sexta-feira, 26 de novembro de 2021

LOUVORES E AGRADECIMENTOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIESHEV E CHANUKA 5782

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PARASHÁ VAIESHEV



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VÍDEOS DA PARASHÁ VAIESHEV
ASSUNTOS DA PARASHÁ VAIESHEV
  • Yaacov se assentou em Eretz Knaan.
  • Yossef fala mal dos irmãos.
  • 2 sonhos de Yossef: trigos e estrelas.
  • Yossef sai para procurar seus irmãos, a pedido de Yaacov, e encontra homem no caminho.
  • Irmãos de Yossef querem matá-lo.
  • Por sugestão de Reuven, Yossef é jogado no poço.
  • Reuven se ausenta.
  • Por sugestão de Yehudá, Yossef é vendido como escravo e levado ao Egito em caravana de especiarias.
  • Yehudá e Tamar.
  • Yossef é vendido ao Potifar.
  • A esposa do Potifar e a tentação de Yossef.
  • Yossef é enviado para a prisão.
  • Yossef interpreta os sonhos dos dois prisioneiros.
  • A interpretação de Yossef se cumpre.
BS"D

LOUVORES E AGRADECIMENTOS - PARASHÁ VAIESHEV E CHANUKA 5782 (26/nov/2021)

 
Um homem sonhou que foi para o céu e um anjo estava mostrando a ele o lugar. Caminharam lado a lado dentro de uma grande oficina cheia de anjos. O anjo parou diante da primeira seção e disse:
 
- Esta é a seção receptora. Aqui são recebidos todos os pedidos feitos a D'us durante as rezas.

O homem olhou em volta e percebeu que aquela seção estava terrivelmente cheia, com muitos anjos separando os infinitos pedidos de pessoas do mundo todo. Em seguida eles continuaram caminhando por um longo corredor, até que chegaram a uma segunda seção. O anjo então disse:
 
- Esta é a seção de embalagem e entrega. Aqui, as Brachót que as pessoas pediram, caso sejam aprovadas, são processadas e entregues.

O homem percebeu que aquela seção também estava completamente lotada. Haviam muitos anjos trabalhando arduamente, já que muitas Brachót haviam sido solicitadas e estavam sendo embaladas para serem entregues. Finalmente, no final do longo corredor, eles pararam na porta de uma seção muito pequena. Para a surpresa daquele homem, a seção estava completamente vazia, havia um único anjo sentado lá, sem fazer nada.
 
- Esta é a seção do reconhecimento - disse o anjo, parecendo envergonhado.
 
- Por que não há trabalho acontecendo aqui? - perguntou o homem.
 
- Pois depois que as pessoas recebem as Brachót que pediram, são muito poucas as que enviam seus agradecimentos para D'us"
 
D'us nos manda bondades o tempo inteiro. Será que somos agradecidos, e expressamos este agradecimento, pelo que D'us nos mandou hoje, ou estamos apenas preocupados com o que vamos pedir amanhã?

Nesta semana lemos a Parashá Vaieshev (literalmente "E se assentou"), que começa a descrever a história de Yossef e seus irmãos. Motivados pela inveja, os irmãos de Yossef acabaram vendendo-o como escravo ao Egito. A Torá registra um detalhe aparentemente insignificante: Yossef foi transportado em uma caravana de especiarias. Qual é a importância de ressaltar qual era o produto transportado na caravana que levou Yossef?
 
Explicam os nossos sábios que, apesar da difícil situação na qual Yossef se encontrava, quando seus próprios irmãos haviam tramado matá-lo e acabaram vendendo-o como escravo, ainda assim ele conseguiu perceber a Mão de D'us em todos os eventos. Rashi (França, 1040 -1105) explica que o normal era passarem naquela região caravanas transportando derivados de petróleo, que normalmente têm um cheiro muito desagradável. Yossef percebeu a Mão de D'us ao fazê-lo viajar com um cheiro agradável. Mesmo que a situação estava difícil, Yossef se manteve tranquilo e confiante na proteção de D'us, pois sabia que nada acontece por acaso.
 
Este conceito se conecta com a próxima Festa do calendário judaico, Chanuka, que comemoramos a partir da noite do próximo domingo (28 de novembro). São oito dias nos quais revivemos dois incríveis milagres que aconteceram com o povo judeu na época do Segundo Templo. Um milagre foi a vitória na guerra contra o maior império da época, os gregos, militarmente muito superiores. O segundo milagre foi o azeite para o acendimento da Menorá, suficiente para apenas um dia, mas que durou oito dias. Milagres que nos conectam com D'us e que nos fazem sentir Sua presença nos acontecimentos cotidianos.
 
Durante os oito dias de Chanuka temos algumas Mitzvót que nos ajudam a nos conectar com a espiritualidade destes dias. Por exemplo, acendemos diariamente a Chanukia e ficamos por alguns momentos apenas olhando para as velas, refletindo sobre a vida. Além disso, recitamos todas as manhãs o Halel, um cântico de louvor e agradecimento a D'us. Mas o Halel de Chanuka não é simplesmente parte do serviço da Tefilá, como acontece nos outros Chaguim, e sim a própria essência deste Chag. Este é a linguagem do Talmud (Shabat 21b) que fala sobre Chanuka: "Fixaram e fizeram daqueles dias Yamim Tovim, dias de Halel (louvores) e Hodaá (agradecimento)". Essa também é a linguagem no final do "Al Hanissim", parte da Amidá acrescentada nos oito dias de Chánuka: "Para Lehodot (agradecer) UleHalel (e louvar)". Normalmente dizemos Halel para agradecer por algum milagre que aconteceu, mas em Chanuka dizemos Halel porque o milagre em si tem a ver com o Halel. Qual é a explicação deste conceito?
 
Sempre enxergamos Chanuka como a batalha entre os judeus e os gregos. Porém, na verdade a batalha não foi apenas entre os gregos e os judeus, mas também entre os Tsedukim e os judeus. Quem eram os Tsedukim e que batalha foi esta?
 
Para responder, precisamos lembrar de algo muito importante em relação à nossa Torá. Ela foi entregue para Moshé no Monte Sinai, sendo que uma parte foi entregue de forma escrita, que são os cinco livros da Torá, enquanto outra parte foi entregue apenas oralmente, e continuou sendo transmitida oralmente, de professor para aluno, de geração em geração. A Torá escrita traz os principais ensinamentos de D'us, mas de uma maneira muito compacta, quase codificada. Já a Torá oral traz todos os detalhes de todas as Mitzvót e suas explicações mais profundas. Um paralelo interessante seria uma palestra que escutamos e queremos guardá-la para sempre. Não é possível anotar tudo o que o palestrante diz, então fazemos algumas anotações resumidas, mas que sejam suficientemente claras para, ao serem lidas, nos façam lembrar de todos os detalhes do que foi falado. A palestra seria a Torá oral, enquanto as anotações seriam a Torá escrita.
 
Os Tsedukim eram uma seita que rejeitava a Torá oral. Eles queriam cumprir a Torá exatamente como entendiam ao pé da letra, cometendo, desta maneira, muitos erros. Por exemplo, os Tsedukim não comiam comidas quentes no Shabat, por acreditarem, de forma equivocada, que era proibido até mesmo esquentar comidas que já estavam completamente cozidas. Eles também passavam praticamente o Shabat todo na cama, dormindo, por não saberem os detalhes do que é permitido e o que é proibido fazer no Shabat. E, além de acabar desrespeitando a Torá por entendê-la de forma equivocada, o mais grave foi que os Tsedukim também instigaram os gregos contra o povo judeu, delatando-os para as autoridades em troca de poder e dinheiro. Mas por que era tão difícil para os Tsedukim aceitarem a Torá oral? E por que os gregos "compraram a briga" dos Tsedukim contra o povo judeu?
 
Explica o Rav Yaacov Weinberg zt"l que os gregos eram um povo que gostava de cultura e de conhecimento. Através de sua cultura Helenista, eles levaram diversos avanços para todos os lugares que conquistavam, como a ciência, a literatura, o teatro e os esportes. Porém, eles não queriam se submeter a uma Força superior. Eles podiam aceitar a Torá escrita, pois somente com a Torá escrita eles poderiam interpretar os conhecimentos contidos nela da maneira que quisessem. Na Torá escrita não é necessário "entregar a mente" a D'us, isto é, submeter o nosso conhecimento ao conhecimento infinito de D'us. Com a Torá escrita ainda podemos ter a sensação de que nossa mente é suprema e que é a lógica do ser humano que importa. Desta maneira é possível escolher entender e cumprir a Torá da forma como quisermos, assim como faziam os Tsedukim. A Torá oral, no entanto, não foi aceita pelos gregos, pois significava que nosso intelecto deve se adequar à maneira como D'us nos ensinou a pensar. Até que a Torá nos diga o que é correto, a ciência e a lógica são apenas ilusões.
 
Por exemplo, o que é mais grave, roubo ou furto? A mente humana tenderia a responder que certamente o roubo é mais grave, pois envolve violência, uma ameaça à integridade física da pessoa, enquanto o furto ocorre sem nenhum tipo de ameaça. Porém, a Torá nos ensina que aquele que rouba deve apenas devolver o que foi roubado, enquanto aquele que furta deve pagar uma "multa", que normalmente é o dobro do valor furtado, mas que pode chegar a 4 ou 5 vezes em determinadas situações. Qual é a lógica? Explica o Talmud (Baba Kama 79b) que a pessoa que rouba em plena luz do dia demonstra que não tem medo de ninguém, nem de D'us e nem das pessoas, mas a pessoa que furta na calada da noite demonstra que tem medo das pessoas, mas não tem medo de D'us, o que é ainda mais grave. Através da Torá oral, portanto, entendemos um pouco mais a "forma de pensar" de D'us. Isso significa que devemos submeter a nossa forma de pensar à forma de pensar Dele.  
 
Esta "batalha ideológica" tem uma forte implicação na forma como vemos a vida. Para um grego, um milagre é impossível. E se um milagre acontece, é apenas porque ainda não entendemos todos os fatos. Os gregos não aceitam o conceito de Halel, pois não há ninguém a quem agradecer. Tudo é natural, tudo pode ser explicado como sendo fenômenos físicos, químicos e biológicos. Portanto, na Torá escrita, a "Torá do mundo material", não há Halel. O Halel só existe na Torá oral. É através da Torá oral que declaramos que entregamos nossas mentes a D'us, a Força máxima que controla tudo. Desta maneira surge o reconhecimento e o agradecimento.
 
Chanuka é a batalha entre o intelecto independente e o intelecto humilde, submetido a D'us. Expressamos nossa vitória de Chanuka através do Halel e do agradecimento, pois é isso que define Chanuka. Através dos louvores e do agradecimento podemos expressar nossa submissão a D'us, mostrando que Ele é a fonte de todo o entendimento, e não a nossa lógica e razão, que são totalmente limitadas.
 

SHABAT SHALOM E CHANUKA SAMEACH

 

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

NÃO SUBA O PRIMEIRO DEGRAU - SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ VAISHLACH 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ VAISHLACH
  • Yaacov envia mensageiros.
  • Yaacov teve medo e se prepara para o reencontro com Essav.
  • Yaacov fica sozinho.
  • A luta com o anjo.
  • Yaacov encontra Essav.
  • Chegada a Shechem, Diná é sequestrada e desonrada.
  • Shimon e Levi vingam a honra da irmã, Yaacov fica furioso.
  • Yaacov viaja para Beth El.
  • A morte de Rivka e Dvora.
  • D'us muda o nome de Yaacov para Israel.
  • Rachel tem mais um filho: Biniamin.
  • A morte de Rachel e o enterro no caminho, em Beth Lechem.
  • Reuven mexe na cama de seu pai.
  • A morte de Itzchak.
  • A Linhagem de Essav, de Seir e reis de Edom.
BS"D

NÃO SUBA O PRIMEIRO DEGRAU - PARASHÁ VAISHLACH 5782 (19 de novembro de 2021)

                                                                                                

"Certa vez, um interessante caso foi trazido ao Rav Yossef Chaim Sonnenfeld zt"l (Eslováquia, 1848 - Israel, 1932), o Rav de Jerusalém. Reuven havia adquirido um raro objeto, possuidor de uma beleza incomparável. Shimon, seu amigo, pediu para ver o objeto, para também poder apreciar sua beleza. Reuven, por sua vez, não permitiu. Shimon continuou insistindo todos os dias, mas Reuven continuou negando. Shimon, que tinha problemas de saúde, ficou tão chateado com o que estava acontecendo que acabou adoecendo e caindo em um estado de depressão profunda, correndo risco de vida.
 
Os familiares de Shimon ficaram desesperados. Eles procuraram Reuven e pediram para que ele deixasse Shimon dar apenas uma espiada rápida no objeto, para que voltasse ao seu estado normal. No entanto, Reuven continuou impassível, sem dar permissão. A questão foi levada a um Beit Din, para que Reuven fosse obrigado a mostrar o objeto a Shimon, já que estava causando a ele um enorme dano, que poderia levá-lo à morte. Será que o Beit Din deveria obrigar Reuven a mostrar o referido objeto para tirar Shimon daquele estado de depressão? Reuven poderia realmente ser considerado alguém que estava causando danos ao seu companheiro?
 
Um dos rabinos da época disse que achava que sim, e explicou que sua resposta era baseada em uma história trazida pelo Talmud, de um homem que ficou tão obcecado pela beleza de uma mulher a ponto de adoecer por causa disso. A família daquele homem implorou ao Beit Din que permitisse que ao menos a mulher bonita conversasse com aquele homem, separados por uma cortina, mas os rabinos proibiram, devido à falta de recato envolvida. Segundo este rabino, como no caso do objeto não havia nenhum problema de falta de recato, então Reuven deveria ser obrigado a mostrar o objeto para tirar seu amigo daquele estado depressivo. No entanto, quando o caso foi trazido ao Rav Sonnenfeld, ele não concordou com este raciocínio, dizendo que havia uma diferença entre o caso do objeto e o caso da mulher trazido pelo Talmud. No caso do objeto havia outro problema envolvido: a proibição de "não cobiçar". Em um primeiro momento a pessoa quer apenas olhar, mas depois ela também vai querer possuir este objeto, e finalmente fará de tudo para conseguir isso. Como a Torá proíbe a cobiça, então por causa de um "capricho" de Shimon, que estava indo contra uma Mitzvá da Torá, seria correto beneficiar o "infrator" e obrigar Reuven a mostrar o objeto para ele? Segundo o Rav Sonnenfeld, se Shimon ficou doente apenas por Reuven ter recusado mostrar-lhe um objeto, então era ele que precisava trabalhar suas características pessoais para superar sua curiosidade, inveja e cobiça"
 
Os caprichos e desejos de uma pessoa podem fazê-la transgredir todas as Mitzvót da Torá. Por isso, precisamos evitar nos expor às tentações, para nunca entrarmos em um "caminho sem volta".

Nesta semana lemos a Parashá Vaishlach (literalmente "E enviou"), que começa descrevendo a volta de Yaacov, após ter passado 34 anos longe de casa, sendo que 20 deles haviam sido na casa de seu tio Lavan. Foi uma época difícil na vida de Yaacov, pois durante estes 20 anos Lavan tentou enganá-lo uma centena de vezes. Mas D'us o protegeu de todas as trapaças de Lavan. Yaacov havia ido sozinho, apenas como seu cajado, e agora voltava com um verdadeiro acampamento, com quarto esposas, muitos filhos e bens.
 
Yaacov então se preparou para seu reencontro com seu irmão Essav, de quem havia fugido há tantos anos. Ele rezou para D'us e pediu proteção, dividiu o acampamento para que pelo menos parte da família sobrevivesse a um possível confronto sangrento e mandou presentes para acalmar Essav, já que Yaacov sabia do amor que Essav sentia pelas posses materiais. Porém, apesar de Essav estar marchando na direção de Yaacov acompanhado de 400 homens armados, o encontro terminou de maneira amigável, com os irmãos se abraçando.
 
Depois que Yaacov se separou de Essav, ele foi viver por algum tempo na cidade de Shechem. Após ter saído ileso da casa de Lavan e do reencontro com Essav, Yaacov achou que finalmente seus problemas estavam terminados. Mal sabia Yaacov que seus problemas e sofrimentos estavam apenas começando. Diná, filha de Yaacov com Leá, certo dia saiu para conversar com as moças de Shechem. O príncipe da cidade, chamado Shechem, apaixonou-se pela beleza daquela moça forasteira e acabou sequestrando-a. Em um ato de total descontrole, ele a levou ao seu palácio e a desonrou. Depois, arrependido de seu ato animalesco, Shechem pediu ao seu pai, o rei Chamor, que conversasse com a família de Yaacov e propusesse um casamento.
 
Yaacov obviamente não gostou da proposta, e muito menos da forma como as coisas foram feitas. Porém, os que mais tomaram as dores de Diná foram seus irmãos Shimon e Levi. Eles bolaram um plano e propuseram a Shechem que, para permitir o casamento, todos os homens da cidade deveriam fazer Brit Milá. Shechem, que estava apaixonado e já não pensava mais de forma racional, aceitou a proposta e convenceu todos da cidade a fazerem Brit Milá. E, no terceiro dia, o dia em que a pessoa fica mais fraca e dolorida, Shimon e Levi mataram a cidade inteira e resgataram Diná.
 
Há algo que chama a atenção na linguagem do versículo que descreve o regate de Diná: "E mataram, ao fio da espada, Chamor e seu filho Shechem, tiraram Diná da casa de Shechem e partiram" (Bereshit 34:26). Mas a linguagem "Vaikchu" (e tiraram) implica em algo feito à força. Explica o Midrash, em nome de R' Yudin, que os irmãos de Diná tiveram que tirá-la à força da casa de Shechem, já que ela não queria sair de lá.
 
Mas como é possível que Diná, a filha de Yaacov, tenha desejado permanecer na casa de quem a desonrou, a ponto de precisarem tirá-la à força de lá? Como é possível que ela, que cresceu em sua casa cercada de santidade, onde jamais havia presenciado algo dessa natureza, tenha resistido a ser resgatada?
 
Ao refletirmos um pouco, perceberemos que a mesma pergunta se aplica a muitas de nossas atitudes. Se uma pessoa entende que determinado ato é indigno e errado, como pode ser que ela venha a cometer, de forma consciente, este mesmo ato que havia outrora censurado e repudiado?
 
Explica o Rav Yerucham Leibovitz zt"l (Bielorússia, 1873 - 1936) que a resposta está nas palavras do versículo "E (Shechem) apegou sua alma à Diná, a filha de Yaacov, e amou a jovem, e falou ao coração da jovem" (Bereshit 34:3). Daqui podemos aprender um princípio fundamental para as nossas vidas. Há uma força poderosa e assombrosa, que provoca mudanças dentro do ser humano: a força da sedução. Ela exerce um poder tão grande sobre a pessoa que não existe conselho ou medida eficaz capaz de combatê-la. Seu encanto é tão efetivo que leva o homem a contradizer-se várias vezes e, em alguns casos, até mesmo a cometer barbaridades que vão contra a sua índole. Foi esta força que cegou Diná, fazendo com que ela resistisse em ser separada de Shechem. Não está escrito que ele "falou à jovem", e sim que ele "falou ao coração da jovem". A sedução não se efetua através da mente, e sim através do coração.
 
Não devemos pensar que estamos acima desta força tão poderosa, pois todos estão suscetíveis a ela. Até mesmo Adam Harishon, o primeiro homem, sucumbiu diante do feitiço da sedução. Nem mesmo sua grande sabedoria, e nem o ambiente que o rodeava, como anjos no Gan Éden, conseguiram livrá-lo das garras da sedução, que acabou culminando com a transgressão de comer do fruto proibido.
 
Podemos comprovar como a sedução nos vence no dia-a-dia, sem sequer nos darmos conta. Por exemplo, um homem entra em uma loja com a intenção de comprar um tecido para confeccionar um terno. Após avaliar por alguns minutos a mercadoria, ele decide não comprar naquela loja, por não ter encontrado algo do seu gosto ou devido ao alto preço da mercadoria. Quando o vendedor se dá conta que o cliente está de saída, retira do armário uma quantidade variada de tecidos, diferentes dos mostrados anteriormente, estende diante do comprador e diz: "Veja como é bonito este tecido", "Vou te vender por um preço especial", "Somente nesta semana já vendi uma grande quantidade deste tecido", entre outros argumentos. Se estivéssemos ali parados como simples observadores, contemplando esta cena, seguramente diríamos: "São palavras vãs e ineficazes, que têm somente a intenção de seduzir o comprador". Porém, as palavras cumprem eu objetivo, e vemos como o cliente sai da loja com a mercadoria, envergonhado e espantado consigo mesmo, pensando: "Como me convenceram com tanta facilidade?".
 
Esta é a chave para entender muitos erros, nossos e dos nossos antepassados. Sabemos e reconhecemos a gravidade de uma transgressão e a vergonha que nos causará, mas quando o coração é seduzido, tudo é esquecido. Até mesmo gigantes espirituais, como Adam e Diná, acabaram caindo nas redes da sedução.
 
Então qual é o conselho para se proteger da sedução e não se tornar uma presa dela? Nossos sábios ensinam no Talmud (Avodá Zará 58b) que um Nazir, pessoa que fez um voto de se abster de certas coisas, entre elas de beber vinho e comer uva, ao precisar passar perto de um vinhedo, deve dar a volta e não cortar caminho por dentro dele, uma vez que pode vir a ser seduzido a quebrar seu voto. O comportamento do Nazir nos ensina que as transgressões são como uma escada, que é subida de degrau em degrau. Se você não quer chegar lá em cima, não comece a subir no primeiro degrau. Portanto, o único conselho existente para se proteger da sedução é afastar-se totalmente dela. Somente então o homem poderá ficar tranquilo em suas convicções, pois uma vez afastado da sedução, poderá julgar as situações com objetividade, sem estar subornado pelos desejos que cegam o ser humano e o desviam dos seus verdadeiros objetivos.

               

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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