sexta-feira, 3 de outubro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - YOM KIPUR 5775

BS"D


ENGANANDO A SI MESMO – YOM KIPUR 5775 (03 de outubro de 2014)


Certa vez uma pessoa comentou com o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) que naquele ano não pretendia pronunciar o texto do Vidui ("confissão", um texto compilado pelos nossos sábios que contém as transgressões que cometemos durante o ano e é repetido diversas vezes durante Yom Kipur). O Rambam se assustou com a afirmação daquele homem e questionou o motivo para tal atitude. O homem explicou:

- Eu refleti um pouco sobre as transgressões que o Vidui menciona, e sei que não cometi a grande maioria delas. Então se eu pronunciar estas transgressões que eu não cometi, estarei falando mentira. Por isso, por ser uma pessoa honesta, decidi não fazer o Vidui neste Yom Kipur.

- Talvez você não tenha entendido a verdadeira natureza do Vidui - respondeu o Rambam - Na realidade, em cada transgressão mencionada há diversos níveis, e certamente em algum nível você transgrediu e precisa se arrepender. Portanto, o simples fato de você achar que não transgrediu nada no Vidui já é uma transgressão por si só. A verdade é que você está deixando seu Yetser Hará (má inclinação) te enganar e te fazer pensar que seria uma desonestidade pronunciar o Vidui. Assim o Yetser Hará conseguirá que suas transgressões fiquem sem nenhum tipo de arrependimento, e certamente seus erros não serão consertados. Portanto, se você não pronunciar o Vidui, aí sim você estará sendo desonesto, mas com você mesmo."

O que o Rambam estava ensinando para aquele homem é que quando pronunciamos "Traímos", não se refere unicamente ao ato de trair fisicamente, mas também inclui fazer o mal para alguém que nos fez o bem. Quando pronunciamos "Roubamos", não se refere unicamente a tirar à força os bens de outra pessoa, inclui também utilizar bens de outros sem pedir permissão. Quando pronunciamos "sobre o pecado que cometemos diante de Você nas relações comerciais", não estamos apenas nos referindo a enganar clientes, mas também ao fato de atribuirmos o nosso sucesso ao nosso esforço e à nossa inteligência, e não à D'us. Assim, em todas as transgressões mencionadas no Vidui, há diversos níveis, e se procurarmos com honestidade, certamente encontraremos ainda muito o que consertar.

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Neste ano Yom Kipur, o Dia do Perdão, coincide com o Shabat. Apesar de podermos nos arrepender dos nossos erros qualquer dia do ano, Yom Kipur é um dia especial, um momento de Misericórdia Divina. Da mesma maneira que neste dia o povo judeu foi completamente perdoado pelo erro do bezerro de ouro, a mesma influência espiritual se repete para cada um de nós, e todo aquele que se arrepende de verdade e decide mudar seus atos recebe uma ajuda especial.

O serviço de Yom Kipur começa com o pronunciamento do famoso "Kol Nidrei", com seu tom solene e comovente, que desperta o coração de todos os judeus presentes nas sinagogas do mundo inteiro. Mas ao contrário do que muitos pensam, o "Kol Nidrei" não é uma reza, e sim a anulação de todas as promessas e juramentos que possamos ter feito durante o ano. Mas por que começar o serviço de Yom Kipur, este dia tão especial para o povo judeu, com a anulação de promessas e juramentos, se isto poderia ser feito em qualquer outro momento de Yom Kipur?

Responde o Rav Yehonasan Gefen que ao começar o serviço de Yom Kipur com o "Kol Nidrei", nossos sábios estavam nos transmitindo uma preciosa lição. Yom Kipur é o dia em que cada pessoa deve se submeter a um intenso processo de introspecção e autoanálise. É o dia em que cada um deve admitir honestamente seus erros e receber sobre si o compromisso de consertá-los no futuro. Mas para que este processo seja realmente efetivo, a pessoa precisa ser extremamente honesta consigo mesma, para evitar a autoenganação, que frequentemente nos desvia da busca pela verdade. No "Kol Nidrei" a pessoa começa o Yom Kipur justamente destacando sua preocupação com qualquer tipo de desonestidade. As promessas e juramentos não precisam ser feitos em público para terem validade, é algo que pode ser feito apenas com o conhecimento da própria pessoa. Por isso é necessário muita honestidade para anular as promessas e juramentos feitos de forma descuidada, pois não há ninguém para nos cobrar, apenas nós mesmos. Ao iniciar o serviço com o "Kol Nidrei", estamos reconhecendo a importância da honestidade e a natureza prejudicial de nos autoenganarmos, principalmente em Yom Kipur. Pois a aceitação sincera e honesta dos nossos erros é fundamental para voltarmos aos caminhos corretos.

Existem inúmeras fontes da Torá que demonstram o quanto uma pessoa ser desonesta consigo mesma pode ter como consequência muitas transgressões e decisões de vida completamente equivocadas. Um dos casos mais impressionantes é o de Lót, sobrinho de Avraham Avinu. Após passar muito tempo ao lado de Avraham, de quem poderia ter recebido boas influências, ele decidiu viver em Sdom (Sodoma), uma cidade habitada por pessoas cruéis e desalmadas. Mas por que Lót escolheu justamente a cidade de Sdom para morar? A Torá nos traz um motivo explícito: "E Lót levantou seus olhos e viu toda a Planície do Jordão, que era toda irrigada... como um jardim de D'us" (Bereshit 13:10). A Torá está nos afirmando que a escolha de Lót foi unicamente por motivos financeiros, pois Sdom era uma região com muitos pastos, um lugar propício para seus numerosos rebanhos. Mas Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, cita uma fonte da Torá Oral que afirma que Sdom era um lugar de imoralidades, e Lót escolheu morar lá para saciar seus desejos de imoralidade. Como entender esta aparente contradição? Qual foi o verdadeiro motivo que levou Lót a morar em Sdom, as necessidades dos seus rebanhos ou seus desejos imorais? E se o motivo real foi o desejo de imoralidade, como ensina a Torá Oral, então por que na Torá escrita está explícito que foi por motivos financeiros?

A resposta é que superficialmente Lót foi para Sdom por motivos financeiros. Porém, em uma análise psicológica mais profunda, a razão verdadeira foi a imoralidade. Portanto, não há nenhuma contradição, pois enquanto a Torá traz o motivo externo da escolha de Lót, a Torá Oral traz o motivo interno. Isto quer dizer que mesmo Lót acreditou que estava escolhendo Sdom por motivos financeiros, mas estava apenas enganando a si mesmo, pois sua verdadeira motivação eram os desejos imorais.

Poderíamos pensar que isto somente acontece com pessoas pequenas como Lót, que já tinha uma má índole. Mas a verdade é que mesmo grandes Tzadikim (Justos), pessoas de confiança de D'us, também caíram na armadilha da autoenganação. Um exemplo claro foi o que aconteceu com Shaul Hamelech (Rei Shaul), o primeiro rei de Israel, uma pessoa muito reta e temente a D'us. Ele recebeu o comando de lutar contra o povo de Amalek até exterminá-lo completamente, destruindo inclusive seus rebanhos. Porém, mesmo vencendo a guerra, Shaul Hamelech inexplicavelmente deixou vivo Agag, o rei de Amalek, e trouxe também alguns animais vivos, um óbvio desvio do comando explícito de D'us. O mais impressionante aconteceu quando Shaul HaMelech voltou da guerra, encontrou o profeta Shmuel e orgulhosamente exclamou: "Eu cumpri a vontade de D'us". (Melachim I 15:13). Shaul Hamelech não conseguiu perceber que havia cometido uma terrível transgressão, e se enganou a ponto de acreditar que realmente havia feito o que D'us havia pedido.

Estes episódios demonstram o imenso poder do Yetser Hará, que consegue nos induzir a mentirmos para nós mesmos, derrubando não apenas pessoas simples, mas até mesmo pessoas retas e justas. Se olharmos com atenção vários acontecimentos trágicos da Torá, perceberemos que muitas das grandes transgressões foram resultado das pessoas enganarem a si mesmas sobre qual era a verdadeira motivação de seus atos. Isto inclui a primeira transgressão da história da humanidade. Apesar de D'us ter explicitamente proibido Adam Harishon (Adão) de comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, ele chegou ao absurdo de racionalizar que se comesse do fruto proibido poderia obter um nível espiritual maior. Nossos sábios explicam que isto era apenas uma autoenganação, um motivo externo, pois a verdadeira motivação de Adam era ganhar certa independência de D'us.

A autoenganação nos faz pensar que existem várias áreas nas quais não precisamos melhorar. Como no caso da pessoa que falou com o Rambam, lemos o Vidui e não nos identificamos. Achamos que o Vidui é apenas para grandes transgressores, aqueles que cometem erros terríveis. Porém, a verdade é que temos muito o que melhorar em todas as áreas da vida, mas nunca procuramos com sinceridade nossas falhas. As pessoas podem viver a vida inteira completamente alheias aos seus próprios defeitos. E mesmo nos defeitos que conseguimos identificar em nós mesmos, acabamos buscando pessoas ou circunstâncias nas quais podemos colocar a culpa, ao invés de atribuir a nós mesmos a responsabilidade pelas falhas.

Yom Kipur é um grande presente que D'us deu ao povo judeu. É um "choque de realidade", a possibilidade de nos colocarmos diante do espelho e olharmos a verdade. Passamos o ano sentindo orgulho por sermos tão elevados e retos, mas o Vidui de Yom Kipur nos coloca de volta ao nosso verdadeiro lugar. O Vidui não foi escrito para nos fazer sentir mal ou deprimidos, mas para nos dar a possibilidade de identificar e consertar os nossos maus atos.

Quando uma pessoa é honesta com os outros, isso já é considerado que ela tem uma grande virtude. Mas acima de tudo, aquele que consegue ser honesto consigo mesmo é aquele que está destinado a atingir a grandeza espiritual.

SHABAT SHALOM, GMAR CHATIMÁ TOVÁ E TSOM KAL (que seja um jejum leve para todos)

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT E YOM KIPUR:
São Paulo: 17h46  Rio de Janeiro: 17h32  Belo Horizonte: 17h34  Jerusalém: 17h46
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

MENSAGEM DE ROSH HASHANÁ 5775

BS"D
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MENSAGEM DE ROSH HASHANÁ 5775

Estamos terminando mais um ano. Cada um de nós passou por alegrias e tristezas, sucessos e tropeços. Mas apesar das dificuldades, precisamos sempre agradecer a D'us, pois cada teste foi certamente uma oportunidade, uma chance de crescer em alguma nova área, de desenvolver novas habilidades. "Shehecheianu VeKiemanu Vehiguianu Lazman Hazé". Precisamos agradecer o simples fato de estarmos vivos, de D'us ter nos dado força para superarmos os obstáculos e inteligência para buscarmos soluções para os problemas que surgiram durante o ano. Como diz o ditado popular: "o único lugar onde não existem problemas é no cemitério". Enquanto estivermos vivos, teremos sempre novas oportunidades de crescer e de vencer os desafios que surgem nas nossas vidas.

Eu tenho muito para agradecer pelo ano que passou, pois cada semana do ano se tornou um pouco mais especial por causa do Shabat Shalom M@il. Já no domingo começava o processo de buscar um Dvar Torá, algo que pudesse tocar o coração das pessoas, ensinar como podemos sempre melhorar ou trazer um novo entendimento de algum trecho difícil da Torá. O próximo passo era procurar uma história que ilustrasse o ensinamento trazido. Finalmente começava o processo de colocar no papel o turbilhão de ideias que começava a surgir na minha cabeça, processo que terminava na 5ª feira de noite (é verdade, algumas vezes na 6ª de madrugada), quando o email era enviado e eu podia participar um pouquinho do Shabat na casa de cada um de vocês.

Por isso, ao fecharmos o ciclo de mais um ano, aproveito a oportunidade para agradecer por todo o apoio, por todos os elogios, incentivos e sugestões que recebi durante o ano. Me preenche muito saber que pude dar uma pequena contribuição para que a semana de cada um de vocês pudesse ter um pouquinho mais de espiritualidade. Espero que os ensinamentos possam ter ajudado todos a melhorarem e a crescerem espiritualmente.

Agradeço a cada um dos leitores, por serem a minha fonte de inspiração e motivação para continuar este trabalho. Agradeço à minha família, por aceitarem com alegria me "dividir" como o "Shabat Shalom M@il, que é escrito com horas e horas de dedicação. E acima de tudo, agradeço a D'us pela bondade de um dia ter me possibilitado voltar em Teshuvá e assumir esta maravilhosa missão de compartilhar com as pessoas o tesouro contido nos ensinamentos da Torá.

Aproveito também a oportunidade para pedir perdão a qualquer um que possa ter se ofendido, por qualquer mensagem que eu tenha enviado ou atitude que eu tenha tomado. Certamente não tive intenção de magoar ou ofender ninguém. Se alguém tiver alguma mágoa ou reclamação, por favor me avise para que eu possa pedir desculpas pessoalmente.

Que possamos aproveitar estes últimos dias do ano para aumentar nossos méritos, para reconstruir relacionamentos que possam ter ficado abalados e para pedir perdão àqueles que possamos ter magoado. Nestes últimos dias do ano abrem-se os portões da Misericórdia de D'us, e recebemos uma ajuda especial se quisermos crescer um pouco mais em Torá e Mitzvót. Que possamos ser inscritos no Livro da Vida, com muita saúde, sustento, alegrias, paz e espiritualidade. Que neste ano de 5775 possamos continuar nos encontrando, semanalmente, neste maravilhoso mundo dos conhecimentos da Torá.

SHANÁ TOVÁ

Com muito carinho,

Rav Efraim Birbojm

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SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT NITZAVIM, VAYELECH E ROSH HASHANÁ 5775

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JULGANDO NOSSA PROXIMIDADE COM D'US - PARASHIÓT NITZAVIM, VAYELECH E ROSH HASHANÁ 5775 (19 de setembro de 2014)


O Rav Saadia Gaon (Egito, 882 – Iraque, 942), um verdadeiro gigante de Torá, foi visto certa vez por um aluno se repreendendo de forma muito dura. O aluno questionou o porquê de ele estar sendo tão rigoroso consigo mesmo. Então o Rav Saadia Gaon explicou:

- Alguns meses atrás eu decidi que a honra que eu recebia das pessoas estava interferindo no meu serviço religioso. Sem humildade não é possível servir D'us com alegria. Decidi passar alguns meses em lugares onde ninguém me conhecia. Coloquei roupas simples e comecei meu exílio, vagando de cidade em cidade. Uma noite, cheguei a uma pequena pousada de um judeu idoso, um homem gentil e simples. Conversamos um pouco antes de ir dormir, e na manhã seguinte me despedi e segui meu caminho. Horas depois, alguns alunos que estavam me procurando apareceram e perguntaram ao judeu idoso se ele havia me visto. O homem riu e perguntou: "o que uma pessoa tão grande como o Rav Saadia estaria fazendo em um lugar como a minha pousada?". Mas quando os jovens explicaram como provavelmente eu estaria vestido, o homem deu um pulo e gritou: "Meu D'us, o Rav Saadia esteve aqui! Vocês estão certos!"

- Ele correu, pulou em sua carruagem e voou na direção em que eu tinha ido - continuou o Rav Saadia Gaon - Depois de um tempo ele me alcançou, saltou da carruagem e caiu aos meus pés, chorando: "Por favor, me perdoe, Rav Saadia, eu não sabia que era você!". Fiz ele se levantar e disse que ele havia me tratado muito bem, que não precisava se desculpar por nada. Mas ele continuava inconformado, dizendo: "Não, não, rabino. Se eu soubesse quem você era, eu teria te tratado de forma completamente diferente".

- Naquele momento eu percebi que aquele homem estava me ensinando uma lição muito importante e que o propósito do meu exílio havia se cumprido - finalizou o Rav Saadia Gaon - Agradeci, abençoei-o e ele voltou para casa. Agora, todas as noites, quando vou deitar, penso em como servi D'us o dia inteiro. Então me lembro daquele senhor e digo para mim mesmo: "Se eu soubesse sobre você, D'us, no início do dia o que sei agora, eu O teria tratado de forma completamente diferente!". E é justamente por isso que eu estava me arrependendo agora".

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Nitzavim e Vayelech. A Parashá Nitzavim nos ensina a Mitzvá de Teshuvá, que inclui o arrependimento pelos nossos maus atos e o comprometimento em mudar. Esta Parashá normalmente é lida antes de Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, dia que todas as pessoas são julgadas. Isto ocorre justamente para nos despertar, para nos ensinar que temos a possibilidade de nos arrepender por nossos erros e mudar, influenciando de forma positiva nosso julgamento. Mas será que sabemos realmente o que está em jogo em Rosh Hashaná?

O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204), em seu livro "Mishnê Torá", nos explica um pouco mais sobre o que ocorre em Rosh Hashaná. Ele diz que todas as pessoas têm méritos e transgressões. Aquele cujos méritos são mais numerosos que suas transgressões é Tzadik (Justo), e aquele cujas transgressões são mais numerosas dos que seus méritos é Rashá (malvado) (Hilchót Teshuvá Capítulo 3 Halachá 1). Já na Halachá (lei) seguinte, o Rambam explica que aqueles cujas transgressões são mais numerosas do que seus méritos imediatamente morrem por causa de sua maldade, e o mesmo se aplica a uma cidade ou ao mundo inteiro. Ele cita como exemplos a destruição da cidade de Sdom (Sodoma) e o dilúvio que ocorreu na época de Noach (Noé), que quase apagou toda a humanidade.

Mas estes ensinamentos do Rambam levantam alguns questionamentos. Em primeiro lugar, por que o Rambam dividiu seu ensinamento em duas Halachót diferentes, se elas tratam do mesmo tema, isto é, do que ocorre com alguém que tem mais méritos ou mais transgressões? Além disso, o Rambam cita Sdom e a destruição do mundo através do dilúvio como exemplos de decretos que se cumprem imediatamente. Porém, sabemos que ambos os decretos somente ocorreram muito tempo depois das pessoas já terem atingido níveis terríveis de maldade. Em especial o dilúvio, cuja destruição já havia sido decretada 120 anos antes dele ocorrer. Então como entender as palavras do Rambam?

Outra dúvida surge quando observamos a terceira Halachá deste capítulo e percebemos uma aparente contradição. O Rambam diz que, da mesma forma que após a morte a pessoa é julgada por seus atos, isto também ocorre uma vez por ano, em Rosh Hashaná. Aquele que é considerado Tzadik é selado para a vida, enquanto aquele que considerado Rashá é selado para a morte. Mas por que nesta Halachá o Rambam diz que o Rashá é selado para a morte, se ele havia dito que o Rashá morre imediatamente?

E a principal dificuldade nas palavras do Rambam é algo que nos questionamos todos os anos: como pode ser que aqueles que têm mais transgressões do que méritos recebem imediatamente o decreto de morte em Rosh Hashaná, se nós vemos pessoas ruins que já passaram por vários julgamentos de Rosh Hashaná e nada aconteceu? E por que nunca mais o mundo foi destruído, como no dilúvio? Com tantas gerações corruptas, imorais e sanguinárias que existiram na história da humanidade, será que nunca mais as transgressões foram mais numerosas do que os méritos?

O Rav Baruch Leff traz uma possível explicação que nos ajuda a responder todos estes questionamentos. Ele explica que há dois aspectos diferentes no julgamento de Rosh Hashaná. Um dos aspectos é que a pessoa recebe em Rosh Hashaná um "rótulo", que define seu status espiritual e seu relacionamento com D'us, independente de qualquer castigo ou consequência direta. É isso o que o Rambam está discutindo na primeira Halachá. Já na segunda Halachá o Rambam está descrevendo como ocorre a aplicação da justiça de acordo com o status espiritual que a pessoa recebeu. Mas nem sempre o julgamento e a aplicação da justiça acontecem juntos, pois D'us nos julga e aplica Sua justiça apenas em alguns momentos específicos, que podem ser épocas específicas do ano ou após certas atitudes das pessoas que podem despertar o julgamento ou a aplicação de um castigo.

Isto quer dizer que, mesmo que a pessoa seja um Rashá, não significa que ela será julgada imediatamente. E mesmo se for julgada e "rotulada" como Rashá, não quer dizer que vai morrer imediatamente. A linguagem utilizada pelo Rambam, "miad", que significa "imediatamente", também pode ser entendida como "inevitavelmente, certamente". Isto quer dizer que, a partir do momento em que uma pessoa, uma cidade ou o mundo inteiro forem considerados "Reshaim", então a morte ou a destruição certamente ocorrerão. Em Sua sabedoria infinita, D'us apenas decidirá quando será o momento correto.

Foi o que aconteceu em Sdom. Certamente eles já tinham o "rótulo" de Reshaim, mas a destruição foi precedida por eventos que despertaram a aplicação da justiça, como está escrito: "E assim disse D'us: 'Pois os gritos de Sdom e Amorá se tornaram muito grandes' "  (Bereshit 18:20). Nossos sábios explicam que naquele momento as injustiças chegaram a um nível insuportável, despertando a aplicação imediata do castigo. No dilúvio, o mundo inteiro já havia se corrompido há mais de uma centena de anos, mas o que despertou a aplicação do castigo foi a imoralidade, como está escrito poucos versículos antes da descrição do dilúvio: "E os Nefilim (gigantes) estavam na terra naqueles dias. E também depois disso, quando os filhos dos governantes vieram até as filhas dos homens" (Bereshit 6:4).

Após o dilúvio, D'us escolheu não castigar mais o mundo como um todo, mesmo que tivesse o "rótulo" de Rashá, como ele prometeu a Noach: "E Eu não mais golpearei todos os seres vivos, como Eu fiz" (Bereshit 8:21). Por isto o mundo inteiro nunca mais foi destruído, apesar de certamente já termos passado por algumas gerações nas quais as transgressões foram mais numerosas do que os méritos.

Agora é possível entender porque o julgamento de Rosh Hashaná é tão importante. Não apenas pelas consequências que podem vir do julgamento, mas principalmente pelo "rótulo" com o qual seremos classificados. E isto muda todo o nosso relacionamento com D'us, como o Rambam explica: "Grande é a força da Teshuvá, que aproxima o ser humano de D'us... ontem ele era odiado por D'us, e considerado repugnante e abominável, e hoje ele é amado e querido". (Halachót Teshuvá, Capítulo 7, Halachót 6). E na Halachá seguinte ele explica: "Quanto é elevado o nível da Teshuvá. Ontem ele estava separado de D'us... gritava e não era escutado, cumpria Mitzvót e elas eram rasgadas diante dele... Hoje ele está conectado com D'us... grita e é respondido imediatamente... faz Mitzvót e elas são recebidas com agrado e alegria".

Ninguém gosta de ser chamado de Rashá, muito menos por D'us. Em Rosh Hashaná nosso status espiritual é decidido. Se somos Tzadikim ou Reshaim, se somos amados ou desprezados por Ele. E apesar de todos os erros que cometemos durante o ano, D'us nos deu um presente, que é a força da Teshuvá, a possibilidade de mudarmos nossos atos, de nos arrependermos pelos nossos erros. Quando nos arrependemos com sinceridade, nossos erros são apagados. Se nos arrependemos por amor a D'us, nossos erros são transformados em Mitzvót. A Teshuvá não apenas nos salva das punições, mas tem a incrível força de recriar nossa conexão com D'us e mudar nosso status espiritual. Toda a ajuda espiritual que teremos para crescer no próximo ano depende do julgamento de Rosh Hashaná.

O principal pensamento de Teshuvá em Rosh Hashaná deve ser de voltar a fazer de D'us o nosso Melech (rei). Apesar de Ele ser o nosso Pai, Ele é também o nosso Rei, e por isso devemos respeitar Suas leis e escutar Seus ensinamentos. Devemos saber que tudo o que Ele nos comandou é apenas para o nosso bem, para que possamos viver uma vida mais harmônica, para que possamos fazer o bem às outras pessoas e trabalharmos nossos traços de caráter. Somente através do estudo da Torá, do cumprimento das Mitzvót e do arrependimento sincero pelos nossos erros é que vamos conseguir atingir um dia a perfeição.

Na próxima 4ª feira de noite (24/09) começa Rosh Hashaná. Que possamos nos esforçar neste "sprint final" para melhorarmos nossos atos, e assim possamos todos ser "rotulados" como Tzadikim, para que nossas Tefilót (rezas) sejam recebidas de bom grado por D'us e possamos ter um ano com muitas Brachót (bençãos) e boas notícias para toda a humanidade.

SHETIKATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM (Que sejamos inscritos e selados no Livro da Vida)

SHABAT SHALOM e SHANÁ TOVÁ

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TAVÔ 5774

BS"D
A ESPIRITUALIDADE DOS OUTROS - PARASHÁ Ki TAVÔ 5774 (12 de setembro de 2014)


"Certa vez, um rabino que dedicava sua vida a tentar aproximar da Torá os judeus que estavam mais afastados foi duramente questionado por outro judeu observante:

- Você não acha que é uma grande tolice se expor tanto às influências externas? Ao invés de gastar seu tempo e sua energia para ensinar Torá aos judeus afastados, será que você não deveria dedicar-se completamente ao seu próprio crescimento espiritual e ao fortalecimento dos seus filhos?

- Imagine uma casa pegando fogo – continuou o homem, visivelmente exaltado – Somente parte da mobília pode ser salva. Alguns móveis estão um pouco queimados, enquanto outros estão em perfeito estado. Me diga, você salvaria os móveis queimados? Certamente que não! Você trataria de salvar apenas os móveis em perfeito estado, e deixaria os móveis queimados para trás. Então por que você não faz isso? Será que não é mais importante salvar você e seus filhos, ao invés de dedicar-se aos judeus afastados?

- Caro amigo – respondeu com carinho o rabino – entendo sua preocupação e achei excelente o exemplo que você utilizou. Certamente estamos em uma geração na qual os judeus se encontram cercados pelo fogo da assimilação, e nosso judaísmo corre um sério risco de se extinguir. Porém, o que você falou se aplicaria somente em relação aos móveis que estão em uma casa pegando fogo. Mas o que você faria em relação às pessoas que estão presas dentro da casa? Com um pouco de esforço podemos ajudar aqueles que estão saudáveis, pois eles podem correr e salvar suas próprias vidas. Mas um grande esforço é necessário para salvar a vida daqueles que estão feridos, pois eles não conseguem sair sozinhos. Você os deixaria para trás?"

Obviamente temos uma enorme responsabilidade de nos fortalecer e educar nossos filhos dentro dos valores judaicos, e para isso precisamos dedicar muito tempo e energia. Mas isto não nos isenta de nos preocuparmos com os outros judeus, principalmente aqueles que estão mais afastados da Torá.

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Na Parashá desta semana, Ki Tavô, Moshé comandou o povo judeu a se reunir em duas montanhas, Guerizin e Eval, para uma nova aceitação da Torá logo que entrassem na Terra de Israel. Doze mandamentos da Torá deveriam ser enumerados, e as pessoas deveriam reconhecer publicamente que aqueles que cumprissem os mandamentos receberiam Brachót (bênçãos), enquanto maldições atingiriam aqueles que os desprezassem. Mas observando com atenção estes mandamentos, algo nos chama a atenção. Cada um deles discute algum ato específico, com exceção do último mandamento, que parece ser mais genérico: " 'Maldito aquele que não mantém as palavras desta Torá, para cumpri-las'. E todo o povo deverá dizer 'Amém' " (Devarim 27:26). O que significam estas palavras tão vagas?

Explica o Ramban (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) que esta maldição se aplica àquele que estuda, ensina, guarda e cumpre os mandamentos da Torá, mas que apesar de ter a possibilidade de aproximar judeus afastados e fortalecer a Torá deles, não faz nada a respeito. Isto quer dizer que esta maldição se aplica até mesmo para aqueles que são completamente justos e retos em seus atos, mas que não se esforçam para fortalecer os conhecimentos de Torá daqueles que não a cumprem. Todos aqueles que têm o poder de influenciar positivamente os outros e não o fazem, recebem sobre si a maldição proferida no Monte Eval, mas aqueles que se esforçam e tentam influenciar os outros de maneira positiva recebem a Brachá proferida no Monte Guerizim.

Temos uma inclinação natural de pensar que não se importar com a espiritualidade dos outros não é algo tão grave. Porém, observando as transgressões que são enumeradas nas outras maldições, podemos começar a ter uma ideia mais clara da gravidade de deixar de aproximar aqueles que estão mais afastados. Por exemplo, a Torá traz as proibições de fazer imagens esculpidas (idolatria), de desprezar os pais, de se envolver em relações imorais e de ferir o companheiro de maneira secreta (que se refere ao Lashon Hará, isso é, denegrir o próximo pelas costas, de maneira covarde). Se o fato de deixar de se importar com a espiritualidade dos outros foi listado junto com transgressões tão graves, isto quer dizer que certamente também esta negligência é considerada grave aos olhos de D'us.

O Rav Naftali Tzvi Yehuda Berlin (Rússia, 1816 - Polônia, 1893), mais conhecido como Netziv, viveu em uma geração na qual já havia um grande fluxo de judeus que abandonavam a Torá e as Mitzvót para se conectarem a outros tipos de ideologia. Na época, muitos judeus observantes acreditavam que o ideal era se isolar de qualquer tipo de influência negativa e continuar com seu próprio trabalho de crescimento espiritual. Mas o Netziv se levantou fortemente contra esta ideia, pois acreditava que enquanto o mundo estava sendo espiritualmente destruído, não era hora de focar na sua própria espiritualidade. Para incentivar as pessoas de sua geração, ele utilizava como exemplo a história do Rei Yoshiahu, que nasceu em uma geração completamente sem conhecimentos de Torá. O Rei Yoshiahu assumiu o trono com 8 anos, após a morte de seu pai, e decidiu fazer uma reforma no Beit Hamikdash (Templo Sagrado). No meio das obras, Chilkiahu, um dos Cohanim (sacerdotes), encontrou um Sefer Torá escondido. Eles viram que o Sefer Torá, ao invés de estar enrolado até o começo, na Parashá Bereshit, estava aberto no meio do Sefer, justamente na parte onde está o versículo "Maldito é aquele que não mantém as palavras desta Torá". Quando o Rei Yoshiahu escutou estas palavras, ele imediatamente rasgou suas roupas e disse: "Está sobre mim a responsabilidade de manter a Torá". Após muitos esforços e dedicação, ele realmente teve sucesso em trazer de volta o povo judeu ao estudo e ao cumprimento da Torá e das Mitzvót.

Há um versículo interessante na história do Rei Yoshiahu. Após encontrar o Sefer Torá, ele falou para os Cohanim e Leviim: "Agora vão e sirvam Hashem, seu D'us, e o Seu povo, Israel" (Divrei Haiamim II 35:3). Mas o que significa servir a D'us e ao Seu povo? Explica o Netziv que após os terríveis reinados de Menashé e Amon, reis que vieram antes de Yoshiahu e que levaram o povo judeu aos caminhos da idolatria, os únicos que haviam conseguido manter um nível espiritual elevado eram os Cohanim e os Leviim. Por isto, eles acabaram se refugiando em seu próprio mundo, para evitar o perigo da assimilação que os rondava. Eles dedicavam-se ao seu próprio crescimento espiritual e à sua conexão com D'us, mas negligenciaram a espiritualidade do resto do povo. Yoshiahu quis dar a eles um forte recado após encontrar o Sefer Torá. Ele os estimulou a mudar de comportamento e, a partir daquele momento, dedicar suas energias para espalhar a Torá entre aqueles que estavam tão afastados e desconectados. E o Rei Yoashiahu ressaltou que, ao servir o povo judeu, ao mesmo tempo eles estariam servindo a D'us, pois certamente esta era a vontade Dele naquele momento.

Se aquele que não se importa com a espiritualidade dos outros entra na maldição contida nesta Parashá, o contrário também é válido, e todo aquele que se esforça para influenciar positivamente os outros para que aumentem sua observância da Torá e das Mitzvót recebe um grande louvor de D'us. Um exemplo de dedicação ao próximo aprendemos com o Rav Isroel Meir HaCohen (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim. Ele não se preocupava apenas com o seu próprio serviço Divino, ele estava sempre preocupado com a espiritualidade dos outros. Certa vez, quando estava viajando pela Letônia, o Chafetz Chaim chegou a uma cidade chamada Riga. Lá havia uma grande comunidade judaica, mas completamente assimilada, que não cumpria as Mitzvót da Torá. Durante sua estadia de três semanas, o Chafetz Chaim fez tantos esforços que conseguiu convencer 300 judeus a não abrirem suas lojas no Shabat. Em outro momento ele escutou que alguns soldados judeus, por estarem no exército, comiam pão em Pessach. Ele ficou tão triste que criou um "Fundo para cozinha Kasher", para fornecer comida Kasher àqueles que iam para a guerra, e pessoalmente recolheu dinheiro para isso. Ele também entrava em contato pessoal com os soldados, para tentar influenciá-los a cumprir as Mitzvót. E quando grupos de soldados passavam pela sua cidade, Radin, durante o verão, o Chafetz Chaim carinhosamente os convidava para um verdadeiro banquete em sua casa, recebendo-os com amor paternal e encorajando-os a crescer espiritualmente.

Existem várias maneiras através das quais podemos ajudar outros judeus a estarem mais conectados com sua espiritualidade. Pode ser dando aulas, estabelecendo novos centros de estudo de Torá, ajudando a manter os centros de Torá já existentes ou simplesmente se aproximando das pessoas mais afastadas da Torá e convidando-as, por exemplo, para uma deliciosa refeição de Shabat.

Se o Rei Yoshiahu e o Netziv já ficavam tão preocupados em suas gerações, maior ainda é a nossa responsabilidade, em uma geração na qual os números da assimilação chegam a mais de 70% em vários lugares do mundo. Apesar de não nos sentirmos preparados, devemos saber que não estamos isentos de participar nesta importante missão. Se acreditarmos no nosso potencial e, mais ainda, assumirmos a nossa responsabilidade na continuidade da Torá, certamente D'us nos ajudará e teremos muito sucesso em trazer de volta aqueles que estão tão afastados de sua espiritualidade. Além de ajudar outras pessoas, estaremos garantindo mais Brachót para as nossas vidas.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TETSÊ 5774

BS"D
A FORÇA DO HÁBITO - PARASHÁ KI TETSÊ 5774 (05 de setembro de 2014)

"O rabino estava dando um belo discurso, explicando a importância de estarmos sempre conectados com a nossa espiritualidade, mesmo quando não estamos na sinagoga. Ele ressaltou a importância de termos pensamentos de espiritualidade até mesmo quando estamos no trabalho, no meio dos negócios. Um dos frequentadores, querendo fazer uma piadinha, se levantou e gritou:

- Ei, rabino, eu não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Como você quer que eu consiga fazer negócios e mesmo assim ainda pensar em Torá e Mitzvót?

- É fácil, meu querido - respondeu o rabino, sem se abalar - da mesma maneira que você consegue todos os dias pensar nos seus negócios mesmo estando no meio da sua Tefilá (reza), então você também vai conseguir pensar em espiritualidade mesmo quando estiver no meio dos seus negócios"  

Pela força do hábito, muitas vezes acabamos cumprindo as Mitzvót de forma mecânica. Como na Tefilá, quando muitas vezes nosso corpo está na sinagoga, mas nossa cabeça está vagando em diferentes lugares do planeta...

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Na Parashá desta semana, Ki Tetsê, a Torá lista os povos que não podem fazer parte do povo judeu de forma completa. Para alguns povos, como os egípcios, a proibição é por apenas algumas poucas gerações, mas para outros povos, como Amon e Moav, a proibição é eterna. Mas por que esta rigorosidade com Amon e Moav? Eles foram piores do que os egípcios, que nos escravizaram e nos torturaram por 210 anos?

A Torá traz explicitamente dois motivos pelos quais Amon e Moav não são aceitos como parte do povo judeu, sendo o primeiro deles: "Pelo fato deles não terem recebido vocês com pão e água no caminho, quando vocês estavam saindo do Egito" (Devarim 23:5). Amon e Moav viram diante deles um povo de pessoas sofridas, que haviam passado por dois séculos de duros castigos e humilhações no Egito, e que estavam em um deserto inóspito, mas mesmo assim não tiveram a dignidade de nos oferecer nem mesmo pão e água. Seria o equivalente a ver um sobrevivente do Holocausto, magro e abatido, pedindo um prato de comida, e não sentir absolutamente nenhuma misericórdia por ele. Como a essência do povo judeu é o Chessed (bondade), característica que herdamos de Avraham Avinu, então pessoas tão desumanos como os habitantes de Amon e Moav não podem fazer parte do nosso povo.

Porém, esta extrema falta de bondade de Amon e Moav levanta um sério questionamento. Os dois povos são descendentes de Lót, o sobrinho de Avraham. E a Torá nos ensina que Lót, como Avraham, se destacou justamente na característica de Chessed, chegando ao ponto de arriscar sua vida e a integridade física de suas próprias filhas apenas para fazer bondade com dois beduínos, que na verdade eram anjos disfarçados. Sabemos que até hoje o Chessed é parte do povo judeu por causa da "genética espiritual" que herdamos de Avraham. Então por que Amon e Moav, que também deveriam ter esta característica de Chessed embutida em sua "genética espiritual" herdada de Lót, se comportaram de maneira tão desumana e mostraram tamanha indiferença diante de pessoas necessitadas?

Explica o Rav Yaacov Ashkenazy (Polônia, 1550, 1625), mais conhecido como "Melitz Yosher", que uma pessoa que cumpre uma Mitzvá ou pratica um bom ato por causa do reconhecimento interno da importância deste ato e pelo genuíno desejo de ajudar os outros, faz com que esta boa característica fique enraizada em seu coração, conseguindo transmiti-la para as futuras gerações. Mas se esta boa característica vem apenas pela força do hábito, então ela não fica enraizada no coração da pessoa e, portanto, não é transmitida para seus descendentes.

Esta foi a grande diferença entre os descendentes de Avraham e os descendentes de Lót. Avraham buscou D'us por toda a sua vida, para saber a quem agradecer por tudo de bom que recebia. Esta busca fez com que Avraham refletisse sobre a importância da bondade e entendesse de maneira profunda que o Chessed é um dos pilares que sustenta o mundo. Como ele internalizou esta Mitzvá em seu coração, esta característica foi transmitida também ao coração de seus descendentes. Já Lót não trabalhou em seu coração o valor do Chessed. Por sua longa convivência com Avraham, um homem que aproveitava cada pequena oportunidade para fazer Chessed, Lót aprendeu a fazer bondades simplesmente como um hábito, como parte natural da vida, mas nunca internalizou a sua importância, simplesmente fazia bondades de forma mecânica. Por isso esta característica não foi transmitida aos seus descendentes, que acabaram se transformando, poucas gerações depois, em pessoas egoístas e completamente insensíveis.

Com este ensinamento do "Melitz Yosher" podemos entender um triste fenômeno, que é o de jovens educados em casas observantes de Mitzvót, mas que acabam se afastando dos caminhos espirituais. Por que isto acontece? Pois quando os pais cumprem as Mitzvót sem internalizar o significado dos seus atos e a importância deles, cumprindo-as apenas por hábito e de maneira mecânica, então dificilmente conseguirão transmitir aos filhos a atitude correta em relação às Mitzvót. Assim, os filhos também apenas cumprirão as Mitzvót de maneira mecânica e, mais cedo ou mais tarde, acabarão abandonando-as.

Há outro ponto interessante sobre este incrível ensinamento do "Melitz Yosher". Apesar de muitas vezes estarmos dispostos a gastar esforços, tempo e até mesmo dinheiro para cumprir uma Mitzvá, ainda assim não é uma garantia que esta Mitzvá não está sendo cumprida apenas por hábito. Lót chegou ao ponto de arriscar a sua vida para cumprir uma Mitzvá, mas mesmo assim a Torá ainda considera que esta Mitzvá foi feita apenas pela força do hábito, tendo pouco valor espiritual. Portanto, precisamos o tempo inteiro verificar nossos atos, para checar se estamos cumprindo as Mitzvót com o coração, internalizando sua importância e o seu impacto espiritual, ou se estamos apenas cumprindo de maneira mecânica, por força do hábito, mas sem nenhuma profundidade espiritual.

Em Mitzvót que se repetem poucas vezes durante nossa vida é mais fácil sentir a espiritualidade do momento. Por exemplo, quando uma pessoa participa do Brit-Milá de seu filho, ou faz a Brachá sobre seus "Arba Minim" (4 espécies) em Sucót, ela consegue se concentrar e ter Kavaná (intenção) em suas palavras e seus atos. Mas a grande dificuldade está justamente nas Mitzvót constantes, que repetimos várias vezes todos os dias, como a Tefilá (reza). Pronunciamos 3 vezes por dia, 7 dias por semana, praticamente as mesmas palavras, e por isso é tão difícil manter a concentração. Muitas vezes estamos no meio da Tefilá e percebemos que nossa cabeça está distante, pensando nos negócios, na viagem de férias ou simplesmente naquele dinheiro que estamos devendo a um amigo. Como lutar contra a força do hábito nestes casos?

Explicam nossos sábios que precisamos todos os dias tentar trazer um gosto novo para nossas Mitzvót. Por exemplo, estudando sobre o significado das palavras que mencionamos na Tefilá, desde o entendimento mais simples até as implicações mais profundas de cada uma das palavras que nossos sábios fixaram no Sidur. Algumas vezes podemos mudar de Sidur, simplesmente para quebrar a rotina. Outras vezes podemos fazer a Tefilá em um lugar diferente da sinagoga, ou até mesmo em outra sinagoga, apenas pelo efeito de renovação que isto pode trazer, para fugir da força do hábito.

Estamos no mês de Elul, o mês de preparação espiritual para Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento. Certamente há muitas Mitzvót que ainda não cumprimos e que gostaríamos de começar a cumprir, e esta é a época propícia do ano para receber sobre nós um crescimento espiritual. Mas além de acrescentar na quantidade de Mitzvót que gostaríamos de cumprir, um trabalho muito importante é acrescentar na qualidade daquelas Mitzvót que nós já cumprimos, mas que, por causa da força do hábito, acabam se tornando apenas atos mecânicos.

Internalizar a importância de cada Mitzvá e enraizá-la nos nossos corações é a melhor forma de garantir que não apenas nosso próprio serviço espiritual será muito mais significativo, mas que também teremos mais sucesso na transmissão dos valores judaicos para todos os nossos descendentes.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHOFTIM 5774

BS"D
ESPANTANDO A MORTE - PARASHÁ SHOFTIM 5774 (29 de agosto de 2014)

Era uma sexta-feira de tarde e Jony, que ainda era um calouro na faculdade, voltava para casa. Ele viu Caio, um rapaz da sua sala, caminhando para casa e levando todos os seus livros. Jony se perguntou por que alguém levaria para casa tantos livros na sexta-feira. Chegou à conclusão de que aquele rapaz deveria ser um "Nerd". No final de semana de Jony não havia espaço para livros. Já estava tudo planejado: festas, diversões e um jogo de futebol com os amigos no domingo. Conforme Jony foi caminhando, viu um grupo de rapazes correndo em direção a Caio. Eles arrancaram todos os livros dele e, dando gargalhadas, o empurraram. Caio caiu no chão, enquanto seus óculos voaram longe.

Caio levantou o rosto e Jony viu uma terrível tristeza em seu olhar. Ficou com pena e correu para ajudá-lo. Não pôde deixar de reparar na lágrima que escorria pelo rosto de Caio enquanto ele agradecia pela ajuda. Começaram a conversar e Jony descobriu que Caio morava perto de sua casa. Voltaram juntos, e Caio revelou ser um rapaz legal. Jony aproveitou para convidá-lo para jogar futebol no domingo. Na segunda-feira Caio voltou com todos os seus livros para a faculdade. Jony fez uma pequena piada e perguntou por que levar e trazer de volta todos os livros, mas Caio não respondeu, simplesmente mudou de assunto. Jony e Caio acabaram se tornando melhores amigos durante os anos de faculdade.

Os anos se passaram e a formatura da faculdade se aproximava. Caio foi escolhido como o orador oficial da turma. Ele havia realmente se encontrado durante aqueles anos de faculdade. Estava mais encorpado e havia se tornado um rapaz bonito, respeitado pelos amigos e popular entre as meninas. Visivelmente nervoso, Caio subiu no palco e começou seu discurso:

- A formatura é um momento especial, no qual podemos agradecer àqueles que nos ajudaram durante estes anos difíceis. Pais, professores, irmãos... mas principalmente aos amigos. Eu estou aqui para dizer que ser um amigo para alguém é o melhor presente que você pode dar a outra pessoa. E eu vou explicar porque isto é tão importante...

Para a surpresa de Jony, Caio começou a relembrar o dia em que eles se conheceram, anos atrás. E ele revelou algo terrível. Caio contou que estava muito infeliz, se sentindo deslocado na faculdade, sem amigos. Sua tristeza era tanta que ele havia planejado se matar naquele final de semana. Caio revelou então o mistério dos livros: naquela sexta-feira, ele havia esvaziado seu armário para que sua mãe não tivesse que fazer isso depois que ele se matasse. Caio, visivelmente emocionado, olhou diretamente nos olhos de Jony, deu um sorriso e disse: "Com uma pequena atitude, meu amigo salvou minha vida".

Aquele rapaz popular e bonito contava a todos, de forma aberta e corajosa, sobre um momento de fraqueza. Até aquele dia Jony jamais havia se dado conta da grandeza do ato que havia feito. Naquele instante ele aprendeu a lição mais importante de sua vida: com um pequeno gesto, podemos mudar completamente a vida de uma pessoa, e até mesmo salvar uma vida.

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Na Parashá desta semana, Shoftim, entre outros assuntos, a Torá descreve uma situação na qual um corpo é encontrado em uma região não habitada, no caminho entre duas ou mais cidades, de forma que não é possível identificar o assassino e nem mesmo de onde aquela pessoa que foi morta estava vindo. A Torá então nos ensina que nesta situação deveria ser feito um ritual de expiação por aquele crime hediondo. Por não ser possível saber de onde o morto havia vindo, todas as cidades em volta eram medidas e a cidade mais próxima ao corpo assumia a "responsabilidade". Entre outros procedimentos, os anciãos desta cidade tinham que fazer uma declaração: "Nossas mãos não derramaram este sangue" (Devarim 21:7).

O Talmud (Sotá 45b) questiona a necessidade desta declaração. Por que justamente sobre os anciãos da cidade, as pessoas mais justas e corretas, recairia a suspeita de que eles haviam matado aquela pessoa? Qual é a lógica desta estranha declaração, que fazia parte obrigatória desta cerimônia descrita pela Torá?

O Talmud responde que em nenhum momento a Torá estava suspeitando que os anciãos houvessem cometido o assassinato. Mas justamente por serem os maiores Tzadikim (Justos) da cidade, era esperado deles que tivessem recebido aquele homem e cumprido da maneira correta a Mitzvá de "Achnassat Orchim" (receber bem os convidados). Segundo o Talmud, a declaração dos anciãos de que "nossas mãos não derramaram este sangue" na verdade queria dizer que, se aquele homem tivesse passado pela cidade deles, certamente teria recebido os cuidados necessários e não teria saído sem provisões e sem o devido acompanhamento.

Destas palavras do Talmud fica implícito que se a vítima tivesse sido acompanhada e tivesse levado provisões, certamente não teria sido assassinada. Mas como o Talmud pode afirmar que se o homem tivesse sido acompanhado ele não teria morrido? A pergunta fica ainda mais difícil de acordo com o Rav Yehuda Loew (Praga, 1525 - 1609), mais conhecido como Maharal de Praga, que afirma que para cumprir a Mitzvá de "Levaia" (acompanhar o convidado no momento da despedida) não é necessário acompanhar o convidado até a cidade vizinha, basta acompanhá-lo por "4 Amót" (Amá é uma medida da Torá, que equivale a aproximadamente meio metro) fora de casa. Portanto, o que estes poucos passos acompanhando o convidado mudariam na segurança dele? Além disso, não há nenhuma menção na Halachá (Lei Judaica) de que a pessoa deveria estar armada quando acompanhava seu convidado no caminho. Portanto, como o simples ato de acompanhar o convidado poderia ter prevenido sua morte?

O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) aumenta ainda mais este questionamento ao afirmar que, dentre os vários componentes da Mitzvá de "Hachnassat Orchim", justamente a parte de acompanhar o convidado no momento da despedida é a mais importante. Como pode ser que acompanhar uma pessoa em parte do caminho pode ser mais importante do que lhe oferecer comida ou um lugar para descansar?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a Torá está nos ensinando um fundamento muito importante em relação à psicologia do ser humano. Quando alguém está visitando uma cidade ou está perdido, geralmente está mais suscetível a ser atacado ou roubado do que alguém que é morador da cidade. A razão é que quando um ladrão escolhe sua vítima, normalmente ele busca certo perfil. O ladrão tem medo que sua vítima possa reagir, sacando uma arma ou simplesmente entrando em uma luta corporal para se proteger. Por isso, em geral os ladrões escolhem pessoas que aparentam estar mais vulneráveis e com menos iniciativa de se defender. Uma pessoa que não está familiarizada com o ambiente tende a projetar sua falta de confiança na maneira como se comporta, tornando-se assim uma vítima mais atrativa para o ladrão que, com seu "olho clínico", facilmente percebe esta fragilidade.

É neste sentido que acompanhar um convidado pode salvar a vida dele. Quando acompanhamos alguém que se sente estranho ao ambiente, mesmo que sejam apenas alguns poucos passos, estamos transmitindo nossa tristeza com sua partida e demonstrando que gostaríamos de estar com ele. Isto dá para a pessoa, em última instância, um forte sentimento de pertencer àquele local. A pessoa se sente fortemente conectada ao lugar de onde ela está saindo e, por isso, caminha com um ar de confiança, o que pode afastar potenciais ladrões de quererem atacá-lo. Em contraste, mesmo que a pessoa dê ao visitante comida, bebida e um lugar para dormir, se ela não o acompanha ao menos por alguns passos no momento em que ele está deixando a cidade, o visitante se sente desconectado e emocionalmente fraco. Isto acabará se refletindo em atitudes que projetam a sua falta de confiança, resultando em uma maior propensão de ser atacado por algum bandido que está escondido nas sombras, à espera de uma vítima.

Atualmente, educadores e psicólogos têm discutido muito a ameaça do "bullying" e suas consequências negativas no desenvolvimento saudável de uma criança. Mas os efeitos psicológicos dos nossos atos sobre a autoestima de outras pessoas já foram ensinados há mais de 3 mil anos pela Torá. E esta é justamente a lição da Parashá: através de pequenas atitudes em relação às outras pessoas podemos influenciar de maneira muito marcante a vida delas, de forma positiva ou negativa. Precisamos aproveitar este potencial que temos, de através de pequenos atos dar aos outros mais confiança e autoestima. Um elogio ou uma demonstração de se importar com o próximo podem mudar o rumo de uma vida. Com estas pequenas atitudes, podemos estar trazendo muita vida para o mundo sem nem mesmo perceber.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ REÊ 5774

BS"D

QUEM AJUDA QUEM? - PARASHÁ REÊ 5774 (22 de agosto de 2014)

"O Raban Yohanan ben Zakai, um dos maiores sábios da época do 2º Templo, era uma pessoa muito elevada espiritualmente. Certa vez ele viu em um sonho que seus sobrinhos, filhos de sua irmã, perderiam naquele ano setecentos dinarim (moeda da época), uma enorme quantia de dinheiro. Sem contar nada a eles sobre o sonho, Raban Yohanan forçou-os a dar-lhe aquela quantia de 700 dinarim para que ele distribuísse entre os pobres e necessitados. Mas seus sobrinhos, apesar de serem homens de negócio muito ricos, não deram o valor completo e deixaram faltando 17 dinarim.

Na véspera de Yom Kipur, oficiais do governo chegaram para prender os sobrinhos do Raban Yohanan ben Zakai. Eles foram falsamente acusados de sonegação de impostos e mandados para a prisão. O Raban Yohanan foi visitá-los e os tranquilizou, dizendo que quando pegassem deles os 17 dinarim que faltavam, eles seriam soltos e não perderiam mais nenhum centavo. Os sobrinhos questionaram como ele sabia daquilo, e o Raban Yohanan ben Zakai esclareceu:

- Eu já havia sido informado em um sonho do decreto que vocês perderiam 700 dinarim neste ano.

- Então por que você não nos disse nada? - questionaram os sobrinhos - Certamente se nós soubéssemos, teríamos dado os 700 dinarim completos e teríamos evitado estes problemas!

- Eu queria que vocês cumprissem a Mitzvá de Tsedaká de forma sincera, apenas pelo ato de fazer bondade, e não com segundas intenções. Se eu tivesse contado o sonho, vocês teriam me dado o dinheiro apenas para poupar sofrimentos, não para ajudar os pobres. (História Real, Talmud Baba Batra 10a).

Mesmo as perdas financeiras e os sofrimentos que elas envolvem podem ser transformados em méritos se utilizamos nosso dinheiro para dar Tzedaká.

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A Parashá desta semana, Reê, traz diversos assuntos distintos, como o cuidado com falsos profetas, as leis de Kashrut e as Festas judaicas. Outro assunto trazido pela Parashá é a importância de sermos misericordiosos com os pobres, como está escrito: "Se houver um pobre entre vocês, qualquer um de seus irmãos em qualquer uma das suas cidades... você não deve endurecer seu coração e nem fechar sua mão para seu irmão pobre" (Devarim 15:7). A Torá nos ensina a sermos generosos e darmos Tzedaká (caridade) a todos aqueles que estão em dificuldade.

Quando uma pessoa rica ajuda um pobre, aparentemente é o pobre quem está recebendo algo. Mas nossos sábios ensinam que isto não é verdade. O Talmud (Baba Batra 10a) conta que certa vez um malvado romano chamado Turnus Rufus questionou de forma irônica o grande sábio Rabi Akiva. Ele perguntou: "Se o seu D'us gosta tanto dos pobres, por que Ele não os sustenta?". Rabi Akiva não se abalou com o questionamento e respondeu: "Para nos salvar dos sofrimentos do Guehinom (local de expiação espiritual que as almas passam depois do falecimento)". O Rabi Akiva, em sua resposta, nos ensina algo fantástico: pensamos que é o rico que ajuda o pobre, mas na verdade é o pobre que ajuda o rico.

O mesmo conceito aprendemos da história de Ruth, a moabita que se converteu ao judaísmo e se tornou uma grande Tzadeket (Justa) dentro do povo judeu, meritando ser a bisavó de David HaMelech (Rei David). Ela era da realeza de Moav, um povo idólatra, e abandonou todo o conforto da casa de seus pais para seguir o caminho de D'us. Ela foi para Israel com sua sogra, Naomi, em estado de pobreza total, sem ter nem mesmo o que comer. Ela então foi buscar trigo nos campos de um homem piedoso chamado Boaz, que cumpria a Halachá (lei judaica) de deixar parte da colheita para os pobres recolherem. Quando Ruth voltou para casa com uma enorme quantidade de trigo e sua sogra perguntou onde ela havia conseguido tanta fartura, ela respondeu: "O nome do homem para quem eu trabalhei hoje é Boaz" (Ruth 2:19). Mas o que significam estas palavras de Ruth? Ela havia feito algo por Boaz, o dono do campo? Havia trabalhado para ele? Responde o Midrash (Ruth Rabá) que daqui aprendemos que mais do que o rico faz pelo pobre, o pobre faz pelo rico. Está escrito que Ruth "trabalhou" para Boaz, pois ela deu a Boaz a possibilidade de receber méritos por sua bondade com os pobres.

Normalmente imaginamos que a expressão "mais do que o rico faz pelo pobre, o pobre faz pelo rico" se refere apenas ao Mundo Vindouro, e que a única contribuição que o pobre dá ao rico é o mérito que ele recebe por ter cumprido a Mitzvá de Tzedaká, como ressaltou o Rabi Akiva quando afirmou que aquele que dá Tsedaká se salva de sofrimentos espirituais que virão depois da morte. Mas aprendemos da história do Raban Yohanan ben Zakai e seus sobrinhos que também nesta vida o rico recebe mais do que o pobre. Quando uma pessoa dá Tzedaká, ela pensa que está fazendo um favor ao pobre com seu dinheiro. Mas a verdade é que quem nos dá todo o dinheiro que temos é D'us, e parte do que Ele nos dá não é para nosso uso, e sim para dividirmos com os pobres. Se não usamos o dinheiro para Tzedaká, como era a vontade de D'us, então Ele utiliza seus enviados para pegar de volta este dinheiro. E como ensinam nossos sábios, "muitos são os enviados de D'us", isto é, D'us controla o mundo inteiro e facilmente pode tirar de uma pessoa um dinheiro que não pertence a ela.

Portanto, é isto que nossos sábios querem transmitir quando afirmam que o bem que o pobre faz ao rico é maior do que o bem que o rico faz ao pobre, pois o dinheiro que o rico dá já pertence ao pobre, e quando o pobre recebe este dinheiro, automaticamente faz com que o rico fique protegido de sofrimentos e dificuldades terríveis, como afirmou o mais sábio de todos os homens, Shlomo HaMelech (Rei Salomão): "A Tzedaká salva da morte" (Mishlei - Provérbios 10:2).

Mas ainda fica um grande questionamento sobre este ensinamento dos nossos sábios. Vimos que na verdade quem ganha no final das contas é aquele que dá ao pobre. Então por que o pobre precisa sofrer tanto, e passar por necessidades, fome e sede, se os méritos vão para o rico?

Responde o Rav Eliahu Dessler (Latvia, 1892 - Israel, 1953), em seu livro Michtav MeEliahu, algo incrível, que muda completamente nossa perspectiva de como devemos enxergar as dificuldades que temos na vida. Ele afirma que vale a pena para o ser humano viver uma vida de privações e pobreza, até mesmo com dores e doenças, desde que saia disso algo bom para os outros. A pessoa com necessidades normalmente causa com que pessoas precisem ajudá-lo, e assim acabem recebendo méritos para toda a eternidade por causa dele. Portanto, o necessitado também acaba recebendo méritos pelas bondades que causou aos outros.

Aprendemos então que aquele que deixa de ajudar um pobre acaba cometendo três transgressões. A primeira transgressão é que ele perde para sempre a alegria eterna que receberia no Mundo Vindouro pelo cumprimento da Mitzvá de Tzedaká. A segunda transgressão é que a pessoa tentou segurar em seu poder um dinheiro que não era seu. A parte do dinheiro que foi mandada para que a pessoa utilize como Tzedaká, caso não seja utilizada para este fim, também não fica nas mãos dela e acabará se perdendo de outra maneira. E a terceira transgressão é causar um sofrimento em dobro ao pobre. O primeiro sofrimento é que a pessoa poderia ter minimizado as necessidades do pobre com sua Tzedaká, mas ao não ajudá-lo, causou com que o sofrimento dele se prolongue por mais tempo. Além disso, a pessoa que não ajuda o pobre faz com que o sofrimento do pobre tenha sido "em vão", pois o rico não permitiu que o motivo verdadeiro do sofrimento do pobre, isto é, dar ao rico a possibilidade de fazer bondade, se cumpra.

Normalmente aquele que dá dinheiro a um pobre sente que o pobre agora tem uma dívida de gratidão com ele. Mas de acordo com o que nossos sábios ensinaram é justamente o contrário, é aquele que ajuda o pobre que deve se sentir endividado e precisa agradecer pela oportunidade que o pobre lhe ofereceu. Portanto, na próxima vez em que você der uma Tzedaká, agradeça a quem está recebendo, pois na verdade é ele quem está lhe ajudando, neste mundo e no Mundo Vindouro.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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