sexta-feira, 16 de novembro de 2018

ESPERE MAIS UM POUCO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIETSE 5779

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Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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Parashat Vaietse 5779 - R' Efraim Birbojm - Shaarei Biná Brasil

ESPERE MAIS UM POUCO - PARASHAT VAIETSE 5779 (16 de novembro de 2018)

"Um homem, no limite de suas forças, atentou contra a própria vida com uma arma de fogo, ficando gravemente ferido. Ouvindo o tiro, o vizinho entrou no apartamento e, ao lado do homem caído, encontrou uma carta. Assim estava escrito: "Não deu para suportar. Passei a noite toda andando sem rumo pelas ruas. Fui a pé, não tinha condições nem para dirigir. Perdi meu emprego por causa de uma injustiça. Ontem, telefonaram avisando que minha casa no campo foi incendiada. Estava ameaçado de perder este apartamento por não ter conseguido pagar as prestações. Tudo o que me restou na vida foi um carro velho, que não vale nada. Afastei-me de todos os meus amigos, com vergonha desta humilhante situação. E, agora, chegando aqui, não encontrei ninguém. Fui abandonado e levaram até minhas melhores roupas! Para aquele que encontrar esta carta, faça o que tem que ser feito. Perdão".
 
O vizinho imediatamente chamou uma ambulância. Quando os médicos chegaram, viram que havia um recado na secretária eletrônica. Era a voz da mulher do homem ferido: "Alô! Querido, sou eu. Você não sabe que boa notícia, ligaram da firma, o engano foi reconhecido e você está sendo chamado para voltar ao trabalho na semana que vem. O dono do nosso apartamento também ligou. Ele disse que tem uma boa proposta para não o perdermos, não é maravilhoso? Mais uma boa notícia é que a história do incêndio era só trote, por isso vim com nossos filhos para curtir nossa casinha de campo. Tantas boas notícias juntas merecem uma festa, não? Chamei nossos amigos para um churrasco, eles estão vindo para cá. Já coloquei suas melhores roupas no porta-malas do seu carro, vem logo. Um beijo!".
 
Quando tudo parece perdido, tenha calma. Não devemos julgar as situações de forma precipitada e nem perder a esperança de que D'us vai nos ajudar. Espere um pouco, pois em instantes D'us pode fazer tudo mudar.

Nesta semana lemos a Parashat Vaietse (literalmente "E saiu"), que descreve a viagem de Yaacov para Haran, a cidade onde morava seu tio Lavan. Havia dois motivos para esta viagem. Em primeiro lugar, Yaacov estava fugindo da fúria de Essav, seu irmão, que queria matá-lo por causa da Brachá de primogenitura. Em segundo lugar, Yaacov queria se casar e foi procurar uma esposa entre os familiares de sua mãe, Rivka, pois sabia o quanto desagradaria seus pais caso ele se casasse com uma mulher de Knaan, pessoas amaldiçoadas.
 
Logo após a chegada em Haran, Yaacov conheceu sua prima Rachel e percebeu que era com ela que ele construiria as bases do povo judeu. Porém, como não tinha dinheiro para o dote, teve que trabalhar sete anos para poder se casar com Rachel. Como seu futuro sogro, Lavan, era um grande trapaceiro, Yaacov quis se cuidar para evitar ser enganado. Isto pode ser percebido através das palavras do versículo "Trabalharei sete anos por Rachel, a sua filha mais nova" (Bereshit 29:18). Por que Yaacov descreveu Rachel com tantos detalhes ao seu próprio pai? Pois Yaacov sabia que se dissesse apenas "Rachel", Lavan procuraria outra mulher com o mesmo nome. Se dissesse apenas "Rachel, sua filha", Lavan simplesmente trocaria o nome de suas filhas. Por isto Yaacov foi cuidadoso e disse "Rachel, a sua filha mais nova", para impedir qualquer possibilidade de trapaça. Como proteção adicional, Yaacov ensinou a Rachel um sinal secreto que deveria ser usado no momento do casamento. Caso a noiva não desse o sinal, Yaacov poderia ter a certeza de que a noiva sob o véu não era Rachel e interromperia o casamento.
 
Porém, no final Yaacov acabou casando com Lea. Com tantos cuidados e até mesmo um sinal secreto, o que deu errado? Quando Rachel percebeu que era Lea quem estava sendo preparada para o casamento e não ela, começou a imaginar a vergonha pública que sua irmã passaria quando Yaacov descobrisse a farsa e cancelasse o casamento. Por isso, na última hora, Rachel teve misericórdia e não quis que sua irmã fosse humilhada. Em um incrível ato de abdicação, ela passou os sinais secretos para a irmã. O ato de Rachel foi algo muito grandioso, pois ela não sabia que casaria com Yaacov logo em seguida. Em sua cabeça, ela estava abrindo mão para sempre do homem da sua vida. Lea seria a matriarca do povo judeu, enquanto Rachel não seria nada.
 
Que recompensa esperaríamos para um ato de tanta abdicação em prol da honra do próximo? Certamente algo muito especial e único. Porém, na prática, aparentemente Rachel recebeu apenas sofrimentos. Ela se casou logo em seguida com Yaacov, mas enquanto Lea teve um filho por ano, Rachel não engravidava. Depois de Lea ter 4 filhos, Rachel sugeriu a Yaacov que se casasse com sua escrava Bilá. Yaacov teve com Bilá 2 filhos, enquanto Rachel não engravidava. Quando Lea percebeu que havia parado de dar à luz, deu sua escrava Zilpá para se casar com Yaacov. Zilpá teve dois filhos, enquanto Rachel não engravidava. Lea ainda teve mais dois filhos, enquanto Rachel não engravidava. Esta angústia foi a recompensa de Rachel, depois de um ato tão grandioso? Onde está a bondade e a justiça nos atos de D'us?
 
A pergunta fica ainda maior quando vemos que Lea, que era uma grande Tzadiká, também fez um ato incrível de bondade e abdicação. Depois do seu sexto filho, quando engravidou pela sétima vez, ela pensou: "Eu sei que o povo judeu será composto por 12 tribos. Se cada escrava teve 2 filhos com Yaacov, então se eu tiver mais um filho, Rachel só poderá ter um único filho. No final, as escravas terão mais filhos do que Rachel e isto será uma imensa vergonha para ela!". Lea então rezou para que não nascesse um menino e sim uma menina. D'us fez um milagre e Yossef, que já estava na barriga de Lea, foi trocado por uma menina. Portanto, o nascimento de Diná, a filha de Lea, foi um milagre, o fruto de um ato incrível de bondade e abdicação.
 
O que esperaríamos que fosse dado como recompensa para um ato tão grande como o de Lea? Que Diná se casasse com alguém muito especial. Porém, o que aconteceu com Diná? Ela foi sequestrada e violentada pelo príncipe Shchem, filho do rei Chamor. Esta foi a recompensa de Lea, depois de um ato tão grandioso? Onde está a bondade de D'us?
 
Responde o Rav Shlomo Levenstein shlita que tentamos entender D'us vendo o mundo apenas através de uma pequena janela. Precisamos abrir a janela e enxergar o quadro completo para entender a bondade e a perfeição dos Seus atos. As consequências dos incríveis atos de Rachel e Lea parecem ruins apenas se olharmos as coisas de forma imediatista e limitada. Porém, quando prestamos atenção em como a história se desenvolveu futuramente, percebemos a bondade de D'us em cada detalhe.
 
Diná realmente passou por um grande sofrimento com Shchem. Porém, deste relacionamento nasceu uma filha, chamada Osnat. Yaacov a enviou para o Egito e ela foi adotada pela família de um homem chamado Potifar, um dos ministros do Faraó. No final, Osnat acabou se casando com Yossef. Portanto, mesmo que Lea "abdicou" de Yossef, no final ele voltou para a família dela. Além disso, Yossef e Osnat tiveram dois filhos, Efraim e Menashé, que foram considerados por Yaacov como sendo parte das 12 tribos de Israel, conforme está escrito: "Efraim e Menashé serão para mim como Reuven e Shimon" (Bereshit 48:5). Isto quer dizer que a tribo que Lea havia "abdicado" acabou voltando para ela através dos seus netos.
 
Já em relação a Rachel, o que teria acontecido se ela não tivesse dado os sinais secretos para sua irmã? Rachel não engravidava pois era estéril e, de acordo com o Midrash (parte da Torá Oral), não tinha nem mesmo útero e só engravidaria através de um milagre. Portanto, Rachel teria se casado com Yaacov e, depois de 10 anos sem filhos, ele teria se separado dela e se casado com Lea, pois sabia da enorme responsabilidade que tinha para dar continuidade à transmissão espiritual de seu pai e seu avô. Yaacov sabia que dele sairiam as tribos que seriam a base de formação do povo judeu e, por isso, sua única opção seria se separar de sua querida esposa Rachel e se casar com outra mulher para poder ter filhos. Para Rachel restaria se casar com Essav e passar a vida inteira sem filhos. Porém, como Rachel entregou para sua irmã os sinais, Lea se casou primeiro e logo teve filhos. Isto tirou a "pressão" das costas de Yaacov e, por isso, mesmo que Rachel passou tantos anos sem engravidar, ele nem pensou na possibilidade de se separar de sua querida esposa.
 
Além disso, depois de muitos anos de casamento, finalmente Rachel teve um filho, como está escrito: "E D'us lembrou-se de Rachel. D'us a escutou e abriu seu útero. Ela engravidou e deu à luz um filho" (Shemot 30:22). Mas o que significa que D'us lembrou-se de Rachel? Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que D'us lembrou-se dos méritos do ato dela, de entregar os sinais para não envergonhar sua irmã. Portanto, se Rachel não tivesse feito este incrível ato de bondade com sua irmã, não teria o mérito necessário para que um milagre acontecesse e ela pudesse engravidar. Ela teve dois filhos, Yossef e Biniamin, e dela descenderam pessoas muito especiais, como Shaul HaMelech, o primeiro rei de Israel, e Mordechai e Esther, os heróis da salvação de Purim.

Quando surgem testes e dificuldades em nossas vidas, muitas vezes desanimamos ou nos desesperamos. Esta Parashá nos ensina que não podemos julgar uma situação de forma precipitada. Devemos ter a Emuná completa de que D'us está fazendo o melhor para nós, em especial quando fazemos o que é o correto. Em um instante D'us pode mudar tudo e resolver todos os nossos problemas. Mesmo as situações mais difíceis podem se revelar, no futuro, como uma preparação para grandes alegrias e conquistas. Por isso, quando surgirem dificuldades, espere mais um pouco, pois a salvação certamente é apenas questão de tempo.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHAT VAIETSE 5779:

São Paulo: 19h09  Rio de Janeiro: 18h55  Belo Horizonte: 18h52  Jerusalém: 16h04
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Chana Mirel bat Feigue, Eliezer ben Shoshana.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat, favor mandar um E-mail para efraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

VALORIZANDO A ESPIRITUALIDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT TOLDOT 5779

BS"D
A PARASHAT DESTA SEMANA FOI DEDICADA EM LEILUI NISHMAT (ELEVAÇÃO DA ALMA) DE:

Shlomo ben Salha z"l

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VALORIZANDO A ESPIRITUALIDADE - PARASHAT TOLDOT 5779 (09 de novembro de 2018)

"Chaim, o aluno de uma conhecida Yeshivá, foi chamado ao escritório do Mashguiach (diretor espiritual). O Mashguiach o aguardava para uma conversa dura. Quando Chaim entrou, o Mashguiach disse:
 
- Chaim, estou profundamente decepcionado com você. Esta não é apenas uma conversa, é uma advertência...
 
- Rabino, por que? O que eu fiz?
 
- Chaim, recebemos relatos, devidamente checados, de que você fica jogando cartas durante o horário de estudo de Torá, inclusive apostando dinheiro, e está perdendo todos os dias a reza da manhã, pois de noite está bebendo com os amigos até se embriagar. Você precisa mudar suas atitudes urgentemente!!!
 
- Rabino, eu não entendo o motivo da sua advertência. Há discussão se jogar cartas apostando dinheiro e a pessoa se embriagar envolvem proibições da Torá ou apenas proibições rabínicas. Mas você sabe tão bem quanto eu que alguns alunos desta Yeshivá falam Lashon Hará de vez em quando, e esta grave transgressão é certamente uma proibição da Torá. Então por que apenas eu estou escutando esta advertência? Por que você não chama outros alunos também?
 
Chaim estava muito orgulhoso de si mesmo, achando que tinha deixado o Mashguiach sem resposta. Porém, após alguns instantes de silêncio, o Mashguiach olhou-o nos olhos e disse:
 
- Chaim, você está certo, alguns alunos desta Yeshivá falam Lashon Hará de vez em quando. Porém, em primeiro lugar, você também fala Lashon Hará. Além disso, eu não estou te advertindo por ter falado Lashon Hará. O motivo pelo qual eu estou te advertindo é pelo seu desprezo pela Torá e pelas Mitzvót. Enquanto a pessoa se importa com o seu crescimento espiritual e está conectada com a Torá, ela pode até escorregar, mas há sempre a esperança de que vai consertar seus erros. Porém, meu medo é que, a partir do momento em que você começa a desprezar a espiritualidade, então não há mais o que fazer para te ajudar. Por isso, é com profunda preocupação que eu digo: ou você muda, ou não vejo diante de você um futuro promissor"
 
Não há nada pior do que alguém que despreza o crescimento espiritual e troca os momentos mais sagrados do dia por atividades que não acrescentam valor. Os portões do arrependimento estão sempre abertos, mas aqueles que desprezam a espiritualidade impedem, com suas próprias mãos, o seu retorno aos caminhos corretos.

Nesta semana lemos a Parashat Toldot (literalmente "Gerações"), que descreve o nascimento dos dois irmãos gêmeos, Yaacov e Essav. Apesar de terem sido criados na mesma casa, eles tomaram rumos completamente diferentes na vida. Enquanto Yaacov se dedicou ao crescimento espiritual, chegando ao nível de se tornar um dos patriarcas do povo judeu, Essav se dedicou a preencher seus desejos materiais e, com isso, se degradou e chegou aos níveis mais baixos que um ser humano pode atingir. Talvez o acontecimento que mais representa a degradação de Essav foi a venda da sua primogenitura, um grande mérito espiritual que ele trocou por um prato de lentilhas, como está escrito: "Ele fez o juramento e vendeu a primogenitura a Yaacov" (Bereshit 25:33).
 
Todo este episódio da venda da primogenitura começa com a descrição de Yaacov cozinhando uma sopa de lentilhas. Mas por que a Torá se preocupou em descrever o que Yaacov estava cozinhando? De acordo com o Talmud (Baba Batra 16b), Avraham, seu avô, havia falecido naquele dia e Yaacov estava preparando uma refeição para consolar seu pai, Ytzchak, que estava enlutado. Um dos costumes de um enlutado é comer lentilhas, pois as lentilhas representam que a vida dá voltas e é composta por ciclos. Rashi (França, 1040 - 1105) explica que Avraham deveria ter vivido 180 anos, mas viveu apenas 175 anos, para que não precisasse testemunhar o comportamento repugnante de seu neto Essav.
 
Porém, ao fazermos um cálculo simples, chegamos à conclusão de que algo aparentemente não se encaixa nesta afirmação de Rashi. Ytzchak nasceu quando Avraham tinha 100 anos. Essav nasceu quando Ytzchak tinha 60 anos. Portanto, se Avraham faleceu aos 175 anos, então Essav tinha 15 anos na época do falecimento de Avraham. Isto é contraditório com outro comentário de Rashi, no versículo "Os jovens cresceram e Essav se tornou alguém que sabia caçar, um homem do campo, e Yaacov era um homem completo, que habitava nas tendas" (Bereshit 25:27). De acordo com Rashi, apesar de Yaacov e Essav serem muito diferentes em suas naturezas, enquanto eles eram crianças não havia diferenças notáveis entre eles. Somente quando eles chegaram à idade de 13 anos é que as diferenças marcantes se tornaram aparentes: enquanto Yaacov frequentava a casa de estudos de Torá, Essav frequentava as casas de idolatria. Se Avraham faleceu "antes da hora" para não ver seu neto se desviando dos caminhos de D'us, então por que ele não faleceu aos 173 anos, na época em que Essav começou a se envolver com idolatrias, uma imensa vergonha para o seu avô?
 
Além disso, o Talmud (Baba Batra 16b) nos ensina que no dia em que Avraham faleceu, Essav cometeu cinco crimes hediondos: teve relações ilícitas, cometeu assassinato, negou a existência de D'us, negou o conceito da ressurreição dos mortos e rejeitou a primogenitura. É muito claro que atos como assassinar, ter relações ilícitas, negar a existência de D'us e negar a ressurreição dos mortos, um dos 13 princípios de Emuná (fé) listados pelo Rambam (Maimônides), são crimes graves. Porém, qual é o erro de vender a primogenitura? E por que este erro é listado junto com crimes tão graves, como assassinato, adultério e negar D'us?
 
Finalmente, o Talmud questiona de onde aprendemos que Essav cometeu estas cinco graves transgressões. O Talmud então responde que as quatro primeiras transgressões cometidas por Essav são ensinadas de uma maneira indireta, através de "dicas" inseridas na Torá. Porém, o desprezo pela primogenitura é a única transgressão que está explícita na Torá, como está escrito "E Essav desprezou a primogenitura" (Bereshit 25:34). Por que aparentemente a Torá deu mais atenção a esta transgressão, que parece a mais sem importância, do que às outras graves transgressões listadas?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig zt"l que a resposta está nas palavras que vêm logo após a venda da primogenitura: "E ele comeu e bebeu, e se levantou e saiu. E Essav desprezou a primogenitura" (Bereshit 25:34). Por que a Torá não diz que Essav desprezou a primogenitura logo depois de tê-la vendido? Pois isto se compara com alguém que vendeu uma joia caríssima por um preço muito baixo por estar precisando urgentemente de dinheiro em uma situação de emergência. Quando a situação se normaliza, a primeira coisa que a pessoa faz é se lamentar por ter vendido sua joia, e mais ainda por ter aceitado um valor tão baixo. Esta era a atitude esperada de Essav. Se ele tivesse vendido a primogenitura apenas pelo desespero de precisar urgentemente de comida, então logo que ele tivesse saciado sua fome ele deveria ter se arrependido. Porém, a Torá ressalta que ele comeu e bebeu, e mesmo assim não se arrependeu pela venda. Isto demonstra claramente que ele desprezou a primogenitura.
 
Rashi explica que o erro de Essav é muito maior do que aparenta. Essav rejeitou e mostrou desprezo não apenas pela Brachá de primogenitura, mas por todo o Serviço Divino. Originalmente, os primogênitos estavam destinados a fazer os Serviços do Templo Sagrado. Portanto, o Talmud não está condenando Essav pela venda do seu direito de receber a Brachá destinada ao filho primogênito. A verdadeira transgressão, a única escrita explicitamente, é o desprezo e falta de respeito com o Serviço de D'us para o qual ele estava destinado.
 
Muitas vezes as pessoas cometem transgressões por estarem submetidas a certas forças que as "arrastam". Embora estas forças não justifiquem o mau comportamento em si, elas podem até certo ponto ser um fator atenuante da gravidade do ato. Por exemplo, quando uma pessoa faz transgressões motivada por desejo, inveja ou sentimento de autopreservação, por mais hediondo que seja o crime, o caminho para se reconectar a D'us ainda está aberto e acessível. Porém, se a pessoa age com desprezo pela Torá, ela chega a um ponto sem retorno. Este comportamento de desprezo com a espiritualidade não pode ser atenuado ou desculpado.
 
A Torá destaca o desprezo de Essav acima de todas as suas outras transgressões, pois é especificamente este comportamento que caracteriza a razão pela qual Essav é um descendente indigno do legado de seu avô, Avraham Avinu. Mesmo depois de começar a se conectar com as idolatrias, aos treze anos, ainda seria possível resgatar espiritualmente Essav. Apenas depois que ele chegou ao nível de desprezar tudo o que era sagrado, aos 15 anos, foi que D'us quis proteger Avraham de testemunhar a morte espiritual de seu neto.
 
Este é um ensinamento muito importante para as nossas vidas. Precisamos tomar cuidado com qualquer tipo de desprezo com o nosso Serviço espiritual. Quanto mais estudarmos a Torá, mais valor daremos para os seus ensinamentos. Quanto mais nos dedicarmos a cumprir as Mitzvót, com fervor e com todos os seus detalhes, mais nos conectaremos à espiritualidade. Mesmo que possamos tropeçar de vez em quando, valorizar a Torá e as Mitzvót é o que nos permite levantar mais fortes e seguir firmes no nosso caminho de crescimento.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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