quinta-feira, 24 de outubro de 2019

HUMILDADE QUE SALVA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BERESHIT 5780

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HUMILDADE QUE SALVA - PARASHAT BERESHIT 5780 (25 de outubro de 2019)

 
"Certa vez um jovem judeu viajava em um navio. No meio da viagem, começou uma violenta tempestade. As imensas ondas que se formaram quase racharam o navio ao meio. Foi um grande milagre o navio ter conseguido chegar a uma praia segura, onde permaneceu até o fim da tempestade. Quando retomaram a viagem, avistaram os restos de uma embarcação que havia naufragado na tempestade. Chegando mais perto, o jovem percebeu que tratava-se justamente do navio no qual seu rabino, um grande sábio de Torá, estava viajando. O coração dele, abalado, encheu-se de dor. Porém, para a sua surpresa, quando ele desembarcou e dirigiu-se ao Beit Midrash (Centro de Estudos), viu o que parecia uma assombração: o seu rabino estava lá, tranquilamente sentado, ensinando Torá aos seus alunos.
 
- Rabino! - ele gritou, assustado - Como você escapou da tempestade? Eu vi com meus próprios olhos os restos da sua embarcação que naufragou!
 
- Um pedaço de madeira passou flutuando perto de mim quando o mar estava a ponto de me engolir - respondeu o sábio - Agarrei-me a ele e, com a ajuda de D'us, consegui nadar até a praia em segurança.
 
- Mas eu não entendo - questionou o aluno - como você não foi engolido pelas ondas gigantescas, que afundaram até navios? Como você conseguiu sobreviver se segurando em um pequeno pedaço de madeira?
 
- Você sabe porque eu sobrevivi? - respondeu o rabino, dando uma incrível lição de vida ao seu aluno - Pois eu abaixei a cabeça cada vez que vinha uma onda grande".
 
Não há nada melhor do que a humildade. Cuidado com o orgulho, pois na verdade nada é realmente nosso: a riqueza, beleza, força e inteligência não são méritos nossos. Tudo o que possuímos é um presente de D'us.

Nesta semana recomeçamos a leitura da Torá, com a Parashat Bereshit (literalmente "No princípio"), que descreve a criação do mundo e dos primeiros seres humanos, Adam Harishon e Chavá, e o nascimento dos seus dois filhos, Cain e Hevel. Infelizmente, logo após terem sido criados, Adam e Chavá fizeram uma grave transgressão e foram expulsos do Gan Éden (Paraíso). A decadência espiritual da humanidade se acentuou ainda mais, a ponto de logo ocorrer o primeiro assassinato da história, quando Cain, motivado pela inveja, levantou-se e matou seu irmão. Cain então foi julgado por D'us e provavelmente seria duramente castigado por seu crime hediondo. Porém, a Torá nos revela que, por algum motivo, D'us o perdoou e aplicou uma pena mais branda. Cain foi destinado a ser um nômade, vagando de cidade em cidade, sem nunca conseguir se estabelecer em nenhum lugar. Por que Cain foi poupado por D'us, mesmo tendo cometido um erro tão grave?
 
A resposta está em um interessante Midrash, que nos ensina que após o seu julgamento, Cain encontrou-se com seu pai. Adam então questionou qual havia sido o resultado do julgamento e Cain respondeu que ele havia feito Teshuvá (retorno aos caminhos corretos) e, por isso, havia sido absolvido. Adam ficou tão deslumbrado com a incrível força da Teshuvá que imediatamente levantou-se e fez um Cântico: "Mizmor Shir LeYom HaShabat" (Um cântico para o dia do Shabat) (Tehilim 92).
 
Porém, este Midrash levanta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, qual é a conexão entre o Cântico do Shabat e a Teshuvá? Além disso, ao lermos este capítulo de Tehilim, percebemos que ele não fala absolutamente nada sobre o Shabat, e sim traz louvores a D'us. Finalmente, o livro Tomer Dvora, de autoria do Rav Moshe Cordovero zt"l (Israel, 1522 - 1570), nos ensina que quando uma pessoa comete um erro, mas se arrepende sinceramente, então D'us ama esta pessoa ainda mais do que amava antes do erro. Inclusive, muitos comentaristas explicam que a motivação do erro de Adam Harishon era justamente esta, de ir contra a vontade de D'us para depois fazer Teshuvá e se conectar ainda mais a Ele. Isto significa que Adam já conhecia plenamente a força da Teshuvá. Então como o Midrash afirma que, após ver Cain ser perdoado por causa da Teshuvá, Adam ficou deslumbrado? Qual foi a novidade que ele não sabia?
 
A resposta está em um incrível ensinamento do Talmud (Sanhedrin 97b): "Diz o Rav Eliezer: Se o povo judeu fizer Teshuvá, então eles serão redimidos. Se não fizerem Teshuvá, não serão redimidos". Porém, o Rav Yehoshua imediatamente questiona esta afirmação. Como pode a Redenção final ser condicional, se ela já foi garantida por D'us? O Talmud então responde que, caso o povo judeu não faça Teshuvá por vontade própria, então D'us colocará um rei com duros decretos, como Haman, e então o povo judeu fará Teshuvá. Isto significa que a Redenção Final do povo judeu somente ocorrerá  quando  os judeus fizerem Teshuvá. E caso não façam por vontade, então farão através dos sofrimentos que virão através de um rei tirano e cruel.
 
Mas será que é válida a Teshuvá apenas por causa dos sofrimentos? O Talmud (Iomá 86a) ensina que existem três tipos de Teshuvá: Teshuvá por amor, Teshuvá por temor e Teshuvá por causa dos sofrimentos. A Teshuvá por causa dos sofrimentos é a menos meritória, pois a pessoa somente se arrepende quando começa a sentir na pele os sofrimentos que vêm como consequência de seu erro. Porém, apesar disso, D'us é infinitamente misericordioso e também aceita este tipo de Teshuvá. E esta foi a grande novidade para Adam Harishon. Apesar dele conhecer o conceito espiritual da Teshuvá, ele ainda não conhecia a sua incrível força, a ponto de uma Teshuvá motivada apenas pelo medo do castigo também ser aceita por D'us, como foi o caso de Cain, que fez Teshuvá apenas no momento do seu julgamento, por medo do castigo que recairia sobre ele.
 
Explica o Rav Yaacov Kaniesvki zt"l (Ucrânia, 1899 - Israel, 1985), mais conhecido como Steipler, que na verdade o "Mizmor Shir LeYom HaShabat" não se refere ao nosso Shabat, e sim ao Mundo Vindouro, a época em que "tudo será Shabat" (descanso), por toda a eternidade. E foi ao Mundo Vindouro que Adam se referiu quando escutou que a Teshuvá de Cain havia sido aceita. Ele imediatamente entendeu que a Redenção Final do povo judeu estava garantida, pois mesmo se não fizessem Teshuvá por vontade própria, acabariam fazendo pela força dos sofrimentos que recairiam sobre eles. Por isto, ele fez um Cântico para o "Dia do Shabat", o Mundo Vindouro, que dependerá da Teshuvá, nem que seja por medo dos castigos.
 
Este tipo de Teshuvá tem menos méritos espirituais pois, imediatamente após a pessoa saber que foi perdoada e isentada do castigo, ela "anula" a parte principal da Teshuvá, que é justamente o arrependimento sincero por ter se rebelado contra a vontade de D'us e ter transgredido Suas leis. Aquele que faz Teshuvá por causa do medo do castigo não sente um arrependimento sincero pelo erro, apenas se importa com a consequência, isto é, o castigo que ela merece receber. Portanto, assim que o transgressor sabe que sua Teshuvá foi aceita e ele foi perdoado do castigo, então ele não se importa mais com a transgressão que cometeu e não se arrepende por ter se rebelado contra D'us. Mesmo sendo uma Teshuvá superficial, ainda assim D'us, em Sua infinita misericórdia, aceita, ainda que logo após o perdão o transgressor voltará à sua vida normal, sem nenhum tipo de remorso. É isto que nos ensina as palavras do versículo "E saiu Cain diante de D'us" (Bereshit 4:16). De acordo com o Midrash, imediatamente após ter sido perdoado por D'us, Cain "saiu", isto é, voltou atrás e "enganou D'us", se desconectando da Teshuvá, feliz por ter saído em paz do julgamento e dos castigos amargos, como se o sucesso tivesse sido fruto do seu esforço e inteligência, não da misericórdia Divina.
 
Porém, desta explicação surge uma grande pergunta: se a Teshuvá por causa do castigo não envolve um arrependimento sincero, então por que ela é aceita por D'us? Se a pessoa não se importa em ter se rebelado contra D'us e tê-Lo irritado, então é um ato interesseiro, é apenas uma tentativa de se esquivar das consequências dos maus atos, mas sem se importar com os maus atos realizados. É a isto que se refere o Talmud (Baba Kama 50a) ao afirmar: "Diz Rabi Chanina: "Todo aquele que diz que D'us 'deixa passar' (que Ele perdoa as transgressões mesmo sem arrependimento), então a sua vida 'será abandonada', conforme está escrito: 'A Rocha (D'us), Sua obra é perfeita, pois todos os Seus caminhos são de justiça' (Deuteronômio 32:4)". O conceito da Teshuvá é justamente a possibilidade de um arrependimento tão profundo e sincero que arranca o ato, como se a pessoa nunca o tivesse cometido. Então, onde está a justiça quando D'us recebe uma Teshuvá que não envolve nenhum tipo de arrependimento por parte do transgressor?
 
Explica o Steipler que a raiz de todas as transgressões, e o que mais nos afasta de D'us, é o orgulho. O orgulho é abominável aos olhos de D'us, conforme ensina o Talmud (Sotá 5a): "Quando D'us vê que uma pessoa é orgulhosa, Ele diz: 'Eu e ela não podemos morar juntos no mesmo mundo'". D'us abandona o orgulhoso e ele fica perdido, guiado apenas pelas vontades do seu coração. Porém, quando a pessoa está diante do julgamento por suas transgressões e sente na pele os terríveis castigos amargos que vão recair sobre ela, então o seu coração se quebra e a pessoa se transforma em uma nova criatura. Neste momento, sua visão em relação à transgressão e aos seus maus caminhos é completamente diferente. A submissão da pessoa, mesmo que momentânea, faz com que brilhe sobre ela uma luz espiritual. E, neste momento, ocorre um arrependimento sincero pela rebeldia contra D'us. Mesmo sendo uma Teshuvá momentânea, D'us é bondoso e aceita, apesar de saber que, imediatamente após a pessoa ser perdoada e escapar do castigo, ela voltará a ser orgulhosa.
 
Daqui aprendemos o quanto o orgulho destrói a nossa espiritualidade. E, ao contrário, o quanto a humildade pode nos salvar dos problemas, físicos e espirituais. D'us não ignora um coração quebrado e humilde. Saber abaixar a cabeça pode salvar vidas. E é, certamente, o caminho de preparação para a nossa Redenção Final.
 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

AMOR E CONEXÃO - SHABAT SHALOM M@IL - SHEMINI ATSERET E SIMCHÁ TORÁ 5780

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AMOR E CONEXÃO - SHEMINI ATSÉRET E SIMCHÁ TORÁ 5780 (18 de outubro de 2019)


Enquanto Michel esperava para pegar um amigo no aeroporto de Portland, ele teve uma experiência de vida incrível. Esforçando-se para localizar o seu amigo entre os passageiros que desembarcavam, ele observou um homem que vinha carregando duas malas. O homem correu para cumprimentar sua família. Primeiro ele apontou para seu filho do meio, de seis anos de idade, e deu um abraço longo e carinhoso. O pai então disse: "É tão bom ver você, meu filho. Eu estava tão longe. Quantas saudades eu senti!". Seu filho sorriu timidamente, desviou os olhos e respondeu baixinho: "Eu também, papai!". Então o homem se levantou, olhou nos olhos do seu filho mais velho, de nove anos e, enquanto acariciava o rosto dele, disse: "Você está cada vez maior. Eu te amo muito". Eles também se abraçaram carinhosamente.

Enquanto isso, uma menininha de pouco mais de um ano estava se agitando nos braços da mãe. O homem, com um largo sorriso, disse: "Olá, menininha!". Ele gentilmente pegou a criança no colo e deu um grande beijo em sua bochechinha rosada. A menina, muito feliz, deitou a cabeça no ombro dele, aconchegada. Após alguns momentos, ele olhou para sua esposa com um olhar apaixonado e disse baixinho: "Eu te amo tanto!" Era possível ver o rosto dos dois brilhando.

Pela idade dos filhos, Michel entendeu que eles não eram recém-casados. Sem conseguir conter a curiosidade, Michel perguntou há quanto tempo estavam casados. O homem respondeu que já eram 14 anos de casamento. Michel então perguntou por quanto tempo ele havia ficado ausente. A resposta o deixou espantado:

- Dois dias inteiros! - respondeu o homem.

- Dois dias? - perguntou Michel, espantado - Pela intensidade do reencontro, eu imaginei que você estivesse fora por semanas ou meses. Que lição de vida! Espero que meu casamento seja assim depois de 14 anos!

O homem então olhou diretamente nos olhos de Michel e disse algo que mudou sua vida:
 
- Não espere, amigo. Faça acontecer!"

Isto ocorre nos relacionamentos de amor com nossas famílias, mas também ocorre no nosso relacionamento com D'us. Não devemos esperar o amor acontecer, devemos fazer o amor acontecer.

Neste Shabat não lemos a Parashat Hashavua, pois ele coincide com a Festa de Sucót, a "Época da alegria". E no domingo de noite (20 de outubro) começaremos a comemorar uma nova Festa Judaica: Shemini Atseret, que literalmente significa "O oitavo, o dia da parada". Este nome incomum marca uma das principais características desta Festa. Após sete dias de Sucót, uma "Festa Universal", na qual oferecemos Korbanót (sacrifícios) por todos os povos do mundo, D'us nos comandou ficarmos perto Dele por mais um dia. Shemini Atseret é uma Festa independente, e a prova disso é que recitamos a Brachá de "Shehecheianu". Porém, não se pode negar que Shemini Atseret, como seu próprio nome indica, está conectado com os sete dias de Sucót. Isto significa que as obrigações de  alegria de Sucót também se aplicam a Shemini Atseret, já que ela também é chamada de "Zman Simchatenu" (A época da nossa alegria).

Shemini Atseret também se mescla com uma comemoração estabelecida pelos nossos sábios para o término do ciclo anual de leitura da Torá: a Festa de Simchá Torá. É um dia de muita alegria, no qual dançamos com o Sefer Torá. Fora de Israel, onde comemoramos dois dias de Shemini Atseret, Simchá Torá é comemorado no segundo dia. Mas por que nossos sábios juntaram a Festa de Shemini Atseret com a Festa de Simchá Torá?

Apesar de todos já terem escutado da Festa de Simchá Torá, poucos conhecem a Festa de Shemini Atseret. Por que? Talvez pelo fato dela não envolver nenhum ritual, como tocar Shofar, comer Matzá, acender 8 velas ou balançar os Arbat Haminim (4 espécies). Mas, na verdade, Shemini Atseret deveria ser uma das Festas mais celebradas do calendário judaico. Apesar de não ter nenhum dos famosos rituais que marcam outras datas judaicas, esta Festa é caracterizada por dois temas que são fundamentais para o judaísmo: o nosso relacionamento com D'us e o sentimento de alegria que esta proximidade deve despertar em nós.

Um dos princípios básicos da Torá é que devemos servir a D'us com alegria. O entendimento de que a Torá e seus mandamentos servem de interface entre o Infinito e o mundo finito que D'us criou dá ao nosso Serviço Divino propósito e entusiasmo. Quando a pessoa percebe que ao realizar qualquer Mitzvá ela se conecta com o Infinito, ela deixará de ver a Torá como um peso e passará a vê-la como um privilégio. A Mitzvá que nos ordena servir a D'us com alegria não é uma imposição sobre nossas emoções, mas uma consequência da percepção do propósito supremo da Torá.

Infelizmente, muitas vezes nós só vamos ao "palácio do Rei" quando precisamos algo Dele ou em momentos críticos do ano, quando Ele nos "convoca". Mas, após receber aquilo que queríamos ou depois de terminada a "convocação", deixamos o Palácio Real e não nos sentimos tristes por fazê-lo. Mas para o Rei, que também é Pai, cada dia que Seus filhos vêm visitá-Lo é motivo de grande alegria. Assim sendo, quando estamos prestes a deixá-Lo, Ele nos pede para ficarmos ao Seu lado mais um dia. Neste dia adicional, não temos que realizar nenhuma Mitzvá específica. Tudo o que temos que fazer é nos alegrarmos com o nosso Pai, falando com Ele através das nossas Tefilót, ouvindo-O através do nosso estudo da Torá e participando de Seudót que sirvam para aumentar nossa alegria, fortalecendo nossa ligação com D'us.

No judaísmo, o número sete representa um ciclo natural. D'us criou o mundo em sete dias. A semana, que é um ciclo básico e fixo de tempo, é composta de sete dias. Muitas Mitzvót estão associadas ao número sete: o Shabat, a Shmitá (Ano Sabático), as Sheva Berachót (sete Brachót do casamento), entre outros. E o que representa o número oito? Aquilo que está acima do natural, o sobrenatural. Chanucá, por exemplo, é celebrado durante oito dias, por causa do milagre sobrenatural do azeite. De modo similar, o Brit Milá ocorre no oitavo dia do nascimento, pois simboliza a conexão sobrenatural entre os judeus e D'us. Shemini Atseret é a única Festa da Torá associada ao número oito, já que Pessach  e Sucót duram apenas 7 dias. Shemini Atseret nos ensina, assim como o Brit Milá, que nossa conexão com D'us transcende todas as limitações.

Os dois temas ligados a Shemini Atseret, a alegria e a conexão sobrenatural do povo judeu com D'us, caminham juntas. A alegria rompe todas as fronteiras e permite que a pessoa transcenda todos os obstáculos do mundo natural e atinja objetivos sublimes, nos âmbitos material e espiritual. Quando surge um obstáculo em nossas vidas, não devemos nos rastejar por baixo dele, e sim saltar por cima dele. Este conceito, de pular por cima dos obstáculos, é o que Shemini Atseret nos transmite. Por força da nossa alma e da nossa conexão com D'us, temos o poder de transcender o mundo natural e todos os seus limites. Quando servimos a D'us com alegria, conseguimos saltar os obstáculos. Foi por isso que nossos sábios decidiram que Shemini Atseret seria o dia propício para comemorarmos o fim do ciclo de leitura anual da Torá.

O número oito também simboliza a perfeição. O Brit Milá é o ato de "completar" e embutir o potencial de perfeição no ser humano. Outro significado de "Atseret" é "reter", isto é, reter algo para levá-lo ao seu estado de perfeição. Shemini Atseret significa, portanto, o oitavo dia, o dia adicional que leva os sete dias de Sucót ao seu estado de perfeição.

Shemini Atseret, diferentemente de outras Festas, não possui um ritual especial, exceto a alegria. Em Sucót está escrito: "E estará somente alegre" (Devarim 16:15). Este versículo não é apenas uma Mitzvá, mas também uma promessa Divina: se cumprirmos as Mitzvót com alegria, teremos a garantia de uma alegria eterna. Se isto vale para Sucót, mais ainda para Shemini Atseret.

Outro significado do termo Atseret é "encerramento". Shemini Atseret é a conclusão do ciclo de Festas da Torá, iniciado em Pessach. As Festas da Torá revivem eventos do passado do povo judeu: Pessach revive nossa libertação da escravidão egípcia, Shavuot revive a entrega da Torá no Monte Sinai e Sucót revive os 40 anos em que os judeus vagaram pelo deserto sob a proteção da sombra de D'us. Shemini Atseret celebra um evento futuro, o mais esperado pela humanidade: o "Yom Shekulo Tov", o dia em que tudo será bom, para toda a eternidade.
 
A alegria é essencial para todas as Mitzvót e Festividades, mas ela deve acompanhar em especial as Festas de Sucót e Shemini Atseret. A alegria de Shemini Atseret é alcançada quando refletimos sobre o significado desta Festa. Passamos muitos dias perto do Rei em Seu palácio. Desde o mês de Elul, passando pelos dias de santidade de Rosh Hashaná e Yom Kipur e atingindo seu auge na semana de Sucót, na qual passamos um tempo com o Rei na Sucá, Seu palácio. Depois de tudo isso, é difícil ir embora e voltar para a "vida normal". Por isso, D'us nos deu um dia a mais, Shemini Atseret, para que possamos ficar um pouquinho mais em Sua Presença. Que a alegria e a inspiração de Shemini Atseret e Simchá Torá inspirem o povo judeu a servir a D'us com alegria ao longo de todo o ano, fortalecendo, assim, nossa conexão com D'us e Sua Torá.
 

SHABAT SHALOM E CHAG SAMEACH

 

R' Efraim Birbojm

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