quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

UNIDOS EM UM SÓ CORAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ ITRÓ 5782

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  • A chegada de Yitró.
  • O Conselho de Yitró.
  • Requerimento para a liderança.
  • Chegada ao Monte Sinai.
  • Preparação para receber a Torá.
  • A revelação de D'us.
  • Os Dez Mandamentos.
  • Leis sobre a construção de um Altar.
BS"D

UNIDOS EM UM SÓ CORAÇÃO - PARASHÁ ITRÓ 5782 (21/janeiro/2022)


"Um mercador tinha um cavalo e um burro. Às vezes ele transportava muitos produtos por enormes distâncias, e seus animais tinham que fazer um enorme esforço. Na verdade, como o burro é conhecido por sua capacidade de carregar enormes cargas, normalmente o dono acabava colocando muito mais peso sobre o pobre burro do que sobre o cavalo, que costumava levar apenas pequenas cargas.

Certa vez, enquanto estavam caminhando por uma estrada, em uma longa viagem, o burro disse ao cavalo:

- Por favor, me ajude. Desta vez está pesado demais. Tenho medo de morrer de cansaço...

Porém, o cavalo não se comoveu. Além disso, não queria colocar mais carga em suas costas.

- Deixe de ser manhoso - disse o cavalo, sem demonstrar o mínimo de empatia - Nem deve estar tão pesado!

Passado algum tempo, o burro novamente pediu ajuda ao cavalo, mas foi ignorado mais uma vez. O burro sentiu que suas forças acabavam e, em um momento de desespero, implorou pela ajuda do cavalo. Porém, o cavalo continuava insensível à dor e sofrimento do burro. E, assim, o pior aconteceu. Após momentos de muito sofrimento, o burro caiu morto de fadiga.

O mercador, em um primeiro momento, ficou desesperado. Como levaria sua mercadoria até a cidade? Os compradores estavam esperando! Então ele retirou toda a carga do burro morto e colocou sobre o cavalo. E até mesmo a carcaça do burro ele decidiu levar, para vender o couro na cidade. O cavalo, que não estava acostumado com tanto peso sobre suas costas, começou a gemer de dor. Entre lágrimas, ele dizia:

- Pobre de mim. Como sou infeliz! Veja o que me aconteceu! Por não querer ajudar o burro, agora eu tenho que levar tudo nas costas, até mesmo a carcaça dele!"

Quando as pessoas se ajudam, todos acabam ganhando. Mas quando as pessoas se comportam de forma mesquinha e egoísta, sem empatia, todos acabam perdendo.

Nesta semana lemos a Parashá Itró, que começa descrevendo o momento em que Itró, o sogro de Moshé Rabeinu, se uniu ao povo judeu no deserto, promovendo o reencontro de Moshé com sua família, que havia permanecido em Midian, em segurança, durante o processo de libertação do povo judeu da escravidão egípcia. Além disso, a Parashá também fala sobre a sugestão de Itró de mudar o sistema de justiça do povo judeu, que era muito pesado para o povo e para Moshé, que até aquele momento julgava sozinho o povo.
 
A Parashá Itró também narra o momento da revelação de D'us e a entrega da Torá no Monte Sinai, como está escrito: "No terceiro mês da saída dos filhos de Israel do Egito, neste dia eles chegaram ao deserto do Sinai. Eles partiram de Refidim, chegaram ao deserto do Sinai e acamparam no deserto, e Israel acampou ali, em frente à montanha" (Shemos 19:1,2).
 
Rashi ressalta que há algo um pouco incomum nestes dois versículos. Os verbos "chegaram", "partiram", e "acamparam" estão no plural. Porém, de repente o versículo muda e escreve o verbo "acampar" no singular: "Israel acampou ali". Rashi explica que o verbo está no singular pois o acampamento do povo judeu no Monte Sinai foi "como um só homem, em um só coração". Isto significa que, até aquele momento, em todos os lugares onde o povo acampou, houve alguma reclamação ou disputa, mas naquele momento da entrega da Torá eles conseguiram chegar a um incrível nível de paz, harmonia e união.
 
O Rav Avraham Borenstein zt"l (Polônia, 1838 - 1910), também conhecido como Avnei Nezer, nos chama a atenção sobre um comentário de Rashi muito semelhante na Parashá da semana passada, Beshalach, no versículo que descreve o momento em que os egípcios, arrependidos de terem libertado seus escravos, partem em carruagens de guerra atrás do povo judeu no deserto, como está escrito: "E eis que o Egito viajou atrás deles" (Shemot 14:10). Novamente, o versículo usa a forma singular do verbo "viajar". Lá também Rashi comenta que os egípcios estavam "Em um só coração, como um só homem". Isto significa que, aparentemente, os egípcios também alcançaram esse incrível nível de união em sua perseguição ao povo judeu.
 
No entanto, o Avnei Nezer ressalta que há uma pequena, porém significativa, diferença entre os comentários de Rashi na Parashá Beshalach e na nossa Parashá. Em Beshalach, ao falar sobre a perseguição egípcia ao povo judeu, Rashi usa a expressão "Em um só coração, como um só homem", enquanto na nossa Parashá, ao falar sobre o acampamento do povo judeu diante do Monte Sinai, Rashi usa a expressão inversa, "Como um só homem, em um só coração". O que Rashi quis transmitir com esta diferença sutil nos dois comentários?
 
O Avnei Nezer traz uma bela resposta, baseada em um importante ensinamento dos nossos sábios: "Todo amor que depende de uma causa, quando cessa a causa, o amor também cessa; e todo amor que não depende de nada, nunca cessará" (Pirkei Avót 5:16). Isto significa que as pessoas podem ter um amor baseado em uma razão ou um objetivo específico. Por exemplo, a pessoa pode apaixonar-se por alguém com base em seu dinheiro ou sua beleza, mas quando aquele motivo desaparece, o amor também desaparece. Se, por outro lado, o amor e a união não se baseiam em nenhuma razão específica, mas nas próprias pessoas, isto é, na vontade de se conectar ao outro, isso é um amor de magnitude completamente diferente e está destinado a nunca acabar.
 
Muitas vezes as pessoas se conectam porque têm o mesmo objetivo a curto prazo. O que une as pessoas é a vontade de alcançar este propósito comum. Pode até mesmo haver situações nas quais as pessoas se odeiam, mas, se elas têm um propósito comum, podem deixar de lado as diferenças e se unir para alcançar esse objetivo. É o que muito comumente ocorre na política. Grupos que têm filosofias totalmente opostas podem se unir para uma eleição, tendo o propósito comum de os dois lados saírem beneficiados. Isto também ocorre em situações de guerra. Por exemplo, os países árabes têm muitas diferenças entre si, sendo que alguns deles passaram anos em guerras sangrentas. Mas quando se trata da questão de odiar Israel, eles compartilham um objetivo comum. Nesta questão, ficam do mesmo lado e trabalham juntos em prol do seu objetivo.
 
Os egípcios formaram este último tipo de coalizão entre si. Todos eles tinham um objetivo em comum: recapturar os judeus, seus escravos fugitivos. Isso foi ressaltado por Rashi através da expressão "Em um só coração", demonstrando que eles tinham um desejo comum, que criou uma união temporária e os fez trabalharem "Como um só homem". Este é um tipo muito superficial de união, pois quando o objetivo termina, cada um volta à sua própria vida, à sua individualidade, sem se importar com os outros.
 
Isso é contrastado com o acampamento do povo judeu diante do Monte Sinai, que Rashi descreve de forma maravilhosa como sendo "Como um só homem". A união foi criada por causa dos sentimentos de irmandade e amor ao próximo, uma preocupação genuína das pessoas umas com as outras. Pela primeira vez todos sentiam que faziam parte de uma única família. Esta foi uma união verdadeira, não apenas algo superficial para alcançar um objetivo comum. Esse senso de identidade, de se sentirem "um só homem" naturalmente levou a uma identidade de propósito também, ressaltado através da expressão "Em um só coração".
 
Explica o Rav Yssocher Frand que este conceito nos ajuda a entender uma parte interessante da nossa Tefilá. Às segundas e quintas-feiras, após a leitura da Torá, o Sheliach Tzibur pronuncia cinco parágrafos, após os quais toda a congregação responde "Amén". Porém, algo que nos chama a atenção é que os quatro primeiros parágrafos começam com as palavras "Yehi Ratzon Milifnei Avinu Bashamaim", que significa literalmente "Que seja a vontade diante do nosso Pai Celestial". Nestes parágrafos pedimos para que seja Sua Vontade restabelecer o Beit Hamikdash; que Ele tenha misericórdia de nós; que Ele sustente os estudiosos do povo judeu e suas famílias, e que Ele nos permita escutar boas notícias. Porém, essa "simetria poética" é quebrada no quinto parágrafo, que não começa com as palavras "Yehi Ratzon", e sim com as palavras "Acheinu Kol Beit Israel", literalmente "Nossos irmãos, toda a casa de Israel". Por que esta mudança?
 
O Rav Chaim Halberstam zt"l (Polônia, 1793 - 1876) ensina uma lição fantástica. No quinto parágrafo, as palavras "Yehi Ratzon" tornam-se supérfluas. Se já falamos a expressão "Nossos irmãos, toda a casa de Israel", demonstrando o amor, a união dentro do povo e que consideramos cada judeu como sendo nosso irmão, então não há maior cumprimento das palavras "Que seja a vontade do nosso Pai Celestial" do que isso. Portanto, quando há união, as palavras "Yehi Ratzon" tornam-se desnecessárias. Grande é a paz e a união do povo judeu, como no momento em que o povo acampou em frente ao Monte Sinai, como um só homem, pois este é o cumprimento final da vontade de D'us.
 
Não há nada tão destruidor quanto a desunião do povo judeu, nem inimigo mais perigoso do que o ódio gratuito. Rezamos todos os dias para que possamos ter mais Torá. Porém, da mesma maneira que a Torá só foi entregue quando houve harmonia e união dentro do povo judeu, só teremos Torá em nossas vidas quando houver harmonia e união, tanto dentro quanto fora de casa.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

PEQUENOS MILAGRES DO COTIDIANO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BESHALACH 5782

O e-mail desta semana é dedicado em Leilui Nishmat dos meus queridos e saudosos avós:

Shandla (Sabina) bat Hersh Mendel z"l 

Bentsion (Benjamin) ben Yehoshua z"l 


 
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PEQUENOS MILAGRES DO COTIDIANO - PARASHÁ BESHALACH 5782 (14/Jan/2022)

 
"Rafael, um rapaz de excelentes qualidades, após muitos anos saindo de Shiduch, ainda não havia conseguido encontrar sua "alma gêmea". Todos seus amigos já haviam casado, mas ele continuava solteiro. Quando seu irmão mais novo chegou à idade de se casar, Rafael lhe disse:
 
- Não quero que você se prenda por minha causa nem que perca nenhuma oportunidade. Que você consiga construir seu lar o mais rápido possível!
 
E, de fato, pouco tempo depois, seu irmão mais novo noivou. Rafael o ajudou em cada detalhe dos preparativos do casamento, sem sentir inveja. Mais dois anos se passaram e Rafael continuava sem encontrar sua "metade", e sua tristeza aumentava cada vez mais. Certo dia, decidiu telefonar para o irmão para conversar, pois já fazia algumas semanas que não falava com ele. Rafael sentiu que a voz do seu irmão parecia triste. Depois de muita insistência, o irmão desabafou que estava passando por uma situação financeira muito delicada. Já era quase véspera de Shabat e a geladeira e a despensa estavam vazias.
 
Rafael ficou abalado com a situação do irmão. Imediatamente saiu de sua casa, em Bnei Brak, rumo à cidade onde vivia seu irmão, que ficava a duas horas de distância, levando suas economias. Ao chegar na cidade, entrou no supermercado local e encheu alguns carrinhos com vários produtos básicos. O valor da compra foi de três mil shekalim, e Rafael se apressou em levar tudo até a casa do irmão. Quando ele abriu a porta, não acreditou no que estavam vendo: várias sacolas, com todos os mantimentos necessários e em quantidade suficiente para algumas semanas. O irmão tentou recusar, mas Rafael o abraçou, lhe deu uma Brachá e apressou-se em voltar para casa. Antes de partir, ainda deu ao irmão um envelope com dois mil shekalim.
 
Naquela mesma noite, a cunhada de Rafael tinha sido convidada para o casamento de uma amiga. Devido ao seu desânimo, ela tinha decidido não ir. Porém, agora, com a casa repleta de mantimentos, ela se animou e foi. Durante a cerimônia, percebeu que ao seu lado estava uma jovem rezando muito, com os olhos cheios de lágrimas. Após a cerimônia, resolveu puxar conversa, perguntando se ela precisava de ajuda. A jovem desabafou que estava tendo problemas com Shiduchim há muito tempo e não conseguia encontrar sua metade.
 
Após uma pequena investigação, a cunhada de Rafael ficou sabendo que a jovem era uma excelente moça. Ela então disse à jovem que conhecia um rapaz de bom coração e ótimos traços de caráter. O referido jovem era, obviamente, o cunhado dela. O Shiduch ocorreu e, em pouco tempo, eles estavam noivando."
 
É incrível perceber como D'us controla tudo. O fabuloso ato de bondade de Rafael foi o catalisador para a ida de sua cunhada ao casamento, onde acabou conhecendo uma jovem especial, que naquele exato momento estava rezando fervorosamente para D'us justamente ao lado dela. São os pequenos milagres do cotidiano.

Nesta semana lemos a Parashá Beshalach (literalmente "Quando enviou"), que começa descrevendo o momento no qual o povo judeu saiu do Egito, após 210 anos de uma dura escravidão. D'us preparou o "grande final", endurecendo pela última vez o coração do Faraó e fazendo-o juntar um exército para perseguir o povo judeu. Quando os judeus se viram diante do Mar Vermelho, instransponível, e os egípcios quase os alcançando, eles gritaram para D'us. As águas do Mar Vermelho se abriram milagrosamente, permitindo que o povo judeu atravessasse em terra firme. Quando os egípcios tentaram passar, o mar se fechou sobre eles, matando-os e atirando seus corpos na praia. Naquele momento o povo judeu se sentiu realmente livre.
 
A Parashá também traz outro grande milagre que aconteceu no deserto: o Mán, a comida milagrosa que caía do céu e alimentava o povo inteiro, mais de 3 milhões de pessoas. O povo reclamou com Moshé quando a comida que haviam trazido do Egito terminou, argumentando que, enquanto estavam no Egito, pelo menos tinham o que comer. D'us respondeu dizendo que mandaria para eles comida do céu. Mas há um versículo sobre o Mán que nos chama a atenção: "E D'us disse a Moshé: 'Eu farei chover pão para vocês do céu... Para que Eu possa testá-los, se seguirão a Minha Torá ou não" (Shemot 16:4).  Mas a que teste D'us estava se referindo?
 
Rashi (França, 1040 - 1105) 
explica que o teste se refere ao cumprimento dos muitos mandamentos relacionados ao Mán, tais como pegar uma quantidade diária limitada por pessoa, pegar uma porção dupla na véspera do Shabat e não sair para procurar Mán no próprio Shabat, entre outros. Todos estes detalhes em relação ao Mán não eram testes simples. Para entendermos a dificuldade do teste, precisamos tentar trazer para a nossa realidade. Imagine alguém passando por dificuldades financeiras, com a geladeira e a carteira completamente vazias. Esta pessoa passa pelo supermercado kasher e vê uma placa promocional dizendo: "Carne kasher grátis". A pessoa quase não acredita nos seus olhos. Ela já estava se preparando para levar muitos quilos de carne para casa quando vê escrito em letras pequenas: "Leve somente o necessário para o seu consumo diário e volte amanhã para pegar mais". Será que a pessoa conseguiria pegar apenas a quantidade diária? E se amanhã acabasse a promoção? E se quando ela chegasse no dia seguinte a carne tivesse acabado?
 
Este já seria um teste difícil para qualquer pessoa, mas seria maior ainda para alguém que está com a geladeira vazia. Este era o teste do Mán no deserto. Mesmo que o povo judeu havia presenciado vários milagres, eles não tinham como se alimentar e alimentar suas crianças naquele ambiente hostil. Certamente os pais estavam muito preocupados. D'us enviava uma porção diária de Mán, e as pessoas precisavam confiar que todos os dias aquele sustento estaria lá, em suas portas. Um gigantesco teste de Emuná.
 
Já o Rav Ovadia Sforno zt"l (Itália, 1475-1550) traz outra explicação interessante. O teste era para ver se os judeus continuariam seguindo a Torá mesmo após conseguir obter facilmente seu sustento. Em outras palavras, o teste seria ver como o povo reagiria à condição de fartura e tranquilidade. Eles continuariam confiando em D'us ou acabariam se acomodando? Continuariam enxergando o Mán como um milagre ou pensariam em algum momento que o Mán era parte da natureza do mundo?
        
Se pararmos para refletir, qual milagre é maior, um pão vindo dos céus ou um pão vindo da terra? À primeira vista, consideramos o "pão do céu" como sendo um milagre maior. Porém, uma reflexão mais profunda vai nos mostrar que a diferença entre o que chamamos de "milagre" e o que consideramos como sendo "natureza" reside meramente na frequência da ocorrência. O fenômeno através da qual uma pequena semente plantada na terra floresce até tornar-se um grão é uma das maiores maravilhas, assim como cada detalhe da criação Divina. Se regularmente recebêssemos nossa comida "do céu", porém testemunhássemos uma vez apenas em nossas vidas como uma planta cresce de uma semente atirada na terra, nós chamaríamos isso de milagre e a comida vinda do céu de natureza.
 
Nossos sábios ensinam que a abertura do mar foi um momento de revelação de D'us, como está escrito no Midrash: "Na abertura do Mar Vermelho, viu uma simples serva visões que o profeta Yechezkel ben Buzi não conseguiu ver". Ou seja, uma simples serva, naquele momento, encontrava-se em um nível profético maior do que Yechezkel, um dos maiores profetas da nossa história. O Rav Elazar Man Shach zt"l (Lituânia, 1899 - Israel, 2001) faz uma interessante pergunta: se ela viu mais do que o profeta Yechezkel, então por que continua sendo chamada de serva? A resposta é que ela viu, porém não foi além disso. Ter visto a revelação de D'us não produziu nenhuma mudança dentro dela, e por isso continuou sendo chamada de serva.
 
Esse era o teste do Mán: quando o povo judeu visse aquele grande milagre acontecendo diante dos seus olhos todos os dias, como reagiriam? Teriam um imenso agradecimento a D'us ou se acostumariam e já não dariam mais atenção àquele gigantesco milagre? O Mán causaria neles alguma mudança, algum crescimento espiritual?
 
Qual é a consequência de viver sem enxergar e despertar com os milagres de D'us? Quando D'us avisou a Moshé que o Faraó iria perseguir o povo judeu no deserto, assim Ele disse: "E o Faraó vai dizer sobre os filhos de Israel: 'Eles estão presos na terra, o deserto os cercou'" (Shemot 14:3). Como o Faraó pôde pensar, após todos os milagres que D'us havia realizado no Egito, que Ele iria abandonar os judeus agora que eles estavam livres? Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência perceberia que seria impossível aos egípcios causarem qualquer mal ao povo judeu! O Rav Simcha Zissel Ziv Broida zt"l (Lituânia, 1824 - 1898), mais conhecido como Alter MiKelem, explica que existe um princípio fundamental: o desejo cega o intelecto da pessoa e ela age de forma irracional. Mesmo um grande milagre não consegue acordar uma pessoa que está imersa em seu mundo de desejos e materialismo. Mesmo vendo o Mar Vermelho aberto diante dos seus olhos, o Faraó ainda quis perseguir o povo judeu, levando todo o seu exército para a morte.
 
Milagres acontecem o tempo todo. Se prestarmos atenção, enxergaremos milagres mesmo nos pequenos detalhes do cotidiano. A forma como cada coisa acontece no momento exato, e como tudo segue o princípio do "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), com nossos atos de bondade retornando a nós mesmos, é incrível. Mas milagres ocultos exigem reflexão, e é esta reflexão que pode nos transformar em pessoas mais elevadas. Portanto, nossa escolha é: enxergar que tudo o que acontece é um milagre de D'us e, desta maneira, se transformar em uma pessoa melhor, ou ficar cego e se transformar em um servo do mundo material.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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