sexta-feira, 19 de novembro de 2021

NÃO SUBA O PRIMEIRO DEGRAU - SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ VAISHLACH 5782

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PARASHÁ VAISHLACH



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VÍDEOS DA PARASHÁ VAISHLACH
ASSUNTOS DA PARASHÁ VAISHLACH
  • Yaacov envia mensageiros.
  • Yaacov teve medo e se prepara para o reencontro com Essav.
  • Yaacov fica sozinho.
  • A luta com o anjo.
  • Yaacov encontra Essav.
  • Chegada a Shechem, Diná é sequestrada e desonrada.
  • Shimon e Levi vingam a honra da irmã, Yaacov fica furioso.
  • Yaacov viaja para Beth El.
  • A morte de Rivka e Dvora.
  • D'us muda o nome de Yaacov para Israel.
  • Rachel tem mais um filho: Biniamin.
  • A morte de Rachel e o enterro no caminho, em Beth Lechem.
  • Reuven mexe na cama de seu pai.
  • A morte de Itzchak.
  • A Linhagem de Essav, de Seir e reis de Edom.
BS"D

NÃO SUBA O PRIMEIRO DEGRAU - PARASHÁ VAISHLACH 5782 (19 de novembro de 2021)

                                                                                                

"Certa vez, um interessante caso foi trazido ao Rav Yossef Chaim Sonnenfeld zt"l (Eslováquia, 1848 - Israel, 1932), o Rav de Jerusalém. Reuven havia adquirido um raro objeto, possuidor de uma beleza incomparável. Shimon, seu amigo, pediu para ver o objeto, para também poder apreciar sua beleza. Reuven, por sua vez, não permitiu. Shimon continuou insistindo todos os dias, mas Reuven continuou negando. Shimon, que tinha problemas de saúde, ficou tão chateado com o que estava acontecendo que acabou adoecendo e caindo em um estado de depressão profunda, correndo risco de vida.
 
Os familiares de Shimon ficaram desesperados. Eles procuraram Reuven e pediram para que ele deixasse Shimon dar apenas uma espiada rápida no objeto, para que voltasse ao seu estado normal. No entanto, Reuven continuou impassível, sem dar permissão. A questão foi levada a um Beit Din, para que Reuven fosse obrigado a mostrar o objeto a Shimon, já que estava causando a ele um enorme dano, que poderia levá-lo à morte. Será que o Beit Din deveria obrigar Reuven a mostrar o referido objeto para tirar Shimon daquele estado de depressão? Reuven poderia realmente ser considerado alguém que estava causando danos ao seu companheiro?
 
Um dos rabinos da época disse que achava que sim, e explicou que sua resposta era baseada em uma história trazida pelo Talmud, de um homem que ficou tão obcecado pela beleza de uma mulher a ponto de adoecer por causa disso. A família daquele homem implorou ao Beit Din que permitisse que ao menos a mulher bonita conversasse com aquele homem, separados por uma cortina, mas os rabinos proibiram, devido à falta de recato envolvida. Segundo este rabino, como no caso do objeto não havia nenhum problema de falta de recato, então Reuven deveria ser obrigado a mostrar o objeto para tirar seu amigo daquele estado depressivo. No entanto, quando o caso foi trazido ao Rav Sonnenfeld, ele não concordou com este raciocínio, dizendo que havia uma diferença entre o caso do objeto e o caso da mulher trazido pelo Talmud. No caso do objeto havia outro problema envolvido: a proibição de "não cobiçar". Em um primeiro momento a pessoa quer apenas olhar, mas depois ela também vai querer possuir este objeto, e finalmente fará de tudo para conseguir isso. Como a Torá proíbe a cobiça, então por causa de um "capricho" de Shimon, que estava indo contra uma Mitzvá da Torá, seria correto beneficiar o "infrator" e obrigar Reuven a mostrar o objeto para ele? Segundo o Rav Sonnenfeld, se Shimon ficou doente apenas por Reuven ter recusado mostrar-lhe um objeto, então era ele que precisava trabalhar suas características pessoais para superar sua curiosidade, inveja e cobiça"
 
Os caprichos e desejos de uma pessoa podem fazê-la transgredir todas as Mitzvót da Torá. Por isso, precisamos evitar nos expor às tentações, para nunca entrarmos em um "caminho sem volta".

Nesta semana lemos a Parashá Vaishlach (literalmente "E enviou"), que começa descrevendo a volta de Yaacov, após ter passado 34 anos longe de casa, sendo que 20 deles haviam sido na casa de seu tio Lavan. Foi uma época difícil na vida de Yaacov, pois durante estes 20 anos Lavan tentou enganá-lo uma centena de vezes. Mas D'us o protegeu de todas as trapaças de Lavan. Yaacov havia ido sozinho, apenas como seu cajado, e agora voltava com um verdadeiro acampamento, com quarto esposas, muitos filhos e bens.
 
Yaacov então se preparou para seu reencontro com seu irmão Essav, de quem havia fugido há tantos anos. Ele rezou para D'us e pediu proteção, dividiu o acampamento para que pelo menos parte da família sobrevivesse a um possível confronto sangrento e mandou presentes para acalmar Essav, já que Yaacov sabia do amor que Essav sentia pelas posses materiais. Porém, apesar de Essav estar marchando na direção de Yaacov acompanhado de 400 homens armados, o encontro terminou de maneira amigável, com os irmãos se abraçando.
 
Depois que Yaacov se separou de Essav, ele foi viver por algum tempo na cidade de Shechem. Após ter saído ileso da casa de Lavan e do reencontro com Essav, Yaacov achou que finalmente seus problemas estavam terminados. Mal sabia Yaacov que seus problemas e sofrimentos estavam apenas começando. Diná, filha de Yaacov com Leá, certo dia saiu para conversar com as moças de Shechem. O príncipe da cidade, chamado Shechem, apaixonou-se pela beleza daquela moça forasteira e acabou sequestrando-a. Em um ato de total descontrole, ele a levou ao seu palácio e a desonrou. Depois, arrependido de seu ato animalesco, Shechem pediu ao seu pai, o rei Chamor, que conversasse com a família de Yaacov e propusesse um casamento.
 
Yaacov obviamente não gostou da proposta, e muito menos da forma como as coisas foram feitas. Porém, os que mais tomaram as dores de Diná foram seus irmãos Shimon e Levi. Eles bolaram um plano e propuseram a Shechem que, para permitir o casamento, todos os homens da cidade deveriam fazer Brit Milá. Shechem, que estava apaixonado e já não pensava mais de forma racional, aceitou a proposta e convenceu todos da cidade a fazerem Brit Milá. E, no terceiro dia, o dia em que a pessoa fica mais fraca e dolorida, Shimon e Levi mataram a cidade inteira e resgataram Diná.
 
Há algo que chama a atenção na linguagem do versículo que descreve o regate de Diná: "E mataram, ao fio da espada, Chamor e seu filho Shechem, tiraram Diná da casa de Shechem e partiram" (Bereshit 34:26). Mas a linguagem "Vaikchu" (e tiraram) implica em algo feito à força. Explica o Midrash, em nome de R' Yudin, que os irmãos de Diná tiveram que tirá-la à força da casa de Shechem, já que ela não queria sair de lá.
 
Mas como é possível que Diná, a filha de Yaacov, tenha desejado permanecer na casa de quem a desonrou, a ponto de precisarem tirá-la à força de lá? Como é possível que ela, que cresceu em sua casa cercada de santidade, onde jamais havia presenciado algo dessa natureza, tenha resistido a ser resgatada?
 
Ao refletirmos um pouco, perceberemos que a mesma pergunta se aplica a muitas de nossas atitudes. Se uma pessoa entende que determinado ato é indigno e errado, como pode ser que ela venha a cometer, de forma consciente, este mesmo ato que havia outrora censurado e repudiado?
 
Explica o Rav Yerucham Leibovitz zt"l (Bielorússia, 1873 - 1936) que a resposta está nas palavras do versículo "E (Shechem) apegou sua alma à Diná, a filha de Yaacov, e amou a jovem, e falou ao coração da jovem" (Bereshit 34:3). Daqui podemos aprender um princípio fundamental para as nossas vidas. Há uma força poderosa e assombrosa, que provoca mudanças dentro do ser humano: a força da sedução. Ela exerce um poder tão grande sobre a pessoa que não existe conselho ou medida eficaz capaz de combatê-la. Seu encanto é tão efetivo que leva o homem a contradizer-se várias vezes e, em alguns casos, até mesmo a cometer barbaridades que vão contra a sua índole. Foi esta força que cegou Diná, fazendo com que ela resistisse em ser separada de Shechem. Não está escrito que ele "falou à jovem", e sim que ele "falou ao coração da jovem". A sedução não se efetua através da mente, e sim através do coração.
 
Não devemos pensar que estamos acima desta força tão poderosa, pois todos estão suscetíveis a ela. Até mesmo Adam Harishon, o primeiro homem, sucumbiu diante do feitiço da sedução. Nem mesmo sua grande sabedoria, e nem o ambiente que o rodeava, como anjos no Gan Éden, conseguiram livrá-lo das garras da sedução, que acabou culminando com a transgressão de comer do fruto proibido.
 
Podemos comprovar como a sedução nos vence no dia-a-dia, sem sequer nos darmos conta. Por exemplo, um homem entra em uma loja com a intenção de comprar um tecido para confeccionar um terno. Após avaliar por alguns minutos a mercadoria, ele decide não comprar naquela loja, por não ter encontrado algo do seu gosto ou devido ao alto preço da mercadoria. Quando o vendedor se dá conta que o cliente está de saída, retira do armário uma quantidade variada de tecidos, diferentes dos mostrados anteriormente, estende diante do comprador e diz: "Veja como é bonito este tecido", "Vou te vender por um preço especial", "Somente nesta semana já vendi uma grande quantidade deste tecido", entre outros argumentos. Se estivéssemos ali parados como simples observadores, contemplando esta cena, seguramente diríamos: "São palavras vãs e ineficazes, que têm somente a intenção de seduzir o comprador". Porém, as palavras cumprem eu objetivo, e vemos como o cliente sai da loja com a mercadoria, envergonhado e espantado consigo mesmo, pensando: "Como me convenceram com tanta facilidade?".
 
Esta é a chave para entender muitos erros, nossos e dos nossos antepassados. Sabemos e reconhecemos a gravidade de uma transgressão e a vergonha que nos causará, mas quando o coração é seduzido, tudo é esquecido. Até mesmo gigantes espirituais, como Adam e Diná, acabaram caindo nas redes da sedução.
 
Então qual é o conselho para se proteger da sedução e não se tornar uma presa dela? Nossos sábios ensinam no Talmud (Avodá Zará 58b) que um Nazir, pessoa que fez um voto de se abster de certas coisas, entre elas de beber vinho e comer uva, ao precisar passar perto de um vinhedo, deve dar a volta e não cortar caminho por dentro dele, uma vez que pode vir a ser seduzido a quebrar seu voto. O comportamento do Nazir nos ensina que as transgressões são como uma escada, que é subida de degrau em degrau. Se você não quer chegar lá em cima, não comece a subir no primeiro degrau. Portanto, o único conselho existente para se proteger da sedução é afastar-se totalmente dela. Somente então o homem poderá ficar tranquilo em suas convicções, pois uma vez afastado da sedução, poderá julgar as situações com objetividade, sem estar subornado pelos desejos que cegam o ser humano e o desviam dos seus verdadeiros objetivos.

               

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 11 de novembro de 2021

FAÇA A SUA PARTE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIETSÊ 5782

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VÍDEOS DA PARASHÁ VAIETSÊ
ASSUNTOS DA PARASHÁ VAIETSÊ
  • Saída de Yaacov de Beer Sheva.
  • A visão de Yaacov.
  • Yaacov encontra Rachel e chora.
  • 7 anos de trabalho por Rachel.
  • A enganação de Lavan.
  • Após 7 anos de trabalho, Yaacov se casa com Lea.
  • Yaacov se casa com Rachel e trabalha mais 7 anos por ela.
  • Lea tem 4 filhos: Reuven, Shimon, Levi, Yehuda.
  • Yaacov se casa com Bilá, escrava de Rachel.
  • Bilá tem 2 filhos: Dan e Naftoli.
  • Yaacov se casa com Zilpá, escrava de Lea.
  • Zilpá tem 2 filhos: Gad e Asher.
  • Lea tem mais dois filhos: Issachar e Zevulun.
  • Lea tem uma filha: Diná.
  • Rachel tem um filho: Yossef.
  • Yaacov trabalha mais 6 anos para Lavan.
  • Lavan tenta enganar Yaacov.
  • Yaacov decide voltar.
  • Lavan persegue Yaacov e o alcança.
  • O Tratado de Yaacov e Lavan.
BS"D

FAÇA A SUA PARTE - PARASHÁ VAIETSÊ 5782 (12 de novembro de 2021)

                                                                                                
O Rav Elazar Menachem Man Schach zt"l (Lituânia, 1899 - Israel, 2001), ao relembrar-se de como escapou das tragédias do Holocausto, via claramente que em cada passo do caminho ele foi guiado pelas mãos de D'us. Ele costumava ensinar que quando a pessoa é incapaz de decidir por si mesma, a decisão é feita por ela pelos Céus. E ele exemplificava isso através de algo que aconteceu em um momento muito importante da sua vida.
 
No começo da 2ª Guerra Mundial, várias Yeshivót fugiram da Rússia comunista e foram para a cidade de Vilna, capital da democrática Lituânia. No entanto, em pouco tempo os russos conquistaram a cidade e mais uma vez muitos judeus tiveram que decidir para onde fugir. O Rav Schach tinha duas opções: viajar para Eretz Israel ou para a cidade de Kletzk, na Bielorússia, onde teria a oportunidade de poder continuar ensinando Torá. E, além disso, sua esposa havia trabalhado como farmacêutica em Kletzk e permaneceu lá quando o Rav Schach viajou para Vilna, devido aos pedidos dos moradores locais, para ajudar no preparo de remédios para eles. O Rav Schach continuava em dúvida e adiou sua decisão até o último momento.
 
O prazo final para a decisão caía em uma sexta-feira, véspera da leitura na Torá da Parashá Lech Lechá. Esse era o último dia para realizar os procedimentos necessários para uma possível viagem, e ele tinha que ir ao correio para enviar uma carta para sua esposa com uma das duas escolhas: ou ele iria se encontrar com ela em Kletzk e ficar por lá, ou ela viajaria até Vilna para encontrar-se com ele e de lá partiriam para Eretz Israel. A dúvida em sua cabeça era grande. Como tomar a decisão? Ele então preparou duas cartas, em dois envelopes distintos, um com o plano "A" e o outro com o plano "B", para que pudesse ficar ponderando na fila do correio sobre qual decisão tomar. Ele estava aguardando na fila, pesando os prós e contras das duas opções, porém sem conseguir decidir-se. Ao chegar sua vez de ser atendido, ele ainda estava indeciso e ficou parado, olhando para os dois envelopes. Seus pensamentos foram abruptamente interrompidos pelos gritos do funcionário do correio, dizendo que ele estava atrapalhando a fila. Sem cerimônias, ele pegou um dos envelopes da mão do Rav Schach e despachou. O Rav Schach ficou abismado com a atitude grosseira do funcionário e disse:
 
- Espere, eu não lhe dei este envelope! Por que você o tirou das minhas mãos? Talvez eu quisesse enviar a outra mensagem! Por que você fez isso?"
 
O atendente simplesmente ignorou o Rav Shach e disse: "Próximo!". O Rav Shach percebeu que seria perda de tempo ficar discutindo, e então abriu o envelope remanescente e entendeu que sua esposa iria estar brevemente recebendo uma carta com instruções de viajar imediatamente para Vilna, com destino final em Eretz Israel.
 
O funcionário mal-humorado do correio foi enviado dos Céus para "escolher" qual era a decisão correta a ser tomada e mostrar o caminho que levaria o Rav Shacha à sobrevivência e sucesso em Eretz Israel. O Rav Shach sobreviveu à guerra e acabou se tornando um dos maiores Roshei Yeshivá da história do povo judeu. Em um momento de dificuldade e indecisão, ele fez a sua parte e D'us fez o resto.

Nesta semana lemos a Parashá Vaietsê (literalmente "E saiu"), que descreve os 20 anos de Yaacov na casa de seu tio Lavan. Fugindo da fúria de seu irmão Essav, que queria matá-lo, Yaacov aproveitou para procurar uma esposa na cidade de Haran. Ele sabia que a convivência na casa de Lavan não seria fácil, por isso também se preparou espiritualmente durante 14 anos na Yeshivá de Shem e Ever, descendentes de Noach.
 
A viagem de Yaacov para Haran foi marcada por milagres e uma incrível revelação de D'us, que prometeu protegê-lo e trazê-lo de volta em paz para Eretz Israel. Porém, logo no início da Parashá há uma aparente contradição. A Parashá começa falando sobre a viagem de Yaacov, como está escrito: "E Yaacov partiu de Beer Sheva e foi para Haran" (Bereshit 28:10). Porém, depois disso está escrito: "E ele encontrou o lugar e dormiu ali, pois o sol tinha se posto" (Bereshit 28:11). A que lugar o versículo se refere? A Beit E-l, o local sagrado onde Avraham havia elevado Yitzchak sobre o altar, e onde futuramente seria construído o Templo.
 
Porém, se o versículo disse inicialmente que Yaacov havia saído de Beer Sheva, que fica em Eretz Israel, e havia chegado em Haran, que fica onde atualmente é a região do Iraque, então como o próximo versículo diz que Yaacov chegou ao local do Templo, que também fica em Eretz Israel? Explica o Talmud (Sanhedrin 95b) que realmente Yaacov chegou até Haran, após uma longa viagem. Porém, quando ele chegou lá, lembrou-se de algo importante: "É possível que eu tenha passado pelo lugar onde meus antepassados rezaram e não rezei lá?". Ele então decidiu retornar a Beit E-l. Uma vez que ele pensou em voltar, muitos milagres aconteceram, entre eles o encurtamento do caminho, como está escrito "E ele encontrou o lugar", indicando que ele chegou lá inesperadamente, mais cedo do que teria chegado normalmente. Além disso, D'us fez o sol se pôr mais cedo, para forçar Yaacov a dormir e ter visões espirituais incríveis.
 
Mas por que D'us não o fez se lembrar de passar por Beit E-l durante o caminho? Haran fica muito longe de Israel, então por que somente lá D'us fez Yaacov se lembrar? Se ele tivesse se lembrado antes, D'us nem precisaria ter feito tantos milagres! A resposta é que D'us queria ver a reação de Yaacov. Ao fazer ele se lembrar somente em Haran, D'us deu a Yaacov duas opções: ficar chateado por ter perdido uma boa oportunidade, mas não fazer nada a respeito; ou se levantar e reiniciar o caminho de volta. Yaacov não queria perder nenhuma oportunidade espiritual. Ao invés de ficar chateado, queixando-se da vida, ele se levantou e começou o longo caminho de volta. D'us fez um milagre e encurtou o caminho para ele. Porém, o milagre só aconteceu após Yaacov ter feito a sua parte. Isto significa que, caso Yaacov não tivesse voltado, ele teria perdido aquela incrível revelação de D'us.
 
O mesmo conceito vemos em relação a Moshé Rabeinu. Quando ele nasceu, sua casa se iluminou. Ele era um predestinado para salvar o povo judeu. D'us o salvou de forma milagrosa, quando ele foi colocado em uma cesta à deriva no Rio Nilo. Moshé foi encontrado por Batia, a filha do mesmo Faraó que havia decretado que os bebês deveriam ser atirados no rio. E, mesmo assim, Moshé foi criado com toda a segurança dentro do palácio do Faraó. Somente muitos anos depois D'us se revelou para Moshé e o apontou como o líder e salvador do povo judeu, em uma experiência transcendental, como está escrito: "Um anjo de D'us apareceu a ele em uma chama de fogo de dentro da sarça, e eis que a sarça estava queimando, mas não estava sendo consumida. Então Moshé disse: "Deixe-me virar agora e ver este grande espetáculo...". D'us viu que ele havia se virado para ver, e D'us o chamou de dentro da sarça e disse: "Moshé, Moshé!"" (Shemot 3:2-4).
 
O que chama a atenção nestes versículos é a linguagem "D'us viu que ele havia se virado para ver". Há uma discussão de qual foi exatamente a atitude de Moshé ao ver aquele fenômeno incrível acontecendo. Uma opinião diz que ele deu cinco passos em direção à sarça ardente, enquanto outra opinião diz que ele simplesmente parou e virou seu rosto para observar. Explica o Rav Yaakov Galinsky zt"l (Polônia, 1920 - Israel, 2014) que se Moshé não tivesse parado para ver, D'us não teria falado com ele. D'us estava esperando a iniciativa de Moshé. Se ele não tivesse tomado nenhuma atitude, o povo judeu estaria no Egito até hoje!
 
Mesmo a salvação de Moshé também foi um grande milagre. O Midrash ensina que Batia estava longe da cestinha de Moshé e não conseguia alcançá-la. Mesmo assim, ela tentou estender sua mão e um grande milagre aconteceu: sua mão se esticou quase 30 metros! Somente desta maneira ela conseguiu salvar Moshé. Se ela não tivesse tentado, se não tivesse estendido sua mão, nada teria acontecido.
 
O ponto em comum entre estes três importantes acontecimentos, que mudaram a história do povo judeu e da humanidade, é que a salvação já estava pronta, através de pessoas predestinadas a grandes feitos. Porém, se eles não tivessem tomado nenhuma atitude, se não tivessem feito a sua parte, D'us também não teria iniciado os grandes milagres e salvações que vieram em seguida. Tudo o que D'us exige de nós é uma demonstração de vontade e comprometimento, como dizem os nossos sábios: "Abram para Mim uma abertura como o furo de uma agulha, e Eu abrirei para vocês uma abertura como a porta do salão". 
 
O que faríamos se estivéssemos no lugar de Yaacov? Quantas vezes surge uma Mitzvá importante, mas abrimos mão porque é longe ou precisa de mais esforço do que o normal? A história do mundo foi transformada por pessoas que tomaram atitudes na hora certa. Por exemplo, até os 40 anos de idade o grande Rabi Akiva era completamente afastado do estudo da Torá. O que o fez sair de sua inércia? A vista de uma pedra sendo furada por gotas d'água. Ele entendeu que se ele insistisse, a Torá conseguiria entrar em seu coração, da mesma forma que a água insistentemente golpeia a pedra até furá-la. Porém, quantas vezes já vimos esta mesma cena, da água furando uma pedra? E o que nós fazemos? Tiramos uma selfie e postamos nas redes sociais. Rabi Akiva tomou uma atitude. Ele imediatamente foi estudar Torá. Ele insistiu, mais uma vez e mais uma vez, até se tornar o maior rabino da sua geração, o responsável por uma Yeshivá de 24 mil alunos. Ele fez a sua parte, e D'us lhe deu os conhecimentos e "abriu sua cabeça" para uma nova realidade espiritual.
 
Este é o segredo do sucesso: tomar atitudes e persistir. É verdade que, em última instância, tudo depende de D'us, mas muitas vezes Ele espera nossa atitude antes de fazer os Seus milagres.
               

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R' Efraim Birbojm

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