quinta-feira, 25 de agosto de 2022

ENXERGUE A PARTE POSITIVA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ REÊ 5782

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MENSAGEM DA PARASHÁ REÊ

ASSUNTOS DA PARASHÁ REÊ
  • A Brachá e a Klalá.
  • Santidade da Terra de Israel / Destruição das idolatrias.
  • Altares particulares.
  • Permissão de comer oferendas redimidas.
  • Comidas sagradas consumidas apenas em Jerusalém.
  • Permissão de comer comidas não consagradas.
  • Princípios gerais.
  • Proibição de copiar os rituais dos Knaanim.
  • O falso Profeta.
  • "Missionários"idólatras.
  • A Cidade Apóstata.
  • Responsabilidade do"Povo Escolhido".
  • Animais proibidos para o consumo: Criaturas aquáticas e Pássaros.
  • O Segundo Dízimo.
  • Dízimos para o pobre.
  • O Ano de Shmitá.
  • Emprestando dinheiro.
  • O Escravo judeu.
  • Animais primogênitos.
  • Shalosh Regalim: Pessach, Shavuót e Sucót.
BS"D

ENXERGUE A PARTE POSITIVA - PARASHÁ REÊ 5782 (26/ago/22)

Era o primeiro dia de aula e Alberto, o dedicado professor, gostava de começar o ano em grande estilo. Assim que entrou na classe, ele estendeu um grande lençol branco em uma das paredes da sala de aula e ficou aguardando a chegada dos alunos.

Pouco tempo depois, os alunos começaram a chegar. À medida que entravam, ficavam curiosos com aquele lençol estendido na frente deles. Será que havia algo escondido atrás? O que significava? As crianças olhavam umas para outras em busca de respostas, mas sempre encontravam as mesmas expressões de perplexidade.

Alberto iniciou a aula se apresentando aos alunos e perguntando o nome de cada um deles. Logo depois, apontado para a parede onde estava o lençol, perguntou:

- O que vocês estão vendo?

Um dos alunos percebeu que naquele imenso lençol estendido havia uma pequena mancha preta. Imediatamente ele disse ao professor que estava vendo uma mancha. Os demais colegas, um após o outro, concordavam com ele. Todos conseguiram ver a manchinha que estava no centro do lençol branco. Só não sabiam que aquela mancha estava lá de forma proposital.

Após confirmar com cada um dos alunos se a manchinha preta era a única coisa que eles viam, Alberto fez outra pergunta:

- Ninguém aqui está vendo o lençol?
 
Os alunos ficaram envergonhados. Realmente nenhum deles havia nem mesmo mencionado o lençol, de tão focados que estavam na manchinha. Alberto então ensinou aos seus alunos algo extremamente importante, que eles deveriam levar para o resto de suas vidas:

- Queridos alunos, percebam que, apesar do tamanho do lençol, todos conseguiram enxergar apenas a pequena manchinha preta que tem nele. Isso acontece por estarmos acostumados a procurar sempre os defeitos e as falhas. Mas, durante o ano, vamos aprender a focar no lado positivo, a enxergar o que cada um tem de bom, ao invés de procurar sempre os defeitos e a parte negativa de cada pessoa ou de cada situação.

Nesta semana lemos a Parashá Reê (literalmente "Veja"), que traz diversos assuntos importantes mencionados por Moshé em seus últimos discursos de despedida. Ele ressaltou a santidade da Terra de Israel e a necessidade de arrancar pela raiz todas as idolatrias e costumes imorais dos habitantes da terra. Justamente pelo fato de a Terra de Israel ser tão sagrada, qualquer comportamento inadequado poderia levar à expulsão do povo judeu, como estava por acontecer com os sete povos que viviam lá, que seriam expulsos justamente por seu comportamento inadequado. Moshé também advertiu o povo judeu para que eles não acrescentassem ou diminuíssem nenhum dos ensinamentos da Torá, em uma tentativa de adequá-la às suas próprias necessidades. Não é a Torá que deve se adequar a nós, e sim nós que devemos nos adequar aos ensinamentos e estilo de vida da Torá. Moshé nos garantiu que todo aquele que andar nos caminhos da Torá terá uma vida de Brachót, enquanto aquele que se desvia terá uma vida de Klalót e dificuldades.

Um dos assuntos importantes trazidos na nossa Parashá é a Kashrut. Este é um assunto de extremo impacto em nossas vidas, pois tudo o que consumimos tem uma parte material e uma parte espiritual. Quando consumimos alimentos que não são Kasher, impurificamos nosso corpo e nosso coração, dificultando nossa conexão com D'us e a compreensão dos assuntos espirituais. Não é fácil se adaptar a uma "dieta espiritual" com tantas restrições, mas a Torá nos garante que a alimentação adequada nos torna pessoas com mais santidade.
 
A Parashá traz os sinais para identificarmos os animais que são Kasher e os que não são Kasher, em relação aos animais que caminham sobre a terra e os aquáticos. Já em relação aos pássaros não há sinais de identificação, e sim uma lista de todos aqueles que são impuros e, portanto, inadequados ao nosso consumo. Apesar de esta descrição parecer ser apenas algo técnico, a Kashrut é um assunto que contém muitas lições preciosas, que vão além dos meros detalhes do que podemos ou não comer.
 
Algo que nos chama a atenção é o fato de, logo após ter mencionado os requisitos para que um animal seja Kasher, que são o casco completamente fendido e a característica de ser ruminante, a Torá traz uma lista de animais que não são Kasher por apresentarem apenas um dos sinais de Kashrut, como está escrito: "Mas vocês não devem comer daqueles que ruminam, nem dos que têm cascos fendidos: o camelo, o "shafan" e a "arnevet", porque ruminam, mas não têm casco fendido, eles são impuros para você. E o porco, porque tem casco fendido, mas não rumina, é impuro para você" (Devarim 14:7,8). Porém, se a Torá já havia nos ensinado que são necessários os dois sinais de Kashrut para que o animal seja considerado puro, então qual é a necessidade de "gastar" dois versículos descrevendo que os animais com apenas um sinal não são Kasher? Não é óbvio?

Muitos "negacionistas" argumentam que a Torá não é um documento Divino, e sim um livro escrito por mãos humanas. Porém, ressalta o Rav Noach Weinberg zt"l (EUA, 1930 - Israel, 2009) que este ensinamento sobre Kashrut é uma das muitas provas de que a Torá não pode ter sido escrita por um ser humano, ela necessariamente foi escrita por um Ser ilimitado, que tem conhecimento pleno de tudo o que existe no universo. O Talmud (Chulin 60b), escrito há mais de dois mil anos, afirma que a Torá "gastou" versículos para escrever estes quatro animais para nos ensinar que estes são os únicos quatro animais na face da Terra que apresentam apenas um sinal de Kashrut. Se a Torá fosse realmente um documento humano, que escritor colocaria sua credibilidade em jogo desta maneira? O que ocorreria se um quinto animal fosse encontrado? Toda a credibilidade da Torá teria sido destruída. Porém, três milênios após a Torá ter sido entregue ao povo judeu, e com todos os modernos equipamentos e conhecimentos científicos, nunca foi encontrado nenhum animal que pudesse contradizer o que foi afirmado pela Torá. Que ser humano poderia prever que mais nenhum animal apresentando apenas um dos sinais de Kashrut seria encontrado no mundo todo?

Somente este ensinamento já seria suficiente para nos encher de alegria, por percebermos o quão profunda e incrível é a nossa Torá, que traz muitas informações que seriam impossíveis de serem conhecidas por qualquer ser humano, em especial há mais de três mil anos. Porém, além de fortalecer nossa Emuná, estes versículos sobre os animais Kasher também nos ensinam uma importante lição em relação ao nosso relacionamento interpessoal. Qual é um dos maiores problemas que temos atualmente nos nossos relacionamentos? Estamos sempre reclamando de tudo, procurando sempre os defeitos, o lado negativo de cada pessoa. Isso acontece nas amizades, mas infelizmente também tem sido cada vez mais frequentes nos casamentos, o que é perceptível nas terríveis estáticas de divórcios, extremamente elevadas e que cada vez aumentam mais. Qual é a solução?
 
A resposta está em um detalhe surpreendente das leis de Kashrut. Se prestarmos atenção nos quatro animais que a Torá classifica como impuros, em primeiro lugar são mencionados os sinais que são Kasher. Por exemplo, o fato de ser ruminante no caso do camelo, "shafan" e "arnevet", e o fato de ter a pata fendida no caso do porco, e somente depois a Torá menciona o sinal que o desqualifica de ser Kasher. Por que a Torá não foi direto ao ponto, mostrando qual é o sinal que caracteriza o animal como impuro? Afinal, mencionar o sinal Kasher é completamente irrelevante nestes casos, devido à outra característica que os desqualifica!
 
Explica o Midrash que a Torá está nos transmitindo uma mensagem maravilhosa. Mesmo quando a Torá nos diz que um porco ou um camelo não são Kasher, inicialmente nos mostra suas características louváveis. Mesmo quando a Torá diz que algo é proibido para o nosso consumo, ainda assim se esforça para apresentar primeiro uma característica positiva. Isso nos transmite um incrível ensinamento de vida: ao olhar para as outras pessoas, ou até mesmo para as situações que surgem em nossa vida, devemos começar buscando as características positivas, as qualidades. Isso nos ajudará a ver as pessoas e situações com outros olhos.

Ensina o Rav Yssocher Frand que precisamos sempre nos assemelhar a D'us em Sua bondade e misericórdia. Mesmo ao descrever um animal impuro, D'us tenta encontrar algo bom para dizer a respeito desse animal. Muito mais devemos, ao olhar para outro ser humano, apesar dos seus defeitos e erros, nos esforçar para encontrar coisas positivas para falar, antes de fazer qualquer análise negativa.
 
Infelizmente acabamos acostumando, desde crianças, a procurar as falhas, os defeitos e a parte negativa nos outros. É por isso que a mensagem da Torá é tão atual e importante. Ao olharmos para alguém ou para uma situação, devemos tentar ressaltar o positivo, os bons valores, antes de procurar os defeitos. Perceberemos que as pessoas têm muito mais qualidades que defeitos, e isso afetará positivamente nossos relacionamentos. A pessoa perceberá, por exemplo, que não está casada com um "defeito ambulante", e sim com uma pessoa maravilhosa que, como todos nós, tem alguns pequenos defeitos a serem consertados. Então o mundo parecerá um mundo melhor. Não porque o mundo terá mudado, mas porque teremos mudado os nossos olhos. 

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

RECONHEÇA O QUE VOCÊ TEM DE BOM - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EKEV 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ EKEV
  • Recompensas pela obediência.
  • A garantia de D'us da vitória sobre os inimigos.
  • As lições do Man.
  • Perigos da prosperidade e advertência contra a idolatria.
  • Advertência contra autoconfiança demasiada.
  • Lembrança dos erros cometidos no deserto.
  • As Segundas Tábuas.
  • Seguindo o caminho de D'us.
  • A Terra de Israel exigente.
  • Jugo dos Mandamentos.
  • Promessa de vitória.
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RECONHEÇA O QUE VOCÊ TEM DE BOM - PARASHÁ EKEV 5782 (19/Ago/22)

Certa noite o famoso violinista Itzhak Perlman estava em Nova York para dar um concerto. Por ter sido acometido de poliomielite na infância, subir no palco não era algo fácil para ele. Ele usava aparelho nas duas pernas e andava com muletas. Perlman cruzou o palco com uma lentidão dolorosa, até chegar à cadeira na qual se sentaria para tocar.

O público aplaudiu e esperou respeitosamente em silêncio. Ele sinalizou ao maestro e começou a tocar. Assim que terminou os primeiros compassos, uma das cordas de seu violino estourou, ecoando como um tiro no silencioso salão. Perlman estava perto o suficiente do início da peça para interromper o concerto, trocar a corda e recomeçar. Mas não foi isso que ele fez. Após alguns instantes de silêncio, ele sinalizou ao maestro para que continuasse exatamente de onde havia parado.

Perlman agora tinha apenas três cordas para tocar sua parte da sinfonia. Com as cordas que lhe haviam sobrado, ele foi capaz de "encontrar" algumas das notas que faltavam. Porém, algumas notas não eram possíveis de serem tocadas. Então ele teve que reorganizar a música em sua cabeça, para que continuasse fluindo. Ele tocou com paixão e arte, reorganizando espontaneamente a sinfonia até o fim. Quando ele finalmente descansou seu arco, a plateia ficou por alguns instantes em silêncio. E, então, eles se levantaram e aplaudiram de forma entusiástica. Eles sabiam que haviam testemunhado uma extraordinária demonstração de habilidade. Perlman então ergueu o arco para pedir silêncio e disse ao público:
 
- Sabem, às vezes é tarefa do artista descobrir quantas músicas bonitas você ainda pode fazer com o que sobrou.

Nenhum dos presentes sabia se ele estava se referindo às cordas do seu violino ou ao seu corpo. Ambos, apesar dos seus defeitos, ainda assim conseguiram produzir uma música que beirava a perfeição".

Em todos os seres humanos há sempre algo que falta. Por isso, somos desafiados a responder à pergunta: temos a atitude de fazer algo de bom com o que temos, mesmo que seja incompleto?

Nesta semana lemos a Parashá Ekev (literalmente "Se"), que continua trazendo os discursos de despedida de Moshé, cujo principal propósito era preparar o povo judeu para os novos desafios que eles encontrariam na Terra de Israel, entre eles as guerras de conquista e o contato com outros povos. A Parashá também ressalta uma das maiores bondades que D'us fez ao povo no deserto: o "Man", alimento milagroso que caía do céu todos os dias, alimentando milhões de pessoas durante 40 anos.

A Parashá também traz outro milagre incrível que ocorreu com o povo judeu no deserto: "Sua roupa não se envelheceu e seu pé não inchou nestes 40 anos" (Devarim 8:4). Rashi (França, 1040 - 1105) 
explica que a nuvem Divina que envolvia o povo durante a travessia do deserto limpava e passava suas roupas. Além disso, a roupa das crianças crescia, acompanhando o crescimento do corpo delas. Dessa forma, não precisavam nem mesmo tirar suas roupas para lavar e passar, e muito menos comprar roupas novas. Um milagre incrível de D'us, entre tantos milagres que nos acompanharam desde a saída do Egito.
 
Porém, se pararmos para refletir, este milagre de D'us precisa de um esclarecimento. Sabemos que D'us não faz milagres desnecessários. O povo poderia, sem nenhum problema, trocar suas roupas e até mesmo lavá-las em pleno deserto, já que havia a fonte de água que os acompanhou durante toda a travessia. Então, qual era a necessidade deste milagre?

Para respondermos esta pergunta, podemos comparar os 40 anos do povo no deserto com a criação de um filho. Durante os primeiros anos de vida, até que o filho cresça e tenha maturidade suficiente para cuidar sozinho de suas próprias necessidades, o pai realiza as tarefas por ele. Esta atitude do pai tem dois objetivos: o primeiro é, obviamente, dar ao filho tudo o que ele precisa, como suas necessidades básicas de alimentação, vestuário e moradia. O pai faz isso sem cobrar nada, simplesmente por amor e pela vontade de criar seu filho da melhor forma possível. O segundo é que o pai também quer que seu filho aprenda e se prepare para a vida, para que, quando crescer, possa se manter sem a necessidade de ajuda do pai.

Da mesma forma, D'us "criou" o povo judeu no deserto com todas as regalias, para que materialmente não precisassem se preocupar com nada. Eles tinham o Man, que caía do céu na porta de suas tendas e continha todos os nutrientes e vitaminas necessários. Eles tinham água fresca e cristalina, de um manancial que os acompanhava. Eles tinham as "Nuvens de glória", que davam a eles sombra para protegê-los do calor escaldante do deserto e os protegia do frio congelante da noite, além de impedir a entrada de animais ferozes e inimigos. E, para completar, tinham um "guia", um pilar de nuvem que ia à frente do povo durante do dia, e que era substituído por um pilar de fogo durante a noite, iluminando o acampamento do povo judeu. Resumindo, recebiam proteção total de D'us e tinham todas as suas necessidades materiais atendidas. Por que D'us fez isso? Para que o povo judeu pudesse se dedicar apenas ao estudo da Torá e ao seu crescimento espiritual, preparando-se para a entrada em Israel, quando teriam que lidar com as dificuldades da vida normal.
 
Esta vida dentro de uma "redoma" explica um pouco o erro dos espiões, que falaram mal da Terra de Israel e causaram o choro coletivo do povo. Em seu subconsciente, eles queriam ficar no deserto, ou ao menos atrasar ao máximo a entrada na Terra de Israel, pois achavam que aquele "tratamento especial", que os permitia se dedicarem completamente ao estudo da Torá e ao crescimento espiritual, deveria continuar para sempre, pois assim se aproximariam mais de D'us. O que os espiões não haviam entendido é que, como na educação do pai, é importante que o filho amadureça e aprenda a lidar com as adversidades. Nenhum pai quer que o filho se acomode e seja dependente pelo resto da vida. Parte da educação é justamente preparar os filhos para vencer na vida, dando a eles ferramentas para que possam caminhar com suas próprias pernas. Era isso o que D'us queria para o povo judeu, um período de preparação, dentro de uma redoma protegida, para que eles se fortalecessem e pudessem voltar à vida normal, onde a busca pela espiritualidade faria parte da luta diária deles.
 
Neste contexto podemos entender também o incrível milagre das roupas que não se estragavam e cresciam junto com o corpo das pessoas. Era o momento em que D'us estava fornecendo tudo o que era necessário materialmente, para que pudessem se dedicar exclusivamente à sua espiritualidade e pudessem se preparar para os futuros desafios que encontrariam na Terra de Israel. Isso é muito semelhante à escolha que nosso patriarca Yaacov fez. Ao decidir ir para a casa de seu tio Lavan, um homem extremamente materialista, idólatra e desonesto, Yaacov preferiu antes passar 14 anos estudando Torá na Yeshivá de Shem e Ever, em uma "redoma", para se preparar espiritualmente e conseguir as ferramentas necessárias para vencer os futuros desafios. Foi isso que deu a Yaacov a força para se manter íntegro durante os 20 anos que passou na casa de Lavan, mesmo tendo sido enganado e trapaceado centenas de vezes.

Porém, há outra importante lição transmitida pelo milagre das roupas. Quando pensamos em milagres, logo surge em nossas cabeças ideias de grandes acontecimentos, incríveis intervenções Divinas que mudaram a história da humanidade. É verdade que milagres assim grandiosos ocorreram diversas vezes na história, mas milagres não são somente grandes realizações. Mesmo nos pequenos detalhes do cotidiano já há intervenções Divinas para que tudo aconteça da melhor forma possível, conforme o que Ele determinou. Mesmo nas coisas "naturais" que estamos acostumados a presenciar, devemos saber que tudo é milagre, uma realização Divina. Até nas coisas mais básicas, como a roupa que vestimos, podemos perceber os milagres e bondades de D'us.

O grande problema é que estes pequenos milagres cotidianos somente são percebidos se pararmos para observar e refletir. Certa vez, um sábio de Torá levou seu irmão, um professor universitário de gastroenterologia, especialista em aparelho digestivo, para visitar o Rav Aharon Leib Shteinman zt"l (Bielorússia, 1914 - Israel, 2017) . Durante a visita, o professor disse ao rabino que estava há muitos anos à procura de D'us, mas nunca O havia encontrado. O Rav Shteinman respondeu de forma inusitada: "Você já O procurou no seu estômago?". O que o Rav Shteinman estava transmitindo é que D'us pode ser encontrado no milagre da vida, na perfeição do nosso corpo, em cada um dos sistemas que nos mantém vivos.

O termo hebraico para gratidão é "Hakarat Hatov", que significa literalmente "Reconhecer o bem recebido". Se você perdeu o emprego, mas ainda tem família e saúde, você tem algo para ser grato. Se você está em uma cadeira de rodas, mas sua mente está afiada, você tem algo a agradecer. Se você arrebentou uma corda do seu violino, mas você ainda tem outras três, você tem algo para agradecer. O simples fato de termos roupas para vestir já é motivo suficiente para agradecermos a D'us. Quando desenvolvemos o traço da gratidão, começamos a enxergar, cada vez com mais claridade, quantas coisas boas temos na vida.
 
Sempre teremos problemas e coisas que nos faltam. Mas isso não é motivo para vivermos amargos e insatisfeitos. Quando vivemos com gratidão, reconhecemos e agradecemos por tudo o que temos, e isso nos torna pessoas mais felizes. Essa é a lição dos milagres das roupas no deserto. 

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