sexta-feira, 7 de agosto de 2015

GRANDES PEQUENOS ATOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EKEV 5775

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

GRANDES PEQUENOS ATOS - PARASHÁ EKEV 5775 (07 de julho de 2015) 

Há alguns anos, Aharon Feldman (nome fictício), um judeu de Dallas, foi pela primeira vez para Israel e ficou extremamente tocado com o país, com seu povo e particularmente com a Emuná (fé) das pessoas. Quando ele visitou o Muro das Lamentações, ficou fascinado pela sinceridade e intensidade com a qual um judeu Chassídico fazia sua Tefilá (reza). Ele balançava para frente e para trás, completamente absorto em sua conversa com D'us. Em toda sua vida Aharon nunca havia visto alguém derramar seu coração diante de D'us com tanta pureza. Naquele momento Aharon decidiu que, assim que voltasse para casa, faria uma generosa doação de Tzedaká (caridade) pelo mérito daquele Chassid que ele nem mesmo sabia quem era.
 
Assim que voltou para Dallas, Aharon tentou procurar na cidade alguma sinagoga na qual aquele Chassid se sentiria confortável em rezar. Um dia ele entrou em uma sinagoga ortodoxa, quase no fim de Shacharit (reza da manhã). Aharon começou a analisar o lugar e seus frequentadores, todos eles vestindo seus Tefilin e cobertos com seus Talitót. O homem se encantou com aquele lugar e decidiu que sua busca havia chegado ao fim, pois aquele era o lugar para o qual ele daria sua doação.
 
Depois da reza, o rabino da sinagoga foi dar as boas vindas àquele estranho. Para a surpresa do rabino, o aperto de mão veio junto com um cheque de 10 mil dólares. Era uma enorme quantia, que podia ajudar muito nas atividades religiosas da sinagoga. Uma Tzedaká (caridade) dada por um homem que o rabino mal conhecia, em mérito de um homem que nenhum dos dois jamais voltaria a ver na vida. E aquele momento acabou tornando-se apenas o início de um envolvimento cada vez maior daquele doador com a sinagoga de Dallas, o que possibilitou que a sinagoga crescesse e pudesse fazer muitas atividades em prol do povo judeu. (História Real)
 
A história certamente não terminou aqui. Quando aquele Chassid for para o Céu, D'us começará a fazer a contabilidade dele, levando em consideração os bons e maus atos feitos na vida. Então D'us incluirá os méritos daquela doação na sinagoga de Dallas e todos os frutos positivos que nasceram disto. O Chassid, espantado, dirá para D'us: "Há algum engano aqui. Eu nunca fui para Dallas, e muito menos fiz uma doação de 10 mil dólares!". Então D'us explicará que, por causa daquela Tefilá feita com tanta Kavaná no Muro das Lamentações, ele havia meritado todas as consequência positivas que vieram depois. Naquele momento o Chassid entenderá como são importantes cada um dos pequenos atos que fazemos neste mundo, e o impacto que eles têm sobre nós mesmos, sobre os outros à nossa volta e sobre o mundo inteiro. 

**************************************************** 

A Parashá desta semana, Ekev, começa com a promessa de D'us que, caso o povo judeu siga as leis e estatutos da Torá, receberá muitas recompensas, como está escrito: "E eis que, pelo fato de vocês terem escutado estas leis... E (D'us) amará vocês, e os abençoará" (Devarim 7:12,13). Na verdade este tema se repete diversas vezes na Torá, sempre D'us condicionando as Brachót (bênçãos) aos nossos bons atos. Porém, nesta Parashá, um termo incomum é utilizado: "Ekev". O significado literal seria "pelo fato de", mas Rashi traz uma explicação alternativa para a utilização deste termo. A palavra "Ekev" também significa "calcanhar", e é uma alusão às Mitzvót que as pessoas tendem a tratar de forma leviana. Como são Mitzvót que parecem ser pouco importantes, as pessoas tendem a "pisar sobre elas com seus calcanhares", isto é, desprezar seu cumprimento. Por isso a Torá veio nos comandar a sermos cuidadosos inclusive no cumprimento destas Mitzvót que normalmente são negligenciadas.
 
Apesar de parecer um ensinamento sem muita importância, se prestarmos atenção em nossos atos, perceberemos que caímos frequentemente nesta armadilha em nossas vidas. Por exemplo, nós pensamos que honestidade significa ter a oportunidade de roubar uma grande quantidade de dinheiro e conseguir vencer a tentação. Entretanto, o verdadeiro teste de honestidade não é com grandes valores de dinheiro, é justamente com os pequenos valores. A pessoa é testada em sua honestidade quando recebe troco a mais no banco, quando pensa em enganar o seguro saúde e pedir um reembolso maior do que foi gasto ou quando compra produtos pirateados. Em casos como estes, muitos acabam optando por fazer o que é incorreto, baseando-se em uma série de racionalizações para justificar seus maus atos. Portanto, não é a honestidade que faz com que estas pessoas não roubem valores maiores de dinheiro, e sim o medo de serem pegas pela polícia ou a falta de racionalização para maldades tão descaradas.
 
Na realidade, a pessoa que é cuidadosa mesmo com as pequenas coisas tem muito mais chance de enfrentar com sucesso os grandes testes da vida. Por exemplo, se a pessoa se acostuma a ser excessivamente honesta, isto se torna parte do seu caráter. Desta maneira, mesmo que ela seja submetida a um grande desafio de honestidade, é muito provável que sairá vitoriosa. Em outras palavras, o nosso caráter não é construído durante os momentos de grandes testes, e sim na nossa luta diária para nos tornarmos pessoas melhores.
 
Muitas batalhas que surgem em nossas vidas poderiam ser vencidas se mantivéssemos a constância do nosso caráter. Nossos sábios explicam que o Tzadik (justo) não é aquele que nunca cai, e sim aquele que cai repetidas vezes, mas após cada queda ele se levanta e se reforça em alguma área para não voltar a cair. E o contrário também é válido, pois o Rashá (malvado) não é a pessoa que faz o mal, e sim aquele que quando cai, ao invés de tentar se levantar e não repetir mais seu erro no futuro, desiste e se deixa levar por seus maus instintos. Portanto, errar é algo que acontece com todos, tanto os Tzadikim quanto os Reshaim. A diferença está após a queda, se a pessoa vai decidir se levantar e melhorar, ou se vai preferir ficar no chão, reclamando das dificuldades da vida. Adam e Chavá não foram expulsos do Gan Éden por causa da transgressão que cometeram, e sim por não terem admitido seu erro e por não terem se responsabilizado por seu mau ato.
 
Outra mensagem que a Parashá também nos transmite é em relação ao cuidado com a nossa avaliação distorcida sobre quais são as coisas mais importantes e quais são as coisas secundárias em nossas vidas. Em especial na nossa sociedade ocidental, na qual nossos valores são moldados por Hollywood e pelos estilistas italianos. Isto pode acabar custando caro, quando desprezamos valores verdadeiros e importantes na vida por causa de uma visão distorcida. É como uma pessoa que monta sobre o teto do carro um bagageiro portátil. Sem ler o manual de instruções, a pessoa começa a montar utilizando apenas a sua lógica, através de tentativa e erro, encaixando uma peça na outra. O que acontece no final? Sobram alguns pequenos parafusos, que aparentemente não servem para nada, e por isso são jogados no lixo. No meio da viagem, a pessoa faz uma parada em um posto de gasolina e constata, para seu desespero, que o bagageiro portátil colapsou e foi perdendo partes ao longo do caminho. Aqueles pequenos parafusos eram justamente os componentes que fixavam as partes móveis, e por terem sido jogadas no lixo, deixaram o conjunto inteiro desmontar.
 
A vida também é assim. Se não soubermos quais são as prioridades, se "pisarmos com o calcanhar" em valores importantes e verdadeiro por acharmos que não são importantes, temos grande chances de colapsar no futuro. O mais triste é que, como na história do bagageiro portátil, só percebemos nosso erro no meio da viagem, quando fazemos um retrospecto e percebemos quantas coisas importantes ficaram para trás. Alguns ainda conseguem se reconstruir, mas para muitos acaba sendo tarde demais.
 
Esta é uma das grandes vantagens do judaísmo. Diferente da cultura ocidental, onde os valores mudam constantemente e nos deixam perdidos em relação à direção na qual devemos caminhar, podemos confiar que os valores eternos da Torá são corretos e nos levam para a direção correta na vida. Os ensinamentos da Torá resistiram aos desafios do tempo e, apesar das rápidas mudanças que o mundo sofreu, continuam extremamente relevantes e atuais. As tecnologias podem evoluir, mas o ser humano, e principalmente a nossa alma, não mudaram, e a Torá ensina quais são as nossas reais necessidades e como preenchê-las.
 
Estamos sempre esperando por grandes eventos que possam nos inspirar e nos levar a patamares espirituais mais elevados. Ansiamos por encontrar um grande amor, por um por do sol estonteante, por uma incrível viagem exotérica ao Nepal, pois acreditamos que somente assim alcançaremos o crescimento que buscamos. Mas isto faz com que estejamos sempre no "banco de reservas", esperando o momento de entrar em campo. A verdade é que já estamos no meio do jogo, e o momento mais importante das nossas vidas é o "agora". Não são os grandes atos que vão mudar o mundo, e sim os pequenos atos do cotidiano. Por isso, não fique esperando o momento certo, faça com que o "agora" seja o momento certo, para mudar a sua própria vida, a das pessoas à sua volta e do mundo inteiro.  

SHABAT SHALOM                                           
 
Rav Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:

                   São Paulo: 17h26  Rio de Janeiro: 17h14                     Belo Horizonte: 17h20  Jerusalém: 18h55
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Lea bat Sara, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Ruth bat Messoda, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Nitzchia bat Yafa.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam, Michael Ezra ben Esther, Clarice Chaia bat Israel, Moshe ben Yaacov, Dov ben Michel, Alberto ben Michel, Malaka bat Chalom.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2014 All rights reserved.

Our mailing address is:
efraimbirbojm@gmail.com

unsubscribe from this list    update subscription preferences 






This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

quinta-feira, 30 de julho de 2015

ENSINANDO PARA APRENDER - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5775

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

ENSINANDO PARA APRENDER - PARASHÁ VAETCHANAN 5775 (31 de julho de 2015)

Certa vez o Rav Avraham Yeshayahu Karelitz zt"l (Bielorrússia, 1878 - Israel, 1953), mais conhecido como Chazon Ish, foi fazer uma visita à Yeshivá de Ponovitz, que ficava na mesma cidade em que ele morava, Bnei Brak. Ele percebeu que havia novos estudantes na Yeshivá que estavam tendo muita dificuldade para acompanhar as aulas e se aprofundar nos estudos. O Chazon Ish sugeriu que os alunos mais velhos da Yeshivá, que já tinham um maior domínio do assunto estudado, dedicassem uma pequena parte do dia para estudar com os alunos mais novos. Os alunos mais velhos responderam que gostariam muito, mas que infelizmente não tinham tempo sobrando para isso, pois estavam extremamente ocupados com seu próprio estudo de Torá. Mas o Chazon Ish não desistiu. Ele pediu para que a seguinte mensagem fosse transmitida aos alunos mais velhos:
 
- Eu sei que vocês colocam Tefilin todos os dias. Mas como isto é possível, se é um ato que tira o tempo de estudo de Torá de vocês? A resposta é que vocês encontram tempo para colocar Tefilin todos os dias pois sabem que é uma Mitzvá da Torá. Porém, vocês estão desprezando uma Mitzvá que não é menos importante do que a Mitzvá de Tefilin: a Mitzvá de dedicar parte do tempo de vocês para ajudar os alunos mais novos com o estudo de Torá deles.
 
O Chazon Ish estava transmitindo aos alunos de Ponovitz que ensinar Torá aos outros deve ser visto como uma obrigação, com as mesmas rigorosidades que aplicamos a todas as outras Mitzvót da Torá. Por isso, o argumento de "não tenho tempo" torna-se algo completamente infundado e sem sentido. 

**************************************************** 

Na Parashá desta semana, Vaetchanan, Moshé continuou seu discurso de despedida, relembrando muitos erros cometidos pelo povo judeu, inclusive o erro que o levou a ser castigado por D'us e não entrar na Terra de Israel. Depois disso a Parashá fala também sobre as cidades de refúgio, repete os 10 Mandamentos e traz o primeiro parágrafo do Shemá Israel, incluindo o famoso trecho "Escuta, Israel. Hashem é nosso D'us, Hashem é um" (Devarim 6:4).
 
Há algo interessante na continuação do Shemá Israel: "E que estas palavras que Eu ordeno hoje a vocês estejam sobre seus corações. E você deverá ensiná-las aos seus filhos, e deverá falar delas quando se sentar na sua casa, quando você andar no caminho, quando você se deitar e quando você se levantar" (Devarim 6:6,7). Nossos sábios explicam que esta é a fonte da Mitzvá de "Talmud Torá" (Estudo da Torá), a Mitzvá que é descrita como sendo equivalente a todas as outras Mitzvót juntas. Mas por que, surpreendentemente, a Mitzvá de estudar Torá não diz "você deve estudar", e sim "você deve ensinar"?
 
O Rav Avraham Shmuel Binyamin Sofer zt"l (Hungria, 1815 - 1871), mais conhecido como Ktav Sofer, explica que o versículo sim nos instrui a estudar a Torá, ao afirmar "vedibarta bam" (e deverá falar delas). Mas mesmo assim a dúvida continua, pois apesar do versículo estar nos instruindo a estudar Torá, isto é falado somente depois da instrução de ensiná-la. Como alguém pode ensinar algo que ainda não estudou? Por que a Torá inverteu a ordem? Ele responde que, ao inverter a ordem, a Torá nos ensina um fundamento muito importante da Mitzvá de "Talmud Torá": mesmo o estudo particular da pessoa deve ser feito com o propósito final de ensinar Torá aos outros. A fonte principal de "Talmud Torá" é "deverá ensiná-las" pois o propósito do nosso estudo de Torá é nos tornarmos pessoas capazes de transmiti-la aos outros.
 
Obviamente que estudar Torá não é apenas um meio para estarmos apto a ensiná-la aos outros. A pessoa precisa estudar Torá para conseguir construir seu relacionamento com D'us, pois a Torá é o nosso "Manual de instruções" espiritual. Apesar disso, fica claro através dos comentários do Ktav Sofer o quanto estudar Torá sem ensiná-la deixa um grande "vazio" no cumprimento da Mitzvá de "Talmud Torá". Baseado nisto, os nossos sábios ensinam: "Aquele que estuda para ensinar é dado a ele a oportunidade de estudar e ensinar" (Pirkei Avót 4:5). Isto significa que querer ensinar é um requisito essencial para o foco do nosso estudo, e aquele que apenas estuda e não ensina nunca chegará a ser completo em seu "Talmud Torá". É por isso que o versículo ressalta o "ensinar" antes do "estudar".
Há mais um detalhe no versículo que ensina outro aspecto da Mitzvá de "Talmud Torá". Normalmente o verbo utilizado para "ensinar" é "Lelamed", mas neste versículo o verbo utilizado é "Veshinantam". Rashi (França, 1040 - 1105) explica que a linguagem "veshinantam" implica em um maior nível de claridade no entendimento de algo, de maneira que caso alguém faça uma pergunta, a pessoa pode responder sem gaguejar. Daqui aprendemos que, quando uma pessoa estuda como uma preparação para ensinar, ela ganha um nível de entendimento e claridade muito maior. Como a pessoa sabe que será desafiada no seu entendimento e na sua explicação, isto serve como um incentivo para que ela estude com mais interesse e cuidado. É isto o que o Talmud quis transmitir ao afirmar: "Aprendi muita Torá dos meus professores, mais ainda dos meus amigos, e acima de tudo dos meus alunos" (Makót 10a).
 
Porém, poderíamos pensar que tudo isto se aplica apenas às situações nas quais nós também temos benefício direto do que estamos ensinando, como quando os alunos já conhecem Torá e nos deixarão mais "afiados" com suas perguntas e comentários. Mas explica o Rav Moshé Schreiber zt"l (Alemanha, 1762 - Eslováquia, 1839), mais conhecido como Chatam Sofer, que isto também é valido para aquele que abre mão do seu próprio crescimento pessoal em prol da espiritualidade dos outros. Aprendemos isto do comportamento de Avraham Avinu, que dedicou seu tempo e seus esforços para ensinar ateus ignorantes sobre a existência de D'us, ao invés de focar em seu próprio crescimento. Neste tipo de situação, apesar de parecer que a pessoa deixará de ganhar ao abrir mão do seu próprio crescimento, a verdade é que ocorre justamente o contrário. É óbvio que devemos nos esforçar, mas todo o conhecimento que adquirimos não é fruto do nosso esforço, e sim consequência da misericórdia de D'us, o Dono de todo o conhecimento. Quando Ele vê alguém se esforçando, tem misericórdia e dá para ele conhecimento e entendimento das coisas. Já aquele que abandona seus próprios interesses em prol dos outros recebe ainda mais misericórdia de D'us. Apesar de ter menos tempo para investir no seu próprio crescimento espiritual, D'us faz com que ele possa conseguir crescer em menos tempo e atingir níveis espirituais que vão além do entendimento lógico do ser humano.
 
Das palavras do Shemá aprendemos que ensinar Torá aos outros é parte essencial da Mitzvá de "Talmud Torá", e que aquele que ensina pode colher benefícios incalculáveis, diretos e indiretos. Como outras Mitzvót, ensinar Torá aos outros não é apenas um ato de Chessed (bondade), e sim uma obrigação. Muitos sábios de Torá, como o Rav Moshe Feinstein zt"l (Lituânia, 1895 - EUA, 1986), legislaram que, da mesma maneira que uma pessoa deve doar para pessoas necessitadas parte do dinheiro que recebe mensalmente, assim também todo aquele que tem recursos e aptidões está obrigado a doar parte do seu tempo para ajudar na espiritualidade dos outros.
 
Um último ponto interessante deste versículo do Shemá Israel é a linguagem "deverá ensiná-la aos seus filhos". Rashi explica que não se refere aos filhos biológicos, e sim aos alunos. Então por que a Torá não escreveu "deverá ensiná-la aos seus alunos"? Para ressaltar que há um paralelo muito forte entre ensinar Torá a um aluno e conceber um filho. Quando uma pessoa traz uma criança ao mundo, ela está dando a esta criança o incrível presente da vida. De maneira semelhante, quando uma pessoa ensina Torá para outra pessoa, está dando a ela a oportunidade de alcançar a vida eterna. Portanto, ao ensinar Torá, a pessoa alcança o mesmo potencial que tem os pais: o potencial de dar vida. De acordo com o Talmud (Baba Metsia 33a), ensinar Torá para uma pessoa é considerado um Chessed ainda maior do que concebê-la, pois os pais trazem os filhos para o Olam Hazé (mundo material), enquanto o professor de Torá tem o potencial de, ao ensinar sabedoria e Torá ao próximo, trazê-lo para o Olam Habá (Mundo Vindouro), para a vida eterna.
 
Para podermos compartilhar da nossa espiritualidade com os outros não é necessário ser rabino. Convidar uma pessoa afastada para experimentar uma refeição de Shabat, compartilhar com os outros alguma ideia bonita que escutamos em uma aula de Torá ou dedicar parte do nosso tempo para ensinar pessoas a cumprir Mitzvót são apenas alguns exemplos de como podemos dedicar parte do nosso tempo para ajudar outras pessoas.
 
Quando estivermos procurando algum bom ato para fazer, algo que possa ajudar os outros, não devemos esquecer que ensinar Torá para alguém e compartilhar da nossa espiritualidade é uma das maiores e mais completas bondades que um ser humano pode fazer na vida.

SHABAT SHALOM                                           
 
Rav Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:

                   São Paulo: 17h24  Rio de Janeiro: 17h11                     Belo Horizonte: 17h18  Jerusalém: 19h01
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Lea bat Sara, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Ruth bat Messoda, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Nitzchia bat Yafa.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam, Michael Ezra ben Esther, Clarice Chaia bat Israel, Moshe ben Yaacov, Dov ben Michel, Alberto ben Michel, Malaka bat Chalom.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2014 All rights reserved.

Our mailing address is:
efraimbirbojm@gmail.com

unsubscribe from this list    update subscription preferences 






This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

sexta-feira, 24 de julho de 2015

JULGANDO COM JUSTIÇA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM 5775

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

JULGANDO COM JUSTIÇA - PARASHÁ DEVARIM 5775 (24 de julho de 2015) 

Avraham, um jovem estudante de Torá, mudou-se para uma Yeshivá de Israel onde iria estudar. Logo no primeiro dia, na reza da manhã, ele percebeu que um dos alunos da Yeshivá começou a tirar seu Tefilin antes do final da reza e depois correu em direção ao refeitório. Avraham ficou irritado com aquela demonstração de descaso com a Tefilá (reza). Ficou imaginando que o rapaz era alguém sem autocontrole, cujo desejo pela comida não o permitia esperar até o final da Tefilá, como os outros alunos.
 
Avraham terminou sua Tefilá, pensando em como ele era Tzadik (Justo) e como aquele outro aluno era egoísta e descontrolado. Ele tirou seu Tefilin e foi para o refeitório tomar o seu café da manhã. Foi então que Avraham viu o rapaz que havia saído antes do final da Tefilá. Ele estava dentro da cozinha, vestindo um avental e voluntariamente ajudando a preparar o café da manhã dos outros alunos da Yeshivá. Depois Avraham soube que todos os dias aquele rapaz terminava sua Tefilá correndo, justamente para poder fazer Chessed (bondade) com os outros alunos.
 
Avraham entendeu que havia julgado aquele rapaz de forma precipitada. Pois na verdade, o rapaz era uma pessoa muito altruísta, enquanto na verdade o verdadeiro egoísta era ele mesmo. 

**************************************************** 

Na Parashá desta semana, Devarim, Moshé começou a relembrar muitos dos momentos vividos pelo povo judeu durante os 40 anos no deserto, e criticou duramente o povo por muitos dos graves erros cometidos. E logo depois do Shabat começa Tishá Be Av, o dia mais triste do ano, no qual choramos ao relembrar as grandes tragédias que recaíram sobre o povo judeu durante a nossa história, como a destruição dos dois Templos Sagrados e a expulsão dos judeus da Espanha e Portugal em 1492. Em geral, Tishá Be Av cai junto com a Parashá Devarim. Qual é a conexão entre os dois?
 
Um dos pontos que Moshé relembrou foi como era pesado para ele julgar sozinho todo o povo, e a solução sugerida por seu sogro, Itró, de apontar pessoas retas e íntegras do povo como juízes, que o auxiliariam nos casos mais simples. Moshé também relembrou as instruções que ele passou aos juízes escolhidos: "Escutem entre os seus irmãos, e julguem com justiça" (Devarim 1:16). Mas estas palavras de Moshé precisam de explicação, pois por que dizer aos juízes que eles deviam escutar as partes envolvidas antes de dar o veredicto final, se era algo óbvio? Além disso, por que o versículo diz "escutem entre os seus irmãos" e não simplesmente "escutem seus irmãos"? E finalmente, por que era necessário Moshé ressaltar aos juízes que eles deveriam sempre julgar com justiça e retidão, se o papel de um juiz é justamente ser alguém justo e reto para definir quem tem a razão?
 
Rashi (França, 1040 - 1105) explica que Moshé estava exigindo dos juízes que eles fossem extremamente cuidadosos em cada julgamento, e mesmo que vários casos similares já tivessem sido julgados por aquele tribunal, eles não deveriam julgar de forma precipitada. Esta é a fonte da primeira Mishá do Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Sejam cautelosos no julgamento" (1:1). Aparentemente esta Mishná nos ensina que cada situação tem nuances que podem afetar e resultado do julgamento, e por isso cada caso deve ser analisado com cuidado.
 
Apesar deste ensinamento de Moshé também se aplicar para casos criminais, ele está escrito em um contexto de casos civis, pois foi utilizada a linguagem "entre os seus irmãos", isto é, em casos onde há algum tipo de disputa. Porém, o ensinamento de "sejam cautelosos no julgamento" deveria ter sido ensinado em um caso criminal. Um veredicto equivocado em um caso civil, como a disputa por um bem material, pode ser facilmente revertido se o Beit Din (Tribunal Rabínico) identificar o erro. Mas um erro do Beit Din no julgamento de um crime pode ter consequências muito mais graves e, portanto, neste caso o Beit Din deveria ser muito mais cuidadoso. Então por que o ensinamento é em um contexto civil e não criminal? E, além disso, se é tão importante ser uma pessoa ponderada e cautelosa nos nossos atos, por que a Torá não aplica esta exigência também a outros profissionais, como os médicos, cuja falta de cautela pode resultar na perda de uma vida?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que, no mundo empresarial, a grande maioria das disputas civis não ocorre entre indivíduos que sempre mantiveram um relacionamento conflituoso, pois neste caso as duas partes tentam deixar bem claro quais serão as medidas tomadas caso surjam situações indesejadas e tomam as precauções necessárias para evitar maus entendidos. As disputas costumam ocorrer justamente quando há um elemento de confiança entre as partes, e por causa desta confiança, muitos detalhes técnicos, como recibos e contratos, acabam sendo deixados de lado, abrindo brechas para desentendimentos e dúvidas.
Quando a confiança inicial é quebrada e inicia-se uma disputa, cada uma das partes tem uma percepção subjetiva da realidade, e por isso cada um percebe os fatos de acordo com as suas próprias predisposições e tendências. Nos casos em que esta disputa não pode ser resolvida sem a ajuda do Beit Din, então os juízes devem estar cientes que cada pessoa está aderindo às suas percepções distorcidas e está completamente relutante em enxergar a percepção da outra parte envolvida, fato que dificulta a reconciliação. E pelo fato de nenhuma das duas percepções representarem a realidade objetiva, então é responsabilidade dos juízes verificar e encontrar a verdade objetiva a partir das duas opiniões subjetivas dos litigantes.
 
Este conceito nos ajuda a entender um intrigante ensinamento dos nossos sábios: "Quando os litigantes estiverem diante de você, considere ambos como culpados, mas quando eles partirem de você, considere ambos como inocentes" (Pirkei Avót 1:8). O Pirkei Avót não está indo contra o conceito de que a pessoa deve ser considerada inocente até que provem a sua culpa. Mas no momento da argumentação, o juiz deve ver os litigantes como se fossem culpados, pois certamente cada um deles está apresentando a sua percepção distorcida dos fatos, e é obrigação do juiz não acreditar cegamente nas palavras de nenhum dos litigantes sem verificá-las bem. É justamente isto o que Moshé estava transmitindo aos juízes. Um juiz tem que tomar muito cuidado para julgar de maneira correta. Nunca dois casos são iguais, pois cada pessoa entende as coisas de acordo com a sua própria perspectiva, e determinar a verdade objetiva a partir das argumentações subjetivas dos litigantes exige muita cautela. Por isso os casos civis, onde há disputas entre dois litigantes, exige mais cuidado até mesmo do que casos criminais.
 
Por que a Torá se preocupou somente em ensinar este conceito aos juízes e não aos médicos? Pois ao contrário do juiz, o maior colaborador do médico para chegar a um diagnóstico correto e preciso é o próprio paciente. Baseado nas reclamações do paciente, nos sintomas e nas dores que ele relata, o médico consegue chegar ao diagnóstico da enfermidade. Já os litigantes têm um relacionamento conflituoso com o juiz, pois o juiz está buscando a verdade objetiva, enquanto os litigantes estão oferecendo uma percepção subjetiva da realidade. Por isso é um grande feito quando um juiz consegue ter sucesso e se proteger das enganações dos litigantes. É por causa desta grande dificuldade que a Torá sentiu a necessidade de ordenar aos juízes que eles se protejam, na busca pela verdade, contra as enganações e visões subjetivas do caso.
 
Qual a conexão com Tishá Be Av? Esquecemos que não apenas os juízes fazem julgamentos. Cada um de nós, no nosso dia a dia, também está constantemente julgando as outras pessoas. E da mesma maneira que os juízes devem ser cautelosos e ponderados nos julgamentos de disputas civis ou na elucidação de casos criminais, nós também devemos ser muito cuidadosos com a maneira como julgamos os outros. Normalmente somos muito apressados em julgar e rotular as pessoas de maneira negativa, por pequenas atitudes que elas fizeram que pareciam erradas aos nossos olhos.
 
Ensinam os nossos sábios que o Primeiro Templo Sagrado foi destruído por que o povo judeu estava praticando as três transgressões mais graves: idolatria, relações ilícitas e assassinato. Mas após a destruição do Templo e o exílio do povo judeu, eles se arrependeram e consertaram seus graves erros, e em 70 anos o Templo foi reconstruído. Porém, o Segundo Templo Sagrado foi destruído pelo ódio gratuito e por causa do Lashon Hará (maledicência) que havia dentro do povo judeu. Infelizmente já se passaram mais de dois mil anos e não tivemos ainda o mérito de reconstruir o Templo Sagrado. Isto significa que, mesmo após tanto tempo, ainda não conseguimos consertar estes erros tão graves.
 
Por que é tão difícil não falar Lashon Hará? Pois o Lashon Hará é uma consequência direta de não julgarmos as pessoas de forma positiva e favorável. Falamos Lashon Hará porque consideramos que nós estamos sempre certos e aqueles que discordam de nós estão sempre errados. Falamos Lashon Hará pois consideramos que a nossa forma de viver é a perfeita e ideal, e portanto todo aquele que é mais rigoroso do que nós é visto como um fanático, enquanto aquele que é menos rigoroso do que nós é desleixado. Falamos Lashon Hará pois não damos aos outros o benefício da dúvida, da mesma maneira que gostaríamos que os outros dessem quando nós cometemos algum erro. Por exemplo, quando alguém chega atrasado a uma reunião, imediatamente é visto como um irresponsável, enquanto quando nós chegamos atrasados, esperamos que as pessoas sejam compreensivas e entendam que o trânsito estava caótico.
 
Pensamos que tragédias somente podem ocorrer quando juízes erram nos julgamentos de casos criminais. Mas Tishá Be Av é um lembrete constante de que os erros de julgamento no nosso dia a dia podem ser ainda mais trágicos.

SHABAT SHALOM                                           
 
Rav Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:

                   São Paulo: 17h21  Rio de Janeiro: 17h08                     Belo Horizonte: 17h16  Jerusalém: 19h06
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Lea bat Sara, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Ruth bat Messoda, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam, Michael Ezra ben Esther, Clarice Chaia bat Israel, Moshe ben Yaacov, Dov ben Michel, Alberto ben Michel, Malaka bat Chalom.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2014 All rights reserved.

Our mailing address is:
efraimbirbojm@gmail.com

unsubscribe from this list    update subscription preferences 






This email was sent to efraimbirbojm.netivot@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp