sexta-feira, 16 de agosto de 2019

COLOCANDO A CULPA NOS OUTROS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAETCHANAN 5779

BS"D
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
   
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT

PARASHAT VAETCHANAN 5779:

  São Paulo: 17h30                  Rio de Janeiro: 17h18 
Belo Horizonte: 17h24                 Jerusalém: 18h46
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO DA PARASHAT VAETCHANAN

COLOCANDO A CULPA NOS OUTROS - PARASHAT VAETCHANAN 5779 (16 de agosto de 2019)


No Japão vivia o Sr. Hiroshi, um homem muito rico. Tudo o que ele queria era viver feliz e aproveitar o dinheiro que tinha conseguido juntar com muitos anos de trabalho. Porém, certo dia, o Sr. Hiroshi começou a sentir uma dor aguda nos olhos, como se algo os estivesse perfurando. Ele procurou os melhores médicos, mas ninguém encontrava uma cura para a sua doença. Um dia, um amigo aproximou-se dele e disse:


- Há um rabino em uma aldeia vizinha. Ouvi dizer que ele é muito sábio e faz até mesmo milagres. Vá até ele e, quem sabe, conseguirá um milagre para curar os seus olhos.


O Sr. Hiroshi foi até o rabino e contou-lhe sobre a sua doença. O rabino disse a ele:


- Eu tenho uma cura para a sua doença, é um remédio barato e simples. Para que seus olhos voltem a ser saudáveis, você deve ver tudo apenas na cor verde.


O Sr. Hiroshi estranhou o ensinamento. Não fazia nenhum sentido curar os olhos daquela maneira. Porém, não tinha nada a perder, já que nenhum tratamento havia funcionado. Voltou para casa e imediatamente começou a trocar tudo por móveis verdes. Também pintou as paredes, mudou o piso e, depois de alguns meses, toda a sua casa estava completamente verde. Até seus funcionários tiveram que trocar suas roupas e pintar seus rostos de verde. Porém, certo dia, o Sr. Hiroshi pediu para chamar o rabino. Quando ele entrou, o Sr. Hiroshi disse:

 

- Rabino, graças a D'us me sinto ótimo. Agradeço muito, pois seu remédio funcionou bem. Só não entendi porque você me disse que era um remédio barato. Está me custando uma fortuna mudar tudo para a cor verde!


- Meu remédio é barato e simples, conforme eu lhe ensinei - disse o rabino, com humildade - Mas ao invés de tentar mudar o mundo inteiro para verde, era só você ter usado um óculos com lentes verdes"


Às vezes procuramos o problema nos outros quando, na verdade, o problema está em nós mesmos. É mais fácil trocar de óculos do que mudar o mundo inteiro.

Na Parashat desta semana, Vaetchanan (literalmente "Eu implorei"), Moshé Rabeinu continuou com suas palavras finais ao povo judeu. Neste discurso de despedida, Moshé foi relembrando alguns erros e tropeços do povo durante os 40 anos no deserto. Entre os erros cometidos, Moshé relembrou também seu próprio erro, quando ele golpeou a pedra para dar água ao povo, ao invés de ter pedido água para a pedra, conforme D'us havia ordenado. Foi por este erro que D'us decretou que Moshé não entraria mais na Terra de Israel.


Porém, ao descrever este acontecimento, Moshé acrescenta uma frase que é muito difícil de ser entendida: "E D'us se enfureceu comigo por causa de vocês, e Ele não me escutou" (Devarim 3:26). Aparentemente Moshé estava jogando a culpa sobre o povo, dizendo que D'us não havia escutado a sua Tefilá por causa dos maus atos do povo, ao invés de assumir a responsabilidade por seus atos. Esta foi uma atitude correta?

 

Por um lado, é verdade que o povo havia causado um enorme tropeço para Moshé. Nossos sábios explicam que Moshé tentou pedir água para a pedra, conforme D'us havia ordenado, mas falou com a pedra errada, levando o povo a zombar dele e de D'us. Ao escutar que a honra de D'us estava sendo manchada, Moshé se irritou e acabou batendo na pedra. Portanto, o povo teve uma participação ativa no erro de Moshé. Porém, por outro lado, em última instância, Moshé tinha livre arbítrio e poderia ter evitado o erro. Portanto, o correto não teria sido Moshé ter assumido a culpa pelo seu erro? É isto que esperávamos de um grande líder como Moshé?


A pergunta fica ainda mais difícil de acordo com um ensinamento do Talmud (Yoma 22b), que afirma que houve uma grande diferença entre Shaul Hamelech e David Hamelech em relação a erros que eles cometeram. O Talmud ensina que Shaul transgrediu apenas uma vez, enquanto David transgrediu duas vezes. Porém, ao contrário do esperado, David foi perdoado por D'us e manteve o seu reinado, enquanto Shaul não foi perdoado e perdeu o seu reinado. Alguns explicam que a diferença foi que o erro de Shaul estava em não executar sua obrigação de rei, enquanto os erros de David foram apenas falhas pessoais, não relacionadas com a sua posição de rei. Mas outros comentaristas explicam que a principal diferença entre eles está na reação após terem sido repreendidos pelos erros cometidos. Quando o profeta Shmuel repreendeu Shaul, ele disse: "Realmente errei, mas foi por causa da pressão do povo". Já David, quando foi confrontado pelo profeta Gad, instantaneamente pediu perdão e disse "Transgredi". Enquanto Shaul tentou se defender e justificar seu comportamento equivocado, David focou apenas em entender o que D'us havia visto de errado em seus atos, para se arrepender de seus erros e corrigi-los.


Portanto, este ensinamento do Talmud deixa ainda mais difícil o entendimento das palavras de Moshé. Normalmente não aceitar um erro cometido é uma tremenda demonstração de orgulho, pois demonstra que a pessoa não quer assumir que errou. Assumir erros fere o nosso ego e, portanto, não é algo que pessoas orgulhosas fazem. Porém, Moshé é considerado o mais humilde de todos os homens. Dele esperaríamos, como ocorreu com David, a aceitação completa da culpa. Então como podemos entender as palavras de Moshé?


Explica o Rav Yaakov Weinberg zt"l que certamente Moshé, o mais humilde de todos os homens, assumiu completamente a responsabilidade por seus atos e não jogou a culpa sobre o povo. Porém, com esta frase, Moshé estava transmitindo ao povo judeu uma mensagem muito profunda sobre os decretos de D'us e a forma como Ele julga os nossos atos e aplica, quando necessário, castigos.

 

Quando um juiz de carne e osso faz um julgamento, por mais que ele se esforce, seu julgamento é sempre limitado. Em primeiro lugar, um juiz de carne e osso nunca consegue saber exatamente o que aconteceu. Sempre alguns detalhes acabam escapando e é praticamente impossível uma pessoa prestar um depoimento sem alterar nada ou esquecer algum detalhe. Muitas vezes as pessoas entendem as situações de forma diferente, e é a "versão" particular de cada um que chega aos ouvidos do juiz. Além disso, um juiz nunca conseguirá saber qual foi a verdadeira intenção de uma pessoa quando ela cometeu uma transgressão. E, finalmente, quando um juiz condena um acusado de um crime a passar alguns anos na prisão, ele não leva em consideração o sofrimento que a família deste homem vai passar. O juiz consegue apenas medir qual foi o erro cometido e qual é a pena que se aplica a este tipo de erro. Porém, ele nunca conseguirá quantificar quanto sofrimento ele também causa aos parentes e amigos da pessoa condenada. De certa maneira, eles também estão sendo castigados pelo juiz, mesmo sem terem feito nada de errado. Portanto, por mais que um juiz possa ser reto e cuidadoso, sempre ele estará sendo um pouco injusto.


Mas este problema não ocorre nos julgamentos Divinos, pois os julgamentos de D'us são perfeitos e completos. Em primeiro lugar, D'us sabe exatamente o que ocorreu, com todos os mínimos detalhes. Além disso, D'us conhece os pensamentos e os desejos do coração de cada pessoa, conseguindo medir exatamente quais eram as intenções por trás de cada ato cometido. E, finalmente, D'us consegue também quantificar quanto sofrimento recai sobre outras pessoas ao castigar alguém, e Ele leva isto em consideração no momento em que decreta qual castigo a pessoa merece.

 

Em outras palavras, muitas vezes uma pessoa que fez uma transgressão pode ser poupada, ao menos temporariamente, de um castigo Divino, caso algum parente ou amigo dela não mereça passar pelo sofrimento de ver alguém querido passando por dificuldades. Isto significa que quando alguém recebe um castigo Divino e as pessoas em volta também sofrem, elas também estavam merecendo, por algum motivo, passar por aquele sofrimento. De acordo com os cálculos Divinos perfeitos e exatos, estas pessoas também não tinham méritos para que o transgressor fosse poupado do seu castigo.

 

Portanto, era isto que Moshé estava transmitindo ao povo. A morte de Moshé foi um enorme castigo também para o povo judeu. Mesmo que o novo líder, Yehoshua, também era um grande Tzadik, ele não se comparava à grandeza de Moshé. O Talmud (Baba Batra 75a) afirma que Moshé se comparava ao brilho do sol, enquanto Yehosua se comparava ao brilho da lua. Moshé assumiu completamente a culpa pelo seu erro, mas estava ensinando ao povo que o julgamento de D'us é perfeito e abrange tudo. O sofrimento que o povo estava sentindo, por não poder contar com Moshé Rabeinu para conduzi-lo na conquista da Terra de Israel, era porque o povo não tinha méritos suficientes para ser poupado daquele sofrimento. Este sofrimento era motivado pelas transgressões que o povo havia cometido.

 

Deste ensinamento da Parashat aprendemos uma lição fundamental para as nossas vidas: a importância de uma pessoa assumir seus erros, ao invés de procurar em quem colocar a culpa. Quando algum sofrimento nos atinge, devemos refletir sobre qual falha nossa pode ter causado este sofrimento. Mesmo quando o sofrimento vem por causa da dor que sentimos pelo sofrimento de outra pessoa, em algum nível fazemos parte daquele castigo decretado. Os julgamentos de D'us são perfeitos, por isso o correto é sempre tentar entender o que podemos ter feito de errado para, desta maneira, conseguirmos consertar nossos atos e alcançar a perfeição.

 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania, Mara bat Chana Mirel, Dina bat Celde, Celde bat Lea, Rivka Lea bat Nechuma.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

O PODER DAS PALAVRAS - PARASHAT DEVARIM E TISHÁ BE AV 5779

BS"D
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
   
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT

PARASHAT DEVARIM E TISHÁ BE AV 5779:

São Paulo: 17h28                  Rio de Janeiro: 17h16 
Belo Horizonte: 17h22                  Jerusalém: 18h53
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO DA PARASHAT DEVARIM

O PODER DAS PALAVRAS - PARASHAT DEVARIM E TISHÁ BE AV 5779 (09 de agosto de 2019)

 
"O Rav Isser Zalman Meltzer zt"l (Bielorússia, 1870 - Israel,1953) era um famoso Rosh Yeshivá. Certa vez, no meio de uma de suas aulas de Talmud, um dos alunos fez uma pergunta. O Rav parou por alguns instantes, pensativo. Finalmente, disse que a pergunta era tão boa que ele não tinha resposta e precisaria mudar toda a forma de explicar o assunto. O rapaz que fez a pergunta ficou orgulhoso. Porém, no final da aula, um dos rabinos da Yeshivá, que também estava presente, se aproximou do Rav Isser Zalman e questionou:
 
- Rav, me desculpe, mas naquela pergunta há uma enorme falha de lógica! Não havia absolutamente nenhuma necessidade de mudar a sua explicação!
 
- Eu sei - respondeu o Rav Isser Zalman, com um sorriso - Eu também percebi o erro. Mas quando o rapaz perguntou, eu estranhei muito, pois conheço este rapaz há muitos anos e ele nunca havia perguntado nada durante a aula. Imaginei que algo o estava pressionando a perguntar hoje. Vi então pela janela que havia um homem de pé, do lado de fora, escutando atentamente a aula. Eu nunca tinha visto aquele homem. Então eu conectei as duas informações e entendi o que estava acontecendo. Aquele rapaz provavelmente está prestes a noivar e seu futuro sogro veio até a Yeshivá para ver se ele era um bom aluno. Ao vê-lo na janela, o rapaz se sentiu pressionado e, querendo mostrar que era um bom aluno, tomou coragem e fez a pergunta.
 
- Mas o que eu poderia fazer? - concluiu o Rav Isser Zalman - Se eu o tivesse corrigido, ele teria se sentido envergonhado, seu futuro sogro teria achado que ele não era um bom aluno e possivelmente o noivado não teria acontecido. Porém, seria uma pena, pois é um excelente rapaz, de caráter incrível. Por isso, eu preferi elogiar a pergunta e mudar a forma como eu estava explicando o Talmud".
 
Enquanto algumas pessoas utilizam suas palavras para humilhar, ofender e destruir vidas, outros utilizam suas palavras para construir e trazer vida para o mundo.

Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim. E a Parashat desta semana, Devarim (literalmente "Palavras") traz as palavras finais de Moshé ao povo judeu, antes de sua morte e a entrada do povo na Terra de Israel. As palavras de Moshé eram uma repreensão pelos erros cometidos pelo povo durante os 40 anos em que permaneceram no deserto. Moshé queria despertar o povo para que eles aprendessem com os erros do passado e não voltassem a cometê-los quando se deparassem com futuros testes e desafios.
 
Esta responsabilidade de aprender com os erros do passado também recai sobre nós e está relacionado com a próxima data importante no calendário judaico: Tishá Be Av, o nono dia do mês de Av, que começa no próximo Motsei Shabat (10 de agosto). Neste dia, muitas tragédias aconteceram ao povo judeu, sendo a mais marcante delas a destruição dos nossos dois Templos Sagrados. Nossos sábios explicam que toda geração que não reconstruiu o Beit Hamikdash (Templo) é considerada como se o tivesse destruído. Isto significa que, se aprendermos com os erros do passado e conseguirmos consertar estes erros, teremos o mérito de reconstruir o nosso Templo Sagrado. Mas, afinal, que erros precisamos consertar? Por que o Beit Hamikdash foi destruído?
 
O Talmud (Guitin 55b) nos ensina que "Por causa de Kamtza e Bar Kamtza foi destruída Jerusalém (e o Templo Sagrado)". O Talmud conta que um homem quis dar uma festa. Ele era amigo de Kamtza, mas era inimigo de Bar Kamtza. Seu empregado, por engano, entregou o convite a Bar Kamtza. Quando o dono da festa viu que seu inimigo estava na festa, quis expulsá-lo. Bar Kamtza estava disposto a pagar todos os gastos da festa para não ser humilhado, mas o dono não aceitou e, diante de todos os convidados, expulsou-o de forma vergonhosa. Bar Kamtza saiu revoltado, pois todos assistiram sua humilhação pública e não fizeram nada. Como vingança, ele delatou os judeus ao imperador de Roma como sendo rebeldes. A prova era que mesmo se o imperador enviasse um animal como Korban (sacrifício) para ser oferecido no Beit Hamikdash, os judeus não o ofereceriam. Para que seu plano desse certo, Bar Kamtza causou, durante o caminho para Jerusalém, um pequeno machucado no animal enviado pelo imperador. De acordo com uma opinião o machucado era na pálpebra, enquanto outra opinião sustenta que o machucado era no lábio. De acordo a Halachá, estes pequenos machucados eram considerados um "Mum" (defeito) que tornava o animal impróprio para ser oferecido, mas de acordo com as leis dos idólatras, estes pequenos machucados não impossibilitavam o animal de ser oferecido aos seus deuses. Os sábios judeus, diante daquela situação de perigo, chegaram a pensar em oferecer o animal defeituoso ou matar o Bar Kamtza para que ele não voltasse com o animal para Roma, mas desistiram destas ideias. No final, Bar Kamtza voltou ao imperador que, furioso, enviou um general para iniciar a destruição.
 
Escutamos muitas vezes esta famosa história, porém não prestamos atenção aos detalhes dela. Por exemplo, está escrito que por causa de Kamtza e Bar Kamtza Jerusalém foi destruída. Entendemos que Bar Kamtza foi responsabilizado, mas por que Kamtza também foi considerado culpado? Ele nem mesmo foi na festa!
 
Além disso, por que um pequeno machucado na boca e no olho de um animal é considerado defeito de acordo com a Lei judaica, impossibilitando seu oferecimento, mas de acordo com os idólatras isto não é um defeito?
 
Finalmente, os sábios pensaram em várias maneiras de como evitar problemas com o imperador, inclusive matar Bar Kamtza. Mas por que não pensaram na ideia mais óbvia, que era mandar um grupo de sábios ao imperador para mostrar que, de acordo com a Halachá, era proibido oferecer um animal com aqueles pequenos defeitos e, portanto, não era um ato de desrespeito ao imperador? Será que os romanos não entenderiam?
 
Explica o Rav Shlomo Levenstein que a palavra "Bar", em hebraico, significa "filho". De acordo com esta explicação, Kamtza era o pai de Bar Kamtza. Por isso, Kamtza também foi responsabilizado, pois se ele estivesse presente na festa, certamente seu filho não teria sido humilhado em público.
 
Porém, Kamtza não foi à festa pois não recebeu o convite. Então por que ele foi responsabilizado? Qual foi o seu erro? O Talmud afirma que o dono da festa era amigo de Kamtza. Então, mesmo sem convite, ele deveria ter ido. Kamtza deveria ter entendido que não havia recebido o convite por algum problema técnico, como realmente aconteceu. Ele deveria ter imaginado que seu convite havia sido extraviado, mas que certamente seu amigo queria sua presença na festa. Então por que ele não foi? Por uma característica chamada "Tzarut Ain", que literalmente é traduzido como "olho estreito", mas que significa ser mesquinho. Como Kamtza não havia recebido seu convite das mãos de um mordomo carregando uma bandeja de prata, ele não foi na festa.
 
De acordo com a Torá, o "Tzarut Ain" é um enorme defeito. E não era apenas Kamtza tropeçou neste erro, naquela época muitas pessoas se comportavam de forma mesquinha. Por exemplo, as pessoas que estavam na festa não fizeram nada para diminuir a humilhação de Bar Kamtza. Cada um estava preocupado com seus próprios problemas e interesses. Por isso, para o povo judeu, um pequeno machucado no olho de um animal é considerado um "Mum" (defeito), pois um judeu deve se afastar do "Tsarut Ain".
 
Os romanos, ao contrário, criaram o culto ao corpo. O importante não eram os traços de caráter, e sim os atributos físicos. Aqueles que eram fortes na luta ou sabiam correr eram glorificados. Hoje temos o mesmo fenômeno, observado na "idolatria" dos jogadores de futebol, cantores e atores. O importante não é o caráter, é ser bonito, alto e forte. Por isso, para os romanos, o machucado no olho não significava nada. Ser mesquinho era normal e aceitável.
 
Também a Torá é muito rigorosa com o uso da nossa boca. D'us nos deu o dom da fala para que pudéssemos nos tornar sócios na Criação do mundo. Quando usamos a fala para estudar Torá, para incentivar e elogiar uma pessoa ou para consolar alguém triste, estamos cumprindo o nosso propósito e construindo mundos espirituais. Para o judaísmo, importa muito se a pessoa tem uma "boa boca". Por isso, até mesmo um pequeno machucado no lábio de um animal é considerado um "Mum" (defeito).
 
Porém, para os romanos, não havia preocupação nem cuidado com a boca. As pessoas, até hoje, pouco se importam de falar informações que podem denegrir e manchar a honra dos outros. Programas de televisão e revistas se especializam em fofocas. As pessoas até pagam por este tipo de informação. Por isso, para os romanos, o machucado na boca não significava nada. Falar mal dos outros e humilhar era normal e aceitável.
 
Se os sábios judeus fossem dizer ao imperador que o machucado na boca e no olho deixavam os nossos animais impróprios, isto significaria transmitir que vivemos com mais valores do que eles, o que seria uma ofensa. Ao invés de ser uma justificativa, seria uma prova da rebeldia dos judeus e, portanto, não era uma possibilidade.
 
Se queremos ter o nosso Beit HaMikdash de volta, devemos cuidar do nosso olho e da nossa boca. São ferramentas preciosas que D'us nos deu, e que podemos utilizá-las para construir. Cada vez que uma pessoa impede sua boca de pronunciar Lashon Hará (maledicência), ela deposita um tijolo na construção do nosso Beit Hamikdash. Cada vez que a pessoa sente empatia pelos outros e olha as situações de forma positiva, ela contribui para o fim dos sofrimentos do povo judeu. O olho e a boca, quando "machucados" são um "Mum" (defeito), mas o olho e a boca "consertados" podem ser a chave para a construção de um mundo melhor.
 

SHABAT SHALOM E TZOM KAL (UM JEJUM LEVE)

R' Efraim Birbojm

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania, Mara bat Chana Mirel, Dina bat Celde, Celde bat Lea.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp