sexta-feira, 23 de setembro de 2022

NÃO SE ACOSTUME - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NITZAVIM 5782 e ROSH HASHANÁ 5783

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PARASHÁ NITZAVIM



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MENSAGEM DA PARASHÁ NITZAVIM / ROSH HASHANÁ

 
ASSUNTOS DA PARASHÁ NITZAVIM
  • Renovação do Pacto.
  • Advertência contra idolatria.
  • Arrependimento e Redenção.
  • A Torá é acessível a todos.
  • Livre-Arbítrio.
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NÃO SE ACOSTUME - PARASHÁ NITZAVIM 5782 e ROSH HASHANÁ 5783 (23/set/22)

"Em uma noite muita fria, Rafael, um homem muito rico, encontrou um mendigo velhinho na rua. Ele se comoveu com o estado daquele homem, que estava sem nenhum agasalho e com os pés descalços. Com um nó na garganta, ele perguntou ao mendigo:

- Você não sente frio aqui fora, sem sapatos e sem casaco?

- Sinto, mas me já me acostumei com isso - disse o mendigo, com um sorriso triste em seu rosto.

- Espere um pouco, acho que eu posso te ajudar. Entrarei em casa agora e trarei um casaco para você. Volto logo! - disse Rafael.

O pobre homem ficou muito feliz e esperançoso. Rafael entrou em casa, acabou se ocupando com os filhos e se esqueceu do mendigo. Logo pela manhã, ao abrir a janela e sentir o frio, Rafael se lembrou do velhinho e saiu para procurá-lo, mas o encontrou morto, com uma carta ao lado que dizia: "Quando eu não usava roupas quentes, eu conseguia lutar contra o frio por estar acostumado. Mas, quando você prometeu me ajudar, eu me apeguei à sua promessa e perdi meu poder de resistir"."

O ser humano tem a capacidade de se acostumar com qualquer situação, para o bem ou para o mal. D'us nos deu esta força para podermos suportar até mesmo as piores dificuldades e situações. Porém, quando mal usada, a capacidade de se acostumar pode nos causar estagnação e queda espiritual.

Nesta semana, no último Shabat do ano, lemos a Parashá Nitzavim (literalmente "Parados, de pé"), que traz as palavras de Moshé em seu último dia de vida. Esta Parashá traz assuntos muito conectados com Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, nossa próxima parada do Calendário Judaico, que começa no próximo domingo de noite. Em Rosh Hashaná somos julgados por tudo o que fizemos durante o ano. Todos os nossos atos, pensamentos e intenções passarão diante de D'us, tanto as boas ações quanto as transgressões, e seremos inscritos de acordo com a maioria dos nossos atos. Aqueles cujos bons atos são mais numerosos que os maus atos são inscritos entre os Tzadikim. Aqueles cujos maus atos são mais numerosos que os bons atos são inscritos entre os Reshaim. Aqueles cujos bons e maus atos estão equilibrados, os "Beinonim", ficam "pendurados" até Yom Kipur, isto é, têm alguns dias para se esforçar e fazer a balança pender para o lado positivo.
 
A Parashá fala, por exemplo, sobre a Mitzvá de Teshuvá, como está escrito: "Pois este mandamento que hoje eu ordeno a vocês não está oculto nem distante. Não está no céu, para que você precise dizer: 'Quem subirá ao céu por nós para buscá-la, para contá-la para nós, para que possamos cumpri-la?'. Nem está além do mar, para que você precise dizer: 'Quem passará para o outro lado do mar por nós e a trará, para nos contar, para que possamos cumpri-la?'. Em vez disso, está muito próxima de você. Está na tua boca e no seu coração, para que você possa cumpri-la" (Devarim 30, 11-14). Porém, como entender estas palavras de Moshé? Por acaso a Mitzvá de Teshuvá é algo fácil? Sentimos o quanto é difícil mudar nossos atos, consertar nossos erros e vícios! Então por que a Torá se refere à Teshuvá como se fosse algo fácil, que está ao nosso alcance?
 
A resposta está em outro versículo interessante da Parashá. Moshé novamente reforça o cuidado com o contato que o povo judeu teria com os habitantes da Terra de Israel, idólatras e imorais, como está escrito: "Pois vocês sabem como viveram na Terra do Egito e como atravessaram diversas nações. Vocês viram suas abominações e seus ídolos repugnantes, de madeira e pedra, de prata e ouro que estavam com eles" (Devarim 29:15-16)

Se prestarmos atenção neste versículo, perceberemos que há alguns detalhes que precisam de um entendimento mais profundo. Por exemplo, está escrito "que estavam com eles" após a prata e o ouro, mas o mesmo não ocorre após a madeira e pedra. Por que esta diferença? Explica Rashi (França 1040 - 1105) que os idólatras deixavam seus ídolos de pedra e de madeira do lado de fora, pois não temiam que fossem roubados. No entanto, em relação aos ídolos feitos de prata e ouro, a Torá descreve que "estavam com eles", isto é, trancados, dentro de seus cofres, porque eles temiam que esses ídolos caros pudessem ser roubados.
 
Isso nos ensina que o nível de honestidade e moralidade daqueles que acreditam nas idolatrias é muito mais baixo. Parte do senso de justiça e moralidade vem justamente do temor a D'us. Quando sabemos que há um Criador, Todo Poderoso, que é a Fonte de toda a moralidade, então sabemos que precisamos seguir Suas regras, entre elas o Mandamento de "Não roubar". Além disso, mesmo quando ninguém está olhando, aquele que tem temor a D'us sabe que Ele está sempre olhando, como ensinam nossos sábios: "Reflita sobre três coisas e você não pecará: Saiba o que há acima de você: um olho que vê, um ouvido que escuta, e todas as suas ações estão escritas em um livro" (Pirkei Avót 2:1).Os idólatras fazem o contrário, pois eles criam seus próprios deuses, de acordo com seus interesses, para que seus deuses cumpram suas vontades, e não para que eles cumpram a vontade de seus deuses. Os deuses de idolatria garantem sucesso, vitória e prazeres, não moralidade.  
 
Outro ponto que nos chama a atenção no versículo é que podemos perceber que a Torá começou se referindo às estátuas de idolatria da forma mais desprezível possível. A palavra "shikutzeichem", que significa "abominações", vem da palavra "sheketz", que significa "répteis", normalmente animais nojentos. A palavra "guiluleichem", que significa "repugnantes", vem de "galal", que significa "excremento". Porém, logo em seguida, a Torá descreve o material com os quais eram feitas as estátuas de idolatria, isto é, madeira e pedra, prata e ouro. Madeira e pedra não soam tão mal, são materiais normais, que fazem parte do nosso cotidiano. Já prata e ouro soam até mesmo atrativos. O que está ocorrendo? Os ídolos são repugnantes, como répteis e excrementos, ou valiosos e desejados, como prata e ouro?

O Rav Yitzchak Zev Soloveitchik zt"l (Bielorússia, 1886 - Israel, 1959), mais conhecido como Brisker Rav, explica que o versículo está ensinando que uma pessoa, ao ver algo abominável, tem uma reação natural imediata de repulsa. Porém, a tendência humana é que, após ver algo abominável por algum tempo, a pessoa acaba se acostumando, não sendo mais tão repugnante aos seus olhos, e começa a ser visto como algo comum, como madeira e pedra. Se a pessoa continuar a ver, vai ficar ainda mais acostumada e, no final, o que ela originalmente achava abominável, será considerado desejável aos seus olhos, como prata e ouro.

Podemos nos acostumar a qualquer situação. Se não conseguíssemos nos acostumar, nos adaptar, não conseguiríamos sobreviver. Os judeus sobreviveram ao inferno nazista, em condições insuportáveis, justamente pelo nossa capacidade de nos acostumarmos. Porém, por outro lado, pode ser bem destrutivo em termos espirituais. Infelizmente podemos acabar nos acostumando a qualquer coisa, e o que era antes asqueroso, pode se tornar algo normal e aceitável.

Isto é o que de fato o Talmud (Shabat 105b) nos ensina: "Este é o modo de trabalho do nosso Yetzer Hará, a nossa má inclinação: hoje ele nos aconselha "faça isso", amanhã nos diz "faça aquilo", até que eventualmente ele nos levará para a idolatria". Se não tomarmos cuidado, a vida torna-se uma ladeira escorregadia. Em cada etapa, a pessoa racionaliza o que originalmente era "impensável". Isso não a incomoda mais e, de fato, se torna o próximo nível, a partir do qual a pessoa afunda cada vez mais, até que chegue a adorar uma idolatria. Isso explica a linguagem da Torá, que diz que a Mitzvá de Teshuvá é algo fácil. Nós é que a tornamos difícil, ao nos acostumarmos com as imoralidades e injustiças.

Atualmente estamos espiritualmente entorpecidos pelo que vemos nos outdoors, nas propagandas dos ônibus e pelo que ouvimos na televisão e no rádio. Se pegarmos uma revista de trinta anos atrás e compararmos com uma de hoje, ficaríamos assombrados com a queda dos valores morais. Há trinta anos muitas coisas eram repulsivas, mas, com o tempo, tornaram-se "madeira e pedra". Ficamos acostumados a isso. Agora já é como "prata e ouro", e aguardamos ansiosamente a próxima edição.

A profissão do momento é ser "influenciador digital". Em geral, são pessoas muito jovens, com pouco conteúdo, mas que se tornaram formadores de opinião, influenciando milhões de pessoas no mundo inteiro e criando um falso senso de necessidade. Eles se dedicam a convencer as pessoas de que elas precisam de algo novo e diferente. Estamos testemunhando uma ofensiva agressiva contra nossos sistemas de valor. Eles tentam mudar os currículos escolares e cortar nosso vínculo com a próxima geração através de um sistema de valores distorcido. As novas gerações acabam aceitando esta nova "realidade" como sendo algo normal e, às vezes, até desejável. Coisas que há pouco tempo eram abomináveis atualmente são ensinadas nas escolas.
 
Rosh Hashaná está se aproximando. Precisamos quebrar nossos hábitos ruins. Mais do que isso, precisamos despertar da nossa sonolência, que nos mantém presos em uma vida de comodismo e aceitação. Precisamos pedir para que D'us nos ilumine, abra nossos olhos, para que possamos enxergar o quão baixo a humanidade chegou. O que era abominável tornou-se desejável, e muitas vezes já faz parte de nossas casas e de nossas vidas. Que possamos fazer Teshuvá, de todos os nossos maus atos e pensamentos, para sermos inscritos entre os Tzadikim, no Livro da Vida. 

SHABAT SHALOM E SHANÁ TOVÁ - QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA 

R' Efraim Birbojm

 
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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

VOCÊ INVESTE NO MATERIAL OU NO ESPIRITUAL? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TAVÔ 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ KI TAVÔ
  • Primeiros Frutos (Bikurim).
  • Declaração pela separação dos Dízimos.
  • Relacionamento de D'us e o povo judeu.
  • O novo pacto: as pedras escritas.
  • Tornando-se uma Nação.
  • A Brachá e a Klalá.
  • A Brachá pela obediência.
  • A Klalá pela desobediência.
  • O Pacto.
  • O discurso final de Moshé.
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VOCÊ INVESTE NO MATERIAL OU NO ESPIRITUAL? - PARASHÁ KI TAVÔ 5782 (16/set/22)

Helena preparou sua mala por muito tempo, mas sua partida foi repentina. Chegando ao seu destino, foi parada na imigração, onde um homem bem vestido questionou sobre o conteúdo da mala. Helena abriu a mala e o homem retirou vestidos e sapatos, todos de grifes famosas, e entregou a uma auxiliar. Ele informou que naquele lugar elas não teriam utilidade. Ela vestiria apenas o que havia construído na vida com suas atitudes.

O homem então tirou da mala dois Iphones, um tablet e um notebook, e também entregou à sua auxiliar, explicando que ali não havia sinal de internet nem de telefone. A comunicação dependia do tipo de pessoa que cada um foi na vida.

O homem continuou sua revista e encontrou duas caixas cheias de maquiagens e cremes. Também entregou à auxiliar, para que ela se desfizesse do material. Helena ficou desesperada, pois como faria para parecer jovem? O homem informou que isso dependeria da pureza de sua alma.

Então, ele tirou da mala uma pasta cheia de papéis. Helena explicou que eram os contratos dos seus bens. Mansões, fazendas e carros importados. O homem explicou que naquele lugar os contratos não valiam nada e jogou os papéis no lixo. Helena ficou desesperada, sem saber onde iria morar. O homem respondeu que o lugar onde ela moraria dependia de como ela havia tratado seus familiares.

O homem pegou três porta-joias. Eram milhões em ouro e pedras preciosas, mas o homem explicou que naquele lugar o conceito de "precioso" tinha outro significado. Ele, então, pegou um pacote cheio de dinheiro e disse que naquele lugar a moeda era outra. Aqueles milhões não valiam nada agora. O homem jogou todo aquele dinheiro na lata do lixo. Como a mulher se sustentaria? De acordo com sua riqueza de espírito.

O homem, então, percebeu que a mala estava vazia. Faltavam algumas coisas básicas para sobrevivência naquele novo local, como amor ao próximo e arrependimento. Helena ficou revoltada. Havia feito de tudo para conseguir construir seu patrimônio. Aturou pessoas insuportáveis, abdicou de sua família e investiu quase toda a sua vida, e agora aquele homem dizia que de nada valeu! Ficou ainda mais irritada quando escutou que naquele lugar os valores que importavam eram os valores morais. Perguntou que lugar era aquele. O homem apontou para uma placa no caminho, que dizia: "Bem-vindos ao Céu".

Foi então que Helena caiu aos prantos. Ela conseguiu entender que mais do que um corpo bonito é preciso ter uma alma bela, e mais importante do que ter muito dinheiro é não ser pobre de espírito, pois, quando partimos dessa vida, o que vai com a gente não é o que carregamos no bolso, e sim no coração.

Nesta semana lemos a Parashá Ki Tavô (literalmente "Quando vocês vierem"), que traz os últimos ensinamentos de Moshé, inclusive a repetição das Brachót e Klalót (maldições) que já haviam sido ensinadas na Parashá Bechukotai. Mas há algo muito interessante nesta repetição, pois Moshé nos acrescenta um motivo pelo qual estas Klalót podem recair sobre o povo judeu: "Pelo fato de vocês não terem servido a Hashem, teu D'us, com alegria e bom coração, mesmo com fartura" (Devarim 28:47). É compreensível alguém não conseguir fazer bem seu serviço espiritual em épocas de dificuldade, mas as épocas de tranquilidade e fartura são momentos de cobrança. Como fazemos para alcançar este nível elevado de servir a D'us com alegria?
 
A resposta está em um profundo ensinamento do Rabeinu Yona zt"l (Espanha, século 12) , em seu livro "Shaarei Teshuvá". Assim ele escreve: "E saibam que a alma do perverso, cujo desejo em vida são as coisas do corpo, cujo desejo é separado do serviço ao Criador e removido de suas raízes, descerá em sua morte ao solo, ao lugar do seu desejo. E seu destino será como a natureza do solo, isto é, descer e não subir". A que tipo de perverso o Rabeinu Yona se refere?

Explica o Rav Elyahu Lopian zt"l (Polônia, 1876 - Israel, 1970) que, se pararmos para refletir, perceberemos que certamente o Rabeinu Yona não está se referindo aos Reshaim Gmurim (completamente perversos), aqueles que absolutamente não se ocupam do Serviço a D'us, pois sobre eles é desnecessário se alongar e descrever seu triste fim. As palavras do Rabeinu Yona se referem às pessoas que podemos nos enganar em relação a elas e pensar que são pessoas retas, por se tratarem de pessoas que cumprem Mitzvót e rezam três vezes por dia. Apesar de servirem a D'us, fazem isso na categoria de "Mitzvót Anashim Melumadá", isto é, no "piloto automático". Elas rezam, cumprem Mitzvót e estudam Torá da mesma maneira que faziam em sua infância. Da mesma forma que naquela época só pensavam em diversões e vanidades, e cumpriam as Mitzvót apenas pelo medo do castigo ou para rapidamente tirar o "peso" das costas, assim continuam pelo resto de suas vidas. São pessoas que continuam focando apenas nas diversões, ocupadas com as vanidades do mundo material, e apenas ocasionalmente fazem Mitzvót e bons atos. Suas Tefilót e Brachót são feitas sem nenhuma atenção e Kavaná, apenas como um hábito, uma segunda natureza.

Viver a vida em "piloto automático" infelizmente nos tira da categoria de seres humanos. Animais também podem ser ensinados e adestrados para executar diferentes atividades. Do ser humano, o ápice de toda a criação, espera-se muito mais do que isso. Por ser o único que pode escolher entre o bem e o mal, é exigido que um ser humano faça seus atos de forma pensada, sem ser movido apenas pelo hábito.
 
Porém, talvez a pior faceta daquele que cumpre as Mitzvót apenas pelos hábitos é que, no momento em que ele se dedica à Torá e às Mitzvót, o faz sem vontade e atenção. Porém, os assuntos do mundo material, como comida, bebida e outros prazeres, recebem sua atenção total. Enquanto no mundo espiritual esta pessoa se contenta com pouco, em relação ao mundo material ela se esforça, nos seus pensamentos e atos, para chegar ao máximo. Cada aquisição material é comemorada. As joias, carros e propriedades são seu objetivo de vida, e neles ele investe de forma incansável. É a isso que se refere o Rabeinu Yoná ao dizer "E saibam que a alma do perverso, cujo desejo em vida é pelas coisas do corpo, cujo desejo é separado do Serviço ao Criador".

A criação do ser humano se assemelha a uma árvore que nasceu a partir de uma semente enterrada no solo. Quando D'us criou o ser humano, "plantou" dentro do seu corpo material, feito do pó da terra, uma alma. Enquanto o corpo material tem suas raízes conectadas com a terra, a alma tem suas raízes conectadas com os mundos superiores, os mundos espirituais. Portanto, o ser humano está conectado a dois opostos. Quando ele se comporta de maneira adequada, de acordo com os ensinamentos da Torá, ele reforça suas raízes espirituais, e as raízes materiais praticamente se anulam. A pessoa se eleva e a fonte da sua vitalidade e dos seus prazeres é o mundo espiritual. Porém, quando a pessoa se inclina para o lado material, ela enfraquece suas raízes espirituais, que acabam se anulando perante as raízes materiais, e os únicos desejos passam as ser os prazeres materiais. Desta forma, as atividades espirituais serão feitas sem nenhuma vontade nem vitalidade, e a pessoa não sentirá nenhum prazer com elas.
 
Normalmente este perverso acaba tropeçando em transgressões graves e, com isso, acaba causando uma interrupção total entre as raízes da sua alma e os mundos superiores. É a isso que a Torá se refere quando fala sobre o castigo de "Caret", que significa literalmente "corte", e se refere a um desligamento espiritual. E pelo fato de ter se desconectado do mundo espiritual, fortalece ainda mais o envolvimento com o mundo material.
 
A pessoa que anda por um caminho reto, conectado de forma forte e consistente com suas raízes espirituais, pelo fato de lá ser "o lugar da força e da alegria" (Divrei Haiamim 16:27), estará sempre imersa em alegrias, em especial nos momentos em que estiver servindo a D'us, através do estudo da Torá, da Tefilá ou do cumprimento das Mitzvót, como nos ensinou David HaMelech: "Os comandos de D'us são corretos e alegram o coração" (Tehilim 19:9). Já o contrário acontece com aqueles que se afundam no mar dos desejos materiais, pois desta maneira eles se desconectam das raízes espirituais. Estas pessoas nunca conseguirão saciar seus desejos, e estarão sempre imerso em tristeza e descontentamento, por não ter alcançado o que tanto buscavam e pela preocupação com as coisas que desejam alcançar no futuro.
 
A alegria é adquirida através da Emuná, pois é a Emuná que nos conecta com D'us. Quando a pessoa confia plenamente em D'us, não tem mais motivos para se preocupar com o futuro nem sofrer pelo passado. Portanto, aqueles que estão conectados com D'us vivem com serenidade, todos os dias de suas vidas, mesmo nos momentos em que surgem dificuldades.
 
O que deve fazer alguém que já caiu nas redes dos desejos e do Yetser Hará (má inclinação)? Nossos sábios já nos ensinaram a solução: "E disse D'us ao povo judeu: 'Eu criei o Yetser Hará, e Eu criei a Torá como um antídoto contra ele'". O estudo da Torá conserta as raízes que foram desconectadas, como está escrito: "Pois o Seu orvalho é um orvalho de luzes" (Yeshayahu 26:19). O Talmud (Ketubót 111b) aprende deste versículo que todo aquele que utiliza a luz da Torá, a luz da Torá o revive. Se mesmo depois da morte a luz da Torá tem força para reviver os mortos, muito mais reviver aqueles que ainda estão vivos. É apenas através da Torá que a pessoa reconstrói suas conexões espirituais e dá de volta à sua alma a verdadeira vitalidade. 

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