sexta-feira, 18 de agosto de 2017

BONDADES VERDADEIRAS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ REÊ 5777

BS"D
O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de: 
Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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BONDADES VERDADEIRAS - PARASHÁ REÊ 5777 (18 de agosto de 2017)

"Um soldado americano que participou da terrível guerra do Vietnã, após meses sem contato com a família, conseguiu ligar para os seus pais, que viviam em São Francisco, e lhes disse:
 
- Queridos pais, a guerra acabou, estou voltando para casa. Mas eu queria pedir a vocês um favor. Eu tenho um amigo, que lutou comigo na guerra, e queria que ele viesse morar conosco em casa. Ele não tem para onde ir.
 
- Claro, meu filho, nós adoraríamos conhecê-lo! - disseram os pais.
 
- Mas há algo que vocês precisam saber - disse o filho - Ele foi ferido na última batalha que participamos. Pisou em uma mina e perdeu um braço e uma perna. O pior é que ele não tem família nem outro lugar para ir. Por isso eu gostaria que ele viesse morar conosco, para podermos ajudá-lo.
 
- Eu sinto muito em ouvir isso, filho. Talvez nós podemos ajudá-lo a encontrar um lugar onde ele possa morar e viver tranquilamente. Mas alguém com tanta dificuldade seria um grande fardo para nós. Temos nossas próprias vidas e não podemos deixar que alguém assim interfira em nosso modo de viver. Acho que você deveria voltar pra casa e esquecer este amigo. Não se preocupe, ele encontrará uma maneira de viver...
 
Neste momento o filho desligou o telefone. Alguns dias depois os pais receberam um telefonema da polícia de Nova York. O filho havia morrido depois de ter caído de um prédio. A polícia acreditava em suicídio. Os pais, angustiados, voaram para Nova York e foram levados para identificar o corpo do filho. Eles o reconheceram, mas descobriram algo terrível: o filho havia sido ferido na guerra e tinha perdido um braço e uma perna..."
 
Achamos fácil amar aqueles que são bonitos ou divertidos, mas não gostamos das pessoas que nos incomodam ou nos fazem sentir desconfortáveis. E você? O seu amor tem condições?

Na Parashá desta semana, Reê (literalmente "Veja"), um dos assuntos trazidos é a Mitzvá de Tzedaká, ajudar e se importar com as pessoas necessitadas. E assim está escrito: "Se houver alguma pessoa destituída entre vocês, algum dos seus irmãos em alguma das suas cidades... você não deve endurecer seu coração nem fechar sua mão para seu irmão destituído. Ao contrário, você deve abrir sua mão para ele; você deve emprestar o que ele necessita, tudo o que está faltando para ele" (Devarim 15:7,8). É interessante perceber que o versículo começa com as palavras "você deve abrir sua mão para ele", como se estivesse referindo-se a uma doação generosa, um presente ao pobre destituído, mas depois o versículo continua com a linguagem "emprestar o que ele necessita", referindo-se apenas a um empréstimo. Por que o versículo aparentemente mudou o contexto da ajuda ao pobre?
 
De acordo com Rashi (França, 1040 - 1105), das palavras "você deve abrir sua mão para ele" aprendemos que, quando estamos diante de alguém destituído, devemos ajudá-lo dando-lhe dinheiro com generosidade, sendo proibido comportar-se de maneira mesquinha. Porém, das palavras "você deve emprestar" aprendemos que, caso a pessoa se sinta humilhada por estar recebendo algo de presente, sem nenhum tipo de esforço, então devemos ajudá-la através de um empréstimo, permitindo que ela mantenha sua dignidade e sua autoestima.
 
Nos versículos seguintes a Torá traz uma dura advertência em relação ao empréstimo de dinheiro a um necessitado: "Se cuide para que um pensamento ruim não suba ao seu coração e você diga: 'Se aproxima o sétimo ano, o ano da Shemitá', e seus olhos serão maldosos com seu irmão destituído e se recusará a dar para ele. E ele apelará contra você para D'us e será uma transgressão para você" (Devarim 15:9). O versículo está nos ensinando sobre uma pessoa que se recusa a emprestar dinheiro ao necessitado por causa da aproximação do ano de Shemitá. E por que a pessoa se recusaria a fazer um empréstimo a um necessitado? Pois a cada sete anos completamos um ciclo de Shmitá. No sétimo ano deste ciclo não podemos trabalhar nos campos e nem ter proveito financeiro das nossas colheitas na terra de Israel. Além das implicações agrícolas, também há implicações financeiras. Por exemplo, qualquer dívida é automaticamente anulada após a passagem do ano de Shemitá. Por isso a pessoa tem medo que, ao emprestar dinheiro próximo ao ano de Shemitá, não haverá tempo suficiente para que a dívida seja paga e ela será automaticamente cancelada, causando uma perda. A Torá então nos adverte a não sermos mesquinhos e não deixarmos de emprestar a um necessitado, mesmo quando o ano de Shmitá estiver próximo e a chance da pessoa não pagar a sua dívida for maior.
 
Porém, é difícil entender por que a Torá traz esta advertência logo depois do ensinamento anterior. De acordo com a explicação de Rashi, o versículo estava falando sobre uma pessoa que estava disposta a doar seu dinheiro com generosidade para uma pessoa necessitada, sem exigir nada em troca, e decidiu fazer a bondade através de um empréstimo apenas pela dignidade da pessoa necessitada, para que ela não se sentisse humilhada. Então por que a Torá precisou logo depois dar esta advertência para que a pessoa não deixasse de ajudar com um empréstimo quando se aproximasse o ano de Shmitá? Se a pessoa já estava disposta a dar todo o dinheiro como presente, por que estaria preocupada com o cancelamento da dívida?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que D'us, nosso Criador, conhece todos os mecanismos psicológicos que atuam sobre o ser humano. Quando uma pessoa dá um presente a um necessitado, ela experimenta um sentimento de preenchimento e alegria, uma sensação de realização. Normalmente este sentimento de "nobreza da alma" que sentimos é o que nos motiva a fazermos atos de bondade, como doar dinheiro a um pobre. Mas quando a pessoa ajuda o próximo através de um empréstimo, este sentimento de preenchimento e "nobreza da alma" é diminuído. A pessoa já não sente de maneira tão forte esta sensação de realização.
 
Além disso, se por algum motivo a dívida for cancelada, como acontecia após o ano de Shemitá, o destituído não reconhece a bondade daquele que "deu" o dinheiro e não atribui a ele a "boa sorte" de não precisar mais pagar a dívida. E o benfeitor, que fica sem o dinheiro do seu empréstimo, acaba sentindo que aquele que recebeu o dinheiro tirou vantagem dele. Certamente esta é uma experiência muito menos satisfatória do que quando a bondade é feita através de uma doação. Mesmo que, no final das contas, o efeito será o mesmo, isto é, nos dois casos a pessoa necessitada ficará com o dinheiro do benfeitor, quando o ato é feito através de uma doação ele vem com um sentimento de preenchimento, enquanto quando o ato é feito através da "doação forçada" de um empréstimo não pago ele vem acompanhado de um sentimento amargo.
 
A Torá está nos revelando algo impressionante sobre a psicologia do ser humano: mesmo quando fazemos bondades ao próximo, um dos principais motivadores é o nosso próprio bem estar. Portanto, isto não é uma bondade completa, e sim uma bondade "condicional", que depende do quanto estamos sentindo que também estamos ganhando e nos sentindo preenchidos com o nosso ato de doação. É por isso que a Torá sentiu a necessidade de advertir a pessoa que faz a bondade ao necessitado através de um empréstimo de dinheiro. Por ser algo que causa uma experiência muito menos satisfatória, o empréstimo já não é feito com tanta alegria quanto uma doação. Associado com o iminente risco de perder o dinheiro do empréstimo no ano de Shemitá, a pessoa acaba se tornando egoísta e não tem mais vontade de emprestar. A Torá então afirma que isto é um mau ato, baseado no nosso egoísmo e com consequências espirituais negativas.
 
A Parashá nos ensina que D'us também se importa com as nossas motivações quando fazemos bons atos. Obviamente que o ato de ajudar é importante, mas se não fazemos pelas motivações corretas, o ato fica vazio. Além disso, se a motivação dos nossos bons atos for apenas a nossa própria satisfação, deixaremos de fazer bondades quando elas não nos agradam. Escolheremos a quem ajudar de acordo com a nossa empatia com a pessoa e não de acordo com as necessidades de cada um. Deixaremos de fazer bondades caso nos causem dificuldades ou esforços. Isto certamente limita o nosso potencial de bondade e, portanto, nos afasta de D'us.
 
D'us criou o mundo apenas por bondade e Sua bondade é infinita e incondicional. Se queremos que nossos atos emulem os atos de D'us, devemos nos esforçar para que nossas bondades sejam completas, tanto nos atos quanto nas intenções. Ao fazer a bondade, devemos pensar na satisfação daquele que recebe, não no nosso próprio preenchimento e bem estar. Normalmente traduzimos a palavra "Tzedaká" como "caridade", mas na realidade Tzedaká significa "justiça". Quando estamos ajudando um irmão necessitado, estamos fazendo apenas justiça, pois o que D'us nos dá "a mais" é apenas para que possamos ajudar as outras pessoas que necessitam. D'us intencionalmente faz uma distribuição desigual das rendas para que as pessoas possam se ajudar e se preocupar umas com as outras e, com isso, acumular méritos espirituais para o Olam Habá (Mundo Vindouro). Tudo o que temos foi dado por D'us e Ele quer que utilizemos nossos bens de forma a criar um ciclo de ajuda mútua. Desta maneira, cada um de nós pode contribuir para criar um mundo mais justo e mais feliz

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PASSANDO POR UMA PONTE ESTREITA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EKEV 5777

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PASSANDO POR UMA PONTE ESTREITA - PARASHÁ EKEV 5777 (11 de agosto de 2017)

"Dois amigos, Avraham e Jacques, resolveram fazer uma viagem de navio. Estavam aproveitando cada segundo da viagem, até que o navio atravessou uma terrível tempestade. O mar estava revolto e enormes ondas golpeavam o casco. A água começou a entrar no convés, colocando em risco a segurança de todos os passageiros. Sentindo que a situação se complicava cada vez mais, o capitão do navio emitiu um pedido de socorro para todos os barcos da região. O navio começou a tombar para um dos lados, deixando todos apavorados. Estava claro que o naufrágio era iminente.
 
Foi então que um barco da guarda costeira apareceu. Todos respiraram aliviados, estavam salvos. O barco encostou ao lado do navio e os marinheiros colocaram uma tábua de madeira ligando as duas embarcações, formando uma estreita ponte. Aos poucos cada um dos passageiros do navio foi atravessando por aquela tábua para chegar, são e salvo, ao barco de resgate.
 
Quando chegou a vez de Avraham atravessar, ele sentiu muito medo. A tábua parecia instável e estreita. Olhando para baixo era possível ver o mar revolto e as ondas se chocando com força contra a embarcação. Precisava se concentrar, sem olhar para os lados, apenas para a frente. Cada passo que ele dava era cuidadoso e preciso. Somente assim ele conseguiu atravessar e chegar ao outro lado.
 
Porém, Jacques não se importou com os perigos. Quis atravessar a estreita tábua de maneira "descolada". Apesar dos avisos dos marinheiros, ele não tomou nenhum cuidado. Atravessou olhando para os lados, mexendo no celular, com passos descuidados. Quase no meio da travessia ele pisou em falso e caiu no mar. Foi necessário jogar uma bóia para salvá-lo. Jacques saiu da água completamente encharcado. Mas o pior foi a vergonha e a humilhação de ver todos os passageiros do navio dando gargalhadas de sua situação"
 
Nossa vida se assemelha a uma caminhada em uma ponte estreita. Podemos cumprir as Mitzvót de maneira cuidadosa, com a certeza de que assim chegaremos "ao outro lado", ou de uma maneira mecânica, sem atenção e sem as intenções corretas, correndo o grande risco de acabar tropeçando no caminho.

Nesta semana lemos a Parashá Ekev (literalmente "Se"), na qual Moshé continua seu discurso de encorajamento para o povo judeu, que estava prestes a entrar na Terra de Israel. Moshé tinha uma grande preocupação com o contato que os judeus teriam com os outros povos, que eram idólatras e poderiam influenciá-los de forma negativa, desviando-os do caminho de D'us.
 
Uma das advertências que Moshé deu ao povo é parte dos versículos que compõem o Shemá Israel: "Se cuidem, para que seus corações não sejam enganados e vocês se desviem, sirvam outros deuses e se curvem para eles" (Devarim 11:16). Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, explica que a linguagem "se desviem" se refere a se afastar da Torá, tanto do seu estudo quanto do seu cumprimento. A consequência deste afastamento está na continuação do versículo, "e sirvam outros deuses". Rashi está afirmando que aquele que se afasta da Torá não fica no "vazio", ele automaticamente se encaminha para se conectar com as idolatrias.
 
Quando escutamos esta afirmação de Rashi ficamos tranquilos, pois sentimos que estas palavras não se aplicam a nós. Pelo fato de cumprirmos as Mitzvót e nos cuidarmos das transgressões da Torá, que são as ferramentas para chegarmos à perfeição, acreditamos que estamos fazendo tudo o que necessitamos para o nosso crescimento espiritual. Do momento em que acordamos até a hora em que vamos dormir estamos cercados de Mitzvót por todos os lados, que nos conectam com D'us. Mitzvót como Tzitzit, Tefilin, Mezuzá, Kriat Shemá e Brachót nos mantém conectados com D'us o dia inteiro. Por isso sentimos que não há com o que se preocupar em relação à esta advertência da Torá. Porém, não é tão simples assim.
 
Ao explicar as terríveis consequências de se desviar da Torá, Rashi traz como exemplo uma situação vivida por David HaMelech, quando ele se afastou por um tempo do estudo da Torá, como está escrito: "Pois hoje me afastaram de me conectar com a herança de D'us e me disseram: 'Vá e sirva outros deuses'" (Shmuel 1 26:19). Com estas palavras, David HaMelech estava dando seu testemunho para as futuras gerações de como ele se sentiu espiritualmente prejudicado quando se afastou da Torá.
 
Porém, deste versículo citado por Rashi surge um grande questionamento. Em que contexto isto ocorreu? Shaul HaMelech estava perseguindo David para matá-lo, pois algumas pessoas haviam falado mentiras para Shaul em relação a David. Para salvar sua vida, David teve que fugir e, por algum tempo, não pôde se dedicar como gostaria ao estudo de Torá. Mas se David não pôde se dedicar ao estudo da Torá por estar fugindo para salvar sua vida, então por que ele sofreu consequências espirituais? Entenderíamos se isto tivesse ocorrido em uma situação na qual ele tivesse intencionalmente abandonado o estudo da Torá, mas David HaMelech estava em uma situação na qual ele se afastou por motivos de força maior, para salvar sua própria vida!
 
Existem muitos paralelos entre o mundo material e o mundo espiritual. Por exemplo, quando uma pessoa coloca a mão no fogo, ela se queima. Isto não ocorre como um castigo, e sim como uma consequência natural, pois o fogo queima. Mesmo se alguém coloca a mão no fogo porque está sendo obrigado, também vai se queimar. O mesmo ocorre com nossa espiritualidade. Quando a pessoa se afasta da Torá, a consequência natural é uma imensa queda espiritual. Rashi quis nos ensinar que mesmo se isto ocorre de uma maneira forçada, como no caso de David Hamelech, ainda assim as consequências espirituais são sentidas. David Hamelech não foi castigado espiritualmente por ter se afastado da Torá, mas sofreu as consequências espirituais naturais deste afastamento. E se isto se aplica a uma situação de "força maior", muito mais se aplica a uma situação na qual a pessoa se afasta da Torá por vontade.
 
Imaginamos que o conceito de se afastar da Torá somente se refere àquele que não estuda Torá ou que não cumpre Mitzvót. Porém, nos ensina o profeta: "E disse D'us: 'Pois este povo se aproxima de Mim; com suas bocas e seus lábios eles Me honram, mas seus corações estão afastados de mim e seu temor a Mim se tornou "Mitzvót Anashim Melumadá" (literalmente "comandos de pessoas, aprendidos por hábito"). Portanto Eu continuarei trazendo escuridão sobre o povo, escuridão sobre escuridão, e se perderá a sabedoria dos sábios e o entendimento dos cultos se ocultará" (Yeshayahu 29:13).
 
De acordo com os nossos sábios, a linguagem "Mitzvót Anashim Melumadá" utilizada no versículo se refere ao cumprimento das Mitzvót sem vitalidade e sem vontade. Uma Mitzvá feita sem Kavaná (intenção) se compara a um corpo sem alma. É como um corpo, com todos os seus membros e órgãos em perfeito estado, cada um em seu devido lugar, mas sem a alma que dá a vitalidade a todos eles. Portanto, pela rigorosidade da linguagem do profeta, vemos o quanto é grave cumprir as Mitzvót de maneira simplesmente mecânica. De acordo com o livro Lekach Tov, quando a pessoa cumpre as Mitzvót de maneira mecânica, sem sentimento, isto também é considerado um afastamento da Torá, com todas as suas implicações espirituais.
 
David HaMelech, por seu afastamento da Torá, sentiu o quanto isto o aproximou de servir outros deuses. Ninguém o comandou a servir outros deuses, mas ele sentiu em sua espiritualidade uma queda tão grande que era como se alguém o tivesse aproximado de uma idolatria e o tivesse ordenado a servi-la. Ele não se apoiou em seu incrível nível espiritual e no seu vasto conhecimento de Torá para achar que estava protegido. E se isto ocorreu com David HaMelech, muito mais pode ocorrer com cada um de nós.
 
Porém, não sentimos que o nosso afastamento da Torá, mesmo quando não ocorre por "força maior", nos aproxima das idolatrias. Podemos até sentir um pequeno "esfriamento" espiritual, mas com certeza não sentimos o mesmo que David HaMelech sentiu. Isto ocorre justamente porque, mesmo quando nós cumprimos as Mitzvót e estudamos Torá, fazemos como "Mitzvót Anashim Melumadá". Infelizmente já estamos tão afastados de D'us que nem mais sentimos, quando deixamos de estudar Torá ou cumprir Mitzvót, que algo nos falta. E talvez não há tragédia maior do que perder a nossa espiritualidade e nem mesmo sentir isto.   
 
No livro "Mito de Sísifo", Albert Camus descreve a realidade da grande maioria das pessoas: "Levantar, metrô, quatro horas no escritório ou na fábrica, refeição, mais quatro horas de trabalho, metrô, refeição e dormir. Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado, no mesmo ritmo constante. Na grande maioria dos casos as pessoas seguem neste caminho facilmente. Mas um belo dia ela desperta e se questiona: Por que?". Infelizmente o que Albert Camus está descrevendo não se aplica apenas a pessoas afastadas da Torá e das Mitzvót. Muitas vezes nós cumprimos as Mitzvót apenas de maneira mecânica, dia após dia, ano após ano, sem sentimento e sem vivacidade. Deixamos nossa vida e nossas Mitzvót caírem no comodismo.
 
Precisamos fugir deste tipo de "sonolência espiritual". Precisamos sair da indiferença e começar a cumprir as Mitzvót com seriedade e reconhecimento. Precisamos estudar as Halachót para saber como cumprir as Mitzvót da maneira correta. A vida é como uma ponte estreita, precisamos ser cuidadosos com cada passo, com cada Mitzvá. Mas, acima de tudo, precisamos viver com entusiasmo. Somente com esta energia, com concentração e com foco conseguiremos atravessar a estreita ponte da vida e atingir o nosso objetivo.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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                   São Paulo: 17h29  Rio de Janeiro: 17h17                    Belo Horizonte: 17h22  Jerusalém: 18h51
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