quarta-feira, 20 de abril de 2016

ESCRAVOS DO MUNDO MATERIAL - SHABAT SHALOM M@IL - PESSACH 5776 

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ESCRAVOS DO MUNDO MATERIAL - PESSACH 5776 (22 de abril de 2016) 

Eduardo e Fernando eram vizinhos. Eduardo era um fazendeiro muito pobre e simples, enquanto Fernando era um grande latifundiário, com centenas de cabeças de gado e plantações a perder de vista. Apesar das dificuldades, Eduardo costumava estar sempre feliz e de bem com a vida. Ele nunca se preocupava em trancar as portas e janelas de sua casa, e de noite dormia um sono profundo e tranquilo. Por estar sempre de bem com a vida, era uma pessoa pacífica e amigável. Fernando, ao contrário, apesar da tranquilidade financeira, costumava estar sempre muito tenso e irritado. Ele fazia questão de checar sempre se as portas e janelas de sua casa estavam trancadas. De noite ele não conseguia dormir bem, pois estava sempre preocupado que alguém poderia entrar em sua casa e roubar seu dinheiro.
 
Apesar de serem tão diferentes, Eduardo e Fernando eram muito amigos e gostavam de ficar conversando nos finais de tarde. Certo dia, após escutar de Eduardo as dificuldades que ele tinha para pagar suas contas, Fernando teve uma ideia. Na manhã seguinte, bateu na porta da casa simples de Eduardo e entregou a ele um baú. Eduardo abriu e viu que estava cheio de moedas de ouro, uma verdadeira fortuna. Fernando percebeu a confusão no olhar de Eduardo e explicou:
 
- Querido amigo, graças a D'us eu fui abençoado com muitas riquezas. Dói ver um amigo tão próximo viver nesta pobreza. Por favor, aceite este presente, para que você possa viver com mais tranquilidade.

Eduardo ficou incrivelmente feliz. Durante o dia inteiro ele ficou alegre, o sorriso não saía de seu rosto, às vezes ele até dava risada sozinho. Mas quando a noite chegou e Eduardo foi para a cama, como de costume, ele não conseguiu dormir. Lembrou-se que as portas e janelas estavam abertas, alguém poderia entrar para roubar seu baú de moedas de ouro. Levantou-se rapidamente, trancou as portas e janelas, verificou se o baú estava bem fechado e foi deitar-se novamente. Mas mesmo assim ele ainda não conseguia dormir. Decidiu trazer o baú para perto da sua cama e ficou deitado, de olhos abertos, vigiando o dinheiro, até que foi vencido pelo cansaço. Já era de madrugada quando adormeceu, e mesmo assim teve um sono leve e perturbado, acordando assustado ao menor ruído. Assim que amanheceu, Eduardo pegou o baú de dinheiro e levou-o de volta para a casa de Fernando. Bateu na porta, entregou a ele o baú e disse:
 
- Querido amigo, eu serei eternamente grato pelo seu incrível gesto de bondade, mas pegue de volta seu dinheiro. De que me adianta este dinheiro se ele não me deixa nem mesmo dormir tranquilamente? Eu sou pobre, tenho minhas preocupações, mas pelo menos eu durmo em paz. Da mesma forma que este dinheiro, em uma única noite, conseguiu tirar minha paz, tenho certeza de que se eu ficar com ele, ao invés de ganhar algo, eu vou apenas perder".
 
Passamos a vida buscando acumular bens e dinheiro. O problema é que não percebemos o quanto o mundo material nos escraviza e muda a nossa forma de viver. Preocupações, medos, desejos e arrogância são alguns dos efeitos colaterais do mundo material. Não é necessário fazermos voto de pobreza, mas é importante não deixar o mundo material nos escravizar. É o dinheiro que deve nos servir, e não nós que devemos servir o dinheiro.

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Este Shabat coincide com o início da Festa de Pessach, um dos fundamentos de "Emuná" (fé) do povo judeu e um dos pilares da transmissão, de pai para filho, dos ensinamentos da Torá desde os dias de Moshé Rabeinu. Na noite de Pessach nos sentamos com nossas famílias e fazemos o Seder, recontando e revivendo, com detalhes, os milagres da salvação do povo judeu da terrível escravidão egípcia depois de 210 anos de sofrimentos. E certamente um dos elementos mais marcantes da Festa de Pessach é o nosso "pão não fermentado", conhecido como "Matzá". A Matzá tem um papel de destaque na noite do Seder, quando há inclusive uma obrigação da Torá de comermos dela uma quantidade mínima.
 
O Rav Yehuda Loew zt"l (Polônia, 1525 - República Checa, 1609), mais conhecido como Maharal de Praga, aponta que há uma aparente contradição em relação ao que a Matzá representa. Começamos a Hagadá levantando a Matzá e declarando: "Este é o pão da pobreza, que nossos antepassados comeram na terra do Egito". Esta declaração demonstra um foco na Matzá como um símbolo da pobreza do povo judeu durante a escravidão no Egito. Já quase no fim da Hagadá nós levantamos novamente a Matzá e fazemos outra declaração, mas desta vez relembrando o fato de termos comido a Matzá no momento em que fomos libertados da escravidão do Egito, demonstrando um foco na Matzá como símbolo de liberdade. Como a Matzá pode representar, ao mesmo tempo, dois conceitos tão diferentes, e aparentemente até contraditórios, como pobreza e liberdade?
 
Para responder esta questão, antes precisamos entender o conceito de escravidão e liberdade, para depois examinarmos qual é a relação destes conceitos com a Matzá. Quando pensamos em escravidão, a primeira ideia que vem à nossa cabeça é uma pessoa acorrentada, obrigada a fazer trabalhos pesados e castigada com duras punições físicas. Porém, o Maharal de Praga define a escravidão de uma maneira muito mais abrangente. Segundo ele, uma pessoa é escrava quando está conectada a coisas que são externas à sua essência, e a pessoa necessita destas coisas externas para darem a ela um senso completo de identidade. A escravidão cria um nível de dependência tão grande que, quando a pessoa não tem as coisas externas que necessita, ela sente-se incompleta, como se faltasse parte de sua própria essência. Além disto, estas coisas externas transformam a pessoa em um escravo por definirem certos aspectos de como a pessoa vive sua vida. Por exemplo, as necessidades de uma pessoa viciada em bebidas ou em drogas são muito influentes em suas escolhas e determinam até o seu estilo de vida.
 
Mas não é apenas o vício em bebidas ou em drogas que escraviza o ser humano. Também é muito comum as pessoas se tornarem "viciadas" em suas posses materiais. A dependência que as pessoas desenvolvem pelos seus bens influencia de maneira negativa e prejudicial suas decisões de vida. Um triste exemplo, que nos traz dor e sofrimento até hoje, foi o que ocorreu com os judeus da Alemanha. Muitos anos antes do Holocausto acontecer, os judeus alemães já haviam reconhecido as ameaças do regime nazista. Os judeus mais pobres, ao perceberem o perigo iminente, deixaram seus poucos bens para trás e fugiram, conseguindo salvar suas vidas e as vidas de suas famílias. Mas os judeus ricos, que tinham muitas propriedades e bens, sentiram mais dificuldade para deixar tudo aquilo para trás. Infelizmente muitos decidiram ficar na Alemanha e acabaram tendo finais trágicos. A riqueza e as posses daquelas pessoas as levaram a tomar uma decisão completamente equivocada.
 
A liberdade verdadeira, por outro lado, é reconhecer que nossa essência verdadeira é a nossa alma, e não as nossas posses nem o nosso sucesso no mundo material. Por isso, a pessoa livre não corre o risco de ficar "presa" por causa de seus bens. A pessoa livre vê seus bens apenas como um meio para chegar a um final maior, mas nunca os vê como parte de sua própria essência.
 
O Maharal de Praga explica como a Matzá está relacionada a estes dois conceitos. A Matzá é uma combinação de farinha e água em suas formas mais básicas. Se a massa é deixada em repouso por algum tempo, ela fermenta e se torna "Chametz", que representa um acréscimo à essência pura da Matzá. Neste sentido, a Matzá representa o conceito de liberdade, isto é, estar livre de qualquer coisa externa à sua essência. O Chametz, ao contrário, é criado apenas quando a levedura cresce e acrescenta algo à combinação bruta de farinha e água. Neste sentido, o Chametz representa um acréscimo à essência pura da Matzá.
 
Com este entendimento é possível explicar como a Matzá pode representar dois conceitos aparentemente tão diferentes: a pobreza e a liberdade. Uma pessoa que é criada com um padrão de vida alto certamente ficará tão acostumada com este padrão de vida que dificilmente conseguirá, por vontade, se desconectar dele. De certa maneira, podemos dizer inclusive que a pessoa está escravizada, presa a este padrão de vida. Por exemplo, uma mulher que foi criada em uma casa grande, dormindo sozinha em um quarto com suíte particular, encontrará muita dificuldade para dividir o uso do banheiro com outra pessoa, mesmo quando esta outra pessoa for o seu próprio marido. Ao contrário, uma pessoa que começou a vida com pouca bagagem externa, isto é, com poucas posses materiais, considera muito mais fácil evitar tornar-se um escravo das coisas que são externas a ele.
 
Neste sentido, a pobreza é altamente favorável para alcançar a forma de liberdade descrita pelo Maharal de Praga. Uma pessoa pobre nunca se acostumou a possuir muitos bens, e por isso não está preso a eles. E isto explica como a Matzá pode representar, ao mesmo tempo, a pobreza e a liberdade. A pobreza é algo que contribui para a liberdade, pois a pessoa pobre não é escrava do mundo material e de suas posses materiais. De acordo com isso, o "pão da pobreza" que os judeus comeram no Egito representa que eles não tinham posses que eram externas à sua essência. E pelo fato de não terem nada, foi muito mais fácil para eles atingirem a liberdade de se identificar apenas com sua essência pura.
 
Mas por que foi importante aos judeus alcançarem este nível de liberdade justamente neste momento? Pois a saída do Egito foi o "nascimento" do povo judeu, um processo que os conduziria ao recebimento da Torá no Monte Sinai. Era essencial que naquele momento o povo estivesse completamente livre de qualquer "bagagem" externa que poderia contaminar sua essência verdadeira. Portanto, o fato deles serem tão pobres durante sua permanência no Egito facilitou que eles desenvolvessem as habilidades necessárias para começarem seu novo papel no mundo como o "Povo de D'us".
 
Em Pessach, e em especial na noite do Seder, nós tentamos recapturar e reviver este sentimento de liberdade que nossos antepassados atingiram quando saíram do Egito. Nós comemos a Matzá como um lembrete simbólico da necessidade de nos despojarmos das coisas que são externas a nós e procurarmos nossa verdadeira e pura essência. Por isso não é suficiente apenas fazer os rituais do Seder sem tentar internalizar suas mensagens.
 
Pessach é o momento de examinarmos nosso nível de liberdade, de avaliar o quão estamos escravizados pelos nossos bens e por tudo o que é externo à nossa essência. E é o momento propício para nos lembrarmos da nossa verdadeira essência, nossas almas, e que as realizações espirituais são as únicas coisas que têm um valor verdadeiro.

SHABAT SHALOM E PESSACH KASHER VE SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 13 de abril de 2016

FAZENDO MUITO BARULHO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT METZORÁ 5776 

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FAZENDO MUITO BARULHO - PARASHAT METZORÁ 5776 (15 de abril de 2016) 

Rafael pegou um táxi e partiu para o aeroporto. O motorista do táxi era um homem simpático e tranquilo, e como Rafael estava bem adiantado, foi dirigindo tranquilamente pela última faixa. De repente, sem dar nenhum sinal, um carro saiu do acostamento e praticamente "jogou" o carro em cima do táxi. O motorista do táxi pisou com força no freio e usou toda sua habilidade para não perder o controle do carro. Conseguiu escapar de um grande acidente por um triz.
 
O motorista do outro carro, que havia sido um completo irresponsável, abriu a janela e começou a gritar insultos e palavrões para o taxista. Mas o que aconteceu em seguida foi incrível, e Rafael quase não acreditou nos seus olhos: o motorista do táxi, ao invés de devolver a agressão com palavrões e acusações, apenas sorriu e acenou para o outro motorista de maneira calma e simpática. Rafael não aguentou e perguntou:
 
- Por que você fez isso? Este cara quase nos envolveu em um terrível acidente, que poderia ter destruído seu táxi e nos mandado para o hospital! Você deveria ter gritado e xingado ele no mesmo nível!
 
- É verdade - disse o taxista, dando um grande sorriso - mas há algum tempo eu decidi viver minha vida de outra maneira. Tudo começou quando eu aprendi a "Lei do Caminhão de Lixo".
 
Rafael não entendeu nada. Nunca havia escutado sobre a "Lei do Caminhão de Lixo". Quando o motorista viu a expressão confusa de Rafael, começou a explicar:
 
- Muitas pessoas são como caminhões de lixo. Elas andam por aí, carregadas de lixo, cheias de frustrações, raiva e desapontamento. Como o lixo se acumula, elas precisam de algum lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre os outros. Na prática, a "Lei do Caminhão de Lixo" significa aprender a não receber as coisas de forma pessoal. Quando acontecer de alguém jogar sobre você o lixo que está transbordando, como aconteceu com este motorista, apenas sorria, acene, deseje o melhor para a pessoa e siga em frente. Não pegue o lixo delas e espalhe sobre outras pessoas no trabalho, nas ruas ou em casa. Pois, se você reagir, você também terá se transformado em um "Caminhão de Lixo".
 
Talvez esta tenha sido a melhor viagem de Rafael. Além de ter chegado são e salvo ao aeroporto, ele aprendeu uma das lições mais importantes da vida: as pessoas que fazem muito "barulho" são aquelas que estão mais vazias. Agressões muitas vezes podem refletir ressentimentos e tristezas acumulados. Devemos fazer a nossa parte e não sair espalhando por aí o lixo que atiram sobre nós.

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A Parashat desta semana, Metzorá (que literalmente significa "Pessoa contaminada com Tzaráat"), continua explicando detalhes da doença chamada "Tzaráat". Muitas vezes esta doença é erroneamente traduzida como "lepra", justamente porque a Tzaráat apresentava também uma manifestação física através de manchas na pele, que se assemelhavam às manchas da lepra. Porém, a Tzaráat era uma doença espiritual, consequência de alguns tipos específicos de transgressão, em especial o "Lashon Hará", que é o ato de causar danos físicos, financeiros ou psicológicos a outras pessoas através de informações negativas divulgadas sobre elas.
 
A Parashat nos ensina o processo através do qual o Metzorá precisava passar para expiar seu erro, como está escrito: "E ordenará o Cohen (sacerdote), e a pessoa a ser purificada pegará dois pássaros vivos, puros, um bastão de cedro, um fio de lã vermelha e hissopo" (Vayikrá 14:4). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que cada um destes ingredientes trazia mensagens relacionadas com a transgressão cometida. Por exemplo, os pássaros, que são animais que fazem barulho e ficam piando sem parar, vêm expiar a transgressão que foi feita com barulho, isto é, o Lashon Hará.
 
O Talmud nos ensina algo semelhante. Cada uma das roupas do Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) tinha o propósito de expiar alguma transgressão específica do povo judeu. Uma das roupas do Cohen Gadol era o "Meil", uma túnica azul celeste que tinha sinos presos em sua borda. Estes sinos serviam justamente para fazer barulho, como está escrito: "E ele (o "Meil") deve estar sobre Aharon quando ele fizer o serviço, para que seu som seja escutado quando ele entrar no Santuário" (Shemot 28:35). O Talmud (Zevachim 88b) ensina que o "Meil" servia para expiar a transgressão de Lashon Hará, como está escrito: "Que venha a roupa que faz barulho e expie pelo pecado que faz barulho".
 
Estas duas fontes da Torá ressaltam que a essência do Lashon Hará é o barulho que ele faz. Porém, isto traz alguns questionamentos. Em primeiro lugar, o Rambam zt"l (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) ensina que a pessoa que escuta Lashon Hará tem mais responsabilidade na transgressão do que aquele que fala. Se o Lashon Hará está tão associado ao ato de "fazer barulho", por que aquele que escuta é mais responsável pelo erro do que aquele que fala?
 
Além disso, o Rav Isroel Meir HaCohen zt"l (Bielorrússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, dedicou sua vida a ensinar as leis de "Shmirat Halashon" (cuidados com a fala), para que as pessoas se conscientizassem sobre a gravidade do Lashon Hará. Ele nos ensina, por exemplo, que para transgredir o Lashon Hará não é necessário que a pessoa denigra verbalmente o outro. Até mesmo com gestos ou informações escritas é possível transgredir o Lashon Hará. Portanto, onde está o elemento de "barulho" na transgressão de Lashon Hará, se a pessoa pode transgredir até mesmo sem abrir a boca?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que, para responder todos estes questionamentos, antes precisamos entender quais são as verdadeiras motivações de um "Baal Lashon Hará" (pessoa que não se importa com o Lashon Hará e não cuida de sua boca, denegrindo outras pessoas o tempo inteiro). Cada ser humano tem uma necessidade profunda de validar sua existência, e há duas maneiras através das quais uma pessoa pode tentar suprir esta necessidade. A primeira maneira é internamente, se esforçando no autoconhecimento e investindo em continuamente melhorar e preencher o seu verdadeiro potencial. A segunda maneira é externamente, diminuindo as outras pessoas, o que traz para ela uma falsa sensação de superioridade. O "Baal Lashon Hará" é aquele que nunca consegue medir seu valor de maneira interna, através de seu próprio potencial. Como ele avalia seu valor de maneira externa, sempre se comparando com outras pessoas, ele tem a necessidade de colocar os outros para baixo, para assim se autoafirmar e se sentir melhor.
 
Quando alguém define seu valor apenas em relação aos outros, ele precisa de um "palco" e de "expectadores" que aceitem as suas palavras, pois se ninguém o escuta, ele não consegue obter o sentimento de superioridade desejado. Este é o conceito do "barulho" citado pelas fontes da Torá. Não o barulho produzido pela fala, mas sim o barulho de chamar a atenção e denegrir os outros em volta na tentativa desesperada de mostrar o seu valor. Portanto, aquele que escuta o Lashon Hará está transgredindo mais do que aquele que fala, pois está fornecendo o "público" necessário para que o "Baal Lashon Hará" possa fazer barulho para se autoafirmar.
 
Esta terrível doença, de medir seu próprio valor através da comparação com os outros, se espalhou através da nossa sociedade moderna. As empresas acabam incentivando ainda mais o sentimento de competição ao medir os funcionários sempre de forma relativa, comparando-os uns aos outros. Também os pais e professores acabam errando muito na educação das crianças ao compará-las com os irmãos e colegas. É muito comum pais e professores, ao darem uma bronca em uma criança, questionarem: "Por que você não é como seu irmão, que é tão comportado?". Achamos que com este tipo de bronca estamos educando, mas podemos estar fazendo justamente o contrário. Podemos estar criando uma criança infeliz que, quando chegar à idade adulta, passará o resto da vida tentando encontrar seu valor apenas baseado na comparação com os outros.
 
A comparação com os outros é uma ferramenta que, quando mal utilizada, pode ser extremamente destrutiva, pois inibe a habilidade de nos conhecermos e sabermos quem nós realmente somos. Quando definimos nosso valor através de comparação, não colocamos nenhuma ênfase em atingir o nosso verdadeiro potencial. Nosso sucesso atualmente é medido baseado muito mais em nossas vitórias sobre os outros do que em nossas verdadeiras conquistas. Por isso, precisamos fugir deste "vício" e aprender a nos valorizarmos e valorizarmos as outras pessoas de acordo com o potencial verdadeiro de cada um, sem nenhum tipo de comparação. Aos olhos de D'us, cada ser humano tem uma função única e especial, e é este potencial que nós temos que focar todos os dias da nossa vida. Assim, haverá cada vez mais seres humanos saudáveis, felizes e vivendo de acordo com seu verdadeiro potencial.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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