sexta-feira, 5 de julho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5773


BS"D

MEDO DO CASTIGO - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5773 (05 de julho de 2013)

"Certa vez, em uma pequena cidade do interior, um grande incêndio se alastrou e começou a destruir as casas. As notícias do incêndio correram e chegaram à cidade vizinha, onde morava Alberto, o sobrinho de um dos moradores mais ricos daquela cidade. Quando ele escutou sobre o incêndio, imediatamente pediu ajuda a um amigo para tentar salvar a casa de seu tio da destruição. Correram o mais rápido que puderam para tentar chegar a tempo de ajudar.

Porém, quando Alberto chegou ao portão da casa de seu tio, viu que as coisas mais preciosas que ele tinha, como um antigo relógio de família, a caixa de joias de sua esposa e a sua coleção de moedas antigas, estavam espalhadas por todo o jardim. Alberto parou e, com tristeza, avisou ao amigo que de nada havia adiantado a corrida deles, pois haviam chegado tarde demais. Certamente o estrago já estava feito e a casa já havia sido completamente destruída pelo fogo.

Mas o amigo de Alberto não entendeu. Eles haviam chegado apenas até o portão da casa, não tinham nem visto se a casa havia sido atingida ou não. Como ele podia ter tanta certeza da destruição sem nem mesmo ter visto a casa do seu tio? Alberto explicou para ele:

- Normalmente, a pessoa guarda seus objetos mais valiosos nos lugares mais seguros dentro da casa. Mas podemos ver que os objetos mais valiosos estão completamente expostos, espalhados pelo jardim da casa. Isto significa que a casa já foi completamente consumida pelo fogo, e estas são as poucas coisas de valor que eles conseguiram salvar"

Explica o Chafetz Chaim que todo judeu tem uma "mansão" guardada para ele no Mundo Vindouro, que é construída através de cada bom ato e cada Mitzvá que ele cumpre na vida. Mas quando a pessoa se desvia do caminho correto, suas transgressões podem destruir sua "mansão espiritual". Ao viver apenas em busca do preenchimento dos seus desejos, a pessoa pode acabar com sua eternidade. E tudo o que restará a ela será aproveitar, ainda neste mundo, as poucas Mitzvót que ele conseguir salvar deste terrível "incêndio espiritual". Por isso, refletir sobre a consequência dos nossos maus atos nos ajuda a garantir a nossa eternidade.

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matot e Massei, terminando o quarto livro da Torá, Bamidbar. Na Parashá Matót, a Torá fala, entre outros assuntos, sobre a guerra de vingança contra o povo de Midian e o pedido das tribos de Reuven e Gad para se estabelecerem do lado de fora da Terra de Israel. Já a Parashá Massei descreve as várias viagens que o povo judeu fez no deserto.

Também na Parashá Massei a Torá nos ensina qual a punição de uma pessoa que comete um assassinato não intencional. Por exemplo, se uma pessoa fosse cortar árvores e o machado escapasse de sua mão e atingisse letalmente outra pessoa, ela não era punida com a pena de morte, já que não havia a intenção de matar, mas deveria pagar pelo seu erro indo para o exílio. O exílio não poderia ser em qualquer lugar, havia cidades específicas para este fim, chamadas "Arei Miklat" (cidades de refúgio). O assassino não intencional precisava ir imediatamente para a cidade de refúgio e permanecer ali até a morte do Cohen Gadol (Sumo sacerdote).

Podemos perceber que estas cidades de refúgio envolvem dois conceitos diferentes: a salvação e o castigo. Por um lado, as cidades eram construídas pelo bem do assassino não intencional. De acordo com a Torá, apesar do assassinato não ter sido cometido com nenhuma má intenção, havia a permissão para que um parente do falecido vingasse a sua morte. Este parente era conhecido como "Goel HaDam" (vingador de sangue). Mas o assassino estava protegido dentro da cidade de refúgio, pois o "Goel HaDam" não tinha nenhuma permissão de causar qualquer mal ao transgressor lá dentro. A Torá exigia que os caminhos que levavam às cidades de refúgio fossem bem sinalizados, possibilitando que o assassino não intencional pudesse correr e salvar sua vida. Além disso, dois sábios de Torá acompanhavam o assassino não intencional até a cidade de refúgio, para acalmar e clamar pela sua vida caso o "Goel HaDam" o alcançasse no caminho. Portanto, as cidades de refúgio eram uma enorme bondade de D'us com o transgressor.

Mas, por outro lado, se o assassino saísse da cidade de refúgio, mesmo que por alguns poucos instantes, o "Goel HaDam" poderia matá-lo sem nenhum tipo de aviso ou advertência. A cidade de refúgio se tornava, portanto, uma prisão, um castigo para o transgressor. Não é contraditório que D'us por um lado se preocupe tanto com a vida do transgressor, mas que por outro lado mande um castigo tão duro, facilitando com que o "Goel HaDam" possa matá-lo caso ele apenas pise fora da cidade de refúgio?

A resposta começa em um dos fundamentos principais do judaísmo: nada acontece por acaso, tudo é supervisionado pelo Criador do mundo. Ninguém morre acidentalmente, tudo já está previsto e decretado. Se o machado voou da mão de uma pessoa e atingiu letalmente outra pessoa, é porque a outra pessoa já estava destinada a morrer naquele momento. Mas por outro lado, se uma pessoa mata outra, mesmo que não intencionalmente, isto significa que há algo de errado em sua alma. Por ela ter sido utilizada por D'us como um "instrumento" para cumprir uma pena de morte já decretada nos mundos espirituais, isto significa que esta pessoa perdeu a sensibilidade de qual o valor da vida.

Este era o motivo pelo qual o assassino deveria ficar na cidade de refúgio. Em primeiro lugar, o decreto espiritual de exílio era uma Kapará (expiação) pelo seu erro. Todo o sofrimento de estar longe da família e dos amigos limpava a sua alma do erro cometido. Além disso, nas cidades de refúgio morava a tribo de Levi, composta por pessoas que se dedicavam ao estudo de Torá e ao autoaprimoramento. A influência espiritual positiva da tribo de Levi ajudava a pessoa a crescer e a se arrepender dos erros que a levaram ao assassinato não intencional.

Mas se este conserto era tão importante para a alma do infrator, e D'us protegia tanto a vida dele para permitir que ele chegasse a esta cidade de refúgio, por que D'us permitiu ao "Goel HaDam" matá-lo caso saísse de lá, mesmo que só por alguns instante? Não era óbvio que a pessoa racionalmente gostaria de ficar ali, consertando seus erros e obtendo uma limpeza espiritual por sua terrível transgressão? Não era desnecessária esta ameaça à vida do assassino não intencional?

D'us criou todo o universo e, por isso, Ele conhece cada pequeno detalhe de cada uma de Suas criaturas. Ele sabe que no momento em que o transgressor sentisse saudades de sua família, ele teria vontade de sair da cidade de refúgio. Se não houvesse o medo do "Goel HaDam", no momento em que os desejos falassem mais alto, as suas convicções intelectuais seriam facilmente deixadas de lado. A ameaça do "Goel HaDam" era o que, na prática, mantinha a pessoa na cidade de refúgio, mesmo quando apertava a vontade de abandonar tudo e ir embora.

Este conceito ensinado na Parashá nos ajuda a entender algo que nos incomoda. Em geral, as pessoas não gostam de sentir medo. O medo inibe, assusta, trava. Mas sabemos que há na Torá inclusive uma Mitzvá de sentir medo: a Mitzvá de temer a D'us. O temor principal que precisamos sentir para cumprir esta Mitzvá é um temor mais elevado, chamado "Irat Haromemut", que se refere ao medo que devemos sentir por causa da grandeza de D'us. É um temor que vem do reconhecimento de quanto D'us é grande e perfeito, enquanto nós somos pequenos e imperfeitos. É um temor que vem junto com uma admiração. Mas existe também um nível de temor mais baixo, chamado "Irat HaOnesh", o medo do castigo. É o medo de que, se cometermos um erro, D'us nos punirá. Porém, se o principal temor para cumprir a Mitzvá de "temer a D'us" é o medo da grandeza Dele, para que serve este nível mais baixo de temor, o medo do castigo? Se o ideal é realmente sentir um temor que vem da admiração da grandeza de D'us, qual o benefício que nos traz sentir medo da punição?

Ensina o Rav Yaacov Kanievsky, mais conhecido com "Staipler", que muitas vezes uma pessoa sente uma forte atração e desejo para cometer uma transgressão. Neste momento, em que o Yetser Hará (má inclinação) está atacando a pessoa com força máxima, os desejos quase incontroláveis da pessoa entorpecem seu coração, a ponto da pessoa não levar em consideração as consequências espirituais negativas de seu ato. Por isto, a única coisa que realmente funciona neste momento é o medo do castigo, a pessoa se lembrar de que toda transgressão será duramente castigada. Este medo é o único freio que consegue parar a pessoa que está sendo levada atrás dos seus desejos. É por isso que quanto mais a pessoa internalizar as consequências negativas de suas transgressões, quanto mais ela refletir sobre o peso do castigo que virá caso cometa um erro, maior a chance de ela conseguir vencer suas tentações. Da mesma forma que o medo do "Goel HaDam" ajudava o assassino não intencional a vencer a sua vontade irracional de sair da cidade de refúgio, o que interromperia seu conserto espiritual, assim também o medo do castigo serve para nos despertar, quando o desejo fala mais alto do que as nossas convicções.

Por isso, o sentimento de medo não é algo negativo. Se o medo for mal utilizado, ele realmente nos bloqueia e não nos deixa crescer. Mas quando bem utilizado, o medo nos ajuda a cumprir a nossa missão neste mundo e a fugir dos erros e tentações que nos desviam. Como em uma escada, começamos a subir pelo primeiro degrau, o medo do castigo, para somente depois atingir o degrau mais alto, o medo da grandeza de D'us. Assim, poderemos utilizar o nosso medo para garantir que a nossa "mansão espiritual" estará guardada, são e salva, para quando chegar o momento de partir deste mundo.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 28 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ PINCHÁS 5773


BS"D

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CANALIZANDO NOSSAS FORÇAS - PARASHÁ PINCHAS 5773 (28 de junho de 2013)

"O Sr. James era um daqueles ingleses que levavam o futebol a sério. Torcedor fanático, ele estava acompanhando atentamente a participação da Inglaterra na Copa do Mundo. A Inglaterra havia chegado às quartas de final, e o Sr. James acreditava que o título viria naquele ano. O jogo começou, e ficava a cada instante mais tenso. Para o desespero do Sr. James, a Inglaterra tomou um gol no final do jogo, deixando a situação ainda mais difícil. O Sr. James não conseguia acreditar quando o juiz finalmente apitou o final do jogo, decretando mais uma vez a desclassificação da seleção inglesa. Não podia ser verdade, simplesmente não podia. Em um impulso descontrolado, o Sr. James se levantou e deu um chute tão violento na televisão que arrebentou a tela toda.

Algumas horas depois, quando o fervor já havia passado, ele percebeu a besteira que havia feito e ficou desesperado. Ele havia arrebentado sua única televisão! Em pânico, ligou para uma empresa autorizada que fazia manutenção de televisões, explicou o caso e solicitou a visita urgente de um técnico. Do outro lado da linha, o atendente explicou que a visita somente poderia acontecer dentro de três dias. Quando o Sr. James, indignado, perguntou o motivo de tanta demora, o atendente respondeu calmamente:

- O Sr. não foi o único que destruiu a sua televisão após o jogo. Estamos tão saturados de chamadas que temos trabalho agendado para todos os nossos técnicos nos próximos três dias..." (História Real)

A impulsividade pode ser uma característica muito negativa. Se não for canalizada, pode deixar consequências indesejáveis, que nem sempre podem ser consertadas depois.

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Na Parashá desta semana, Pinchás, a Torá traz o desfecho da história que começou no final da Parashá passada, quando Zimri, o líder da tribo de Shimon, fez um grande "Chilul Hashem", denegrindo o nome de D'us ao cometer uma grande imoralidade em público, de forma desafiadora, ignorando até mesmo a presença de Moshé Rabeinu. D'us mandou uma grande praga sobre o povo judeu, na qual 24 mil pessoas morreram. A praga somente parou quando Pinchás, neto de Aharon HaCohen, da tribo de Levi, se levantou contra a imoralidade de Zimri e o matou. E D'us recompensou Pinchás por seu ato heroico, como está escrito: "Portanto diga a ele que Eu lhe dei o Meu pacto de paz" (Bamidbar 25:12). Mas por que um ato tão violento como o de Pinchás foi recompensado justamente com um "pacto de paz"?

É interessante perceber que as duas tribos envolvidas neste acontecimento, Shimon e Levi, tem algo em comum, que vem desde os tempos do nosso patriarca Yaacov. Quando Diná, a filha de Yaacov, foi sequestrada e violada pelo príncipe Shechem, os filhos de Yaacov bolaram um plano para resgatá-la, convencendo o povo de Shechem a fazer Brit Milá com intenção de enfraquecê-los. Mas Shimon e Levi tinham outros planos, eles não queriam apenas enfraquecer o povo para resgatar Diná. No terceiro dia depois do Brit Milá, no qual as pessoas ficam mais debilitadas, eles mataram todos os habitantes da cidade, por considerarem todos coniventes com o sequestro e a violação de sua irmã Diná. Mesmo quando Yaacov demonstrou profunda irritação com o ato impulsivo dos dois filhos, que poderia ter causado um ataque dos povos vizinhos e a destruição de Yaacov e seus filhos, eles se defenderam, argumentando: "Nossa irmã deve ser tratada como uma prostituta?" (Bereshit 34,31).

Anos mais tarde, antes de seu falecimento, Yaacov deu Brachót (Bençãos) para todos os seus filhos. Mas Shimon e Levi foram duramente repreendidos por Yaacov, justamente por sua impulsividade. E, entre outras palavras, assim Yaacov disse para eles: "Eu vou separá-los em Yaacov e dispersá-los em Israel" (Bereshit 49:7). O entendimento mais simples destas palavras de Yaacov é que ele queria separar os irmãos Shimon e Levi para que eles não cometessem mais nenhum ato impulsivo de violência. Mas Rashi, comentarista da Torá, dá outra explicação para estas palavras de Yaacov. Ele explica que Yaacov estava determinando que as tribos de Shimon e Levi futuramente seriam escribas e professores de crianças, e se espalhariam por toda a terra de Israel, viajando de cidade em cidade e mantendo a transmissão ininterrupta da Torá.

Mas por que justamente as tribos de Shimon e Levi seriam os transmissores da Torá? A impulsividade deles não era algo negativo? E qual a relação destas palavras de Yaacov com o evento ocorrido entre Pinchás, da tribo de Levi, e Zimri, da tribo de Shimon? Por que desta vez eles estavam em lados opostos?

Explica o Rav Yaacov Kamenetzki que Yaacov percebeu em seus dois filhos, Shimon e Levi, uma qualidade que seus irmãos não tinham. Quando eles destruíram a cidade de Shechem, eles demonstraram estar dispostos a colocar suas próprias vidas em risco para defender a honra de sua irmã. Todos os filhos de Yaacov tinham visto o que havia ocorrido, mas apenas Shimon e Levi sentiram a dor de sua irmã como se fosse sua própria dor. E esta capacidade de sentir a dor do próximo foi o que os levou a esta impulsividade, este fervor sem limites, cuja única forma de acalmar os ânimos foi através da destruição de toda a cidade de Shechem. Yaacov percebeu que esta força impulsiva de Shimon e Levi poderia ser utilizada de maneira positiva, em benefício do povo judeu. Ele entendeu que somente alguém que naturalmente sente a dor do próximo como se fosse sua própria dor, a ponto de abrir mão de seu conforto em prol do próximo, poderia ser capaz de abrir mão de sua comodidade e viajar, de cidade em cidade, transmitindo a Torá ao povo judeu.

Mas então o que deu errado? Por que as tribos de Shimon e Levi se "reencontraram" na geração do deserto, porém em situações opostas? Explicam nossos sábios que a palavra "Midót", que significa "traços de caráter", também significa "medidas". Por que? Pois não existe nenhum traço de caráter que é totalmente bom ou totalmente ruim, depende de como ele é utilizado, para onde é canalizado. É como o sal, que não é bom nem ruim, depende da medida em que é utilizado. Por exemplo, muito sal estraga a comida, enquanto pouco sal deixa a comida sem gosto. O ideal é sal na medida certa, que ressalta o gosto dos alimentos. Assim também acontece com nossas características, todas devem ser canalizadas para poderem ser utilizadas na medida correta.

Apesar dos dois irmãos, Shimon e Levi, terem transmitido aos seus descendentes esta característica de impulsividade, as diferenças começaram a surgir após o primeiro exílio do povo judeu, quando Yaacov e seus filhos desceram ao Egito. Enquanto a tribo de Levi nunca abandonou o estudo da Torá, e justamente por isso nunca foi escravizada, a tribo de Shimon passou pelos horrores da pesada escravidão no Egito. O tempo em que se dedicou ao estudo da Torá permitiu que a tribo de Levi internalizasse esta característica de impulsividade e fervor explosivo e canalizasse para coisas positivas e construtivas. Já a tribo de Shimon, que não teve esta oportunidade espiritual, canalizou esta característica para o lado negativo. Zimri utilizou a impulsividade de forma negativa, para desafiar Moshé Rabeinu e D'us em um ato público de imoralidade. Já Pinchás utilizou sua impulsividade para fazer a vontade de D'us. Mesmo sendo através de um ato de violência, Pinchás reestabeleceu a paz entre o povo judeu e D'us, terminando com a terrível praga que dizimava o povo. E a recompensa que Pinchas recebeu de D'us, o "pacto de paz", demonstra o quanto sua atitude agradou a D'us. Por um lado era uma atitude impulsiva, mas por outro lado havia sido canalizada para fazer o que era correto e cumprir a vontade de D'us.

Fica desta Parashá um ensinamento importante para nossas vidas. Não existe nenhuma característica intrinsecamente boa ou mal, tudo depende de como vamos canalizá-la. É verdade que existem características com certa tendência positiva, como o altruísmo, e características com certa tendência negativa, como a impulsividade. Mas mesmo as piores características que D'us colocou dentro de nós podem ser utilizadas para servi-Lo, enquanto mesmo as melhores características, sem o direcionamento correto, podem ser desastrosas. D'us nos deu a Torá, o nosso "Manual de Instruções", para nos ensinar como utilizar todas as forças e potenciais contidos dentro de cada ser humano. Quanto mais nos aprofundarmos no conhecimento e no cumprimento da Torá, melhor utilizaremos as nossas forças e potenciais, chegando ao nível de que todos os nossos atos possam ser um grande "Kidush Hashem" (santificação do nome de D'us).

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BALAK 5773


BS"D

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TRAZENDO O CÉU PARA A TERRA - PARASHÁ BALAK 5773 (21 de junho de 2013)

Havia em Israel um grupo de empresários que se reuniam todas as noites na sinagoga para estudar Torá. Certa vez o Rav Shlomo Wolbe zt"l escutou que o tema das aulas deste grupo era as leis relacionadas com a Mitzvá de Tsitsit. Ele ressaltou que estudar aquelas leis era algo realmente muito importante, mas sugeriu que o grupo, justamente por ser formado por empresários, deveria estudar o Choshen Mishpat, a parte do Shulchan Aruch (Código de leis judaico) que trata das leis relacionadas aos negócios.

Em um primeiro momento eles não gostaram muito da ideia. Eles preferiam estudar assuntos mais espirituais, não queriam assuntos "pequenos", que envolviam atividades do dia a dia. Queriam ser mais espiritualizados, queriam assuntos mais elevados. Mas como viram que o Rav Shlomo Wolbe insistia tanto, aceitaram a mudança.

Quando começaram as aulas de Choshen Mishpat, foi um grande choque. Eles começaram a perceber quantas leis eles desconheciam, quantas vezes eles haviam sido desonestos, com a melhor das intenções, e haviam prejudicado clientes e concorrentes! Foi então que eles perceberam que a espiritualidade verdadeira não está nos assuntos mais místicos e nem nas Mitzvót mais elevadas, e sim nos assuntos do nosso cotidiano. A espiritualidade está nos assuntos mais simples do dia a dia, justamente para que possamos, com cada pequeno ato, contribuir para que o mundo inteiro possa se elevar espiritualmente.

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Durante a história do povo judeu, poucas vezes tivemos inimigos tão perversos quanto Balak, o rei do povo de Moav, e Bilaam, o profeta de elevado nível espiritual que, ao invés de utilizar seu potencial para ajudar as pessoas, utilizou seu poder para amaldiçoar e destruir. E a Parashá desta semana, Balak, é inteira dedicada a descrever os esforços destes dois Reshaim (perversos), junto com o povo de Midian, para prejudicar o povo judeu. Eles entenderam que não poderiam vencer fisicamente os judeus e, por isso, utilizaram seus conhecimentos espirituais para tentar atingir seus objetivos abomináveis.

Mas de todos os esforços de Balak e Bilaam, ficam algumas dúvidas. Em primeiro lugar, ao utilizar seus conhecimentos espirituais, aparentemente eles queriam que D'us se voltasse contra o povo judeu para destruí-los. Isto parece um propósito fútil, até mesmo tolo, pois todos sabiam do relacionamento eterno e do pacto inquebrável criado entre D'us e o povo judeu, desde a época dos nossos patriarcas, Avraham, Yitzchak e Yaacov. Portanto, qual era a real intenção de Balak e Bilaam? Além disso, Balak declarou seu objetivo como sendo "talvez eu poderei golpeá-los e expulsá-los da terra" (Bamidbar 22:6). Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que o objetivo de Balak era impedir o povo judeu de entrar na Terra de Israel. Mas as terras de Moav e Midian não estavam no caminho do povo judeu e, portanto, a entrada deles em Israel não oferecia nenhuma ameaça à Balak e Bilaam. Então por que esta obstinação em não permitir a entrada do povo judeu em Israel?

Há um interessante versículo nos Tehilim (Salmos), escritos por David Hamelech (Rei David), que nos ajuda a encontrar a resposta: "O Céu é de D'us, e a terra Ele deu ao ser humano" (115:1). Poderíamos pensar que este versículo significa que D'us cuida das coisas espirituais, e Ele nos deu a terra para que possamos nos dedicar ao que é apenas material. Mas explica o Rav Yitzchak Meir Rottenburg, mais conhecido como "Chidushei Harim", que o entendimento correto do versículo é completamente diferente. Neste versículo está contido o propósito da Criação do mundo. D'us deu ao ser humano a terra, isto é, tudo o que está contido no mundo material, para que possamos, através das Mitzvót que Ele nos ordenou, elevar o mundo material e transformá-lo em um "Céu", em espiritualidade.

Portanto, desta explicação, aprendemos que a meta de nossas vidas não é viver uma vida puramente espiritual. Devemos nos envolver com o mundo material, isto faz parte do nosso objetivo. E a missão do povo judeu é justamente transformar o uso do mundo material em algo espiritual. Quando este objetivo for atingido, chegará o Fim dos Tempos e toda a existência humana mudará completamente. Isto influenciará profundamente também as outras nações do mundo, forçando que todos abandonem qualquer forma de comportamento imoral e incorreto, e todos se esforcem para elevar sua existência física.

Explica o Rav Shmuel Bornsztain, mais conhecido como "Shem MiShmuel", que isto poderia acontecer no momento em que o povo judeu entrasse na Terra de Israel. Por que eles não poderiam atingir este nível tão elevado ainda no deserto? Pois durante os 40 anos em que estavam no deserto, os judeus viveram uma vida completamente desconectada das necessidades do mundo material, já que elas eram supridas de maneira sobrenatural e eles estavam livres para se dedicar integralmente ao serviço Divino. Como a existência espiritual do povo judeu estava completamente desconectada do mundo material, eles ainda não tinham conseguido atingir o objetivo da Criação. Mas no momento em que o povo entrasse na Terra de Israel, eles passariam por uma mudança significativa em seu estilo de vida. Eles precisariam lutar pela sua subsistência, elevando o mundo físico, principalmente através das Mitzvót conectadas com a agricultura.

Com esta explicação podemos entender melhor qual era a motivação verdadeira de Balak e Bilaam. Eles sabiam que quando o povo judeu entrasse na Terra de Israel eles poderiam atingir o propósito da Criação, e todas as outras nações se sentiriam obrigadas a mudar também seus estilos de vida. Balak e Bilaam se sentiram pessoalmente ameaçados pelo povo judeu, pois desejavam manter separado o mundo material do mundo espiritual. Apesar de terem um potencial espiritual muito grande, eles não queriam abrir mão de suas vidas completamente conectadas ao mundo material, repleta de prazeres momentâneos. Balak, e principalmente Bilaam, eram pessoas que buscavam prazeres de maneira incessante, e desejavam manter a espiritualidade afastada do mundo material, como se fosse possível se comportar como um animal e, ao mesmo tempo, ser elevado espiritualmente.

Portanto, Balak e Bilaam não queriam necessariamente destruir o povo judeu. O que eles queriam era evitar que o povo judeu conectasse o material com o espiritual. Eles não haviam entendido que parte fundamental do propósito do povo judeu é justamente se envolver com o mundo material para santificá-lo, elevando os elementos da terra, o mundo material, ao status de "Céu", injetando espiritualidade em cada pequeno ato cotidiano. Por isso eles tentaram evitar que o povo judeu entrasse em Israel. Se eles permanecessem no deserto, o propósito de elevação do mundo material nunca seria alcançado e eles não teriam suas vidas alteradas.

Após algumas vezes tentar amaldiçoar o povo judeu, Bilaam finalmente entendeu seu grande erro, o que pode ser percebido em uma das Brachót (Bençãos) que saiu de sua boca: "Quem contou o pó de Yaacov?" (Bamidbar 23:10). Explica o Midrash que Bilaam está se referindo às inúmeras Mitzvót relacionadas ao pó da terra, isto é, as leis que envolvem a agricultura. As leis agrícolas são aquelas que estão relacionadas à vida no mundo material, que representam a forma mais básica de buscar a subsistência. É justamente por isso que D'us nos deu tantas Mitzvót relacionadas com a agricultura, para que mesmo as atividades mais mundanas possam ser elevadas a atos de santidade.

Não apenas Balak e Bilaam cometeram este erro, de tentar separar o mundo material do mundo espiritual, como se fossem duas coisas contraditórias. Infelizmente nós também cometemos este grande erro conceitual. A espiritualidade não está apenas dentro da sinagoga ou do Beit Midrash (centro de estudos de Torá). Nossas atividades cotidianas também contém muita espiritualidade. Por exemplo, existem muitas Halachót (leis) que nos ajudam a sermos honestos nos negócios. O simples ato de comer requer um significativo conhecimento das leis de Kashrut e das Brachót (bênçãos) que devem ser pronunciadas antes e depois de cada tipo de alimento. E entre centenas de religiões existentes no mundo, apenas o judaísmo tem uma Brachá especialmente pronunciada após a utilização do banheiro. Mesmo um dos atos mais baixos e animalescos do ser humano, de expulsar os restos da comida que não foram absorvidos pelo corpo, pode ser transformar em espiritualidade e santidade. De todas as Brachót estabelecidas pelos nossos sábios, a Brachá dita depois de irmos ao banheiro é a única que menciona o "Kissê HaKavód" (Trono Celestial de D'us), o ápice de santidade e elevação espiritual. Tudo isto para nos ensinar que, mesmo os atos mais mundanos, e até mesmo os aparentemente mais baixos, são queridos aos olhos de D'us, pois podem ser transformados em espiritualidade.

A Parashá nos ensina que temos duas escolhas de como viver nossas vidas. Quando a pessoa se conecta de forma desenfreada ao mundo material, termina se afundando, como Bilaam, e se torna completamente dependente dos prazeres físicos, que não nos preenchem. Mas quando a pessoa utiliza o mundo material com controle, com direcionamento, ela transforma a terra em Céu. Este é o papel do povo judeu e, portanto, o papel de cada um de nós.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHUKAT 5773


BS"D

 

FAZENDO CÁLCULOS ERRADOS - PARASHÁ CHUKAT 5773 (14 de junho de 2013)

 

"O Rav Chaim Shmulevitz era uma pessoa extremamente humilde, e fugia de qualquer tipo de honrarias e títulos. Quando ele enviava cartas às pessoas, assinava sempre como "Chaim Shmulevitz", nunca colocando a palavra "rabino" como título, apesar de toda a sua fama e a sua grandeza em conhecimentos de Torá.

 

Certa vez, o Rav Chaim Shmulevitz pediu para que uma pessoa de sua família o ajudasse a escrever uma carta para um amigo que estava em um asilo. Mas desta vez, por algum motivo, o Rav Chaim Shmulevitz pediu ao seu parente que escrevesse, no remetente, o título de "Rabino". O parente não entendeu o pedido. Ele sempre fugia de qualquer reconhecimento e honra, por que desta vez havia até mesmo insistido para que seu nome viesse acompanhado de um título? Sorrindo, o Rav Chaim Shmulevitz explicou:

 

- Não se preocupe, eu não deixei o orgulho subir à minha cabeça. Este senhor para quem eu estou mandando a carta é um brilhante "Talmid Chacham" (estudante de Torá). Mas atualmente ele está muito velhinho e vive sozinho em um asilo. É muito provável que não estão tratando-o com o devido respeito. Por isto, desta vez eu pedi para que você escrevesse um título junto ao meu nome, pois talvez se alguém perceber que é um rabino conhecido que está mandando cartas para ele, vão tratá-lo de maneira mais honrosa".

 

Para si mesmo, o Rav Chaim Shmulevitz nunca buscava nenhuma honra. Ele não deixava seus conhecimentos o transformarem em uma pessoa orgulhosa, que não consegue mais enxergar os outros. Esta é a verdadeira humildade.

 

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A Parashá desta semana, Chukat, descreve uma das Mitzvót mais enigmáticas da Torá: as cinzas da vaca vermelha. Esta Mitzvá guarda grandes segredos, pois nosso intelecto não consegue entender como as cinzas de uma vaca completamente vermelha, misturadas com as cinzas da casca do cedro e as cinzas do hissopo, podem purificar alguém que está espiritualmente impuro. Ensinam os nossos sábios que apenas Moshé chegou ao entendimento completo desta Mitzvá.

 

Mas explica Rashi, comentarista da Torá, que há certo entendimento intelectual para esta misteriosa Mitzvá. Ele compara esta Mitzvá ao filho de uma criada do rei que sujou o chão do palácio, e sua mãe foi chamada pelo rei para limpar a sujeira que seu filho fez. Assim também D'us ordenou a Mitzvá da vaca vermelha para limpar a sujeira deixada pela terrível transgressão do bezerro de ouro.

 

Porém, esta comparação feita por Rashi para explicar a Mitzvá da vaca vermelha é muito estranha. Entendemos que o bezerro é o filho da vaca, mas por que considerar que o bezerro de ouro é o filho da vaca vermelha? Qual a relação entre os dois assuntos? E qual sujeira do bezerro de ouro que a vaca vermelha veio purificar? E finalmente, por que apenas Moshé entendeu a Mitzvá da vaca vermelha, um grande mistério até mesmo para Shlomo Hamelech (Rei Salomão), o mais sábio de todos os homens?

 

Também há outra questão que surge ao observarmos um ensinamento do Talmud (Chulin 88b) sobre este assunto. O Talmud afirma que o mérito da Mitzvá das cinzas da vaca vermelha veio de Avraham Avinu, quando ele, em sua enorme humildade, declarou: "E eis que eu quis falar com D'us, mas eu sou apenas pó e cinzas" (Bereshit 18:27). Qual a relação entre a humildade de Avraham Avinu e a Mitzvá das cinzas da vaca vermelha?

 

A resposta está em outro ensinamento interessante do Talmud (Shabat 145b), que afirma que quando Adam e Chava pecaram no Gan Éden, a cobra injetou no mundo uma imundície espiritual. Quando o povo judeu recebeu a Torá no Monte Sinai, esta imundície foi completamente limpa, mas quando o povo judeu construiu o bezerro de ouro, logo depois, parte da imundície espiritual voltou. As cinzas da vaca vermelha vieram justamente para limpar esta imundície espiritual que voltou ao mundo após o bezerro de ouro. Mas de que imundície espiritual o Talmud está falando?

 

Precisamos entender qual foi a fonte do erro de Adam Harishon. Apesar de D'us ter explicitamente ordenado para que ele não comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal, ele descumpriu a vontade de D'us. Ele deu ouvidos à cobra, que quis desviá-lo do caminho correto com argumentos intelectuais. Nossos sábios explicam que a imundície não veio ao mundo após o ato de comer o fruto proibido. A imundície que a cobra injetou no mundo foi convencer Adam a fazer cálculos intelectuais ao invés de escutar o que D'us havia ordenado explicitamente. Este erro foi completamente consertado pelo povo judeu no Monte Sinai, quando todos declararam "Naassê VeNishmá" (faremos e entenderemos), demonstrando que estavam dispostos a cumprir a vontade de D'us sem fazer cálculos, sem buscar desculpas intelectuais para se desviar da verdade. O Sfat Emet, comentarista da Torá, explica que quando eles estavam no Monte Sinai, entenderam a grandeza da Torá e o quanto estavam longe do seu entendimento, em uma imensa demonstração de humildade. Mas o povo judeu logo escorregou de novo. Ao errarem a conta da volta de Moshé Rabeinu, eles novamente começaram a fazer cálculos, indo contra a vontade de D'us. Quando a mente humana não conseguiu entender a vontade de D'us, eles tentaram "consertar" a situação da sua própria maneira, trazendo de volta a sujeira espiritual, a sujeira da arrogância, de acharmos que podemos entender intelectualmente tudo e criar as nossas próprias regras espirituais.

 

Qual é o ponto em comum entre o erro de Adam Harishon e o bezerro de ouro? A falta de humildade, a arrogância de se considerar no mesmo nível de D'us, de querer tomar as decisões do que é correto ou incorreto sozinhos, mesmo indo contra a vontade Dele e Sua sabedoria ilimitada. É por isto que Rashi explica que a vaca vermelha é a mãe que veio limpar a sujeira do bezerro de ouro. O erro do bezerro de ouro surgiu do desconforto do ser humano perceber que não pode entender tudo. Nós queremos entender, nós buscamos, de forma incessante, dominar o desconhecido. Então veio a Mitzvá das cinzas da vaca vermelha consertar nosso erro, nos trazendo de volta à humildade. O orgulhoso sente-se como um cedro, a maior das árvores, mas precisa entender que seu conhecimento não passa de um hissopo, uma planta muito baixa. Mesmo que temos conhecimento em várias áreas, se pararmos para refletir, perceberemos que, na realidade, nós não sabemos nem entendemos quase nada.

 

Por isso a Mitzvá da vaca vermelha, que vem nos ensinar humildade, foi mérito de Avraham, alguém que mudou a humanidade mas, ao mesmo tempo, se sentia pó e cinzas diante de D'us. Apesar de ser um gigante espiritual, Avraham não fazia cálculos, ele cumpria exatamente o que D'us ensinava para ele, mesmo quando  a vontade de D'us ia contra a lógica humana. E por isso Moshé, o mais humilde de todos os homens, meritou entender a Mitzvá da vaca vermelha, algo que nem Shlomo HaMelech conseguiu. A Mitzvá da vaca vermelha está acima de qualquer entendimento lógico. Enquanto a pessoa não é completamente humilde, enquanto ela tenta entender as coisas com seu intelecto limitado, ela não consegue entender a Mitzvá da vaca vermelha. Moshé aceitou o fato de que a Mitzvá não podia ser entendida da maneira que a lógica humana está acostumada a pensar. Ele chegou a um nível de humildade tão grande, se sentia tão insignificante perante a grandeza de D'us, que meritou entender a Mitzvá.

 

Este é o segredo da vaca vermelha: o profundo entendimento de que não entendemos nada. A lição de humildade, que coloca o ser humano de volta ao seu lugar. Achamos que, por causa de nossas evoluções tecnológicas, podemos ditar as regras, podemos enfrentar D'us. Esta é a fonte da imundície espiritual que veio ao mundo com Adam Harishon e com o bezerro de ouro. E este deve ser o nosso trabalho de limpeza do mundo, começando com cada um de nós. O trabalho de sabermos o quanto somos limitados. O trabalho de aceitar a vontade de D'us, mesmo quando não conseguimos entender, por causa das nossas limitações intelectuais. Somente assim conseguiremos chegar ao nosso objetivo, da total consciência de que a única coisa correta, fazendo ou não sentido para o nosso intelecto limitado, é cumprir a vontade de D'us.

 

SHABAT SHALOM

 

Rav Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KORACH 5773


BS"D

FAZENDO A JOIA BRILHAR - PARASHÁ KORACH 5773 (07 de junho de 2013)

"Alexandre estava com um grupo de amigos fazendo turismo em Hong Kong. Certo dia eles foram conhecer uma famosa joalheria, conhecida pela diversidade de pedras preciosas. O grupo ficou maravilhado com a quantidade de pedras preciosas diferentes que estavam em exposição. Mas a que mais chamou a atenção de Alexandre não foram as pedras brilhantes e coloridas. Ao contrário, havia em um canto da loja uma pedra opaca, completamente desprovida de brilho, nem parecia uma pedra preciosa. Ao chegar perto, Alexandre viu que era uma pedra cara. Curioso em saber quem se interessaria por uma pedra daquelas, cara e completamente sem graça, ele questionou o joalheiro.

O joalheiro explicou que aquela era uma pedra cara por causa do seu brilho maravilhoso. Vendo a cara de espanto de Alexandre, o vendedor abriu um sorriso, retirou a pedra da vitrine, colocou-a no centro de sua mão e fechou. Alguns instantes depois, ele abriu a mão e, para a surpresa de Alexandre, a pedra brilhava com uma beleza incomum.

- Esta pedra – ensinou o joalheiro – é uma opala, mais conhecida como "joia sentimental". Ela parece opaca e apagada, mas tudo o que ela necessita é do contato com a mão humana para irradiar brilho e luz"

As crianças são joias como opalas. Podemos dar presentes caros, viagens extravagantes, os mais modernos jogos, mas isto tudo não é suficiente para deixar uma criança realmente feliz. O que preenche de verdade uma criança é o carinho e a proximidade dos pais, a "mão humana" que faz a luz delas brilhar.

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Na Parashá desta semana, Korach, a Torá descreve uma grande rebelião organizada contra Moshé e Aharon, na qual suas posições de destaque, respectivamente como líder do povo e Cohen Gadol (Sumo sacerdote), foram questionadas. A rebelião terminou de forma trágica, com centenas de pessoas mortas através de castigos aplicados diretamente por D'us. Em seguida a Torá lista os serviços pelos quais os Cohanim (sacerdotes) eram responsáveis e uma série de presentes que o povo judeu deveria dar a eles. Qual a conexão entre estes assuntos?

Os Cohanim eram os responsáveis pelos serviços espirituais do Mishkan (Templo Móvel), e por isso D'us deu a eles presentes, como uma recompensa por sua dedicação. Além disso, D'us queria afirmar publicamente que os Cohanim eram Sua "legião pessoal". Esta afirmação foi feita justamente depois da rebelião de Korach e seu grupo, na qual eles haviam questionado Aharon, o Cohen Gadol, pois D'us queria afirmar o quanto os Cohanim eram queridos e próximos Dele.

Entre os vários presentes listados na Parashá, há um que nos chama a atenção: "Aqueles que necessitam ser redimidos, a partir de 1 mês de idade você deve redimir, de acordo com o seu valor, cinco shekels de prata, do shekel sagrado, que são vinte guerá" (Bamidbar 18:16). Sobre o que está falando este versículo e onde está o presente aos Cohanim?

Explica o Sefer HaChinuch (Mitzvá 18) que existe uma Mitzvá de oferecer a D'us nossos primeiros frutos, para nos lembrarmos que tudo é Dele. Quando o ser humano se esforça para produzir algo, os primeiros frutos são muito queridos, e mesmo assim imediatamente oferecemos para D'us. Entre as coisas que oferecemos a D'us está o filho primogênito, que é o primeiro fruto do ventre.  Por isso, o pai precisa resgatar seu filho, que simbolicamente pertence a D'us, através de um Cohen, dando para ele cinco moedas de prata, em uma cerimônia chamada "Pidion Haben" (resgate do filho). Estas cinco moedas de prata, que o pai da criança dava para resgatar seu filho, era um dos presentes que os Cohanim recebiam.

Há um detalhe muito interessante nesta cerimônia do "Pidion HaBen". Nossos sábios estabeleceram que durante o resgate o Cohen deve fazer ao pai da criança a seguinte pergunta: "Qual deles você prefere?". Em outras palavras, o Cohen está perguntando ao pai: "Você prefere seu filho ou as cinco moedas de prata?". Mas esta pergunta do Cohen desperta uma série de questionamentos. Em primeiro lugar, parece uma pergunta tola, sem o menor sentido. Que pai em sã consciência escolheria o dinheiro ao invés do próprio filho, e ainda mais o primogênito? Além disso, há aparentes problemas com a Halachá (lei judaica), pois se a Torá exige que o pai redima seu filho, então por que o Cohen propõe que o pai deixe de redimir seu filho e fique com o dinheiro? E finalmente, mesmo se o pai se recuse a redimir seu filho, o Cohen não tem nenhum direito de ficar com a criança, pois ela não é sua propriedade, o Cohen é apenas um intermediário nesta transação entre o pai e D'us. Portanto, por que nossos sábios estabeleceram esta estranha pergunta do Cohen no momento da realização desta interessante Mitzvá de "Pidion HaBen"?

Explica o Rav Yochanan Zweig que nossos sábios querem chamar nossa atenção para um triste fenômeno. Se uma pessoa oferecesse a qualquer pai a proposta de comprar seu filho por 10 milhões, alguém aceitaria? Certamente que não. Isto quer dizer que temos um verdadeiro tesouro em nossas casas. Uma pessoa que tem 4 filhos é um verdadeiro milionário, pois tem mais de 40 milhões dentro de casa. A grande pergunta é: sabemos realmente dar o verdadeiro valor para os nossos filhos e para a nossa família? Quantas vezes nós trocamos nossos filhos por um pouco mais de conforto em nossas vidas? Muitas vezes um pai trabalha duro para dar uma vida mais confortável aos seus filhos, mas deixa seu filho sem o mais importante, que é a presença do pai. Estamos sempre racionalizando nossos atos, nos enganando, tentando mostrar a nós mesmos que precisamos realmente trabalhar tanto, mesmo às custas de ficarmos muito tempo fora de casa, transferindo nossa obrigação de educar nossos filhos à escola e à babá.

Os pais dizem que trabalham tanto justamente para poderem dar um futuro decente aos seus filhos. Mas será que a presença dos pais em casa, apesar de optarem por uma vida mais simples, não seria muito mais benéfica a eles? A verdade é que a ideia de que estamos ajudando o futuro dos nossos filhos dando a eles uma vida material confortável é apenas uma racionalização, pois visto através da ótica correta, se assemelha muito ao ato de trocar o filho pelo dinheiro.

Por isto nossos sábios inseriram na cerimônia de "Pidion HaBen" esta pergunta tão chocante, na qual o Cohen oferece ao pai a opção de trocar seu filho pelo dinheiro. O propósito dos nossos sábios é nos despertar, para que sejamos mais exigentes ao avaliar nossas motivações. Quando o dinheiro deixa de ser uma necessidade de prover o bem estar da família e se torna uma busca por um conforto desnecessário, às custas do tempo com a família? Quanto o conforto que oferecemos aos nossos filhos é realmente mais importante do que a nossa presença e atenção?

Vivemos em uma geração que vê os pais cada vez mais comprometidos com o trabalho, uma geração na qual cada vez menos faltam para as famílias recursos materiais, mas cada vez mais falta atenção e carinho em casa. O resultado é o aumento da violência, da delinquência juvenil, dos casos cada vez mais frequentes de depressão atacando jovens em idades ainda muito tenras. Uma geração de crianças que tem tudo – dos jogos mais caros até os tablets mais tecnológicos – e ao mesmo tempo não tem nada. Uma geração que tem o brilho da opala, mas que falta a mão humana que faça esta joia brilhar. Esta é a lição da pergunta do Cohen, e ela deve ajudar a direcionar nossas escolhas na vida. O conforto é importante, uma boa fonte de sustento é essencial, mas não podem estar acima dos nossos próprios filhos.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

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sexta-feira, 31 de maio de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHLACH 5773


BS"D

OS FRUTOS DOS NOSSOS ATOS - PARASHÁ SHLACH 5773 (31 de maio de 2013)

"O Rav Yitzchak Elchanan Spector foi um dos maiores rabinos de sua geração. Ele era um grande estudioso de Torá e publicou muitos livros. Certa vez, um homem muito rico foi à sua casa e ofereceu doar uma grande soma de dinheiro para que o Rav Yitzchak Elchanan pudesse publicar seus livros. Porém, ao invés de responder, o rabino olhou bem nos olhos daquele homem e contou uma história:

- Quando eu tinha sete anos de idade, eu fiquei órfão e vivia em um terrível estado de pobreza, passando todos os tipos de necessidade. Eu não tinha nem mesmo sapatos, e sofria muito com o frio. Mas apesar das necessidades, eu tinha muita vergonha de pedir ajuda para as pessoas. Certa vez eu me enchi de coragem e fui à casa de uma pessoa muito rica, implorando por algum dinheiro. Eu não precisava muito, apenas um par de sapatos e um pouco de comida. Mas tudo o que eu recebi daquele homem rico foi uma porta na cara.

- Se eu tivesse comprado sapatos – continuou o Rav Yitzchak Elchanan – eu certamente teria estudado muito melhor e poderia ter escrito livros ainda mais profundos e interessantes do que os que eu escrevi.

- Portanto – finalizou o Rav Yitzchak Elchanan – você acha que eu tenho que dar o mérito de financiar a publicação dos meus livros justamente àquela pessoa que um dia me fechou a porta na cara, sem me dar nem mesmo um par de sapatos para usar nos dias mais frios de inverno? Certamente que não. Então me perdoe, mas não tenho absolutamente nenhum interesse no seu dinheiro"

Não levamos em consideração as consequências futuras dos nossos atos. Por isso, muitas vezes não percebemos que as consequências de atos impensados podem se propagar e causar muito mais danos do que imaginávamos.

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Na Parashá desta semana, Shlach, a Torá traz um dos mais graves incidentes que ocorreram com o povo judeu no deserto: o pecado dos espiões. Mesmo após D'us ter garantido que Israel era uma terra fértil e boa, de onde fluía leite e mel, e mesmo depois de todas as provas do poder infinito de D'us, quando Ele esmagou o poderoso império egípcio com 10 pragas, o povo judeu não confiou Nele. O povo exigiu que a terra de Israel fosse previamente verificada, e para isso foram enviados 12 espiões. Mas o que deveria ter sido apenas uma missão de reconhecimento se transformou em uma grande tragédia: 10 espiões voltaram falando mal de Israel e desestimularam o povo, argumentando que era uma terra de gigantes, impossível de ser conquistada. O povo chorou, perdendo o mérito de entrar na terra de Israel. D'us decretou que aquele dia, Tishá be Av (dia nove do mês de Av), seria um dia de choro para todas as gerações. Toda aquela geração morreu no deserto e somente uma nova geração entrou em Israel.

Se para o povo judeu as consequências foram tão negativas, para os 10 espiões que falaram mal da terra as consequências foram ainda mais trágicas. Além deles terem sofrido uma morte terrível, o Talmud (Sanhedrin 108 a) afirma que eles também perderam sua vida eterna no Olam Habá (Mundo Vindouro).

Desta afirmação do Talmud surge uma grande dúvida. Explica o Rambam (Maimônides) que D'us nos julga de acordo com os nossos atos. Se os méritos de uma pessoa são maiores do que suas transgressões, ela é considerada Tzadik (Justo), mas se suas transgressões são maiores do que seus méritos, então ela é considerada Rashá (malvado). Quando uma pessoa é rotulada por D'us como Tzadik ou Rashá, isto tem uma grande diferença em como será o Mundo Vindouro da pessoa. Se o Talmud conta que os espiões não tiveram Mundo Vindouro, isto significa que eles foram rotulados como Reshaim, isto é, que suas transgressões era maiores do que seus méritos.

Mas como isto é possível? Quando Moshé enviou os espiões para Israel, ele sabia da dificuldade da missão e, justamente por isso, enviou apenas pessoas completamente íntegras e justas. Os comentaristas da Torá explicam que os espiões eram pessoas espiritualmente muito elevadas, os maiores de sua geração. Portanto, certamente eles faziam centenas de Mitzvót todos os dias. Então como pode ser que uma única transgressão "arrancou" todos os bons atos que eles fizeram durante a vida, a ponto de perderem até mesmo o Mundo Vindouro? Se a maioria dos atos deles eram bons e retos, por que apenas um mau ato tirou deles o status de Tzadikim e colocou-os na categoria de Reshaim?

Explica o Rambam que o conceito de Tzadik ou Rashá não é medido através da quantidade de transgressões e méritos, e sim através do tamanho das transgressões e méritos. Isto quer dizer que uma pessoa ruim, que a vida inteira fez coisas erradas, pode meritar o Mundo Vindouro através de uma única Mitzvá, e uma pessoa que fez bons atos a vida inteira pode perder seu Mundo Vindouro por causa de uma única transgressão. Como isto funciona?

Os cálculos de D'us não são como os cálculos humanos, pois Ele, em Sua perfeição, pode levar em consideração muitos pontos que são impossíveis de serem considerados pelos seres humanos, por causa das nossas limitações. Detalhes de uma Mitzvá ou de uma transgressão podem fazer com que elas tenham um peso muito maior ou menor. Por exemplo, uma transgressão feita com vontade, sem nenhuma tentativa de evitá-la, certamente tem um peso muito maior do que uma transgressão feita depois de muita luta interna. E, ao contrário, uma Mitzvá feita com Cavaná (intenção) e com todo o cuidado tem um peso muito maior do que uma Mitzvá feita sem atenção.

Além disso, há outro ponto que faz com que uma transgressão os uma Mitzvá fique mais pesada: os frutos que ela cria. Todos os nossos atos tem consequências, mas às vezes as consequências não são apenas para nós mesmos, pois atingem também outras pessoas. Quanto mais pessoas são atingidas por uma transgressão ou por uma Mitzvá, maior é o peso dela. Por exemplo, uma pessoa espiritualmente elevada que faz "Hilul Hashem" (denigre o nome de D'us) através de atos que não condizem com seu nível espiritual elevado, ensinando para as pessoas a se comportarem de maneira equivocada, terá sua transgressão multiplicada de acordo com o número de pessoas que foram influenciadas e o nível de influência sobre cada uma delas. Detalhes como estes apenas D'us, que tem controle sobre todo o universo, pode saber.

Com este conceito é possível entender a gravidade do erro dos espiões. Quando eles falaram Lashon Hará da terra, causaram uma histeria coletiva no povo judeu e fizeram com que uma geração inteira, de pessoas muito elevadas espiritualmente, perdesse o mérito de entrar em Israel. Por isso o castigo deles foi também tão pesado, pois foi proporcional a todos os frutos que saíram da transgressão que eles cometeram. Foi causado um grande Hilul Hashem, pois pessoas que deveriam ter sido vistas como exemplo de Emuná (fé) causaram com que uma geração inteira chorasse de desespero. E este choro de Tishá be Av, fruto daquela transgressão, ainda persiste até os nossos dias. É por isto que, apesar de todas as Mitzvót que os espiões já tinham feito em suas vidas, com uma única transgressão eles colocaram tudo a perder.

Mas ensinam nossos sábios que a bondade de D'us é centenas de vezes maior do que Sua justiça. Se as consequências dos frutos que saem de um mau ato são tão negativas, muito maiores são as consequências positivas de um ato de "Kidush Hashem (santificar o nome de D'us), quando ensinamos para as pessoas, através dos nossos bons atos, como elas devem se comportar. Quanto mais pessoas são influenciadas pelos nossos bons atos, quanto mais bons frutos vêm ao mundo, maior o nosso mérito para toda a eternidade.

Por isso, devemos prestar atenção em cada pequeno ato que fazemos. Costumamos fazer atos de forma impensada justamente por não levarmos em consideração até onde as consequências podem chegar. Temos que lembrar que nada passa despercebido aos olhos de D'us, e Ele espera que, ao invés de desviar as pessoas, possamos utilizar cada ato para ensinar lições de boa conduta a todo o mundo, cumprindo nossa missão de ser uma "Luz para as nações" e multiplicando nossos méritos para o Mundo Vindouro.

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5773


BS"D

PREPARANDO-SE PARA AS DIFICULDADES - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5773 (24 de maio de 2013)

Júlio estava andando em um parque. Diante dele, a uma curta distância, estava uma mãe e sua filhinha de três anos de idade. A menininha andava contente, segurando um balão de gás na mão. De repente, quando a menininha estava distraída, uma rajada de vento arrancou o balão de sua mão e ele começou a subir em direção ao céu. Júlio se preparou para escutar, em poucos segundo, um grande escândalo. Mas não foi isto o que aconteceu. A pequena menina acompanhou com os olhos o balão indo para o céu, virou-se alegremente para sua mãe e gritou: "Uau!".

Júlio, sem perceber, havia aprendido naquele momento uma importante lição de vida. Mais tarde, naquele mesmo dia, ele recebeu um telefonema de uma pessoa com a notícia de um problema inesperado. Em um primeiro momento ele sentiu vontade de dizer "Não acredito! E agora, o que faremos?". Mas então Júlio lembrou-se da reação da garotinha. Ele então abriu um grande sorriso e disse para a pessoa que aguardava, aflita, do outro lado da linha:

- Uau, este problema é interessante. Como podemos resolvê-lo juntos?

Uma coisa é certa: a vida sempre tentará nos desequilibrar apresentando problemas inesperados e situações difíceis. Isto é um fato. Mas o que está em nossas mãos é a nossa reação, a nossa resposta diante dos problemas. Podemos escolher ser derrotados, ou podemos escolher ser vitoriosos.

Quanto mais nos prepararmos para encarar os problemas de maneira positiva e confiante, quanto mais investirmos em nossa espiritualidade para adquirirmos ferramentas de autocontrole e Emuná (fé), estaremos aumentando as chances de, nas situações mais difíceis, olharmos os nossos problemas de maneira positiva, ao invés de perdermos a tranquilidade e a esperança.

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A Parashá desta semana, Behalotechá, descreve o momento em que o povo judeu já se aproximava de sua entrada na Terra de Israel, após cerca de um ano no deserto, mas termina com uma série de transgressões, que culminaram no terrível pecado dos espiões, descrito na Parashá da semana que vem, e o consequente decreto de que o povo judeu permaneceria 40 anos no deserto. Entre os pecados desta Parashá estão o "excesso de vontade" do povo de abandonar o Monte Sinai, como uma criança que foge da escola ao escutar o sinal, e o pecado de terem desejado tanto comer carne a ponto de reclamarem do Man que D'us mandava diariamente, causando com que uma praga matasse muitos judeus.

Ao escutarmos estas transgressões, como definimos em nossas cabeças o nível dos judeus daquela época? Parecem pessoas guiadas apenas pelos desejos, ávidas por prazeres físicos imediatos, que não apreciavam o prazer profundo do estudo da Torá no Monte Sinai e os benefícios espirituais de comer Man, a comida que caía do céu. Mas certamente este é um entendimento equivocado, pois aquela era uma gerações de pessoas em um elevado nível espiritual, que haviam presenciado os grandes milagres da saída do Egito e a revelação de D'us no Monte Sinai. A geração do deserto é conhecida como "a geração do conhecimento" e, portanto, não poderiam ter se comportado como animais, apenas guiados pelos seus desejos. Então como devemos entender estes graves erros desta geração tão elevada?

Explica o Rav Avraham Grodzinsky que o povo judeu, durante todo o período em que estava no deserto, estava vivendo acima das leis da natureza. Eles não comiam uma comida normal, não precisavam se envolver com tarefas domésticas como lavar as roupas, não precisavam arar a terra e presenciavam constantemente milagres abertos. Esta não é a vida normal para a qual D'us nos criou, pois não somos anjos, seres meramente espirituais. A vida verdadeira é uma vida de interação com o mundo material, na qual é necessário um esforço constante para elevar o material e transformá-lo em espiritual. Os anjos não passam pelos testes que nós passamos, e são justamente os testes que nos elevam e nos conectam a D'us em um nível especial e único. Então por que D'us fez com que o povo judeu vivesse desta maneira "artificial" por tanto tempo? Pois, em Sua sabedoria superior, D'us queria que o povo judeu se preparasse para os futuros testes que se deparariam quando entrassem na terra de Israel. Eles precisavam de um tempo de espiritualidade pura para que, quando precisassem estar envolvidos com o mundo material, continuassem firmes no propósito de se conectar a D'us em cada pequeno ato do cotidiano.

Porém, esta situação "artificial" tinha um lado negativo. Quando uma pessoa está sujeita a testes e dificuldades, ela se conecta a D'us através do esforço utilizado para derrotar sua má inclinação. Cada vez que ela vence um teste, ela se eleva e adquire mais espiritualidade. Mas enquanto o povo judeu vivia neste estado "sobrenatural", eles não estavam sujeitos a nenhum tipo de teste e, portanto, o seu elevado nível espiritual em que eles se encontravam não foi conquistado, e sim dado de presente por D'us.

Esta foi a fonte dos erros descritos nesta Parashá. O povo judeu já estava há quase um ano no deserto, imersos em total espiritualidade. Eles então sentiram que já estavam prontos para voltar ao mundo material. Sua motivação era sincera e sua intenção era pura, pois o povo judeu queria aplicar toda a espiritualidade absorvida no Monte Sinai na difícil tarefa de elevar o mundo material. Foi este o motivo que os levou ao "excesso de vontade" de abandonar o Monte Sinai. Não uma vontade infantil de fugir da espiritualidade, e sim o desejo de viver de maneira a conseguir elevar o material ao espiritual. Isto também explica a rejeição do Man e a vontade de comer carne. O Man simboliza o estilo de vida "sobrenatural", e o povo sentiu-se pronto para abandonar este estado "artificial" e começar uma existência real, dentro das leis da natureza, comendo comida normal. Eles acreditavam que assim se deparariam com os testes que acompanham uma vida física e, portanto, teriam a oportunidade e o mérito de se aproximar de D'us em um nível nunca antes atingido.

Porém, se esta foi a verdadeira motivação do povo judeu, então por que D'us os castigou de maneira tão severa? Responde o Rav Avraham Grodzinsky que o momento do povo judeu voltar a uma existência natural ainda não havia chegado. Eles ainda precisavam viver uma vida "sobrenatural" por mais algum tempo, para estarem suficientemente preparados para vencer os desafios que encontrariam pela frente. O desejo de sair deste estado "sobrenatural" foi, portanto, prematuro e grave, pois colocou em risco todo o elevado nível espiritual do povo judeu. Além disso, o povo foi duramente castigado pois, ao invés de confiar em D'us, preferiu fazer seus próprios cálculos. Se D'us continuava mandando Man, significava que ainda era importante continuar no nível "sobrenatural". Se D'us não os havia mandado sair do Monte Sinai, significava que ainda havia muita espiritualidade para ser absorvida antes dos testes. A consequência foi desastrosa, causando uma queda espiritual que culminou no pecado dos espiões, e aquela geração inteira, a geração do conhecimento, morreu no deserto e não teve o mérito de entrar na Terra de Israel.

Portanto, fica para nós uma enorme lição de vida. Para podermos enfrentar os desafios e dificuldades da vida, é necessária uma preparação espiritual. A vida verdadeira não é uma vida de anjos, uma vida completamente espiritual, e sim uma vida material, na qual o materialismo precisa ser canalizado para o espiritual e, através do controle dos nossos impulsos e desejos, podemos nos conectar a D'us. Isto somente é possível com a devida preparação. O tempo diário que passamos no Beit HaMidrash (Centro de estudos de Torá), nos dedicando a estudar a Torá e a trabalhar nossas Midót (características), é uma das partes mais importantes na nossa preparação para os desafios da vida. Durante este tempo diário, no qual a pessoa quer se dedicar ao seu crescimento espiritual, ela deve se desconectar de suas ocupações mundanas e se focar na sua espiritualidade. Uma dica simples e importante é desligar o telefone celular durante o estudo de Torá e da Tefilá (reza), para aproveitarmos profundamente cada momento de espiritualidade do nosso dia.

A vida sempre nos traz dificuldades. Mas são justamente as dificuldades que nos ajudam a crescer. Quanto mais estivermos preparados, maiores serão as chances de conseguirmos reagir da maneira correta aos testes da vida. Assim, como a menininha do balão de gás, ao invés de lamentarmos e reclamarmos quando surgir uma dificuldade, poderemos abrir um enorme sorriso e dizer aos nossos problemas: "Uau".

"NÃO DIGA A D'US QUE VOCÊ TEM UM GRANDE PROBLEMA. DIGA AO PROBLEMA QUE VOCÊ TEM UM GRANDE D'US"

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).