quarta-feira, 4 de abril de 2018

PRIORIDADES EQUIVOCADAS - SHABAT SHALOM M@IL - PESSACH II 5778

BS"D
O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de: 
Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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PRIORIDADES EQUIVOCADAS - PESSACH II 5778 (05 de abril de 2018)

"Charles, um rapaz judeu, havia acabado de noivar. Ele era completamente apaixonado por futebol americano, não perdia um jogo, acompanhava pessoalmente ou pela televisão todas as partidas do seu time do coração. Quando seu time chegou à grande final, o Super Bowl, ele passou a noite na fila e foi um dos primeiros a comprar um ingresso. Conseguiu um dos melhores lugares do estádio, que era muito caro, mas Charles havia juntado dinheiro para aquele momento.

Charles passou a semana admirando seu ingresso. Dormia com ele sob seu travesseiro e sempre que podia dava mais uma olhada nele. Certo dia, percebeu no ingresso um pequeno detalhe que o deixou em pânico. Ele estava tão empolgado no dia de comprar o ingresso que não percebeu que o jogo seria no mesmo dia do seu casamento! Sem outra opção, Charles colocou um anúncio no jornal da sua sinagoga:

"Tenho um bilhete para o Super Bowl, em um dos melhores lugares do estádio, mas infelizmente descobri que o jogo será no mesmo dia do meu casamento. Gostaria de saber se há alguém interessado em ir no meu lugar. O evento ocorrerá no Salão "Ateret Avraham", em Williamsburg, às 18h30. O nome dela é Chaya, ela tem 1m65 e pesa cerca de 60 kg. Ela vem de uma ótima família e é uma excelente cozinheira. Para identificá-la no dia do evento, ela será a que estará com um vestido branco"."
 
Apesar de darmos risada da piada, muitas vezes na vida também nos equivocamos em nossas prioridades. Trocamos o principal pelo secundário e, às vezes, percebemos quando já é tarde demais. 

Estamos nos dias de Pessach, a "Época da nossa liberdade". A partir desta 5ª feira de noite (5 de abril) novamente é Yom Tov (fora de Israel, o segundo dia de Yom Tov coincide com o Shabat), pois no 7º dia após a saída do Egito ocorreu o incrível milagre da Abertura do Mar, algo que marcou a história do povo judeu e foi testemunhado por mais de 3 milhões de pessoas. Os egípcios, arrependidos por terem libertado seus escravos, saíram em sua perseguição. Os judeus, apavorados, se viram presos entre os egípcios que os perseguiam e o intransponível Mar Vermelho diante deles. Mas tudo isto era parte do "grande final" que D'us estava preparando. Os judeus puderam milagrosamente atravessar o mar caminhando em terra firme, pois as águas se abriram e ficaram firmes como se fossem paredes rígidas. Quando os egípcios foram atravessar o mar, D'us fechou sobre eles as águas, afogando todos eles e atirando seus corpos na praia, diante dos olhos de todo o povo judeu. Este último milagre foi necessário para libertar o povo judeu definitivamente da escravidão, pois apenas a saída física do Egito não havia sido suficiente para libertá-los mentalmente do sentimento de dominação.
 
Não é difícil entender esta "prisão mental" do povo judeu. A escravidão egípcia havia sido muito pesada e longa. Mesmo no momento em que parecia que Moshé traria um pouco de descanso ao povo judeu, quando ele se levantou contra o Faraó e, em nome de D'us, foi exigir a libertação dos judeus para que pudessem ir servir a D'us no deserto, as consequências foram aparentemente catastróficas. O Faraó, ao ver Moshé reivindicar em nome dos judeus a liberdade religiosa, atribuiu a reclamação deles à preguiça, como está escrito: "Vocês são preguiçosos, preguiçosos!" (Shemot 5:17). Até então os judeus eram obrigados a fazer construções para os egípcios, mas eles recebiam o fornecimento da palha necessária para a fabricação dos tijolos de construção. A partir daquele momento o Faraó decretou, como castigo, que os judeus deveriam manter sua cota diária de tijolos, porém sem o fornecimento da palha. Isto representou aos judeus um terrível aumento dos sofrimentos. Eles precisavam correr por todo o Egito atrás da palha e, mesmo com o tempo agora muito limitado, não podiam diminuir sua cota de tijolos. Cada tijolo a menos era punido de maneira cruel e severa, levando os judeus ao desespero.

Porém, se pararmos para refletir, perceberemos que este castigo aplicado pelo Faraó é difícil de ser entendido. Antes de o Faraó começar seus duros decretos de escravidão contra o povo judeu, a Torá traz uma explicação de suas motivações. Os versículos ensinam que o Faraó estava assustado com o crescimento do povo judeu, um povo que se multiplicava muito rapidamente. O temor do Faraó era que o poder dos judeus colocava o Egito em perigo iminente, pois quando qualquer povo inimigo tentasse atacar o Egito, os judeus poderiam se unir aos inimigos para expulsar os egípcios de sua própria terra. O Faraó então precisava lidar com o "problema judaico", que colocava em risco a soberania egípcia.
 
O Faraó teve que tomar uma difícil decisão. Por um lado, os judeus eram uma "mercadoria" muito preciosa para simplesmente serem expulsos. Eram milhares de pessoas que poderiam contribuir na construção do Império. Por outro lado, eles representavam uma força muito perigosa para ser deixada sem controle. Então o Faraó, com astúcia, escravizou os judeus e utilizou-os como mão de obra, aproveitando seus talentos e neutralizando qualquer possível perigo que os judeus pudessem representar para o Império.
 
Desta explicação trazida pela Torá percebemos que, aparentemente, a preocupação do Faraó em relação ao povo judeu era sua autopreservação e o ganho pessoal que eles teriam com o trabalho dos judeus, e não um ódio infundado. Porém, se isto era realmente verdade, por que o Faraó fez um decreto que prejudicaria a produtividade do povo judeu, como atestam os versículos que relatam que os capatazes, responsáveis por supervisionar as tarefas de construção, golpeavam os judeus por eles não terem cumprido suas cotas? Não teria sido mais produtivo para o Faraó continuar fornecendo a palha e simplesmente aumentar a cota de tijolos pela qual os judeus eram responsáveis? Isto teria causado com que os judeus tivessem que trabalhar mais horas, mas por outro lado os egípcios também sairiam ganhando, pois a produtividade dos judeus também aumentaria!

Explica o Rav Yohanan Zweig que todo dono de empresa sabe que uma das maneiras mais eficientes de tornar um funcionário mais focado em seu trabalho é dar a ele mais responsabilidade, não mais trabalho. O Faraó entendeu que a razão para a agitação do povo judeu não era porque eles tinham tempo livre, mas porque suas mentes não estavam focadas no trabalho. O Faraó estava tentando escravizar suas mentes, não apenas seus corpos. Aumentar a cota de tijolos escravizaria seus corpos em um grau mais alto, mas suas mentes ainda não estariam focadas em seu trabalho. Ao exigir que eles conseguissem sua própria palha, o Faraó estava aumentando sua responsabilidade pelo produto que estavam produzindo. Assim, o povo judeu estaria mais focado em seu trabalho e menos propenso a pensar em outros assuntos.
 
Nossos sábios explicam que o Faraó representa o nosso Yetser Hará (má inclinação). Portanto, em todas as vezes nas quais a Torá descreve o comportamento do Faraó, podemos aprender sobre as formas de ataque do nosso Yester Hará para tentar nos afastar da espiritualidade. E, infelizmente, uma das maneiras através da qual o Yetser Hará tem mais sucesso é utilizando a tática de aumentar o nosso trabalho e as nossas responsabilidades. O Yetser Hará nos induz a cada vez trabalharmos mais, a querermos mais coisas do mundo material, a ponto de não sobrar mais tempo para as nossas famílias, para a nossa espiritualidade e para as nossas próprias reflexões. Fazemos faculdades, cursos de línguas, especializações, estágios, trabalhos de conclusão de curso e pesquisas, não sobrando tempo para a nossa própria vida. Assim, o Yetser Hará nos faz passar 120 anos neste mundo sem termos vivido de verdade.
 
Por outro lado, precisamos trabalhar para nos sustentar, para termos um mínimo de conforto e suprir as nossas necessidades básicas. Então, como fazer para não cairmos sem perceber na armadilha do Yetser Hará? O segredo do judaísmo é o equilíbrio. É verdade que precisamos de uma boa formação para desenvolver um bom trabalho, mas não podemos nos esquecer do principal. Não viemos para este mundo por um propósito material. Nosso objetivo não é alcançar o maior cargo na empresa, o nosso objetivo é preencher as nossas almas, atingir a perfeição espiritual, trabalhar os nossos traços de caráter. O mundo material serve apenas para manter os nossos corpos, que são finitos, enquanto o nosso trabalho espiritual serve para manter a nossa alma, que é infinita. Se o trabalho toma tanto o nosso tempo, a ponto de não conseguirmos nem mesmo nos dedicar à nossa família, saúde e espiritualidade, isto é um sinal de desequilíbrio, de que caímos na armadilha. Quanto mais rápido despertarmos, mais chances teremos de nos salvar e de recomeçarmos da forma correta.
 
Explica o Rav Moshe Chaim Luzzato zt"l (Itália, 1707 - Israel, 1746), em sua obra "Messilat Yesharim" (Caminho dos Justos), que o Yetser Hará sabe que, se cada ser humano parasse para refletir, para "fechar suas contas" diariamente, para questionar de tempos em tempos suas escolhas, assim ele chegaria certamente à perfeição. Por isso, a maior arma do Yetser Hará é nos mandar cada vez mais trabalho e responsabilidades, para não nos deixar chegar à reflexão. Com isto, ele nos derrota sem percebermos nem mesmo que fomos atacados. Aquele que não reflete diariamente vai perceber, somente no fim da vida, que não viveu, apenas sobreviveu.
 
Um escravo não é dono do seu próprio tempo. Se não temos tempo para nossas famílias, se não temos tempo para nossa espiritualidade, se não temos tempo nem para nós mesmos, isto significa que somos escravos do Yetser Hará. Em Pessach deixamos de ser escravos, fisicamente e mentalmente. Que possamos novamente aproveitar as influências espirituais da liberdade de Pessach para nos tornarmos livres de tudo o que aprisiona o nosso corpo e, principalmente, o que aprisiona a nossa mente.
 
PESSACH KASHER VE SAMEACH E SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PESSACH II 5778:

 
São Paulo: 17h40  Rio de Janeiro: 17h28
Belo Horizonte: 17h31  Jerusalém: 18h26
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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quarta-feira, 28 de março de 2018

DESPERTANDO UM CORAÇÃO INSENSÍVEL - SHABAT SHALOM M@IL - PESSACH 5778

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O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Birbojm em Leilui Nishmat de: 

Chava bat Rachmil z"l


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DESPERTANDO UM CORAÇÃO INSENSÍVEL - PESSACH 5778 (30 de março de 2018)

Esta carta aberta foi escrita pelo Sr. Chezi Goldberg z"l, um judeu canadense que vivia em Jerusalém, após um terrível atentado duplo na Rua Ben Yehuda, no dia 1 de dezembro de 2001, que tirou a vida de 11 pessoas e feriu mais de 180.
 
"Era dia 2 de dezembro de 2001. Ele entrou na sinagoga, no horário de Shacharit (reza da manhã). Eu o cumprimentei com um aceno de cabeça, como eu fazia todos os dias. Mas, ao contrário de me cumprimentar de volta, ele fez um gesto estranho, que eu não consegui entender. Alguns minutos depois, como se ele não estivesse mais aguentando, como se algo estivesse fervendo dentro dele, ele se aproximou de mim e perguntou:
 
- Você não escutou?
 
- Escutou o que? - eu respondi, surpreso.
 
- Você não escutou? - perguntou ele, de novo, desta vez de forma mais impaciente, quase frustrado.
 
Eu entendi que ele estava se referindo ao terrível atentado terrorista que havia ocorrido na noite anterior, em um local frequentado não apenas por jovens israelenses, mas também por muitos turistas. A partir daquele momento, comecei a imaginar que ele estava se referindo a alguém conhecido que havia morrido ou se ferido no atentado. Então eu perguntei sobre quem ele estava falando.
 
- Sobre quem? - perguntou ele, me olhando com o se eu tivesse vindo de outro planeta - sobre todos os que morreram e se feriram no atentado da noite passada!
 
- É claro que eu escutei - respondi, mas sem entender exatamente onde ele queria chegar.
 
- Então por que você não está chorando? - ele perguntou, com muita tristeza e dor no seu rosto.
 
Suas palavras entraram no meu coração como uma espada, como ensinam os nossos sábios: "Palavras que saem do coração entram no coração". Ele estava certo. Por que eu não estava chorando? Eu não pude responder nada. Eu não tinha o que dizer. Ele então apontou para as outras pessoas da sinagoga e perguntou:
 
- Por que todos os meus amigos não estão chorando? Não deveríamos estar todos chorando?
 
Novamente não pude responder nada. Ele estava certo. O que aconteceu com a nossa sensibilidade? Alguns chamam isso de "dormência". Outros chamam isso de "choque coletivo". Alguns ainda dizem que estamos sofrendo um trauma sem fim que afetou os nossos sentidos. Mas, na prática, o que vemos é que, infelizmente, nos tornamos pessoas com corações de pedra".


Por uma ironia do destino, dois anos depois o Sr. Chezi Goldberg z"l foi assassinado, junto com outros 9 judeus, por um terrorista que detonou uma bomba dentro do ônibus 19, quando o ônibus passava pelo bairro de Rechavia, em Jerusalém.


 

Nesta semana o Shabat coincide com a próxima Festa do calendário judaico, Pessach, também conhecida como "Zeman Cheruteinu" (A época da nossa liberdade). Nos dias de Pessach, e em especial durante o Seder, revivemos a alegria de termos sido libertados de uma pesada escravidão, após 210 anos de torturas e sofrimentos sem fim. Mas a libertação do povo judeu não foi algo rápido, pois estávamos diante de um Faraó obstinado, que resistia às ameaças de D'us e não permitia a saída dos judeus. Foram necessárias 10 pragas, que destruíram completamente a infraestrutura do Egito, para quebrar sua resistência.
 
Porém, percebemos algo interessante quando prestamos atenção nos versículos que descrevem as pragas e a reação do Faraó a cada uma delas. Após a primeira praga, sangue, está escrito "E o coração do Faraó se endureceu... E ele também não se importou com isso" (Shemot 7:22,23). Nas próximas pragas, sapos, piolhos, animais ferozes e epidemia, a Torá alterna entre "o coração do Faraó se endureceu" e "o Faraó deixou pesado seu coração". Por que na praga do sangue, após a Torá dizer que o Faraó endureceu seu coração, foi necessário dizer que ele não se importou? Além disso, por que a Torá repete tantas vezes que o Faraó endureceu seu coração e deixou-o pesado?
 
Explicam os nossos sábios que a praga do sangue foi a única que não atingiu o Faraó. Em um reconhecimento pelo Faraó ter criado Moshé em seu palácio, D'us o poupou desta praga. Se o Faraó fosse um bom líder, mesmo estando livre da praga, ele teria se preocupado com o bem-estar de seu povo. Porém, o Faraó demonstrou ser uma pessoa insensível. Como o sofrimento não o atingiu, então ele não se importou com o sofrimento dos outros. Mesmo que seu povo estava literalmente morrendo de sede, isto não sensibilizou o Faraó. Nas outras pragas, quando a praga cessava e terminava o seu sofrimento pessoal, o Faraó voltava a se comportar de forma insensível, não se importando com o seu povo e todo o sofrimento pelo qual eles passavam.
 
O Faraó representa o nosso Yetser Hará (má inclinação). A Torá repete diversas vezes a reação do Faraó aos sofrimentos que recaíam sobre o seu povo para nos ensinar que esta é uma das táticas do nosso Yetser Hará, de querer tirar a nossa sensibilidade, de nos fazer deixarmos de sentir o sofrimento dos outros. Quando nossos corações se tornam insensíveis, a ponto de não se afetarem mais com a dor dos outros, este é um momento extremamente perigoso para a humanidade. Embora seja parte de um mecanismo natural para nos ajudar a lidar com traumas e dificuldades, se permitirmos que esta insensibilidade cresça a ponto de a dor alheia não ser mais sentida e não nos motivar a tomarmos atitudes corretivas, então isto é um sinal de que perdemos o nosso lado humano.
 
Mesmo quando despertamos da nossa dormência com uma tragédia ou nos inspiramos com uma nova ideia, infelizmente acabamos endurecendo nossos corações e ignoramos um possível impulso positivo. Cada vez que endurecemos nosso coração, ele vai ficando mais pesado e mais insensível. Por exemplo, da primeira vez que vimos algum mendigo pedindo esmola nas ruas, provavelmente sentimos uma grande dor e oferecemos algum tipo de ajuda. Porém, com o passar do tempo, vamos deixando de sentir a dor dos outros e, consequentemente, vamos deixando de oferecer ajuda, apesar de aquela cena do mendigo dormindo na rua ainda doer em nosso coração. Se mesmo neste estágio não fizermos nada, o próximo passo é nos tornamos tão entorpecidos a ponto de deixarmos de enxergar aqueles mendigos na rua, como se eles tivessem se tornado parte da "decoração" da cidade.
 
Uma dica para o conserto da nossa sensibilidade está contida nos detalhes do Korban (sacrifício) que era oferecido em Pessach. A Torá nos comanda a oferecermos um cordeiro que, após a Shechitá (abate), deveria ser assado, não cozido. Todas as pessoas que quisessem comer de um Korban Pessach precisavam estar juntas em um mesmo grupo. Além disso, nenhum osso do Korban Pessach podia ser quebrado. Por que tantos detalhes estranhos em relação ao Korban Pessach, que não encontramos em outros Korbanót? E por que justamente um cordeiro e não uma vaca?
 
Explicam os nossos sábios que o cordeiro é um animal pequeno e delicado. Se alguém pisa em uma de suas patas, seu corpo inteiro se arrepia. Quando uma carne é cozida, o cozimento faz com que as partes do animal comecem a se separar. Porém, quando assamos uma carne, as partes do animal se compactam e se unem ainda mais. Os ossos não podem ser quebrados, pois a quebra implica em uma separação. Os judeus devem estar em grupos para comer o Korban Pessach. A mensagem de todos estes detalhes contidos no Korban Pessach é a mesma, pois aludem ao desenvolvimento de um senso de união e proximidade, que normalmente são sentidos quando estamos em família, e ao desenvolvimento da nossa sensibilidade em relação às dores e sofrimentos sentidos por outros judeus. O povo judeu é comparado com um cordeiro, pois se um judeu sente dor, o povo judeu inteiro deve sentir também esta dor. Quando nos unimos, como se fossemos uma única família, nos tornamos um povo forte.
 
Uma dor que não podemos escapar é a dor de quando alguém muito próximo, como um familiar ou um amigo, está passando por algum sofrimento. Portanto, este é o antídoto para que nossos corações não fiquem insensíveis à dor alheia: internalizar que todos aqueles que estão sofrendo são nossos irmãos, parte de nossa grande família. E se conseguirmos sentir isto de verdade, então não descansaremos até que o sofrimento deles seja ao menos diminuído. A Torá descreve o Faraó como sendo alguém pequeno, enquanto a Torá relata que "Moshé cresceu e saiu para ver seus irmãos e observar sua opressão" (Shemot 2:11). Quando a Torá diz que o Faraó era pequeno e Moshé cresceu, não necessariamente está se referindo ao tamanho físico deles, e sim à bondade e a preocupação com o próximo de cada um deles. O mundo do Faraó incluía apenas ele mesmo, pois ele não se importava com os outros, por isso ele é descrito como sendo pequeno. Já Moshé, mesmo estando nos luxos do palácio, saiu para ver seus irmãos. Ele se tornou grande, pois seu mundo não era apenas ele mesmo, incluía também todos os outros judeus, seus "irmãos".
 
O processo para voltarmos a ter sensibilidade começa com a personalização das tragédias que ocorrem, como se fossem conosco ou com nossos familiares. Apesar de a dor ser algo desconfortável, ela é um sinal de que ainda estamos espiritualmente vivos. Se, D'us nos livre, perdermos a nossa capacidade de sentir dor, junto nós perdemos a capacidade de verdadeiramente sentirmos a beleza da vida.
 
Pessach é Zeman Cheruteinu. É a época de nos transformarmos, de pessoas pequenas em seres humanos gigantes, que se importam com seus semelhantes, como se fizéssemos parte de uma única família. Começamos o "Maguid", parte do nosso Seder, com o "Há Lachmá Aniá", no qual convidamos todos os que necessitam para que venham e comam. Saímos do Egito unidos, como um só povo. Somente quando voltarmos a nos unir seremos libertados deste nosso atual exílio, no qual somos escravos do nosso próprio egoísmo.

Shabat Shalom e Pessach Kasher Ve Samaeach

R' Efraim Birbojm

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                   São Paulo: 17h46  Rio de Janeiro: 17h33                    Belo Horizonte: 17h36  Jerusalém: 18h21
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