quarta-feira, 11 de outubro de 2017

DANDO O DEVIDO VALOR À TORÁ - SHABAT SHALOM M@IL - SHEMINI ATSERET E PARASHÁ BERESHIT 5778

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Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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DANDO O DEVIDO VALOR À TORÁ - SHEMINI ATSERET, SIMCHÁ TORÁ E PARASHÁ BERESHIT 5778

"Os ministros estavam voltando ao palácio com uma coroa magnífica que havia sido encomendada para a coroação do novo rei. O ouro e as centenas de pedras preciosas faziam com que a coroa tivesse um brilho muito especial. Os ministros traziam a coroa com todo o cuidado, pois ela tinha um valor inestimável. Quando se aproximavam dos portões da cidade, viram alguns camponeses que trabalhavam no campo. Os ministros então resolveram fazer uma brincadeira, pois sabiam que eram pessoas muito simples e ignorantes. Eles mostraram aquela magnífica coroa, deixando os camponeses impressionados. Então um dos ministros perguntou:
 
- Vocês trocariam suas pás e enxadas por esta coroa?

- A coroa realmente é linda, nunca vi nada tão magnífico - disse um dos camponeses, sem pensar muito - mas de que adianta trocarmos nossas ferramentas por esta coroa? Se não tivermos como cultivar a terra, de onde virá nosso sustento?

- Como você é tolo! - disse um dos ministros, dando uma gargalhada - Se você tivesse esta coroa, poderia vendê-la por milhares de moedas de ouro. Com o dinheiro você poderia comprar todos esses campos e contratar seus próprios trabalhadores. Não só você teria seu sustento garantido, mas também todas as suas futuras gerações"

Esta coroa é a nossa preciosa Torá, de valor inestimável. Mas infelizmente investimos tanto no nosso trabalho que acabamos deixando a nossa Torá de lado. Para não nos comportarmos como os camponeses da história, vale a pena "trocarmos" um pouco do nosso tempo de trabalho pelo precioso estudo da Torá. O crescimento pessoal e os benefícios eternos que receberemos valem muito mais do que todo o ouro, dinheiro e pedras preciosas do mundo.

Nesta 4ª feira de noite (11 de outubro) começaremos uma nova Festa do calendário judaico, Shemini Atseret, que literalmente significa "O Oitavo, o dia da parada". Apesar da proximidade com a Festa de Sucót, Shemini Atseret é uma Festa independente, com seus próprios simbolismos e significados. Nossos sábios decidiram que justamente neste dia terminamos o ciclo anual de leitura da Torá e, por isto, o dia também é chamado de "Simchá Torá" (literalmente "A alegria da Torá"). Temos o costume de dançar alegremente com todos os Sifrei Torá que estão na sinagoga. De manhã, após lermos a última Parashá da Torá, "Vezot HaBrachá" (literalmente "E esta é a Benção"), que traz as Brachót que Moshé deu a cada uma das tribos de Israel antes de sua morte, imediatamente recomeçamos o ciclo de leitura, lendo um pequeno trecho da primeira Parashá, Bereshit (literalmente "No princípio"). Fora de Israel, por comemorarmos dois dias de Yom Tov, Simchá Torá foi fixado apenas no 2º dia de Shemini Atseret.
 
No Shabat, que já não coincide com Shemini Atseret, nós lemos a Parashá Bereshit inteira. Esta Parashá descreve a criação do mundo e de seus primeiros habitantes, Adam e Chavá. Há algo muito interessante no início da Parashá que nos chama a atenção. Normalmente Rashi, comentarista da Torá, costuma ser muito sucinto em suas explicações. Porém, logo na primeira palavra da Torá, "Bereshit", Rashi se estende muito em seu comentário. Ele traz uma pergunta em nome do Rebe Ytzchak: "Por que a Torá começou neste ponto, "No princípio", ao invés de ter começado diretamente no versículo "Este mês será para vocês" (Shemot 12:2), que traz a primeira Mitzvá da Torá entregue ao povo judeu, a Mitzvá de Rosh Chodesh (Santificação do novo mês)?". 
 
Mas o que significa esta pergunta do Rebe Yitzchak? É verdade que, se observarmos todo o primeiro livro da Torá, Bereshit, e também o início do segundo livro, Shemot, perceberemos que a Torá traz apenas histórias e narrativas, descrevendo desde a criação do mundo, passando pelo nascimento e vida dos nossos patriarcas, pela escravidão egípcia e chegando à escolha de Moshé Rabeinu como o salvador do povo judeu. Porém, o que o Rebe Ytzchak está sugerindo, que a Torá fosse apenas um compêndio de Mitzvót? Há algo de errado no fato da Torá contar histórias? Além disso, percebemos que mesmo depois da entrega da primeira Mitzvá, a Torá continua contando muitas histórias, como os detalhes da libertação dos judeus no Egito e muitos dos eventos que ocorreram durante os 40 anos em que o povo judeu permaneceu no deserto. Por que o Rebe Ytzchak se incomodou com as histórias do início da Torá, contadas antes do início das Mitzvót, mas aparentemente não se incomodou com as histórias que se estendem por toda a Torá?
 
Explica o Rav Zev Leff que, para entender a pergunta do Rebe Ytzchak, precisamos antes de tudo entender qual é o propósito da Torá. O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) nos ajuda a encontrar uma resposta simples e direta. Em relação às leis sobre a vinda do Mashiach (Leis dos Reis 12:2), o Rambam escreve que a Torá nos deu pouquíssimas informações sobre este assunto. Os detalhes não foram revelados nem mesmo aos profetas e sábios. Pelo fato destes detalhes terem sido ocultados, o Rambam conclui que este assunto não deve ser o foco do nosso estudo de Torá, pois é um estudo que não trará a pessoa ao amor e temor a D'us.
 
Das palavras do Rambam aprendemos algo incrível: o propósito do estudo da Torá é trazer a pessoa ao amor e ao temor a D'us. A palavra "Torá" vem da raiz "Horaá", que significa "orientação", nos indicando que o papel da Torá é nos guiar em nossos esforços de nos aproximarmos de D'us. Portanto, faz sentido que a Torá contenha apenas o que auxilia neste objetivo, isto é, as Mitzvót. Se a Torá é um "manual de instruções", então não tem sentido constar nela assuntos cujo objetivo seja apenas trazer contextos históricos ou científicos.

Este mesmo conceito pode ser percebido nas palavras finais da Meguilat Ester: "E todos os atos de poder e a força de Mordechai... não estão escritos no Livro das Crônicas dos reis da Média e da Pérsia?" (Esther 10:2). Por que a Meguilat Ester faz referências ao Livro das Crônicas da Média e da Pérsia? Alguma vez este livro esteve em nossas mãos, para que pudéssemos buscar nele informações adicionais em relação à Mordechai? De acordo com o Rav Yechezkel Abramsky zt"l (Bielorússia, 1886 - Israel, 1976), este versículo tem como objetivo colocar a Meguilat Esther na perspectiva correta. A Meguilat Esther não é um livro de história. Se alguém deseja saber detalhes históricos do que aconteceu, que busque nos livros da Média e da Pérsia, pois a Meguilat Esther é apenas uma fonte de quem busca amor e temor a D'us, não de quem quer detalhes históricos.
 
Esta mesma mensagem é transmitida através da contagem das primeiras gerações da humanidade. No final da Parashá Bereshit, a Torá descreve as 10 gerações entre Adam e Noach, enquanto no final da Parashá Noach a Torá descreve as 10 gerações entre Noach e Avraham. Porém, há diferenças entre estas duas contagens. Na descrição das 10 primeiras gerações, a Torá traz detalhes em relação ao representante de cada geração: qual era sua idade quando nasceu seu principal descendente, quanto tempo ele viveu depois do nascimento deste filho e em que idade faleceu. Porém, na contagem das 10 gerações seguintes não está descrito as idades de falecimento e nem a confirmação de que eles realmente faleceram. Por que estas diferenças? Explica o Avos D'Rav Nasan que a Torá trouxe as informações sobre as 10 gerações entre Adam e Noach e as 10 gerações entre Noach e Avraham para nos ensinar duas lições importantes. As primeiras 10 gerações nos ensinam o quanto D'us pode ser paciente com o ser humano e adiar Sua fúria, mesmo quando as pessoas se desviam completamente do Seu caminho. As próximas 10 gerações nos ensinam que uma única pessoa, como fez Avraham, pode receber a recompensa de 10 gerações inteiras que não cumpriram seu propósito no mundo. Para transmitir o ensinamento da paciência de D'us, era importante saber que aquelas pessoas viveram, tiveram filhos e morreram em idades muito avançadas. Foi por isso que a Torá se alongou e trouxe todas estas informações. Porém, para transmitir que Avraham recebeu a recompensa de 10 gerações, não era necessário saber os detalhes destas gerações. Pelo fato de ser irrelevante em relação à mensagem que a Torá queria transmitir, então estes detalhes foram todos omitidos.
 
Isto nos ajuda a entender porque a narrativa da Torá nem sempre segue uma ordem cronológica. Como o propósito da Torá é colocar em nosso coração amor e temor a D'us, então a ordem que resulta em uma melhor forma de ensinar certa lição tem preferência até mesmo sobre a verdadeira ordem cronológica em que os eventos ocorreram.

Com estas explicações podemos finalmente entender de forma mais profunda o questionamento do Rebe Ytzchak trazido por Rashi. Se o propósito de cada palavra contida na Torá é nos guiar em direção a D'us, então a essência verdadeira da Torá são as Mitzvót. Quando alguém escreve um livro, normalmente começa já informando ao leitor qual é a natureza do material que está contido neste livro. Se o principal da Torá são as Mitzvót, então o Rebe Ytzchak questiona o porquê do "Escritor" não ter começado Seu livro com as Mitzvót. Mesmo que depois viessem histórias e narrativas, ao começar com as Mitzvót já seria criado um padrão para o livro, deixando claro que mesmo as narrativas que viessem posteriormente estariam incluídas na eterna mensagem de amor e temor a D'us. Porém, ao começar a Torá com histórias e narrativas, então haveria o risco de não ser perfeitamente entendida da mensagem de que a Torá é um guia de comportamento. Foi isto o que provocou o questionamento do Rebe Ytzchak.
 
De acordo com o Zohar (fonte mística da Torá), todas as narrativas da Torá são, na realidade, Mitzvót disfarçadas de histórias. Nenhuma palavra está na Torá apenas para nos ensinar algum contexto histórico ou alguma informação desnecessária, tudo nos leva a amar e temer a D'us. Devemos, portanto, ver a Torá com outros olhos e saber que cada história e cada detalhe devem nos ensinar algo sobre a forma de nos conectarmos a D'us.
 
A Torá não é apenas um livro de sabedoria. Livros de sabedoria não necessariamente precisam influenciar o comportamento da pessoa que o lê. Grandes gênios das artes, das áreas humanas e das ciências tiveram um caráter repreensível. Quando um certo filósofo famoso, que lecionava Moral e Ética em uma das mais renomadas universidades americanas, foi acusado de levar uma vida imoral, ao invés de assumir suas falhas e se comprometer a melhorar, ele disse publicamente: "Da mesma forma que um professor de geometria não precisa ser um triângulo, então um professor de Moral e Ética não precisa levar uma vida moral". A Torá, ao contrário, tem o objetivo de influenciar o comportamento e o caráter daquele que a estuda. Muitas vezes a Torá é comparada ao fogo, pois da mesma forma que o fogo deixa uma marca quando passa por uma pessoa, assim também a Torá tem o objetivo de deixar uma marca na pessoa.
 
É por isso que em Simchá Torá nós dançamos com a nossa Torá e recomeçamos com muita alegria a sua leitura, pois reconhecemos e agradecemos que a Torá não é como os outros livros que apenas ensinam sabedorias. A Torá nos ensina a como viver da maneira correta, a como cumprirmos o nosso objetivo. Cada palavra, cada Mitzvá e cada história trazem ensinamentos eternos. E, acima de tudo, a Torá nos deixa uma marca, nos faz crescer e, a cada dia, nos transforma em pessoas melhores.

CHAG SAMEACH E SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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terça-feira, 3 de outubro de 2017

SANTIFICANDO NOSSOS ATOS - SHABAT SHALOM M@IL - SUCÓT 5778 

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SANTIFICANDO NOSSOS ATOS - SUCÓT 5778 (29 de setembro de 2017)

 "Uma mãe camelo e seu bebê estavam comendo tranquilamente. De repente, o bebê camelo perguntou:
 
- Mamãe, por que os camelos têm corcova?
 
- Bem, meu filhinho, nós somos animais do deserto, precisamos das corcovas para reservar água. Somos conhecidos justamente por esta capacidade de poder viajar pelo deserto durante muitos dias sem a necessidade de beber água.
 
- Faz sentido. E por que nossas pernas são tão longas e nossas patas são arredondadas?
 
- Filho, elas são assim para nos permitir caminhar nas areias do deserto. Com estas pernas longas e as patas arredondadas podemos nos movimentar na areia melhor do que qualquer outro animal.
 
- Certo. E por que os nossos cílios são tão longos? De vez em quando eles atrapalham minha visão!
 
- Meu filho, estes cílios longos e grossos são como uma capa protetora. Eles ajudam a proteger os olhos quando há fortes ventos no deserto, que carregam muita areia - respondeu a mãe camelo, com orgulho.
 
- Entendi, mamãe. Então a corcova é para armazenar água durante longas travessias, as pernas são para caminhar através das areias do deserto e os cílios são para proteger nossos olhos dos ventos com areia. Mas tem um detalhe que eu ainda não entendi: por que precisamos de tudo isto aqui no zoológico?"
 
Todas as ferramentas que recebemos de D'us nos foram dadas para que possamos utilizar em nosso objetivo espiritual. Habilidades, conhecimento, capacidades e experiências são úteis apenas se utilizados da maneira correta.

Acabamos de sair renovados de Yom Kipur, o dia em que, através do jejum, rezas e lágrimas limpamos nossas almas das manchas causadas pelas transgressões. D'us então nos deu mais uma Festa, Sucót, que vem como uma comemoração pelo julgamento favorável. Na noite desta quarta feira (04 de outubro) começamos a reviver a Festa de Sucót, na qual trocamos nossas casas confortáveis por cabanas de madeira com cobertura de folhas e bambus.
 
Nossos sábios ensinam algo muito interessante em relação aos Shalosh Regalim (Pessach, Shavuót e Sucót, as três Festividades nas quais todo o povo judeu fazia uma peregrinação ao Beit Hamikdash - Templo Sagrado). Cada um dos Shalosh Regalim está associado a um dos nossos patriarcas. Pessach corresponde a Avraham, Shavuót corresponde a Ytzchak e Sucót corresponde a Yaacov. O Rav Yaacov ben Asher (Alemanha, 1270 - Espanha, 1340), mais conhecido como Tur, traz um versículo da Torá como fonte deste ensinamento: "E Yaacov viajou para Sucót e construiu para ele uma casa, e para seus rebanhos ele fez cabanas" (Bereshit 33:17). Porém, além da conexão através das palavras do versículo, em que características Yaacov e Sucót são semelhantes? E o que esta conexão nos ensina?
 
Sucót é uma Festa diferente das outras Festas. Por exemplo, durante todos os dias da Festa de Sucót, toda vez que alguém vai cumprir a Mitzvá de habitar a Sucá ele deve pronunciar a Brachá de "Leishev BaSucá". Isto não acontece na Festa de Pessach, na qual temos a Mitzvá de comer Matzá. A Brachá de "Al Achilat Matzá" somente é pronunciada durante o Seder de Pessach, mas em qualquer outro momento em que a Matzá for consumida recitamos apenas a Brachá de "Hamotsi Lechem Min Haaretz". Mas se existe a Mitzvá de comer Matzá em Pessach, por que não recitamos a Brachá de "Al Achilat Matzá" durante todos os dias? De acordo com o "Sefer Kol Bo", quando a pessoa está comendo Matzá durante Pessach, não é algo evidente e perceptível que ela está comendo a Matzá por ser uma Mitzvá. Como a pessoa está proibida de comer pão, ela pode estar comendo a Matzá simplesmente por estar com fome e não ter outra opção. Já em Sucót, entretanto, não há nenhum outro motivo para habitar em uma cabana a não ser com o propósito de cumprir a Mitzvá. Portanto, podemos fazer a Brachá de "Leishev BaSucá" durante todos os dias de Sucót, pois é evidente que o que estamos fazendo na Sucá é apenas em nome da Mitzvá.
 
Há outra diferença interessante entre Sucót e as outras Festas. Sucót também é conhecida como "Zman Simchateinu" (a época da nossa alegria). Porém, as outras Festas também são épocas de muita alegria, então por que apenas Sucót recebe este nome? Responde o Rav Yossef Chaim (Iraque, 1832 - 1909), mais conhecido como Ben Ish Chai, que apesar de todas as Festas serem muito alegres, em Sucót há uma alegria extra, justamente pelo fato da Mitzvá de habitar na Sucá se estender por todos os dias da Festa. Esta possibilidade de constantemente cumprir a Mitzvá em honra da Festa desperta em nós uma enorme alegria. Além disso, apesar de pequenas mudanças no nosso cotidiano, nas outras Festas continuamos vivendo normalmente, dentro das nossas casas, não há diferenças tão essenciais na forma de nos comportarmos. Consequentemente, a pessoa não tem algo que a relembre o tempo inteiro de que está imersa em uma Festa, e, portanto, a alegria é um pouco menor. Já em Sucót, por sairmos de casa e vivermos na Sucá, parte da grande alegria é a recordação constante de que estamos vivendo imersos em uma Festa.
 
Uma das características mais interessantes de Sucót é que mesmo as atividades mais mundanas, como comer e dormir, podem ser transformadas em Mitzvót. Normalmente estas atividades são consideradas "neutras", isto é, não são absolutamente nem Mitzvót nem Aveirót (transgressões). Porém, o simples ato de fazer estas atividades dentro de uma Sucá as transformam em Mitzvót e nos permite pronunciar a Brachá de "Leishev BaSucá". Portanto, Sucót é uma Festa única em seu poder de transformar simples atos mundanos em Mitzvót de grande santidade.
 
Em relação à Yaacov, também percebemos que há muitas diferenças entre ele e os outros patriarcas. De todos os patriarcas, Yaacov foi o que mais se envolveu com as dificuldades diárias da vida, como lidar com pessoas desonestas, trabalhar muitas horas por dia e criar uma grande família. Por muitos anos ele precisou lidar com as áreas "neutras" do trabalho e da casa, impossibilitado de dedicar todo o seu tempo para o estudo e as rezas. Um aspecto da grandeza de Yaacov é que, apesar disso, ele conseguiu elevar suas atividades mundanas a um nível de enorme santidade. Uma das provas de que mesmo imerso em um mundo material ele estava completamente conectado à espiritualidade está contida em uma conversa de Yaacov com seu irmão Essav no reencontro deles após muitos anos de exílio. E assim Yaacov falou para seu Essav: "Com Lavan eu morei" (Bereshit 32:5). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que a linguagem "morei" em hebraico é "Garti - גרתי", e quando recombinamos suas letras formamos a palavra "Tariag - תריג", que corresponde ao valor numérico 613, simbolizando o número de Mitzvót da Torá. A mensagem que Yaacov estava transmitindo ao seu irmão Essav é que, apesar das condições adversas no exílio, mesmo vivendo na casa de um trapaceiro, em uma cidade cuja marca registrada eram as enganações e mentiras, ele havia se mantido firme e comprometido com o cumprimento da Torá e das Mitzvós.
 
O Talmud (Pessachim 88a) traz outro ensinamento com a mesma mensagem. Nossos sábios ensinam que Avraham descreveu o Beit Hamikdash (Templo Sagrado) como sendo uma montanha, Ytzchak o descreveu como um campo e Yaacov o descreveu como uma casa. Por que Yaacov associou o Beit Hamikdash a uma casa? Pois é em casa que costumamos fazer a grande maioria das atividades mundanas do nosso cotidiano, incluindo comer, dormir e algumas formas de trabalhos domésticos. Yaacov elevou todos estes tipos de atividades, porque ele via as atividades mundanas como oportunidades para chegar ao nível de santidade.
 
De maneira similar, o Talmud (Brachót 26b) nos ensina que os patriarcas estão relacionados com as nossas três rezas diárias, Shacharit (reza da manhã), Minchá (reza da tarde) e Arvit (reza da noite). Avraham corresponde ao Shacharit, Ytzchak corresponde à Minchá e Yaacov corresponde ao Arvit. Diferente de Shacharit e Minchá, Arvit era originalmente uma reza opcional (isto não se aplica mais atualmente, pois durante a história o povo judeu recebeu sobre si a reza de Arvit como sendo uma obrigação). Mas por que Yaacov está associado a uma reza que não era obrigatória? Pois isto representa justamente a sua habilidade de transformar atividades não obrigatórias em Mitzvót. Yaacov representa o desejo da pessoa de se conectar a D'us mesmo quando não está obrigada.
 
Além disso, as três primeiras Brachót da Amidá (Reza silenciosa) também estão relacionadas com os três patriarcas. A primeira Brachá, cujo enfoque é o Chessed (bondade) de D'us, está relacionada com Avraham. A segunda Brachá, cujo enfoque são os atos de Guevurá (bravura) de D'us, está relacionada com Ytzchak. A terceira Brachá, cujo enfoque é a Kedushá (Santidade) de D'us, está relacionada com Yaacov. Por que Yaacov está relacionado com a Kedushá? Pois Kedushá não significa a pessoa se abster do mundo material através de jejuns, voto de silêncio e voto de castidade. Kedushá significa utilizar o mundo material, mas de uma maneira que o mundo material se santifica e tudo é utilizado para servir a D'us.
 
Explica o Rav Yehonasan Gefen que, com todo este entendimento, fica clara a conexão de Yaacov com a Sucá. A essência de ambos é transformar atividades opcionais e mundanas em atos sagrados. É fácil sentir a santidade das atividades obviamente espirituais, como o estudo da Torá e as rezas. Em Yom Kipur, cobertos com o Talit e jejuando, é fácil sentir e viver a santidade do momento. Mas não é simples se conectar a D'us quando estamos comendo, dormindo ou trabalhando. Este é o grande desafio de Sucót e, portanto, a grande oportunidade desta Festa. Em Sucót nossos atos mais mundanos se transformam em Mitzvót apenas por estarem sendo feitos dentro da Sucá. É o momento de despertarmos nossa consciência em relação à  presença de D'us no nosso cotidiano.

Se aproveitarmos esta oportunidade, poderemos carregar esta lição para o ano inteiro. Assim, poderemos continuar a santificar nossos atos mundanos mesmo depois do fim de Sucót.

CHAG SAMEACH E SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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