveitar. Como o bebê, que acorda de madrugada com fome e não se importa de acordar seus pais para atender seus desejos, e não sabe sequer agradecer. Porém, nosso trabalho neste mundo é subirmos aos poucos de categoria, aprendendo a dar valor para tudo o que recebemos, em especial de D'us, e aprendendo sobre as nossas obrigações e responsabilidades. Uma criança nasce como um "Shoel", que quer apenas receber e não se importa com suas obrigações e responsabilidades. Conforme vamos crescendo, devemos mudar nosso comportamento, até um dia chegarmos ao nível de um "Shomer Chinam", aquele que pensa nas suas obrigações sem pensar nos seus direitos.

Além da nossa obrigação de cuidar deste mundo, pois ele não é nosso, cada um de nós também é um "Shomer" da sua Neshamá, a alma que D'us nos deu, que é uma parte Dele. Devemos cuidar dela, não apenas para não contaminá-la com as coisas negativas deste mundo, mas também para elevá-la diariamente, através do estudo da Torá e do cumprimento das Mitzvót, para coloca-lá em um nível ainda mais elevado do que estava quando desceu ao mundo. Nossos sábios ensinam um interessante conceito: "Yeridá Letzorech Aliá". Literalmente isso significa "uma descida para uma necessidade de elevação". É o que fazemos, por exemplo, nas férias, quando diminuímos um pouco o nosso ritmo de estudo de Torá para descansarmos o corpo e a cabeça, mas com o único intuito de voltarmos com mais energia e estudarmos ainda melhor. Porém, podemos aplicar este conceito à nossa alma. A descida da alma para este mundo é, na realidade, para uma necessidade de elevação, para que possamos sair deste mundo, através da Torá e das Mitzvót, com ela ainda mais elevada do que entrou.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp