quinta-feira, 8 de setembro de 2022

APRENDENDO COM OS ANIMAIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TETSÊ 5782

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MENSAGEM DA PARASHÁ KI TETSÊ

ASSUNTOS DA PARASHÁ KI TETSÊ
 
  • Mulheres cativas de guerra
  • A porção do Primogênito.
  • O Filho Rebelde.
  • Enforcamento e enterro do corpo.
  • Devolução de objetos perdidos.
  • O Animal caído.
  • Proibição de homens usarem roupas de mulher e vice versa.
  • Espantando a mãe pássaro.
  • Parapeito.
  • Agricultura Mista e Combinações proibidas.
  • Tsitsit.
  • A mulher casada difamada.
  • Se a acusação é verdadeira e o castigo por adultério.
  • A jovem comprometida.
  • Violação.
  • Casamentos proibidos: A esposa do pai, genitais mutilados, Bastardo, Amonitas e Moabitas, Edomitas e Egípcios.
  • Santidade do acampamento do exército.
  • Abrigando escravos fugitivos.
  • Proibição de prostituição.
  • Cobrança de Juros.
  • Mantendo as promessas.
  • O trabalhador em uma videira e no campo.
  • Divórcio e novo casamento.
  • Isenção da guerra no Shaná Rishoná.
  • Proibição de pegar a pedra do moinho como objeto de garantia.
  • Sequestro.
  • Lembrança do erro de Miriam e a Tzaraat.
  • Garantia para empréstimos e a honra do devedor.
  • Pagamento de salários na data certa.
  • Responsabilidades individuais.
  • Consideração pelas viúvas e órfãos.
  • Presentes da colheita aos pobres (Leket, Shichechá e Peá).
  • Chicotadas.
  • Levirato (Ibum e Halitzá).
  • Pessoa que ataca seu companheiro.
  • Pesos e Medidas corretos.
  • Lembrando Amalek.
BS"D

APRENDENDO COM OS ANIMAIS - PARASHÁ KI TETSÊ 5782 (09/set/22)

"Na cocheira de um famoso palácio real, um burro de carga vivia imerso em intensa amargura, por causa da zombaria dos seus companheiros. Ele tinha o pelo maltratado, profundas cicatrizes no lombo e a cabeça tristonha. Aproximou-se dele um formoso cavalo árabe, que havia recebido muitos prêmios, e disse:

- Triste destino que você recebeu! Você não inveja minha posição? Sou acariciado por mãos de princesas e elogiado pela palavra dos reis!

- Como conseguiria um burro entender o brilho da fama? - questionou o fino potro, de origem inglesa.

- Há dez anos vi este miserável sofrendo nas mãos do seu adestrador - disse outro soberbo cavalo, de procedência húngara - É tão covarde que não reagia, nem mesmo com um coice. Não nasceu senão para transportar carga e receber pancadas. É vergonhoso ser seu companheiro!

O burro recebia as agressões verbais sem reagir. Os insultos ainda não haviam terminado quando o rei entrou no recinto, em companhia do chefe das cavalariças.

- Preciso de um bom animal, para um serviço de grande responsabilidade - informou o rei - Quero um animal dócil e educado, que mereça absoluta confiança.

Todos os cavalos encheram o peito. O empregado ofereceu o cavalo árabe, mas o rei rejeitou imediatamente. Por ele ser orgulhoso, só servia para desfiles. Também ofereceu o potro inglês, mas o rei não aceitou, por ser um animal muito irrequieto. Também o cavalo húngaro foi oferecido e imediatamente dispensado pelo rei, por ser bravio, sem educação. Decorridos alguns instantes de silêncio, o rei perguntou:

- Onde está o meu burro de carga?

O chefe das cocheiras indicou-o, encolhido entre os demais animais. O próprio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou enfeitá-lo com os símbolos reais e colocou sobre ele o pequeno príncipe para uma longa viagem, tranquilo por saber que podia confiar naquele animal."

Assim também acontece na vida. Muitas vezes quem faz a diferença e será querido por D'us não são aqueles que mais aparecem e se sobressaem, e sim aqueles humildes, que fazem seu trabalho sem chamar a atenção.

 

A Parashá desta semana, Ki Tetsê (literalmente "Quando você sair"), traz dezenas de Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" (entre a pessoa e seu companheiro). Além disso, nos chama a atenção que também há muitas Mitzvót relacionadas à natureza e aos animais, que nos transmitem mensagens muito atuais e importantes.

Por exemplo, a Torá nos ensina que é proibido colocar no mesmo arado um boi e um burro. Uma explicação mais simples é que o boi tem mais força que o burro. Colocá-los juntos no mesmo arado causa uma sobrecarga ao burro, causando-lhe sofrimentos físicos, e é proibido causar a um animal qualquer sofrimento desnecessário. Outra explicação é que o boi é ruminante, mas o burro não. O burro sofre ao ver que o boi tem comida em sua boca e ele não. Na realidade, o boi não recebeu mais comida do que o burro, mas a simples sensação de que o outro está recebendo mais privilégios já causa sofrimento. O Rav Chaim Shmulevitz zt"l (
Lituânia, 1902 - Israel, 1979) comenta que esta é uma grande lição de como devemos tomar cuidado para não despertar a inveja nas outras pessoas. Se devemos ser cuidadosos com os sentimentos de um animal, muito mais com os sentimentos de uma pessoa. Isto obviamente se aplica a tomarmos cuidado com o que postamos nas redes sociais, pois nossos momentos de alegria podem causar tristeza e depressão nas pessoas que estão passando por dificuldades.

Além disso, a Parashá nos ensina a obrigação de ajudar alguém cujo animal caiu sob sua carga pesada, como está escrito: "Se você vir o burro do seu companheiro ou boi caído na estrada, não ignore. Ajude-o junto com ele" (Devarim 22:4). A Torá usa uma linguagem repetitiva, "Azov Taazov" (Ajude-o), para nos ensinar que devemos ajudar o animal quantas vezes for necessário. Porém, a Torá estipula uma condição: "junto com ele". Rashi (França, 1040 - 1105) 
 explica que se a pessoa que precisa de ajuda diz: "Eu vou descansar agora. Você tem a Mitzvá de me ajudar, portanto faça tudo sozinho", não estamos obrigados a ajudá-la. Isso nos ensina que a pessoa não está obrigada a deixar que outros tirem vantagem dela apenas porque ela quer fazer Chessed.
 
Porém, qual é a definição da Torá de "tirar vantagem dos outros", já que há uma aparente contradição. Se alguém se recusa a nos emprestar algo que precisamos, e logo depois esta mesma pessoa vem nos pedir algo emprestado, o que devemos fazer? A Torá, de forma muito clara, diz que estamos obrigados a ajudá-lo, e recusar é uma violação da Mitzvá de "não se vingar". Então qual é a diferença entre os dois casos?
 
A resposta é que sempre que uma pessoa realmente necessita da sua ajuda, você deve ajudá-la, mesmo se ela não for agradecer ou retribuir. Na realidade, o maior nível de bondade é o "Chesed shel Emet" (bondade verdadeira), quando fazemos um ato de caridade sabendo que não receberemos nada em troca da pessoa, como a Mitzvá de acompanhar um morto em seu enterro. No entanto, se a pessoa, devido à sua preguiça, tenta nos manipular para que façamos por ela algo que ela poderia fazer, temos a permissão de recusar.

Aplicar este princípio em nossas vidas nos poupa de muitos ressentimentos. Algumas pessoas sempre fazem tudo o que os outros pedem e, ao perceberem a falta de reciprocidade e apreciação, ficam ressentidas e acham que foram "usadas". Porém, internalizar a perspectiva da Torá vai nos ajudar a sentir alegria em ajudar os outros, mesmo sem receber favores em troca ou gratidão. Já que a pessoa realmente necessitava da nossa ajuda, realizamos a Mitzvá de Chessed e nos elevamos espiritualmente.

A Parashá traz também outras Mitzvót relacionadas com a natureza, tais como a proibição de misturar espécies e não pegar os filhotes de passarinho na frente da mãe. Porém, no meio de Mitzvót relacionadas à natureza, encontramos uma Mitzvá relacionada aos seres humanos: "Quando construir uma casa nova, construa um parapeito no teu telhado" (Devarim 22:8). Devemos ser cuidadosos, tanto com a nossa vida quanto com a vida dos outros, e tentar ao máximo evitar acidentes. Por isso a Torá nos ordena construirmos um parapeito de proteção em um local onde pessoas podem cair. Porém, depois disso a Torá volta a trazer Mitzvót relacionadas ao meio ambiente. Por que a Torá colocou uma Mitzvá relacionada aos seres humanos no meio de assuntos que falam sobre os animais e sobre a natureza?
 
O Ramban zt"l (Espanha, 1194 - Israel, 1270) explica que todas estas Mitzvót em relação aos animais têm o objetivo de ensinar o ser humano a ser misericordioso e ter um bom coração. O ser humano precisa desenvolver um sentimento de responsabilidade com o meio ambiente e com todas as criações de D'us. Porém, infelizmente, muitas vezes o ser humano perde o equilíbrio nestas áreas, dando mais importâncias ao meio ambiente e aos animais do que ao próprio ser humano. Tivemos uma experiência extremamente amarga na história recente do povo judeu, que nos ensina uma lição preciosa. Os nazistas tinham cultura, educação, e até mesmo um estatuto de proteção aos animais. Porém, para ser considerado um bom ser humano, é necessário muito mais do que isso. É necessário ter um bom coração e o conhecimento do que é certo e errado. As mesmas pessoas que se preocupavam com o bem estar dos animais assassinaram a sangue frio 6 milhões de inocentes, incluindo idosos, mulheres e crianças indefesas.

Observamos atualmente uma quantidade crescente de pessoas dispostas a cuidar dos animais, alimentando-os e tratando-os como filhos. Porém, estas mesmas pessoas se tornam insensíveis diante de um ser humano faminto. Cada vez mais pessoas são voluntárias em ONGs de animais abandonados, mas não dedicam nem mesmo um minuto por semana para visitar lares de idosos ou orfanatos.
 
Portanto, não temos a certeza de que alguém que sente compaixão pelos animais também sentirá o mesmo por um ser humano. Não é garantido que alguém que cuida da natureza também cuidará de crianças necessitadas. Por isso a Torá colocou a Mitzvá de fazer um parapeito, isto é, se importar com uma vida humana, no meio dos assuntos de preocupação com os animais. Isso nos ensina que podemos gostar dos animais e cuidar da natureza, mas sem jamais se esquecer de gostar dos seres humanos, o verdadeiro motivo de toda a criação.

A característica principal das pessoas escolhidas por D'us para serem os líderes do povo judeu era a sensibilidade. Todos eles eram pastores, para desenvolver o senso de responsabilidade e preocupação. Porém, eles também eram cientes de suas responsabilidades com as pessoas. Avraham, Yitzchak, Yaacov, Moshé e David Hamelech não eram apenas pastores de ovelhas, mas também se tornaram pastores de pessoas. Eles aprenderam com os animais a terem sensibilidade, e utilizaram esta sensibilidade com as pessoas.

Diz o ditado que o melhor amigo do homem é o cachorro. Mas, na verdade, o maior amigo do homem deveria ser o próprio homem.

SHABAT SHALOM

QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA
 

R' Efraim Birbojm

 
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sexta-feira, 2 de setembro de 2022

CONFESSANDO NOSSOS ERROS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHOFTIM 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ SHOFTIM
  • Estabelecimento de Tribunais de Justiça.
  • Proibição de colocar árvores e pilares perto do Mizbeach.
  • Sacrifícios com defeito.
  • Castigos por idolatria.
  • Juiz rebelde.
  • Escutando os sábios de cada geração.
  • O rei de Israel.
  • A porção dos Cohanim.
  • Adivinhação e Astrologia.
  • Profecia.
  • Cidades de Refúgio.
  • Assassino intencional.
  • Preservando os limites das terras.
  • Testemunhas.
  • Preparando para a guerra.
  • Cohen de guerra.
  • Pessoas dispensadas da guerra: Construiu uma casa e não inaugurou; Plantou um vinhedo e não redimiu; Noivou e não casou; Está com medo.
  • Abertura para a paz.
  • Bal Tashchit (Destruição de árvores frutíferas).
  • O Assassinato não-solucionado.
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CONFESSANDO NOSSOS ERROS - PARASHÁ SHOFTIM 5782 (02/set/22)

Dez anos após o falecimento do Gaon MiVilna, muitos dos seus alunos decidiram sair da Europa e viver em Israel. A longa viagem pelo Mar Mediterrâneo era muito perigosa. Em 1809, uma destas viagens foi liderada pelo Rav Israel MiShiklov zt"l, um dos maiores alunos do Gaon MiVilna, junto com 150 alunos. Eles percorreram vales e montanhas até chegarem ao porto, onde embarcaram em um frágil navio rumo à Israel.

No meio da viagem, chuvas castigavam o frágil navio e ondas formadas pelos fortes ventos jogavam os passageiros de um lado para o outro. Parecia óbvio que havia um grande risco do navio afundar. Os passageiros foram ordenados a jogar suas malas ao mar, para diminuir o peso do navio, mantendo apenas os objetos mais importantes. O capitão então mandou chamar o Rav Israel. O rabino, por ser o líder do grupo, precisava ser avisado que estavam em grande perigo. Era a pior tempestade que já havia visto em 30 anos no mar. Ele revelou que acreditava que o fim estava próximo. O Rav Israel ficou angustiado. A viagem pela qual seus alunos haviam feito tanta preparação espiritual terminaria em tragédia? O que dizer a eles? Poderia lhes dar alguma esperança ou apenas prepará-los para o pior? Então ele pediu para que todos se reunissem no convés.
 
- É importante que vocês saibam que estamos prestes a afundar - disse o Rav Israel, segurando as lágrimas - Brevemente estaremos no Mundo Superior. É costume que, antes de morrer, devemos fazer o Vidui, a confissão dos nossos erros. O Talmud ensina que não é correto que uma pessoa revele seus pecados em público, pois outros podem seguir seu exemplo. Entretanto, já que todos nós iremos juntos para o Mundo Superior, se confessarmos abertamente nossos pecados, a vergonha que sentiremos será uma expiação para nós.

Apesar do medo, todos os alunos decidiram seguir o conselho do Rav Israel. Fariam um Vidui público, iniciando com o mais jovem do grupo, um homem que havia vivido em Vilna. Ele começou a chorar e disse:
 
- Por dois anos eu descumpri a Mitzvá de honrar os pais. Eu menti e enganei minha mãe, dia após dia. Mas gostaria de explicar as circunstâncias. Eu tinha 13 anos e meu pai decidiu se dedicar apenas ao estuda da Torá. Minha mãe prontamente apoiou, mas o sustento dos nove filhos ficou difícil. Tiveram que vender a loja, a única fonte de sustento da família. Minha mãe começou a fazer faxina na casa de outras pessoas. Um dia ela nos reuniu e disse: "Queridos filhos, não posso mais alimentá-los duas vezes ao dia. Vamos ter que nos manter apenas com o almoço". A situação ficou insuportável, pois o pouco que ela trazia tinha que ser dividido em 11 partes. Eu percebi que, se eu não comesse a minha parte, sobraria um pouco mais para ser dividido entre meus irmãos. Então, bolei um plano. Disse para minha mãe que na escola estavam servindo almoço para as crianças. Por dois anos menti a cada vez que ela me perguntava se eu havia comido bem na escola. Tudo o que eu comia eram os restos das outras crianças. Portanto, peço perdão a D'us por ter mentido tantas vezes para minha mãe.

O homem terminou de contar sua história e os outros permaneceram parados, impressionados. O Rav Israel ficou visivelmente emocionado. Ele ergueu seus olhos para o céu, levantou seus braços e gritou: "D'us, no primeiro dia de Selichót nós dizemos: "Veja nossos sofrimentos, e não nossos pecados". Desta forma, suplicamos para que nosso sofrimento sirva como expiação e que nossos pecados sejam deixados de lado. Porém, agora eu Lhe suplico, D'us, que Você olhe os nossos pecados! Veja o que este homem considera ser sua pior transgressão! Esses são os pecados dos Seus filhos, D'us! Pelo mérito dele, tenha piedade de nós!"

E, então, a chuva cessou e, momentos depois, dentre as carregadas nuvens pretas, surgiu um raio de sol. Os ventos afastaram as nuvens e o grupo começou a relaxar após vários dias de tensão. O Rav Israel recitou juntamente com os alunos o Tehilim "Mizmor LeTodá" (Cântico de agradecimento), pelo grande milagre que havia ocorrido. O capitão e os marinheiros reverenciaram o Rav Israel e seus alunos, um grande Kidush Hashem. O resto da viagem foi tranquila e o grupo chegou, são e salvo, à Israel. Graças a um incrível Vidui...

 

Nesta semana lemos a Parashá Shoftim (literalmente "juízes"), que começa com um assunto muito importante que Moshé ensinou para o povo judeu: a obrigação de estabelecer Tribunais de justiça, para manter a ordem e fazer com que as leis da Torá sejam cumpridas.
 
A Parashá termina com um assunto que precisa de um entendimento mais profundo: a cerimônia da "Eglá Arufá", literalmente "A bezerra desnucada". Esta cerimônia era realizada quando um corpo era encontrado no meio do caminho, entre diversas cidades, mas não sabiam quem era o assassino, como está escrito: "Quando for encontrado um corpo na terra que D'us te dá, caído no campo, e não se sabe quem o matou" (Devarim 21:1).
 
Quais eram os procedimentos desta cerimônia? Era medida a distância entre o corpo e todas as cidades em volta. Eram convocados os anciãos da cidade mais próxima, pessoas distintas e espiritualmente elevadas, e eles sacrificavam uma bezerra, rompendo-lhe a nuca, e depois lavavam suas mãos sobre o corpo da bezerra e pronunciavam: "Nossas mãos não derramaram este sangue inocente". Isto trazia expiação ao povo judeu.

Porém, esta Mitzvá desperta um grande questionamento. A linguagem "e não se sabe quem o matou" nos ensina que a cerimônia somente era realizada quando não sabiam quem era o assassino. Mas a cerimônia não deveria ser feita também quando sabemos que o assassino é alguém do povo judeu? Pois quando fazemos um erro, isso causa uma mancha em nossa alma, que precisa de expiação. Quando alguém comete um crime e é julgado e condenado, a pena que ele recebe é parte da expiação pelo erro cometido. Isso inclui um caso de assassinato, cujo castigo é a pena de morte. A morte do assassino é uma expiação pelo seu crime hediondo. Porém, para que o Beit Din possa aplicar a pena de morte, é necessário uma "Atraá" (advertência) antes de a pessoa cometer a transgressão, além do testemunho de ao menos duas pessoas. No caso do corpo encontrado, mesmo que descobríssemos quem é o assassino, não poderíamos aplicar nenhum castigo, pois não há testemunhas. Portanto, por que não era feita a cerimônia de "Eglá Arufá" para trazer expiação?

Há um importante ensinamento trazido pelo profeta que nos ajuda a responder este questionamento: "Eis que Eu julgo vocês por terem dito 'Não transgredi'" (Yirmiahu 2:35). Pelas palavras do versículo, se não fosse o argumento "Não transgredi", a pessoa não seria julgada. Mas como pode ser que o principal do julgamento é o que a pessoa falou para se isentar, e não o erro que cometeu?

A resposta é um dos trabalhos mais importantes para a época na qual estamos agora, o mês de Elul, o último mês antes do nosso julgamento em Rosh Hashaná. Quando a pessoa diz "Eu transgredi", assumindo seu erro, imediatamente ocorre a expiação da transgressão e D'us retira o julgamento que estava sobre a pessoa, pois a parte principal da expiação de um erro cometido é justamente reconhecer e assumir o erro. No reconhecimento do erro estão incluídos os três princípios da Teshuvá: o arrependimento, o compromisso com o futuro de não voltar a cometer o mesmo erro, e o Vidui, a confissão do erro. Quando a pessoa que transgrediu diz "Não transgredi", faz com que a "Fúria Divina" fique ainda mais forte, e ele é julgado por isso.

De acordo com o Rav Yehuda Leib Chassman zt"l (Lituânia,1869 - Israel, 1935), desta maneira podemos responder o questionamento sobre a cerimônia da "Eglá Arufá". Existe uma regra espiritual de que "todo judeu é fiador de outro judeu", isto é, temos uma responsabilidade coletiva. Se houve um assassinato, é necessário fazer a expiação da transgressão. Porém, quando não é sabido quem é o assassino, as pessoas se consolam pensando: "quem sabe não houve assassinato, talvez a pessoa morreu de causas naturais", ou "mesmo que foi assassinato, talvez o assassino não era judeu". Existem dezenas de desculpas que as pessoas poderiam utilizar para se sentirem isentas de qualquer responsabilidade. Justamente por isso a Torá ordenou a cerimônia da "Eglá Arufá", pois a parte mais grave da transgressão é não assumir, não reconhecer o erro e a responsabilidade. A Mitzvá da "Eglá Arufá" era algo chocante, que estremecia a alma das pessoas e enraizava no coração de cada judeu a noção de que houve uma transgressão e que havia a necessidade de perdão e expiação. Já no caso de ser sabido quem é o assassino, a cerimônia da "Eglá Arufá" já não era mais necessária, pois naturalmente já era despertado no coração das pessoas o sofrimento de saber que há um judeu assassino entre eles.

Este ensinamento da nossa Parashá demonstra os enormes benefícios de reconhecer os nossos erros. Quando fazemos uma transgressão, a cobrança de D'us já vai embora a partir do momento em que a pessoa desperta o reconhecimento de que houve uma transgressão, como ensinam os nossos sábios: "Aquele que confessa e abandona a transgressão é perdoado" (Mishlei 28:13). Desta maneira, entendemos a tolice que é a pessoa se alongar em extensas sessões de Vidui, golpeando o peito com o punho cerrado, mas somente da boca para fora, sem o coração. Não apenas que este Vidui sem intenção não é aceito por D'us, mas também acaba acrescentando mais uma transgressão ao erro que já havia sido cometido, pois demonstra não estarmos reconhecendo o erro que cometemos. É justamente sobre isso que falamos no Vidui de Yom Kipur: "Pelos erros que cometemos diante de Você 'BeVidui Pê' (com a confissão da boca)", isto é, estamos pedindo perdão a D'us por termos feito o Vidui apenas com a boca, sem o coração. E quão vergonhoso é saber que nem mesmo esta confissão nós fazemos com o coração...
 
Precisamos sempre reconhecer nossos erros. É uma das principais partes da Teshuvá, pois é o que nos leva ao conserto de todas as nossas transgressões e nos ajuda, a longo prazo, a alcançarmos a perfeição. 

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