terça-feira, 26 de maio de 2020

CRESCENDO NAS MITZVÓT - SHABAT SHALOM M@IL - SHAVUÓT 5778

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CRESCENDO NAS MITZVÓT - SHAVUÓT 5778 (29 de maio de 2020)

"O rabino Yona Emanuel sobreviveu aos horrores do Holocausto. Quando criança, ele passou pelo Campo de Concentração de Bergen Belzen, com sua mãe e sua irmãzinha de 4 anos de idade. No dia de Tishá Be Av, 10 meses antes da libertação do Campo, todos os prisioneiros judeus receberam uma dura punição coletiva, um dia inteiro sem comida, pois um dos prisioneiros havia colocado fogo em um colchão. Desesperada, a Sra. Emanuel conseguiu um pouco de comida para a filha, que já estava desnutrida e com o peso de uma criança de 1 ano de idade. Como precisava cozinhar, ela fez uma pequena fogueira com palha. Infelizmente ela foi descoberta por um soldado nazista e foi levada à julgamento, na véspera do Shabat.

Os julgamentos no Campo de Concentração eram feitos pelos próprios prisioneiros judeus. Três judeus eram juízes e precisavam julgar de acordo com as leis do Campo. Além disso, outros judeus participavam do julgamento, um como advogado de acusação, outro como advogado de defesa e um como escrivão. Os nazistas vinham assistir o julgamento para se divertir, pois caso a pena fosse muito leve, os juízes e o advogado de acusação eram castigados. Por isso, os julgamentos costumavam demorar muitas horas. Além disso, o acusado tinha "direito" de pedir clemência no final e, dependendo do humor dos nazistas, podia ter sua pena reduzida.

Porém, o julgamento da Sra. Emanuel foi muito rápido, diferente do que normalmente acontecia. Seu filho quis saber qual havia sido o veredicto. Com tristeza, ela disse que havia sido condenada a ficar dois dias sem receber comida. Ele então questionou o motivo pelo qual o julgamento havia sido tão rápido. A mãe respondeu que quase não havia argumentado e que não havia pedido misericórdia no final. O filho ficou desesperado com o que escutou. Se ela tivesse pedido misericórdia, talvez teriam diminuído sua pena! Seu "crime" havia sido cozinhar para uma criança de 4 anos subnutrida! Por que não havia feito isto? Ela então explicou:

- Filho, quando o julgamento terminou, o Shabat já tinha começado. O escrivão era judeu. Se eu pedisse misericórdia, o julgamento recomeçaria e ele precisaria escrever cada palavra que eu dissesse. Por isso, fiquei em silêncio, para que o julgamento acabasse rapidamente e ele pudesse parar de escrever."

Um judeu está disposto a ficar 2 dias sem comida para que outro judeu não quebre o Shabat. Este é o nível incrível que podemos chegar no nosso amor pelas Mitzvót.
Estamos chegando à nossa próxima parada importante no Calendário Judaico: a Festa de Shavuót, também conhecida como "Chag Matan Torá", data na qual revivemos a entrega da Torá no Monte Sinai, que ocorreu há mais de 3.300 anos. Mas o que significa "reviver a entrega da Torá"? Se a Torá já foi entregue, o que ainda falta recebermos? Se já cumprimos as Mitzvót, o que podemos pensar em fazer a mais?

Além disso, ao refletirmos sobre o momento da revelação de D'us no Monte Sinai, surge um grande questionamento. Antes de Moshé subir para receber a Torá, com todas as suas Mitzvót e detalhes, D'us pronunciou os 10 Mandamentos. Isto significa que aquelas eram as informações mais importantes que o povo judeu precisava escutar naquele momento. Porém, na primeira e única vez na história da humanidade na qual D'us revelou-se pessoalmente a um povo inteiro, um evento incrível, Ele não falou sobre coisas elevadas, como os profundos segredos da Kabalá. O que Ele nos transmitiu? "Não matarás", "Não roubarás", "Não cometerás adultério". Isto era o mais importante que D'us tinha para nos transmitir? Após 49 dias de preparação espiritual, era só isto que D'us esperava do povo judeu? Será que a Torá foi entregue para um bando de selvagens bárbaros, cuja prioridade de D'us foi adverti-los contra o assassinato e a imoralidade?

Por exemplo, se escutássemos o diretor de uma escola entrando em uma classe e falando aos alunos: "Amanhã receberemos a visita de um importante rabino. Por favor, não cuspam nele e nem joguem as carteiras escolares na cabeça dele", não teríamos certeza de que trata-se de uma classe com crianças terríveis e problemáticas? Não foi isto que ocorreu quando D'us escolheu, como primeira lição, nos proibir de coisas tão graves e pesadas?

Explica o Rav Shlomo Levenstein que a resposta está em um pequeno detalhe que quase passa despercebido pela maioria das pessoas. Em toda a Torá existem os "Taamei HaMikrá", isto é, os "sinais de melodia" com os quais a Torá é lida em público. Cada versículo da Torá tem os seus "Taamim", que fazem parte da transmissão oral da Torá. Há somente um lugar da Torá onde há dois tipos de "Taamim", um "Taam Tachton" (melodia baixa) e um "Taam Elion" (melodia alta), que é justamente no trecho da Torá que descreve os 10 Mandamentos. De acordo com alguns costumes, na leitura dos 10 Mandamentos que fazemos durante o ano, nas Parashiót Itró e Vaetchanan, utilizamos o "Taam Tachton". Porém, quando a mesma leitura é feita em Shavuót, é utilizado o "Taam Elion". Por que são necessários dois Taamim diferentes? E por que justamente nos 10 Mandamentos?

A resposta é que, quando D'us entregou os 10 Mandamentos para o povo judeu, Ele entregou dois tipos de 10 Mandamentos. Existem os 10 Mandamentos com "Taam Tachton", isto é, o cumprimento mais básico das Mitzvót da Torá, e os 10 Mandamentos com "Taam Elion", isto é, o cumprimento de maneira mais elevada e refinada das Mitzvót da Torá.

Por exemplo, a Torá nos comandou, no 4º Mandamento, a "Lembrar do dia do Shabat para santificá-lo". Qual é o "Taam Tachton" desta Mitzvá? É respeitarmos as leis do Shabat, não acendendo a luz, não utilizando aparelhos eletrônicos e não fazendo qualquer uma das 39 categorias de atividades construtivas proibidas no Shabat. Porém, também temos o "Taam Elion" desta Mitzvá, que é a pessoa também honrar o Shabat, vestindo-se com roupas mais bonitas, cantando com alegria e falando palavras de Torá, e não discussões sobre política e futebol, na mesa de Shabat. E há um "Taam Elion" ainda maior, que é importar-se também com o Shabat dos outros.

A Torá também nos comandou, no 5º Mandamento, a "Honrar o pai e a mãe". "O Taam Tachton" é respeitar os pais e nunca falar de forma ríspida com eles. Porém, também há um "Taam Elion". De acordo com o Rav 
Avraham Danzig zt"l (Polônia, 1748 - Lituânia, 1820), um judeu está obrigado a, durante toda a sua vida, ver seus pais como se fossem pessoas muito grandes e honradas. Um filho que pensa "Tem gente com pais tão bacanas, por que os meus não são assim?", mesmo que não expresse este sentimento, certamente não está cumprindo a Mitzvá de honrar os pais de forma elevada.

Outra Mitzvá da Torá, descrita no 6º Mandamento, é o "Não assassinarás". O "Taam Tachton" é obviamente não matar outra pessoa, respeitando a vida, sendo cuidadoso ao volante, levando sempre em consideração que qualquer descuido pode causar mortes. Porém, há ainda um "Taam Elion". A Torá considera o ato de envergonhar o próximo em público como um ato de assassinato, conforme ensinam os nossos sábios do Talmud (Baba Metsia 58b): "Aquele que envergonha seu companheiro em público é como se tivesse derramado seu sangue". O Talmud (Ketubot 67b) também ensina que "É melhor para a pessoa se jogar em uma fornalha do que envergonhar o próximo em público". Temos que tomar cuidado com a honra dos outros, com brincadeiras e apelidos que podem destruir a autoestima das pessoas. Portanto, "bullying" não é algo novo, já estava proibido pela Torá há mais de 3.300 anos, sendo considerado uma forma de assassinato.

A Torá também nos comandou, no 8º Mandamento, o "Não roubarás". Na realidade, Rashi explica que este Mandamento se aplica à proibição de sequestrar uma pessoa. Este seria o "Taam Tachton" da Mitzvá, não sequestrar um bebê que está em um carrinho ao lado de sua mãe desatenta. Porém, também há um "Taam Elion", que inclui atos de honestidade, como não enganar os clientes e não ser desonesto com o nosso empregador, cumprindo os horários de trabalho sem se envolver em assuntos pessoais mesmo quando o chefe não está presente. Também se aplica a não usarmos objetos dos outros sem permissão, o que também é considerado roubo. Um nível ainda mais elevado é não enganar uma pessoa ou dar uma falsa impressão de que somos zelosos com as Mitzvót quando na verdade não somos, pois isto é considerado "roubar o pensamento" do próximo.

Na realidade, as 613 Mitzvót da Torá estão contidas nos 10 Mandamentos e, portanto, em todas as Mitzvót há um "Taam Tachton", uma forma mais básica de cumpri-las, mas também há um "Taam Elion". E o "Taam Elion" não tem nenhum limite máximo, pois sempre é possível melhorar e refinar a forma como cumprimos as Mitzvót.

Portanto, Shavuót significa receber de novo a Torá, mas desta vez em um nível maior. Mesmo que já cumprimos as Mitzvót, quando vamos subir de nível? Fazemos Tefilá com Minian, mas quando começaremos a chegar na hora na sinagoga? Quando conseguiremos não falar Lashon Hará e controlar nosso nervosismo?

D'us prometeu ao povo judeu muitas Brachót, mas de maneira condicional: "Se vocês andarem nas Minhas Mitzvót" (Vayikrá 26:3). Por que está escrito "andarem nas Mitzvót" e não "cumprirem as Mitzvót"? Pois D'us não espera de nós apenas o cumprimento das Mitzvót da mesma maneira, anos após ano. Podemos cumprir Mitzvót o dia inteiro, mas ainda assim da mesma forma como cumpríamos na época do nosso Bar Mitzvá. Temos que crescer na vida, este é o nosso trabalho. Estamos vivos, não podemos continuar sempre no mesmo nível. Temos que almejar chegar ao "Taam Elion" de todas as Mitzvót. Temos que andar nas Mitzvót, não podemos ficar parados, não é uma opção. Isto é Shavuót: crescer nas Mitzvót, de "Taam Tachton" para "Taam Elion", de pessoas comuns para, futuramente, verdadeiros anjos.
 
CHAG SAMEACH E SHABAT SHALOM
 
R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 21 de maio de 2020

FILHOS ESPIRITUAIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BAMIDBAR 5780

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ASSUNTOS DA PARASHAT
- O comando do censo do povo judeu (20 a 60 anos)
- Escolha dos líderes de cada Tribo.
- Início do censo por Tribos.
- Os Leviim.
- O acampamento: Yehudá a Leste, Reuven para o Sul.
- O Mishkan durante as viagens.
- Efraim a Oeste, Dan ao Norte.
- Total.
- Genealogia de Moshé e Aharon.
- Status dos Leviim.
- Censo dos Leviim: Guershon, Kehat e Merari.
- Censo dos Primogênitos.
- Substituindo os Primogênitos pelos Leviim (Redenção dos Primogênitos).
- Funções para Kehat: carregar utensílios do Mishkan.
- Precauções para os Kehatim.
FILHOS ESPIRITUAIS - PARASHAT BAMIDBAR 5780 (22 de maio de 2020)

Elisha vivia em Israel e trabalhava com jovens imigrantes afastados da Torá, em um programa para aproximá-los do judaísmo. Certa vez, voltando de uma viagem, começou a refletir. Seu trabalho era pesado, horas de dedicação diária, mas poucos realmente conseguiam mudar de vida. Será que valia a pena todo aquele esforço?

Na metade do caminho, subiu no ônibus um senhor distinto, de barba branca, chapéu preto e casaco preto longo. Parecia ser alguém importante. Ele sentou-se ao lado de Elisha e começaram a conversar. No meio da conversa, perguntou a Elisha com o que ele trabalhava. Elisha contou sobre o trabalho com os jovens e as dificuldades que vinha encontrando. O senhor ficou em silêncio por um momento e, depois de uma pausa, disse com um sorriso:

- No próximo mês eu vou me aposentar do meu cargo de Dayan (Juiz do Tribunal Rabínico). Eu trabalho com isso há 25 anos. Mas não pense que eu sempre fui assim. Eu não cresci em um lar religioso. Meus pais eram sobreviventes do Holocausto e não tinham a capacidade emocional de me dar a atenção que eu precisava. Eu praticamente cresci na rua e estava prestes a me tornar um marginal, pois andava com más influências. Perto da minha casa havia uma sinagoga e, ao lado dela, havia um campo de futebol, onde eu passava bastante tempo com os meus amigos. Certa vez estávamos jogando em pleno Shabat, quando eu tinha 14 anos. Eu chutei a bola com tanta força que ela não apenas caiu no pátio da sinagoga, mas atingiu em cheio o rabino, que estava saindo. Com o forte impacto, o rabino caiu no chão e seu chapéu voou. Meus amigos e eu demos gargalhada daquela cena.

- O rabino pegou o chapéu do chão e caminhou na minha direção - continuou o senhor - Eu estava esperando uma enorme bronca e, por isso, antes que ele pudesse abrir a boca, eu disse de maneira desrespeitosa: "Shabat Shalom, rabino. O senhor veio fazer Kidush para nós ou juntar-se ao nosso jogo?". Mas, ao contrário do que eu imaginava, o rabino não ficou nervoso. Ele olhou para mim e perguntou: "Onde estão seus pais?". Eu respondi ironicamente "Eles estão mortos". O rabino então me convidou para ir à sua casa. Não sei por que, mas aceitei. Talvez porque estava pensando nas piadas que contaria aos meus amigos quando voltasse. Chegamos à casa dele, ele fez Kidush e me perguntou se eu estava com fome. Quando respondi que sim, o rabino fez um sinal para sua esposa e mais um prato foi colocado à mesa. Me trouxeram comida e comi como se não visse comida há dias. O rabino comeu pouco e disse algumas palavras de Torá. Anos mais tarde, entendi que tinha comido a porção dele.

- Quando terminei de comer, o rabino me perguntou se eu estava cansado - o senhor contava, emocionado - Respondi que estava exausto. O rabino me ofereceu uma cama e eu imediatamente adormeci. Quando acordei, já era Motzei Shabat. O rabino me perguntou o que eu iria fazer. Respondi que adoraria ir ao cinema, mas que não tinha dinheiro para o ingresso. O rabino perguntou quanto custava, foi ao seu quarto e voltou com aquela quantia. Ele se despediu de mim, mas disse: "Volte amanhã". Voltei no dia seguinte, e no próximo, e também no próximo. Comi e ganhei dinheiro para o cinema dia após dia. Acabei descobrindo que haviam outras 12 crianças que, como eu, foram tiradas da rua e recebiam comida. Comecei a me apegar muito a ele. Ele começou a me ensinar sobre judaísmo e, como eu não queria ser ingrato, ouvia com atenção. Ele me comprou um par de Tefilin e sentou-se para estudar comigo. Graças a ele, finalmente fui a uma Yeshivá. Anos mais tarde recebi a ordenação rabínica e, como você pode ver, tornei-me Dayan. Ele fez o meu casamento, dos meus filhos e foi o Sandak do meu neto.

Quando o ônibus estava chegando, o senhor terminou sua história e concluiu: "Não desista do seu trabalho. Veja onde eu comecei e o que eu me tornei. Você precisa apenas amar seus alunos. Ame-os como se fossem seus próprios filhos, e então você terá sucesso". As pessoas começaram a se preparar para descer do ônibus e Elisha conseguiu fazer uma última pergunta antes de se despedir: "Espere, qual era o nome do rabino que o recebeu em casa?". O senhor respondeu, com um enorme sorriso: "O nome dele é Rav Ovadia Yosef zt"l".
Nesta semana começamos o quarto livro da Torá, Bamidbar, que descreve muitos acontecimentos importantes que ocorreram durante os 40 anos em que o povo judeu permaneceu no deserto. E a Parashat desta semana, Bamidbar (literalmente "No deserto"), começa com uma contagem do povo, feita por Tribos. A Tribo de Levi foi contada separadamente, por ser a "legião especial de D'us".

A Parashat também descreve a família de Aharon, o Cohen Gadol, como está escrito: "Estes são os descendentes de Aharon e Moshé, no dia em que D'us falou com Moshé no Monte Sinai. E estes são os nomes dos filhos de Aharon: Nadav, o primogênito, Avihu, Elazar e Itamar" (Bamidbar 3:1,2). Se prestarmos atenção, o versículo começa falando sobre os descendentes de Aharon e Moshé, mas termina falando só sobre os filhos de Aharon. Se a intenção do versículo era apenas listar os filhos de Aharon, por que o nome de Moshé também foi incluído?

Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que este versículo vem nos ensinar que aquele que ensina Torá ao filho do seu companheiro é considerado como se o tivesse dado à luz. Como foi Moshé quem ensinou Torá aos filhos de Aharon, o versículo considera como se eles também fossem filhos de Moshé. Porém, qual é a relação entre ensinar Torá a uma pessoa e dar à luz uma criança?

Há um ensinamento interessante que nos ajuda a responder esta pergunta. O Talmud, em especial no Tratado de Baba Metsia, nos ensina sobre a incrível Mitzvá da Torá de devolver ao dono um objeto perdido que nós encontramos, indo contra o famoso ditado popular "achado não é roubado". Isto representa uma enorme demonstração de preocupação com o próximo. Devolvemos o objeto encontrado pois ele não é nosso, e também porque sentimos a dor daquele que perdeu. O Talmud (Baba Metsia 33a) então levanta um questionamento: se uma pessoa encontra dois objetos perdidos, um que pertence ao seu pai e outro que pertence ao rabino que o ensina Torá, para qual dos dois a pessoa tem a prioridade de devolver? Certamente o mais lógico seria pensar que a prioridade é devolver o objeto ao pai, pois há uma Mitvzá na Torá de honrarmos nossos pais. Porém, para a nossa surpresa, a resposta do Talmud é que a prioridade é devolver o objeto ao rabino que nos ensina Torá.

Mas como entender este ensinamento do Talmud? Por que é mais importante devolver primeiro o objeto ao rabino e não ao pai, aquele que nos deu a vida? A resposta é que obviamente devemos honrar e cuidar dos nossos pais, em um ato de profundo Akarat HaTov (reconhecimento) por todas as coisas boas que eles nos deram, em especial pelo dom da vida. Porém, sabemos que esta vida não é a vida verdadeira, é apenas uma preparação para a vida real, a vida eterna no Olam Habá, conforme ensinam os nossos sábios: "Este mundo é um corredor diante do Mundo Vindouro. Prepare-se no corredor antes de entrar no palácio" (Pirkei Avót 4:21). E qual é a "chave" para entrar no Mundo Vindouro? O estudo e o cumprimento da Torá. Portanto, apesar de todo o reconhecimento que devemos ter pelos nossos pais, que nos trouxeram para este mundo, devemos ter um sentimento de Akarat HaTov ainda mais profundo por aqueles que contribuem para que possamos chegar ao Olam Habá.

De acordo com o Rav Israel Meir HaCohen zt"l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido Chafetz Chaim, este princípio ensinado por Rashi nos ensina o quão gigantesca é a Mitzvá de ensinar Torá aos outros, em especial para pessoas que estão afastadas e não estudariam de outra maneira. Isto é considerado um dos maiores atos de Chessed, pois dar a uma pessoa a possibilidade de adquirir seu Mundo Vindouro é maior do que que qualquer coisa que possamos dar para alguém neste mundo. O Chafetz Chaim citava um Midrash que diz: "Se você encontrar uma pessoa que não estudou Torá, traga-a para sua casa, ensine-a a recitar o Shemá e a Amidá. Ensine a ela um versículo ou uma Halachá todos os dias e encoraje-a a cumprir as Mitzvót, pois não há ninguém mais desnudo do que aquele que não tem conhecimentos de Torá e o mérito de cumprir Mitzvót".

O Chafetz Chaim ressalta que o Midrash utiliza a linguagem "desnudo" para se referir àquele que não tem méritos espirituais. Da mesma forma que somos obrigados a fornecer roupas para aquele que está fisicamente necessitando de algo que cubra seu corpo, muito maior é a nossa obrigação de ajudar a fornecer "roupas espirituais" para aqueles que estão desnudos de méritos de Torá.

Na época dos Tanaim, os sábios que escreveram as Mishnaiót, havia uma grande discussão se todos deveriam ser aceitos no Beit Midrash (Centro de estudos de Torá). Um dos rabinos sustentava que apenas aqueles realmente comprometidos com a Torá deveriam entrar para estudar. Porém, os outros rabinos discordavam dele e opinavam que o Beit Midrash deveria estar aberto a todos aqueles que tivessem vontade de vir estudar Torá, conforme ensinam nossos sábios "Tenha muitos alunos de Torá" (Pirkei Avót 1:1), isto é, ensine Torá para todos a quem puder. E assim ensina o Midrash: "Beit Hilel dizia: 'A pessoa deve ensinar Torá a todos. Pois houveram muitos transgressores a quem foi ensinado Torá e cujos descendentes foram Tzadikim'". Isto quer dizer que a Torá não apenas mudou a vida das pessoas que cometiam maus atos, mas também a vida de seus futuros descendentes.

Nem todos podem ser professores de Torá. Porém, não estamos isentos de nos preocuparmos com a espiritualidade dos outros. Pequenos atos podem mudar a vida de outras pessoas. Por exemplo, convidar uma pessoa afastada para um Shabat em nossas casas ou para assistir conosco um Shiur de Torá, ou até mesmo repassar aos outros mensagens de Torá que recebemos. Estas atitudes são grandes Mitzvót que não exigem nenhum tipo de conhecimento, exigem apenas o sentimento de preocupação com o próximo. Ensinando Torá ao próximo, estamos dando a ele vida eterna. Aquele que aproxima quem está afastado de D'us demonstra seu verdadeiro amor pela Torá e pelas Mitzvót. Já aquele que se preocupa apenas com a sua própria espiritualidade demonstra que, infelizmente, não entendeu o propósito da vida.
 
SHABAT SHALOM
 
R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 14 de maio de 2020

MANTENHA SUA PALAVRA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5780

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PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5780:

São Paulo: 17h12                   Rio de Janeiro: 17h00
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ASSUNTOS DAS PARASHIÓT
BEHAR
- Shmitá (O Ano Sabático).
- Yovel (Jubileu) e o toque do Shofar em Yom Kipur.
- Proibição de causar sofrimento (Onaát Mamon e Onaat Devarim).
- Venda e Resgate da terra em Israel.
- Casas em cidades muradas.
- Casas nas Cidades dos Leviim.
- Ajuda aos necessitados.
- Leis dos escravos.
- Resgate dos Escravos que estão nas mãos de Goim. 







BECHUKOTAI
- Recompensas pela obediência.
- Advertência e Passos de afastamento espiritual:
1) Não estudar
2) Não cumprir
3) Desrespeitar quem cumpre
4) Odiar os sábios
5) Impedir outros de cumprirem
6) Negar Divindade das Mitzvót
7) Negar Hashem.

- Punições por desobediência (5 séries de advertências).
- Destruição e arrependimento.
- Conclusão das advertências e consolo.
- Avaliações de doações ao Kodesh.
- Doações de animais e imóveis para o Mishkan e possível resgate.
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MANTENHA SUA PALAVRA - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5780 (15 de maio de 2020)

"O Rav Yehuda Zev Segal zt"l (Inglaterra, 1910 - 1993), Rosh Yeshivá (Diretor espiritual) de Manchester, tinha um aluno que era muito próximo dele. Este rapaz acabou ficando noivo de uma moça canadense e o casamento seria realizado em Montreal. O rabino recebeu seu convite junto com uma passagem, para que pudesse estar presente naquela enorme alegria. Seu aluno também organizou para que o rabino ficasse hospedado na casa de Yoni, um primo da noiva.

Finalmente o dia do casamento chegou e todos estavam radiantes de felicidade. Porém, um problema técnico fez com que o casamento sofresse um grande atraso. Ao invés de começar às 20h00, conforme estava programado, a cerimônia começou somente às 22h00. Logo após a cerimônia, quando a festa mal havia começado, o Rav Segal perguntou para Yoni se ele poderia levá-lo de volta para casa. Yoni ficou chocado com aquele pedido. O rabino havia feito uma viagem tão longa para ficar apenas poucos minutos na festa? Porém, em respeito ao rabino, não comentou nada. Quando chegaram em casa, Yoni ficou ainda mais confuso. O rabino pediu para que ele voltasse para a festa, pois como era parente da família, tinha a grande Mitzvá de alegrar o noivo e a noiva. Yoni fez o que o rabino havia pedido, mas ficou incomodado com a atitude dele.

Na manhã seguinte, o Rav Segal perguntou a Yoni se ele havia estranhado sua atitude na noite anterior. Um pouco envergonhado, Yoni confessou que havia estranhado o fato de ele ter viajado de tão longe apenas para participar do casamento, mas ter ficado tão pouco tempo na festa. O Rav Segal então explicou:

- Você se lembra o que aconteceu ontem de noite, quando estávamos saindo de casa para ir ao casamento? Seu filho pequeno perguntou que horas você voltaria para casa. Você então falou para ele deitar cedo e disse que ele não precisava se preocupar, pois até meia noite haveria alguém em casa. Quando vi que você não voltaria até o horário combinado com o seu filho, por causa do atraso no casamento, eu pedi para voltar, pois caso eu não tivesse voltado, você teria dito uma mentira para ele".

Este é o nível de preocupação que devemos ter com os nossos compromissos. Não manter nossa palavra parece algo normal e aceitável, mas é grave. Palavra é palavra, e precisamos fazer de tudo para mantê-la.
Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Behar (literalmente "No Monte") e Bechukotai (literalmente "Nos Meus decretos"). A Parashat Behar descreve uma das Mitzvót mais emblemáticas da Torá: a Shemitá, o ano Sabático, no qual as terras em Israel não podem ser cultivadas e todas as atividades agrícolas são interrompidas. Já a Parashat Bechukotai traz as Brachót que recaem sobre o povo judeu quando estamos conectados com a Torá, mas também as Klalót (maldições) que recaem caso o povo se afaste dos caminhos de espiritualidade.

No final da Parashat Bechukotai, a Torá traz um assunto muito interessante: a doação de presentes para D'us. Por exemplo, a pessoa poderia doar voluntariamente ao Mishkan (Templo Móvel) o seu próprio valor ou o valor de outra pessoa, e isto era avaliado através de uma certa quantidade de moedas de prata. Esta doação era então encaminhada aos tesouros do Templo e era utilizada na realização dos Serviços espirituais ou em serviços de manutenção. E assim a Torá descreve esta promessa de doação: "Um homem que fizer uma promessa em relação à doação do valor de um ser humano para D'us" (Vayikrá 27:2). A partir do momento em que a pessoa pronunciou seu compromisso de doar, já não pode mais voltar atrás e precisa cumprir a sua palavra.

Há vários aspectos que demonstram o quanto a Torá é rigorosa com o cumprimento de um compromisso assumido. Por exemplo, sabemos que um menino que ainda não chegou à idade de Bar-Mitzvá não está obrigado a cumprir as Mitzvót da Torá. Porém, de acordo com o Talmud (Nazir 62a), a partir do momento em que uma criança já sabe se expressar adequadamente, caso ela assuma um compromisso, como, por exemplo, quando promete doar o valor de uma pessoa aos tesouros do Templo, então ela está obrigada a manter a sua palavra e deve cumprir sua promessa. Entretanto, se a criança ainda está isenta de cumprir todas as outras Mitzvót da Torá, por que justamente esta Mitzvá ela já está obrigada?

Além disso, alguns comentaristas opinam que até mesmo um não judeu tem a responsabilidade de manter sua palavra caso tenha assumido um compromisso. Mas por que a Torá traz esta obrigação aos não judeus, se eles precisam apenas cumprir as sete Mitzvót de Bnei Noach, que não incluem a Mitzvá de manter a palavra?

O Ramban (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) nos ensina que quando os sábios de uma comunidade se reúnem para tomar uma decisão, eles têm a força de criar obrigações, não apenas para os membros daquela comunidade, mas também para os seus futuros descendentes. Ele cita três exemplos: a aceitação da Torá no Monte Sinai, as leis relacionadas com a Meguilat Ester e os dias de jejum públicos. Porém, por que temos a obrigação de manter os compromissos que foram assumidos por outras pessoas?

Finalmente, o Talmud (Sanhedrin 92a) nos ensina que "Aquele que muda suas palavras é como se estivesse fazendo idolatria". Isto se refere a alguém que não cumpre sua palavra. Porém, como entender este ensinamento do Talmud? Afinal, o ser humano foi colocado neste mundo para servir a D'us e fazer o bem. Só é possível fazer isto quando a pessoa sabe o que é verdadeiro e o que é falso, o que é bom e o que é ruim. Seguir um sistema falso, com valores e deuses falsos, é compreensivelmente uma transgressão grave. Já uma pessoa que se comprometeu a participar da festa de aniversário da sua querida avó mas, ao invés disso, foi ao cinema com os amigos, certamente fez algo muito errado, mas isto pode ser comparado à fazer idolatria?

A resposta para todos os questionamentos está no entendimento das Mitzvót que foram decretadas pelos nossos sábios. Por exemplo, o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) ensina que, além da proibição de roubo comandado pela Torá, nossos sábios também decretaram o "roubo rabínico". Um exemplo disto é aquele que participa de jogos de azar, isto é, qualquer tipo de jogo no qual as pessoas fazem apostas e aquele que vence o jogo recebe o dinheiro apostado, como ocorre nos cassinos. Nossos sábios declararam que isto é considerado roubo, apesar de o dinheiro ter sido entregue de forma voluntária por todos os envolvidos, pois ele é tirado das pessoas de uma maneira tola. Mas se ninguém está pegando os bens dos outros sem autorização, como pode ser considerado roubo? Qual é a conexão entre fazer alguém perder algo de forma tola e roubar?

O Rambam explica que existem dois propósitos nas Mitzvót. Vamos tomar como exemplo a proibição da Torá de roubar. Por um lado, não podemos roubar pois a Torá quer proteger o dono dos bens e, por isso, proíbe qualquer pessoa de tirar do outro o que não é seu por direito. Desta maneira, a Torá está garantindo uma vida em sociedade com paz e harmonia. Imagine o caos que seria o mundo caso cada um pudesse pegar o que pertence ao outro. Porém, há outro propósito na Mitzvá de não roubar, que é evitar que o ser humano se comporte de maneira desprezível. É por este motivo que não devemos roubar ninguém, mesmo que sejam os bens de um idólatra, isto é, alguém que não mereceria a proteção Divina, pois algo ruim acontece conosco quando roubamos. Isto significa que, fora o dano que causamos aos outros quando roubamos, há um dano que causamos a nós mesmos. E isto se aplica a todas as Mitzvót da Torá.

Explica o Rav
Elchanan Shoff que as Mitzvót foram entregues para garantir que o mundo funcione de uma maneira harmônica. Porém, acima de tudo, as Mitzvót foram entregues para nos mudar. Roubar significa tirar os bens de outra pessoa, mesmo que isto signifique tirar de uma maneira tola. Pois maior do que o mal que isto causa ao dono dos bens é o mal que é causado a quem pratica o ato de desprezar os bens dos outros.

Assim também podemos entender por que é considerado um ato de idolatria a pessoa não manter sua palavra. A Torá está se comunicando com os seres humanos, ensinando-os a como se comportar através das Mitzvót. As Mitzvót afetam tanto o homem quanto o seu relacionamento com D'us. Porém, uma pessoa sem integridade, que não mantém sua palavra, deixa de ser considerado um ser humano. Da mesma forma que não há serviço a D'us quando alguém nega a Sua essência, também não pode haver serviço a D'us quando não há um homem para servi-Lo. É grave errar na definição de D'us, mas é igualmente grave definir erroneamente o ser humano. A Torá pressupõe a existência de um ser humano com integridade antes de comandar qualquer coisa na Torá. É por isto que os nossos sábios ensinam que "Os bons modos vêm antes da Torá". Mesmo antes da Torá ter sido entregue, nossa palavra já tinha um enorme valor. Quando D'us ofereceu a Torá, dissemos "Naasê VeNishmá" (Faremos e entenderemos), isto é, demos nossa palavra de que estávamos aceitando a Torá em nossas vidas. Portanto, se não tivéssemos uma enorme obrigação de manter nossa palavra, o que nos conectaria com a Torá?

Também é este o motivo pelo qual até mesmo um não judeu e uma criança estão comandados a manter a sua palavra, pois não se trata apenas de um comando da Torá, é um comando que está conectado intrinsecamente à condição de ser humano. A Torá não pode mudar um homem e aproximá-lo de D'us se ele não for um homem. Sem integridade, o ser humano não é muito mais do que um animal que anda e fala.

Ser responsável com nossos compromissos nos diferencia de todo o resto da criação. Portanto, devemos ser cuidadosos para não assumir compromissos que não poderemos mantê-los. Pois devemos almejar, antes de querermos chegar ao nível dos anjos, que possamos nos comportar ao menos como seres humanos.
 
SHABAT SHALOM
 
R' Efraim Birbojm

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