quinta-feira, 23 de julho de 2020

VALORIZE O QUE VOCÊ RECEBE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT DEVARIM 5780






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PARASHAT DEVARIM 5780:

São Paulo: 17h21                   Rio de Janeiro: 17h10
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VÍDEOS DA PARASHAT DEVARIM

BS"D

ASSUNTOS DA PARASHAT
 
- Moshé começa a relembrar os principais acontecimentos
- Bronca "encoberta" de Moshé.
- Apontando juízes sobre o povo.
- Episódio dos espiões.
- Encontro com Essav (Terra de Seir).
- Encontro com Moav.
- Encontro com Amon.
- A conquista de Og.
- A herança de Reuven, Gad e metade de Menashe.

VALORIZE O QUE VOCÊ RECEBE - PARASHAT DEVARIM 5780 (24 de julho de 2020)

"O Rabino Yisrael Zev Gustman zt"l (Lituânia,1908 - Israel, 1991) foi um famoso Talmid Chacham que, com apenas 20 anos, já tinha uma posição no Beit Din do grande Rav Chaim Ozer Grodzinski zt"l. Ele sobreviveu milagrosamente ao Holocausto, foi para os Estados Unidos e, muitos anos depois, foi para Jerusalém, onde fundou uma proeminente Yeshivá. Porém, havia algo que chamava muito a atenção dos seus alunos. Todos os dias de manhã, o Rav Gustman acordava muito cedo e pessoalmente cuidava do jardim da Yeshivá. Certa vez, um dos alunos tomou coragem e perguntou:

- Rav, você é o um Rosh Yeshivá, uma pessoa extremamente ocupada. Por que você se dedica pessoalmente todas as manhãs a regar as plantas do jardim da Yeshivá? Por que você não contrata um jardineiro para isso?

- Caro rapaz, ouça bem o que vou te ensinar agora - respondeu o Rav Gustman, com um sorriso - Há muitos anos, o meu Rebe do Cheider levou toda a minha turma para uma floresta e começou a nos ensinar dicas de sobrevivência. Ele nos ensinou a identificar quais plantas eram comestíveis e quais eram venenosas. Eu não entendia por que o Rebe, ao invés de estar nos ensinando Torá, estava dando uma aula de botânica. No entanto, anos depois, quando os nazistas invadiram Vilna, eu e minha família conseguimos fugir para a floresta, poucos dias antes deles exterminarem todo o Gueto onde vivíamos. Nos escondemos na floresta por 3 longos anos, sobrevivendo na natureza com os ensinamentos que, "Min Hashmaim" (através da Supervisão Divina), meu Rebe havia me transmitido naquele dia. Finalmente, quando a guerra terminou, com a ajuda de D'us pudemos ir para os Estados Unidos.

- Portanto, meu jovem rapaz - concluiu o Rav Gustman - como foi graças às plantas que eu e minha família pudemos sobreviver durante o Holocausto, todos os dias eu dedico alguns minutos do meu tempo precioso para regar as plantas da Yeshivá, como um ato de "Hakarat HaTov" (reconhecimento pelas bondades recebidas), por terem salvado a minha vida e a vida da minha família nos momentos mais difíceis."

Hakarat HaTov significa nunca mais esquecer as bondades recebidas e, sempre que possível, retribuir.

Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim, também conhecido como "Mishnê Torá" (a repetição da Torá), pois este livro é dedicado integralmente às últimas palavras de Moshé ao povo judeu, em sua despedida, antes do seu falecimento e da entrada do povo judeu na Terra de Israel. Moshé deixou para o final da sua vida a importante missão de recapitular os principais acontecimentos dos últimos 40 anos em que o povo judeu passou no deserto, apontando os erros cometidos, justamente para possibilitar que o povo aprendesse com seus tropeços e não voltasse a cometê-los no futuro.

Na Parashat desta semana, Devarim (literalmente "palavras"), Moshé relembrou o momento em que o sistema judiciário do povo judeu foi modificado, com a criação de várias instâncias de justiça, responsáveis por cuidar de todos os casos de questionamentos e disputas, desde os mais simples até os mais complexos. Moshé relembra que havia advertido aos recém nomeados juízes a não mostrar nenhum tipo de favoritismo que pudesse comprometer o veredicto de um caso que estivessem julgando, conforme está escrito "E eu ordenei aos juízes naquele momento e disse: 'Escutem (as discussões) entre seus irmãos e julguem-nos com retidão'" (Devarim 1:16). Em outras palavras, Moshé estava advertido os juízes a serem corretos e justos, não aceitando nenhum tipo de suborno, pois, conforme afirma a Torá, "o suborno cega os olhos do sábio" (Devarim 16:19).

Na sociedade na qual vivemos atualmente, onde a moralidade está tão corrompida, infelizmente o conceito de suborno tornou-se algo normal e, algumas vezes, até mesmo aceitável. Em nossa concepção, suborno refere-se à aceitação, por parte de um juiz, de favores ou considerações pessoais que fazem com que ele veja um dos litigantes de forma mais favorável do que o outro, influenciando diretamente na forma como ele conduz seu julgamento. Porém, o Talmud (Ketubot 105b) nos ensina que suborno não refere-se necessariamente a vantagens monetárias. Mesmo favores mínimos, pequenos agrados e gestos, por mais insignificantes que possam parecer, podem afetar a percepção de um juiz e causar um desvio no seu julgamento. O Talmud afirma que até mesmo dizer coisas agradáveis e lisonjeiras a um juiz é considerado suborno, pois pode distorcer um julgamento.

O Talmud traz uma lista de vários sábios que recusaram-se a participar em um julgamento após receberem pequenos favores. Mas o que nos chama a atenção nestes casos é que tratam-se de coisas tão triviais que dificilmente consideraríamos suborno. Por exemplo, o grande sábio Shmuel estava tendo dificuldades para atravessar uma ponte e foi prontamente ajudado por uma pessoa que passava por ali. Shmuel perguntou ao homem qual era o motivo pelo qual ele estava passando por ali, e ele, sem saber que estava diante do grande sábio, respondeu que tinha um caso a ser julgado no Beit Din presidido pelo sábio Shmuel. Ao escutar isso, Shmuel imediatamente desqualificou-se para o julgamento do caso, com medo de que o favor recebido, a ajuda para atravessar a ponte, pudesse inconscientemente fazê-lo querer que aquele homem ganhasse o caso.

Outro grande sábio do Talmud, chamado Ameimar, estava sentado em seu Beit Din quando uma pena pousou sobre a sua cabeça. Uma pessoa que estava presente prontamente levantou-se e removeu a pena de sua cabeça. Ameimar perguntou ao homem o que ele fazia no Beit Din e ele respondeu que estava aguardando o julgamento do seu caso. Ameimar imediatamente desqualificou-se como juiz daquele caso, por sentir-se subornado pelo ato de gentileza daquele homem.
    
Um terceiro caso interessante aconteceu com um grande sábio chamado Mar Ukba. Certa vez alguém cuspiu diante de Mar Ukba e, para evitar que o grande sábio pisasse no cuspe, outra pessoa correu e cobriu a saliva com um lenço. Quando Mar Ukba descobriu que aquele homem que havia sido gentil tinha um caso a ser julgado por ele, imediatamente desqualificou-se para o julgamento.

É incrível ver o nível de rigorosidade que estes sábios, de elevado temor a D'us, impunham sobre si mesmos em relação aos cuidados com o suborno. Porém, o Rav Avraham Yaacov Pam zt"l (Lituânia, 1913 - EUA, 2001) faz um interessante questionamento. Estas histórias relatadas pelo Talmud envolvem grandes sábios, pessoas que podem ser comparadas a anjos, gigantes espirituais. Por acaso eles eram tão influenciáveis a ponto de desviarem um julgamento por terem recebido favores tão pequenos? Será que nós desviaríamos um julgamento apenas pelo fato de uma das partes envolvidas ter nos ajudado a atravessar a rua ou ter limpado o nosso chapéu? Estes grandes sábios do Talmud não deveriam acreditar mais em si mesmos, em sua seriedade e temor a D'us, ao invés de acharem que seriam influenciados por questões tão pequenas e triviais?

O Rav Pam responde que o Talmud não está nos transmitindo apenas uma mensagem em relação à integridade no julgamento ou à natureza destruidora dos subornos. O Talmud também está nos ensinando sobre o "Hakarat Hatov", o nível de reconhecimento e agradecimento que devemos ter com aqueles que nos fazem algum favor.

Por que consideramos que estes pequenos favores não seriam suficientes para desviar nosso julgamento? Infelizmente não é por nosso incrível nível de temor a D'us e retidão. Justamente o contrário, é por nosso total descaso com as bondades que recebemos dos outros. Não sabemos dar o verdadeiro valor a tudo de bom que recebemos das pessoas. Os sábios do Talmud levavam muito mais a sério os favores recebidos. Eles enxergavam que até mesmo pequenos favores eram verdadeiros tesouros que eles haviam recebido. Para nós, atos que fizeram com que eles pedissem afastamento do julgamento são tão insignificantes que passariam desapercebidos. Mas não para estes grandes sábios, pessoas que trabalhavam a característica de apreciar o que os outro fazem por eles, que consideravam mesmo as menores bondades como sendo valiosas, a ponto de influenciá-los em seu julgamento.

Explica o Rav Yssocher Frand que muitos problemas da nossa sociedade emanam justamente da falta de Hakarat Hatov. Maridos consideram os pequenos favores do dia-a-dia que suas esposas fazem a eles como sendo "naturais", assim como as esposas consideram "naturais" os favores feitos pelos maridos. Muitas vezes consideramos os favores que os outros nos fazem como sendo apenas a obrigação deles e, com isso, deixamos de reconhecer e agradecer. Cada um está sempre esperando que a outra parte "cumpra o seu papel". Se cada esposa ou marido dessem mais consideração aos favores recebidos, assim como os grandes sábios do Talmud faziam, certamente teríamos casamentos muito mais felizes e estáveis, pois cada um sentiria o reconhecimento pelo que o outro faz por ele e, automaticamente, sentiria a obrigação de retribuir. O mesmo é válido na relação entre patrões e empregados, ou em qualquer outro relacionamento humano. Devemos parar de enxergar as coisas que recebemos como sendo obrigação dos outros, e começar a nos sentir endividados por tudo o que recebemos de bom.

O segredo de uma vida harmônica é a pessoa sentir como se não merecesse nada de ninguém, e que tudo o que recebe é apenas um ato de bondade do próximo. Se valorizarmos o que o outro faz por nós, ao invés de considerarmos como parte dos nossos direitos, viveremos muito melhor. Se aprendermos a apreciar os favores que os outros fazem por nós, por menores que sejam, o mundo será um lugar muito melhor.
                                                                                                                                                                        
SHABAT SHALOM
 
R' Efraim Birbojm


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quinta-feira, 16 de julho de 2020

EDUCANDO COM AMOR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5780

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PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5780:

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VÍDEO DAS PARASHIÓT MATÓT E MASSEI
BS"D
ASSUNTOS DA PARASHAT
MATÓT
 
- Juramentos e Promessas.
- Atacando os Midianim.
- Moshé critica a decisão dos oficiais de poupar as mulheres.
- Purificação depois da guerra (Kasherização dos utensílios).
- Divisão dos despojos de guerra.
- Dedicação de parte dos despojos de guerra.
- O Pedido de Reuven e Gad.
- Bronca de Moshé.
- O pedido é esclarecido.
- As Condições de Moshé – Participação na conquista e divisão da Terra de Israel.
MASSEI
 
- Resumo da Jornada: O Êxodo até a morte de Aharon
- As Jornadas Finais.
- Orientações para ocupação da Terra de Israel.
- As fronteiras da Terra de Israel.
- Nova liderança para a Terra de Israel.
- As Cidades dos Leviim.
- As Cidades de Refúgio (Assassinato não intencional).
- Proibição de casamentos entre as Tribos.

 
 

EDUCANDO COM AMOR - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5780 (17 de julho de 2020)

 
"Eduardo é um rapaz incrível. Calmo, generoso, um amigo para todos os momentos. Porém, nem sempre foi assim. Quando garoto, Eduardo era brigão e rebelde. Ele percebia que seu comportamento aborrecia muito seus pais, mas pouco se incomodava. Queria que sempre as coisas fossem do seu jeito e não importava que, para isto, precisasse "passar por cima" dos outros. Porém, como a vida funciona no sistema de "ação e reação", quanto mais ele agredia e desrespeitava as pessoas, mais ele recebia de volta o mesmo tratamento.
 
Quando Eduardo cresceu um pouco, começou a perceber que aquela situação estava desconfortável. Ele começou a ficar preocupado, mas não sabia como mudar. O principal aprendizado de sua vida aconteceu em um domingo, quando ele foi, com seus pais e irmãos, passar o dia no campo. Correram e brincaram muito até que, para descansar um pouco, Eduardo foi até a margem do riacho que corria entre um pequeno bosque e os campos. Ali, encontrou algo que parecia uma pedra, mas que se movia. Era a primeira vez que ele via pessoalmente uma tartaruga. Ele examinou-a com cuidado, mas, quando aproximou-se um pouco mais, o estranho animal encolheu-se e fechou-se dentro de seu casco. Foi o suficiente para despertar a fúria de Eduardo. Com sua má-índole, imediatamente decidiu que a tartaruga deveria sair do seu casco e, tomando um pedaço de galho, começou a cutucá-la. Mas os esforços eram inúteis e ele começou a ficar, como sempre, cada vez mais impaciente e irritado. Foi quando seu pai aproximou-se dele. Olhou por um instante para aquela cena, da criança, cada vez mais irritada, golpeando a tartaruga sem conseguir nenhum resultado. Em seguida, sentou-se junto a ele e disse calmamente:
 
- Filho, você está perdendo seu tempo. Desta maneira você não vai conseguir nada, mesmo que fique o resto da vida cutucando a tartaruga. Não é assim que se faz. Venha comigo e traga o bichinho.
 
Eduardo o acompanhou, levando a tartaruga. O pai parou perto da fogueira que haviam acendido e disse:
 
- Coloque a tartaruga aqui, mas não muito perto do fogo. Escolha um lugar morno e agradável.
 
Eduardo obedeceu. Dentro de alguns minutos, sob a ação do leve calor, a tartaruga colocou a cabeça e as patas para fora e começou a caminhar tranquilamente. O pai novamente disse a Eduardo:
 
- Filho, as pessoas podem ser comparadas às tartarugas. Ao lidar com elas, procure nunca empregar a força. O calor de um coração generoso pode, às vezes, levá-las a fazer exatamente o que queremos, sem que elas se aborreçam conosco. Gestos amáveis geram atitudes simpáticas, enquanto gestos bruscos geram barreiras.
 
Eduardo sentiu algo diferente naquele momento. Sempre que o pai lhe dava uma bronca, achava que era porque ele se sentia incomodado, que era simplesmente um ato egoísta. Porém, naquele dia foi diferente. Eduardo sentiu a preocupação do pai, o amor e o carinho que vinham junto com aquele ensinamento. A partir daquele dia, Eduardo começou a mudar."
 
Talvez o que falta no mundo não são mais broncas e disciplina. Talvez o que falta de verdade é amor.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matót (literalmente "Tribos") e Massei (literalmente "Viagens"), terminando o quarto livro da Torá, Bamidbar. A Parashat Matót traz alguns assuntos importantes, tais como a importância de manter as promessas feitas e a guerra de vingança contra o povo de Midian. Já a Parashat Massei descreve as viagens do povo judeu durante os 40 anos em que permaneceu no deserto, além de falar sobre a divisão da Terra de Israel e a construção das "Cidades de Refúgio", para casos de assassinatos acidentais.

Na Parashat Matót, depois de conquistar as terras dos reis Sihon e Og, no lado oriental do rio Jordão, as Tribos de Reuven e de Gad aproximaram-se de Moshé com um pedido. Ao invés de viver dentro da Terra de Israel, junto com as outras Tribos, eles preferiam ficar naqueles planícies férteis, boas para o rebanho, e pediram para Moshé permissão para já começarem os primeiros preparativos para se estabelecerem naquelas terras, conforme está escrito na Torá: "Eles aproximaram-se dele (de Moshé) e disseram: 'Construiremos currais para o nosso rebanho aqui e cidades para nossos filhos pequenos'" (Bamidbar 32:16).

Moshé inicialmente ficou muito bravo com o pedido das duas Tribos. Ele havia entendido que eles queriam abandonar seus irmãos, fugindo das lutas de conquista da Terra de Israel. O medo de Moshé é que aquela atitude, que demonstrava egoísmo e covardia, poderia contagiar negativamente todo o povo, da mesma forma que os espiões haviam feito anteriormente. Reuven e Gad explicaram para Moshé que aquela não era a intenção deles, pois eles desejavam entrar em Israel junto com seus irmãos, participar de toda a conquista e divisão da terra, e somente depois voltar para morar em suas terras fora de Israel. Ainda assim, ao dar a permissão, Moshé fez um pequeno "conserto". Ele inverteu a ordem do que as Tribos tinham pedido, dizendo "Construam cidades para seus filhos e currais para seus animais" (Bamidbar 32:24), colocando o cuidado com os filhos antes dos animais.

Rashi (França, 1040 - 1105) ressalta que Moshé estava criticando as duas Tribos por suas prioridades equivocadas, de colocar a preocupação com os animais na frente da preocupação com os próprios filhos. Porém, é difícil entender esta explicação de Rashi. Como pessoas da "geração do conhecimento", que haviam aprendido a Torá diretamente da boca de Moshé, acabaram distorcendo tanto seus valores, a ponto de colocar a preocupação com os animais à frente da preocupação com os próprios filhos? Talvez nem mesmo em nossa geração faríamos uma escolha tão distorcida!

Responde o Rav Yohanan Zweig shlita que a resposta está em um interessante ensinamento do Talmud (Ketubót 49a), que afirma que os pais são responsáveis ​​financeiramente pelos filhos apenas quando eles são muito pequenos, mas depois a ajuda dos pais é considerada um ato de Tzedaká. Porém, este ensinamento é um pouco contraditório com a realidade do relacionamento entre pais e filhos dentro do povo judeu. O compromisso dos pais judeus com seus filhos é algo lendário. Quem não conhece o famoso estereótipo da "Ydishe Mame", a mãe judia ultra protetora? Certamente o cuidado que os pais têm com seus filhos ultrapassa muito o que é exigido de acordo com o Talmud, isto é, um suporte apenas quando os filhos são pequenos. Por que a responsabilidade legal dos pais judeus, de acordo com a Torá, aparentemente não reflete o sistema de valores intrínseco a cada judeu?

Criar filhos não é algo fácil. Acabamos distorcendo a educação dos nossos filhos por diversos motivos, tais como falta de preparo, falta de aconselhamento e até preguiça. Mas uma das grandes armadilhas na educação dos filhos é a percepção de que eles são uma extensão de nós mesmos. Este é o motivo pela qual acabamos negligenciando muito a necessidade de independência e autoexpressão de cada criança. Outro grave problema, que cria uma barreira entre pais e filhos, surge quando uma criança não sente a gratidão necessária pelos esforços que seus pais fazem para garantir seu bem-estar. Muitos filhos enxergam os sacrifícios que seus pais fazem por eles como sendo parte dos seus "direitos de filho". Qual é a solução para estes dois grandes problemas?

O ensinamento do Talmud é uma solução genial para ambos. Quando uma pessoa é legalmente responsável por algo ou alguém, ela adquire um senso de propriedade. Os pais acabam se sentindo como se fossem donos dos seus filhos. Quando a Torá remove, desde cedo, a responsabilidade financeira dos pais sobre os filhos, ela está permitindo que os pais vejam seus filhos como uma entidade independente. E, por outro lado, quando uma criança sabe que seus pais não são legalmente obrigados a sustentá-la, mas o fazem apenas por amor, isto a leva a sentir mais gratidão pelos esforços dos seus pais.

As Tribos de Reuven e Gad não fizeram um erro tão grosseiro de se importar mais com os animais do que com os filhos. Eles tiveram a sensibilidade correta em relação às suas responsabilidades legais. Eles possuíam animais e, portanto, eram legalmente obrigados a garantir seu bem-estar. Seus filhos, a quem viam corretamente como entidades independentes, não faziam mais parte de sua preocupação legal e, portanto, não foram mencionados em primeiro lugar. Isso refletiu uma qualidade positiva, pois indica que eles não se sentiam motivados a apoiar seus filhos por enxergá-los como partes de si mesmos. Ao contrário, mantendo um relacionamento saudável com os filhos e reconhecendo suas qualidades individuais, eles os sustentavam por amor.

Porém, se a atitude de Reuven e Gad estava correta, então qual foi a objeção de Moshé? Ele estava ensinando que a preocupação em cuidar dos animais decorria da responsabilidade legal de cuidar de si mesmos e de tudo o que era uma extensão deles. Porém, havia algo muito maior do que isto: o cuidado dos filhos por amor. A razão para garantir que seus filhos fossem bem cuidados, embora fosse apenas algo moral, era muito mais importante do que as responsabilidades legais. Isto quer dizer que, legalmente, eles não fizeram nada de errado, mas o amor pelos filhos deveria ter falado mais alto.

Estamos vivendo tempos difíceis, e uma das áreas mais prejudicadas é justamente a educação dos filhos. Crianças rebeldes, mal educadas e com valores distorcidos são fenômenos cada vez mais frequentes e "normais". Talvez o motivo de tudo isto é a falta de amor. Pais cuidam de seus filhos e se preocupam com seu bem estar econômico, mas esquecem do principal: o bem estar psicológico. Não será uma casa transbordando de dinheiro que fará as crianças felizes, e sim uma casa transbordando de amor.
                                                  

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

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