quinta-feira, 18 de julho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5773


BS"D

INVEJA, HONRA E DESEJOS – PARASHÁ VAETCHANAN 5773 (19 de julho de 2013)

"O Rav Yonatan Eibshitz, além de ser um grande e respeitado sábio de Torá, era também conselheiro particular do rei. Certa vez, quando passeava pelas ruas de Viena, o rei encontrou seu conselheiro e amigo. Após se cumprimentarem, o rei perguntou ao seu conselheiro para onde ele estava indo. O Rav Yonatan Eibshitz respondeu, com toda a franqueza:

- Não sei, Vossa majestade.

Os olhos do rei brilharam de raiva. Amigo ou não, mesmo sendo conselheiro do rei, como aquele homem ousava brincar com Sua Majestade? Irado, o rei ordenou aos seus guardas que levassem o conselheiro para a prisão. No final do dia, quando a fúria do rei já havia passado, ele pensou consigo mesmo: "Preciso conversar com meu conselheiro. Afinal, este homem é tão sábio e sempre me aconselha de maneira tão correta. Provavelmente sua intenção não foi de zombar do rei. Talvez haja uma explicação razoável para o seu comportamento". Decidiu então visitar o conselheiro em sua cela e questionar o seu comportamento.

- Como você ousou zombar do rei com tanto descaramento? – perguntou duramente o rei.

- D'us me livre, minha intenção nunca foi zombar de Vossa majestade – respondeu o Rav Yonatan Eibshitz, com expressão muito séria – mas o rei não perguntou para onde eu estava planejando ir, somente perguntou para onde eu estava indo. Eu realmente não sabia para onde estava indo. Isto ficou mais claro ainda agora. Veja, hoje de manhã eu tinha planejado ir para a sinagoga rezar e estudar, mas em vez disso eu vim para a prisão.

O rei sorriu e, mais uma vez, aprendeu uma enorme lição com seu sábio conselheiro"

Temos que lembrar sempre que é D'us que controla tudo o que acontece, cada pequeno detalhe. Mas apesar de não controlarmos nem mesmo nossa própria vida, muitas vezes achamos que podemos controlar também a vida dos outros.

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Na Parashá desta semana, Vaetchanan, a Torá lista novamente os Dez Mandamentos, que foram entregues a Moshé no Monte Sinai. Mas percebemos algo interessante quando observarmos atentamente os Mandamentos. No sétimo Mandamento está escrito: "Não cometerás adultério" (Devarim 5:17), enquanto no décimo Mandamento está escrito "Não cobiçarás a mulher do próximo, não desejarás a casa do próximo, nem seu campo, nem seu escravo..." (Devarim 5:18). Aparentemente estes dois Mandamentos estão ensinando a mesma coisa, pois se o sétimo Mandamento já proibiu o adultério, por que foi necessário escrever, no décimo Mandamento, a proibição de cobiçar a mulher do próximo?

Além disso, há uma diferença entre os dois Mandamentos. No Mandamento de "Não cometerás adultério", não está escrito "com a mulher do próximo", isto é, a Torá não escreve explicitamente que se trata de uma transgressão envolvendo uma mulher casada. Mas no Mandamento de "Não cobiçarás", a Torá enfatiza o status de casada da mulher desejada. Por que esta diferença?
 
Estes questionamentos se conectam, de maneira interessante, com os testes que Avraham Avinu passou na vida. Está escrito no Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas 5:3) que Avraham Avinu foi testado por 10 vezes e passou por todos os testes. Explica o Rambam (Maimônides) que o propósito de um teste é dar para a pessoa a consciência do seu próprio potencial. A partir do momento em que uma pessoa passou por um teste e percebeu seu potencial, não há mais nenhum sentido em repetir o mesmo teste. Mas sabemos que Sara foi raptada por duas vezes, uma vez pelo Faraó, rei do Egito, e outra vez por Avimelech, rei dos Plishtim. Segundo muitos comentaristas, cada sequestro de Sara é contado separadamente como um dos testes de Avraham. Mas se o Pirkei Avót diz explicitamente que ele teve sucesso nos 10 testes, então por que D'us fez com que ele passasse duas vezes pelo mesmo teste?

Podemos responder esta pergunta prestando atenção nos detalhes descritos em cada uma das vezes em que Sara foi sequestrada. Quando Avraham e Sara se aproximaram do Egito, ele pediu para que ela dissesse que era sua irmã, pois havia percebido o quanto a beleza de Sara contrastava com a das mulheres do Egito. Avraham notou que os egípcios eram tão dominados pelos seus desejos materiais que sua própria vida corria risco, pois os egípcios eram pessoas imorais e promíscuas, certamente estariam dispostos a matá-lo para ficar com sua esposa. E suas suspeitas se mostraram verdadeiras, pois logo que eles chegaram ao Egito, Sara foi sequestrada por oficiais egípcios e entregue ao Faraó. Já nos versículos que descrevem o sequestro de Sara pelo rei Avimelech, não há menção da beleza de Sara ter sido o fator motivador da transgressão. Explica o Rav Nissim, mais conhecido como Ran, que o sequestro foi motivado pelo desejo de Elimelech de incorporar um membro da família de Avraham em sua casa. Avimelech sequestrou Sara motivado pelo desejo de poder e dominação. Ele estava usando seu poder de rei para afirmar-se sobre Avraham, tomando à força um membro de sua família como sua esposa.

Portanto, os dois sequestros de Sara são dois testes diferentes de Avraham, pois desenvolveram diferentes sensibilidades nele. A vítima do primeiro sequestro era Sara, e o teste de Avraham era a maneira como ele reagiria à perda de sua amada esposa. Já a vítima do segundo sequestro era Avraham, sobre quem Avimelech estava tentando exercer seu poder e controle, um teste completamente diferente. Os próprios nomes dos reis representam a motivação de cada um deles. O nome "Faraó", em hebraico, vem da raiz "Parua", que significa "nu, imoral", enquanto o nome "Avimelech" significa "o pai do poder".

Esta explicação nos ajuda a entender que há uma diferença entre o sétimo e o décimo Mandamentos. Explica o Rav Yochanan Zweig que o adultério pode ocorrer por dois motivos diferentes: pode ser por um desejo descontrolado, uma atração física muito forte, como aconteceu com o Faraó, mas também pode ser pelo desejo de exercer controle sobre o marido da mulher casada, como aconteceu com Avimelech. O décimo Mandamento, "Não cobiçarás", está enfatizando a proibição de controlar outra pessoa. Por isso, neste Mandamento a Torá lista as coisas com as quais a pessoa cria mais conexão: sua esposa, sua casa, seu campo e seus escravos. A Torá também ressalta neste Mandamento o status de comprometimento da mulher, pois este é o fator motivador da transgressão, isto é, a vontade de exercer controle sobre o próximo. Já o sétimo Mandamento se refere ao ato de adultério motivado pelo desejo físico. Por isso, embora a transgressão só ocorra realmente se a mulher for casada, o status marital da esposa é deixado de lado e não é nem mesmo mencionado, pois o fator motivador principal, neste caso, é a busca por desejos.

Estamos acostumados a ver o invejoso apenas como alguém que está insatisfeito com o que tem e quer tirar o que é do outro. Mas a Parashá nos ensina algo impressionante: a inveja também é motivada pela vontade de querer controlar o próximo, envolve também a utilização do poder e da influência para dominar e controlar outras pessoas. Este sentimento vem da falta de entendimento de que o mundo tem um Criador, que criou e mantém o mundo a cada instante com supervisão particular. Vem da prepotência de pensar que somos nós que temos o controle. Pois aquele que sabe que nem mesmo da sua própria vida ele tem controle, como vai querer controlar a vida dos outros?

Novamente vemos a grandeza dos ensinamentos dos nossos sábios, que declararam: "A inveja, a busca pelos desejos e a honra tiram a pessoa do mundo" (Pirkei Avót 4:28). Estas são três transgressões tão terríveis que fazem com que a pessoa se desvie, perdendo o seu mundo material e seu mundo espiritual. Perdem o seu mundo material, pois se autodestroem com atos motivados por sentimentos e desejos duvidosos. E perdem o seu mundo espiritual, pois acumulam transgressões. Não é por acaso que os Dez Mandamentos terminam com a inveja. O "Não cobiçarás" é tão forte que engloba todos os outros Mandamentos anteriores. Quem sente inveja pode acabar roubando, matando e até mesmo cometendo idolatria. Pois não há idolatria pior do que pensar que somos nós que estamos no controle, e não D'us.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5773


BS"D

ÓDIO GRATUITO - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5773 (12 de julho de 2013)

Certa vez o Rav Elazar Menachem Man Shach zt"l, o Rosh Yeshivá (Diretor espiritual) da Yeshivá de Ponovitch, em Bnei Brak, e um dos maiores sábios de Torá de sua geração, pediu para que um de seus alunos, chamado Yaacov, fosse procurado na sinagoga e trazido para sua sala. Quando o jovem chegou, o Rav Shach perguntou a ele sobre um certo comentário feito por um grande sábio de Torá, e questionou se o rapaz sabia onde este comentário poderia ser encontrado, já que ele não o estava encontrando. O jovem, muito contente de poder ajudar o Rosh Yeshivá, explicou onde se encontrava aquele comentário.

A história se espalhou por toda a Yeshivá, dando a Yaacov um novo status. Ele havia sido chamado pessoalmente pelo Rosh Yeshivá, um dos maiores rabinos da geração, para responder uma dúvida de Torá! As pessoas passaram a olhá-lo com respeito e admiração. Porém, a história não conseguiu "enganar" a todos. Uma pessoa muito próxima do Rav Shach, que o conhecia profundamente, sabia que ele tinha um conhecimento gigantesco da Torá e que aquele comentário questionado ao aluno certamente já era do seu conhecimento. Então por que ele havia chamado um dos alunos para responder algo que ele certamente sabia responder sozinho? Curioso, ele foi até o Rav Shach questionar sua conduta. O Rav Shach, ao ter seu "plano" descoberto por seu amigo, abriu um sorriso e explicou:

- É verdade, você tem razão, eu sabia onde estava aquele comentário. Mas eu tive um bom motivo para fazer isso. Aquele jovem que eu chamei, o Yaacov, estava noivo, porém recentemente seu noivado foi desfeito pela família da noiva. Eu tenho certeza de que isto destruiu sua autoestima, além de dificultar um futuro compromisso com outras moças. Eu o via nas aulas completamente quebrado e distante, e decidi que precisava fazer algo para ajudá-lo. Mas pelo seu estado, calculei que uma simples conversa de encorajamento não seria suficiente. Por isso eu mandei chamá-lo e perguntei algo que eu tinha certeza de que ele saberia responder, para fazer com que ele se sentisse bem e confiante. Além disso, as proporções públicas do acontecimento certamente o ajudarão a encontrar novamente uma boa moça para casar.

O Rav Shach estava certo. Depois de duas semanas o rapaz estava novamente noivo" (História Real, retirada do livro "Major Impact", de autoria do Rav Dovid Kaplan)

A grandeza dos nossos sábios pode ser verificada na sensibilidade em relação às necessidades do próximo. Não apenas na vontade de ajudar quando são procurados, mas até mesmo na sensibilidade de perceber quando a pessoa tem vergonha ou não sabe nem mesmo pedir ajuda. Este é um nível de amor ao próximo que todos nós devemos desejar atingir algum dia.

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Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim. E na Parashá desta semana, Devarim, Moshé começa um longo discurso, relembrando os principais acontecimentos dos 40 anos no deserto e criticando alguns dos erros mais marcantes cometidos pelo povo judeu. Entre eles, o erro dos espiões, que ocorreu em Tishá be Av (dia nove do mês judaico de Av) e deixou esta data marcada para sempre. Como o povo judeu chorou sem razão, D'us prometeu que aquele dia se transformaria, durante toda nossa história, em um dia de choro e lamentações. E assim realmente aconteceu.

Na próxima segunda-feira de noite (15/07) começa Tishá Be Av, um dos dias mais tristes do ano. Exatamente neste dia nossos dois Templos Sagrados foram destruídos. Por isso, neste dia jejuamos e recitamos as "Kinót" (Lamentações), chorando pela enorme perda espiritual que sofremos. Mas por que chorar por algo que aconteceu há mais de 2000 anos? Nossos sábios ensinam que toda geração que não reconstruiu o Templo é como se o tivesse destruído. Isto quer dizer que estamos cometendo o mesmo erro que nossos antepassados cometeram e que causaram a destruição do Templo. Enquanto não consertarmos nossos atos, não teremos o mérito de reconstruir o nosso Templo.

Mas afinal, qual foi o erro do povo judeu que levou à destruição do Templo? Segundo o Talmud, no Tratado de Yomá (9b), nosso Segundo Templo foi destruído por causa do ódio gratuito que havia dentro do povo judeu, há mais de 2000 anos, e nunca mais foi reconstruído.

Porém, o próprio Talmud, no Tratado de Guitin (55b), dá outra explicação. O Talmud explica que Yerushalaim foi destruída por causa de um incidente que envolveu duas pessoas, Kamtza e Bar Kamtza. Uma pessoa era amiga de Kamtza e inimiga de Bar Kamtza. Ele mandou seu servo convidar Kamtza para um banquete, mas o servo se enganou e convidou Bar Kamtza. Quando o dono da festa viu Bar Kamtza, seu inimigo, sentado na mesa, ficou furioso e pediu para que ele fosse embora. Bar Kamtza, envergonhado, chegou a oferecer pagar todo o banquete para não ser humilhado em público, mas sua oferta não foi aceita e ele foi expulso. Indignado com o grande número de sábios que estavam presentes e não fizeram nada para evitar sua humilhação pública, Bar Kamtza caluniou os judeus às autoridades romanas, dando o início a vários eventos que culminaram com a destruição do Templo.

Desta fonte trazida pelo Talmud no Tratado de Guitin surgem dois questionamentos. Em primeiro lugar, por que está escrito que Jerusalém foi destruída por causa de Kamtza e Bar Kamtza? Segundo a história descrita pelo Talmud, a culpa foi apenas de Bar Kamtza, e Kamtza, cujo nome foi confundido, aparentemente em nada participou do problema. Então por que está escrito no Talmud que ele também teve culpa? Além disso, como entender a aparente contradição entre os motivos trazidos pelo Tratado de Yomá e o Tratado de Guitin? Em um está explícito que o motivo foi o ódio gratuito, enquanto no outro está explícito que o motivo foi a falta de preocupação com a honra do próximo. Qual a conexão entre estes dois motivos?

Explica o Rabino Yossef Chaim, mais conhecido como Ben Ish Chai, que Kamtza também estava presente no banquete. Mas apesar de testemunhar o que aconteceu com Bar Kamtza, ele se calou e não fez nada para ajudá-lo. Segundo o judaísmo, quando alguém tem a oportunidade de protestar contra uma injustiça e não o faz, é considerado como se ele mesmo tivesse cometido o mau ato. O Rav Shmuel Eidels, mais conhecido como Maharsho, vai além e explica que em hebraico a palavra "Bar" significa "filho". Bar Kamtza era, portanto, o filho de Kamtza. Sendo pai, certamente Kamtza sabia muito bem do ódio que havia entre seu filho e o dono da festa, mas não se esforçou para que houvesse paz entre eles. Por sua passividade, Kamtza é considerado como parcialmente responsável pela destruição do Templo, junto com todos os sábios que também estiveram presentes no banquete e não se levantaram para protestar contra a humilhação pública de Bar Kamtza.

Deste ensinamento do Talmud em Guitin aprendemos algo impressionante para nossas vidas. Quando escutamos o termo "ódio gratuito", imaginamos duas pessoas que se odeiam com todas as suas forças, ódio que muitas vezes pode levar até mesmo a agressões físicas. Mas a verdade é que o conceito de ódio gratuito é muito mais amplo, não se restringe somente a um ódio ativo. Não há contradição entre as duas explicações que o Talmud traz sobre o motivo da destruição do Templo. Passividade e falta de interesse nas necessidades do próximo também são consideradas ódio gratuito.

Este conceito pode ser aprendido da própria Torá. Segundo o Rav Tzadok HaCohen, a primeira vez em que uma palavra aparece na Torá define o seu verdadeiro significado. A primeira vez em que a raiz da palavra "Siná", que significa ódio, aparece na Torá, é em relação a um dos nossos patriarcas, Yaacov Avinu. Depois que Yaacov casou-se com Rachel e Lea, a Torá nos conta: "D'us viu que Lea era 'snuá' (literalmente, odiada)" (Bereshit 29:31). Mas como entender este versículo? Yaacov, um dos pilares espirituais do mundo, odiava sua própria esposa?

Responde o Ramban (Nachmanides) que antigamente, um homem tinha permissão de se casar com mais de uma mulher. E, entre duas esposas, aquela que ele menos amava era chamada de "snuá". Portanto, não quer dizer que Yaacov odiava Lea, simplesmente ele a amava menos do que sua esposa favorita, Rachel. Daqui aprendemos que a palavra "Siná" não necessariamente significa um ódio ativo. Ódio gratuito também se refere à falta de atenção para alguém que precisa, falta de amor entre as pessoas. A apatia diante de uma pessoa que está precisando de ajuda, a omissão diante de uma pessoa necessitada, também estão contidas no ódio gratuito. Se alguém na festa tivesse se levantado e lutado para evitar que uma injustiça acontecesse, o Templo não teria sido destruído. A indiferença das pessoas em relação às tragédias que ocorrem com os outros foi o que causou esta apatia e, consequentemente, a destruição.

Tishá Be Av é uma época de introspecção, um momento de refletirmos sobre os nossos erros. O fato de não termos o Beit Hamikdash nos nossos dias significa que continuamos cometendo o mesmo erro dos nossos antepassados. Isto significa que não nos esforçamos para sentir a dor do próximo, para ajudar aqueles que necessitam. A cura do ódio gratuito é o amor gratuito. Não precisamos esperar as pessoas virem pedir ajuda, precisamos desenvolver a sensibilidade de sentir quando uma pessoa precisa de auxílio, mesmo sem ela precisar falar nada. O coração de uma mãe sempre sabe quando um filho precisa de ajuda, pelo enorme amor que ela sente por ele. Assim precisamos nos esforçar para sentir a dor e a necessidade das outras pessoas.

Que possamos consertar nossos erros para que, neste próximo Tishá Be Av, ao invés de chorarmos pela destruição do nosso Templo, possamos nos alegrar pela sua reconstrução.

SHABAT SHALOM e TZOM KAL (Um jejum leve para todos)

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 5 de julho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5773


BS"D

MEDO DO CASTIGO - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5773 (05 de julho de 2013)

"Certa vez, em uma pequena cidade do interior, um grande incêndio se alastrou e começou a destruir as casas. As notícias do incêndio correram e chegaram à cidade vizinha, onde morava Alberto, o sobrinho de um dos moradores mais ricos daquela cidade. Quando ele escutou sobre o incêndio, imediatamente pediu ajuda a um amigo para tentar salvar a casa de seu tio da destruição. Correram o mais rápido que puderam para tentar chegar a tempo de ajudar.

Porém, quando Alberto chegou ao portão da casa de seu tio, viu que as coisas mais preciosas que ele tinha, como um antigo relógio de família, a caixa de joias de sua esposa e a sua coleção de moedas antigas, estavam espalhadas por todo o jardim. Alberto parou e, com tristeza, avisou ao amigo que de nada havia adiantado a corrida deles, pois haviam chegado tarde demais. Certamente o estrago já estava feito e a casa já havia sido completamente destruída pelo fogo.

Mas o amigo de Alberto não entendeu. Eles haviam chegado apenas até o portão da casa, não tinham nem visto se a casa havia sido atingida ou não. Como ele podia ter tanta certeza da destruição sem nem mesmo ter visto a casa do seu tio? Alberto explicou para ele:

- Normalmente, a pessoa guarda seus objetos mais valiosos nos lugares mais seguros dentro da casa. Mas podemos ver que os objetos mais valiosos estão completamente expostos, espalhados pelo jardim da casa. Isto significa que a casa já foi completamente consumida pelo fogo, e estas são as poucas coisas de valor que eles conseguiram salvar"

Explica o Chafetz Chaim que todo judeu tem uma "mansão" guardada para ele no Mundo Vindouro, que é construída através de cada bom ato e cada Mitzvá que ele cumpre na vida. Mas quando a pessoa se desvia do caminho correto, suas transgressões podem destruir sua "mansão espiritual". Ao viver apenas em busca do preenchimento dos seus desejos, a pessoa pode acabar com sua eternidade. E tudo o que restará a ela será aproveitar, ainda neste mundo, as poucas Mitzvót que ele conseguir salvar deste terrível "incêndio espiritual". Por isso, refletir sobre a consequência dos nossos maus atos nos ajuda a garantir a nossa eternidade.

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matot e Massei, terminando o quarto livro da Torá, Bamidbar. Na Parashá Matót, a Torá fala, entre outros assuntos, sobre a guerra de vingança contra o povo de Midian e o pedido das tribos de Reuven e Gad para se estabelecerem do lado de fora da Terra de Israel. Já a Parashá Massei descreve as várias viagens que o povo judeu fez no deserto.

Também na Parashá Massei a Torá nos ensina qual a punição de uma pessoa que comete um assassinato não intencional. Por exemplo, se uma pessoa fosse cortar árvores e o machado escapasse de sua mão e atingisse letalmente outra pessoa, ela não era punida com a pena de morte, já que não havia a intenção de matar, mas deveria pagar pelo seu erro indo para o exílio. O exílio não poderia ser em qualquer lugar, havia cidades específicas para este fim, chamadas "Arei Miklat" (cidades de refúgio). O assassino não intencional precisava ir imediatamente para a cidade de refúgio e permanecer ali até a morte do Cohen Gadol (Sumo sacerdote).

Podemos perceber que estas cidades de refúgio envolvem dois conceitos diferentes: a salvação e o castigo. Por um lado, as cidades eram construídas pelo bem do assassino não intencional. De acordo com a Torá, apesar do assassinato não ter sido cometido com nenhuma má intenção, havia a permissão para que um parente do falecido vingasse a sua morte. Este parente era conhecido como "Goel HaDam" (vingador de sangue). Mas o assassino estava protegido dentro da cidade de refúgio, pois o "Goel HaDam" não tinha nenhuma permissão de causar qualquer mal ao transgressor lá dentro. A Torá exigia que os caminhos que levavam às cidades de refúgio fossem bem sinalizados, possibilitando que o assassino não intencional pudesse correr e salvar sua vida. Além disso, dois sábios de Torá acompanhavam o assassino não intencional até a cidade de refúgio, para acalmar e clamar pela sua vida caso o "Goel HaDam" o alcançasse no caminho. Portanto, as cidades de refúgio eram uma enorme bondade de D'us com o transgressor.

Mas, por outro lado, se o assassino saísse da cidade de refúgio, mesmo que por alguns poucos instantes, o "Goel HaDam" poderia matá-lo sem nenhum tipo de aviso ou advertência. A cidade de refúgio se tornava, portanto, uma prisão, um castigo para o transgressor. Não é contraditório que D'us por um lado se preocupe tanto com a vida do transgressor, mas que por outro lado mande um castigo tão duro, facilitando com que o "Goel HaDam" possa matá-lo caso ele apenas pise fora da cidade de refúgio?

A resposta começa em um dos fundamentos principais do judaísmo: nada acontece por acaso, tudo é supervisionado pelo Criador do mundo. Ninguém morre acidentalmente, tudo já está previsto e decretado. Se o machado voou da mão de uma pessoa e atingiu letalmente outra pessoa, é porque a outra pessoa já estava destinada a morrer naquele momento. Mas por outro lado, se uma pessoa mata outra, mesmo que não intencionalmente, isto significa que há algo de errado em sua alma. Por ela ter sido utilizada por D'us como um "instrumento" para cumprir uma pena de morte já decretada nos mundos espirituais, isto significa que esta pessoa perdeu a sensibilidade de qual o valor da vida.

Este era o motivo pelo qual o assassino deveria ficar na cidade de refúgio. Em primeiro lugar, o decreto espiritual de exílio era uma Kapará (expiação) pelo seu erro. Todo o sofrimento de estar longe da família e dos amigos limpava a sua alma do erro cometido. Além disso, nas cidades de refúgio morava a tribo de Levi, composta por pessoas que se dedicavam ao estudo de Torá e ao autoaprimoramento. A influência espiritual positiva da tribo de Levi ajudava a pessoa a crescer e a se arrepender dos erros que a levaram ao assassinato não intencional.

Mas se este conserto era tão importante para a alma do infrator, e D'us protegia tanto a vida dele para permitir que ele chegasse a esta cidade de refúgio, por que D'us permitiu ao "Goel HaDam" matá-lo caso saísse de lá, mesmo que só por alguns instante? Não era óbvio que a pessoa racionalmente gostaria de ficar ali, consertando seus erros e obtendo uma limpeza espiritual por sua terrível transgressão? Não era desnecessária esta ameaça à vida do assassino não intencional?

D'us criou todo o universo e, por isso, Ele conhece cada pequeno detalhe de cada uma de Suas criaturas. Ele sabe que no momento em que o transgressor sentisse saudades de sua família, ele teria vontade de sair da cidade de refúgio. Se não houvesse o medo do "Goel HaDam", no momento em que os desejos falassem mais alto, as suas convicções intelectuais seriam facilmente deixadas de lado. A ameaça do "Goel HaDam" era o que, na prática, mantinha a pessoa na cidade de refúgio, mesmo quando apertava a vontade de abandonar tudo e ir embora.

Este conceito ensinado na Parashá nos ajuda a entender algo que nos incomoda. Em geral, as pessoas não gostam de sentir medo. O medo inibe, assusta, trava. Mas sabemos que há na Torá inclusive uma Mitzvá de sentir medo: a Mitzvá de temer a D'us. O temor principal que precisamos sentir para cumprir esta Mitzvá é um temor mais elevado, chamado "Irat Haromemut", que se refere ao medo que devemos sentir por causa da grandeza de D'us. É um temor que vem do reconhecimento de quanto D'us é grande e perfeito, enquanto nós somos pequenos e imperfeitos. É um temor que vem junto com uma admiração. Mas existe também um nível de temor mais baixo, chamado "Irat HaOnesh", o medo do castigo. É o medo de que, se cometermos um erro, D'us nos punirá. Porém, se o principal temor para cumprir a Mitzvá de "temer a D'us" é o medo da grandeza Dele, para que serve este nível mais baixo de temor, o medo do castigo? Se o ideal é realmente sentir um temor que vem da admiração da grandeza de D'us, qual o benefício que nos traz sentir medo da punição?

Ensina o Rav Yaacov Kanievsky, mais conhecido com "Staipler", que muitas vezes uma pessoa sente uma forte atração e desejo para cometer uma transgressão. Neste momento, em que o Yetser Hará (má inclinação) está atacando a pessoa com força máxima, os desejos quase incontroláveis da pessoa entorpecem seu coração, a ponto da pessoa não levar em consideração as consequências espirituais negativas de seu ato. Por isto, a única coisa que realmente funciona neste momento é o medo do castigo, a pessoa se lembrar de que toda transgressão será duramente castigada. Este medo é o único freio que consegue parar a pessoa que está sendo levada atrás dos seus desejos. É por isso que quanto mais a pessoa internalizar as consequências negativas de suas transgressões, quanto mais ela refletir sobre o peso do castigo que virá caso cometa um erro, maior a chance de ela conseguir vencer suas tentações. Da mesma forma que o medo do "Goel HaDam" ajudava o assassino não intencional a vencer a sua vontade irracional de sair da cidade de refúgio, o que interromperia seu conserto espiritual, assim também o medo do castigo serve para nos despertar, quando o desejo fala mais alto do que as nossas convicções.

Por isso, o sentimento de medo não é algo negativo. Se o medo for mal utilizado, ele realmente nos bloqueia e não nos deixa crescer. Mas quando bem utilizado, o medo nos ajuda a cumprir a nossa missão neste mundo e a fugir dos erros e tentações que nos desviam. Como em uma escada, começamos a subir pelo primeiro degrau, o medo do castigo, para somente depois atingir o degrau mais alto, o medo da grandeza de D'us. Assim, poderemos utilizar o nosso medo para garantir que a nossa "mansão espiritual" estará guardada, são e salva, para quando chegar o momento de partir deste mundo.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 28 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ PINCHÁS 5773


BS"D

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CANALIZANDO NOSSAS FORÇAS - PARASHÁ PINCHAS 5773 (28 de junho de 2013)

"O Sr. James era um daqueles ingleses que levavam o futebol a sério. Torcedor fanático, ele estava acompanhando atentamente a participação da Inglaterra na Copa do Mundo. A Inglaterra havia chegado às quartas de final, e o Sr. James acreditava que o título viria naquele ano. O jogo começou, e ficava a cada instante mais tenso. Para o desespero do Sr. James, a Inglaterra tomou um gol no final do jogo, deixando a situação ainda mais difícil. O Sr. James não conseguia acreditar quando o juiz finalmente apitou o final do jogo, decretando mais uma vez a desclassificação da seleção inglesa. Não podia ser verdade, simplesmente não podia. Em um impulso descontrolado, o Sr. James se levantou e deu um chute tão violento na televisão que arrebentou a tela toda.

Algumas horas depois, quando o fervor já havia passado, ele percebeu a besteira que havia feito e ficou desesperado. Ele havia arrebentado sua única televisão! Em pânico, ligou para uma empresa autorizada que fazia manutenção de televisões, explicou o caso e solicitou a visita urgente de um técnico. Do outro lado da linha, o atendente explicou que a visita somente poderia acontecer dentro de três dias. Quando o Sr. James, indignado, perguntou o motivo de tanta demora, o atendente respondeu calmamente:

- O Sr. não foi o único que destruiu a sua televisão após o jogo. Estamos tão saturados de chamadas que temos trabalho agendado para todos os nossos técnicos nos próximos três dias..." (História Real)

A impulsividade pode ser uma característica muito negativa. Se não for canalizada, pode deixar consequências indesejáveis, que nem sempre podem ser consertadas depois.

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Na Parashá desta semana, Pinchás, a Torá traz o desfecho da história que começou no final da Parashá passada, quando Zimri, o líder da tribo de Shimon, fez um grande "Chilul Hashem", denegrindo o nome de D'us ao cometer uma grande imoralidade em público, de forma desafiadora, ignorando até mesmo a presença de Moshé Rabeinu. D'us mandou uma grande praga sobre o povo judeu, na qual 24 mil pessoas morreram. A praga somente parou quando Pinchás, neto de Aharon HaCohen, da tribo de Levi, se levantou contra a imoralidade de Zimri e o matou. E D'us recompensou Pinchás por seu ato heroico, como está escrito: "Portanto diga a ele que Eu lhe dei o Meu pacto de paz" (Bamidbar 25:12). Mas por que um ato tão violento como o de Pinchás foi recompensado justamente com um "pacto de paz"?

É interessante perceber que as duas tribos envolvidas neste acontecimento, Shimon e Levi, tem algo em comum, que vem desde os tempos do nosso patriarca Yaacov. Quando Diná, a filha de Yaacov, foi sequestrada e violada pelo príncipe Shechem, os filhos de Yaacov bolaram um plano para resgatá-la, convencendo o povo de Shechem a fazer Brit Milá com intenção de enfraquecê-los. Mas Shimon e Levi tinham outros planos, eles não queriam apenas enfraquecer o povo para resgatar Diná. No terceiro dia depois do Brit Milá, no qual as pessoas ficam mais debilitadas, eles mataram todos os habitantes da cidade, por considerarem todos coniventes com o sequestro e a violação de sua irmã Diná. Mesmo quando Yaacov demonstrou profunda irritação com o ato impulsivo dos dois filhos, que poderia ter causado um ataque dos povos vizinhos e a destruição de Yaacov e seus filhos, eles se defenderam, argumentando: "Nossa irmã deve ser tratada como uma prostituta?" (Bereshit 34,31).

Anos mais tarde, antes de seu falecimento, Yaacov deu Brachót (Bençãos) para todos os seus filhos. Mas Shimon e Levi foram duramente repreendidos por Yaacov, justamente por sua impulsividade. E, entre outras palavras, assim Yaacov disse para eles: "Eu vou separá-los em Yaacov e dispersá-los em Israel" (Bereshit 49:7). O entendimento mais simples destas palavras de Yaacov é que ele queria separar os irmãos Shimon e Levi para que eles não cometessem mais nenhum ato impulsivo de violência. Mas Rashi, comentarista da Torá, dá outra explicação para estas palavras de Yaacov. Ele explica que Yaacov estava determinando que as tribos de Shimon e Levi futuramente seriam escribas e professores de crianças, e se espalhariam por toda a terra de Israel, viajando de cidade em cidade e mantendo a transmissão ininterrupta da Torá.

Mas por que justamente as tribos de Shimon e Levi seriam os transmissores da Torá? A impulsividade deles não era algo negativo? E qual a relação destas palavras de Yaacov com o evento ocorrido entre Pinchás, da tribo de Levi, e Zimri, da tribo de Shimon? Por que desta vez eles estavam em lados opostos?

Explica o Rav Yaacov Kamenetzki que Yaacov percebeu em seus dois filhos, Shimon e Levi, uma qualidade que seus irmãos não tinham. Quando eles destruíram a cidade de Shechem, eles demonstraram estar dispostos a colocar suas próprias vidas em risco para defender a honra de sua irmã. Todos os filhos de Yaacov tinham visto o que havia ocorrido, mas apenas Shimon e Levi sentiram a dor de sua irmã como se fosse sua própria dor. E esta capacidade de sentir a dor do próximo foi o que os levou a esta impulsividade, este fervor sem limites, cuja única forma de acalmar os ânimos foi através da destruição de toda a cidade de Shechem. Yaacov percebeu que esta força impulsiva de Shimon e Levi poderia ser utilizada de maneira positiva, em benefício do povo judeu. Ele entendeu que somente alguém que naturalmente sente a dor do próximo como se fosse sua própria dor, a ponto de abrir mão de seu conforto em prol do próximo, poderia ser capaz de abrir mão de sua comodidade e viajar, de cidade em cidade, transmitindo a Torá ao povo judeu.

Mas então o que deu errado? Por que as tribos de Shimon e Levi se "reencontraram" na geração do deserto, porém em situações opostas? Explicam nossos sábios que a palavra "Midót", que significa "traços de caráter", também significa "medidas". Por que? Pois não existe nenhum traço de caráter que é totalmente bom ou totalmente ruim, depende de como ele é utilizado, para onde é canalizado. É como o sal, que não é bom nem ruim, depende da medida em que é utilizado. Por exemplo, muito sal estraga a comida, enquanto pouco sal deixa a comida sem gosto. O ideal é sal na medida certa, que ressalta o gosto dos alimentos. Assim também acontece com nossas características, todas devem ser canalizadas para poderem ser utilizadas na medida correta.

Apesar dos dois irmãos, Shimon e Levi, terem transmitido aos seus descendentes esta característica de impulsividade, as diferenças começaram a surgir após o primeiro exílio do povo judeu, quando Yaacov e seus filhos desceram ao Egito. Enquanto a tribo de Levi nunca abandonou o estudo da Torá, e justamente por isso nunca foi escravizada, a tribo de Shimon passou pelos horrores da pesada escravidão no Egito. O tempo em que se dedicou ao estudo da Torá permitiu que a tribo de Levi internalizasse esta característica de impulsividade e fervor explosivo e canalizasse para coisas positivas e construtivas. Já a tribo de Shimon, que não teve esta oportunidade espiritual, canalizou esta característica para o lado negativo. Zimri utilizou a impulsividade de forma negativa, para desafiar Moshé Rabeinu e D'us em um ato público de imoralidade. Já Pinchás utilizou sua impulsividade para fazer a vontade de D'us. Mesmo sendo através de um ato de violência, Pinchás reestabeleceu a paz entre o povo judeu e D'us, terminando com a terrível praga que dizimava o povo. E a recompensa que Pinchas recebeu de D'us, o "pacto de paz", demonstra o quanto sua atitude agradou a D'us. Por um lado era uma atitude impulsiva, mas por outro lado havia sido canalizada para fazer o que era correto e cumprir a vontade de D'us.

Fica desta Parashá um ensinamento importante para nossas vidas. Não existe nenhuma característica intrinsecamente boa ou mal, tudo depende de como vamos canalizá-la. É verdade que existem características com certa tendência positiva, como o altruísmo, e características com certa tendência negativa, como a impulsividade. Mas mesmo as piores características que D'us colocou dentro de nós podem ser utilizadas para servi-Lo, enquanto mesmo as melhores características, sem o direcionamento correto, podem ser desastrosas. D'us nos deu a Torá, o nosso "Manual de Instruções", para nos ensinar como utilizar todas as forças e potenciais contidos dentro de cada ser humano. Quanto mais nos aprofundarmos no conhecimento e no cumprimento da Torá, melhor utilizaremos as nossas forças e potenciais, chegando ao nível de que todos os nossos atos possam ser um grande "Kidush Hashem" (santificação do nome de D'us).

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BALAK 5773


BS"D

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TRAZENDO O CÉU PARA A TERRA - PARASHÁ BALAK 5773 (21 de junho de 2013)

Havia em Israel um grupo de empresários que se reuniam todas as noites na sinagoga para estudar Torá. Certa vez o Rav Shlomo Wolbe zt"l escutou que o tema das aulas deste grupo era as leis relacionadas com a Mitzvá de Tsitsit. Ele ressaltou que estudar aquelas leis era algo realmente muito importante, mas sugeriu que o grupo, justamente por ser formado por empresários, deveria estudar o Choshen Mishpat, a parte do Shulchan Aruch (Código de leis judaico) que trata das leis relacionadas aos negócios.

Em um primeiro momento eles não gostaram muito da ideia. Eles preferiam estudar assuntos mais espirituais, não queriam assuntos "pequenos", que envolviam atividades do dia a dia. Queriam ser mais espiritualizados, queriam assuntos mais elevados. Mas como viram que o Rav Shlomo Wolbe insistia tanto, aceitaram a mudança.

Quando começaram as aulas de Choshen Mishpat, foi um grande choque. Eles começaram a perceber quantas leis eles desconheciam, quantas vezes eles haviam sido desonestos, com a melhor das intenções, e haviam prejudicado clientes e concorrentes! Foi então que eles perceberam que a espiritualidade verdadeira não está nos assuntos mais místicos e nem nas Mitzvót mais elevadas, e sim nos assuntos do nosso cotidiano. A espiritualidade está nos assuntos mais simples do dia a dia, justamente para que possamos, com cada pequeno ato, contribuir para que o mundo inteiro possa se elevar espiritualmente.

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Durante a história do povo judeu, poucas vezes tivemos inimigos tão perversos quanto Balak, o rei do povo de Moav, e Bilaam, o profeta de elevado nível espiritual que, ao invés de utilizar seu potencial para ajudar as pessoas, utilizou seu poder para amaldiçoar e destruir. E a Parashá desta semana, Balak, é inteira dedicada a descrever os esforços destes dois Reshaim (perversos), junto com o povo de Midian, para prejudicar o povo judeu. Eles entenderam que não poderiam vencer fisicamente os judeus e, por isso, utilizaram seus conhecimentos espirituais para tentar atingir seus objetivos abomináveis.

Mas de todos os esforços de Balak e Bilaam, ficam algumas dúvidas. Em primeiro lugar, ao utilizar seus conhecimentos espirituais, aparentemente eles queriam que D'us se voltasse contra o povo judeu para destruí-los. Isto parece um propósito fútil, até mesmo tolo, pois todos sabiam do relacionamento eterno e do pacto inquebrável criado entre D'us e o povo judeu, desde a época dos nossos patriarcas, Avraham, Yitzchak e Yaacov. Portanto, qual era a real intenção de Balak e Bilaam? Além disso, Balak declarou seu objetivo como sendo "talvez eu poderei golpeá-los e expulsá-los da terra" (Bamidbar 22:6). Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que o objetivo de Balak era impedir o povo judeu de entrar na Terra de Israel. Mas as terras de Moav e Midian não estavam no caminho do povo judeu e, portanto, a entrada deles em Israel não oferecia nenhuma ameaça à Balak e Bilaam. Então por que esta obstinação em não permitir a entrada do povo judeu em Israel?

Há um interessante versículo nos Tehilim (Salmos), escritos por David Hamelech (Rei David), que nos ajuda a encontrar a resposta: "O Céu é de D'us, e a terra Ele deu ao ser humano" (115:1). Poderíamos pensar que este versículo significa que D'us cuida das coisas espirituais, e Ele nos deu a terra para que possamos nos dedicar ao que é apenas material. Mas explica o Rav Yitzchak Meir Rottenburg, mais conhecido como "Chidushei Harim", que o entendimento correto do versículo é completamente diferente. Neste versículo está contido o propósito da Criação do mundo. D'us deu ao ser humano a terra, isto é, tudo o que está contido no mundo material, para que possamos, através das Mitzvót que Ele nos ordenou, elevar o mundo material e transformá-lo em um "Céu", em espiritualidade.

Portanto, desta explicação, aprendemos que a meta de nossas vidas não é viver uma vida puramente espiritual. Devemos nos envolver com o mundo material, isto faz parte do nosso objetivo. E a missão do povo judeu é justamente transformar o uso do mundo material em algo espiritual. Quando este objetivo for atingido, chegará o Fim dos Tempos e toda a existência humana mudará completamente. Isto influenciará profundamente também as outras nações do mundo, forçando que todos abandonem qualquer forma de comportamento imoral e incorreto, e todos se esforcem para elevar sua existência física.

Explica o Rav Shmuel Bornsztain, mais conhecido como "Shem MiShmuel", que isto poderia acontecer no momento em que o povo judeu entrasse na Terra de Israel. Por que eles não poderiam atingir este nível tão elevado ainda no deserto? Pois durante os 40 anos em que estavam no deserto, os judeus viveram uma vida completamente desconectada das necessidades do mundo material, já que elas eram supridas de maneira sobrenatural e eles estavam livres para se dedicar integralmente ao serviço Divino. Como a existência espiritual do povo judeu estava completamente desconectada do mundo material, eles ainda não tinham conseguido atingir o objetivo da Criação. Mas no momento em que o povo entrasse na Terra de Israel, eles passariam por uma mudança significativa em seu estilo de vida. Eles precisariam lutar pela sua subsistência, elevando o mundo físico, principalmente através das Mitzvót conectadas com a agricultura.

Com esta explicação podemos entender melhor qual era a motivação verdadeira de Balak e Bilaam. Eles sabiam que quando o povo judeu entrasse na Terra de Israel eles poderiam atingir o propósito da Criação, e todas as outras nações se sentiriam obrigadas a mudar também seus estilos de vida. Balak e Bilaam se sentiram pessoalmente ameaçados pelo povo judeu, pois desejavam manter separado o mundo material do mundo espiritual. Apesar de terem um potencial espiritual muito grande, eles não queriam abrir mão de suas vidas completamente conectadas ao mundo material, repleta de prazeres momentâneos. Balak, e principalmente Bilaam, eram pessoas que buscavam prazeres de maneira incessante, e desejavam manter a espiritualidade afastada do mundo material, como se fosse possível se comportar como um animal e, ao mesmo tempo, ser elevado espiritualmente.

Portanto, Balak e Bilaam não queriam necessariamente destruir o povo judeu. O que eles queriam era evitar que o povo judeu conectasse o material com o espiritual. Eles não haviam entendido que parte fundamental do propósito do povo judeu é justamente se envolver com o mundo material para santificá-lo, elevando os elementos da terra, o mundo material, ao status de "Céu", injetando espiritualidade em cada pequeno ato cotidiano. Por isso eles tentaram evitar que o povo judeu entrasse em Israel. Se eles permanecessem no deserto, o propósito de elevação do mundo material nunca seria alcançado e eles não teriam suas vidas alteradas.

Após algumas vezes tentar amaldiçoar o povo judeu, Bilaam finalmente entendeu seu grande erro, o que pode ser percebido em uma das Brachót (Bençãos) que saiu de sua boca: "Quem contou o pó de Yaacov?" (Bamidbar 23:10). Explica o Midrash que Bilaam está se referindo às inúmeras Mitzvót relacionadas ao pó da terra, isto é, as leis que envolvem a agricultura. As leis agrícolas são aquelas que estão relacionadas à vida no mundo material, que representam a forma mais básica de buscar a subsistência. É justamente por isso que D'us nos deu tantas Mitzvót relacionadas com a agricultura, para que mesmo as atividades mais mundanas possam ser elevadas a atos de santidade.

Não apenas Balak e Bilaam cometeram este erro, de tentar separar o mundo material do mundo espiritual, como se fossem duas coisas contraditórias. Infelizmente nós também cometemos este grande erro conceitual. A espiritualidade não está apenas dentro da sinagoga ou do Beit Midrash (centro de estudos de Torá). Nossas atividades cotidianas também contém muita espiritualidade. Por exemplo, existem muitas Halachót (leis) que nos ajudam a sermos honestos nos negócios. O simples ato de comer requer um significativo conhecimento das leis de Kashrut e das Brachót (bênçãos) que devem ser pronunciadas antes e depois de cada tipo de alimento. E entre centenas de religiões existentes no mundo, apenas o judaísmo tem uma Brachá especialmente pronunciada após a utilização do banheiro. Mesmo um dos atos mais baixos e animalescos do ser humano, de expulsar os restos da comida que não foram absorvidos pelo corpo, pode ser transformar em espiritualidade e santidade. De todas as Brachót estabelecidas pelos nossos sábios, a Brachá dita depois de irmos ao banheiro é a única que menciona o "Kissê HaKavód" (Trono Celestial de D'us), o ápice de santidade e elevação espiritual. Tudo isto para nos ensinar que, mesmo os atos mais mundanos, e até mesmo os aparentemente mais baixos, são queridos aos olhos de D'us, pois podem ser transformados em espiritualidade.

A Parashá nos ensina que temos duas escolhas de como viver nossas vidas. Quando a pessoa se conecta de forma desenfreada ao mundo material, termina se afundando, como Bilaam, e se torna completamente dependente dos prazeres físicos, que não nos preenchem. Mas quando a pessoa utiliza o mundo material com controle, com direcionamento, ela transforma a terra em Céu. Este é o papel do povo judeu e, portanto, o papel de cada um de nós.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHUKAT 5773


BS"D

 

FAZENDO CÁLCULOS ERRADOS - PARASHÁ CHUKAT 5773 (14 de junho de 2013)

 

"O Rav Chaim Shmulevitz era uma pessoa extremamente humilde, e fugia de qualquer tipo de honrarias e títulos. Quando ele enviava cartas às pessoas, assinava sempre como "Chaim Shmulevitz", nunca colocando a palavra "rabino" como título, apesar de toda a sua fama e a sua grandeza em conhecimentos de Torá.

 

Certa vez, o Rav Chaim Shmulevitz pediu para que uma pessoa de sua família o ajudasse a escrever uma carta para um amigo que estava em um asilo. Mas desta vez, por algum motivo, o Rav Chaim Shmulevitz pediu ao seu parente que escrevesse, no remetente, o título de "Rabino". O parente não entendeu o pedido. Ele sempre fugia de qualquer reconhecimento e honra, por que desta vez havia até mesmo insistido para que seu nome viesse acompanhado de um título? Sorrindo, o Rav Chaim Shmulevitz explicou:

 

- Não se preocupe, eu não deixei o orgulho subir à minha cabeça. Este senhor para quem eu estou mandando a carta é um brilhante "Talmid Chacham" (estudante de Torá). Mas atualmente ele está muito velhinho e vive sozinho em um asilo. É muito provável que não estão tratando-o com o devido respeito. Por isto, desta vez eu pedi para que você escrevesse um título junto ao meu nome, pois talvez se alguém perceber que é um rabino conhecido que está mandando cartas para ele, vão tratá-lo de maneira mais honrosa".

 

Para si mesmo, o Rav Chaim Shmulevitz nunca buscava nenhuma honra. Ele não deixava seus conhecimentos o transformarem em uma pessoa orgulhosa, que não consegue mais enxergar os outros. Esta é a verdadeira humildade.

 

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A Parashá desta semana, Chukat, descreve uma das Mitzvót mais enigmáticas da Torá: as cinzas da vaca vermelha. Esta Mitzvá guarda grandes segredos, pois nosso intelecto não consegue entender como as cinzas de uma vaca completamente vermelha, misturadas com as cinzas da casca do cedro e as cinzas do hissopo, podem purificar alguém que está espiritualmente impuro. Ensinam os nossos sábios que apenas Moshé chegou ao entendimento completo desta Mitzvá.

 

Mas explica Rashi, comentarista da Torá, que há certo entendimento intelectual para esta misteriosa Mitzvá. Ele compara esta Mitzvá ao filho de uma criada do rei que sujou o chão do palácio, e sua mãe foi chamada pelo rei para limpar a sujeira que seu filho fez. Assim também D'us ordenou a Mitzvá da vaca vermelha para limpar a sujeira deixada pela terrível transgressão do bezerro de ouro.

 

Porém, esta comparação feita por Rashi para explicar a Mitzvá da vaca vermelha é muito estranha. Entendemos que o bezerro é o filho da vaca, mas por que considerar que o bezerro de ouro é o filho da vaca vermelha? Qual a relação entre os dois assuntos? E qual sujeira do bezerro de ouro que a vaca vermelha veio purificar? E finalmente, por que apenas Moshé entendeu a Mitzvá da vaca vermelha, um grande mistério até mesmo para Shlomo Hamelech (Rei Salomão), o mais sábio de todos os homens?

 

Também há outra questão que surge ao observarmos um ensinamento do Talmud (Chulin 88b) sobre este assunto. O Talmud afirma que o mérito da Mitzvá das cinzas da vaca vermelha veio de Avraham Avinu, quando ele, em sua enorme humildade, declarou: "E eis que eu quis falar com D'us, mas eu sou apenas pó e cinzas" (Bereshit 18:27). Qual a relação entre a humildade de Avraham Avinu e a Mitzvá das cinzas da vaca vermelha?

 

A resposta está em outro ensinamento interessante do Talmud (Shabat 145b), que afirma que quando Adam e Chava pecaram no Gan Éden, a cobra injetou no mundo uma imundície espiritual. Quando o povo judeu recebeu a Torá no Monte Sinai, esta imundície foi completamente limpa, mas quando o povo judeu construiu o bezerro de ouro, logo depois, parte da imundície espiritual voltou. As cinzas da vaca vermelha vieram justamente para limpar esta imundície espiritual que voltou ao mundo após o bezerro de ouro. Mas de que imundície espiritual o Talmud está falando?

 

Precisamos entender qual foi a fonte do erro de Adam Harishon. Apesar de D'us ter explicitamente ordenado para que ele não comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal, ele descumpriu a vontade de D'us. Ele deu ouvidos à cobra, que quis desviá-lo do caminho correto com argumentos intelectuais. Nossos sábios explicam que a imundície não veio ao mundo após o ato de comer o fruto proibido. A imundície que a cobra injetou no mundo foi convencer Adam a fazer cálculos intelectuais ao invés de escutar o que D'us havia ordenado explicitamente. Este erro foi completamente consertado pelo povo judeu no Monte Sinai, quando todos declararam "Naassê VeNishmá" (faremos e entenderemos), demonstrando que estavam dispostos a cumprir a vontade de D'us sem fazer cálculos, sem buscar desculpas intelectuais para se desviar da verdade. O Sfat Emet, comentarista da Torá, explica que quando eles estavam no Monte Sinai, entenderam a grandeza da Torá e o quanto estavam longe do seu entendimento, em uma imensa demonstração de humildade. Mas o povo judeu logo escorregou de novo. Ao errarem a conta da volta de Moshé Rabeinu, eles novamente começaram a fazer cálculos, indo contra a vontade de D'us. Quando a mente humana não conseguiu entender a vontade de D'us, eles tentaram "consertar" a situação da sua própria maneira, trazendo de volta a sujeira espiritual, a sujeira da arrogância, de acharmos que podemos entender intelectualmente tudo e criar as nossas próprias regras espirituais.

 

Qual é o ponto em comum entre o erro de Adam Harishon e o bezerro de ouro? A falta de humildade, a arrogância de se considerar no mesmo nível de D'us, de querer tomar as decisões do que é correto ou incorreto sozinhos, mesmo indo contra a vontade Dele e Sua sabedoria ilimitada. É por isto que Rashi explica que a vaca vermelha é a mãe que veio limpar a sujeira do bezerro de ouro. O erro do bezerro de ouro surgiu do desconforto do ser humano perceber que não pode entender tudo. Nós queremos entender, nós buscamos, de forma incessante, dominar o desconhecido. Então veio a Mitzvá das cinzas da vaca vermelha consertar nosso erro, nos trazendo de volta à humildade. O orgulhoso sente-se como um cedro, a maior das árvores, mas precisa entender que seu conhecimento não passa de um hissopo, uma planta muito baixa. Mesmo que temos conhecimento em várias áreas, se pararmos para refletir, perceberemos que, na realidade, nós não sabemos nem entendemos quase nada.

 

Por isso a Mitzvá da vaca vermelha, que vem nos ensinar humildade, foi mérito de Avraham, alguém que mudou a humanidade mas, ao mesmo tempo, se sentia pó e cinzas diante de D'us. Apesar de ser um gigante espiritual, Avraham não fazia cálculos, ele cumpria exatamente o que D'us ensinava para ele, mesmo quando  a vontade de D'us ia contra a lógica humana. E por isso Moshé, o mais humilde de todos os homens, meritou entender a Mitzvá da vaca vermelha, algo que nem Shlomo HaMelech conseguiu. A Mitzvá da vaca vermelha está acima de qualquer entendimento lógico. Enquanto a pessoa não é completamente humilde, enquanto ela tenta entender as coisas com seu intelecto limitado, ela não consegue entender a Mitzvá da vaca vermelha. Moshé aceitou o fato de que a Mitzvá não podia ser entendida da maneira que a lógica humana está acostumada a pensar. Ele chegou a um nível de humildade tão grande, se sentia tão insignificante perante a grandeza de D'us, que meritou entender a Mitzvá.

 

Este é o segredo da vaca vermelha: o profundo entendimento de que não entendemos nada. A lição de humildade, que coloca o ser humano de volta ao seu lugar. Achamos que, por causa de nossas evoluções tecnológicas, podemos ditar as regras, podemos enfrentar D'us. Esta é a fonte da imundície espiritual que veio ao mundo com Adam Harishon e com o bezerro de ouro. E este deve ser o nosso trabalho de limpeza do mundo, começando com cada um de nós. O trabalho de sabermos o quanto somos limitados. O trabalho de aceitar a vontade de D'us, mesmo quando não conseguimos entender, por causa das nossas limitações intelectuais. Somente assim conseguiremos chegar ao nosso objetivo, da total consciência de que a única coisa correta, fazendo ou não sentido para o nosso intelecto limitado, é cumprir a vontade de D'us.

 

SHABAT SHALOM

 

Rav Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KORACH 5773


BS"D

FAZENDO A JOIA BRILHAR - PARASHÁ KORACH 5773 (07 de junho de 2013)

"Alexandre estava com um grupo de amigos fazendo turismo em Hong Kong. Certo dia eles foram conhecer uma famosa joalheria, conhecida pela diversidade de pedras preciosas. O grupo ficou maravilhado com a quantidade de pedras preciosas diferentes que estavam em exposição. Mas a que mais chamou a atenção de Alexandre não foram as pedras brilhantes e coloridas. Ao contrário, havia em um canto da loja uma pedra opaca, completamente desprovida de brilho, nem parecia uma pedra preciosa. Ao chegar perto, Alexandre viu que era uma pedra cara. Curioso em saber quem se interessaria por uma pedra daquelas, cara e completamente sem graça, ele questionou o joalheiro.

O joalheiro explicou que aquela era uma pedra cara por causa do seu brilho maravilhoso. Vendo a cara de espanto de Alexandre, o vendedor abriu um sorriso, retirou a pedra da vitrine, colocou-a no centro de sua mão e fechou. Alguns instantes depois, ele abriu a mão e, para a surpresa de Alexandre, a pedra brilhava com uma beleza incomum.

- Esta pedra – ensinou o joalheiro – é uma opala, mais conhecida como "joia sentimental". Ela parece opaca e apagada, mas tudo o que ela necessita é do contato com a mão humana para irradiar brilho e luz"

As crianças são joias como opalas. Podemos dar presentes caros, viagens extravagantes, os mais modernos jogos, mas isto tudo não é suficiente para deixar uma criança realmente feliz. O que preenche de verdade uma criança é o carinho e a proximidade dos pais, a "mão humana" que faz a luz delas brilhar.

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Na Parashá desta semana, Korach, a Torá descreve uma grande rebelião organizada contra Moshé e Aharon, na qual suas posições de destaque, respectivamente como líder do povo e Cohen Gadol (Sumo sacerdote), foram questionadas. A rebelião terminou de forma trágica, com centenas de pessoas mortas através de castigos aplicados diretamente por D'us. Em seguida a Torá lista os serviços pelos quais os Cohanim (sacerdotes) eram responsáveis e uma série de presentes que o povo judeu deveria dar a eles. Qual a conexão entre estes assuntos?

Os Cohanim eram os responsáveis pelos serviços espirituais do Mishkan (Templo Móvel), e por isso D'us deu a eles presentes, como uma recompensa por sua dedicação. Além disso, D'us queria afirmar publicamente que os Cohanim eram Sua "legião pessoal". Esta afirmação foi feita justamente depois da rebelião de Korach e seu grupo, na qual eles haviam questionado Aharon, o Cohen Gadol, pois D'us queria afirmar o quanto os Cohanim eram queridos e próximos Dele.

Entre os vários presentes listados na Parashá, há um que nos chama a atenção: "Aqueles que necessitam ser redimidos, a partir de 1 mês de idade você deve redimir, de acordo com o seu valor, cinco shekels de prata, do shekel sagrado, que são vinte guerá" (Bamidbar 18:16). Sobre o que está falando este versículo e onde está o presente aos Cohanim?

Explica o Sefer HaChinuch (Mitzvá 18) que existe uma Mitzvá de oferecer a D'us nossos primeiros frutos, para nos lembrarmos que tudo é Dele. Quando o ser humano se esforça para produzir algo, os primeiros frutos são muito queridos, e mesmo assim imediatamente oferecemos para D'us. Entre as coisas que oferecemos a D'us está o filho primogênito, que é o primeiro fruto do ventre.  Por isso, o pai precisa resgatar seu filho, que simbolicamente pertence a D'us, através de um Cohen, dando para ele cinco moedas de prata, em uma cerimônia chamada "Pidion Haben" (resgate do filho). Estas cinco moedas de prata, que o pai da criança dava para resgatar seu filho, era um dos presentes que os Cohanim recebiam.

Há um detalhe muito interessante nesta cerimônia do "Pidion HaBen". Nossos sábios estabeleceram que durante o resgate o Cohen deve fazer ao pai da criança a seguinte pergunta: "Qual deles você prefere?". Em outras palavras, o Cohen está perguntando ao pai: "Você prefere seu filho ou as cinco moedas de prata?". Mas esta pergunta do Cohen desperta uma série de questionamentos. Em primeiro lugar, parece uma pergunta tola, sem o menor sentido. Que pai em sã consciência escolheria o dinheiro ao invés do próprio filho, e ainda mais o primogênito? Além disso, há aparentes problemas com a Halachá (lei judaica), pois se a Torá exige que o pai redima seu filho, então por que o Cohen propõe que o pai deixe de redimir seu filho e fique com o dinheiro? E finalmente, mesmo se o pai se recuse a redimir seu filho, o Cohen não tem nenhum direito de ficar com a criança, pois ela não é sua propriedade, o Cohen é apenas um intermediário nesta transação entre o pai e D'us. Portanto, por que nossos sábios estabeleceram esta estranha pergunta do Cohen no momento da realização desta interessante Mitzvá de "Pidion HaBen"?

Explica o Rav Yochanan Zweig que nossos sábios querem chamar nossa atenção para um triste fenômeno. Se uma pessoa oferecesse a qualquer pai a proposta de comprar seu filho por 10 milhões, alguém aceitaria? Certamente que não. Isto quer dizer que temos um verdadeiro tesouro em nossas casas. Uma pessoa que tem 4 filhos é um verdadeiro milionário, pois tem mais de 40 milhões dentro de casa. A grande pergunta é: sabemos realmente dar o verdadeiro valor para os nossos filhos e para a nossa família? Quantas vezes nós trocamos nossos filhos por um pouco mais de conforto em nossas vidas? Muitas vezes um pai trabalha duro para dar uma vida mais confortável aos seus filhos, mas deixa seu filho sem o mais importante, que é a presença do pai. Estamos sempre racionalizando nossos atos, nos enganando, tentando mostrar a nós mesmos que precisamos realmente trabalhar tanto, mesmo às custas de ficarmos muito tempo fora de casa, transferindo nossa obrigação de educar nossos filhos à escola e à babá.

Os pais dizem que trabalham tanto justamente para poderem dar um futuro decente aos seus filhos. Mas será que a presença dos pais em casa, apesar de optarem por uma vida mais simples, não seria muito mais benéfica a eles? A verdade é que a ideia de que estamos ajudando o futuro dos nossos filhos dando a eles uma vida material confortável é apenas uma racionalização, pois visto através da ótica correta, se assemelha muito ao ato de trocar o filho pelo dinheiro.

Por isto nossos sábios inseriram na cerimônia de "Pidion HaBen" esta pergunta tão chocante, na qual o Cohen oferece ao pai a opção de trocar seu filho pelo dinheiro. O propósito dos nossos sábios é nos despertar, para que sejamos mais exigentes ao avaliar nossas motivações. Quando o dinheiro deixa de ser uma necessidade de prover o bem estar da família e se torna uma busca por um conforto desnecessário, às custas do tempo com a família? Quanto o conforto que oferecemos aos nossos filhos é realmente mais importante do que a nossa presença e atenção?

Vivemos em uma geração que vê os pais cada vez mais comprometidos com o trabalho, uma geração na qual cada vez menos faltam para as famílias recursos materiais, mas cada vez mais falta atenção e carinho em casa. O resultado é o aumento da violência, da delinquência juvenil, dos casos cada vez mais frequentes de depressão atacando jovens em idades ainda muito tenras. Uma geração de crianças que tem tudo – dos jogos mais caros até os tablets mais tecnológicos – e ao mesmo tempo não tem nada. Uma geração que tem o brilho da opala, mas que falta a mão humana que faça esta joia brilhar. Esta é a lição da pergunta do Cohen, e ela deve ajudar a direcionar nossas escolhas na vida. O conforto é importante, uma boa fonte de sustento é essencial, mas não podem estar acima dos nossos próprios filhos.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).