quinta-feira, 15 de julho de 2021

NÃO PERCA O FOCO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5781

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
  
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT

PARASHÁ DEVARIM



São Paulo: 17h18                  Rio de Janeiro: 17h06 
Belo Horizonte: 17h14                  Jerusalém: 19h10
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
VÍDEO DA PARASHÁ DEVARIM
VÍDEO DE TISHÁ BE AV
ASSUNTOS DA PARASHÁ DEVARIM
  • Moshé começa a relembrar principais acontecimentos.
  • Bronca "encoberta" de Moshé.
  • Apontando juízes sobre o povo.
  • Episódio dos espiões.
  • Encontro com Essav (Terra de Seir).
  • Encontro com Moav.
  • Encontro com Amon.
  • A conquista de Og.
  • A herança das Tribos de Reuven, Gad e metade de Menashe.
BS"D

NÃO PERCA O FOCO - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5781 (16 de julho de 2021)


David, um jovem frequentador da sinagoga, foi falar com o rabino. Com o semblante bastante carregado e visivelmente incomodado, ele disse que não pretendia nunca mais voltar naquela sinagoga.
 
- Mas por que? - perguntou o rabino, assustado - O que aconteceu de tão grave?
 
- Não aconteceu nada grave, mas cansei desse lugar - respondeu David - Há um frequentador que está sempre falando mal dos outros. Há outro frequentador que não sabe conduzir a Tefilá. Mas o pior são as pessoas que, durante a Tefilá, ficam olhando o celular. Isso apenas para citar alguns exemplos, entre tantas e tantas coisas erradas que eu vejo as pessoas fazendo nesta sinagoga. Não aguento mais ver isso toda vez!
 
- Ok, se você quer ir embora, não vou te impedir - disse o rabino, com serenidade - Mas antes quero que você me faça um último favor. Pegue uma colher cheia de água e dê três voltas pela sinagoga, quando estiver lotada, sem derramar nenhuma gota de água no chão. Depois disso, você pode ir embora.
 
David não entendeu o que o rabino queria. Porém, em respeito, fez o que ele pediu. David esperou pelo momento no qual a sinagoga estava cheia e deu as três voltas segurando uma colher cheia de água, concentrado para que nenhuma gota caísse. Quando terminou, o rabino perguntou:
 
- Quando você estava dando as voltas, por acaso você viu algum judeu falando mal dos outros? Talvez você viu se a pessoa que estava conduzindo a Tefilá rezou direito? Ou você percebeu alguém olhando o celular?
 
- Não vi nada disso - respondeu David.
 
- Sabe por que? - concluiu o rabino - Pois você estava focado na colher, para não derramar a água. O mesmo ocorre em nossas vidas. Quando mantemos o foco em cumprir nossos objetivos espirituais, então não temos tempo para ver os erros dos outros. Se você está enxergando tantos erros nos outros, é sinal que perdeu completamente o foco. Isto significa que o problema não está nos outros, está em você mesmo.

Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim, que traz os discursos finais de Moshé Rabeinu antes do seu falecimento e da entrada do povo judeu na Terra de Israel. E na Parashá desta semana, Devarim (literalmente "Palavras"), Moshé dá uma bronca no povo por alguns erros que eles cometeram durante os 40 anos em que permaneceram no deserto. Um dos erros que Moshé chamou a atenção do povo foi o envio dos espiões, quando estavam prestes a entrar em Israel. Dos 12 espiões enviados, 10 voltaram falando mal da terra, afirmando ser impossível conquistá-la, pois as cidades eram extremamente fortificadas e eram habitadas por gigantes. A consequência foi que o povo inteiro chorou em vão, dizendo: "D'us nos tirou do Egito por ódio, para nos matar no deserto". Mesmo após tantos milagres e bondades de D'us, o povo judeu não soube reconhecer e agradecer. D'us então disse ao povo judeu: "Hoje vocês choraram sem motivo. Darei para vocês, nas futuras gerações, motivos para chorar". Este dia era Tishá Be Av.
 
Talvez este é um dos motivos pelo qual sempre lemos a Parashá Devarim antes de Tishá Be Av, que neste ano começa logo após o término do Shabat (17 de julho). É um dia de choro e de luto, no qual nos abstemos de comer e beber, de vestir sapatos de couro, de relações maritais, de nos lavarmos por prazer e de passarmos óleo e cremes no corpo. Além de nos enlutarmos também por outras tragédias, choramos em especial pela perda dos nossos dois Templos Sagrados, que foram destruídos exatamente em Tishá Be Av, conforme D'us havia profetizado que teríamos realmente motivos para chorar neste dia. Este choro já se estende por quase dois mil anos. Por que não conseguimos ainda ter méritos para nos alegrarmos com a reconstrução do nosso Templo Sagrado?
 
Para responder esta pergunta, precisamos entender os motivos que levaram à destruição do nosso Templo. O Talmud (Gitin 55b) descreve muitos detalhes das tragédias que ocorreram na época da destruição dos dois Templos Sagrados. Dois judeus, Kamtza e Bar Kamtza, são identificados como os responsáveis pela destruição de Jerusalém. O Talmud descreve com detalhes o incidente envolvendo estes dois judeus, que culminou com a destruição de Jerusalém e do Segundo Templo. Um indivíduo organizou uma festa e enviou seu empregado para convidar Kamtza, seu amigo. No entanto, o empregado cometeu um grande equívoco e convidou Bar Kamtza em seu lugar, alguém que era inimigo do dono da festa. Bar Kamtza foi à festa, talvez entendendo que o anfitrião queria fazer as pazes. Porém, quando o anfitrião viu Bar Kamtza sentado entre seus convidados, ele proclamou: "Por acaso este homem não é inimigo daquele homem? O que você está fazendo aqui?". Apesar de Bar Kamtza ter implorado para não ser humilhado publicamente, o anfitrião o expulsou da festa de maneira vergonhosa, diante de todos os outros convidados, que também nada fizeram. O Talmud relata que, para se vingar de sua humilhação pública, Bar Kamtza foi às autoridades romanas e caluniou os judeus, o que acabou resultando na trágica destruição de Jerusalém.
 
Porém, este incidente desperta muitos questionamentos. Em primeiro lugar, segundo o Talmud (Yoma 9b), o Segundo Templo foi destruído como resultado do "Sinat Chinam", o "ódio gratuito e infundado". Mas o que significa um "ódio gratuito e infundado"? Normalmente, todo ódio que uma pessoa sente é tem algum motivo por trás, como uma briga ou um desentendimento. A menos que a pessoa tenha tendências psicopatas, por que alguém odiaria outra pessoa sem motivos? Então o que significa o termo "ódio gratuito e infundado"? Além disso, qual é a relação entre o incidente de Kamtza e Bar Kamtza, trazido por uma fonte do Talmud como sendo o motivo da destruição do Segundo Templo, e o ódio infundado, o motivo trazido por outra fonte do Talmud? O Talmud indica que já havia algum problema entre o anfitrião e Bar Kamtza, tanto que o convite ocorreu apenas por um equívoco do empregado. Se já existia uma briga e algum motivo de descontentamento anterior, por que este incidente está relacionado com o "ódio infundado" que destruiu o Templo?
 
Também nos chama a atenção a reação do dono da festa. Ao se deparar com Bar Kamtza, ele disse: "Por acaso este homem não é inimigo daquele homem? O que você está fazendo aqui?". Esta reação requer uma reflexão. O entendimento mais superficial destas palavras é que o anfitrião se refere a si mesmo em terceira pessoa, identificando Bar Kamtza como sendo seu inimigo. Porém, por que o anfitrião se referiria a si mesmo na terceira pessoa, como "aquele homem", ao invés de simplesmente dizer "Este homem é meu inimigo"? Além disso, se este é um exemplo de ódio infundado, a reação do dono da festa deveria ter sido mais visceral e explosiva. Mas aparentemente o homem foi extremamente comedido e falou inclusive em um tom "filosófico" e racional. O ódio não deveria fazer a reação ter sido mais violenta?
 
Finalmente, por que Kamtza e Bar Kamtza são apontados pelo Talmud como os responsáveis pela destruição de Jerusalém? O dono da festa não deveria ter sido responsabilizado no lugar de Kamtza? Afinal, o que Kamtza fez de errado, além de ter um nome parecido com Bar Kamtza?
 
Explica o Rav Yochanan Zweig que realmente uma pessoa normal geralmente não nutre sentimentos de ódio por outro ser humano a menos que perceba que aquele indivíduo a prejudicou de alguma maneira. No entanto, há uma exceção a esta regra, algo que, infelizmente, já dividiu muitas comunidades judaicas em todo o mundo: a percepção de que os amigos de uma pessoa não podem se associar aos inimigos dela, pois isto seria visto como um ato de traição. A pessoa espera que seus amigos sintam o mesmo desdém que ela sente por seus inimigos, isto é, que odeiem seus inimigos simplesmente porque ela os odeia, que "comprem sua briga", mesmo que não tenham nada a ver com a história. Isso é "Sinat Chinam", um ódio sem nenhum motivo.
 
Desta maneira podemos entender o que o Talmud está nos ensinando. A disputa original era entre Kamtza e Bar Kamtza, conforme indicado pela reação do anfitrião: "Por acaso este homem (Bar Kamtza) não é inimigo daquele homem (Kamtza)?". O anfitrião não estava se referindo a si mesmo na terceira pessoa, ao contrário, ele estava se referindo ao seu amigo Kamtza. Portanto, o anfitrião não reagiu emocionalmente e de forma explosiva, e sim com a compreensão intelectual de que, sendo Bar Kamtza inimigo de seu amigo Kamtza, ele também deveria odiar Bar Kamtza. É por esta razão que o Talmud afirma que Jerusalém foi destruída por causa de Kamtza e Bar Kamtza. Foi a disputa deles, juntamente com a insistência de Kamtza para que seus amigos "comprassem sua briga" e não se associassem ao seu inimigo Bar Kamtza, que causou o ódio no dono da festa. Um ódio gratuito e infundado, pois Bar Kamtza nunca havia feito nada de mal ao anfitrião.
 
Se quase dois mil anos se passaram e não tivemos o mérito de reconstruir o nosso Templo Sagrado, isso é sinal de que ainda não conseguimos consertar este ódio gratuito. O ódio gratuito está em comprarmos brigas que não são nossas, em tomar partidos em discussões que não nos dizem respeito. O ódio gratuito está em perdermos o foco, pois ao invés de prestarmos atenção nos nosso próprios erros e defeitos, prestamos atenção nos erros e defeitos dos outros. Somente quando estivermos mais preocupados com os nossos objetivos e com o conserto dos nossos próprios erros é que estaremos dando a nossa verdadeira contribuição para a reconstrução do nosso Templo Sagrado. Que seja em breve.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania, Mara bat Chana Mirel, Dina bat Celde, Celde bat Lea, Rivka Lea bat Nechuma, Mordechai Ben Sara, Simcha bat Shengle, Chaia bat Yehudit.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l, Reuven ben Alexander z"l, Mechel ben Haim z"l, Yaacov ben Israel z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp

quinta-feira, 8 de julho de 2021

CRESCENDO ATÉ NAS PARADAS DA VIDA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5781

  
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT

PARASHIÓT MATÓT E MASSEI



São Paulo: 17h15                  Rio de Janeiro: 17h04 
Belo Horizonte: 17h11                  Jerusalém: 19h12
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
VÍDEO DAS PARASHIÓT MATÓT E MASSEI
ASSUNTOS DAS PARASHIÓT
PARASHÁ MATÓT
  • Juramentos e Promessas.
  • Atacando os Midianim.
  • Moshé critica a decisão dos oficiais de poupar as mulheres.
  • Purificação depois da guerra.
  • Divisão dos despojos de guerra.
  • Dedicação de parte dos despojos de guerra.
  • O Pedido de Reuven e Gad.
  • Bronca de Moshé.
  • O pedido é esclarecido.
  • As Condições de Moshé.
PARASHÁ MASSEI
  • Resumo das viagens.
  • As viagens finais.
  • Orientações para ocupação da Terra de Israel.
  • As fronteiras da Terra de Israel.
  • Nova liderança para a Terra de Israel.
  • As Cidades dos Levim.
  • As Cidades de Refúgio.
  • Proibição de casamentos entre as Tribos.
     


 
BS"D
CRESCENDO ATÉ NAS PARADAS DA VIDA - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5781 (09/julho/2021)
 
Thomas Edison foi um dos maiores inventores da história da humanidade. Entre seus preciosos inventos estão a lâmpada e a bateria elétrica. Quando escutamos sobre seu sucesso, muitas vezes pensamos que sua vida foi fácil. Porém, há um incidente impressionante que nos ensina quantos desafios ele teve que superar até chegar ao sucesso. Certo dia, quando ainda era pequeno, ele chegou em casa da escola com um bilhete para sua mãe.

- O professor me deu este papel para entregar apenas a você - disse Thomas Edison, sem saber do que se tratava.

Os olhos da mãe lacrimejaram ao ler o bilhete. Thomas Edison ficou ao lado dela, olhando, curioso. O que estaria escrito naquele bilhete? Ela então resolveu ler o bilhete em voz alta para o seu filho:

- Sra. Edison, seu filho é um gênio. Esta escola é muito pequena para ele e não há professores no nível dele para ensiná-lo. Por favor, ensine-o você mesmo!
 
E assim ela fez. Com muito esforço, ela pessoalmente estudava com ele todos os dias. Depois de muitos anos, Thomas Edison tornou-se um dos maiores inventores do século. Após o falecimento de sua mãe, encontrou em um baú o bilhete recebido na infância. Porém, ao ler o bilhete, percebeu que o conteúdo era completamente diferente do que sua mãe havia lido anos atrás. Assim estava escrito: "Sra. Edison, seu filho é confuso e tem problemas mentais. Não vamos mais permitir que ele venha à escola".

Thomas Edison chorou durante horas, e então escreveu em seu diário: "Thomas Edison era uma criança confusa, mas graças a uma mãe heroína e dedicada, tornou-se o gênio do século".

Com os incentivos corretos, podemos crescer sempre, apesar das dificuldades. Não podemos nos acomodar na vida, sem lutar contra nossos desafios. Assim são criados os grandes vencedores.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matót (literalmente "Tribos") e Massei (literalmente "Viagens"). A Parashá Matót fala sobre juramentos e promessas, a guerra de vingança contra Midian e o pedido de duas Tribos, Reuven e Gad, para ficarem fora da Terra de Israel. Já a Parashá Massei traz um resumo das viagens do povo judeu durante os 40 anos no deserto e a ordem para o estabelecimento das Cidades dos Leviim e de Refúgio.   
 
Algo que nos chama a atenção é que a Parashá Massei começa com as seguintes palavras: "Estas são as viagens do povo judeu" (Bamidbar 33:1). O que esperaríamos? Que a Torá descrevesse os lugares por onde o povo judeu percorreu no deserto. Porém, ao contrário do que seria lógico, a Torá nos ensina os locais de acampamento do povo judeu. "Viagem" normalmente está associado ao momento em que alguém sai de um lugar e vai para outro, e não quando está acampado. Então por que a Torá anuncia as "viagens" do povo judeu, mas descreve os lugares onde eles acamparam?
 
Rashi, em seu comentário sobre as viagens do povo judeu de acordo com a "Nuvem de D'us" (Shemot 40:38), dá uma explicação para esta aparente incoerência. Ele explica que, como o povo judeu sempre partia para suas viagens a partir dos locais onde estavam acampados, esses acampamentos também eram chamados de "viagens". Como cada acampamento eram o ponto de partida de uma nova viagem, também era considerado parte da viagem.
 
Mas esta abordagem de Rashi não explica completamente o motivo pelo qual a Torá escolheu, ao listar os lugares de acampamento do povo judeu, referir-se a eles como "viagens". Embora entendamos que tecnicamente isto seja válido, por que a Torá escolheu esse termo para se referir ao acampamento do povo judeu? Por que a Torá não escreveu "Estes são os locais de acampamento do povo judeu"? Qual mensagem D'us quer nos transmitir?
 
A resposta está em um dos primeiros testes que Avraham Avinu passou na vida, quando D'us falou para ele: "Saia da sua terra, do seu local de nascimento e da casa de seu pai, e vá para a terra que Eu vou te mostrar" (Bereshit 12:1). O Rav Yehudah Arie Leib Alter zt"l (Polônia, 1847 - Alemanha, 1905), mais conhecido como Sfat Emet, ensina algo notável. Mencionando o Zohar, ele ensina que todos os dias uma Voz Celestial comanda toda a humanidade a deixar sua zona de conforto, assim como Avraham foi instruído a fazer. Avraham não foi o único que foi comandado a deixar sua casa, mas foi apenas o primeiro que conseguiu escutar essa Voz. Isso vale para cada um de nós. Há aqueles que escutam e cumprem o comando de D'us, e há aqueles que não escutam.
 
Explica o Rav Elchanan Shoff que a mensagem aqui é muito importante. Todos nós somos ordenados a nos movermos constantemente, a mudarmos e crescermos. Qual são os principais argumentos que usamos para permanecermos nas nossas zonas de conforto? "Isso não é para mim" ou "Isso é demais, nunca conseguirei chegar lá". Porém, isso é um engano, é parte de uma das principais artimanhas do nosso Yetser Hará (má inclinação), que não quer nos deixar crescer. O que parece inconcebível para uma pessoa em seus estágios iniciais torna-se factível se ela superar as barreiras que vão surgindo em seu caminho. Por exemplo, uma pessoa que pensa que aprender a rezar em hebraico é impossível precisa começar simplesmente aprendendo o "Alef-Beit". E o mesmo acontece com a pessoa que não consegue conceber a possibilidade de conhecer todos os Tratados do Talmud. Tudo o que esta pessoa precisa fazer é começar a estudar. Após algum tempo e esforço, ela vai perceber que o impossível transformou-se em real. Ao rompermos uma barreira na vida, abrimos um novo caminho de crescimento. E isso não é apenas uma escolha, há uma Voz Celestial que exige isso de nós a cada dia, que nos incentiva, que nos diz: "Não pare, não se conforme com sua situação atual, não deixe de querer mais". A imagem da realidade que temos não é tudo o que existe. Precisamos sair e procurar por algo mais, e então cada vez enxergaremos com maior claridade o nosso verdadeiro potencial.
 
É interessante perceber que quando D'us comandou a Avraham que saísse de sua casa, não informou que ele iria para a Terra de Israel, apenas disse para que ele fosse "para a terra que Eu vou te mostrar". Uma primeira explicação é que a Terra de Israel representa nosso crescimento espiritual, nosso potencial verdadeiro. Avraham não teria entendido até onde ele poderia chegar se D'us já tivesse revelado para ele. Então D'us simplesmente falou "vá para a terra que Eu vou te mostrar", pois somente lá você entenderá seu verdadeiro potencial, onde você realmente conseguirá chegar caso se esforce.
 
Além disso, o lugar para onde D'us queria que Avraham viajasse era "a terra que Eu vou te mostrar", isto é, não apenas para um novo lugar físico, mas para uma nova forma de viver a vida, na qual não há limites. Uma vida na qual D'us estaria sempre mostrando onde se pode chegar, onde sempre haveria mais para ver e para realizar.
 
É para este mesmo lugar que devemos querer viajar. Se uma pessoa aprendeu uma parte da Torá, ela deve querer aprender as outras partes. Se uma pessoa já faz Tefilá, ela deve querer fazer com mais Kavaná. Não podemos simplesmente acampar onde estamos. Acreditar que as coisas como as vemos neste momento são a imagem completa da realidade é um grande perigo. Avraham veio ao mundo para começar a ensinar à humanidade que temos que continuar tratando nossas realizações apenas como um degrau para começar novas conquistas.
 
A relutância de uma pessoa em relação às mudanças fala muito sobre ela. Se uma pessoa não conseguir conceber que ainda pode crescer, provavelmente não o fará. Mas quando uma pessoa está pronta para "sair de onde está", se ela conseguir abandonar seus limites e as noções que coletou até aquele momento, e viajar para um novo "lugar", ela descobrirá que coisas que ela nunca concebeu são possíveis. Frequentemente a maior influência que uma pessoa pode ter sobre os outros não é através de aulas, mas através do exemplo pessoal, simplesmente mostrando que "alguém como você pode de fato chegar lá".
 
Esta é uma das maneiras mais poderosas que temos de influenciar os outros, pois quando uma pessoa vê que algo é possível, até mesmo uma porta trancada em sua cabeça pode se abrir e ela finalmente poderá crescer. Esta é a força dos Baalei Teshuvá, pessoas afastadas que se aproximaram da Torá. Um Baal Teshuvá mostra ao mundo que não importa o quanto uma pessoa possa estar afastada de D'us e da Torá, ela pode voltar e se conectar com a espiritualidade. Isso tira o argumento de que "não é possível mudar" ou "já passei da idade". Um homem chamado Akiva era um completo analfabeto até os 40 anos de idade, mas gotas de água em uma pedra abriram uma porta em sua cabeça. Inspirado, ele dedicou-se dia e noite ao estudo da Torá. Assim nascia Rabi Akiva, um gigante espiritual, que voltou para casa com vinte e quatro mil alunos.
 
Nosso trabalho não é dar grandes passos de uma vez. Em um jogo de beisebol, acertar a rebatida da bola ainda não é a garantia da conquista de um ponto. Depois da rebatida, o jogador ainda precisa correr todas as bases para pontuar. Porém, acertar a rebatida já é uma grande conquista. Em primeiro lugar, já é o começo de um processo. Além disso, é uma injeção de energia e entusiasmo, pois a pessoa percebe que pode acertar. Mesmo que ainda não completou o ponto, ela já sente que é possível alcançar o sucesso.
 
As paradas do povo judeu nada mais eram do que lugares a partir de onde viajariam. Portanto, as paradas já eram parte das futuras jornadas. As pequenas realizações que podemos ter na vida, por menores que sejam, são valiosas, pois são um trampolim para escalarmos até o próximo nível. Há uma Voz Celestial que exige isso de nós, mas precisamos sintonizar nosso coração para ouvir essa Voz e termos a coragem e a ousadia de atendê-la.

 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania, Mara bat Chana Mirel, Dina bat Celde, Celde bat Lea, Rivka Lea bat Nechuma, Mordechai Ben Sara, Simcha bat Shengle, Chaia bat Yehudit.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l, Reuven ben Alexander z"l, Mechel ben Haim z"l, Yaacov ben Israel z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp