quinta-feira, 5 de novembro de 2015

RESPEITO AOS IDOSOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT CHAIEI SARA 5776 

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RESPEITO AOS IDOSOS - PARASHAT CHAIEI SARA 5776 (06 de novembro de 2015)

"Um frágil e velho senhor ficou viúvo e foi viver com seu filho, sua nora e seu neto de quatro anos. A família se reunia todos os dias para comer em uma bela mesa na sala de jantar. Porém, as mãos do velhinho tremiam e a vista dele já estava um pouco embaçada, o que tornava difícil o simples ato de comer. A todo instante a comida caía da sua colher, sujando todo o chão, e o leite derramava na toalha. A sujeira começou a irritar muito seu filho e sua nora:


- Nós precisamos fazer algo em relação ao meu pai - disse o filho, irritado - Já estou cheio do tanto leite derramado, de ouvir os ruídos que ele faz quando come e de toda a comida que ele derruba no chão.

O marido e a esposa decidiram preparar uma mesa pequena no canto da área de serviço. Lá o velhinho comia sozinho, abandonado, enquanto o resto da família continuava comendo na sala de jantar. Além disso, depois do velhinho ter quebrado um ou dois pratos, a comida dele passou a ser servida em uma tigela de madeira. Quando eles olhavam de relance na direção do velhinho, às vezes percebiam uma lágrima nos olhos dele. Ainda assim, as únicas palavras que o casal dirigia a ele eram duras broncas quando a colher caía com comida ou ele derramava o leite. O neto de quatro anos assistia tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai notou que a criança estava brincando no chão com sucatas de madeira. Perguntou docemente ao filho o que ele estava fazendo, e com um enorme sorriso o menino respondeu:
 
- Eu estou fabricando duas pequenas tigelas de madeira, para você e a mamãe poderem comer sua comida quando estiverem velhinhos.

As palavras do menino penetraram como uma faca afiada no coração dos pais. Lágrimas rolaram dos rostos deles. Não era preciso falar nada, eles sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o marido pegou a mão do pai e, com suavidade, conduziu-o de volta para a mesa da família. E daquele dia em diante, nem o marido nem a esposa pareciam se preocupar quando uma colher caia no chão, o leite era derramado ou quando a toalha da mesa tinha se sujado". 

A Torá nos ordena tratar os idosos com muito respeito. Acima de tudo é um reconhecimento pelo que eles já contribuíram, e certamente continuam contribuindo, com enorme sabedoria, na construção de um mundo melhor. 

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A Parashá desta semana, Chaiei Sara, fala sobre o final das vidas de Avraham e Sara. Avraham viveu muitos anos, como está escrito: "Avraham estava velho, com idade avançada, e D'us abençoou Avraham com tudo" (Bereshit 24:1). Apesar de muitos problemas e desafios que Avraham enfrentou durante sua longa vida, ele sempre soube olhar as situações de maneira positiva. E, acima de tudo, ele confiava plenamente em D'us.
 
Em relação a este versículo, o Talmud (Sanhedrin 107b) traz um incrível ensinamento. Até a época de Avraham não havia o conceito de envelhecimento. Como Ytzchak era muito parecido com Avraham, quando as pessoas iam falar com Avraham, acabavam falando por engano com Ytzchak, e quando iam falar com Ytzchak acabavam falando por engano com Avraham. Avraham então rezou e pediu para que D'us incluísse o envelhecimento no ciclo de vida do ser humano, para evitar este tipo de confusão, e D'us concordou com o pedido de Avraham.
 
Os comentaristas da Torá perguntam qual é o ensinamento presente nesta passagem do Talmud, pois desperta um grande questionamento. O Rav Ishaia MiTrani (Itália, 1180 - 1250), mais conhecido como Tossafot Rid, argumenta que existem diversas fontes que comprovam que o envelhecimento já existia até mesmo antes do nascimento de Ytzchak, tais como os versículo "Avraham e Sara estavam velhos" (Bereshit 18:11) e "Eu realmente terei um filho, agora que eu estou velha?" (Bereshit 18:13). Poderíamos explicar que os versículos se referem a um envelhecimento que não era fisicamente perceptível, e o pedido de Avraham foi justamente para que o envelhecimento se tornasse algo visivelmente reconhecido pelas pessoas, evitando confusões.
 
Porém, esta explicação apresenta algumas dificuldades. Em primeiro lugar, após o erro de Adam Harishon, a existência física do ser humano tornou-se finita e seu corpo foi fadado a um estado de decadência física. Por que D'us decretaria a morte do ser humano e não faria com que a proximidade do seu fim fosse visivelmente perceptível? Além disso, há versículos que comprovam que o ser humano já apresentava sinais de envelhecimento em seu corpo mesmo antes do nascimento de Ytzchak. Sara, quando escutou os anjos anunciando que ela ficaria grávida aos 90 anos, comentou: "Depois de estar tão enrugada, eu voltarei a ter uma pele delicada?" (Bereshit 18:12). Deste versículo fica claro que já havia sinais físicos de envelhecimento antes mesmo do pedido de Avraham. Então o que ele exatamente pediu para D'us em sua reza? E o que D'us concedeu à humanidade ao concordar com o pedido de Avraham?
 
Responde o Rav Yohanan Zweig que talvez o pedido de Avraham realmente não estava relacionado com o estado físico das pessoas. O que chamou a atenção de Avraham foi que as pessoas falavam com ele, um ancião com mais de 100 anos, exatamente da mesma maneira como falavam com seu filho Ytzchak, um rapaz ainda extremamente jovem. Isto significa que as pessoas não tinham nenhuma apreciação pela sabedoria dos idosos e não demonstravam o devido respeito a eles. Avraham queria que os idosos fossem respeitados e honrados pelos seus conhecimentos e por suas experiências de vida. Foi este tipo de apreciação pelos idosos que Avraham pediu para que D'us incutisse na humanidade, e D'us atendeu o seu pedido, como confirmam as palavras finais do versículo: "D'us abençoou Avraham com tudo".
 
Infelizmente, se olharmos o comportamento da nossa sociedade, perceberemos que esta apreciação dos idosos novamente está ausente. De acordo com a Cultura Ocidental, a velhice é uma deficiência do ser humano. A juventude é vista como referência nas mais diversas áreas: nos negócios, na medicina, nas tecnologias e até mesmo nos governos. As novas gerações insistem em "inovar e aprender com seus próprios erros", ao invés de construir a partir da experiência adquirida pelos mais velhos. Aos 50 anos uma pessoa é considerada alguém "no limite" de sua produtividade, e já começa a receber os primeiros avisos de que seu cargo estaria melhor preenchido por alguém 20 anos mais jovem. Em muitas empresas multinacionais a aposentadoria é obrigatória aos 60 anos, para que alguém de "sangue novo" possa assumir os novos desafios.
 
Portanto, nossa sociedade acaba forçando com que os últimos anos de vida de uma pessoa sejam de inatividade e decadência. Os mais velhos são tratados como se fossem inúteis, como se fossem um peso para a sociedade. A mensagem transmitida aos idosos é que o ideal seria se estivessem confinados em um asilo. Depois de décadas de conquistas e realizações, seus conhecimentos e talentos se tornam repentinamente sem valor. Depois de muitos anos de importantes contribuições, os idosos se tornam peças indesejáveis no jogo da vida.
 
Não podemos escapar da realidade de que a natureza do corpo humano aos 70 anos não é a mesma do que aos 30 anos. Mas o valor de uma pessoa é definido por suas proezas físicas? Se a força física de alguém diminuiu, mas suas capacidades intelectuais e sua sabedoria aumentaram, isto é considerado uma melhoria ou um declínio? Se o rendimento de uma pessoa diminui em quantidade, mas melhorou em qualidade, então seu valor aumentou ou diminuiu? A atitude da Cultura Ocidental em relação aos idosos reflete bem a noção dos seus valores: a ênfase está apenas na força física, enquanto a força intelectual é completamente desprezada.
 
Um jovem de 20 anos pode dançar por horas sem se cansar, enquanto um senhor de 75 anos provavelmente se cansará em poucos minutos. Mas o ser humano não foi criado para dançar. Ele foi criado para transformar a vida na Terra em algo mais puro, mais brilhante e mais sagrado do que era antes do seu aparecimento. Deste ponto de vista, a maturidade espiritual dos anciãos certamente compensa, e muito, sua diminuição física.
 
Esta é a visão da Torá. A velhice é uma virtude, é uma Brachá (benção). Em toda a Torá o conceito de "ancião" é sinônimo de sabedoria. O Talmud (Kidushin 33a) nos ordena respeitar os anciãos, independente de sua escolaridade, pois os vários desafios e experiências pelos quais eles passaram na vida resultam em uma sabedoria que até mesmo os mais talentosos entre os jovens não podem alcançar. Um dos segredos da imortalidade do judaísmo é justamente o respeito aos idosos. Pois uma sociedade que não sabe respeitar o passado é certamente uma sociedade que não terá futuro.
  

SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

QUANTO VALE UM BOM PENSAMENTO? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIERÁ 5776

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QUANTO VALE UM BOM PENSAMENTO? - PARASHAT VAIERÁ 5776 (30 de outubro de 2015) 

"Há muitos anos, um rabino certa vez entrou em uma pequena loja de Tel Aviv e viu que havia dois jovens, vestidos com roupas de alunos de Yeshivá, atendendo clientes. O homem descobriu que os dois rapazes eram filhos do dono da loja, e como estavam de férias, aproveitavam para ajudar o pai. Eram extremamente educados e responsáveis, e o comportamento deles chamou a atenção do rabino. O rabino perguntou ao pai dos rapazes:
 
- Desculpe a curiosidade, mas que bom ato você fez para ter o mérito de ter filhos assim tão maravilhosos?
 
O homem respondeu que não se lembrava de nada especial, porém o rabino insistiu, dizendo que era impossível que ele tivesse filhos tão especiais sem nenhum mérito. O homem ficou pensativo por alguns instantes e depois disse:
 
- Lembrei-me de algo, mas acho que foi um ato pequeno. Quando eu era jovem e vivia na Rússia, certa vez consegui juntar uma quantia um pouco maior de dinheiro para Tzedaká. Perguntei para o rabino da cidade o que fazer com aquela soma, e ele me falou que havia dois estudantes que estavam começando a se destacar no estudo da Torá, e que ele gostaria de mandá-los para a Yeshivá de Slobodka, na Lituânia, onde eles poderiam crescer muito mais. Aquele dinheiro seria muito importante para eles se manterem lá por algum tempo e poderem se dedicar integralmente aos estudos. Então eu dei para o rabino o dinheiro, e depois escutei que os rapazes realmente tiveram sucesso nos estudos.
 
- Que interessante - falou o rabino - Mas você se lembra do nome dos dois rapazes que você ajudou?
 
- Os nomes eram Yaacov e Aharon. Se não me engano, as famílias eram Kamenetzki e Kotler..."
 
Simplesmente aquele homem havia ajudado dois jovens estudantes de Torá a se transformarem em dois dos maiores líderes espirituais da geração passada, o Rav Yaacov Kamenetzki zt"l e o Rav Aharon Kotler zt"l. Pequenos bons atos e boas intenções podem trazer para nós mesmos, e para todo o povo judeu, muitos bons frutos (História Real). 

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Nesta semana a Parashat Vaierá continua descrevendo os 10 testes de Avraham, até chegar ao teste mais difícil, a "Akeidat Itzchak", no qual Avraham teve que controlar suas emoções ao nível de estar pronto a sacrificar seu próprio filho. No final, apesar de toda a preparação de Avraham, o sacrifício não ocorreu, como está escrito: "Avraham construiu um altar, arrumou as madeiras, amarrou seu filho Itzchak e colocou-o sobre o altar... E Avraham estendeu sua mão e pegou a faca para sacrificar seu filho. E um anjo de D'us chamou-o dos céus... Então ele disse: "Não estenda sua mão contra o rapaz, não faça nada a ele, pois agora eu sei que você tem temor a D'us" (Bereshit 22:9-12).
 
Porém, destes versículos surge uma pergunta: por que o anjo repetiu o comando a Avraham? Se ele já havia dito "não estenda sua mão contra o rapaz", por que acrescentou "não faça nada a ele"? Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que quando o anjo pediu a Avraham para que parasse, Avraham respondeu: "Então me deixe ao menos fazer um pequeno corte no meu filho Itzchak, para que minha vinda até aqui não tenha sido em vão". É por isso que o anjo acrescentou: "Não faça nada a ele", isto é, não faça nem um pequeno corte. Neste momento o anjo exclamou: "Agora eu sei que você tem temor a D'us", pois a reação de qualquer pessoa, ao receber o aviso de que não precisava mais sacrificar seu filho, seria pular de alegria. Mas Avraham estava mais preocupado com o comando de D'us do que com suas próprias emoções. Por isso o anjo declarou como era incrível o temor a D'us de Avraham.
 
Mas o que exatamente incomodou Avraham, que o levou a pedir ao anjo a permissão de fazer ao menos um pequeno corte em seu filho Itzchak? Responde o Rav Yechiel Tauber que todas as vezes que fazemos uma Mitzvá, recitamos uma Brachá imediatamente antes do seu cumprimento. Por exemplo, antes do acendimento das velas de Shabat recitamos "Lehadlik Ner Shel Shabat". Se Avraham estava sacrificando seu filho para cumprir um comando de D'us, e já estava com a faca na mão, então certamente já havia pronunciado a Brachá referente à oferenda de sacrifícios. E se o anjo interrompeu-o no meio, significa que Avraham pronunciou a Brachá mas não conseguiu finalizar o ato. Avraham tinha tanto temor a D'us que ficou desesperado com a possibilidade de ter feito a transgressão de pronunciar uma Brachá em vão. Por isso Avraham pediu para pelo menos fazer um pequeno corte em seu filho, para que a Brachá pudesse recair sobre algo e não fosse em vão. Mas se realmente havia o problema de uma Brachá em vão, então por que o anjo não salvou Avraham da transgressão, permitindo-o de fazer um pequeno corte em seu filho? A recompensa desta incrível Mitzvá de Avraham, de estar disposto a sacrificar seu próprio filho, foi uma transgressão?

Existe um conceito transmitido pelos nossos sábios de que todo aquele que morre "Al Kidush Hashem" (santificando o Nome de D'us) tem o mérito de ir diretamente para o Olam Habá (Mundo Vindouro). Algumas gerações do povo judeu foram confrontadas com a escolha de se converter para outra religião ou morrer, e muitos conseguiram vencer o teste. Isto também se aplica a um judeu que morre em um atentado terrorista, pois ele morreu pelo simples fato de ser judeu, e isto santifica o Nome de D'us.
 
Porém, sabemos que as Mitzvót precisam ser feitas com "Kavaná" (intenção). Alguém que cumpre uma Mitzvá "sem querer", sem saber que a está cumprindo, certamente não receberá recompensa por isso. Mas aparentemente este conceito não se aplica a todos os que morrem "Al Kidush Hashem". Por exemplo, nos casos em que terroristas suicidas entram em um ônibus lotado e matam muitos inocentes, todos os que faleceram estão incluídos entre os que santificaram o nome de D'us. Porém, quantos deles tinham realmente intenção de morrer em nome de D'us? Entendemos o mérito das pessoas que na Inquisição deram suas vidas por escolha, mas como isto se aplica àqueles que morreram em um atentado sem nenhuma intenção de dar suas vidas por D'us?
 
Explica o Rav Ezriel Tauber que a resposta está em um incrível conceito ensinado pelo Talmud (Kidushin 40a): "D'us junta uma boa intenção a um bom ato". Isto significa que, se uma pessoa tem boas intenções mas as circunstâncias não permitem que ela faça o que pretendia, então D'us pega esta boa intenção e conecta com outro ato para que ela possa receber o mérito. Na prática como isto funciona? Muitas vezes temos boas intenções, mas não conseguimos realizá-las por motivos alheios à nossa vontade. Por exemplo, uma pessoa vai visitar um doente no hospital, mas seu carro quebra no meio do caminho. Outras vezes fazemos bons atos, mas sem nenhuma intenção. Por exemplo, quando fazemos a nossa Tefilá (reza) pensando nos negócios ou planejando as férias. D'us, em Sua misericórdia infinita, pega aquela boa intenção que não estava associada a nenhum ato e conecta com algum ato que ficou sem a intenção apropriada, dando méritos para a pessoa.
 
Isto ocorre também a nível comunitário. O povo judeu inteiro está conectado entre si, como se fosse uma única entidade. Há uma conexão espiritual entre todos os judeus do mundo, fazendo com que os méritos dos bons atos de cada judeu também beneficiem outros judeus. Por exemplo, quando um judeu faz uma incrível doação de milhões de reais para a construção de uma sinagoga, mas exige que seu nome apareça com muito destaque, demonstra estar procurando apenas reconhecimento e honra pelo seu ato. Neste caso temos um incrível ato de doação, mas com uma intenção inadequada. Do outro lado do mundo, um judeu muito pobre está para comer seu prato de comida, que é tudo o que ele tem na vida, quando chega outra pessoa que não tem o que comer. Em um incrível ato de doação, o homem pobre divide seu prato com o outro pobre esfomeado. Neste caso foi feita uma doação pequena, de meio prato de comida, mas com uma intenção incrível, de alguém que doou metade de tudo o que tinha. Então D'us une os dois, o ato da doação da sinagoga com a intenção daquele que doou metade de tudo o que tinha, e o benefício de um grande ato com uma grande intenção vai para o povo judeu inteiro.
 
Com este incrível conceito espiritual podemos responder nosso questionamento. Quando Avraham foi sacrificar seu filho, ele tinha a intenção perfeita de cumprir a vontade de D'us, mesmo acima de suas próprias emoções. Cada pensamento, cada ato de preparação, cada palavra da Brachá que ele pronunciou antes de sacrificar seu filho não foram em vão. Eles ficaram guardados para sempre, para os seus descendentes. Avraham teve a intenção, mas no final faltou-lhe o ato. Então todo judeu que morre "Al Kidush Hashem", mesmo que não tenha nenhuma intenção, recebe aquela Brachá de Avraham, fazendo com que seu ato fique completo e sagrado. É como se o ato de Avraham, de sacrificar seu filho para D'us, tivesse realmente acontecido, mas com um lapso de tempo, durante toda a nossa história, se materializando em cada judeu que morre santificando o nome de D'us. Cada vez que um judeu dá a vida por D'us, é como se Itzchak estivesse sendo sacrificado por Avraham sobre o altar.
 
Aprendemos daqui o valor de cada bom ato, e mais do que isso, o valor de cada boa intenção. Podemos receber o benefício imediatamente, mas às vezes o mérito fica guardado para o futuro. Algumas vezes pode até mesmo beneficiar outras pessoas e não a nós mesmos. Um bom ato ou uma boa intenção nunca voltam vazios, sempre trazem consigo muita Brachá, para cada indivíduo ou para o povo judeu como um todo. A força dos bons atos e das boas intenções é tão grande que até hoje, quase 4 mil anos depois, ainda recebemos os benefícios dos atos de Avraham Avinu, que mesmo quando era submetido a difíceis testes, encontrava forças para cumprir a vontade de D'us. Da mesma maneira, se nos esforçarmos, nossos bons atos e intenções poderão iluminar o mundo inteiro.  

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Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

FUGINDO DA BRIGA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT LECH LECHÁ 5776

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FUGINDO DA BRIGA - PARASHAT LECH LECHÁ 5776 (23 de outubro de 2015)

"Manter financeiramente uma Yeshivá envolve um esforço quase sobre-humano. São muitos gastos, como os salários dos funcionários e a manutenção diária. Um dos maiores gastos é com o aluguel de um local para a Yeshivá, que precisa ser grande o suficiente para abrigar todas as atividades necessárias para o seu bom funcionamento.
 
A Yeshivá de Novardok, na Rússia, como todas as Yeshivót, também passava por estas dificuldades financeiras, mas parecia que a sorte da Yeshivá estava mudando. Um judeu muito rico morreu na Alemanha e deixou em seu testamento um prédio inteiro para a Yeshivá de Novardok. O Rav Yosef Yoizel Horowitz zt"l (Lituânia, 1847 - Ucrânia, 1919), fundador da Yeshivá, rapidamente embarcou em um trem em direção à Alemanha para cuidar pessoalmente do caso.
 
Porém, durante a viagem, o Rav Yosef Yoizel recebeu uma mensagem de que outra Yeshivá também estava enviando uma delegação à Alemanha para competir pelo prédio. Imediatamente ele interrompeu sua viagem e voltou para a Yeshivá, abrindo mão daquela herança. Ele entendeu que a situação facilmente poderia se transformar em uma Machlóket (disputa), e por isso desistiu, mesmo sabendo que estava certo" 
 
O Rav Yosef Yoizel sabia quanto valia a doação de um prédio, mas acima de tudo ele sabia quais eram as consequências destruidoras de uma Machlóket. Ao abrir mão da herança, ele demonstrou a sua grandeza espiritual. 

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A Parashat desta semana, Lech Lechá, começa a contar detalhes da vida do nosso primeiro patriarca, Avraham Avinu, focando em especial os 10 testes que ele passou com sucesso. Em um dos testes, Avraham teve que ir com sua esposa Sara e seu sobrinho Lót para o Egito, após uma grande fome na terra de Israel. No Egito eles enriqueceram e voltaram com muitos rebanhos.
 
Porém, algo aconteceu no caminho de volta. Os pastores de Avraham começaram a brigar com os pastores de Lót, pois os pastores de Lót não se importavam em deixar seus animais pastarem sem autorização dos donos dos campos, o que é considerado roubo, enquanto Avraham era muito rigoroso e nunca permitia que seus animais comessem em campos particulares. Os pastores de Avraham começaram a repreender os pastores de Lót, e a discussão começou a se inflamar. Neste momento Avraham tomou uma atitude drástica, sugerindo a Lót que se separassem imediatamente, como está escrito: "E disse Avram para Lót: 'Por favor, que não haja briga entre mim e você, e entre meus pastores e seus pastores, pois nós somos irmãos… Por favor, se separe de mim. Se você for para a esquerda eu irei para a direita, e se você for para a direita então eu irei para a esquerda" (Bereshit 13:8,9). Porém, sabemos que Lót nunca foi uma boa companhia para Avraham. Lót tinha uma péssima índole e traços de caráter muito negativos, o que ele demonstrou ao escolher viver em Sdom, um lugar de pessoas egoístas e cruéis. Então por que Avraham esperou até este momento para se separar dele?
 
A pergunta fica ainda mais forte ao observarmos o versículo que vem logo após a separação: "E D'us disse para Avram após Lót ter se separado dele" (Bereshit 13:14). As palavras "após Lót ter se separado dele" parecem ser desnecessárias. Segundo Rashi (França, 1040 - 1105), a Torá está nos ensinando que todo o tempo em que Lót estava com Avraham, D'us não se revelou para ele. Isto significa que Avraham não pôde experimentar seu alto nível de profecia, pois a influência negativa de Lót mantinha a Presença Divina afastada dele. O versículo veio ressaltar que apenas quando Lót se afastou de Avraham é que D'us apareceu novamente para ele. Por que Avraham não havia se afastado desde o início de Lót? E após ter aguentado a presença de Lót por tanto tempo, por que ele resolveu justamente neste momento se separar?
 
Responde o Rav Chaim Shmulevitz zt"l (Lituânia, 1902 - Israel, 1979) que do comportamento de Avraham aprendemos duas lições extremamente preciosas. A primeira lição é que certamente Avraham entendeu que Lót "bloqueava" sua espiritualidade. Para resolver o problema bastaria ele se afastar de seu sobrinho. Apesar disso, Avraham continuou próximo de Lót, em um enorme esforço para influenciá-lo de maneira positiva. Daqui aprendemos que ajudar de verdade o próximo implica em estar disposto a até mesmo abrir mão dos nossos ganhos e da nossa própria comodidade.
 
Porém, há uma lição talvez até mais importante. Se Avraham estava tão preocupado com o bem estar de Lót, então por que acabou se separando dele? Pois havia algo que Avraham não podia tolerar: uma Machlóket (disputa). Quando ele viu a briga que se iniciou entre seus pastores e os pastores de Lót, percebeu que a tendência era a briga esquentar cada vez mais, tomando proporções cada vez maiores, e terminaria envolvendo também ele e Lót. Por isso Avraham sentiu a necessidade de imediatamente se separar de Lót. Apesar de saber o prejuízo que seria para Lót, Avraham entendeu que ainda assim era melhor do que permitir que uma Machlóket se iniciasse. Daqui podemos entender um pouco melhor o poder destrutivo de uma Machlóket, e até onde devem ir nossos esforços para evitá-la. A Machlóket é como um fogo, e depois de iniciada, é inevitável que traga brigas, amargura, ódio e Lashon Hará (malediscência).
 
Infelizmente nem sempre aprendemos esta importante lição de Avraham. Atualmente as Machlokót são uma verdadeira praga na nossa sociedade, afetando e dividindo até mesmo famílias e amigos. Quanta destruição é causada nas discussões por questões simples, que certamente não valem a pena quando comparadas com todo o sofrimento que causam. E o que mais dificulta o fim das Machlokót é que nenhuma das partes envolvidas está disposta a dar o primeiro passo em direção à paz. A honra não nos deixa buscarmos a reconciliação, pois temos medo de parecermos fracos. E esta nossa teimosia acaba nos causando muita dor e sofrimento.
 
O Rav Israel Meir HaCohen (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, exemplifica o efeito destrutivo que a honra pode causar ao ser humano utilizando uma história que aconteceu em sua época. Uma Machlóket iniciou-se entre dois homens por motivos banais, mas alcançou proporções tão absurdas que chegou a ameaçar destruir a família de uma das partes envolvidas, a ponto de a família inteira ficar sob risco de ir para a prisão. Quando a esposa, desesperada, implorou para que seu marido desistisse daquela Machlóket tão destrutiva, ele respondeu: "Estou disposto que minha família inteira vá para a prisão, contanto que eu possa vencer esta discussão!".
 
É raro o risco de uma Machlóket chegar ao nível de alguém ser fisicamente preso, mas certamente todos aqueles que se envolvem em Machlokót com amigos e familiares acabam entrando em outro tipo de prisão: a prisão emocional. A pessoa se torna incapaz de se livrar do constante ódio e negativismo, e vive sob constante ansiedade pela possibilidade de encontrar com a pessoa com quem está discutindo. Com isso, até as festas familiares se transformam em verdadeiras torturas, cheias de tensão e desconforto. Certamente é muito melhor passar por cima da nossa honra e ativamente iniciar o processo de paz, mesmo quando achamos que o outro lado é que está errado, do que todas as consequências negativas de uma Machlóket.
 
Uma das fontes da Torá da gravidade das Machlokót e das trágicas consequências àqueles que não as evitam é a história de Korach. Em uma disputa com Moshé Rabeinu pelo poder, Korach acabou morrendo em desgraça e causando a morte de centena de pessoas, incluindo sua família. E assim a Torá diz sobre esta disputa: "Nunca mais haverá como Korach e como seus seguidores" (Bamidbar 17:5). A priori poderíamos pensar que a Torá se refere a nunca mais haver uma Machlóket tão violenta e trágica como esta, mas esclarece o Rav Meir Leibush zt"l (Rússia, 1809 - 1879), mais conhecido como Malbim, que na verdade a Torá está nos ensinando outra preciosa lição. A Machlóket de Korach e Moshé teve uma singularidade que nunca mais ocorrerá em nenhuma outra Machlóket da história: o fato de um dos lados estar 100% certo e o outro lado estar 100% errado. Korach e seus seguidores estavam completamente equivocados em seus argumentos e eram totalmente culpados pelo desenvolvimento da Machlóket. Moshé, ao contrário, agiu de maneira completamente correta e justificável. Isto significa que na prática, se formos realmente sinceros, perceberemos que em qualquer Machlóket que estejamos envolvidos também carregamos alguma parcela de culpa na escalada de ódio e desentendimento, pois a Torá afirmou que nunca mais haveria uma Machlóket onde um dos lados tem 100% da razão. Portanto, o simples fato de uma pessoa pensar que ela está 100% certa já demonstra que ela está errada.
 
Convivemos com pessoas o tempo inteiro, sendo inevitável que surjam conflitos. Quando isto acontece, a pessoa fica diante de duas opções: tentar justificar seu comportamento e, de maneira teimosa e obstinada, se recusar a admitir suas falhas; ou engolir seu orgulho e escolher ser a pessoa "grande" da situação, que dele partirá a tentativa de reconciliação. Muitas questões não são simples e somente podem ser resolvidas com um diálogo sensato e moderado, mas a partir do momento que a pessoa verdadeiramente se comprometeu em buscar a paz, certamente terá sucesso.

Todos os dias, quando terminamos a Amidá (Reza Silenciosa), damos três passos para trás justamente antes das palavras "Aquele que faz a Paz nas alturas, que Ele traga a paz sobre nós". Isto nos ensina que, se queremos a paz de verdade, devemos começar dando três passos para trás, isto é, sabendo ceder para acabar com a discussão. A pessoa que se recusa a dar alguns passos para trás para chegar a um consenso apenas prolongará a aumentará a amargura na sua vida. Já aquele que aprende a ceder estará se comportando como Avraham Avinu, que fazia tudo o que podia para alcançar a paz. Apenas quando aprendermos a dar os três passos para trás, poderemos chegar a dar os três passos para frente na vida. 

SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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