quarta-feira, 28 de março de 2018

DESPERTANDO UM CORAÇÃO INSENSÍVEL - SHABAT SHALOM M@IL - PESSACH 5778

BS"D
O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Birbojm em Leilui Nishmat de: 

Chava bat Rachmil z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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DESPERTANDO UM CORAÇÃO INSENSÍVEL - PESSACH 5778 (30 de março de 2018)

Esta carta aberta foi escrita pelo Sr. Chezi Goldberg z"l, um judeu canadense que vivia em Jerusalém, após um terrível atentado duplo na Rua Ben Yehuda, no dia 1 de dezembro de 2001, que tirou a vida de 11 pessoas e feriu mais de 180.
 
"Era dia 2 de dezembro de 2001. Ele entrou na sinagoga, no horário de Shacharit (reza da manhã). Eu o cumprimentei com um aceno de cabeça, como eu fazia todos os dias. Mas, ao contrário de me cumprimentar de volta, ele fez um gesto estranho, que eu não consegui entender. Alguns minutos depois, como se ele não estivesse mais aguentando, como se algo estivesse fervendo dentro dele, ele se aproximou de mim e perguntou:
 
- Você não escutou?
 
- Escutou o que? - eu respondi, surpreso.
 
- Você não escutou? - perguntou ele, de novo, desta vez de forma mais impaciente, quase frustrado.
 
Eu entendi que ele estava se referindo ao terrível atentado terrorista que havia ocorrido na noite anterior, em um local frequentado não apenas por jovens israelenses, mas também por muitos turistas. A partir daquele momento, comecei a imaginar que ele estava se referindo a alguém conhecido que havia morrido ou se ferido no atentado. Então eu perguntei sobre quem ele estava falando.
 
- Sobre quem? - perguntou ele, me olhando com o se eu tivesse vindo de outro planeta - sobre todos os que morreram e se feriram no atentado da noite passada!
 
- É claro que eu escutei - respondi, mas sem entender exatamente onde ele queria chegar.
 
- Então por que você não está chorando? - ele perguntou, com muita tristeza e dor no seu rosto.
 
Suas palavras entraram no meu coração como uma espada, como ensinam os nossos sábios: "Palavras que saem do coração entram no coração". Ele estava certo. Por que eu não estava chorando? Eu não pude responder nada. Eu não tinha o que dizer. Ele então apontou para as outras pessoas da sinagoga e perguntou:
 
- Por que todos os meus amigos não estão chorando? Não deveríamos estar todos chorando?
 
Novamente não pude responder nada. Ele estava certo. O que aconteceu com a nossa sensibilidade? Alguns chamam isso de "dormência". Outros chamam isso de "choque coletivo". Alguns ainda dizem que estamos sofrendo um trauma sem fim que afetou os nossos sentidos. Mas, na prática, o que vemos é que, infelizmente, nos tornamos pessoas com corações de pedra".


Por uma ironia do destino, dois anos depois o Sr. Chezi Goldberg z"l foi assassinado, junto com outros 9 judeus, por um terrorista que detonou uma bomba dentro do ônibus 19, quando o ônibus passava pelo bairro de Rechavia, em Jerusalém.


 

Nesta semana o Shabat coincide com a próxima Festa do calendário judaico, Pessach, também conhecida como "Zeman Cheruteinu" (A época da nossa liberdade). Nos dias de Pessach, e em especial durante o Seder, revivemos a alegria de termos sido libertados de uma pesada escravidão, após 210 anos de torturas e sofrimentos sem fim. Mas a libertação do povo judeu não foi algo rápido, pois estávamos diante de um Faraó obstinado, que resistia às ameaças de D'us e não permitia a saída dos judeus. Foram necessárias 10 pragas, que destruíram completamente a infraestrutura do Egito, para quebrar sua resistência.
 
Porém, percebemos algo interessante quando prestamos atenção nos versículos que descrevem as pragas e a reação do Faraó a cada uma delas. Após a primeira praga, sangue, está escrito "E o coração do Faraó se endureceu... E ele também não se importou com isso" (Shemot 7:22,23). Nas próximas pragas, sapos, piolhos, animais ferozes e epidemia, a Torá alterna entre "o coração do Faraó se endureceu" e "o Faraó deixou pesado seu coração". Por que na praga do sangue, após a Torá dizer que o Faraó endureceu seu coração, foi necessário dizer que ele não se importou? Além disso, por que a Torá repete tantas vezes que o Faraó endureceu seu coração e deixou-o pesado?
 
Explicam os nossos sábios que a praga do sangue foi a única que não atingiu o Faraó. Em um reconhecimento pelo Faraó ter criado Moshé em seu palácio, D'us o poupou desta praga. Se o Faraó fosse um bom líder, mesmo estando livre da praga, ele teria se preocupado com o bem-estar de seu povo. Porém, o Faraó demonstrou ser uma pessoa insensível. Como o sofrimento não o atingiu, então ele não se importou com o sofrimento dos outros. Mesmo que seu povo estava literalmente morrendo de sede, isto não sensibilizou o Faraó. Nas outras pragas, quando a praga cessava e terminava o seu sofrimento pessoal, o Faraó voltava a se comportar de forma insensível, não se importando com o seu povo e todo o sofrimento pelo qual eles passavam.
 
O Faraó representa o nosso Yetser Hará (má inclinação). A Torá repete diversas vezes a reação do Faraó aos sofrimentos que recaíam sobre o seu povo para nos ensinar que esta é uma das táticas do nosso Yetser Hará, de querer tirar a nossa sensibilidade, de nos fazer deixarmos de sentir o sofrimento dos outros. Quando nossos corações se tornam insensíveis, a ponto de não se afetarem mais com a dor dos outros, este é um momento extremamente perigoso para a humanidade. Embora seja parte de um mecanismo natural para nos ajudar a lidar com traumas e dificuldades, se permitirmos que esta insensibilidade cresça a ponto de a dor alheia não ser mais sentida e não nos motivar a tomarmos atitudes corretivas, então isto é um sinal de que perdemos o nosso lado humano.
 
Mesmo quando despertamos da nossa dormência com uma tragédia ou nos inspiramos com uma nova ideia, infelizmente acabamos endurecendo nossos corações e ignoramos um possível impulso positivo. Cada vez que endurecemos nosso coração, ele vai ficando mais pesado e mais insensível. Por exemplo, da primeira vez que vimos algum mendigo pedindo esmola nas ruas, provavelmente sentimos uma grande dor e oferecemos algum tipo de ajuda. Porém, com o passar do tempo, vamos deixando de sentir a dor dos outros e, consequentemente, vamos deixando de oferecer ajuda, apesar de aquela cena do mendigo dormindo na rua ainda doer em nosso coração. Se mesmo neste estágio não fizermos nada, o próximo passo é nos tornamos tão entorpecidos a ponto de deixarmos de enxergar aqueles mendigos na rua, como se eles tivessem se tornado parte da "decoração" da cidade.
 
Uma dica para o conserto da nossa sensibilidade está contida nos detalhes do Korban (sacrifício) que era oferecido em Pessach. A Torá nos comanda a oferecermos um cordeiro que, após a Shechitá (abate), deveria ser assado, não cozido. Todas as pessoas que quisessem comer de um Korban Pessach precisavam estar juntas em um mesmo grupo. Além disso, nenhum osso do Korban Pessach podia ser quebrado. Por que tantos detalhes estranhos em relação ao Korban Pessach, que não encontramos em outros Korbanót? E por que justamente um cordeiro e não uma vaca?
 
Explicam os nossos sábios que o cordeiro é um animal pequeno e delicado. Se alguém pisa em uma de suas patas, seu corpo inteiro se arrepia. Quando uma carne é cozida, o cozimento faz com que as partes do animal comecem a se separar. Porém, quando assamos uma carne, as partes do animal se compactam e se unem ainda mais. Os ossos não podem ser quebrados, pois a quebra implica em uma separação. Os judeus devem estar em grupos para comer o Korban Pessach. A mensagem de todos estes detalhes contidos no Korban Pessach é a mesma, pois aludem ao desenvolvimento de um senso de união e proximidade, que normalmente são sentidos quando estamos em família, e ao desenvolvimento da nossa sensibilidade em relação às dores e sofrimentos sentidos por outros judeus. O povo judeu é comparado com um cordeiro, pois se um judeu sente dor, o povo judeu inteiro deve sentir também esta dor. Quando nos unimos, como se fossemos uma única família, nos tornamos um povo forte.
 
Uma dor que não podemos escapar é a dor de quando alguém muito próximo, como um familiar ou um amigo, está passando por algum sofrimento. Portanto, este é o antídoto para que nossos corações não fiquem insensíveis à dor alheia: internalizar que todos aqueles que estão sofrendo são nossos irmãos, parte de nossa grande família. E se conseguirmos sentir isto de verdade, então não descansaremos até que o sofrimento deles seja ao menos diminuído. A Torá descreve o Faraó como sendo alguém pequeno, enquanto a Torá relata que "Moshé cresceu e saiu para ver seus irmãos e observar sua opressão" (Shemot 2:11). Quando a Torá diz que o Faraó era pequeno e Moshé cresceu, não necessariamente está se referindo ao tamanho físico deles, e sim à bondade e a preocupação com o próximo de cada um deles. O mundo do Faraó incluía apenas ele mesmo, pois ele não se importava com os outros, por isso ele é descrito como sendo pequeno. Já Moshé, mesmo estando nos luxos do palácio, saiu para ver seus irmãos. Ele se tornou grande, pois seu mundo não era apenas ele mesmo, incluía também todos os outros judeus, seus "irmãos".
 
O processo para voltarmos a ter sensibilidade começa com a personalização das tragédias que ocorrem, como se fossem conosco ou com nossos familiares. Apesar de a dor ser algo desconfortável, ela é um sinal de que ainda estamos espiritualmente vivos. Se, D'us nos livre, perdermos a nossa capacidade de sentir dor, junto nós perdemos a capacidade de verdadeiramente sentirmos a beleza da vida.
 
Pessach é Zeman Cheruteinu. É a época de nos transformarmos, de pessoas pequenas em seres humanos gigantes, que se importam com seus semelhantes, como se fizéssemos parte de uma única família. Começamos o "Maguid", parte do nosso Seder, com o "Há Lachmá Aniá", no qual convidamos todos os que necessitam para que venham e comam. Saímos do Egito unidos, como um só povo. Somente quando voltarmos a nos unir seremos libertados deste nosso atual exílio, no qual somos escravos do nosso próprio egoísmo.

Shabat Shalom e Pessach Kasher Ve Samaeach

R' Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PESSACH 5778:

                   São Paulo: 17h46  Rio de Janeiro: 17h33                    Belo Horizonte: 17h36  Jerusalém: 18h21
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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quarta-feira, 21 de março de 2018

AMOR PELO DINHEIRO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT TZAV / SHABAT HAGADOL 5778

BS"D
O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de: 
Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


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VÍDEO DA PARASHÁ TZAV - R' EFRAIM BIRBOJM

AMOR PELO DINHEIRO - PARASHAT TZAV / SHABAT HAGADOL 5778 (23 de março de 2018)

"Em uma enorme floresta, próximo de um riacho, vivia um pobre lenhador, que trabalhava duro para sustentar a família. Todos os dias empreendia uma árdua caminhada floresta adentro, levando ao ombro o seu afiado machado. Partia sempre assobiando, contente, pois sabia que enquanto tivesse saúde e seu machado, conseguiria ganhar o suficiente para comprar o pão que a família precisava.
 
Certo dia, ele estava cortando uma enorme árvore perto do riacho. As lascas voavam longe e o barulho do machado ecoava pela floresta. Passado algum tempo, resolveu descansar um pouco. Encostou o machado na árvore e virou-se para se sentar, mas tropeçou e esbarrou no machado. Antes que pudesse agarrá-lo, ele desceu pela ribanceira e foi parar dentro do riacho. O pobre lenhador vasculhou as águas, tentando encontrar o machado, mas aquele trecho era fundo demais. O riacho continuava a correr com a mesma tranquilidade de sempre, ocultando o machado, tão valioso para o lenhador. Ele ficou desesperado com a perda, pois como sustentaria sua família sem seu machado?
 
D'us teve misericórdia daquele pobre homem e, algum tempo depois, enviou um anjo, disfarçado de nobre, para ajudá-lo. O nobre aproximou-se do lenhador e perguntou o que tanto lhe afligia. O lenhador contou o que acontecera com o seu machado. O nobre sorriu e disse que seus empregados haviam encontrado alguns machados na foz do riacho, talvez algum poderia ser o dele. Tirou então da sacola um machado e perguntou ao lenhador se aquele era o que ele havia perdido. Os olhos do lenhador quase saltaram, pois o machado era feito de prata. Em um primeiro momento, o lenhador teve vontade de dizer que o machado era seu. Ele pensou em todas as coisas lindas que poderia comprar para os seus filhos com toda aquela prata. Seria o fim de suas dificuldades. Porém, antes que as palavras pudessem sair de sua boca, ele pensou melhor. Sabia que aquele machado não era seu, seria errado pegá-lo. Abanou a cabeça e disse que, infelizmente, aquele não era o seu machado.
 
O nobre então tirou de sua sacola outro machado, mostrou ao lenhador e perguntou se talvez aquele seria o machado dele. O lenhador quase desmaiou ao ver que era um machado de ouro maciço. Aquele machado sim seria a salvação de todos os seus problemas, seria a chave para uma vida de conforto e tranquilidade para sua família. Aquele homem nunca saberia se era realmente dele ou não. Porém, quando se preparou para estender a mão para pegá-lo, novamente se conteve. Não era o verdadeiro dono do machado, não seria correto pegar algo que não lhe pertencia, seria roubo. Então, disse ao nobre com convicção que aquele também não era o seu machado.
 
Finalmente, o nobre colocou a mão na sacola e retirou um terceiro machado. Os olhos do lenhador brilharam, aquele era certamente o seu machado. Agradeceu muito ao nobre, pois assim poderia honestamente voltar a trabalhar para trazer sustento para a sua família. O nobre então entregou-lhe a sacola com os outros dois machados e disse:
 
- Eles são seus, aproveite. São um presente por sua incrível honestidade".

Honestidade é mais do que não mentir. É contar a verdade, dizer a verdade, viver a verdade e amar a verdade.

No início da Parashat desta semana, Tzav (literalmente "Comande"), há um versículo interessante. A Parashat continua o assunto da semana passada, descrevendo alguns detalhes em relação à oferenda de Korbanót (sacrifícios), serviço que era realizado pelos Cohanim (sacerdotes). E assim começa a Parashat: "E D'us disse para Moshé: "Comande a Aharon e seus filhos e diga: 'Esta é a lei do Korban Olá (Sacrifício de elevação)'". (Vayikrá 6:1,2). Porém, a linguagem que D'us utilizou nos chama a atenção. Normalmente a Torá teria dito: "Diga a Aharon e seus filhos". Então por que, em relação ao Korban Olá, a Torá utilizou uma linguagem mais dura, "comande"?
 
Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que a linguagem "Comande" implica em um senso extra de agilidade. O Midrash explica que, como o Korban Olá envolve uma perda financeira maior do que os outros Korbanót, havia a necessidade especial de uma linguagem mais dura em relação à sua oferenda. Mas o que significa esta "perda financeira" do Korban Olá? Qual era a diferença em relação aos outros Korbanót?
 
Pelo fato de os Cohanim se dedicarem integralmente aos serviços Divinos, eles não tinham outras formas de conseguir seu sustento. D'us então decretou que houvessem diversos tipos de "Matanót Kehuná", isto é, presentes que o resto do povo dava aos Cohanim para que eles pudessem se manter. Parte dos "Matanót Kehuná" eram as partes específicas dos Korbanót que podiam ser consumidas pelos Cohanim e suas famílias. Porém, diferente dos outros Korbanót, o Korban Olá era completamente queimado no Mizbeach (altar), sendo que nenhuma parte podia ser consumida pelo Cohen. Portanto, ao oferecer um Korban Olá, havia uma sensação de perda financeira para o Cohen, pois ele preferia estar oferecendo naquele momento outros tipos de Korbanót, dos quais poderia ter proveito. Esta é a "perda financeira" mencionada pelo Midrash, que poderia causar uma falta de agilidade em relação ao "Korban Olá". Por isso, a Torá precisou utilizar uma linguagem mais "dura", para que os Cohanim tivessem a mesma agilidade com o "Korban Olá" do que com os outros Korbanót.
 
Porém, este ensinamento da Torá desperta um grande questionamento. O Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) era normalmente a pessoa mais correta e espiritualmente elevada do povo. O Talmud (Yomá 18a) acrescenta ainda que um dos pré-requisitos para ser um Cohen Gadol era a pessoa ser rica. Baseado na retidão e na tranquilidade financeira do Cohen Gadol, parece completamente desnecessário a Torá se preocupar com uma possível falta de agilidade por causa de uma perda financeira indireta e relativamente tão pequena. Então por que D'us precisou comandar ao Cohen Gadol, e não apenas pedir, para que ele oferecesse o Korban Olá?
 
Responde o Rav Yechezkel Levenstein zt"l (Polônia, 1895 - Israel, 1974) que deste ensinamento da Torá aprendemos uma lição incrível para nossas vidas. Até mesmo o mais elevado de todos os homens, o Cohen Gadol, aquele que entrava no Kodesh Hakodashim em Yom Kipur, não estava a salvo do Yetser Hará (má inclinação) do desejo pelo dinheiro. Isto é ressaltado pelo Talmud (Baba Batra 165a), ao nos ensinar que, enquanto apenas uma minoria das pessoas tropeça na transgressão de relações ilícitas, a maioria tropeça em roubo. Rashi (França, 1040 - 1105) explica que a Torá não se refere a se envolver em roubos descarados, e sim a procurar racionalizações para deixar de pagar o que os outros deveriam receber. O Talmud está enfatizando que todos correm o risco de serem seduzidos pelo Yetser Hara do roubo, por causa do nosso amor pelo dinheiro, que nos leva a buscar justificativas para os nossos comportamentos desonestos.
 
E esta afirmação do Talmud não se aplica apenas a pessoas espiritualmente pequenas e de má índole. Até mesmo gigantes espirituais, como o Rav Israel Salanter z"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883), não estão livres deste Yetser Hará. Certa vez o Rav Salanter estava visitando um homem muito rico e, ao entrar no escritório dele, viu uma quantidade enorme de dinheiro espalhado na mesa, aguardando para ser contado. O dono da casa então precisou se ausentar por alguns instantes. Quando voltou, percebeu que o Rav Salanter havia desaparecido. Ele procurou por toda a casa, em todos os aposentos, mas não o encontrava. Finalmente encontrou o Rav Salanter de pé do lado de fora da casa. O Rav Salanter explicou que, quando viu que havia uma enorme quantidade de dinheiro não contado no escritório, não quis ficar sozinho com o dinheiro. Diante do olhar espantado do dono da casa, ele explicou, mencionando o ensinamento do Talmud que diz que, enquanto apenas uma minoria tropeça em relações ilícitas, a maioria tropeça em roubo. O Rav Salanter então concluiu que, se existe uma proibição de "Yichud", isto é, de um homem e uma mulher, que não são casados nem parentes, ficarem trancados sozinhos em um ambiente, por causa da possibilidade deles não serem capazes de superar sua tentação por imoralidade, mesmo que em imoralidade poucos tropeçam, então certamente deve haver uma proibição de "Ychud" com o dinheiro dos outros, pela possibilidade da pessoa não ser capaz de superar sua tentação pelo roubo, uma área na qual a maioria tropeça. Foi por isso que ele saiu e não quis ficar sozinho no escritório com tanto dinheiro não contado sobre a mesa. Se até mesmo alguém tão elevado como o Rav Israel Salanter sentiu a necessidade de colocar limites extras para se proteger do desejo pelo dinheiro, então certamente nós devemos estar muito alertas a este poderoso Yetser Hará.
 
Explica o Rav Yehonasan Gefen que da Parashá aprendemos o quanto devemos ser cuidadosos para que uma possível perda de dinheiro não afete a forma como cumprimos as Mitzvót. Como há Mitzvót que envolvem gastos significativos, devemos nos esforçar para manter a nossa agilidade nestas Mitzvót. Além disso, devemos ser consistentes com o que gastamos com as Mitzvót e o que gastamos com o nosso conforto material. Não é correto querer sempre o celular de último tipo, mas pechinchar na hora de compra a Mezuzá. Não é uma demonstração de amor a D'us procurar o carro com o máximo de tecnologias, mas comprar os "Arba Minim" mais baratos quando chega a festa de Sucót. Se caprichamos na escolha das férias e dos móveis da nossa casa, então devemos demonstrar um desejo semelhante de investir nosso dinheiro nas Mitzvót e, em especial, nos atos de Tzedaká (caridade).
 
O amor pelo dinheiro também é uma forma de escravidão. Uma pessoa com um amor incontrolável pelo dinheiro terá dificuldades no cumprimento das Mitzvót, pois não conseguirá se desconectar do dinheiro nem mesmo quando a Torá exigir. Além disso, há áreas nas quais uma potencial perda monetária pode levar a pessoa a querer "burlar" as leis da Torá. É por isso que frequentemente as pessoas tiram suas dúvidas com os rabinos sobre as leis de Shabat ou de Kashrut, mas são raras as pessoas que fazem perguntas em relação aos assuntos monetários. Às vezes preferimos não escutar a verdade, preferimos nos enganar e achar que estamos fazendo o que é correto, mesmo que estamos sendo desonestos. Portanto, antes da pessoa ser honesta com os outros, ela precisa ser honesta consigo mesma. Como diz a famosa letra de música: "Fiz questão de esquecer que mentir para si mesmo é sempre a pior mentira".
 
D'us manda tudo o que precisamos. Algumas vezes Ele nos coloca em situações difíceis simplesmente para nos testar, para ver se vamos conseguir ser honestos. Se tivermos a força necessária para nos desprendermos do nosso desejo por dinheiro, somente então teremos nos tornado pessoas livres de verdade.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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                   São Paulo: 17h54  Rio de Janeiro: 17h41                    Belo Horizonte: 17h43  Jerusalém: 18h17
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