sexta-feira, 24 de outubro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NOACH 5775

BS"D
RECONHECENDO O VERDADEIRO DONO - PARASHÁ NOACH 5775 (24 de outubro de 2014)

"Quando o pequeno Moishe foi ao banco pela primeira vez com seu pai, observou que o homem que trabalhava no caixa entregava muito dinheiro a um cliente e recebia uma quantia grande de outro. Ele encantou-se com a quantidade de dinheiro que passava pelo caixa. Ao sair, virou-se para o pai e disse:

- Aquele homem por trás do balcão deve ser um milionário. Viu só quanto dinheiro ele tem?

- Não é bem assim - disse o pai - Você e eu talvez sejamos mais ricos do que ele. O dinheiro que ele recebe e entrega não lhe pertence, é do banco. Se ele abusar deste privilegio e entregar ou guardar um real a mais, pode perder seu emprego e o privilegio de lidar com o dinheiro. Ele deve sempre ter em mente a origem do dinheiro e a quem ele realmente pertence."

Assim também devemos olhar a vida. Nossos talentos e as riquezas que acumulamos são nossos somente porque D'us nos deu, para utilizarmos no nosso trabalho espiritual. Mas se esquecermos de que Ele é o verdadeiro Dono e fizermos mau uso das nossas conquistas, podemos acabar perdendo tudo.

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Nesta semana lemos a Parashá Noach, que descreve dois episódios que mudaram a história da humanidade: o grande dilúvio que ocorreu nos dias de Noach (Noé) e que destruiu o mundo inteiro, e a construção da Torre de Bavel, que marcou o início da mistura das línguas no mundo. E estes dois eventos têm um importante ponto em comum: tanto o dilúvio quanto a mistura das línguas foram castigos aplicados por D'us por causa de erros que a humanidade estava cometendo.

Na geração do dilúvio, a humanidade havia se corrompido e se desviado dos caminhos corretos, e transgressões como o roubo e a promiscuidade se tornaram comuns. Já o erro da Torre de Bavel foi a própria construção da torre, como está escrito: "Venham, vamos construir para nós uma cidade e uma torre cujo topo chegue aos céus" (Bereshit 11:4). Mas o que há de tão mal em construir uma torre que chegue até o céu? Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, explica que eles queriam chegar até o céu para lutar contra D'us. Porém, quem em sã consciência tentaria lutar contra o Criador do Universo? Por que aquela geração cometeu um erro assim tão grave?

Há ainda outra pergunta que surge quando prestamos atenção em um dos primeiros versículos que descrevem a construção da Torre de Bavel: "Venham, vamos fazer tijolos e queimá-los no fogo. E o tijolo servirá como pedra, e o betume servirá com argamassa" (Bereshit 11:3). Sabemos que a Torá não gasta nem mesmo uma letra de maneira desnecessária. Se o problema da Torre de Bavel era uma rebeldia contra D'us, então qual a importância de sabermos com que materiais a torre foi construída? E por que ressaltar que foi utilizado o tijolo ao invés da pedra?

Explica o Rav Yohanan Zweig que neste pequeno detalhe está a chave para entender qual foi a fonte do erro que aquela geração cometeu. Apesar de parecer apenas um detalhe construtivo, há uma diferença crucial entre uma casa construída com pedras e uma casa construída com tijolos. As pedras utilizadas nas construções eram retiradas de pedreiras naturais. Quando uma pessoa vive em uma casa de pedras, ela sente que está vivendo no mundo de D'us, pois está cercada por materiais que vêm diretamente da natureza, com pouca intervenção humana. Já quando uma pessoa fabrica tijolos e os utiliza para construir sua casa, ela pode ter a sensação de que sua moradia é desconectada de D'us, pois foi ele próprio o responsável por processar os materiais utilizados na construção.

O propósito da Torre de Bavel era ir contra o Criador do mundo, tentando negar Seu controle sobre todo o universo e atribuindo ao ser humano o poder de controlar o mundo. Isto é ressaltado pelo versículo inicial sobre a construção da Torre de Bavel: "E toda a terra tinha apenas uma linguagem e um propósito comum" (Bereshit 11:1). Rashi explica que a expressão "Dvarim Achadim" (propósito comum) tem um significado mais profundo. A palavra "Achadim" vem da mesma raiz que a palavra "Ichud", que significa "unicidade". Isto quer dizer que os seres humanos estavam querendo anular o "Ichudo Shel Olam", isto é, a noção da Unicidade de D'us, o único e verdadeiro Poder que controla todo o universo. E por que isto aconteceu justamente naquela geração? Pois quando eles começaram a alcançar avanços tecnológicos, acharam que podiam controlar o mundo. Por isso chegaram ao ponto de construir uma torre gigantesca para lutar contra D'us.

Explica o Rav Avraham ben Meir (Espanha, 1092 - 1167), mais conhecido como Ibn Ezra, que o versículo "e o tijolo servirá como pedra" demonstra que as pessoas intencionalmente deram preferência ao uso do tijolo, refletindo a percepção daquela geração de que eles estavam vivendo em um mundo em que eles mesmo haviam criado, na ilusão de que D'us não mais exercia Sua autoridade sobre o mundo.

Infelizmente nós muitas vezes cometemos os mesmos erros das gerações anteriores, e nos deixamos cegar pelos avanços tecnológicos da humanidade. Quanto mais o ser humano progride em suas buscas tecnológicas, mais ele se torna propenso a perder de vista que D'us é a única autoridade no mundo. Ao invés de utilizarmos os avanços tecnológicos para nos conectarmos a D'us, utilizamos para procurar novos fenômenos que possam explicar um mundo sem Ele.

O próprio nome dado a Noach traz este conceito. Noach vem da mesma raiz de "Menuchá", que significa "descanso". Por que o pai de Noach deu a ele este nome? Explicam nossos sábios que desde o erro de Adam Harishon, a terra havia sido amaldiçoada. Quando o trigo era plantado, ao invés de nascerem espigas, praticamente nasciam apenas espinhos. Mas o pai de Noach sabia que a maldição se aplicaria com toda a sua força apenas enquanto Adam estava vivo. Noach foi o primeiro ser humano a nascer depois da morte de Adam e, portanto, seu pai sabia que seu nascimento marcaria uma época de descanso e tranquilidade ao mundo. E Noach realmente fez uma grande diferença, pois inventou equipamentos agrícolas, desenvolveu novas técnicas e facilitou o trabalho no campo.

Porém, a Torá nos ensina que foi justamente a geração de Noach, aquela geração que usufruiu dos benefícios dos primeiros avanços tecnológicos, que foi destruída no terrível dilúvio que quase apagou a humanidade da face da Terra. Por que? Pois eles também não souberam utilizar os avanços tecnológicos para se conectarem com D'us. Com as novas técnicas e equipamentos, as pessoas precisavam trabalhar menos. Mas ao invés de fazer algo construtivo com o tempo livre que surgiu, as pessoas acabaram utilizando-o para pensar em besteiras, se corrompendo e chegando a grandes desvios.

Se o mal uso das tecnologias já foi suficiente para desviar a geração de Noach, muito maior deve ser o nosso cuidado, pois vivemos em um tempo no qual os avanços tecnológicos praticamente nos atropelam. Nos 200 anos após a Revolução Industrial foram feitas mais invenções do que nos 5 mil anos anteriores. Estamos agora em uma nova fase, a Revolução Digital, na qual as mudanças são ainda mais frenéticas. Quando compramos um celular novo, no dia seguinte já há um novo modelo, como uma nova função que até ontem não existia. Em todas as áreas vemos mudanças constantes. Mas será que utilizamos estas melhorias para o bem? As tecnologias cada vez mais nos isolam, criando verdadeiros "casulos" dentro das casas. Atualmente não há mais momentos em família, pois cada um tem a sua televisão, seu computador e seu celular, fazendo que as pessoas vivam na mesma casa mas, ao mesmo tempo, em mundos independentes.

Outro perigo das grandes e frenéticas evoluções tecnológicas é novamente cairmos no erro de pensar que o ser humano está no controle das coisas. Isto é apenas uma grande ilusão, pois a verdade é que D'us está no comando. É Ele quem permite as novas descobertas e é Ele quem faz com que as pessoas tenham novas ideias. Portanto, se soubermos utilizar as novas tecnologias da maneira correta, elas podem nos trazer Brachót (Bençãos). Mas aprendemos de Noach e da Torre de Bavel que utilizar as novas tecnologias da maneira incorreta pode nos trazer muitos sofrimentos e dificuldades.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - SHEMINI ATSÉRET, SIMCHÁ TORÁ, PARASHÁ VEZÓT HABRACHÁ E PARASHÁ BERESHIT 5775

BS"D
AMOR RECÍPROCO - SHEMINI ATSÉRET, SIMCHÁ TORÁ, PARASHÁ VEZÓT HABRACHÁ E PARASHÁ BERESHIT 5775 (15 de outubro de 2014)

"Durante a época da 2ª Guerra Mundial, um grupo de estudantes da Yeshivá de Novardok foi enviado para o gueto, e lá eles passaram por um terrível sofrimento. Não era um sofrimento por causa da fome nem por causa das condições miseráveis nas quais eles viviam. O sofrimento era por eles não terem conseguido levar para lá nenhum dos Tratados do Talmud nem outros livros de Torá com os quais pudessem estudar.

Certo dia, um dos estudantes teve uma ideia genial. Era sabido que os alemães permitiam que fosse trazido queijo de fora para o gueto. Então eles conseguiram com que pessoas que estavam fora embrulhassem diariamente os queijos que eram enviados ao gueto com folhas do Talmud. Uma por uma, as folhas foram sendo recolhidas até que vários Tratados inteiros puderam ser remontados dentro do gueto, trazendo a vida de volta àqueles estudantes de Torá.

Porém, uma dúvida Haláchica (da lei judaica) surgiu entre os estudantes, tirando um pouco da alegria que eles sentiam com o estudo da Torá: será que eles haviam feito uma transgressão ao tratar as folhas de Talmud com desprezo? A pergunta chegou a um dos maiores rabinos da geração, que respondeu que não havia nenhum problema no que eles haviam feito, por dois motivos. Em primeiro lugar, pois aquele ato não estava representando um desprezo pela Torá, ao contrário, mostrava o amor que eles sentiam pelo seu estudo. Além disso, o amor que eles sentiam pela Torá era tão grande que causava um sofrimento maior do que a fome e a sede. Caso eles não conseguissem livros para estudar, a tristeza poderia colocar as vidas daqueles estudantes em risco. Como era um caso de "Pikuach Nefesh" (risco de vida), então era permitido fazer o que eles fizeram" (História Real, retirada do livro "Impact!", de autoria do Rav Dovid Kaplan)

Vemos que o amor do povo judeu por D'us e por Sua Torá não termina nem mesmo sob as piores condições. E se os judeus souberam apreciar a Torá mesmo sob condições tão difíceis, isto quer dizer que no tempo de tranquilidade no qual vivemos agora, nossa responsabilidade é certamente muito maior.

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Nesta 4ª feira de noite (15 de outubro) começa a festa de Shemini Atséret, literalmente "o Oitavo dia, o dia da parada". Apesar da proximidade com Sucót, esta é uma festa independente, que demonstra o amor especial de D'us pelo povo judeu. Por que este nome "O Oitavo dia, o dia da parada"? Pois durante os 7 dias de Sucót eram oferecidos 70 Korbanót (sacrifícios) no Templo Sagrado, para que cada um dos 70 povos do mundo pudesse se conectar a D'us. Sucót era, portanto, uma festa universal, de toda a humanidade. Por isso D'us nos deu a festa de Shemini Atséret, como se estivesse pedindo ao povo judeu para que, ao final de Sucót, ficássemos mais um dia, somente nós e Ele.

Neste dia os nossos sábios também instituíram a festa de Simchá Torá (fora de Israel, como há dois dias de Yom Tov, Simchá Torá é comemorado apenas no segundo dia). Neste dia dançamos alegremente com o Sefer Torá e terminamos o ciclo anual de leitura da Torá com a Parashá Vezót HaBrachá, na qual Moshé Rabeinu, em seus últimos momentos de vida, abençoou todas as tribos do povo judeu. Depois de terminar a Torá em público, imediatamente recomeçamos a sua leitura, com a Parashá Bereshit, a primeira Parashá da Torá, para demonstrar nosso imenso amor pela Torá.

No começo da Parashá Vezót HaBrachá há um versículo que nos ajuda a entender este relacionamento de amor entre D'us e o povo judeu: "D'us veio do Sinai, e Ele brilhou para eles em Seir, e apareceu desde o Monte Paran" (Devarim 33:2). Mas o que significa que D'us veio do Monte Sinai? E o que representam estes dois lugares, Seir e Paran?

Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, responde que a expressão "D'us veio do Sinai" representa o carinho de D'us com o povo judeu. Da mesma forma que o noivo, que já está na Chupá, desce para receber a noiva quando ela chega, assim também D'us saiu da nossa "Chupá", o Monte Sinai, onde fizemos um pacto eterno com Ele através do recebimento da Torá, e veio nos receber no deserto. Além disso, Rashi explica que "Seir" é o local onde moravam os descendentes de Essav, e "Paran" é o local onde moravam os descendentes de Ishmael. Um famoso Midrash (parte da Torá Oral) explica que antes de oferecer a Torá ao povo judeu, ela foi oferecida a todos os povos do mundo. Mas quando D'us ofereceu a eles a Torá, todos os povos questionaram o que estava escrito nela. Para os descendentes de Essav D'us respondeu "Está escrito 'Não matarás' ". Para os descendentes de Ishmael D'us respondeu "Está escrito 'Não roubarás' ". Os 70 povos do mundo, após questionarem o que estava contido na Torá e escutarem a resposta, se recusaram a recebê-la.

Estamos acostumados a pensar que o grande erro dos 70 povos do mundo foi terem recusado a Torá. Mas explica o Rav Yaacov Weinberg (Israel, 1923 – EUA, 1999) que na verdade isto foi apenas parte do erro. O problema mais grave ocorreu quando os povos perguntaram para D'us "o que está escrito?". O que poderia parecer algo inocente, uma pergunta sem maldade, apenas para saber se eles conseguiriam ou não cumprir a Torá, na verdade foi algo pior do que rejeitar a Torá. Esta pergunta foi uma forma de rejeitar D'us. Pois se D'us estava oferecendo a todos os povos do mundo um conjunto de leis e ensinamentos, eles deveriam ter entendido que a Torá é algo perfeito, pois caso contrário D'us não a estaria oferecendo. Esta falta de confiança demonstra que os 70 povos do mundo não haviam entendido a natureza de bondade e perfeição de D'us. Por isso, mesmo que eles não tivessem rejeitado a Torá no final, a falta de confiança em D'us fez com que eles já não tivessem mais a capacidade e o mérito de recebê-la.

O povo judeu, ao contrário, não fez nenhum tipo de questionamento. Quando D'us ofereceu a Torá aos judeus, eles responderam "Naassê VeNishmá" (Cumpriremos e Entenderemos), isto é, aceitaram cumprir a Torá incondicionalmente, e somente depois tentar entendê-la. O povo judeu havia compreendido o caráter perfeito da Torá e de todas as leis contidas nela. Havia entendido a bondade ilimitada de D'us, e por isso não houve nenhum tipo de questionamento sobre o conteúdo da Torá. O povo judeu assinou um cheque em branco para D'us, pois confiaram de olhos fechados Nele, cientes da Sua perfeição. Se era Ele quem estava nos entregando a Torá, certamente era algo bom. Isto demonstrou o amor que sentíamos por D'us, e o nosso reconhecimento de que tudo o que Ele nos faz, mesmo as coisas que não conseguimos entender por causa das nossas limitações, é apenas por bondade ilimitada.

É este sentimento de amor recíproco que os nossos sábios quiseram demonstrar ao fixar Simchá Torá junto com Shmini Atseret. D'us demonstrou o Seu amor por nós pedindo para que permaneçamos mais um dia com Ele, e nós demonstramos o nosso amor a Ele fechando o ciclo de leitura anual da Torá e imediatamente recomeçando sua leitura, expressando o quanto Suas leis e ensinamentos são queridos por nós. Não como um livro que, apesar de ser interessante, é deixado de lado após terminarmos de lê-lo, mas como uma joia rara e preciosa, que não cansamos de observar e de nos aprofundar para perceber, a cada nova oportunidade, o quanto ela é perfeita.

Quando alguém cria um aparelho, após anos de estudo, pesquisas e testes, ele sabe todos os detalhes do seu funcionamento. Dificilmente as pessoas que utilizarão este aparelho entenderão seu funcionamento de forma tão profunda quanto seu criador. É por isso o criador do aparelho desenvolve um manual de instruções, para ensinar aos usuários como utilizar o aparelho de forma a obter dele o máximo benefício. Da mesma forma, foi D'us quem nos criou, e apenas Ele sabe, com Sua sabedoria ilimitada, o que é bom de verdade para nós. Por isso Ele nos entregou Sua Torá, um "manual de instruções" de como viver a vida. Da mesma forma que uma pessoa seria tola de pensar que conhece mais do que o fabricante de um equipamento, assim também nos comportamos como tolos quando pensamos que sabemos mais do que D'us. E da mesma maneira que uma pessoa que não se importa com as informações contidas no manual de instruções pode danificar o aparelho e até mesmo colocar sua vida em risco, o mesmo acontece quando ignoramos as leis e ensinamentos da Torá, pois colocamos em risco nossa vida material e nossa vida espiritual eterna.

Este é um dos ensinamentos que aprendemos logo no começo da Torá, na própria Parashá Bereshit. Adam Harishon (Adão) recebeu o comando de D'us de não comer o fruto do conhecimento do bem e do mal. Mas ele achou que entendia do mundo melhor do que D'us, calculando que poderia descumprir a ordem Dele e mesmo assim ainda sair ganhando. Como aquele que ignora o manual de instruções e inverte os fios elétricos de um aparelho, causando choques e risco de incêndio, o resultado da atitude de Adam foi um "curto circuito espiritual", que fez com que ele despencasse do seu elevado nível espiritual.

Portanto, esta é a alegria de Simchá Torá e de Shemini Atséret. A alegria de entender o valor da Torá que D'us nos entregou. A felicidade de perceber o amor que D'us sente por nós, e por isso nos entregou Suas leis, para nos ensinar o caminho correto, nos ajudando a já ter frutos no mundo material, enquanto nossa porção no Mundo Vindouro vai aumentando cada vez mais a cada Mitzvá realizada. Por isso abraçamos a Torá e dançamos com ela, pelo reconhecimento de que ela é o nosso único passaporte para a alegria verdadeira e duradoura.

CHAG SAMEACH E SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - SUCÓT 5775

BS"D
TESTE DE LEALDADE - SUCÓT 5775 (08 de outubro de 2014)

"Sentados num bar russo e bebendo vodca, alguns amigos conversavam e expressaram seu sincero amor pelo czar e seu governo. Sentindo-se repleto de lealdade, um dos homens proclamou:

- Se eu tivesse um palácio magnífico, eu o dedicaria ao czar!

- É mesmo? - perguntaram os amigos, impressionados - E se você tivesse uma carruagem de luxo puxada por cavalos de raça, ou uma fazenda com animais, você também dedicaria ao czar?

- Claro que sim! Pelo czar, Sua Majestade, eu daria qualquer coisa que eu tivesse - declarou o homem.

Os outros duvidaram do amigo, imaginando que ele estava afetado pelo álcool. Então o desafiaram de novo:

- E se você tivesse duas galinhas, então você as daria para o czar?

O homem ficou sério e admitiu, em voz baixa, que não daria. Percebendo a expressão de perplexidade dos amigos, o homem explicou com franqueza:

-Estas são as coisas que eu realmente possuo".

Em Rosh Hashaná , e principalmente em Yom Kipur, dissemos para D'us: "Por favor, me dê mais um ano de vida e eu vou cumprir a Sua vontade. Serei uma pessoa completamente diferente". Mas passado Yom Kipur, será que estamos cumprindo nossa palavra, ou o que dissemos foi apenas da boca para fora?

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Após passarmos por Rosh Hashaná e Yom Kipur, finalmente chegamos à festa de Sucót, que começa na próxima 4ª feira de noite (08/10). Rosh Hashaná e Yom Kipur são festas relacionadas com nosso julgamento e, portanto, são dias mais solenes. Já Sucót, também chamada de "Zman Simchateinu" (a época da nossa alegria), tem como tema central a alegria. Então qual a relação entre Sucót, Rosh Hashaná e Yom Kipur, festas comemoradas em datas tão próximas, mas que parecem ser tão diferentes?

Há outra pergunta interessante sobre Sucót. Uma das Mitzvót que simbolizam esta festa são os Arba Minim (as 4 espécias – Etróg, Lulav, Adass e Aravá), sobre os quais fazemos uma Brachá especial todos os dias do Chag. E assim começa o versículo que fala sobre os Arba Minim: "E você deve pegar para você no primeiro dia..." (Vayikrá 23:40). Mas por que a Torá chama Sucót de "primeiro dia", ao invés de se referir a Sucót como "o dia 15 do sétimo mês", como normalmente faz em relação aos Chaguim?

Ensina o Rav Yaacov ben Asher (Alemanha, 1270 - Espanha, 1340), mais conhecido como Tur, que a resposta está em um interessante Midrash (parte da Torá Oral) que explica de onde vem o costume Ashkenazi de jejuar na véspera de Rosh Hashaná. O Midrash responde que o primeiro dia de Sucót é identificado como "primeiro dia" pois é considerado o "primeiro dia para a contabilidade das nossas transgressões". Para explicar este conceito, o Midrash traz a seguinte parábola: uma cidade devia a um poderoso rei uma enorme quantia de dinheiro em impostos. Como resultado da falta de pagamento, o rei marchou contra a cidade com um enorme exército. Antes que o exército chegasse, uma pequena delegação composta pelos anciãos da comunidade, apenas as pessoas mais distintas, foi enviada para tentar apaziguar o rei. O encontro teve sucesso e o rei descontou um terço da dívida, mas continuou avançando com seu exército. Temendo pela sua segurança, os moradores mandaram uma segunda delegação enorme, composta por pessoas comuns, para se encontrar com o rei. Eles também tiveram sucesso e conseguiram convencer o rei a descontar mais um terço da dívida. Entretanto, o rei não deteve o avanço de suas tropas. Em desespero, todos os habitantes da cidade saíram de suas casas e começaram a implorar ao rei, que já havia alcançado os portões da cidade, para que ele os tratasse com gentileza. Comovido com esta exibição de humildade, o rei descontou o último terço da dívida que havia restado.

Qual é o paralelo com as festas judaicas? Durante o ano, o povo judeu acumula uma enorme quantidade de transgressões. Na véspera de Rosh Hashaná, as pessoas mais distintas do povo têm o costume de jejuar, fazendo com que D'us perdoe um terço das nossas transgressões. Durante os "Asseret Yemei Teshuvá" (10 dias de Arrependimento, entre Rosh Hashaná e Yom Kipur), outro terço das transgressões é perdoado. Então chega Yom Kipur, quando o povo inteiro jejua e grita para D'us, e somos absolvidos do último terço das transgressões. Por isso, em Sucót se inicia uma nova contabilidade de transgressões para o ano.

Mas se pararmos para refletir sobre os ensinamentos contidos neste Midrash, surgem muitas perguntas. Em primeiro lugar, Sucót começa só alguns dias depois de Yom Kipur. Então por que a nova contabilidade não começa imediatamente no dia seguinte ao Yom Kipur? Outro detalhe que nos chama a atenção é que o jejum da véspera de Rosh Hashaná tem o mesmo peso do jejum de Yom Kipur, já que, de acordo com o Midrash, cada um deles tem o poder de descontar um terço das nossas transgressões. Mas sabemos que Yom Kipur é o dia mais sagrado do ano, então por que o Midrash aparentemente iguala os dois? E finalmente, em Sucót temos três diferentes Mitzvót: se sentar durante os 7 dias na Sucá, trazer os Korbanót (sacrifícios) relacionados ao Chag ao Beit Hamikdash (Templo Sagrado) e os Arba Minim. Então por que a Torá escolheu justamente os Arba Minim para transmitir a mensagem da nova contabilidade de transgressões que se inicia em Sucót, e não alguma outra Mitzvá de Sucót?

Explica o Rav Yochanan Zweig que há uma incrível semelhança entre o sistema de perdão Divino com uma prática comum no mundo dos negócios, e isto pode nos ajudar a entender o que o Midrash está nos ensinando. Antigamente, quando alguém não conseguia pagar uma dívida, estava sujeito a ir para a prisão. Atualmente, na grande maioria das sociedades civilizadas, existem leis relativas à falência, que permitem que uma pessoa possa se isentar de suas dívidas caso não tenha condições de pagá-las, protegendo-se assim dos seus credores. Mas qual a lógica que está por trás das leis de falência? Por que a sociedade permitiria que uma pessoa se desviasse da prestação de contas por suas ações?

A resposta é que uma pessoa atolada em dívidas, incapaz de sair desta situação negativa, pode acabar deixando de ser um membro produtivo da sociedade e se tornar alguém passivo. Quando permitimos a esta pessoa descontar suas dívidas, totalmente ou parcialmente, estamos permitindo que ela continue andando com suas próprias pernas, ao invés de ter que ficar dependendo dos outros, podendo facilmente voltar a ser um membro produtivo e contribuinte da sociedade, o que acaba sendo bom para todos.

Por outro lado, as leis de falência devem ser exercidas com muito cuidado e atenção, para termos a certeza de que estas leis não serão usadas de forma abusiva por pessoas cuja única intenção seja se esquivar de suas obrigações. Mas sempre existe o perigo potencial da pessoa utilizar a falência como uma "muleta" para se apoiar e se proteger da sua própria negligência e de seu comportamento irresponsável.

Este é o paralelo com o perdão dos nossos erros. É um grande erro pensar que D'us nos perdoa apenas por causa de Sua enorme benevolência, sem que nada precise ser feito da nossa parte. Precisamos entender que esta absolvição não pode se tornar uma "muleta", na qual podemos continuamente nos apoiar para diminuir as consequências do nosso comportamento irresponsável. Ao contrário, recebemos de D'us um "alívio" para que possamos outra vez voltarmos a ser membros ativos da sociedade, sem o enorme peso nas costas das nossas inúmeras transgressões. Mas se nós errarmos na forma de ver a expiação dos nossos erros, ao invés dela ser utilizada como uma ferramenta que nos ajuda a nos tornarmos responsáveis pelos nossos atos, justamente o efeito contrário pode ocorrer, e a expiação dos nossos erros pode se tornar uma "muleta" que apenas gera mais irresponsabilidade.

Se uma pessoa que decretou falência fica ainda responsável por parte das dívidas, então o risco da falência ser utilizada para encorajar um comportamento irresponsável diminui. Portanto, embora Yom Kipur desconte a mesma quantidade de transgressões do que o jejum da véspera de Rosh Hashaná, há uma enorme diferença entre as duas absolvições. Depois de Rosh Hashaná a pessoa ainda tem nas costas o peso de parte das transgressões que ainda não foram descontadas, e por isso ainda não se sente tranquila. Mas em Yom Kipur ocorre a absolvição total, e o perigo desta expiação ser mal utilizada é muito maior. Por isso, somente um dia tão sagrado como Yom Kipur pode nos proporcionar esta expiação total sem estar acompanhada de um sentimento de irresponsabilidade.

Mas para a expiação dos nossos erros ser completa, ela deve ser acompanhada do compromisso de começarmos a pagar nossas dívidas e da aceitação da responsabilidade por nossas ações. Sucót é a época em que novas responsabilidades são colocadas sobre nós e, portanto, serve como um teste da veracidade do nosso compromisso. É o primeiro momento em que nossas propostas de mudança apresentadas para D'us em Rosh Hashaná e Yom Kipur são colocada à prova. É por isso que Sucót é chamado de "o primeiro dia da contabilidade das nossas transgressões".

Os Arba Minim de Sucót precisam ter certas características para serem considerados aptos para o uso. Por exemplo, o Talmud Yerushalmi afirma que um Lulav, que é a folha de uma palmeira, não pode estar demasiadamente seca, e aprendemos isso do seguinte versículo: "E os mortos não louvam a D'us" (Tehilim 115:17). O Lulav é o símbolo de frescor e vitalidade, que representa a nova concessão de vida que recebemos depois de Yom Kipur. Nós utilizamos o Lulav como uma ferramenta para louvar e agradecer a D'us por Sua bondade desta nova chance. É por isso que a Torá considera mais apropriado transmitir o conceito do recomeço, da nova contabilidade dos nossos erros, através dos Arba Minim, que representam justamente o frescor de um recomeço.

O Midrash nos ensina que Sucót é um grande teste das nossas convicções. Sair do conforto de casa para passar a semana na Sucá, uma construção provisória e desprotegida, e cumprir a Mitzvá dos Arba Minim com todos os seus detalhes não são atitudes simples. Somente é possível cumprir estas Mitzvót com alegria se conseguirmos internalizar o conceito de fazer a vontade de D'us mesmo quando não é exatamente a nossa vontade. Em Rosh Hashaná e Yom Kipur pedimos para D'us mais um ano de vida para podermos cumprir as Suas Mitzvót e atingirmos as nossas metas, e Sucót é o momento de demonstrar que vamos cumprir nossa palavra. Assim, teremos mais crédito com Ele quando for necessário pedir qualquer outra coisa durante o ano.

CHAG SAMEACH E SHABAT SHALOM

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

MENSAGEM DE YOM KIPUR 5775

BS"D


MENSAGEM DE YOM KIPUR 5775

Yom Kipur é um dos maiores presentes que D'us deu ao povo judeu. Um dia muito especial, uma oportunidade de começarmos o novo ano renovados, com nossas almas limpas e purificadas. A Teshuvá, composta pelo arrependimento sincero, a decisão de não voltar a cometer os mesmo erros, e a confissão para D'us das nossas transgressões, tem o incrível poder de transformar os nossos erros em méritos. Yom Kipur é um dia de misericórdia, uma das maiores demonstrações do amor de D'us pelo povo judeu. Neste dia podemos e devemos abrir nossos corações e implorar para que D'us nos perdoe pelos nossos erros.

Infelizmente não é apenas contra D'us que transgredimos durante o ano. Erramos, e muito, com as pessoas. Fomos egoístas, enganamos, não nos importamos com as dificuldades e sofrimentos dos outros. E o pior de tudo é que achamos que não foi tão grave assim. Mas nossos sábios ensinam que, apesar da enorme força de expiação das transgressões que existe em Yom Kipur, ela somente funciona para limpar os erros que cometemos contra D'us. Porém, os erros que cometemos contra o próximo não são perdoados por D'us até que sejamos perdoados pela pessoa com quem erramos. Por isso, a Halachá (Lei Judaica) nos ensina que é necessário apaziguar a pessoa que machucamos, prejudicamos ou magoamos através de um sincero pedido de perdão.

Portanto, gostaria de aproveitar a oportunidade para pedir perdão a qualquer um de vocês, leitores do "Shabat Shalom M@il", tanto aqueles que eu conheço pessoalmente quanto aqueles cujo meu único contato é através dos emails semanais, por qualquer atitude minha que possa ter ofendido ou magoado, ou por ter causado qualquer tipo de tristeza. Tanto os erros intencionais quanto os não intencionais, tanto os erros que eu me lembro quanto aqueles que eu já me esqueci, de todos eles eu me arrependo profundamente e espero que vocês me perdoem. Falta de tempo, stress e "cálculos errados" são apenas desculpas, e Yom Kipur é o momento de assumirmos nossos erros sem procurar desculpas. Eu sei que errei e peço sinceramente perdão. Se alguém tiver alguma mágoa, por favor me escreva para que eu possa pedir perdão pessoalmente.

Existe uma incrível fórmula para sermos perdoados em Yom Kipur: "Todo aquele que passa por cima da sua honra e perdoa a alguém que lhe fez mal, D'us passa por cima de todas as suas transgressões e o perdoa". Portanto, eu perdoo de todo o coração a qualquer um que possa ter feito algum mal para mim, intencionalmente ou não intencionalmente.

Que possamos ter um ano muito bom, com muita saúde, crescimento espiritual, paz e respeito ao próximo. Que possamos ter paz dentro do povo judeu, para que tenhamos o mérito da vinda imediata do Mashiach e possamos receber todas as Brachót que ele nos trará.

Shaná Tová e Gmar Chatimá Tová

Com carinho,

Rav Efraim Birbojm

SHABAT SHALOM M@IL - YOM KIPUR 5775

BS"D


ENGANANDO A SI MESMO – YOM KIPUR 5775 (03 de outubro de 2014)


Certa vez uma pessoa comentou com o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) que naquele ano não pretendia pronunciar o texto do Vidui ("confissão", um texto compilado pelos nossos sábios que contém as transgressões que cometemos durante o ano e é repetido diversas vezes durante Yom Kipur). O Rambam se assustou com a afirmação daquele homem e questionou o motivo para tal atitude. O homem explicou:

- Eu refleti um pouco sobre as transgressões que o Vidui menciona, e sei que não cometi a grande maioria delas. Então se eu pronunciar estas transgressões que eu não cometi, estarei falando mentira. Por isso, por ser uma pessoa honesta, decidi não fazer o Vidui neste Yom Kipur.

- Talvez você não tenha entendido a verdadeira natureza do Vidui - respondeu o Rambam - Na realidade, em cada transgressão mencionada há diversos níveis, e certamente em algum nível você transgrediu e precisa se arrepender. Portanto, o simples fato de você achar que não transgrediu nada no Vidui já é uma transgressão por si só. A verdade é que você está deixando seu Yetser Hará (má inclinação) te enganar e te fazer pensar que seria uma desonestidade pronunciar o Vidui. Assim o Yetser Hará conseguirá que suas transgressões fiquem sem nenhum tipo de arrependimento, e certamente seus erros não serão consertados. Portanto, se você não pronunciar o Vidui, aí sim você estará sendo desonesto, mas com você mesmo."

O que o Rambam estava ensinando para aquele homem é que quando pronunciamos "Traímos", não se refere unicamente ao ato de trair fisicamente, mas também inclui fazer o mal para alguém que nos fez o bem. Quando pronunciamos "Roubamos", não se refere unicamente a tirar à força os bens de outra pessoa, inclui também utilizar bens de outros sem pedir permissão. Quando pronunciamos "sobre o pecado que cometemos diante de Você nas relações comerciais", não estamos apenas nos referindo a enganar clientes, mas também ao fato de atribuirmos o nosso sucesso ao nosso esforço e à nossa inteligência, e não à D'us. Assim, em todas as transgressões mencionadas no Vidui, há diversos níveis, e se procurarmos com honestidade, certamente encontraremos ainda muito o que consertar.

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Neste ano Yom Kipur, o Dia do Perdão, coincide com o Shabat. Apesar de podermos nos arrepender dos nossos erros qualquer dia do ano, Yom Kipur é um dia especial, um momento de Misericórdia Divina. Da mesma maneira que neste dia o povo judeu foi completamente perdoado pelo erro do bezerro de ouro, a mesma influência espiritual se repete para cada um de nós, e todo aquele que se arrepende de verdade e decide mudar seus atos recebe uma ajuda especial.

O serviço de Yom Kipur começa com o pronunciamento do famoso "Kol Nidrei", com seu tom solene e comovente, que desperta o coração de todos os judeus presentes nas sinagogas do mundo inteiro. Mas ao contrário do que muitos pensam, o "Kol Nidrei" não é uma reza, e sim a anulação de todas as promessas e juramentos que possamos ter feito durante o ano. Mas por que começar o serviço de Yom Kipur, este dia tão especial para o povo judeu, com a anulação de promessas e juramentos, se isto poderia ser feito em qualquer outro momento de Yom Kipur?

Responde o Rav Yehonasan Gefen que ao começar o serviço de Yom Kipur com o "Kol Nidrei", nossos sábios estavam nos transmitindo uma preciosa lição. Yom Kipur é o dia em que cada pessoa deve se submeter a um intenso processo de introspecção e autoanálise. É o dia em que cada um deve admitir honestamente seus erros e receber sobre si o compromisso de consertá-los no futuro. Mas para que este processo seja realmente efetivo, a pessoa precisa ser extremamente honesta consigo mesma, para evitar a autoenganação, que frequentemente nos desvia da busca pela verdade. No "Kol Nidrei" a pessoa começa o Yom Kipur justamente destacando sua preocupação com qualquer tipo de desonestidade. As promessas e juramentos não precisam ser feitos em público para terem validade, é algo que pode ser feito apenas com o conhecimento da própria pessoa. Por isso é necessário muita honestidade para anular as promessas e juramentos feitos de forma descuidada, pois não há ninguém para nos cobrar, apenas nós mesmos. Ao iniciar o serviço com o "Kol Nidrei", estamos reconhecendo a importância da honestidade e a natureza prejudicial de nos autoenganarmos, principalmente em Yom Kipur. Pois a aceitação sincera e honesta dos nossos erros é fundamental para voltarmos aos caminhos corretos.

Existem inúmeras fontes da Torá que demonstram o quanto uma pessoa ser desonesta consigo mesma pode ter como consequência muitas transgressões e decisões de vida completamente equivocadas. Um dos casos mais impressionantes é o de Lót, sobrinho de Avraham Avinu. Após passar muito tempo ao lado de Avraham, de quem poderia ter recebido boas influências, ele decidiu viver em Sdom (Sodoma), uma cidade habitada por pessoas cruéis e desalmadas. Mas por que Lót escolheu justamente a cidade de Sdom para morar? A Torá nos traz um motivo explícito: "E Lót levantou seus olhos e viu toda a Planície do Jordão, que era toda irrigada... como um jardim de D'us" (Bereshit 13:10). A Torá está nos afirmando que a escolha de Lót foi unicamente por motivos financeiros, pois Sdom era uma região com muitos pastos, um lugar propício para seus numerosos rebanhos. Mas Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, cita uma fonte da Torá Oral que afirma que Sdom era um lugar de imoralidades, e Lót escolheu morar lá para saciar seus desejos de imoralidade. Como entender esta aparente contradição? Qual foi o verdadeiro motivo que levou Lót a morar em Sdom, as necessidades dos seus rebanhos ou seus desejos imorais? E se o motivo real foi o desejo de imoralidade, como ensina a Torá Oral, então por que na Torá escrita está explícito que foi por motivos financeiros?

A resposta é que superficialmente Lót foi para Sdom por motivos financeiros. Porém, em uma análise psicológica mais profunda, a razão verdadeira foi a imoralidade. Portanto, não há nenhuma contradição, pois enquanto a Torá traz o motivo externo da escolha de Lót, a Torá Oral traz o motivo interno. Isto quer dizer que mesmo Lót acreditou que estava escolhendo Sdom por motivos financeiros, mas estava apenas enganando a si mesmo, pois sua verdadeira motivação eram os desejos imorais.

Poderíamos pensar que isto somente acontece com pessoas pequenas como Lót, que já tinha uma má índole. Mas a verdade é que mesmo grandes Tzadikim (Justos), pessoas de confiança de D'us, também caíram na armadilha da autoenganação. Um exemplo claro foi o que aconteceu com Shaul Hamelech (Rei Shaul), o primeiro rei de Israel, uma pessoa muito reta e temente a D'us. Ele recebeu o comando de lutar contra o povo de Amalek até exterminá-lo completamente, destruindo inclusive seus rebanhos. Porém, mesmo vencendo a guerra, Shaul Hamelech inexplicavelmente deixou vivo Agag, o rei de Amalek, e trouxe também alguns animais vivos, um óbvio desvio do comando explícito de D'us. O mais impressionante aconteceu quando Shaul HaMelech voltou da guerra, encontrou o profeta Shmuel e orgulhosamente exclamou: "Eu cumpri a vontade de D'us". (Melachim I 15:13). Shaul Hamelech não conseguiu perceber que havia cometido uma terrível transgressão, e se enganou a ponto de acreditar que realmente havia feito o que D'us havia pedido.

Estes episódios demonstram o imenso poder do Yetser Hará, que consegue nos induzir a mentirmos para nós mesmos, derrubando não apenas pessoas simples, mas até mesmo pessoas retas e justas. Se olharmos com atenção vários acontecimentos trágicos da Torá, perceberemos que muitas das grandes transgressões foram resultado das pessoas enganarem a si mesmas sobre qual era a verdadeira motivação de seus atos. Isto inclui a primeira transgressão da história da humanidade. Apesar de D'us ter explicitamente proibido Adam Harishon (Adão) de comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, ele chegou ao absurdo de racionalizar que se comesse do fruto proibido poderia obter um nível espiritual maior. Nossos sábios explicam que isto era apenas uma autoenganação, um motivo externo, pois a verdadeira motivação de Adam era ganhar certa independência de D'us.

A autoenganação nos faz pensar que existem várias áreas nas quais não precisamos melhorar. Como no caso da pessoa que falou com o Rambam, lemos o Vidui e não nos identificamos. Achamos que o Vidui é apenas para grandes transgressores, aqueles que cometem erros terríveis. Porém, a verdade é que temos muito o que melhorar em todas as áreas da vida, mas nunca procuramos com sinceridade nossas falhas. As pessoas podem viver a vida inteira completamente alheias aos seus próprios defeitos. E mesmo nos defeitos que conseguimos identificar em nós mesmos, acabamos buscando pessoas ou circunstâncias nas quais podemos colocar a culpa, ao invés de atribuir a nós mesmos a responsabilidade pelas falhas.

Yom Kipur é um grande presente que D'us deu ao povo judeu. É um "choque de realidade", a possibilidade de nos colocarmos diante do espelho e olharmos a verdade. Passamos o ano sentindo orgulho por sermos tão elevados e retos, mas o Vidui de Yom Kipur nos coloca de volta ao nosso verdadeiro lugar. O Vidui não foi escrito para nos fazer sentir mal ou deprimidos, mas para nos dar a possibilidade de identificar e consertar os nossos maus atos.

Quando uma pessoa é honesta com os outros, isso já é considerado que ela tem uma grande virtude. Mas acima de tudo, aquele que consegue ser honesto consigo mesmo é aquele que está destinado a atingir a grandeza espiritual.

SHABAT SHALOM, GMAR CHATIMÁ TOVÁ E TSOM KAL (que seja um jejum leve para todos)

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

MENSAGEM DE ROSH HASHANÁ 5775

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MENSAGEM DE ROSH HASHANÁ 5775

Estamos terminando mais um ano. Cada um de nós passou por alegrias e tristezas, sucessos e tropeços. Mas apesar das dificuldades, precisamos sempre agradecer a D'us, pois cada teste foi certamente uma oportunidade, uma chance de crescer em alguma nova área, de desenvolver novas habilidades. "Shehecheianu VeKiemanu Vehiguianu Lazman Hazé". Precisamos agradecer o simples fato de estarmos vivos, de D'us ter nos dado força para superarmos os obstáculos e inteligência para buscarmos soluções para os problemas que surgiram durante o ano. Como diz o ditado popular: "o único lugar onde não existem problemas é no cemitério". Enquanto estivermos vivos, teremos sempre novas oportunidades de crescer e de vencer os desafios que surgem nas nossas vidas.

Eu tenho muito para agradecer pelo ano que passou, pois cada semana do ano se tornou um pouco mais especial por causa do Shabat Shalom M@il. Já no domingo começava o processo de buscar um Dvar Torá, algo que pudesse tocar o coração das pessoas, ensinar como podemos sempre melhorar ou trazer um novo entendimento de algum trecho difícil da Torá. O próximo passo era procurar uma história que ilustrasse o ensinamento trazido. Finalmente começava o processo de colocar no papel o turbilhão de ideias que começava a surgir na minha cabeça, processo que terminava na 5ª feira de noite (é verdade, algumas vezes na 6ª de madrugada), quando o email era enviado e eu podia participar um pouquinho do Shabat na casa de cada um de vocês.

Por isso, ao fecharmos o ciclo de mais um ano, aproveito a oportunidade para agradecer por todo o apoio, por todos os elogios, incentivos e sugestões que recebi durante o ano. Me preenche muito saber que pude dar uma pequena contribuição para que a semana de cada um de vocês pudesse ter um pouquinho mais de espiritualidade. Espero que os ensinamentos possam ter ajudado todos a melhorarem e a crescerem espiritualmente.

Agradeço a cada um dos leitores, por serem a minha fonte de inspiração e motivação para continuar este trabalho. Agradeço à minha família, por aceitarem com alegria me "dividir" como o "Shabat Shalom M@il, que é escrito com horas e horas de dedicação. E acima de tudo, agradeço a D'us pela bondade de um dia ter me possibilitado voltar em Teshuvá e assumir esta maravilhosa missão de compartilhar com as pessoas o tesouro contido nos ensinamentos da Torá.

Aproveito também a oportunidade para pedir perdão a qualquer um que possa ter se ofendido, por qualquer mensagem que eu tenha enviado ou atitude que eu tenha tomado. Certamente não tive intenção de magoar ou ofender ninguém. Se alguém tiver alguma mágoa ou reclamação, por favor me avise para que eu possa pedir desculpas pessoalmente.

Que possamos aproveitar estes últimos dias do ano para aumentar nossos méritos, para reconstruir relacionamentos que possam ter ficado abalados e para pedir perdão àqueles que possamos ter magoado. Nestes últimos dias do ano abrem-se os portões da Misericórdia de D'us, e recebemos uma ajuda especial se quisermos crescer um pouco mais em Torá e Mitzvót. Que possamos ser inscritos no Livro da Vida, com muita saúde, sustento, alegrias, paz e espiritualidade. Que neste ano de 5775 possamos continuar nos encontrando, semanalmente, neste maravilhoso mundo dos conhecimentos da Torá.

SHANÁ TOVÁ

Com muito carinho,

Rav Efraim Birbojm

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SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT NITZAVIM, VAYELECH E ROSH HASHANÁ 5775

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JULGANDO NOSSA PROXIMIDADE COM D'US - PARASHIÓT NITZAVIM, VAYELECH E ROSH HASHANÁ 5775 (19 de setembro de 2014)


O Rav Saadia Gaon (Egito, 882 – Iraque, 942), um verdadeiro gigante de Torá, foi visto certa vez por um aluno se repreendendo de forma muito dura. O aluno questionou o porquê de ele estar sendo tão rigoroso consigo mesmo. Então o Rav Saadia Gaon explicou:

- Alguns meses atrás eu decidi que a honra que eu recebia das pessoas estava interferindo no meu serviço religioso. Sem humildade não é possível servir D'us com alegria. Decidi passar alguns meses em lugares onde ninguém me conhecia. Coloquei roupas simples e comecei meu exílio, vagando de cidade em cidade. Uma noite, cheguei a uma pequena pousada de um judeu idoso, um homem gentil e simples. Conversamos um pouco antes de ir dormir, e na manhã seguinte me despedi e segui meu caminho. Horas depois, alguns alunos que estavam me procurando apareceram e perguntaram ao judeu idoso se ele havia me visto. O homem riu e perguntou: "o que uma pessoa tão grande como o Rav Saadia estaria fazendo em um lugar como a minha pousada?". Mas quando os jovens explicaram como provavelmente eu estaria vestido, o homem deu um pulo e gritou: "Meu D'us, o Rav Saadia esteve aqui! Vocês estão certos!"

- Ele correu, pulou em sua carruagem e voou na direção em que eu tinha ido - continuou o Rav Saadia Gaon - Depois de um tempo ele me alcançou, saltou da carruagem e caiu aos meus pés, chorando: "Por favor, me perdoe, Rav Saadia, eu não sabia que era você!". Fiz ele se levantar e disse que ele havia me tratado muito bem, que não precisava se desculpar por nada. Mas ele continuava inconformado, dizendo: "Não, não, rabino. Se eu soubesse quem você era, eu teria te tratado de forma completamente diferente".

- Naquele momento eu percebi que aquele homem estava me ensinando uma lição muito importante e que o propósito do meu exílio havia se cumprido - finalizou o Rav Saadia Gaon - Agradeci, abençoei-o e ele voltou para casa. Agora, todas as noites, quando vou deitar, penso em como servi D'us o dia inteiro. Então me lembro daquele senhor e digo para mim mesmo: "Se eu soubesse sobre você, D'us, no início do dia o que sei agora, eu O teria tratado de forma completamente diferente!". E é justamente por isso que eu estava me arrependendo agora".

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Nitzavim e Vayelech. A Parashá Nitzavim nos ensina a Mitzvá de Teshuvá, que inclui o arrependimento pelos nossos maus atos e o comprometimento em mudar. Esta Parashá normalmente é lida antes de Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, dia que todas as pessoas são julgadas. Isto ocorre justamente para nos despertar, para nos ensinar que temos a possibilidade de nos arrepender por nossos erros e mudar, influenciando de forma positiva nosso julgamento. Mas será que sabemos realmente o que está em jogo em Rosh Hashaná?

O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204), em seu livro "Mishnê Torá", nos explica um pouco mais sobre o que ocorre em Rosh Hashaná. Ele diz que todas as pessoas têm méritos e transgressões. Aquele cujos méritos são mais numerosos que suas transgressões é Tzadik (Justo), e aquele cujas transgressões são mais numerosas dos que seus méritos é Rashá (malvado) (Hilchót Teshuvá Capítulo 3 Halachá 1). Já na Halachá (lei) seguinte, o Rambam explica que aqueles cujas transgressões são mais numerosas do que seus méritos imediatamente morrem por causa de sua maldade, e o mesmo se aplica a uma cidade ou ao mundo inteiro. Ele cita como exemplos a destruição da cidade de Sdom (Sodoma) e o dilúvio que ocorreu na época de Noach (Noé), que quase apagou toda a humanidade.

Mas estes ensinamentos do Rambam levantam alguns questionamentos. Em primeiro lugar, por que o Rambam dividiu seu ensinamento em duas Halachót diferentes, se elas tratam do mesmo tema, isto é, do que ocorre com alguém que tem mais méritos ou mais transgressões? Além disso, o Rambam cita Sdom e a destruição do mundo através do dilúvio como exemplos de decretos que se cumprem imediatamente. Porém, sabemos que ambos os decretos somente ocorreram muito tempo depois das pessoas já terem atingido níveis terríveis de maldade. Em especial o dilúvio, cuja destruição já havia sido decretada 120 anos antes dele ocorrer. Então como entender as palavras do Rambam?

Outra dúvida surge quando observamos a terceira Halachá deste capítulo e percebemos uma aparente contradição. O Rambam diz que, da mesma forma que após a morte a pessoa é julgada por seus atos, isto também ocorre uma vez por ano, em Rosh Hashaná. Aquele que é considerado Tzadik é selado para a vida, enquanto aquele que considerado Rashá é selado para a morte. Mas por que nesta Halachá o Rambam diz que o Rashá é selado para a morte, se ele havia dito que o Rashá morre imediatamente?

E a principal dificuldade nas palavras do Rambam é algo que nos questionamos todos os anos: como pode ser que aqueles que têm mais transgressões do que méritos recebem imediatamente o decreto de morte em Rosh Hashaná, se nós vemos pessoas ruins que já passaram por vários julgamentos de Rosh Hashaná e nada aconteceu? E por que nunca mais o mundo foi destruído, como no dilúvio? Com tantas gerações corruptas, imorais e sanguinárias que existiram na história da humanidade, será que nunca mais as transgressões foram mais numerosas do que os méritos?

O Rav Baruch Leff traz uma possível explicação que nos ajuda a responder todos estes questionamentos. Ele explica que há dois aspectos diferentes no julgamento de Rosh Hashaná. Um dos aspectos é que a pessoa recebe em Rosh Hashaná um "rótulo", que define seu status espiritual e seu relacionamento com D'us, independente de qualquer castigo ou consequência direta. É isso o que o Rambam está discutindo na primeira Halachá. Já na segunda Halachá o Rambam está descrevendo como ocorre a aplicação da justiça de acordo com o status espiritual que a pessoa recebeu. Mas nem sempre o julgamento e a aplicação da justiça acontecem juntos, pois D'us nos julga e aplica Sua justiça apenas em alguns momentos específicos, que podem ser épocas específicas do ano ou após certas atitudes das pessoas que podem despertar o julgamento ou a aplicação de um castigo.

Isto quer dizer que, mesmo que a pessoa seja um Rashá, não significa que ela será julgada imediatamente. E mesmo se for julgada e "rotulada" como Rashá, não quer dizer que vai morrer imediatamente. A linguagem utilizada pelo Rambam, "miad", que significa "imediatamente", também pode ser entendida como "inevitavelmente, certamente". Isto quer dizer que, a partir do momento em que uma pessoa, uma cidade ou o mundo inteiro forem considerados "Reshaim", então a morte ou a destruição certamente ocorrerão. Em Sua sabedoria infinita, D'us apenas decidirá quando será o momento correto.

Foi o que aconteceu em Sdom. Certamente eles já tinham o "rótulo" de Reshaim, mas a destruição foi precedida por eventos que despertaram a aplicação da justiça, como está escrito: "E assim disse D'us: 'Pois os gritos de Sdom e Amorá se tornaram muito grandes' "  (Bereshit 18:20). Nossos sábios explicam que naquele momento as injustiças chegaram a um nível insuportável, despertando a aplicação imediata do castigo. No dilúvio, o mundo inteiro já havia se corrompido há mais de uma centena de anos, mas o que despertou a aplicação do castigo foi a imoralidade, como está escrito poucos versículos antes da descrição do dilúvio: "E os Nefilim (gigantes) estavam na terra naqueles dias. E também depois disso, quando os filhos dos governantes vieram até as filhas dos homens" (Bereshit 6:4).

Após o dilúvio, D'us escolheu não castigar mais o mundo como um todo, mesmo que tivesse o "rótulo" de Rashá, como ele prometeu a Noach: "E Eu não mais golpearei todos os seres vivos, como Eu fiz" (Bereshit 8:21). Por isto o mundo inteiro nunca mais foi destruído, apesar de certamente já termos passado por algumas gerações nas quais as transgressões foram mais numerosas do que os méritos.

Agora é possível entender porque o julgamento de Rosh Hashaná é tão importante. Não apenas pelas consequências que podem vir do julgamento, mas principalmente pelo "rótulo" com o qual seremos classificados. E isto muda todo o nosso relacionamento com D'us, como o Rambam explica: "Grande é a força da Teshuvá, que aproxima o ser humano de D'us... ontem ele era odiado por D'us, e considerado repugnante e abominável, e hoje ele é amado e querido". (Halachót Teshuvá, Capítulo 7, Halachót 6). E na Halachá seguinte ele explica: "Quanto é elevado o nível da Teshuvá. Ontem ele estava separado de D'us... gritava e não era escutado, cumpria Mitzvót e elas eram rasgadas diante dele... Hoje ele está conectado com D'us... grita e é respondido imediatamente... faz Mitzvót e elas são recebidas com agrado e alegria".

Ninguém gosta de ser chamado de Rashá, muito menos por D'us. Em Rosh Hashaná nosso status espiritual é decidido. Se somos Tzadikim ou Reshaim, se somos amados ou desprezados por Ele. E apesar de todos os erros que cometemos durante o ano, D'us nos deu um presente, que é a força da Teshuvá, a possibilidade de mudarmos nossos atos, de nos arrependermos pelos nossos erros. Quando nos arrependemos com sinceridade, nossos erros são apagados. Se nos arrependemos por amor a D'us, nossos erros são transformados em Mitzvót. A Teshuvá não apenas nos salva das punições, mas tem a incrível força de recriar nossa conexão com D'us e mudar nosso status espiritual. Toda a ajuda espiritual que teremos para crescer no próximo ano depende do julgamento de Rosh Hashaná.

O principal pensamento de Teshuvá em Rosh Hashaná deve ser de voltar a fazer de D'us o nosso Melech (rei). Apesar de Ele ser o nosso Pai, Ele é também o nosso Rei, e por isso devemos respeitar Suas leis e escutar Seus ensinamentos. Devemos saber que tudo o que Ele nos comandou é apenas para o nosso bem, para que possamos viver uma vida mais harmônica, para que possamos fazer o bem às outras pessoas e trabalharmos nossos traços de caráter. Somente através do estudo da Torá, do cumprimento das Mitzvót e do arrependimento sincero pelos nossos erros é que vamos conseguir atingir um dia a perfeição.

Na próxima 4ª feira de noite (24/09) começa Rosh Hashaná. Que possamos nos esforçar neste "sprint final" para melhorarmos nossos atos, e assim possamos todos ser "rotulados" como Tzadikim, para que nossas Tefilót (rezas) sejam recebidas de bom grado por D'us e possamos ter um ano com muitas Brachót (bençãos) e boas notícias para toda a humanidade.

SHETIKATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM (Que sejamos inscritos e selados no Livro da Vida)

SHABAT SHALOM e SHANÁ TOVÁ

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TAVÔ 5774

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A ESPIRITUALIDADE DOS OUTROS - PARASHÁ Ki TAVÔ 5774 (12 de setembro de 2014)


"Certa vez, um rabino que dedicava sua vida a tentar aproximar da Torá os judeus que estavam mais afastados foi duramente questionado por outro judeu observante:

- Você não acha que é uma grande tolice se expor tanto às influências externas? Ao invés de gastar seu tempo e sua energia para ensinar Torá aos judeus afastados, será que você não deveria dedicar-se completamente ao seu próprio crescimento espiritual e ao fortalecimento dos seus filhos?

- Imagine uma casa pegando fogo – continuou o homem, visivelmente exaltado – Somente parte da mobília pode ser salva. Alguns móveis estão um pouco queimados, enquanto outros estão em perfeito estado. Me diga, você salvaria os móveis queimados? Certamente que não! Você trataria de salvar apenas os móveis em perfeito estado, e deixaria os móveis queimados para trás. Então por que você não faz isso? Será que não é mais importante salvar você e seus filhos, ao invés de dedicar-se aos judeus afastados?

- Caro amigo – respondeu com carinho o rabino – entendo sua preocupação e achei excelente o exemplo que você utilizou. Certamente estamos em uma geração na qual os judeus se encontram cercados pelo fogo da assimilação, e nosso judaísmo corre um sério risco de se extinguir. Porém, o que você falou se aplicaria somente em relação aos móveis que estão em uma casa pegando fogo. Mas o que você faria em relação às pessoas que estão presas dentro da casa? Com um pouco de esforço podemos ajudar aqueles que estão saudáveis, pois eles podem correr e salvar suas próprias vidas. Mas um grande esforço é necessário para salvar a vida daqueles que estão feridos, pois eles não conseguem sair sozinhos. Você os deixaria para trás?"

Obviamente temos uma enorme responsabilidade de nos fortalecer e educar nossos filhos dentro dos valores judaicos, e para isso precisamos dedicar muito tempo e energia. Mas isto não nos isenta de nos preocuparmos com os outros judeus, principalmente aqueles que estão mais afastados da Torá.

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Na Parashá desta semana, Ki Tavô, Moshé comandou o povo judeu a se reunir em duas montanhas, Guerizin e Eval, para uma nova aceitação da Torá logo que entrassem na Terra de Israel. Doze mandamentos da Torá deveriam ser enumerados, e as pessoas deveriam reconhecer publicamente que aqueles que cumprissem os mandamentos receberiam Brachót (bênçãos), enquanto maldições atingiriam aqueles que os desprezassem. Mas observando com atenção estes mandamentos, algo nos chama a atenção. Cada um deles discute algum ato específico, com exceção do último mandamento, que parece ser mais genérico: " 'Maldito aquele que não mantém as palavras desta Torá, para cumpri-las'. E todo o povo deverá dizer 'Amém' " (Devarim 27:26). O que significam estas palavras tão vagas?

Explica o Ramban (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) que esta maldição se aplica àquele que estuda, ensina, guarda e cumpre os mandamentos da Torá, mas que apesar de ter a possibilidade de aproximar judeus afastados e fortalecer a Torá deles, não faz nada a respeito. Isto quer dizer que esta maldição se aplica até mesmo para aqueles que são completamente justos e retos em seus atos, mas que não se esforçam para fortalecer os conhecimentos de Torá daqueles que não a cumprem. Todos aqueles que têm o poder de influenciar positivamente os outros e não o fazem, recebem sobre si a maldição proferida no Monte Eval, mas aqueles que se esforçam e tentam influenciar os outros de maneira positiva recebem a Brachá proferida no Monte Guerizim.

Temos uma inclinação natural de pensar que não se importar com a espiritualidade dos outros não é algo tão grave. Porém, observando as transgressões que são enumeradas nas outras maldições, podemos começar a ter uma ideia mais clara da gravidade de deixar de aproximar aqueles que estão mais afastados. Por exemplo, a Torá traz as proibições de fazer imagens esculpidas (idolatria), de desprezar os pais, de se envolver em relações imorais e de ferir o companheiro de maneira secreta (que se refere ao Lashon Hará, isso é, denegrir o próximo pelas costas, de maneira covarde). Se o fato de deixar de se importar com a espiritualidade dos outros foi listado junto com transgressões tão graves, isto quer dizer que certamente também esta negligência é considerada grave aos olhos de D'us.

O Rav Naftali Tzvi Yehuda Berlin (Rússia, 1816 - Polônia, 1893), mais conhecido como Netziv, viveu em uma geração na qual já havia um grande fluxo de judeus que abandonavam a Torá e as Mitzvót para se conectarem a outros tipos de ideologia. Na época, muitos judeus observantes acreditavam que o ideal era se isolar de qualquer tipo de influência negativa e continuar com seu próprio trabalho de crescimento espiritual. Mas o Netziv se levantou fortemente contra esta ideia, pois acreditava que enquanto o mundo estava sendo espiritualmente destruído, não era hora de focar na sua própria espiritualidade. Para incentivar as pessoas de sua geração, ele utilizava como exemplo a história do Rei Yoshiahu, que nasceu em uma geração completamente sem conhecimentos de Torá. O Rei Yoshiahu assumiu o trono com 8 anos, após a morte de seu pai, e decidiu fazer uma reforma no Beit Hamikdash (Templo Sagrado). No meio das obras, Chilkiahu, um dos Cohanim (sacerdotes), encontrou um Sefer Torá escondido. Eles viram que o Sefer Torá, ao invés de estar enrolado até o começo, na Parashá Bereshit, estava aberto no meio do Sefer, justamente na parte onde está o versículo "Maldito é aquele que não mantém as palavras desta Torá". Quando o Rei Yoshiahu escutou estas palavras, ele imediatamente rasgou suas roupas e disse: "Está sobre mim a responsabilidade de manter a Torá". Após muitos esforços e dedicação, ele realmente teve sucesso em trazer de volta o povo judeu ao estudo e ao cumprimento da Torá e das Mitzvót.

Há um versículo interessante na história do Rei Yoshiahu. Após encontrar o Sefer Torá, ele falou para os Cohanim e Leviim: "Agora vão e sirvam Hashem, seu D'us, e o Seu povo, Israel" (Divrei Haiamim II 35:3). Mas o que significa servir a D'us e ao Seu povo? Explica o Netziv que após os terríveis reinados de Menashé e Amon, reis que vieram antes de Yoshiahu e que levaram o povo judeu aos caminhos da idolatria, os únicos que haviam conseguido manter um nível espiritual elevado eram os Cohanim e os Leviim. Por isto, eles acabaram se refugiando em seu próprio mundo, para evitar o perigo da assimilação que os rondava. Eles dedicavam-se ao seu próprio crescimento espiritual e à sua conexão com D'us, mas negligenciaram a espiritualidade do resto do povo. Yoshiahu quis dar a eles um forte recado após encontrar o Sefer Torá. Ele os estimulou a mudar de comportamento e, a partir daquele momento, dedicar suas energias para espalhar a Torá entre aqueles que estavam tão afastados e desconectados. E o Rei Yoashiahu ressaltou que, ao servir o povo judeu, ao mesmo tempo eles estariam servindo a D'us, pois certamente esta era a vontade Dele naquele momento.

Se aquele que não se importa com a espiritualidade dos outros entra na maldição contida nesta Parashá, o contrário também é válido, e todo aquele que se esforça para influenciar positivamente os outros para que aumentem sua observância da Torá e das Mitzvót recebe um grande louvor de D'us. Um exemplo de dedicação ao próximo aprendemos com o Rav Isroel Meir HaCohen (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim. Ele não se preocupava apenas com o seu próprio serviço Divino, ele estava sempre preocupado com a espiritualidade dos outros. Certa vez, quando estava viajando pela Letônia, o Chafetz Chaim chegou a uma cidade chamada Riga. Lá havia uma grande comunidade judaica, mas completamente assimilada, que não cumpria as Mitzvót da Torá. Durante sua estadia de três semanas, o Chafetz Chaim fez tantos esforços que conseguiu convencer 300 judeus a não abrirem suas lojas no Shabat. Em outro momento ele escutou que alguns soldados judeus, por estarem no exército, comiam pão em Pessach. Ele ficou tão triste que criou um "Fundo para cozinha Kasher", para fornecer comida Kasher àqueles que iam para a guerra, e pessoalmente recolheu dinheiro para isso. Ele também entrava em contato pessoal com os soldados, para tentar influenciá-los a cumprir as Mitzvót. E quando grupos de soldados passavam pela sua cidade, Radin, durante o verão, o Chafetz Chaim carinhosamente os convidava para um verdadeiro banquete em sua casa, recebendo-os com amor paternal e encorajando-os a crescer espiritualmente.

Existem várias maneiras através das quais podemos ajudar outros judeus a estarem mais conectados com sua espiritualidade. Pode ser dando aulas, estabelecendo novos centros de estudo de Torá, ajudando a manter os centros de Torá já existentes ou simplesmente se aproximando das pessoas mais afastadas da Torá e convidando-as, por exemplo, para uma deliciosa refeição de Shabat.

Se o Rei Yoshiahu e o Netziv já ficavam tão preocupados em suas gerações, maior ainda é a nossa responsabilidade, em uma geração na qual os números da assimilação chegam a mais de 70% em vários lugares do mundo. Apesar de não nos sentirmos preparados, devemos saber que não estamos isentos de participar nesta importante missão. Se acreditarmos no nosso potencial e, mais ainda, assumirmos a nossa responsabilidade na continuidade da Torá, certamente D'us nos ajudará e teremos muito sucesso em trazer de volta aqueles que estão tão afastados de sua espiritualidade. Além de ajudar outras pessoas, estaremos garantindo mais Brachót para as nossas vidas.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).