quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

AFASTE-SE DA MENTIRA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAYIGASH 5780

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ASSUNTOS DA PARASHAT VAYIGASH
 
- Yehudá enfrenta o "vice-rei".
- Yossef manda todos saírem da sala.
- Yossef se revela.
- Irmãos de Yossef voltam para casa, para buscar famílias.
- Yossef manda presentes a Yaacov.
- A família de Yaacov prepara-se para ir ao Egito.
- Genealogia dos filhos de Yaacov.
- O reencontro de Yaacov e Yossef.
- O encontro de Yaacov e o Faraó.
- A fome no Egito fica cada vez mais dura.
- Yossef compra todo o Egito.

AFASTE-SE DA MENTIRA - PARASHAT VAYIGASH 5780 (03 de janeiro de 2020)


Certa vez um advogado recebeu um telefonema no meio da noite. Do outro lado da linha estava uma mulher muito aflita. Ela explicou que era a esposa de um homem que há anos trazia mercadorias do Paraguai e vendia no Brasil, conseguindo um bom lucro. Porém, ele havia acabado de ser parado em uma blitz da polícia. Quando o policial abriu o porta-malas do carro e viu uma enorme quantidade de produtos eletrônicos sem nenhuma nota fiscal, imediatamente deu ordem de prisão ao homem e o conduziu à delegacia. A mulher concluiu afirmando que ela estava disposta a pagar qualquer preço para libertar o marido da prisão. O advogado aceitou assumir o caso. Logo de manhã cedo foi visitar seu cliente na cadeia. Conseguiu pagar uma fiança para que o contrabandista respondesse o caso em liberdade. Em uma reunião antes da audiência com o juiz, o advogado, que tinha muitos anos de experiência, falou ao contrabandista:

- Como você foi pego em flagrante, vai ser difícil justificar tantos equipamentos eletrônicos no seu carro sem nenhuma nota fiscal, configurando-se em contrabando internacional. Então vamos tentar fazer de outra maneira, espero que funcione. Você vai falar ao juiz, de forma muito convicta, que seu carro foi furtado uma semana antes de você ter sido parado na blitz e que você tinha acabado de reaver seu carro naquele dia. Diga que você ainda não tinha aberto o porta-malas e que foi uma enorme surpresa ver todos aqueles equipamentos eletrônicos lá dentro. Diga ao juiz, com toda a convicção, que você é inocente. Quem sabe desta maneira conseguiremos convencê-lo a libertar você.

O contrabandista gostou da ideia. Treinou algumas vezes aquela versão da história com a esposa, até que acharam que parecia convincente. No dia do julgamento, o homem parecia um ator, tamanha a sua convicção. Porém, alguns pequenos detalhes acabaram sendo fundamentais para que o juiz não acreditasse na história. O advogado pediu então uma pequena pausa no julgamento para conversar a sós com seu cliente. O juiz aceitou e o advogado foi, com o contrabandista e sua esposa, para uma sala ao lado. O advogado então falou:

- Infelizmente a ideia não funcionou, então vamos ter que mudar de tática. Acho melhor você confessar seu crime e entregar para a polícia os nomes das outras pessoas envolvidas. Desta maneira, você terá sua pena reduzida e, em poucos anos, estará em liberdade.

A esposa, ao escutar que o marido passaria alguns anos na prisão, se desesperou e começou a gritar:

- Doutor, o senhor não está entendendo, meu marido é inocente! Ele não contrabandeou nada! Nosso carro foi roubado e foram outras pessoas que colocaram todos aqueles equipamentos no porta-malas..." (História Real)

O pior mentiroso é aquele que acaba acreditando na sua própria mentira.

Nesta semana lemos a Parashat Vayigash (literalmente "E se aproximou"). Após ter testado seus irmão por diversas vezes, para saber se eles estavam realmente arrependidos por terem-no vendido como escravo, finalmente Yossef resolveu revelar-se aos seus irmãos, que ficaram em estado de choque. Yossef tentou tranquilizá-los com palavras carinhosas, tentando convencê-los de que tudo fazia parte de um plano maior de D'us, que queria salvar toda a família da fome que assolava a Terra de Israel. Yossef os instruiu a trazerem suas famílias para morarem com ele no Egito, onde teriam do bom e do melhor. Mandou ainda presentes para seu pai e instruiu seus irmãos a contarem que ele ainda estava vivo e que era o governante do Egito.

Porém, o que nos chama a atenção foi a reação de Yaacov. O esperado seria que ele pulasse de alegria e chorasse de emoção ao escutar aquela notícia maravilhosa, de que seu filho preferido estava vivo e bem. Porém, assim nos diz a Torá: "Mas seu coração rejeitou isto, pois (Yaacov) não acreditou neles" (Bereshit 45:26). O versículo está afirmando que quando os irmãos contaram a Yaakov que Yossef ainda estava vivo, Yaacov não acreditou neles. Mas por que Yaacov não acreditou nos próprios filhos? O Midrash explica que "este é o destino do mentiroso, mesmo quando fala a verdade ele não é acreditado". Explica Rashi que, como eles haviam mentido para Yaakov anteriormente, dizendo que Yossef havia sido devorado por uma fera do campo, Yaakov se recusou a acreditar neles desta vez.
 
Porém, este conceito parece contraditório com uma famosa passagem descrita no Livro de Shoftim (Juízes). Shimshon (Sansão) foi um dos grandes juízes do povo judeu. Para libertar o povo dos sofrimentos impostos pelos Plishtim (Filisteus), D'us deu a Shimshon uma força sobre-humana. Ele podia matar centenas de soldados inimigos com as próprias mãos. Sua esposa Dalila tentou descobrir a fonte da sua grande força. Inicialmente Shimshon a enganou, dando informações falsas. Porém, quando ele finalmente contou a ela a verdadeira fonte de sua força, o versículo afirma que ela soube imediatamente que ele não estava mentindo, como está escrito: "E Dalila viu que ele havia lhe contado todo o seu coração" (Shoftim 16:18). O Talmud (Sotá 9b) comenta que a razão para ela ter acreditado é que "a verdade é claramente discernível".
 
Portanto, por que o Midrash afirma que Yaakov recusou-se a acreditar em seus filhos por causa da mentira anterior que eles haviam contado, enquanto Dalila foi capaz de discernir a verdade nas palavras de Shimshon, apesar de ele ter mentido diversas vezes anteriormente? Como reconciliamos a contradição de que "esse é o destino do mentiroso, mesmo quando fala a verdade ele não é acreditado" e "a verdade é claramente discernível"?

Explica o Rav Yohanan Zweig que existem dois tipos de mentirosos. Um é aquele cuja única motivação é enganar o ouvinte com a falsidade que está transmitindo. O outro é aquele que realmente acredita que a falsidade que está contando é verdade. É interessante perceber que a Torá utiliza dois termos diferentes para estes dois tipos de mentirosos. Aquele que não acredita na sua própria mentira é chamado de "Shakran", enquanto aquele que vive a sua própria mentira é chamado de "Badaí". A linguagem de "Badaí" também é utilizada pelo Talmud (Nedarim 10a) para descrever certas expressões formuladas pelos nossos sábios que criam, através de um voto ou juramento, uma nova realidade, como proibir a si mesmo algo que era permitido. Da mesma forma, assim também há mentirosos que mudam a sua própria realidade através de suas mentiras.

Quando o versículo está falando sobre os irmãos de Yossef e a recusa de Yaakov em acreditar nas suas palavras, é porque eles eram "Badaim", isto é, mentirosos que acreditavam na própria mentira e, portanto, o destino deles era não serem acreditados nem mesmo quando falavam a verdade. Mas onde podemos perceber que os irmãos de Yossef acreditavam na própria mentira que haviam contado ao pai?
 
De acordo com os comentaristas da Torá, os irmãos de Yossef achavam que ele era uma Rashá (perverso) que merecia a pena de morte. Eles convocaram um Beit Din (Tribunal Rabínico), julgaram e consideraram Yossef culpado. Explica o Rav Ovadia Sforno zt"l (Itália, 1475-1550) que a prova de que eles consideraram sua atitude correta, de decretar uma pena de morte ao próprio irmão, está nas palavras "e eles sentaram-se para comer pão" (Bereshit 37:25). Isto ocorreu logo após os irmãos terem jogado Yossef em um poço. Como pode ser que pessoas em um nível espiritual tão elevado podem sentar-se tranquilamente para comer após atirarem o próprio irmão em um poço? Não era esperado que eles fizessem um jejum de arrependimento por seu mau ato? A resposta é que eles estavam completamente convictos que haviam feito a coisa certa. E mesmo quando eles decidiram vender Yossef aos Midianim, aos olhos deles era a maneira pela qual eles poderiam cumprir a pena de morte sem precisar realmente matar Yossef com suas próprias mãos. Por isso, quando os irmãos informaram a Yaakov que Yossef havia morrido, eles estavam tão convictos de que haviam feito a coisa certa que acreditavam que Yossef havia morrido de verdade. Eles tinham certeza de que D'us tinha pessoalmente cumprido a sentença de morte por eles.
 
Isto explica a diferença entre a reação de Yaacov e de Dalila. Os irmãos de Yossef eram "Badaim", pois acreditavam em suas próprias falsidades e, consequentemente, Yaakov não acreditou neles, pois as mentiras de uma pessoa que acredita em suas próprias falsidades não podem ser distinguidas da verdade. Já em relação a Shimshom, a Torá descreve que ele falava "kazav" (enganação) quando tentou enganar Dalila. Nossos sábios explicam que "kazav" refere-se a "sheker", significando que ele próprio não acreditava na mentira que dizia e, portanto, quando ele disse a verdade, foi imediatamente discernível.

Este é um ensinamento importante para as nossas vidas. A Torá não apenas nos proíbe de falarmos mentira, mas nos comanda de uma maneira ainda mais veemente: "Se afaste da mentira" (Shemot 23:7). Muitas vezes dizemos "pequenas mentiras", como pedir ao filho para atender o telefone e dizer que não estamos em casa. Apesar de parecer algo leve, é uma transgressão grave, pois inclui também fazer com que nossos filhos se desviem do caminho da verdade e aprendam que mentir é normal. Porém, a pior mentira é aquela que contamos para nós mesmos, para encontrarmos desculpas para justificar os nossos maus comportamentos. Esta mentira é a mais grave, pois ela torna-se verdade aos nossos olhos. Em um dos trechos do Vidui de Yom Kipur dizemos "Tafalnu Sheker", que significa "nos anulamos perante a mentira". Não apenas mentimos, mas vivemos as mentiras como se fossem verdades. A verdade é a "marca registrada" de D'us e da Torá. Toda vez que somos verdadeiros e sinceros, nos conectamos a Ele. Mas quando mentimos, nos afastamos de D'us e de nós mesmos.
 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

PENSANDO NO FUTURO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT MIKETZ E CHANUKÁ 5780






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ASSUNTOS DA PARASHAT MIKETZ
- Os dois sonhos do Faraó.
- Yossef é chamado para interpretar os sonhos.
- Yossef se torna o vice rei.
- Yossef se casa com Osnat.
- A estratégia de Yossef é implantada no Egito.
- Yossef tem dois filhos: Efraim e Menashé.
- Começam os anos de fome no Egito.
- Yaacov manda seus filhos aos Egito
- Yossef reconhece seus irmãos, mas eles não o reconhecem.
- Yossef acusa os irmãos de serem espiões.
- Os irmãos de Yossef se arrependem.
- Yossef prende Shimon e exige a vinda de Biniamin.
- Yaacov se recusa a enviar Biniamin.
- A fome continua e Yaacov é obrigado a enviar Biniamin.
- Yossef testa seus irmãos e esconde cálice de prata na sacola de Biniamin.
- Biniamin é acusado de roubo e condenado a virar escravo.

PENSANDO NO FUTURO - PARASHAT MIKETZ E CHANUKÁ 5780 (27 de dezembro de 2019)

"Roberto era um vigia com uma enorme responsabilidade nas costas. Ele morava em um farol e sua função era manter a luz acesa durante todas as noites. Ele também era responsável pelo controle do suprimento de óleo que mantinha o farol aceso, para que nunca faltasse. O trabalho de Roberto era muito importante, pois o farol guiava grandes embarcações quando elas passavam por um canal muito estreito e perigoso, cheio de rochas.

Próximo ao farol havia uma pequena aldeia. Constantemente vinha algum morador procurar Roberto para pedir-lhe um pouco de óleo para acender lamparinas. Roberto, que gostava de ser visto com bons olhos pelas pessoas, nunca dizia não. Ele gostava da sensação de poder, de saber que as pessoas precisavam dele.

Porém, Roberto esqueceu-se de levar em consideração o consumo dos habitantes no cálculo do estoque de óleo necessário ao farol. Como cada vez mais moradores vinham procurá-lo, certa vez acabou todo o suprimento de óleo antes do momento programado. Pouco a pouco, a luz do importante farol foi enfraquecendo, até que apagou-se completamente.

Quando viu o farol apagado, Roberto apavorou-se com a situação que ele havia criado. Poucos instantes depois, um grande navio, cheio de tripulantes, aproximou-se do canal em alta velocidade e, sem o auxílio da luz do farol, bateu nas rochas e afundou. Infelizmente a consequência foi, além do milionário prejuízo, a irreparável perda de vidas humanas. No tribunal, Roberto acabou sendo condenado por sua falta de responsabilidade."

A atitude insensata e irresponsável de Roberto, pensando somente nas necessidades momentâneas, de forma egoísta, esquecendo-se das futuras consequências, causou uma grande tragédia. Precisamos sempre pensar no futuro, levar em consideração a consequência das nossas escolhas e dos nossos atos.

Nesta semana, junto com a Parashat Miketz (literalmente "No final de"), continuamos comemorando a Festa de Chanuká. A Parashat Miketz segue descrevendo a vida de Yossef no Egito. Depois de 12 anos na prisão, injustamente acusado de um crime que ele não cometeu, Yossef foi libertado para interpretar os sonhos do Faraó, nos quais sete vacas gordas e bonitas eram engolidas por sete vacas magras e feias, e sete espigas gordas e bonitas eram engolidas por sete espigas magras e feias. Muitos sábios egípcios tentaram desvendar estes sonhos, mas sem sucesso. Após interpretar corretamente os sonhos, de que haveria sete anos de fartura, seguidos por sete anos de fome, o Faraó elevou Yossef a vice-rei do Egito e nomeou-o responsável por armazenar comida para os anos de escassez. Mas qual é a conexão entre a Parashat Miketz e Chanuká?

Há algo que chama a atenção na recompensa que Yossef recebeu, pois parece completamente desproporcional ao seu ato. É verdade que ele demonstrou uma enorme sabedoria ao interpretar corretamente o sonho do Faraó. O Midrash nos revela que não apenas ele interpretou-os corretamente, mas diversas vezes corrigiu o Faraó enquanto ele relatava os sonhos, pois o Faraó intencionalmente inseriu erros em seu relato para testar Yossef. Porém, após demonstrar esta incrível habilidade de interpretar sonhos, ele deveria ter sido convidado para ser o interpretador de sonhos oficial do reinado, não o vice-rei, uma pessoa que tinha um poder quase ilimitado sobre todo o Egito. A vida de todos os egípcios estaria nas mãos de Yossef. Por que o Faraó confiou tanto assim em alguém que apenas havia demonstrado uma habilidade de interpretar sonhos corretamente?

Poderíamos dizer que o motivo desta confiança não foi por Yossef apenas ter interpretado os sonhos do Faraó, mas também por ele ter trazido a solução para o problema. Após prever anos de fartura seguidos de anos de escassez, Yossef sugeriu que fosse armazenada parte da produção durante os anos de fartura para que nos anos de escassez o alimento estocado pudesse salvar as pessoas da fome. Porém, esta resposta não é suficiente para entender a atitude do Faraó. A ideia de armazenar comida durante os anos de fartura não demonstra uma inteligência especial. Na verdade, este é um conceito que qualquer criança sabe. Há muitas histórias infantis, como a cigarra e a formiga, que louvam a atitude daquele que tem a sabedoria de armazenar alimento na época de fartura para consumir na época de escassez. Então, o que o Faraó enxergou de tão especial na sugestão de Yossef, a ponto de nomeá-lo vice-rei, o segundo homem mais poderoso do maior império da época?

A Torá nos ordena a cuidarmos de todos os elementos da criação, com total respeito ao equilíbrio perfeito com o qual D'us criou o universo. Nos ensina o Midrash que quando D'us criou Adam Harishon, deu uma volta com ele por todo o Gan Éden, um jardim paradisíaco, e disse a ele: "Tudo isto Eu criei para você utilizar. Porém, é tudo Meu. Portanto, tome cuidado para não destruir Meu mundo". Deveríamos, portanto, ter uma maior consciência ecológica, buscando minimizar nossos impactos sobre a natureza. Podemos utilizar o que D'us nos deu, mas com respeito e cuidado. Porém, o que vemos na prática é que a humanidade não se importa muito com a forma com a qual utiliza os bens naturais. Enquanto o homem se preocupa em procurar vida em Marte, nos esquecemos de cuidar da vida no nosso planeta. Por mais lucros, empresas poluem rios, desmatam florestas e causam a extinção de algumas espécies de animais. Reciclamos pouco e não conservarmos a energia que utilizamos, colocando em risco as futuras gerações. Os líderes mundiais fazem encontros para debater o problema, mas acabam se tornando apenas reuniões hipócritas, que apenas mascaram os verdadeiros fatores que estão levando à destruição do nosso planeta: a ganância e o egoísmo. E, mesmo individualmente, também não abrimos mão dos nossos comodismos em prol de um uso mais sustentável dos recursos naturais.

A verdade é que não é fácil para uma pessoa realmente viver o agora pensando no futuro. Jovens não conseguem evitar começar a fumar, mesmo sabendo que suas vidas serão encurtadas. Não cuidamos da nossa alimentação, mesmo sabendo dos problemas futuros que uma alimentação desequilibrada causa ao corpo. Os problemas parecem tão distantes que agora pensamos: "o que importa o que vai acontecer só daqui a 30 anos?".

Explica o Rav Yssocher Frand que este conceito é a resposta para o nosso questionamento em relação à recompensa que Yossef recebeu do Faraó. A forma de pensar de Yossef, de guardar coisas para depois, era algo muito estranho ao Egito, por dois motivos. Em primeiro lugar, pois os egípcios eram muito imediatistas, preferiam o prazer momentâneo, mesmo que fosse à custa das necessidades futuras. Além disso, os egípcios eram extremamente egoístas, pensavam somente em si mesmos. Isto fazia com que seus olhos estivessem sempre voltados ao presente, às suas necessidades atuais, sem se importar com as futuras gerações. Quem deixaria de ter um pouco mais de prazer para deixar algo aos futuros descendentes?

É interessante perceber que isto não ocorria apenas com os egípcios antigos. Pesquisadores certa vez fizeram um renomado estudo com um grupo de crianças, que ficou conhecido como o "Experimento do Marshmallow". Algumas crianças, sem saber que estavam sendo filmadas, entravam individualmente em uma sala e recebiam um Marshmallow com a seguinte instrução: "Se você quiser, pode comer o seu marshmallow imediatamente, ou pode esperar 15 minutos para comer e então ganhar 2 marshmallows". Para nós, parece óbvia qual é a escolha correta, mas muitas crianças não conseguiram esperar os 15 minutos e acabaram comendo o seu marshmallow, perdendo a oportunidade de ganhar um segundo marshmallow. Quando os pesquisadores continuaram monitorando estas crianças, constataram que a maioria daquelas que conseguiram esperar os 15 minutos sem comer o marshmallow se tornaram adultos muito mais bem sucedidos em todas as áreas da vida.

Como consequência destas duas características, o imediatismo e o egoísmo, era culturalmente difícil para os egípcios pensarem em uma solução como a trazida por Yossef. Foi por isso que o Faraó conseguiu perceber uma enorme sabedoria em Yossef, pois ele conseguia vencer a prisão mental de somente viver no presente, e conseguia pensar em termos de futuro. Portanto, ele também seria a pessoa ideal para fazer cumprir este plano, com todos os seus detalhes e implicações.

Este conceito conecta a nossa Parashat com a Festa de Chanuká. Os gregos, com sua cultura helenista, que eles tentaram impor também ao povo judeu, ensinaram ao mundo o conceito do "Carpe Diem", de aproveitar o dia, aproveitar o momento, sem pensar no amanhã. É o culto do imediatismo, do egoísmo, da busca incessante de prazeres físicos, ignorando os valores espirituais nas decisões cotidianas. E esta é a luta da nossa geração contra os gregos, pois quando somos guiados por valores espirituais, certamente aprendemos a investir nas futuras gerações e aprendemos a abrir mão de alguns confortos para pensar no que ainda virá, conforme nos ensina o Talmud (Tamid 32a) "Quem é o sábio? Aquele que enxerga o futuro".
          
Chanuká são dias de reflexão: Será que estamos vencendo a filosofia grega? Vivemos como Yossef aconselhou os egípcios, isto é, guardando provisões para o futuro? Vivemos neste mundo material, limitado, pensando em juntar provisões para o Olam Habá (Mundo Vindouro), eterno, a época em que não poderemos mais juntar méritos, ou preferimos investir nosso tempo na busca de luxos materiais? Nos "experimentos do marshmallow" que temos na vida, será que passamos no teste? O mundo material se assemelha a uma pessoa que prepara-se para zarpar em um navio para uma longa viagem no mar. O que a pessoa comerá durante a viagem? Apenas o que ela preparou antes de zarpar. Da mesma maneira, teremos por toda a eternidade os frutos do que plantarmos neste mundo. Que este Chanuká seja o momento em que deixaremos de ser tão imediatistas e começaremos a pensar mais no nosso futuro e das gerações que ainda estão por vir.
      
SHABAT SHALOM E CHANUKÁ SAMEACH
 
R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

NEM TUDO É O QUE PARECE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIESHEV E CHANUKÁ 5780






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VÍDEO DA PARASHAT VAIESHEV

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ASSUNTOS DA PARASHAT VAIESHEV
- Yaacov se assentou em Eretz Knaan.
- Yossef fala mal dos irmãos (Mulheres, Escravos, Shechitá).
- 2 sonhos de Yossef: trigos e estrelas.
- Yossef sai para procurar seus irmãos, a pedido de Yaacov, e encontra homem no caminho.
- Irmãos de Yossef querem matá-lo.
- Por sugestão de Reuven, Yossef é jogado no poço.
- Reuven se ausenta.
- Por sugestão de Yehudá, Yossef é vendido como escravo e levado ao Egito em caravana de especiarias.
- Yehudá e Tamar.
- Yossef é vendido ao Potifar.
- A esposa do Potifar e a tentação de Yossef.
- Yossef é enviado para a prisão.
- Yossef interpreta os sonhos dos dois prisioneiros.
- A interpretação de Yossef se cumpre.

NEM TUDO É O QUE PARECE - PARASHAT VAIESHEV E CHANUKÁ 5780 (20 de dezembro de 2019)

Avraham, um judeu norte-americano, estava com muitas dificuldades financeiras. Ele precisava de 50 mil dólares e conseguiu este valor emprestado em um Gmach (instituição que faz empréstimos por bondade). Avraham combinou com o responsável pelo Gmach que pagaria em dez vezes. Ele deixou dez cheques de 5 mil dólares, mas pediu para que não fossem descontados, pois viria todo mês pagar em dinheiro e levaria o cheque. Assim foi durante dois meses. Porém, no terceiro mês, o responsável se confundiu e depositou o cheque dele.

Enquanto isto, Avraham estava viajando de carro em uma estrada distante, pouco movimentada, quando viu que o tanque estava quase vazio. Entrou no posto de gasolina mas, para sua surpresa, quando foi passar o cartão de crédito na máquina, a transação não foi aceita. Imediatamente ele ligou para a empresa do cartão de crédito e descobriu, para o seu desespero, que o cheque de 5 mil dólares havia sido depositado, deixando a sua conta negativa e causando com que o banco automaticamente bloqueasse seu cartão. E agora, como ele faria para reabastecer o carro, no meio do nada, sem nenhum centavo na carteira?

Avraham começou a procurar desesperadamente por algum dinheiro perdido no carro. Procurou no porta-luvas, no porta-malas, embaixo dos bancos. Conseguiu, depois de muito esforço, encontrar 23 dólares. Ele chamou o frentista e pediu para que colocasse vinte e três dólares de gasolina, o suficiente para chegar em casa ou a algum lugar mais habitado. Enquanto o frentista se prepara para encher seu tanque, ele comentou com Avraham que havia visto sua movimentação anormal, abrindo e fechando as portas do carro, e perguntou se estava tudo bem. Avraham contou o que havia acontecido. O frentista ficou maravilhado com a reação de Avraham, afirmando que se o mesmo tivesse acontecido com ele, teria entrado em pânico. Quis saber qual era o segredo para ter mantido a calma.

- Eu tenho fé - respondeu Avraham - Eu sei que tudo aquilo que D'us faz é para o bem. Obviamente fiquei preocupado com o problema, mas com a tranquilidade de que há alguma bondade escondida no que ocorreu.

- Então eu tenho algo que pode lhe interessar - disse o frentista - Eu vendo "raspadinhas da sorte" por 3 dólares. Por que você não coloca apenas 20 dólares de gasolina no carro e compra uma raspadinha?

Avraham pensou um pouco e decidiu arriscar. Quando raspou o cartão, descobriu que estava premiado. Era um prêmio de 50 mil dólares..." (História Real)

O que teria acontecido se Avraham tivesse passado o cartão e a transação fosse aceita? Ele teria seguido a viagem e nunca teria recebido todo aquele dinheiro. O que parecia algo ruim era, na realidade, o início de algo muito bom. Assim devemos enxergar nossas vidas, sempre com olhos positivos e com muita Emuná (fé).

Nesta semana lemos a Parashat Vaieshev (literalmente "E se assentou"), que descreve a história de Yossef, filho do nosso patriarca Yaacov, que passou por muitos altos e baixos em sua vida. Ele foi vendido como escravo ao Egito pelos seus próprios irmãos, acusado de querer roubar a primogenitura, e foi comprado por Potifar, um ministro do Faraó. Acabou tornando-se a segunda pessoa mais importante na casa de Potifar, mas foi injustamente acusado de tentar atacar sua esposa e acabou preso por 12 anos. Da prisão, ele saiu para interpretar os sonhos do Faraó e se tornar o vice-rei do Egito.

Porém, precisamos nos aprofundar na história de Yossef. Se pudéssemos congelar a cena dele sendo acorrentado e levado como escravo ao Egito, o maior centro de idolatrias e promiscuidade da época, certamente enxergaríamos como sendo algo muito ruim, uma terrível tragédia. Yossef havia sido vendido pelos seus próprios irmãos e ficaria longe de seu querido pai, em uma terra estranha. Será que havia algo de positivo no que estava acontecendo?

Já na Parashat Vaigash, que lemos daqui a duas semanas, há outra cena marcante. Yossef finalmente se reencontra com o seu pai. Se também pudéssemos congelar esta cena, certamente enxergaríamos como algo muito bom, uma imensa alegria. Pai e filho estavam se reencontrando após 22 anos. Naquele momento Yossef já havia se tornado um homem muito poderoso, o vice-rei do Egito, e Yaacov foi tratado com todas as honras reais. Será que havia algo de negativo no que estava acontecendo?

A resposta é que da história de Yossef aprendemos como somos limitados e o quanto não enxergamos as bondades de D'us quando elas parecem ocorrências negativas aos nossos olhos, e o quanto não percebemos que o que parece ser bom aos nossos olhos pode ser, na realidade, algo que terá futuras consequências negativas.

A venda de Yossef parecia realmente ser algo muito ruim e negativo. Porém, na realidade, era a preparação para que ele viesse a se tornar a segunda pessoa mais importante no comando do Egito. Ele se tornaria o encarregado de administrar a economia do país e o responsável por estocar comida nos anos de fartura para os anos de fome que assolariam a Terra de Israel e o Egito. Foi por causa de sua venda como escravo que Yossef pôde alimentar seu pai e seus irmãos durante os anos de fome, garantindo a continuidade do povo judeu.

Ao contrário, quando Yaacov foi ao Egito para se reencontrar com Yossef, o que parecia ser algo muito bom, era, na realidade, o início da terrível escravização do povo judeu, um processo doloroso que duraria 210 anos e seria uma época de muita tristeza e sofrimento.

Os seres humanos sofrem de uma terrível doença, a "Síndrome do buraco da fechadura". Vemos as ocorrências em nossas vidas de forma limitada, como alguém que entende o que ocorre dentro de uma casa olhando apenas através do pequeno buraco da fechadura. Não é provável que esta pessoa chegará constantemente a conclusões equivocadas em relação ao que realmente está acontecendo dentro da casa? Da mesma maneira, nenhum ser humano possui o conhecimento infinito que lhe permite conhecer as consequências finais de cada ação. Portanto, quando uma situação aparenta ser extremamente negativa, não devemos nos desesperar, pois D'us está preparando algo muito bom para o futuro. De modo semelhante, quando as coisas aparentam estar indo muito bem, não devemos nos tornar arrogantes, pois não sabemos o que o futuro nos reserva.

Ao internalizar esta atitude, evitaremos muitos sofrimentos desnecessários. Por exemplo, uma grande fonte de sofrimentos são as situações nas quais tudo parece dar errado. Devemos sempre confiar em D'us e dizer para nós mesmos diante de uma situação difícil: "Provavelmente verei no futuro como o que está acontecendo agora foi bom para a minha vida". Esta atitude de equilíbrio também nos ajuda a evitarmos um sentimento de euforia extrema quando as coisas aparentam estar indo muito bem, pois a euforia facilmente leva à depressão caso a situação mude no futuro. Ao evitar reações extremas, seremos capazes de lidar melhor com as instabilidades da vida. Esta foi a receita de Yossef, que nunca se desesperou diante das dificuldades e nunca permitiu que o sucesso subisse à sua cabeça quando estava no topo.

O Chafetz Chaim zt"l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933) dizia que as pessoas se enganam muito ao ficarem sempre reclamando dos acontecimentos em suas vidas, pois se fossem pacientes, veriam como as coisas são realmente para o seu benefício. Ele contava o caso de um rabino que precisou abandonar a cidade onde vivia devido a uma briga que ocorreu lá. Sem escolha, ele precisou morar em uma cidade pequena, muito diferente do que havia planejado para sua vida. Por anos ele ficou questionando aquele acontecimento, procurando os motivos pelos quais ele precisou sair de sua cidade e ir para um lugar estranho. Anos mais tarde ficou claro que sua mudança para aquela cidade teve um efeito muito positivo na educação dos seus filhos, que não estavam tendo um bom comportamento na cidade grande. À primeira vista parecia ter sido algo ruim, mas, com o tempo, verificou-se que aquela mudança foi o melhor que poderia ter ocorrido. De forma similar, quando o Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883) estava doente e alguém perguntava se ele estava melhor, ele respondia: "Que diferença faz se a situação está melhor ou pior? O que D'us deseja é sempre o melhor".

Este conceito se conecta com a próxima Festa do Calendário Judaico, Chanuká, quando revivemos dois grandes milagres: o óleo da Menorá, suficiente para um único dia, mas que durou 8 dias, e a vitória na batalha contra os gregos, o maior império da época. Porém, como pode ser que D'us, em Sua bondade infinita, permitiu que os gregos dominassem Jerusalém e impurificassem o nosso Beit Hamikdash (Templo Sagrado)? Onde estava a bondade neste caso? A resposta é que, olhando só para aquele momento, realmente a bondade parece não existir. Porém, olhando também para o passado e o futuro, tudo fica claro. O povo judeu estava caindo espiritualmente cada vez mais, em um lento processo de assimilação, que certamente levaria ao fim do judaísmo, como ocorreu com tantos outros povos que se assimilaram e desapareceram. Mesmo as pessoas que cumpriam as Mitzvót faziam sem um brilho nos olhos. Então chegaram os gregos e, com violência, proibiram os judeus de cumprir as Mitzvót. Os judeus, antes tão sonolentos e sem vontade, se levantaram como leões e lutaram pela Torá e suas Mitzvót, dispostos a entregar suas próprias vidas. A invasão dos gregos, portanto, foi algo bom, pois despertou o povo judeu e o trouxe de volta ao caminho da Torá.

A preocupação vem de acharmos que somos nós que estamos no comanda da situação. A tranquilidade vem de sabermos que é D'us quem está sempre no comando de todas as situações e que tudo é fruto da Sua bondade infinita, de Alguém que conhece presente, passado e futuro, e que sempre quer o melhor para cada um de nós.
      
SHABAT SHALOM E CHANUKÁ SAMEACH

R' Efraim Birbojm

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