quinta-feira, 11 de maio de 2017

APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES ESPIRITUAIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EMOR 5777 





BS"D

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF

BLOG
BLOG

INSCREVA-SE
INSCREVA-SE

VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 1

VÍDEO PARASHÁ 2
VÍDEO PARASHÁ 2


APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES ESPIRITUAIS - PARASHÁ EMOR 5777 (12 de maio de 2017)
"Era um fim de tarde normal, como qualquer outro dia. Yaacov estava dirigindo de volta para casa, após um dia difícil de trabalho. Ele ligou o rádio para escutar o noticiário, que falava sobre coisas de pouca importância. Entre elas, o repórter noticiou que em uma cidadezinha distante da Índia haviam morrido 3 pessoas de uma gripe desconhecida.

Alguns dias se passaram. Yaacov escutou nas notícias que já não eram mais apenas três mortos por causa daquela gripe misteriosa, mas trinta mil. Um grupo do Controle de Doenças dos Estados Unidos foi acionado para investigar o caso. Em poucos dias aquela já era a noticia mais importante, ocupando a primeira página de todos os jornais, pois a gripe havia começado a se espalhar pelo mundo. Já não era mais só na Índia, mas também no Paquistão, Irã e Afeganistão. Todos se perguntavam: "O que faremos para controlar esta epidemia?". A Europa fechou suas fronteiras, seguida pelos Estados Unidos e Japão. Mas um doente com os sintomas da gripe misteriosa apareceu em um hospital da França. Começou o pânico, o vírus havia se alastrado por todo o mundo. Quando a pessoa contraía o vírus, após quatro dias de terríveis sofrimentos ela morria. O mundo todo assistia, sem poder fazer nada, milhares de pessoas morrendo diariamente. Cientistas trabalhavam dia e noite em busca de um antídoto, mas nada funcionava. De repente, veio a notícia mais esperada: haviam conseguido decifrar o código de DNA do vírus. Seria possível fabricar o antídoto, mas ainda era preciso conseguir a doação de células da medula óssea de alguém compatível e que não tivesse sido infectado pelo vírus.

Todos levaram suas famílias aos hospitais, para que os médicos pudessem identificar um doador compatível. A filha de Yaacov foi a escolhida entre milhares de pessoas. A notícia se espalhou por todos os lados de que um doador havia sido encontrado. O médico então se aproximou de Yaacov e da sua esposa e disse: "Não sabíamos que o doador seria uma criança. A quantidade de medula óssea necessária para a doação é muito grande, provavelmente ela não sobreviverá. Mas estamos falando de uma cura para toda a humanidade. Por favor, vocês concordam?" Foi uma difícil escolha para Yaacov e sua esposa. A filhinha foi consultada e aceitou doar sua vida para salvar a humanidade. E assim foi feito, a medula óssea foi retirada e o antídoto pôde ser fabricado, mas a pequena menina infelizmente não sobreviveu.

Na semana seguinte, a situação já estava sob controle. Apesar do enorme número de mortos, o vírus havia sido neutralizado e não oferecia mais perigo. A ONU decidiu então fazer uma cerimônia para honrar a filha de Yaacov. Mas nem todos foram à homenagem. Algumas pessoas ficaram em casa dormindo, outras preferiram fazer um passeio ou assistir um jogo de futebol na televisão. Agora que tudo estava tranquilo, não souberam dar valor àquela valente menina, que havia dado sua própria vida pela continuidade da humanidade"

Nossos bisavós e avós morreram para transmitir o judaísmo aos seus descendentes. Em épocas de perseguição, preferiram dar a vida a abandonar sua fé. Será que estamos honrando o que eles fizeram por nós? Em épocas de tolerância e tranquilidade, sentimos orgulho de sermos e vivermos como judeus?

Nesta semana lemos a Parashá Emor (literalmente "Diga"), que começa descrevendo a importância de os Cohanim (sacerdotes) manterem um nível muito elevado de pureza e espiritualidade. A Parashá também descreve detalhes das Festas do ciclo do calendário judaico, como Pessach, Shavuót, Sucót e Rosh Hashaná.

Um dos detalhes que a Parashá nos ensina é a Mitzvá de "Sefirat HaOmer", a contagem diária que conecta a Festa de Pessach, que representa a liberdade física do povo judeu, com a Festa de Shavuót, o dia da entrega da Torá ao povo judeu no Monte Sinai, que representa a nossa liberdade espiritual. A Mitzvá consiste em fazer uma contagem diária progressiva, como uma pessoa que está ansiosa para receber um presente valioso. Porém, este período de contagem, que deveria ser um período de alegria, se transformou em uma época de luto e tristeza. Vinte e quatro mil alunos de Rabi Akiva, um dos maiores sábios da história do povo judeu, morreram durante uma terrível praga justamente durante os dias da Contagem do Omer. Nossos sábios explicam o motivo pelo qual eles morreram: não honravam uns aos outros.

Porém, este ensinamento não é fácil de ser entendido. Certamente os alunos do Rabi Akiva eram gigantes espirituais, pessoas quase no nível de anjos. Não honrar uns aos outros certamente não quer dizer que eles se ofendiam de maneira baixa e descontrolada. No enorme nível espiritual no qual eles se encontravam, houve alguma fagulha de falta de honra entre eles. Mas se foi apenas algo tão pequeno, por que eles morreram de forma tão prematura e trágica? Além disso, se eles estavam cometendo este erro, certamente não foi algo que começou do dia para a noite. Então por que D'us "guardou" a punição justamente para esta época do ano, nos dias da contagem do Omer?

Para responder estas perguntas, antes de tudo precisamos entender dois conceitos espirituais importantes. Em primeiro lugar, de acordo com o Rav Elyahu Dessler zt"l (Império Russo, 1892 - Israel, 1953), o objetivo de tudo o que existe no mundo material é que isto se transforme em um "receptáculo de santidade". Por exemplo, quando uma pessoa utiliza um objeto de acordo com o seu propósito, então este objeto se eleva e se santifica. Mas quando algo não atinge seu objetivo, então a impureza espiritual se espalha sobre ele. Quanto maior o potencial de santidade, pior é o nível de impureza caso seu objetivo não seja atingido. É por isso que um corpo morto é a maior fonte de impureza existente, pois o objetivo do corpo é algo muito elevado: se transformar em uma "carruagem" para a nossa alma. Este potencial gigantesco termina no momento em que a pessoa morre e sua alma se separa do seu corpo, fazendo com que aquele corpo morto, que já não pode mais cumprir seu objetivo, se torne uma enorme fonte de impureza espiritual. Outro exemplo é quando o povo judeu está no exílio. Pelo fato de não estarmos cumprindo o nosso objetivo, então ficamos com um status de impureza espiritual. Foi isto o que ocorreu no exílio egípcio, no qual o povo judeu atingiu o nível 49 de impureza espiritual. É por isso que os dias após a saída do Egito rumo ao Monte Sinai se transformaram em uma época de purificação e preparação para o recebimento da Torá, pois era o fim do exílio e a volta ao nosso objetivo.

Outro conceito espiritual importante é explicado pelo Rav Shlomo Alkabetz zt"l (Grécia, 1500 - Israel, 1576). Segundo ele, todo rabino que ensina Torá aos seus alunos alimenta-os com sua alma, isto é, com a essência da sua própria espiritualidade. Este é um dos motivos pelo qual os alunos de Torá de uma pessoa são considerados como se fossem seus próprios filhos. Porém, cada aluno pega apenas uma pequena faísca desta espiritualidade. Somente quando estão todos os alunos unidos é que a influência espiritual do rabino consegue brilhar sobre eles em seu máximo potencial. Se por causa de um comportamento indevido os alunos causam uma separação entre si, acabam perdendo a influência espiritual plena que poderiam receber do rabino e fazem com que ela perca seu propósito.

Os alunos da Rabi Akiva, apesar de toda a sua grandeza espiritual, ao não honrarem uns aos outros no nível em que poderiam, causaram um afastamento entre eles. A consequência foi que eles não permitiram que a influência espiritual de Rabi Akiva, um gigante espiritual, um verdadeiro pilar do povo judeu, atingisse seu propósito. E, conforme explicado pelo Rav Dessler, quando algo não atinge seu objetivo surge a impureza espiritual. Quando chegaram os dias da Contagem do Omer, nos quais brilham as luzes da entrega da Torá e temos a oportunidade de aproveitar o brilho desta luz tão sagrada, se não nos esforçamos para aproveitar os méritos desta luz, isto se torna uma enorme acusação espiritual contra nós. Foi isto o que aconteceu com os alunos do Rabi Akiva. Por um erro que cometeram, eles fizeram com que o seu potencial de Torá diminuísse. Nos dias da Contagem do Omer, o desperdício do potencial espiritual fez com que eles acabassem pagando um preço muito caro.

Este conceito espiritual não se aplica somente à época da Contagem do Omer e à trágica morte dos alunos do Rabi Akiva. Ele nos ajuda a entender muitas épocas de tragédia que recaíram sobre o povo judeu durante a nossa história. Conforme nos ensinou Shlomo Hamelech (Rei Salomão), "Não há nada de novo sob o sol" (Kohelet 1:9), isto é, as coisas no mundo material se repetem em ciclos. Se quisermos aprender sobre o futuro, devemos estudar sobre o passado. Há algo que nos chama a atenção na história do povo judeu por ter se repetido diversas vezes: em geral, as grandes tragédias que recaíram sobre o povo judeu foram precedidas por épocas de tranquilidade, na qual os outros povos nos aliviaram do peso do exílio. Por exemplo, na época da Idade Média os judeus estavam completamente excluídos da sociedade, sendo desprezados e não tendo nenhum tipo de direito. Então chegou a época do Iluminismo, o fim da "Idade das trevas", e os judeus começaram a se emancipar. Todos os países da Europa passaram a aliviar o peso sobre o povo judeu. Recebemos direitos de cidadania e passamos a ser tratados como iguais perante a lei.

Como D'us controla cada pequeno detalhe de tudo o que ocorre, é óbvio que todos os períodos de tranquilidade e de emancipação que tivemos na história foram "encomendados" por Ele, para que pudéssemos nos preparar para a vinda do Mashiach. Em alguns momentos o peso do exílio foi intencionalmente aliviado, pois a preparação para os dias do Mashiach exige um enorme trabalho espiritual para chegarmos ao nível de merecermos a redenção, e viver imerso em problemas frequentes e degradações constantes nos impede de atingir o impulso necessário para o nosso crescimento.

Isto significa que estes períodos de "luz" e alívio na situação do povo judeu vieram para que pudéssemos ter a tranquilidade para investir no nosso crescimento espiritual. Porém, ao invés de reconhecer a mensagem celestial e nos prepararmos para a redenção com alegria e com o aumento do conhecimento, infelizmente o povo judeu algumas vezes utilizou esta nova situação para se assimilar e perder sua essência espiritual. Como são épocas de muito potencial, então a consequência desta perda espiritual acabou sendo trágica. D'us sempre utiliza Sua Misericórdia para adiar a tragédia, dando tempo ao povo judeu de se arrepender de seu desvio. Porém, quando infelizmente o povo judeu não se arrepende, as consequências nos atingem de maneira dolorosa.

Estamos novamente em uma época de tranquilidade e liberdade religiosa. Apesar de o antissemitismo colocar às vezes a cabeça para fora, fantasiado de "antissionismo", os judeus espalhados pelo mundo têm a liberdade de cumprir Torá e Mitzvót sem nenhum tipo de perseguição. Porém, toda oportunidade vem junto com uma cobrança. Será que estamos utilizando esta tranquilidade para nos aproximarmos de D'us, ou infelizmente estamos nos assimilando, nos acomodando e repetindo o mesmo erro dos nossos antepassados? É responsabilidade de cada um de nós cuidar para que esta fase de tranquilidade possa ser um trampolim para o nosso crescimento espiritual e possa nos levar, em breve, para os dias da nossa redenção final.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ EMOR 5777:

                   São Paulo: 17h13  Rio de Janeiro: 17h02                    Belo Horizonte: 17h08  Jerusalém: 18h51
***********************************************************************

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

quinta-feira, 4 de maio de 2017

GARANTINDO UM BOM LUGAR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT ACHAREI MÓT E KEDOSHIM 5777

BS"D
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 2
VÍDEO PARASHÁ 2

GARANTINDO UM BOM LUGAR - PARASHIÓT ACHAREI MÓT E KEDOSHIM 5777 (05 de maio de 2017)

"A filha do homem mais rico daquela pequena cidade ficou noiva. Todos os moradores da cidade se alegraram muito, em especial pois sabiam que a festa de casamento seria grandiosa e inesquecível. Uma das pessoas mais ricas e importantes da cidade era Joseph, o banqueiro. O dono da festa, querendo demonstrar seu apreço por Joseph, enviou um funcionário, muito bem vestido, para convidá-lo pessoalmente. No dia da festa, Joseph chegou ao salão vestindo seu terno mais elegante. Quando o dono da festa soube da chegada de Joseph, foi pessoalmente recebê-lo na porta, dando-lhe muitas honrarias. Após agradecer imensamente a sua presença, o dono da festa levou-o para se sentar em uma mesa especial, em um lugar de honra reservado apenas para as pessoas mais importantes da cidade.
 
Mas esta não foi a sorte de Levi, um dos pobres da cidade que pedia esmolas de porta em porta. Quando ele soube da festa, se animou muito, apesar de nem mesmo ter sido pessoalmente convidado. Ele sabia que o dono da festa era um homem generoso e que mesmo os pobres eram bem-vindos em suas festas. Quando Levi chegou ao salão, vestindo suas roupas velhas e rasgadas, não foi recebido por ninguém. Não foi chamado para se sentar nem mesmo nas mesas onde ficavam os convidados mais simples. Levi ficou de pé, em um canto do salão, junto com os outros pobres da cidade, avançando sobre todos os restos de comida que os garçons levavam de volta para a cozinha".
 
Explicam os nossos sábios que esta será a diferença no Mundo Vindouro entre os que chegarem "ricos", isto é, cheios de méritos espirituais, e os que chegarem "pobres", isto é desprovidos de méritos espirituais. E devemos lembrar que enquanto a diferença entre ricos e pobres neste mundo material é por apenas alguns anos, a diferença no Mundo Vindouro será por toda a eternidade.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Acharei Mót (literalmente "Depois da morte") e Kedoshim (literalmente "Sagrados"). A Parashá Acharei Mót descreve os serviços realizados pelos Cohanim no dia mais sagrado do ano, Yom Kipur, e traz a lista de muitos tipos de relacionamentos íntimos proibidos pela Torá. Já a Parashá Kedoshim traz uma série de Mitzvót, em especial "Bein Adam Lehaveiró" (entre a pessoa e seu semelhante), tais como ajudar os pobres, ser honesto nos negócios, não adulterar pesos e medidas e amar o próximo.
 
A Parashá Acharei Mót começa nos recordando sobre a trágica morte dos filhos de Aharon, que ocorreu justamente no dia da inauguração do Mishkan (Templo Móvel), por eles terem oferecido um incenso que D'us não havia ordenado. Quando estamos diante da morte, normalmente paramos para refletir. Será que estamos aproveitando bem a vida? Será que nossos esforços estão sendo bem aplicados? O que acontecerá conosco depois da nossa morte?
 
O judaísmo nos tranquiliza ao ensinar que a vida não termina com a morte, ao contrário, a morte é o início da nossa vida verdadeira, a vida espiritual eterna. Porém, há uma aparente contradição entre as fontes que falam sobre a nossa vida eterna. Um Tratado do Talmud (Sanhedrin 90a) afirma que "Todo judeu tem uma porção no Mundo Vindouro", nos ensinando que todos nós já temos a vida eterna garantida. Porém, outro Tratado do Talmud (Nidá 73a) afirma que "Todo aquele que estuda Halachót (neste caso referindo-se às partes de transmissão oral da Torá) todos os dias, é garantido que ele será um "morador" do Mundo Vindouro", nos ensinando que aquele que quer ter parte no Mundo Vindouro deve diariamente estudar Torá. Como entender esta contradição entre as duas citações do Talmud? Afinal, todos nós já temos automaticamente o Mundo Vindouro garantido ou é necessário estudar Torá todos os dias para garantir nossa porção no Mundo Vindouro?
 
A resposta está em um versículo da Parashá Acharei Mót: "E cuidem das Minhas leis e juízos, que o ser humano cumprirá e viverá com elas" (Vayikrá 18:5). Unkelos (Roma, 35 - Israel, 120), um grande sábio que foi responsável pela tradução de toda a Torá para o aramaico, traduz a expressão "Vechai Bahem" (E viverá com elas) como "Veiechei Behon Bechaiei Alma", que significa "E viverá com elas a vida eterna". Mas o que Unkelos nos ensina ao acrescentar palavras, explicando que o versículo não se trata da vida neste mundo, e sim no Mundo Vindouro?
 
Explica o Rav Israel Meir HaCohen (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, que todas as criaturas, desde as mais baixas que vivem na Terra, como o ser humano e as outras criaturas abaixo dele, até as criaturas que vivem nos Céus, chamadas de "exército celestial", que inclui até as criaturas espirituais mais elevadas, todos necessitam do "sustento" de D'us, como está escrito: "Você fez os Céus, e os Céus dos Céus e todos os seus exércitos. A terra e tudo o que está contido nela, os mares e tudo o que está contido neles. E Você sustenta a todos eles" (Nechemia 9:6). Isto quer dizer quer todas as criaturas, sem distinção, necessitam do "sustento" de D'us para se manterem. A diferença está no tipo de "alimento" que cada criatura necessita. Enquanto as criaturas que vivem na Terra dependem de alimentos materiais para se manterem vivas, as criaturas que vivem nos Céus dependem de um alimento espiritual refinado, como está escrito: "O ser humano comeu o pão dos poderosos" (Tehilim 28:25). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que "pão dos poderosos" trata-se do alimento dos anjos.

Portanto, desta explicação do Chafetz Chaim aprendemos que a nossa Neshamá (alma), que é completamente espiritual, também precisa de um alimento para o momento em que ela se desconectar do nosso corpo. Os alimentos do mundo materiais não podem alimentar a nossa Neshamá, pois ela é espiritual e eterna e, portanto, necessita de um alimento espiritual para se saciar. Por isso D'us nos deu a Torá, que também é eterna, e através do seu cumprimento podemos despertar a Luz de D'us sobre nossa Neshamá. Esta Luz nos traz um imenso prazer espiritual, como explica o Talmud (Brachót 17a): "No Mundo Vindouro não haverá comida nem bebida... ao invés disso, os Tzadikim se sentarão, com suas coroas sobre suas cabeças, e terão prazer do brilho da Presença Divina". Este prazer é muito maior do que qualquer prazer limitado do mundo material e é isto o que alimentará nossa Neshamá por toda a eternidade.
 
É isto que dizemos quando pronunciamos a Brachá justamente depois da leitura da Torá em público: "E a vida eterna Você plantou dentro de nós". D'us plantou dentro do povo judeu algo que poderemos "colher" no Mundo Vindouro e viver para sempre. Esta força vital espiritual não trará apenas vitalidade eterna para a Neshamá, mas também para o corpo, como afirma o Talmud (Ketubot 111a) que a Luz da Torá também dará vida eterna ao nosso corpo no Mundo Vindouro. Porém, infelizmente este não será o destino dos ateus e daqueles que dedicarem suas vidas às idolatrias, pois não estão "plantando" nada neste mundo e não terão o "sustento" necessário para a vida eterna. Por isso, enquanto suas almas estiverem conectadas aos seus corpos, a pessoa será alimentada pelo alimento do corpo. Porém, no momento em que a alma se desconectar do corpo, não terá mais nenhum tipo de "alimento" para manter sua vitalidade e, portanto, deixará de existir.
 
Esta é a explicação das palavras do versículo da nossa Parashá: "E cuidem das Minhas leis e juízos, que o ser humano cumprirá e viverá com elas". Somente o cumprimento das Mitzvót da Torá poderá garantir a nossa vida verdadeira, a vida eterna no Mundo Vindouro. E isto explica as lindas palavras que pronunciamos diariamente em Arvit (Tefilá da noite), imediatamente antes da leitura do Shemá Israel: "Um amor eterno pelo povo judeu, Teu povo, Você amou. Torá e Mitzvót, leis e juízos, Você nos ensinou... Pois esta é a nossa vida e a longevidade dos nossos dias". Como o amor de D'us é um amor eterno, então Ele nos deu a Torá, para que sua Luz possa nos dar vitalidade para sempre. Pois a vida eterna é a vida verdadeira, e com a Torá nossa vida limitada e finita no mundo material se alonga e se transforma em vida eterna.
 
Da mesma forma que o pão é o alimento para o corpo, a Torá é o alimento para a nossa Neshamá, como ensina Shlomo HaMelech: "Venha, coma do Meu pão e beba do vinho que Eu misturei" (Mishlei 9:5). "Pão" é uma alusão às Halachót (Leis) que estão na Torá, enquanto "vinho" é uma alusão aos segredos que estão ocultos dentro da Torá, como o vinho que está escondido dentro das uvas. Da mesma forma que a pessoa coloca todos os seus esforços para conseguir seu sustento, com o objetivo de conseguir dinheiro para ao menos comprar pão para manter seu corpo, para que não se enfraqueça e não se encurtem seus dias, muito maior deve ser seu esforço para preparar o alimento de sua Neshamá, através do cumprimento da Torá e das Mitzvót, para que quando termine seu tempo de vida neste mundo sua Neshamá não deixe de existir.
 
É muito grande o mérito do estudo de Torá, como ensinam os nossos sábios (Mishná Peá 1:1): "Estas são as coisas que a pessoa já come os frutos neste mundo, mas o "fundo" fica guardado para ela para o Mundo Vindouro: Honrar os pais, Fazer Chessed (bondade), Trazer a paz entre a pessoa e seu companheiro; e o Estudo da Torá é equivalente a todos eles juntos". Apesar de a lista conter Mitzvót importantes, vemos o incrível valor do estudo da Torá. Um dos principais motivos desta afirmação é trazida pelo Rav Eliahu (Lituânia, 1720 - 1797), mais conhecido como Gaon MiVilna. Quantas vezes podemos fazer Chessed ou fazer paz entre duas pessoas que brigaram? Poucas vezes por dia. Mas o estudo da Torá é algo que pode nos trazer méritos incríveis, pois cada palavra e palavra é uma Mitzvá por si só. Por isso, através do estudo da Torá podemos aumentar os nossos méritos de forma quase infinita.
 
Mas precisamos saber que o principal objetivo do estudo da Torá deve ser o estudo que leve aos atos. Através do estudo das Halachót a pessoa garante a sua vida eterna. Como na história do rico e do pobre na festa, apesar de todos terem uma porção garantida no Mundo Vindouro, aqueles que estudam Halachót todos os dias e, portanto, cumprem as Mitzvót da maneira correta, está garantido que estarão no Olam Habá como convidados de honra. O mesmo não ocorre com aqueles que não estudam Halachót e, portanto, não cumprem as Mitzvót da maneira correta. Elas também estarão no Mundo Vindouro, mas como pobres, envergonhados no canto do salão de festas, comendo apenas os "restos". Portanto, apesar de estar garantido que teremos uma parte no Mundo Vindouro, vale a pena se esforçar nesta vida para que possamos ter uma boa porção guardada para nós.  

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHIÓT ACHAREI MÓT E KEDOSHIM 5777:

                   São Paulo: 17h17  Rio de Janeiro: 17h05                    Belo Horizonte: 17h11  Jerusalém: 18h46
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp