sexta-feira, 17 de maio de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NASSÓ 5773


BS"D

HONESTIDADE ACIMA DE TUDO - PARASHÁ NASSÓ 5773 (17 de maio de 2013)

Ariel, um judeu religioso e extremamente honesto, foi ao dentista. Ao sair da consulta, encaminhou-se à mesa da secretária e foi informado que sua conta era de 34 shekalim. Ele deu para a secretária duas notas de 20 shekalim, mas a secretária informou que não tinha troco. Ele então procurou moedas em todos os seus bolsos e, após contar as que havia encontrado, percebeu que somavam apenas 13 shekalim. A secretária falou para ele:

- Pague 33 shekalim e, da próxima vez que vier ao consultório, você traz o que faltou.

Mas Ariel não ficou tranquilo. Ele perguntou se ela poderia anotar que ele estava devendo 1 shekel. A secretária respondeu que não, pois o computador estava quebrado.

- Sabe, deixe para lá. Me dê os 33 shekalim e está tudo certo – disse a secretária, querendo facilitar.

- Me desculpe – respondeu Ariel, com tranquilidade - mas como você é apenas funcionária da clínica, não tenho certeza se você pode dispensar este dinheiro que falta. Então vamos fazer o contrário. Para que não fique nenhuma dúvida, pegue os 40 shekalim e a diferença pode ficar para o dono da clínica. Prefiro pagar a mais do que correr o risco de ficar devendo, mesmo que seja apenas 1 shekel.

A secretária, que não era religiosa, não acreditou no que escutou. Admirada, ela comentou:

- Se houvesse no mundo mais pessoas como você, com a sua honestidade, certamente o Mashiach já teria chegado" (História Real, retirada do livro "Major Impact", de autoria de Dovid Kaplan).

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A Parashá desta semana, Nassó, nos conta que quando o Mishkan (Templo Móvel) foi inaugurado, os líderes das 12 tribos do povo judeu trouxeram suas oferendas particulares, em comemoração ao grande acontecimento. Mas há algo interessante nas oferendas dos líderes. Se prestarmos atenção, apesar de terem sido doações voluntárias e que cada um poder doar o que quisesse, os 12 líderes doaram exatamente as mesmas coisas, para evitar que surgisse inveja, competição e ódio dentro do povo judeu. D'us, querendo demonstrar como esta atitude O agradou, escreveu na Torá a oferenda de cada tribo, isto é, a mesma oferenda foi escrita 12 vezes, demonstrando que, apesar delas serem iguais, cada oferenda foi recebida como sendo única e especial.

Cada um dos objetos que fazia parte da oferenda dos líderes, além de ser um presente doado para o Mishkan, tinha um simbolismo especial. Por exemplo, entre outras coisas, cada líder doou ao Mishkan um novilho de boi, um carneiro e um cordeiro. Explica Rashi, comentarista da Torá, que o novilho correspondia a Avraham, o carneiro correspondia a Ytzchak e o cordeiro correspondia à Yaacov. Mas qual a relação entre estas oferendas e os nossos patriarcas?

Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que o novilho representa o Chessed (bondade) de Avraham. Quando ele recebeu os três anjos fantasiados de beduínos, ofereceu a eles língua de boi com mostarda, uma comida dos reis e nobres, mostrando sua extraordinária bondade com os outros. O carneiro representa o temor a D'us de Ytzchak, que estava disposto a ser oferecido a D'us como um sacrifício. Quando um anjo segurou a mão de Avraham e não deixou que ele terminasse o sacrifício de seu próprio filho, um carneiro foi sacrificado no lugar de Ytzchak. Já o cordeiro representa Yaacov, que cuidava dos rebanhos de seu sogro Lavan.

Mas deste Midrash fica uma grande pergunta. Entendemos que o boi represente Avracham e seu incrível nível de Chessed, e que o carneiro represente Ytzchak e seu temor a D'us, que estava acima do próprio temor à morte. Mas que grande característica de Yaacov é representada através de um cordeiro? Qual a grandeza de Yaacov representada pelo fato dele ter sido pastor das ovelhas de Lavan?

Explica o Rav Meir Tzvi Bergman que Yaacov não era um simples pastor de ovelhas. Se prestarmos atenção em seus atos, perceberemos nele uma incrível característica de integridade em assuntos que envolviam o relacionamento com seus semelhantes. Ele chegava a um nível extremo de cuidado para evitar causar qualquer dano ou receber qualquer benefício de outros se houvesse qualquer indício de ilegitimidade neste ato. Esta honestidade extrema de Yaacov foi demonstrada durante os 20 anos pelos quais ele foi pastor de ovelhas de seu tio Lavan, uma pessoa traiçoeira e desonesta. Apesar de centenas de vezes seu tio Lavan ter mudado as regras do seu pagamento, apesar de todas as tentativas de trapaça e enganação, Yaacov nunca se desviou de sua integridade absoluta. Mesmo quando ele teve oportunidade de "dar o troco" e enganar seu sogro, Yaacov se manteve firme em suas convicções.

Uma destas oportunidades foi quando Lavan decidiu que o pagamento de Yaacov seria os animais do rebanho que tivessem manchas ou listras, que eram, na verdade, os animais menos desejados. Então Yaacov utilizou uma artimanha especial: quando os animais em época de acasalamento olhavam para uma vara descascada, que ele colocou estrategicamente no local onde os animais bebiam água, os filhotes nasciam listrados ou manchados.

Mas explica o Radak que Yaacov não utilizou esta artimanha indiscriminadamente. Ele poderia utilizar em todos os animais, fazendo com que todos os filhotes saíssem manchados e listrados, deixando Lavan sem nenhum animal. Porém, apesar de ter sido tantas vezes enganado, Yaacov não fez isto. Ele mostrava a vara descascada apenas aos animais que já eram manchados e listrados, para que seus filhotes também saíssem à sua imagem, manchados e listrados. Assim ele assegurava que nenhum dos animais que nasceriam dos manchados e listrados seria completamente branco.

Mas se o acordo com Lavan era que os animais listrados e manchados seriam de Yaacov, então mesmo se deles nascessem animais sem manchas ou listras, eles pertenceriam legalmente à Yaacov. Então por que ele utilizou esta artimanha de fazer com que todos os filhotes dos animais manchados e listrados também saíssem assim, se era algo desnecessário?

Daqui aprendemos o quanto Yaacov era rigoroso e cuidadoso com a menor possibilidade de fazer algo errado, ou até mesmo de deixar a impressão de que havia feito algo errado. Ele queria ter certeza de que Lavan não teria absolutamente nenhum argumento para dizer que ele o havia roubado. Se houvessem ovelhas brancas, mesmo que fossem legalmente de Yaacov, Lavan certamente as utilizaria como argumento para acusá-lo de roubo. Por isso Yaacov chegou ao extremo de utilizar a artimanha das varas descascadas apenas para afastar qualquer suspeita, evitando que o nome de D'us fosse denegrido.

Este é o entendimento do Midrash, que associa o cordeiro com Yaacov. Yaacov representa a Emet (verdade), e ele sabia que a verdade não é medida apenas em termos absolutos, mas também de acordo com a maneira como cada um a percebe. Ele chegou ao extremo de se preocupar com sua honestidade e com a forma como seria visto pelas outras pessoas. Mesmo que Lavan o enganava abertamente, centena de vezes, Yaacov conseguiu passar no teste, e esta característica ficou marcada nele para sempre.

Ensinam os nossos sábios que devemos sempre nos perguntar: "Quando nossos atos chegarão ao nível dos atos dos nossos antepassados, Avraham, Ytzchak e Yaacov?". Será que estamos perto da honestidade de Yaacov? Quando alguém no banco nos dá troco a mais, nós imediatamente devolvemos, ou ficamos com o dinheiro e racionalizamos "eles me roubam tanto, cobrando taxas injustas, agora eu estou apenas fazendo justiça"? Nos importamos com pequenas quantias que ficamos devendo aos outros? Tomamos cuidado para não utilizar, para assuntos pessoais, o telefone e o computador do escritório, ou mesmo o nosso tempo de trabalho?

As pessoas entendem que para saber como cumprir as Mitzvót, com todos os seus detalhes, é importante se aconselhar com um rabino. Sempre quando surge uma dúvida, todos sabem a quem recorrer. Mas em relação aos negócios, achamos que não é necessário nenhum tipo de aconselhamento. Chegamos a achar que existem duas vidas independentes, uma no escritório e outra em nossa vida particular. Mas nos ensina o Talmud (Shabat 31a) que no momento em que sairmos deste mundo, D'us nos fará 3 perguntas. E justamente a primeira pergunta será: "Você foi honesto nos seus negócios?". Antes mesmo de D'us nos perguntar se esperamos ansiosamente pela salvação ou se fixamos tempos para o estudo da Torá, D'us questionará nossa honestidade nos negócios.

A honestidade nos negócios envolve muitas Mitzvót da Torá, e aquele que não se preocupa pode estar transgredindo todas elas. A obrigação de garantir que os pesos e as medidas estejam corretos, a proibição de enganar uma pessoa (Gneiva Dáat), a proibição de causar qualquer dano monetário (Onaát Mamon), a proibição de "colocar uma pedra na frente de um cego", além da possibilidade de causar "Chilul Hashem" (denegrir o nome de D'us) são apenas alguns exemplos de proibições que uma pessoa que é desonesta nos negócios pode transgredir. E como passamos grande parte do nosso dia no trabalho, não ter cuidado com a honestidade pode ter consequências desastrosas na nossa espiritualidade.

O ser humano tem uma enorme atração por dinheiro. E como em todas as áreas nas quais nós sentimos um forte desejo, a Torá exige de nós autocontrole. Não enganar os clientes de nenhuma maneira, pagar nossas dívidas na data correta, não cobrar mais do que o valor real de um produto e questionar um rabino quando surgem dúvidas em questões monetárias são alguns exemplos de desafios do nosso autocontrole nesta área. A grandeza de Yaacov foi sua honestidade mesmo diante da malandragem de Lavan. Pois o teste de uma pessoa não é se ele se comporta eticamente quando os outros também estão se comportando eticamente com ele. O teste verdadeiro é quando a pessoa mantém a ética nos negócios mesmo que todos os outros não se preocupam mais com isso.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 10 de maio de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5773


BS"D

DESEJO DE PROXIMIDADE - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5773 (10 de maio de 2013)

Certa vez um não judeu estava passando ao lado de um Beit Midrash (casa de estudos) quando escutou a descrição das magníficas roupas do Cohen Gadol (Sumo sacerdote). Maravilhado, ele pediu a um dos maiores sábios de Torá da geração, Shamai, para que o convertesse ao judaísmo, acreditando que assim poderia se tornar o Cohen Gadol. Shamai irritou-se com o pedido daquele homem e sua motivação, e o mandou embora.

Mas aquele não judeu estava decidido a ir até o fim. Procurou então outro grande sábio de Torá da geração, Hilel, com o mesmo pedido. Hilel aceitou convertê-lo, mas informou-o que antes de se tornar Cohen Gadol era necessário estudar todas as leis referentes ao cargo. Quando ele começou a estudar, chegou a um versículo que ensinava a proibição de uma pessoa que não é da linhagem dos Cohanim de fazer os serviços do Beit Hamikdash (Templo). Confuso, ele perguntou a Hilel:

- A que tipo de pessoa este versículo se refere?

- Mesmo David Hamelech, um dos maiores reis da história do povo judeu, estaria proibido de fazer os serviços do Beit Hamikdash, pois ele não era da linhagem dos Cohanim – respondeu Hilel.

Aquele homem entendeu que se nem mesmo o rei de Israel podia fazer os serviços do Beit Hamikdash, como ele, um recém-convertido, faria? Entendeu então que nunca poderia se tornar o Cohen Gadol, era apenas uma grande ilusão. Percebeu a grandeza da sabedoria de Hilel e se emocionou com sua tolerância, e por isso agradeceu profundamente a Hilel por tê-lo ajudado a se tornar parte do povo judeu. (História Real, ensinada no Talmud Shabat 32a).

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Nesta semana começamos o 4o livro da Torá, Bamidbar, que literalmente significa "No deserto". Este livro descreve muitos acontecimentos importantes que ocorreram durante os 40 anos em que o povo judeu estava no deserto, como a rebelião de Korach, o erro dos espiões e as guerras contra outros povos que viviam na região. E a Parashá desta semana, Bamidbar, sempre é lida antes de Shavuót, a Festa da entrega da Torá, que começa na próxima terça feira de noite (14/05). Qual é a conexão entre a Parashá Bamidbar e a Festa de Shavuót?

A Parashá Bamidbar começa com a contagem do povo judeu, de acordo com as tribos. A única exceção é a tribo de Levi, que não foi contada junto com o resto do povo por seu nível espiritual diferenciado. A Torá então enumera alguns dos serviços que eram realizados apenas pelos homens da tribo de Levi, como a montagem, a desmontagem e o transporte do Mishkan (Templo Móvel). Estas funções, bem como outros serviços feitos no Mishkan, eram proibidos para pessoas de outras tribos, como está escrito "Quando o Mishkan viaja, os Leviim devem desmontá-lo, e quando o Mishkan acampa, os Leviim devem montá-lo. E um estranho que se aproximar morrerá" (Bamidbar 1:51).

O que a Torá chama de "estranho"? Qualquer pessoa que não fizesse parte da tribo de Levi não poderia participar dos serviços feitos no Mishkan, mesmo que fosse um rei ou um grande líder do povo. E a gravidade deste erro está ressaltada na punição, a pena de morte, aplicada diretamente por D'us e não por um Beit Din (Tribunal). Foi justamente este versículo que, quando estudado por aquele homem convertido por Hilel, o fez entender que era uma grande ilusão uma pessoa que não era da tribo de Levi querer se tornar o Cohen Gadol.

Mas esta história da conversão feita por Hilel desperta uma grande dúvida. O Rambam (Maimônides) ensina que a conversão ao judaísmo é permitida apenas se aquele que deseja se converter não está motivado por nenhuma razão externa, como a busca de honra, dinheiro ou apenas para se casar. A conversão deve vir da vontade verdadeira da pessoa de se unir ao povo judeu para servir à D'us e cumprir Suas Mitzvót. Portanto, como Hilel consentiu que aquele não judeu se convertesse, se suas motivações eram aparentemente externas, se sua vontade verdadeira era apenas se tornar o Cohen Gadol?

Ensinam os nossos sábios: "Não seja como os escravos que servem seu dono para receber uma recompensa" (Pirkei Avót 1:3). Isto nos ensina que não devemos cumprir as Mitzvót apenas pensando na recompensa que vamos receber por elas. Mas se nós sabemos que todo o propósito de D'us ter criado o mundo foi apenas para beneficiar a humanidade, e que o sistema de regras que D'us nos entregou serve para permitir aos seres humanos sentir que "adquiriram" o direito de receber as bondades de D'us, então como pode ser que o Pirkei Avót nos ensina a servir a D'us sem buscar nenhuma recompensa?

Além disso, esta Mishná se choca com outro ensinamento dos nossos sábios: "Uma pessoa deve cumprir as Mitzvót que parecem ser menos rigorosas com o mesmo cuidado com que cumpre as Mitzvót que parecem ser mais rigorosas, pois a recompensa de cada Mitzvá não é sabida" (Pirkei Avót 2:1). Esta Mishná nos dá a entender que se soubéssemos quais Mitzvót têm recompensa maior, então cumpriríamos estas Mitzvót com mais vontade. Portanto, como entender a contradição com o ensinamento da primeira Mishná, que ressalta que devemos servir a D'us sem querer receber nenhuma recompensa?

Responde o Rav Yohanan Zweig que há dois motivos para uma pessoa dar recompensa. Uma razão é por incentivo ou compensação, como ocorre em ambientes empresariais. Neste caso, existe uma relação conflituosa: o dono do negócio quer que certa atividade seja realizada, enquanto seu empregado, embora preferisse não fazer o que seu chefe pediu, termina por realizá-lo por estar motivado pelo dinheiro que receberá. O dono prefere não dar seu dinheiro, mas sabe que se não o fizer, seu empregado não fará o trabalho. Portanto, o dinheiro simboliza a natureza contraditória desta relação.

Outra razão para dar uma recompensa é para demonstrar a proximidade e apreço que a pessoa que está dando a recompensa sente por aquela que está recebendo. Neste caso, a pessoa que está recebendo não está motivada pela recompensa, apenas a utiliza como forma de "calibrar" o relacionamento.

Se prestarmos atenção, as duas Mishnaiót do Pirkei Avót, aparentemente contraditórias, utilizam palavras diferentes para expressar o termo "recompensa". A primeira Mishná, que nos proíbe servir a D'us apenas em busca de recompensa, utiliza a linguagem "Prass", enquanto a segunda Mishná, que diz que se soubéssemos a recompensa de cada Mitzvá nos esforçaríamos mais naquelas de maior valor, utiliza a linguagem "Sachar". Por que esta diferença?

A palavra "Prass", além de "recompensa", também significa "separar um objeto de sua fonte". Por exemplo, é o termo utilizado para cortar uma fatia de pão, isto é, separar parte do pão do resto. Se a recompensa é utilizada em uma relação conflituosa, há uma separação entre as duas partes e o dinheiro representa esta separação. Este tipo de recompensa separa, ao invés de juntar. É o que ensina a primeira Mishná, que se tentarmos nos conectar a D'us sem vontade de cumprir Suas leis, fazendo apenas com o intuito de receber uma recompensa, isto não nos une a Ele de verdade.

Já o termo "Sachar" reflete a proximidade de uma relação. A vontade de receber "Sachar" não é visto de maneira negativa, ao contrário, é algo positivo, pois a vontade da pessoa de servir D'us é apenas com o intuito de se aproximar Dele, e a recompensa é apenas a forma de medir se o objetivo está sendo atingido. A segunda Mishná nos ensina, portanto, que também devemos ser cuidadosos com as Mitzvót "leves", pois não sabemos o verdadeiro valor de cada uma delas, e uma Mitzvá "leve" pode nos conectar a D'us de uma maneira mais forte do que uma Mitzvá "pesada". A Mishná está ressaltando que, se soubéssemos o valor de cada Mitzvá, nos esforçaríamos mais naquelas que nos conectam mais com D'us, por amor a Ele, não por motivos egoístas.

Isto explica a conversão descrita na história de Shamai e Hilel. Quando a pessoa procurou Shamai, alegando que queria ser Cohen Gadol, Shamai entendeu que a única motivação daquele homem em se tornar judeu era a honra conectada ao cargo de Cohen Gadol, isto é, algo egoísta, e por isso o mandou embora. Mas Hilel percebeu que sua motivação não era por honra. Ele entendeu que aquele homem buscava servir D'us da maneira mais completa possível. Sua vontade de ser Cohen Gadol não era uma busca de recompensa, e sim uma vontade de estar mais perto de D'us. Sua motivação não era externa, Hilel viu nele um desejo verdadeiro de se tornar judeu, e por isso o converteu.

Este desejo pela proximidade de D'us é a essência da Festa de Shavuót. Há mais de 3.000 anos D'us nos entregou a Torá, por amor, nos dando a possibilidade de, através das Mitzvót, nos aproximarmos Dele. A recompensa que teremos com cada Mitzvá deve ser apenas utilizada como medida da nossa conexão espiritual, mas nossa verdadeira motivação deve ser a vontade de se aproximar de D'us e se tornar, a cada dia, uma pessoa melhor e mais completa.

Em Shavuót a Torá é novamente entregue para cada judeu. Mas é como uma chuva que cai após o período de plantio. Se nos prepararmos, internalizando a importância da Torá em nossas vidas e recebendo-a com alegria, sabendo que é a nossa única forma de conexão com D'us, Shavuót vem trazendo muitas Brachót (Bençãos). Mas se não nos prepararmos, Shavuót "escorre" das nossas mãos, como uma chuva que caiu sobre um campo que não foi arado nem plantado.

SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5773


BS"D

O BENEFÍCIO DAS MITZVÓT - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5773 (03 de maio de 2013)

"Rafael (nome fictício) era um jovem estudante de Torá. Ele estava certa vez atravessando uma movimentada rua de Tel Aviv quando foi atingido por um carro que trafegava em alta velocidade. Apesar do motorista ter tentado brecar, o impacto foi forte e Rafael teve suas pernas duramente atingidas. Ele ficou estendido no meio da rua, esperando pelo socorro médico, sentindo terríveis dores. Um policial que passava por ali correu para dar os primeiros socorros e perguntou ao rapaz:

- A ambulância já está a caminho. Há algo mais que eu posso fazer para ajudá-lo?

- Sim – respondeu Rafael, se esforçando para dar um sorriso – Por favor, comece a cumprir o Shabat.

Um casal não religioso que passava por ali naquele momento e havia se juntado à grande multidão que se aglomerava em volta do rapaz acidentado ficou admirado com a resposta dele. Apesar da dor que estava sentindo, apesar de todo o sofrimento, a primeira coisa com que ele se preocupou foi a espiritualidade do policial que havia chegado para socorrê-lo.

Emocionado com a atitude do rapaz, aquele casal decidiu acompanhá-lo até o hospital, para garantir que ele seria bem atendido e teria todo o cuidado médico necessário. Eles visitaram Rafael todos os dias durante a sua internação e se alegraram muito quando ele se recuperou completamente do acidente. Daquele dia em diante eles mudaram suas vidas e começaram a se conectar mais com a Torá e suas Mitzvót. Quando as pessoas perguntavam o motivo da mudança repentina, eles explicavam:

- Agora nós entendemos o verdadeiro significado do estudo da Torá e do cumprimento das Mitzvót. Uma pessoa que vai para a Yeshivá (Centro de estudos de Torá) se transforma, de um animal que caminha sobre duas pernas, em um ser humano de verdade, que mesmo diante de grandes sofrimentos e dificuldades, consegue se preocupar com as outras pessoas e com o seu Criador" (História Real)

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Behar e Bechukotai. A Parashá Behar fala de duas Mitzvót muito importantes: a Shmitá (Ano Sabático, que se repete a cada 7 anos, no qual todas as terras de Israel passam por um descanso, não sendo permitido nenhum tipo de trabalho agrícola) e o Yovel (Jubileu, que se repete a cada 50 anos, quando as terras em Israel voltavam aos seus antigos donos). Na Parashá Bechukotai a Torá enumera uma série de Brachót (Bençãos) guardadas ao povo judeu caso ele siga os caminhos de D'us e cumpra as Mitzvót, mas também descreve as terríveis maldições que recaem sobre o povo judeu caso a Torá e as Mitzvót sejam abandonadas.

Se observarmos as Brachót escritas na Parashá Bechukotai, perceberemos que elas estão escritas em uma aparente ordem crescente de conexão com D'us. Ele nos promete prosperidade, paz, segurança e que Sua presença repousará entre nós, isto é, no Beit Hamikdash (Templo Sagrado). Mas depois disso são enumeradas outras Brachót que necessitam de uma explicação mais profunda. Por exemplo, está escrito "Meu Espírito não rejeitará vocês... e Eu conduzirei vocês de cabeça erguida" (Vayikrá 26:11,13). Em primeiro lugar, se estamos falando das Brachót que virão caso estejamos conectados com a Torá e as Mitzvót, por que D'us tem que nos dar uma Brachá na qual Ele garante que não nos rejeitará? Se Ele já garantiu que quando cumprirmos nossa parte Sua presença repousará entre nós, não é óbvio que Ele não nos rejeitará? E por que esta Brachá é tão elevada, a ponto de estar acima da Brachá da Presença Divina repousar entre nós?

Além disso, há uma dificuldade na Brachá "Eu conduzirei vocês de cabeça erguida". O Talmud (Brachót 43b) nos ensina que é proibido uma pessoa andar de cabeça erguida, pois isto demonstra arrogância, e é considerado pelo Talmud como "derrubar os pés da Presença Divina". Mas o próprio Talmud (Baba Batra 75a), quando comenta esta Brachá, explica que "andaremos na mesma altura e estatura do Beit Hamikdash". Como entender esta aparente contradição entre a proibição de andarmos de maneira que demonstra arrogância e a Brachá de que andaremos de cabeça erguida? E qual a conexão desta Brachá com o Beit Hamikdash?

De acordo com o Targum Yonatan, o versículo "Lo Tigal Nafshi Etchem", traduzido como "Meu Espírito não rejeitará vocês", também pode ser entendido de outra maneira. A Brachá não é que D'us não nos rejeitará, e sim que nós não rejeitaremos os mandamentos de D'us, isto é, a Sua Torá. Mas mesmo com este entendimento, a dificuldade continua. Não é óbvio que, no momento que estivermos cumprindo a vontade de D'us, não rejeitaremos Suas Mitzvót? E por que isto seria considerado um dos níveis mais altos de Brachá que podemos conseguir?

Explica o Rav Yohanan Zweig que uma das principais diferenças entre o ser humano e o resto do Universo, incluindo os seres espirituais, é que o ser humano tem livre arbítrio, enquanto as outras criaturas não. Mas o que significa ter livre arbítrio? Muitas vezes pensamos que o livre arbítrio é o direito de escolher entre o certo e o errado. Porém, isto não é verdade. Livre arbítrio é a possibilidade, mas não o direito, de desrespeitar os mandamentos de D'us. É por isso que, no final de nossas vidas, prestaremos contas dos nossos atos e sofreremos as consequências das nossas escolhas erradas, pois temos a possibilidade, e não o direito, de errar.

Porém, este entendimento pode criar no ser humano um sentimento de que as coisas são impostas sobre ele. E a consequência natural deste sentimento é que, mesmo quando a pessoa cumpre suas obrigações, fica uma sensação interna de resistência, uma vontade de tirar o peso das costas. É por isto que, em alguns casos, pessoas comprometidas como a Torá podem, após alguma dificuldade específica, se afastar completamente do caminho correto. Mas será que assim devemos viver e, mesmo quando fazemos o que é o correto, ficar com uma sensação ruim, que nos incomoda? É isto o que D'us quer de nós?

Obviamente que a resposta é não. D'us não nos deu as Mitzvót para nos prejudicar, para que sejam um peso nas nossas costas e nos causem um sentimento negativo. Temos obrigações na vida, temos um objetivo, mas as Mitzvót são mais do que apenas obrigações, são benefícios que D'us nos deu. E quando chegamos neste nível de entendimento, as Mitzvót deixam de ser algo pesado. Por exemplo, foi isto o que ocorreu quando o povo judeu recebeu a Torá no Monte Sinai e todos juntos proclamaram em uma só voz: "Cumpriremos e entenderemos". O que significou esta afirmação? Que naquele momento o povo judeu havia transcendido todos os sentimentos de imposição e resistência. O que eles estavam reconhecendo no Monte Sinai é que, através do cumprimento das Mitzvót, eles perceberiam os benefícios que elas trariam para suas vidas. O povo judeu havia entendido que, mais do que uma obrigação, as Mitzvót são uma grande oportunidade para atingirmos a perfeição.

A Torá nos possibilita entender nosso potencial e definir quem nós verdadeiramente somos. Portanto, aceitar a Torá não é uma imposição, e sim, o benefício máximo concedido por D'us para toda a humanidade. E esta é a maior forma de conexão com D'us, quando conseguimos superar qualquer sentido de resistência e imposição. A Brachá de que não rejeitaremos as Mitzvót significa que, se cumprirmos nossas obrigações, atingiremos este nível de superar qualquer resistência natural ao cumprimento delas. Esta Brachá foi deixada como uma das últimas, pois retrata um dos níveis mais elevados de conexão com D'us que podemos atingir.

Mas nos falta ainda entender a contradição entre a Brachá de andar de cabeça erguida com a terrível transgressão do orgulho. Para isso, precisamos nos aprofundar no entendimento do erro de sentir orgulho. Por que andar de cabeça erguida é algo tão negativo, comparado com "derrubar os pés da Presença Divina"? Pois o orgulho é o resultado da resistência que temos em aceitar a Torá de D'us. A arrogância do ser humano vem da necessidade de brigar pelos nossos próprios direitos, ao invés de entender quais são as nossas obrigações. Mas quando a pessoa chega ao nível de um relacionamento no qual não há nenhum tipo de resistência, ela se torna um utensílio que reflete a grandeza de D'us, e andar de cabeça erguida deixa de ser uma "rebeldia" e torna-se uma santificação do Seu Nome. É por isso que o Talmud afirma que "andaremos na mesma altura e estatura do Beit Hamikdash", pois da mesma maneira que o Beit Hamikdash reflete a honra de D'us, nós também podemos fazer com que nosso relacionamento com D'us possa refletir ao mundo inteiro a Sua honra.

Muitas pessoas ainda tem medo de se aproximar da Torá e das Mitzvót. É o receio de perder uma vida de prazeres e entrar em um estilo de vida de abstinência. Mas cada vez mais este conceito equivocado vem sendo derrubado. Quando temos contato com pessoas que vivem uma vida de Torá e Mitzvót, nos salta aos olhos a harmonia, os valores verdadeiros e a santidade da família. Prazeres materiais são passageiros, duram pouco tempo. Mas o prazer de saber que estamos fazendo o que é correto dura uma vida inteira.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 26 de abril de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EMOR 5773


BS"D

IMAGEM E SEMELHANÇA DE D'US - PARASHÁ EMOR 5773 (26 de abril de 2013)

"Tzvi (nome fictício) era um Avrech (pessoa casada que se dedica ao estudo da Torá) muito pontual na Tefilá (reza) e no estudo. Mas em certa época ele começou a chegar todos os dias atrasado à Tefilá de Shacharit (reza da manhã). O Rosh Colel (líder espiritual do centro de estudos) certa vez chamou-o para conversar em sua sala e perguntou se estava tudo bem, ressaltando a preocupação com os constantes atrasos na Tefilá, uma das principais partes do nosso serviço Divino diário. O jovem tranquilizou o rabino e explicou:

- Rabino, não se preocupe, está tudo bem. Não estou atrasando por causa de nenhum problema pessoal ou por não estar dando a devida importância à pontualidade na Tefilá. O que ocorre é que todos os dias de manhã, quando estou saindo para a Tefilá, eu vejo que há uma mulher que cuida sozinha de todos os filhos. Ela precisa preparar o café da manhã, vestir as crianças mais novas, ajudar a preparar os mais velhos, além de já começar a cuidar das outras necessidades da casa. E como são muitas crianças, eu vejo como é difícil para ela cuidar de todas sozinha. Eu fico tão comovido com as dificuldades desta mulher que acabo me oferecendo para ajudá-la. Por isso tenho me atrasado.

- Muito bonito o seu ato - respondeu o Rosh Colel - Fico mais tranquilo de saber que seus atrasos na Tefilá têm uma boa justificativa. Mas quem é esta mulher que você ajuda todos os dias, alguma vizinha que ficou viúva?

Tzvi abriu um sorriso e respondeu:

- É a minha esposa. E as crianças que eu ajudo são os meus próprios filhos..." (História Real)

Todas as Mitzvót que fazemos são muito importantes e nos conectam a D'us. Mas não podemos focar tanto nas Mitzvót a ponto de esquecer-nos de ajudar as pessoas que estão à nossa volta.

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Na Parashá desta semana, Emor, a Torá descreve a história de um judeu que entrou em uma discussão com outro judeu e acabou amaldiçoando D'us. É interessante perceber que a Torá não conta esta história de maneira contínua. Após a Torá descrever que aquele homem merecia a pena de morte por ter amaldiçoado D'us, a narrativa é interrompida e são ensinadas algumas leis sobre danos que uma pessoa causa a outra. Depois disso, a Torá retoma o assunto do homem que amaldiçoou D'us e descreve a aplicação da pena de morte. Mas por que a Torá interrompeu no meio a narração da história? E qual a conexão entre duas pessoas estarem discutindo entre si e uma delas amaldiçoar D'us?

Explica o Gaon Mi Vilna que muitas pessoas pensam que é possível separar a Torá em duas partes completamente independentes: "entre o homem e D'us" e "entre o homem e seu semelhante". Isto pode causar o grande erro de imaginar que é possível ser completo cumprindo apenas uma das partes, sem se importar com a outra. Por exemplo, muitos aceitam as "leis sociais" da Torá, como não roubar, não matar e não ofender outro ser humano, e são muito rigorosos em sua conduta social, mas ao mesmo tempo negam completamente a existência de D'us e de Suas Mitzvót.

O outro lado também ocorre, isto é, aqueles que pensam que devem focar apenas no seu relacionamento com D'us, fazendo todas as rigorosidades previstas na Halachá (Código de leis judaico), mas esquecendo do comportamento com seus semelhantes. Além de todas as transgressões que esta pessoa certamente comete ao desrespeitar e machucar outro ser humano, uma das consequências mais graves é o "Chilul Hashem" (denegrir o Nome de D'us), pois aqueles que observam a pessoa "religiosa" se comportando de maneira inadequada começam a questionar a própria validade dos ensinamentos Torá.

Ensina o Gaon Mi Vilna que separar a Torá em duas partes é um grande equívoco de entendimento do que D'us espera de nós. As duas partes da Torá estão tão conectadas que, mesmo aquele que pensa ser possível cumprir apenas uma delas, certamente nem mesmo esta parte conseguirá cumprir da maneira correta. Por exemplo, nossos sábios ensinam que aquele que não consegue reconhecer as bondades que recebe de seu companheiro, no final não conseguirá nem mesmo reconhecer as bondades que recebe de D'us. A característica de reconhecer as bondades do companheiro não é apenas um assunto "entre o homem e seu semelhante", e sim uma característica da alma da pessoa. Quando esta característica de não reconhecer as bondades dos outros se enraíza no seu coração, o ser humano não consegue reconhecer as bondades de D'us e, portanto, não consegue se conectar a Ele de maneira verdadeira.

O contrário também é válido. Aquele que não tem Emuná (fé) em D'us, isto é, não reconhece as bondades que Ele faz com todas as Suas criaturas, é como se estivesse se desconectando do mundo de D'us, onde estão unidas todas as criaturas, e decidindo viver isolado no seu próprio mundo, pequeno e pobre, criado dentro de sua cabeça. Este é um dos grandes ensinamentos desta Parashá: não é possível que uma pessoa possa amaldiçoar D'us e ter um relacionamento verdadeiro e produtivo com as outras pessoas, isto é, estar completamente consciente de suas responsabilidades e obrigações com o próximo. Ao contrário, sem a Emuná, a pessoa pode se deteriorar lentamente até chegar a um verdadeiro abismo. A pessoa sem as fundações da Emuná pode ruir totalmente com o primeiro teste pelo qual passar e, daquela pessoa educada e polida, que se importava com sua conduta social, pode sair um verdadeiro animal, pronto para destruir todo aquele que atravessar seu caminho, se tornando um risco para toda a humanidade.

Pode parecer um exagero. Porém, ainda sentimos na pele, literalmente, o quanto este conceito espiritual é verdadeiro. Muitos judeus ainda carregam em seus braços números tatuados, marcas do Holocausto, uma das maiores selvagerias já cometidas contra a humanidade e, em especial, contra o povo judeu. E quem foram os responsáveis por este crime contra a humanidade? Não foram os vikings, conhecidos por sua selvageria, nem os cossacos, famosos por sua brutalidade. Foram os alemães, um dos povos mais educados e cultos do século passado. A mesma Alemanha, que produziu grandes compositores da música clássica como Beethoven e Bach, também produziu pessoas que faziam tiro ao alvo com bebês judeus. As mesmas mãos que tocavam obras completas de Mozart e Schubert torturaram e assassinaram, a sangue frio, 6 milhões de inocentes.

É por isso que a Torá, quando estava falando sobre o homem que amaldiçoou D'us, um assunto "entre o homem e D'us", interrompeu a narração para falar sobre leis de danos, um assunto "entre o homem e seu semelhante", e depois voltou ao assunto de amaldiçoar D'us, para nos ensinar que todo aquele que quer chegar a níveis verdadeiros de conexão com D'us deve começar a trabalhar para desenvolver um sentimento verdadeiro de conexão com o próximo. E o contrário também é válido, isto é, qualquer alienação do trabalho de se conectar com os outros e reconhecer suas bondades possivelmente levará a um consequente afastamento de D'us.

Portanto, fica claro qual a regra espiritual que rege o mundo: as duas áreas de trabalho, "entre o homem e seu semelhante" e "entre o homem e D'us", são, na realidade, uma área só, sem a possibilidade de separação. Somente aquele que entender e internalizar que todos os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de D'us, e conseguir ver em seu companheiro a sua "fagulha Divina", conseguirá realmente chegar à perfeição no seu trabalho espiritual, tanto entre ele e seu semelhante quanto entre ele e D'us.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT ACHAREI MÓT E KEDOSHIM 5773


BS"D

MANCHAS NA ALMA - PARASHIÓT ACHAREI MÓT E KEDOSHIM 5773 (19 de abril de 2013)

"A família Blinder (nome fictício) morava em São Paulo, mas há muito tempo sonhava em viver na Terra de Israel. Porém, o medo da mudança empurrava sempre os planos para depois. Certa vez o Sr. Blinder chegou em casa decidido a tomar alguma atitude. Conversou com a esposa e, juntos, decidiram passar um mês em Israel, para sentir de perto como era a vida lá. Desta forma poderiam tomar a decisão com mais embasamento, evitando futuros arrependimentos. E assim fizeram.

Certa tarde, a família Blinder estava sentada em um banco de uma praça da tranquila Bnei Brak, uma cidade onde a grande maioria dos habitantes cumpre a Torá. Na esquina da praça ficava a agência de um famoso Banco israelense, e do lado de fora havia um caixa eletrônico. O Sr. Blinder conversava tranquilamente com sua esposa quando escutaram gritos vindos do banco. Acostumados com a violência de São Paulo, imediatamente acharam que era um assalto. Mas o que viram os deixou sem palavras.

Um homem havia ido ao caixa eletrônico sacar dinheiro. Ele estava tão apressado que foi embora, esquecendo na máquina uma enorme quantia. Mas um homem muito pobre, de roupas esfarrapadas, percebeu que ele havia esquecido o dinheiro no caixa eletrônico. O que o pobre fez? Pegou aquela enorme quantia e saiu correndo em direção ao dono do dinheiro, gritando com toda a força para que ele voltasse e pegasse suas notas. Os Blinder ficaram encantados com aquela cena. Era algo que, infelizmente, não estavam acostumados a ver no Brasil.

Duas semanas depois eles estavam de volta ao Brasil. Na semana em que chegaram, enquanto ainda decidiam o que fazer, a Sra. Blinder foi passear com seu bebê pelo bairro. Quando passava na frente da agência de um Banco, ela escutou muitos gritos. Mas, diferente de Israel, não era nenhum pobre fazendo atos de bondade, e sim um assalto à agência bancária. Pessoas gritavam, desesperadas, enquanto bandidos trocavam tiros com os seguranças do banco, colocando a vida de todos em risco. A Sra. Blinder conseguiu sair dali rapidamente, e graças a D'us sem nenhum ferimento.

Para a família Blinder, a comparação entre os dois eventos era inevitável, e assim ficou mais fácil decidir o que fazer. Em poucos meses eles estavam morando em Israel, na pacata cidade de Bnei Brak, onde decidiram viver para poder criar seus filhos em um ambiente tranquilo e harmônico" (História Real)

Qual é o segredo de cidades como Bnei Brak, onde quase não há violência e as pessoas se esforçam para serem honestas? E por que na maioria dos lugares do mundo vemos justamente o contrário?

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Acharei Mót e Kedoshim. A Parashá Acharei Mót fala principalmente dos serviços feitos durante o dia mais sagrado do ano, Yom Kipur. Já a Parashá Kedoshim fala sobre a importância de o povo judeu manter sua santidade, e traz diversas Mitzvót "Bein Adam LaMakom" (entre o homem e D'us) e "Bein Adam Lehaveiró" (entre o homem e seu semelhante), que nos ajudam a nos elevar espiritualmente. Um dos pontos em comum entre as duas Parashiót é que elas ensinam sobre a grave transgressão de se envolver em relações ilícitas, entre elas as relações que envolvem certos graus de parentesco.

Mas se prestarmos atenção, perceberemos que há uma grande diferença na forma como cada Parashá fala sobre as relações proibidas. Na Parashá Acharei Mót, a Torá apenas adverte sobre a proibição do povo judeu se envolver neste tipo de relacionamento. Já a Parashá Kedoshim traz explicitamente as diversas punições para quem comete este tipo de transgressão. Mas será que esta aparente repetição era realmente necessária? Por que a Parashá Acharei Mót precisou trazer a advertência de que são proibidos estes tipos de relações, se através dos duros castigos ensinados na Parashá Kedoshim aprenderíamos automaticamente que estes atos são proibidos e muito graves?

Ensinam nossos sábios que um dos motivos desta aparente repetição é para nos ensinar uma regra em relação à aplicação de castigos pela Torá. Para que uma pessoa possa receber um castigo através do Beit Din (Tribunal rabínico), ela deve estar completamente ciente das consequências do seu ato. Por isso, ela precisa ser advertida antes de cometer a transgressão, como afirma o Talmud (Makót 17b): "Não é permitido aplicar um castigo sem que haja antes uma advertência". Caso ninguém a advirta, o Beit Din não pode aplicar nenhuma das punições previstas pela Torá. A Torá repete o assunto das relações ilícitas para ensinar a forma correta de cumprir a lei, primeiro trazendo a advertência e somente depois o castigo.

Mas explica o Rav Yohanan Zweig que há uma explicação mais profunda para esta aparente repetição. Em nossa sociedade, o sistema de justiça é baseado em uma legislação rígida, com punições aplicadas àqueles que desobedecem à lei. Quanto mais grave o erro, mais dura é a punição. Por exemplo, uma pessoa que comete assassinato pode ser julgado e punido com muitos anos de detenção, perdendo sua liberdade e vivendo muitos anos em péssimas condições. Este sistema é baseado no medo do castigo, e deveria funcionar para coibir o descumprimento das regras. Mas vemos, através dos jornais e noticiários, que infelizmente o sistema não funciona como deveria. Sequestros relâmpagos, desvios de milhões de reais, escândalos. A sensação é de que a violência só aumenta e a impunidade parece prevalecer sobre a justiça. Por que isto acontece?

Quando a única restrição à transgressão é a possível punição aplicada pela justiça, nem sempre isto funciona para "frear" o transgressor. Por exemplo, quando uma pessoa tem uma forte tentação de cometer um crime, ou as chances dela ser punida são pequenas, ela prefere correr o risco e transgredir, pois aposta na possibilidade de ficar impune. Quanto mais ineficiente a polícia ou o sistema judiciário, maior a ousadia daqueles que querem transgredir as leis, pois menor é a chance do castigo realmente vir. É por isso que aumenta tanto o número de crimes em situações extremas, como em apagões ou após grandes acidentes naturais, como terremotos, onde saques às lojas e supermercados se tornam comuns. Como ensinam os nossos sábios: "Se não fosse o medo das autoridades, cada um engoliria o seu companheiro vivo" (Pirkei Avót 3:2).

Mas nem tudo está perdido. Em locais onde as pessoas vivem de acordo com a Torá, a violência é muito rara, e até mesmo casos de roubo são exceção. Em cidades como Bnei Brak, em Israel, os feirantes deixam seus produtos na rua, sem ninguém cuidando, e os compradores escolhem o que querem levar e deixam o dinheiro em uma caixinha. Em várias sinagogas de Jerusalém os vendedores deixam dezenas de livros à venda, sem ninguém tomando conta, e os compradores escolhem o que querem e deixam o dinheiro em uma caixinha. Qual é o método da Torá para coibir as transgressões, cujo sucesso é tão evidente?

Apesar de não enxergarmos o mundo espiritual, suas regras são tão rígidas quanto as leis do mundo material. Da mesma maneira que uma pessoa que joga sujeira em sua roupa mancha o tecido, assim também acontece com nossa alma toda vez que cometemos uma transgressão. Pelo fato da transgressão ser algo inerentemente errado, ela imediatamente prejudica o transgressor, independentemente de qualquer outra futura consequência.

É este o ensinamento que a Torá está transmitindo ao separar o conceito da advertência e do castigo aplicado pelo Beit Din. A Torá está nos ensinando que podemos enganar a polícia ou os tribunais, podemos até ser bem sucedidos em fazer uma transgressão sem que ninguém veja, mas nunca saímos ilesos de uma transgressão. A advertência ensina que o ato é intrinsecamente errado e causa imediatamente consequências espirituais negativas. Independentemente das futuras consequências do erro, mesmo que não ocorra nenhuma punição no Beit Din, nossa alma já sai manchada, necessitando passar por difíceis processos de "limpeza" espiritual. Certamente o preço desta "limpeza" será muito maior do que o benefício obtido com a transgressão, como ensinam os nossos sábios: "Leve em consideração o que você ganha com uma transgressão e o que você perde" (Pirkei Avót 2:1).

Este é o grande segredo da Torá. As pessoas sabem que cada ato tem consequências. Podemos enganar os outros, podemos até mesmo enganar a nós mesmos, mas não podemos enganar a D'us. Isto faz com que uma sociedade com pessoas que vivem de acordo com a Torá sejam muito mais harmônica, propícias para que as pessoas melhorem cada vez mais seus atos e possam crescer espiritualmente. Pois mesmo que os olhos não veem as consequências diretas dos nossos atos, a nossa alma sente.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 10 de abril de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT TAZRIA E METSORÁ 5773


BS"D

PENSE ANTES DE FALAR - PARASHIÓT TAZRIA E METSORÁ 5773 (12 de abril de 2013)

Pouco antes do seu falecimento, o Rav Yitzchak Blazer escreveu em seu testamento que não queria nenhum tipo de "Esped" (discurso fúnebre, no qual o falecido é louvado e suas boas ações e características são ressaltadas em público). E quando ele faleceu, apesar da pressão de muitos rabinos e da população de Jerusalém para que fosse feito o "Esped", já que o Rav Yitzchak Blazer era muito querido e admirado por todos, ficou decidido que a vontade do falecido seria cumprida.

O Rav Chaim Berlin, que era muito próximo do Rav Yitzchak Blazer, também acatou a vontade do falecido. Porém, ele achou que o momento da partida de um Tzadik (Justo) tão grande não poderia passar em branco. Após refletir muito, ele chegou à conclusão de que o falecido havia pedido para que não houvesse discursos de louvor, mas não havia pedido para que as pessoas não chorassem por sua morte. Então ele convocou toda a cidade para que escutassem palavras fortes de despertar pela perda de um grande sábio de Torá, levando todos ao choro.

Isto aconteceu no começo da semana. Na noite de Shabat, o Rav Yitzchak Blazer apareceu para o Rav Chaim Berlin em um sonho e disse:

- Queria lhe dizer obrigado por você ter escutado meu pedido e não ter feito um discurso de louvores.

O Rav Chaim ficou contente e surpreso com a aparição do amigo, e aproveitou a oportunidade para perguntar como era o julgamento que ocorre depois do falecimento. O Rav Yitzchak Blazer respondeu:

- O julgamento aqui em cima é muito rigoroso. Não é possível para nenhum ser vivo imaginar a severidade deste julgamento. E em especial, eles são extremamente rigorosos com as falas proibidas e outros maus usos da fala.

- E qual foi o resultado do seu julgamento?

- Durante toda a semana não me permitiram vir agradecer por você ter escutado meu último pedido. Somente no Shabat recebi esta permissão de aparecer para você em um sonho.

O Rav Yitzchak Blazer não contou mais nenhum detalhe e nem explicou suas palavras misteriosas. Logo depois o Rav Chaim Berlim acordou e nunca mais voltou a vê-lo em seus sonhos. Apesar de sua última pergunta não ter sido respondida, o Rav Chaim Berlim nunca mais esqueceu este sonho, principalmente por causa da ênfase que o Rav Yitzchak Blazer deu para a gravidade das transgressões envolvendo a fala, com terríveis consequências espirituais mesmo depois da morte" (História Real)

Muitas vezes falamos coisas erradas por impulso ou apenas pela falta do que dizer, e achamos que isto não é um problema. Nisto estão incluídos palavrões, ofensas e principalmente o Lashon Hará (maledicência). Mas nos ensina o Chafetz Chaim que nos mundos espirituais cada palavra que pronunciamos fica guardada para sempre, e as palavras mal utilizadas são usadas contra nós no julgamento celestial. Como é dito nos filmes policiais: "Tudo o que você disser poderá ser usado contra você"

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Tazria e Metsorá, que falam sobre a contaminação e a cura de uma terrível doença espiritual chamada "Tsaráat", que manchava a pele das pessoas que cometiam certos tipos de transgressões, entre elas o Lashon Hará (falar de maneira que denigre o próximo, causando constrangimento, sofrimento ou perdas).  Aquele que se contaminava com Tsaráat tinha que ficar pelo menos uma semana fora do acampamento, isolada e sozinha no deserto, como parte do processo de purificação. Por que este isolamento? Era um castigo "Midá Kenegued Midá" (medida por medida). Da mesma forma que o transgressor causou com seu Lashon Hará que as pessoas se afastassem daquele sobre quem ele falou coisas negativas, assim ele também era retirado do acampamento e passava um tempo completamente isolado do resto do povo. Além disso, o arrependimento sincero era parte da cura, e o isolamento ajudava a pessoa a refletir sobre seus maus atos e se arrepender.

Havia alguns outros processos pelo qual a pessoa deveria passar para que se curasse completamente desta doença espiritual. Por exemplo, a Parashá Metsorá descreve que o Cohen (sacerdote) responsável pela cura da pessoa com Tsaráat precisava aspergir azeite no Mishkan (Templo Móvel), como está escrito: "E ele deverá aspergir azeite com seu dedo 7 vezes diante de D'us" (Vayikrá 14:16). Mas o que significa esta expressão "diante de D'us"?

Existem na Torá muitos tipos de Korbanót (sacrifícios). É interessante perceber as diferenças que há nas leis dos diversos Korbanót. Por exemplo, quando uma pessoa comum do povo cometia certas transgressões não intencionais e trazia um Korban para ser sacrificado, o sangue deste Korban era aspergido no altar de cobre, que ficava no pátio externo do Mishkan. Mas quando um Cohen cometia certas transgressões não intencionais, o sangue do seu Korban era trazido para dentro do Kodesh, uma parte mais sagrada do Mishkan, e era aspergido sobre o altar de ouro e sobre a Paróchet (cortina), utensílios que ficavam dentro do Kodesh. Mas por que estas diferenças? Que diferença faz o local onde o sangue era aspergido? E por que não era feito um processo padrão para todos os Korbanót?

Ensinam nossos sábios que tudo o que existe no mundo material tem um paralelo no mundo espiritual. Da mesma forma que existe a cidade física de Jerusalém, existe também uma Jerusalém espiritual. Da mesma maneira que existe fisicamente o Monte do Templo, local em Jerusalém onde ficava o Beit Hamikdash (Templo Sagrado), assim também existe o Monte do Templo espiritual. E da mesma maneira que no Monte do Templo ficava o Beit-Hamikdash físico, também existia no Monte do Templo espiritual um Beit-Hamikdash espiritual.

Quando uma pessoa comete uma transgressão no mundo físico, ela "mancha" também o mundo espiritual. Quanto maior a rigorosidade da transgressão, maior a "marca" que esta transgressão deixa nos mundos espirituais e, portanto, maior a necessidade de expiação. Quando um judeu comum transgride, ele causa com que a impureza do seu mau ato suba para os mundos espirituais e alcance o pátio do Beit Hamikdash espiritual. Por isso, parte do "conserto" era aspergir o sangue no altar externo, que ficava no pátio. Mas pelo fato do Cohen ser responsável pelo serviço Divino, ele estava em um nível espiritual mais elevado do que o resto do povo e, portanto, sua transgressão deixava marcas mais profundas nos mundos espirituais, atingindo a parte interna do Beit Hamikdash espiritual, um local ainda mais sagrado. Por isto, para "consertar" o erro de um Cohen não era suficiente apenas aspergir o sangue do Korban no altar externo, era necessário aspergir sobre o altar interno e a Paróchet. As diferenças nas leis de cada Korban eram necessárias, portanto, pois cada Korban era oferecido de acordo com a gravidade da transgressão que ele vinha expiar.

Mas explica o Rav Israel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, que mesmo uma pessoa comum pode causar uma grande destruição espiritual. Isto acontece no caso de transgressões muito graves, como a pessoa que fala Lashon Hará, uma transgressão tão grave que atinge até a parte mais interna do Beit Hamikdash espiritual. Explica Rashi, comentarista da Torá, que as palavras "diante de D'us" significam que o azeite deveria ser aspergido em direção à parte mais sagrada e elevada do Beit Hamikdash, o Kodesh Hakodashim, local onde apenas o Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) podia entrar, em total estado de pureza, e somente no dia de Yom Kipur. Por que aspergir nesta direção? Pois este era o lugar, no Beit Hamikdash espiritual, atingido pela impureza do Lashon Hará.

Há outro ensinamento que desperta a importância do cuidado com a nossa fala. O Cohen Gadol entrava no Kodesh Hakodashim apenas uma vez no ano, em Yom Kipur, e o primeiro serviço que ele fazia era o acendimento do incenso no altar de ouro. O Talmud (Yomá 44a) explica que o incenso expiava a transgressão de Lashon Hará do povo judeu, como está escrito: "Vem aquilo que é feito secretamente (a oferenda de incenso no altar interno) e expia o ato feito secretamente (o Lashon Hará)". Isto significa que a pessoa mais sagrada do povo judeu, no dia mais sagrado do ano e no local mais sagrado do mundo, somente poderia começar seus serviços após expiar a transgressão de Lashon Hará. Dentro do Kodesh Hakodashim eram feitos alguns serviços que traziam expiação para os pecados de todo o povo judeu. Mas o Cohen Gadol somente podia entrar depois que se formava uma névoa com a fumaça que saia do incenso, e caso ele entrasse sem a fumaça, morreria. Isto nos ensina que a transgressão de Lashon Hará atrapalhava todos os serviços que eram feitos no Kodesh Hakodashim e que traziam expiação para o povo judeu. Portanto, sem o conserto do Lashon Hará, não havia a possibilidade de consertar nenhuma outra transgressão.

Daqui vemos o enorme peso espiritual da transgressão de falar Lashon Hará. Por isso, devemos cuidar muito de nossas bocas, ao lembrar-nos de quanta influência espiritual negativa podemos causar com um único Lashon Hará, levando impureza para os lugares espirituais mais elevados e sagrados e dificultando o nosso arrependimento.

Muitas vezes procuramos áreas na vida nas quais podemos crescer espiritualmente. Das Parashiót lidas nesta semana, Tazria e Metsorá, aprendemos que o primeiro passo que precisamos dar para crescermos em espiritualidade é o controle da nossa fala. Enquanto não consertarmos os erros relacionados ao mau uso da fala, em especial o Lashon Hará, nosso arrependimento não será completamente aceito por D'us. Portanto, toda vez que quisermos falar algo, é bom pensar se realmente vale a pena falar. Pois como ensinam os nossos sábios: "Se a palavra vale prata, o silêncio vale ouro".

"Uma pessoa madura reflete antes de falar. Um tolo fala e só depois reflete sobre aquilo que disse"

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHEMINI 5773


BS"D

QUANDO O SANGUE FERVE - PARASHÁ SHEMINI 5773 (05 de abril de 2012)

"Na época dos nossos sábios do Talmud, houve uma mulher grávida que, após sentir o cheiro de comida, sentiu um desejo incontrolável de comer no dia de Yom Kipur. As pessoas mais próximas dela ficaram desesperadas, pois é sabido que se uma mulher grávida tem um desejo muito forte por comida e não sacia este desejo, isto pode colocar em perigo a vida do feto. Foram então se aconselhar com o Rabi Yehuda Hanassi, que ouviu atentamente o caso e deu o veredicto: uma pessoa da família deveria sussurrar em seu ouvido que aquele dia era Yom Kipur e por isto era proibido comer ou beber qualquer coisa. Caso não funcionasse, então seria permitido dar-lhe comida, pois a vida do feto estava em perigo e, segundo a lei judaica, é possível desrespeitar o jejum de Yom Kipur se uma vida estiver em perigo.

Qual era a lógica deste ensinamento do Rav Yehuda Hanassi? Segundo os nossos sábios, o feto na barriga da mãe já escuta o que é dito. Além disso, quando uma mulher grávida tem um forte desejo, na verdade quem está desejando é o próprio feto, e por isso, caso o desejo não seja saciado, o feto corre risco de vida. Por isso, ao sussurrar no ouvido da mãe, na verdade estamos falando com o próprio feto, tentando convencê-lo de que o que ele deseja é proibido.

Os familiares da mulher fizeram conforme os ensinamentos do Rav Yehuda Hanassi e, após escutar o sussurro, a mulher se tranquilizou, pois o feto não desejou mais comer. Aquele bebê tornou-se o Rav Yochanan, um dos maiores sábios do povo judeu.

Anos mais tarde outra mulher também sentiu um desejo incontrolável de comer após sentir o cheiro de uma comida. Foram se aconselhar com o Rav Chanina, que também sugeriu que sussurrassem no ouvido dela a proibição de comer. Porém, ao contrário do que era esperado, a mulher não se acalmou e precisou comer. Dela nasceu Shabtai Atsar Peiri, um homem que manipulava o mercado de frutas de Israel para enriquecer de maneira desonesta" (História baseada no Talmud – Yomá 82b)

Esta é a diferença entre uma pessoa que adquire a característica do autocontrole e aquela que é levada pelos seus desejos e vontades. Quem adquire o autocontrole consegue se elevar aos níveis mais altos de espiritualidade, enquanto quem não tem autocontrole fica preso nos seus desejos e vontades materiais.

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Nesta semana lemos a Parashá Shemini, que traz, entre outros assuntos, as leis de Kashrut. Por exemplo, a Torá nos ensina sobre as características necessárias para que os animais domésticos e selvagens possam ser consumidos, os sinais presentes nos peixes que são Kasher, a proibição de comer insetos e a lista de pássaros que são proibidos para o consumo do povo judeu. Entre as leis de Kashrut está também a proibição de comer répteis, como está escrito: "E não façam repugnantes suas almas ao comerem todo réptil que rasteja... Pois Eu sou Hashem, teu D'us. E se santifiquem e se tornem santos, pois Eu sou Santo... Pois Eu sou D'us, que elevei vocês da terra do Egito" (Vayikrá 11:43-45).

Mas destes versículos surgem algumas perguntas. Em primeiro lugar, por que esta linguagem "que elevei vocês da terra do Egito", se na maioria das vezes em que a Torá se refere à saída do Egito está escrito "que tirei vocês"? Além disso, o versículo termina com as seguintes palavras: "E sejam santos, pois Eu sou Santo". Associamos o conceito de "santo" às nossas atividades mais "elevadas", relacionadas ao serviço Divino, como a reza e a meditação. O que comer, um ato tão cotidiano, tem a ver com santidade?

Ensina Rashi, comentarista da Torá, que a linguagem "que elevei vocês" é utilizada como se D'us estivesse anunciando que toda a saída do Egito já teria valido a pena apenas para o povo judeu se elevar espiritualmente ao não consumir répteis. Mas o que significam estas palavras do Rashi? Seria suficiente apenas cumprir esta Mitzvá? Esta Mitzvá vale mais do que as outras Mitzvót da Torá?

Explica o Rav Yehuda Leib Chasman que deste versículo aprendemos algo importante para nossas vidas. A Mitzvá de não comer répteis não é mais importante do que as outras Mitzvót da Torá, mas ela contém uma lição fundamental para o nosso crescimento espiritual. Os répteis já são naturalmente animais asquerosos, e por isso, a maioria dos seres humanos não tem nenhuma dificuldade para evitar seu consumo. Se a Torá nos ressalta que valeria a pena sair do Egito apenas para não comer algo que naturalmente já nos é repugnante, isto nos ensina que se tivermos força de vontade para evitar comer algo gostoso mas que nos faz mal espiritualmente, o valor deste ato será muito maior aos olhos de D'us. O Talmud nos ensina que não devemos dizer "Eu não gosto de porco, por isso não como", e sim "Eu gosto de porco, é uma carne deliciosa, mas como eu posso comer se D'us me ordenou a não comer?". Isto nos traz muitos méritos espirituais, pelo fato de não estarmos fazendo algo que gostamos apenas para cumprir a vontade de D'us.

Ensina o Rav Chasman que existe um nível ainda maior do que este: quando deixamos de comer algo que é permitido. Por exemplo, alguém que está diante de uma deliciosa mesa de doces, na saída da festa, e tem a força de vontade de não "atacar" a mesa, conseguindo dizer para si mesmo "pegarei somente um docinho". Mas como entender este ensinamento? Qual a vantagem de se proibir de comer algo permitido? Se D'us permitiu, por que então nós vamos proibir? A resposta é que a pessoa que sabe de vez em quando dizer "não" aos seus desejos, mesmo aqueles permitidos, adquire uma das características mais importantes para o ser humano: o autocontrole.

Este conceito é ainda mais ressaltado por outro ensinamento dos nossos sábios no Talmud (Chulin 89a): "O mundo inteiro é sustentado pela pessoa que fecha sua boca no momento da discussão". Isto quer dizer que, mesmo se o mundo inteiro estivesse destinado à destruição, esta pessoa que fecha a boca no momento da discussão, apesar do sangue estar fervendo dentro dela, carregaria sozinha o mundo nas costas. E qual é o "segredo" por trás desta gigantesca recompensa? O autocontrole, quebrar as vontades naturais que queimam dentro de nós. O normal é uma pessoa reagir a uma ofensa com outra ofensa, gerando uma escalada de violência. Aquele que quebra sua tendência natural de revidar e consegue fechar sua boca demonstra um gigantesco autocontrole, e isto é tão bem visto aos olhos de D'us que o mérito desta pessoa é suficiente para sustentar o mundo inteiro.

Se quebrar a nossa vontade natural apenas uma vez traz méritos tão grandes, mais ainda receberá aquele que constantemente quebra suas vontades e sabe dizer "não" para os seus desejos, pois certamente acumulará méritos e conseguirá alcançar níveis cada vez maiores de espiritualidade. É por isso que o versículo termina com as seguintes palavras: "E sejam santos, pois Eu sou Santo". "Kadosh", que traduzimos como "santo", significa na verdade "desconectado do mundo material". D'us é Kadosh pois está acima de qualquer desejo e necessidade do mundo material. Assim, qualquer pessoa que utiliza o mundo material com total autocontrole, isto é, sem ser levado por suas vontades e desejos, também se torna "Kadosh", está se assemelhando a D'us e automaticamente se conectando a Ele. Portanto, aquele que tem autocontrole atinge a Kedushá e se torna sócio de D'us na criação do Céu e da Terra.

Será que entendemos quais são as consequências da falta de autocontrole em nossas vidas? Se pararmos para refletir, a grande maioria dos problemas atuais do mundo está justamente na falta de autocontrole. Hoje em dia, crianças já são obesas e apresentam altos índices de colesterol deste muito cedo, pois não aprendem a ter limites e a dizer não, consumindo comidas que, apesar de muito saborosas, são extremamente prejudiciais à saúde. Quantos casamentos não terminam por causa de traições, movidas pelo desejo incontrolável de sentir um pouco mais de prazer? Quantas tragédias ocorrem por um instante de raiva não contida, como no caso do ônibus que despencou de um viaduto no Rio de Janeiro, matando sete pessoas e ferindo outras dezenas, por causa de um passageiro irritado que deu um chute na cabeça do motorista. As estatísticas de mortes causadas por uso de arma de fogo mostram que morrem mais pessoas em brigas de trânsito do que em assaltos a mão armada.

O judaísmo nos ensina que Kedushá não significa se abster de todos os prazeres materiais e viver uma vida de sofrimentos e abstinência, pois D'us criou os prazeres por bondade, para que pudéssemos aproveitar o mundo material de forma prazerosa. Podemos e devemos ter prazeres, mas com autocontrole. Precisamos aprender a dizer "não" às nossas vontades e desejos, pois um mundo sem autocontrole é um mundo direcionado ao caos e à destruição, enquanto um mundo com autocontrole é um mundo direcionado à harmonia e à paz.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Victória bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

sexta-feira, 29 de março de 2013

SHABAT SHALOM MAIL - PESSACH II 5773


BS"D



SAIA DA PRISÃO - PESSACH II 5773 (29 de março de 2013)

"Havia um bando de ladrões que aterrorizava os habitantes de um distante reinado. Mas após uma longa caçada, o rei finalmente conseguiu prender o bando e todos os ladrões foram jogados na prisão.

Alguns ladrões continuaram sonhando com a liberdade e, apesar da prisão ser considerada impossível de escapar, eles continuavam motivados e ficavam o tempo inteiro tramando planos de fuga e esperando a oportunidade certa. Mas os outros ladrões com o tempo se acomodaram, se acostumaram com a ideia de que estavam presos e que sua liberdade havia acabado para sempre.

Certo dia, os portões da prisão amanheceram abertos. Tudo o que faltava para a sonhada liberdade era apenas se levantar e sair da prisão. Aqueles que ansiavam pela liberdade assim fizeram, e facilmente escaparam. Mas os outros, apesar das portas abertas, permaneceram na prisão, e pelos mais variados motivos. Alguns não acreditaram que as portas da prisão estavam realmente abertas. Outros tiveram medo de sair por causa do desconhecido, não sabiam o que os esperaria do lado de fora. E um terceiro grupo permaneceu na prisão apenas pela força do hábito. Já estavam tão acostumados com a ideia de estarem confinados dentro daquela estreita cela que já não podiam mais se imaginar completamente livres"

Assim acontece conosco. Vivemos em uma prisão, mas que está trancada apenas em nossas mentes. Uma prisão que nos limita, que não nos deixa crescer, que não nos deixa perceber nosso verdadeiro potencial. Se quisermos a liberdade verdadeira, o primeiro passo é querer sair. Pois uma das piores desgraças para o ser humano é quando abrimos mão da nossa liberdade e aceitamos viver uma vida de prisioneiros, mesmo quando as portas para escapar estão completamente abertas...


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Este Shabat coincide com um dos dias intermediários da festa de Pessach, mais conhecida como "A época da nossa liberdade". E no domingo de noite (31/03) novamente é Yom Tov, o "Shvii (sétimo dia) de Pessach". Apesar de ser a conclusão da festa de Pessach e não ter um caráter independente, o "Shvii de Pessach" tem uma motivação especial para ser um dia sagrado: foi o dia em que D'us abriu o Mar Vermelho, com muitos milagres, para salvar os judeus e afogar os egípcios que os perseguiam, acabando de vez com a escravidão.

Porém, há algo que nos chama a atenção sobre o "Shvii de Pessach". Quando a Torá se refere ao primeiro dia de Pessach, que também é Yom Tov, diversas vezes a saída do Egito é ressaltada como sendo o motivo para a festa. Mas quando a Torá fala sobre o sétimo dia de Pessach, o incrível milagre da abertura do Mar não é mencionado. Além disso, quando o milagre da abertura do Mar é descrito na Parashá Beshalach, nenhuma menção é feita sobre a data na qual ocorreu este milagre. Sabemos que a abertura ocorreu no sétimo dia de Pessach apenas por transmissão oral dos nossos sábios. Portanto, se foi um evento tão grandioso, e se o "Shvii de Pessach" é um dia tão sagrado por causa deste milagre, por que não foi mencionado explicitamente na Torá?

Responde o livro "The Book of Our Heritage", do Rav Eliyahu Kitov, que as festas judaicas não foram definidas para nos alegrarmos com a queda dos nossos inimigos, e sim para comemorarmos a salvação do nosso povo. Da mesma forma que D'us não se alegra quando os malvados são destruídos, o povo judeu também não se alegra por este motivo. Por exemplo, quando mencionamos as 10 pragas durante o Seder de Pessach, tiramos gotas de vinho do nosso copo, demonstrando nosso pesar por todos os sofrimentos que os egípcios passaram, apesar de tudo o que eles haviam nos causado durante os mais de 100 anos de brutal escravidão. Por isso a Torá "esconde" a conexão entre a abertura do Mar Vermelho e o "Shvii de Pessach", para que ninguém pense que a festa é em comemoração pela morte dos egípcios.

Quando o povo judeu saiu do Egito, apesar de toda a demonstração de força de D'us, o Faraó pensou que eles se ausentariam por apenas 3 dias e logo voltariam. Por isso ele enviou junto alguns espiões, que trariam as informações de cada passo do povo judeu no deserto. Quando terminou o prazo dos 3 dias, os espiões voltaram ao Faraó e informaram que o povo judeu não tinha nenhum intenção de voltar. Então D'us quis testar mais uma vez a Emuná (fé) do seu povo. Após estes 3 dias "sob as asas de D'us", Moshé tocou o Shofar e ordenou ao povo judeu que começasse a caminhar de volta ao Egito, sem informar o motivo da volta. A intenção de D'us era confundir o Faraó, deixando-o na dúvida sobre os motivos pelo qual os judeus voltavam, criando a ilusão de que ele poderia novamente escravizar o povo judeu. Era apenas uma "isca" para atrair o Faraó e seu exército, para levá-los ao Mar Vermelho e afogá-los, da mesma maneira como eles haviam afogado os bebês judeus ao atirá-los no Rio Nilo. Mas por que D'us não revelou ao povo judeu que tudo era parte de um plano? Por que D'us testou o povo desta maneira, com um teste tão difícil?

Após D'us ter arrasado completamente os egípcios, o povo judeu saiu do Egito em pleno dia, de cabeça erguida, e não no meio da noite, como ladrões fugitivos. Mas mesmo assim os judeus ainda se sentiam escravos. Não era suficiente D'us ter destruído a terra do Egito, era necessário destruir o Egito que havia dentro de cada judeu. A palavra "Mitzraim", que significa "Egito", vem da mesma raiz de "Metzarim", que significa "limitações". Foi por isso que D'us novamente testou o povo judeu, fazendo-os marchar de volta ao Egito. Na saída do Egito, D'us havia aberto as portas da prisão, mas os judeus precisavam se levantar e querer sair. E apesar de todo o sofrimento de mais de 100 anos de escravidão, a grande maioria do povo confiou em D'us e marchou de volta, confiante. Apenas um pequeno grupo se desesperou, a ponto de rasgar suas próprias roupas, mas foram tranquilizados pelas palavras de Moshé, que revelou os planos de D'us e garantiu que eles estavam livres para sempre.

Toda a escravidão do Egito teve como único propósito despertar dentro do povo judeu a Emuná (fé), aperfeiçoando ainda mais o incrível nível de conexão com D'us que os nossos patriarcas Avraham, Yitzchak e Yaacov já haviam atingido. Por isso foi tão importante o povo judeu passar por este último teste, um grande teste de Emuná, que demonstrou que o povo estava disposto a escutar as palavras de D'us e confiar Nele mesmo quando parecia algo tão ilógico quanto voltar para o Egito, para o local onde eles haviam sido tão brutalmente escravizados. O teste tirou de dentro de cada judeu a força de querer ser livre de verdade, de acabar com o "Egito" que havia dentro de cada um deles.

Todos nós queremos ser grandes, em todas as áreas. Queremos ser grandes profissionais, grandes pais, grandes esposos. Mas por que tão poucos alcançam realmente a grandeza? Pois todos encontram na vida obstáculos para o seu crescimento. Cada um tem os seus próprios desafios a serem vencidos. Cada um vive em seu próprio "Egito" pessoal, e para podermos ser livres, antes de tudo precisamos acreditar que podemos vencer. Porém, quantas vezes nos rendemos e desistimos, muitas vezes sem lutar, aceitando passivamente nossa "prisão", quando surgem dificuldades e obstáculos no caminho? Os vencedores que atingem a grandeza são aqueles que não desistem diante de um fracasso, que não param apenas porque parece difícil demais. Como dizia Thomas Edison, o inventor da lâmpada, que o talento é composto por 1% de inspiração e 99% de transpiração.

Quando comemoramos uma festa no judaísmo, não estamos apenas relembrando algo histórico que aconteceu com nossos antepassados. Ensina o Rav Chaim Luzzato, em seu livro "Derech Hashem", que qualquer conquista que foi atingida, qualquer luz que foi irradiada em certo período da história, quando este mesmo momento volta no ciclo anual, o brilho daquela luz volta novamente a nos iluminar, e os frutos daquela conquista podem voltar a ser recebidos por todos aqueles que desejarem. É um momento no qual podemos crescer espiritualmente de uma maneira muito mais intensa.

Esta é a oportunidade especial de Pessach. Embora o esforço e a dedicação durante o ano nos ajuda a vencer os obstáculos que limitam nosso crescimento, especialmente durante Pessach o mesmo esforço resulta em conquistas muito maiores e mais duradouras. Em qualquer momento do ano, se quisermos atingir a liberdade verdadeira, isto é possível apenas através de trabalho duro e muita determinação. Mas durante Pessach as portas da prisão se abrem, e tudo o que precisamos é decidir levantar e sair.

SHABAT SHALOM e PESSACH KASHER VE SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h51  Rio de Janeiro: 17h34  Belo Horizonte: 17h41  Jerusalém: 18h21

HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE YOM TOV:
São Paulo: 17h49  Rio de Janeiro: 17h32  Belo Horizonte: 17h40  Jerusalém: 18h22

HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE YOM TOV SHENI (fora de Israel):
Acender depois de  São Paulo: 18h40  Rio de Janeiro: 18h22  Belo Horizonte: 18h30  
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Aviva (Jackelin) bat Mirta, Ester bat Rivka, Aron Natan ben Avraham, Clarice Chaia bat Nasha Blima, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Ruth bat Yafa, Yafa bat Salha, Haya bat Rahel, Avraham ben Miriam, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Shimshon ben Nechuma, Pece bat Geni.
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