sexta-feira, 5 de outubro de 2018

CRESCENDO COM AS CRÍTICAS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BERESHIT 5779

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VÍDEO DA PARASHAT BERESHIT

CRESCENDO COM AS CRÍTICAS - PARASHAT BERESHIT 5779 (05 de outubro de 2018)

"Yshwar Chandra Vidya, o famoso acadêmico e orador indiano, certa vez foi dar uma palestra em uma pequena aldeia no interior da Índia. Ele fazia muito sucesso e multidões se reuniam para escutar suas palestras. Um jovem oficial do exército, que queria ouvir a palestra, viajou de longe em um trem para escutá-lo.

Yshwar Chandra também estava no mesmo trem deste rapaz. Quando chegaram, o jovem oficial desceu com a sua bagagem e começou a chamar impacientemente um carregador para ajudá-lo. Yshwar Chandra, ao ver esta cena, foi até o jovem e disse:
 
- Por que você precisa tanto de alguém que carregue sua mala? Você é jovem e forte, acredito que pode levá-la sozinho e poupar seu dinheiro.

- Você não vê que eu sou um oficial do exército? Não está de acordo com a minha honra levar a minha própria bagagem - respondeu o jovem oficial, visivelmente ofendido - Eu sou uma pessoa de educação refinada, não um carregador de bagagens.

- A marca da educação é a humildade, não o orgulho - disse Yshwar Chandra - Se você não pode levar sua própria bagagem, deixe que eu faço isto por você. Não me preocupo com a minha honra.

E Yshwar Chandra carregou a bagagem do oficial. O jovem quis oferecer dinheiro, mas ele recusou. O jovem oficial se espantou com a atitude daquele desconhecido. Ele então viu uma multidão esperando aquele homem, com cartazes e presentes. Foi somente naquele momento que o jovem oficial percebeu que o homem que havia carregado sua mala na estação era o respeitado orador Yshwar Chandra. O jovem sentiu-se envergonhado por ter feito um homem tão grande carregar a sua mala. Após pedir perdão muitas vezes, ele fez uma reflexão em voz alta:
 
- Eu me considerava uma pessoa educada. Porém, agora que pude comparar a sua educação com a minha, finalmente entendo que sou apenas um pequeno vagalume diante do sol."

É uma grande arte saber fazer críticas construtivas. Porém, é uma arte ainda maior saber receber as críticas e crescer com elas.

Nesta semana recomeçamos o ciclo de leitura da Torá com o Sefer Bereshit, também conhecido como "Sefer HaIetsirá" (o Livro da Criação), que descreve a construção física e espiritual da humanidade. E a Parashat Bereshit (literalmente "No início") descreve a criação do mundo e, no sexto dia, a criação de Adam Harishon, o primeiro ser humano. Porém, diferente de todas as outras criaturas, que foram criadas macho e fêmea, o ser humano foi criado sozinho. A Torá então afirma que "Não é bom o homem estar sozinho. Farei para ele uma 'ajuda diante dele'" (Bereshit 2:18), referindo-se à criação da primeira mulher, Chavá.

Porém, este versículo desperta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, por que a Torá diz que não era bom o homem estar sozinho? Há Midrashim (parte da Torá Oral) que afirmam que Adam vivia no Gan Éden, um lugar paradisíaco, e era servido pelos anjos. Então o que faltava para ele? Além disso, nos chama a atenção a linguagem utilizada pela Torá, pois "Ezer Kenegdo", normalmente traduzido como "uma ajuda diante dele", literalmente significa "uma ajuda contra ele". Mas como alguém pode ser uma ajuda sendo "do contra"?

Explica o Talmud (Yevamot 63a) que, na verdade, a Torá está nos ensinando que se o homem tiver méritos, então sua esposa será "Ezer", isto é, uma ajuda. Porém, se ele não tiver méritos, então sua esposa será "Kenegdo", isto é, vai acabar indo contra ele.

Entretanto, esta explicação do Talmud desperta outro questionamento. O entendimento mais simples do versículo é que as palavras "Ezer Kenegdo" se aplicam apenas a uma única pessoa, não a dois tipos diferentes de pessoas. Por que o Talmud aparentemente tirou o versículo de seu contexto mais simples?

Explica o Rav Meir Rubman zt"l (Israel, século 20) que o ser humano tem a tendência de achar que está sempre certo, como nos ensina o mais sábio de todos os homens, Shlomo Hamelech: "Todos os caminhos da pessoa são retos aos seus olhos" (Mishlei 21:2). É parte da natureza humana a pessoa enxergar apenas suas qualidades e ignorar seus defeitos. E mesmo quando outras pessoas chamam sua atenção por algum erro cometido ou por algum traço de caráter negativo, em muitos casos a pessoa não confia na opinião do outro, pois fica na dúvida se aquele que está chamando sua atenção realmente quer o seu bem. Desta maneira, fica muito difícil a pessoa chegar à perfeição, pois ela não enxerga os defeitos que precisa consertar e nem confia nas pessoas que apontam suas falhas. Então, o que fazer?

D'us, em Sua bondade infinita com as Suas criaturas, disse: "Não é bom o homem estar sozinho", pois desta maneira ele nunca chegará à perfeição. "Farei para ele uma 'Ezer Kenegdo'", isto é, darei para ele uma boa esposa, como afirma o Talmud (Yevamot 63a): "Uma boa esposa é um presente precioso". A esposa que D'us deu a Adam Harishon, e futuramente para todos os seus descendentes, tinha duas grandes qualidades: por um lado ela era "Kegufo", isto é, como se fosse parte do seu próprio corpo, e por isso está sempre preocupada e comprometida com o bem estar do seu marido. Esta qualidade da esposa está indicada na linguagem "Ezer". Porém, por outro lado, a esposa é, no final das contas, uma pessoa que olha seu marido "de fora" e, por isso, consegue enxergar seus defeitos e falhas nos traços de caráter, o que está indicado na palavra "Kenegdo"

Se o marido tem méritos, então ele utilizará esta qualidade de "Kenegdo" apenas como parte da "Ezer" que ela pode lhe oferecer, isto é, a esposa estará dando uma ajuda verdadeira e honesta ao auxiliá-lo em seu crescimento espiritual e em seu conserto. Isto se expressa nos momentos em que a esposa consegue apontar os erros de seu marido e o ajuda a chegar à perfeição. Mas se o marido não tem méritos, então ocorre justamente o contrário, pois a esposa utiliza está força de ser "Ezer" justamente "Kenegdo", ajudando-o a preencher todos os seus desejos e vontades, o que é, de acordo com a visão verdadeira, algo que apenas prejudica o marido e o afasta da perfeição. 

Portanto, a linguagem da Torá "Ezer Kenegdo" se aplica a uma única pessoa. Se ele tem méritos, sua esposa utilizará o "Kenegdo" como um "Ezer" para ajudá-lo a chegar à perfeição. Porém, se ele não tem méritos, então ele utilizará seu "Ezer" para ir "Kenegdo", isto é, afastá-lo cada vez mais da perfeição.

Encontramos um exemplo disto em Avraham e Sara. Avraham tinha um filho, Ishmael, com a escrava Hagar. Sara percebeu que Ishmael tinha uma índole péssima, a ponto de cometer os piores tipos de transgressão. Ela teve medo que a convivência de Ishmael com seu filho Itzchak traria ao menino más influências e, por isso, exigiu que Hagar e Ishmael fossem expulsos de casa. Avraham não gostou da sugestão de Sara, como diz o versículo "e a coisa foi muito ruim aos olhos de Avraham" (Bereshit 21:11), isto é, ele achava inconcebível a ideia de expulsar seu próprio filho de casa. Ele tinha esperanças de que Itzchak traria boas influências a Ishmael. Porém, D'us falou para Avraham: "Tudo o que Sara te disser, escute a voz dela" (Bereshit 21:12). Avraham estava "subornado" pelo amor que sentia pelo seu filho e, por isso, não enxergava o óbvio, que Ishmael desviaria Itzchak do caminho correto e não o contrário. Sara, que olhava a situação "de fora", conseguiu utilizar sua força de "Kenegdo" para ajudar seu marido. Avraham teve o mérito de casar com uma esposa que o ajudou a chegar à perfeição.  Mesmo que parecia algo ruim aos olhos de Avraham, com a ajuda de sua esposa ele conseguiu fazer o que era correto.

Entretanto, a nossa Parashat traz um exemplo do lado contrário. Chavá deu a Adam um fruto para que ele comesse, sobre o qual está escrito "a árvore era boa para comer e agradável aos olhos" (Bereshit 3:6). À primeira vista parece que Chavá era uma esposa dedicada, que se preocupava com o bem estar do seu marido. Porém, sabemos que aquele era justamente o fruto que D'us os havia proibido de comer. Ao comer daquele fruto, Adam despencou espiritualmente, trazendo consequências negativas para si mesmo e para seus descendentes. Portanto, Chavá utilizou sua força de "Ezer" para causar algo "Kenegdo", pois através do seu ato ela trouxe ao seu marido, e ao mundo todo, morte e escuridão.

Este ensinamento trazido pela Parashat está muito conectado com um conceito fundamental para o nosso crescimento espiritual: desenvolver o amor pelas críticas. Nosso ego não nos permite aceitarmos críticas. Fugimos de reconhecer os nossos erros e enxergar os nossos defeitos. D'us nos deu a oportunidade, através do casamento, de estarmos com alguém que amamos e confiamos e que, ao mesmo tempo, pode nos ajudar a enxergar os nossos erros. As críticas de alguém que quer o nosso bem e consegue nos analisar sem os nossos subornos são um verdadeiro trampolim para o nosso crescimento espiritual. É um presente que D'us nos deu, mas que depende dos nossos méritos e da nossa busca pela verdade. Quanto mais estivermos dispostos a escutar críticas, não importando de quem venham e como venham, maior a chance de crescermos e alcançarmos os nossos objetivos espirituais.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

CONSTRUINDO NOSSO AMOR PELA TORÁ - SHABAT SHALOM M@IL - SHMINI ATSERET E SIMCHAT TORÁ 5779

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CONSTRUINDO NOSSO AMOR PELA TORÁ - SHMINI ATSERET E SIMCHAT TORÁ 5779 (28/setembro/ 2018)

"Reuven foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe que, depois de muitos anos de casamento, já não amava mais sua esposa e pensava em separar-se. O sábio escutou, olhou-o por alguns instantes e disse-lhe apenas uma palavra: "Ame-a".
 
- Mas eu acabei de lhe explicar que já não sinto mais nada por ela! - disse Reuven, sem entender a resposta do sábio.

Após alguns instantes de silêncio, o sábio continuo olhando nos olhos de Reuven e disse novamente: "Ame-a". Diante do desconcerto de Reuven, o sábio explicou:

- Meu querido, amar é uma decisão, não um sentimento. Amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto desta ação é o amor. O amor é como um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado, porque haverá pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame sua esposa, ou seja, aceite, valorize, respeite, admire, dê afeto e compreenda. Isto é tudo. Ame!!! 

A inteligência sem amor te faz perverso. A justiça sem amor te faz implacável. A diplomacia sem amor te faz hipócrita. O êxito sem amor te faz arrogante. A riqueza sem amor te faz avaro. A autoridade sem amor te faz tirano. O trabalho sem amor te faz escravo. A vida sem amor não tem sentido"

Assim é o relacionamento do povo judeu com a Torá. Um relacionamento de amor criado e mantido, de geração em geração, com muita dedicação e entrega.

Neste Shabat continuamos comemorando a Festa de Sucót e, portanto, ao invés da Parashat Hashavua, lemos um trecho especial da Torá que está relacionado com Sucót. E no domingo de noite (30/setembro/2018) começamos a reviver uma nova Festa, chamada Shmini Atseret, cuja tradução literal é "O oitavo, o dia da parada". Depois de sete dias da Festa de Sucót, é como se D'us pedisse para que ficássemos com Ele mais um dia, pois é duro o momento da separação.

Junto com a Festa de Shmini Atseret, nossos sábios também fixaram outra Festa: Simchá Torá. Em Israel as duas festas são comemoradas em um único dia, enquanto fora de Israel a Festa de Simchá Torá é comemorada apenas no segundo dia de Shemini Atseret. Em Simchat Torá nós terminamos o ciclo anual de leitura da Torá e dançamos alegremente com todos os rolos da Torá da sinagoga, demonstrando nosso amor pelos seus ensinamentos. E neste mesmo dia recomeçamos a leitura da Torá, demonstrando que, apesar de termos lido toda a Torá, nós nunca nos cansamos do seu conteúdo encantador.

Porém, por que os nossos sábios acharam importante marcar uma Festa especial para comemorar Simchá Torá? Além disso, se é para comemorar, não seria mais apropriado fazer isto em Shavuót, o dia em que a Torá foi entregue ao povo judeu no Monte Sinai?

Há também outra pergunta interessante. O Talmud (Sucá 42a) instrui um pai a ensinar Torá ao seu filho tão logo ele aprenda a falar. Como o pai deve começar a ensinar Torá ao seu filho? Ensinando-o a repetir o versículo que aparece no início da última Parashat da Torá, Vezót Habrachá: "Torá Tzivá Lanu Moshé Morashá Kehilat Yaacov" (A Torá que Moshé nos comandou é uma herança da Congregação de Yaacov) (Devarim 33:4). Mas por que justamente este versículo, se há versículos anteriores que transmitem a mesma ideia, como o versículo "E esta é a Torá que Moshé colocou diante de todos os Filhos de Israel" (Devarim 4:44)?

Finalmente, as quatro últimas Parashiót da Torá (Nitzavim, Vayelech, Haazinu e Vezot HaBrachá), descrevem acontecimentos do último dia da vida de Moshé Rabeinu. Um dos acontecimentos mais importantes está descrito na Parashat Nitzavim, quando Moshé selou um novo pacto entre o povo judeu e D'us. De acordo com Rashi, deste novo pacto surgiu o conceito espiritual de "Kol Israel Areivim Zé baZé" (todo judeu é fiador de outro judeu) em relação às Mitzvót e Aveirót (transgressões) que os outros cometem. De acordo com o Talmud (Baba Batra 173b), um "Arev" (fiador) é aquele que aceita sobre si a responsabilidade de pagar uma dívida ao credor caso aquele que pegou o dinheiro emprestado não tenha condições de pagar quando termina o prazo do empréstimo. O conceito de fiador não é uma "dívida moral". O fiador tem, de acordo com a Torá, uma dívida real, mesmo que não foi ele quem pegou o dinheiro emprestado.

Porém, tecnicamente, para que uma pessoa esteja obrigada a prestar algum serviço, ela deve receber uma compensação em troca, como, por exemplo, dinheiro. O fiador aparentemente não recebe nada por seu ato. Então o que o obriga a honrar o seu compromisso? A resposta é que, apesar de não receber dinheiro como recompensa, ele recebe a satisfação de que o credor confia nele e isto é suficiente para o empréstimo acontecer. Esta satisfação é o benefício que serve como instrumento para oficializar a responsabilidade do fiador de pagar a dívida no lugar daquele que pegou o dinheiro emprestado.

Isto se aplica a fiadores de dívidas monetárias. Porém, em relação ao povo judeu, de onde vem a obrigação de cumprirmos o "Kol Israel Areivim Zé Bazé" e por que este conceito surgiu apenas após o novo pacto que o povo judeu fez com D'us, na véspera da morte de Moshé Rabeinu? Qual benefício o povo judeu ainda não tinha e recebeu apenas neste novo pacto com D'us, que o obrigava a cumprir o compromisso de serem "fiadores" uns dos outros?

Ensina o Rav Yohanan Zweig que a resposta está em uma afirmação que Moshé fez no dia da sua morte. Ele afirmou "(A Torá) não está no Céu" (Devarim 30:12). Isto significava que enquanto Moshé estava vivo, ele se aconselhava diretamente com D'us em relação a todas as leis difíceis da Torá. Pelo fato de D'us ser, enquanto Moshé estava vivo, a Autoridade final nas leis, então a Torá é considerada como se ainda estivesse no Céu. Entretanto, no dia da morte de Moshé, no novo pacto com D'us, o povo judeu recebeu a autoridade sobre as leis da Torá. Foi isto que Moshé quis dizer ao anunciar que "A Torá não está no Céu". Um exemplo disto está descrito no Talmud (Baba Metzia 59a), em uma discussão dos sábios de Torá com o Rabi Eliezer. Nesta discussão sobre as leis de pureza e impureza espiritual em utensílios houve uma intervenção Divina, através de uma "Bat Kol" (voz Celestial) que defendeu a opinião de Rabi Eliezer. Os sábios então refutaram esta intervenção Divina, afirmando que "A voz Celestial não é prova, pois a Torá não está mais no Céu". Esta nova "força" entregue ao povo judeu foi justamente o que serviu de recompensa para que estivessem obrigados a cumprir seu compromisso de serem fiadores uns dos outros.

No Monte Sinai o povo judeu recebeu a Torá. Nossos sábios descrevem o novo relacionamento formado como a união de um noivo e uma noiva, sendo D'us o noivo e o povo judeu a noiva. No dia em que Moshé faleceu, um novo relacionamento se formou: o povo judeu era o noivo e a Torá era a noiva. De acordo com o Talmud (Sanhedrin 59a), há uma alusão disto no versículo "Torá Tzivá Lanu Moshé Morashá Kehilat Yaacov". A palavra "Morashá", que significa "herança", também pode ser lida como "Meorassá", que significa "que ficou noiva", isto é, a Torá que Moshé comandou ao povo judeu está comprometida conosco, como o relacionamento de compromisso entre um noivo e uma noiva. 

Os dois conceitos, de que a Torá não está no Céu e de que a Torá se tornou a "noiva" do povo judeu são, na realidade, uma coisa só, é a materialização de um novo relacionamento entre o povo judeu e a Torá. O Talmud instrui o pai a começar ensinando Torá ao seu filho com o versículo "Torá Tzivá Lanu Moshé Morashá Kehilat Yaacov" pois é este versículo que reflete o novo relacionamento.

Portanto, esta é a diferença entre Shavuot e Simchat Torá. Em Shavuot nós celebramos que o povo judeu se tornou a noiva de D'us, enquanto em Simchat Torá nós celebramos que o povo judeu se tornou noivo da Torá. Isto se reflete em alguns dos costumes do dia de Simchat Torá. Em muitas comunidades alguém importante é escolhido para ser o "Chatan Torá" (Noivo da Torá), isto é, aquele que terá a honra de ser chamado para terminar a leitura da última Parashat da Torá. Além disso, nós dançamos alegremente com a Torá, da mesma forma que o noivo dança e se alegra com a sua noiva.
 
Em Shavuót nós recebemos a Torá, mas foi no novo pacto com D'us que começamos a criar com a Torá um sentimento verdadeiro de amor. Um sentimento que é alimentado pela nossa entrega e dedicação. Um amor movido pela nossa alegria no estudo e no cumprimento das Mitzvót. Um amor que celebramos em Simchat Torá, mas que nos esforçamos para levar para o nosso ano inteiro.

SHABAT SHALOM E CHAG SAMEACH

R' Efraim Birbojm

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