quinta-feira, 20 de abril de 2017

QUEM É O TOLO? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHEMINI 5777

BS"D
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO PARASHÁ
VÍDEO PARASHÁ
VÍDEO PARASHÁ
VÍDEO PARASHÁ
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.

QUEM É O TOLO? - PARASHÁ SHEMINI 5777 (21 de abril de 2017)

"Conta-se que há muito tempo, em uma pequena cidade do interior, um grupo de jovens se divertia diariamente com um tolo que vivia na região. Era um pobre coitado, que aparentava pouca inteligência e vivia de pequenos trabalhos e de esmolas nas ruas. Todos os dias os jovens da cidade chamavam o tolo ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande, de quatrocentos réis, e outra menor, de dois mil réis. O tolo sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos. Certo dia, um dos jovens do grupo de zombadores chamou o tolo e disse:
 
- Desculpe perguntar, mas depois de tanto tempo você ainda não percebeu que a moeda maior vale menos?
  
- É claro que eu percebi - respondeu o homem, demonstrando não ser tão tolo assim quanto parecia - eu sei que ela vale cinco vezes menos do que a moeda pequena. 
 
- Se você sabe, então por que toda vez você pega a moeda menos valiosa? 
 
- Pois eu sei que, no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda..." 

Qual é a conclusão desta história? Que os zombadores, que achavam que estavam se divertindo e enganando, eram os verdadeiros tolos que estavam sendo enganados. Assim também acontece em nossas vidas. Não nos preocupamos com as pequenas transgressões que cometemos no dia-a-dia. Porém, de pequenos em pequenos erros, vamos deixando o nosso Yetser Hará (má-inclinação) nos controlar.

Nesta semana lemos a Parashá Shemini (literalmente "Oitavo"). Por que este nome? Pois a Parashá começa descrevendo o processo de inauguração do Mishkan (Templo Móvel). Por sete dias Moshé montou sozinho o Mishkan, fez os serviços diários e o desmontou. No oitavo dia Moshé montou definitivamente o Mishkan e os Cohanim (sacerdotes) assumiram os serviços diários, como a oferenda dos Korbanót (sacrifícios) e do incenso.
 
Em relação ao momento em que o serviço do Mishkan foi oficialmente passado aos Cohanim, há um versículo interessante que nos chama a atenção: "E disse Moshé para Aharon: Aproxime-se do Mizbeach e faça a sua oferenda de pecado e a sua oferenda de elevação" (Vayikrá 9:7). Mas por que Moshé precisou pedir para que Aharon se aproximasse do Mizbeach? Não era óbvio que para fazer os Korbanót ele deveria se aproximar do Mizbeach? 

Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que Aharon, ao entrar no Mishkan, viu que o Mizbeach tinha o formato de um touro e por isso teve medo de se aproximar. Moshé, vendo o receio de Aharon de se aproximar do Mizbeach, o tranquilizou. Somente então Aharon se aproximou do Mizbeach. É por isso que a Torá precisou ressaltar que Moshé pediu para que Aharon se aproximasse do Mizbeach.
 
Porém, este Midrash é difícil de ser entendido. O que significa que Aharon viu que o altar tinha o formato de um touro? Além disso, por que isto teria deixado Aharon com medo de se aproximar? E, finalmente, como Moshé fez para convencer Aharon a se aproximar do Mizbeach?
 
De acordo com o Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270), pelo fato de Aharon ser uma pessoa tão sagrada e elevada, não havia em sua alma nenhuma marca de transgressão, com exceção de sua participação na construção do bezerro de ouro. Este erro estava muito fixo em seus pensamentos o tempo inteiro, a ponto de Aharon enxergar o Mizbeach como se ele tivesse o formato de um touro, tamanha era sua preocupação que a sua participação na construção do bezerro de ouro pudesse impedir sua expiação espiritual. Foi então que Moshé o consolou e disse: "Acalme-se e não fique tão triste, pois D'us já te perdoou e já aceitou seus atos novamente". Somente então Aharon concordou em se aproximar do Mizbeach.

Porém, esta explicação do Ramban também é difícil de ser entendida. A participação de Aharon na construção do bezerro de ouro foi algo quase irrelevante. Quando o povo errou as contas e achou que Moshé havia morrido no Monte Sinai, os judeus exigiram que Aharon construísse para eles um bezerro de ouro. Hur, o sobrinho de Aharon, tentou se levantar contra o povo para impedi-los, mas foi assassinado. Aharon percebeu que não adiantava usar a força, pois o povo estava obstinado. Era necessário utilizar a astúcia para tentar impedir o povo de fazer o bezerro de ouro. Por diversas vezes ele tentou ganhar tempo, na esperança que Moshé chegaria a qualquer instante, mas mesmo assim o bezerro acabou sendo construído. Por isso, apesar das boas intenções, a Torá considera que Aharon teve certa responsabilidade na construção do bezerro de ouro. Mas foi certamente uma participação secundária, com a intenção de fazer o bem, e não um erro intencional.
 
Além disso, quando Moshé bateu na pedra para dar água ao povo, ao invés de falar com a pedra, Aharon também foi duramente castigado e nenhum dos dois entrou na Terra de Israel. Os comentaristas da Torá se esforçam muito para descobrir exatamente qual foi a "fagulha" de erro cometido por Aharon neste episódio da pedra. Se no caso do bezerro de ouro Aharon não recebeu um castigo tão duro, isto significa que certamente o erro foi algo ainda menor do que o erro cometido no episódio da pedra. Então por que Aharon teve medo de se aproximar do Mizbeach por causa de sua participação na construção do bezerro de ouro se foi algo tão insignificante? E mesmo se ele realmente tivesse feito algum "estrago" espiritual com seu erro, D'us já tinha demonstrado que o havia perdoado ao escolhê-lo como Cohen Gadol (Sumo Sacerdote). Então por que tanta preocupação? 

Responde o Rav Leib Chassman zt"l (Lituânia,1869 - Israel, 1935) que desta atitude de Aharon podemos aprender algo muito importante para nossas vidas. Mesmo que foi um erro muito pequeno, este erro doeu tanto em Aharon e causou nele uma impressão tão forte que ele chegou ao ponto de ver o Mizbeach com a forma de um touro e não quis nem se aproximar dele. Este era o nível no qual Aharon aprofundava seus pensamentos de arrependimento e amargura pelo erro cometido, cumprindo as palavras de David Hamelech: "Minhas transgressões estão sempre diante de mim" (Tehilim 51:5).
 
Se isto se aplica a alguém tão sagrado quanto Aharon, que fez um erro tão pequeno e ainda rodeado de boas intenções, o quanto deve ser grande a preocupação de quem cometeu uma transgressão intencional? Quanto devemos nos envergonhar por termos ido contra a vontade de D'us? Infelizmente vemos pessoas que caminham na direção oposta de Aharon, pessoas que chegam ao nível de "um homem que bebe como água suas transgressões" (Yov 15:16). Por que a comparação do transgressor com aquele que bebe água? Pois da mesma forma que a pessoa bebe água com facilidade, sem grandes esforços, assim também é aquele que faz transgressões sem sentir nenhuma amargura ou arrependimento.
 
O que faz uma pessoa chegar neste nível espiritual tão baixo? De acordo com o Rav Leib Chassman, quanto mais a pessoa reflete sobre os seus atos e sobre a grandeza de D'us, mais ela vai ser cuidadosa com cada pequeno ato. Porém, a pessoa que não fica atenta aos seus atos e aos caminhos que está seguindo em sua vida acaba vivendo apenas de acordo com as vontades do seu coração. Seus pequenos maus atos cotidianos vão bloqueando seu coração de perceber a grandeza de D'us e, automaticamente, de perceber a gravidade dos estragos causados por cada transgressão que comete. Como na história do tolo, o nosso Yetser Hará vai nos fazendo tropeçar em pequenas transgressões, que vão se acumulando. Aquele que não reflete, quando percebe já está atolado de transgressões até o pescoço. Apesar de achar que está enganando seu Yetser Hará ao evitar as grandes transgressões, na verdade é ele quem está sendo feito de tolo.
 
Nossos sábios comparam nossa vida com uma corda que está esticada desde o dia do nosso nascimento até o nosso último dia de vida, e sobre ela nós precisamos caminhar, como um equilibrista que caminha sobre a corda bamba esticada sobre um abismo. Quando prestamos atenção em um equilibrista que caminha sobre a corda bamba, percebemos sua incrível concentração a cada passo dado. Por que ele se concentra tanto? Pois ele sabe que apenas um único passo errado pode custar sua vida. Ele precisa de foco e de todo o cuidado. Assim era o sentimento de Aharon, completamente concentrado e focado em cada pequeno passo. Por isso ele sentiu tanto o peso de sua participação na construção do bezerro de ouro. Como ele refletia e se sentia em uma corda bamba sobre um abismo, mesmo seu pequeno erro pareceu aos seus olhos algo gigantesco.
 
Aquele que reflete sempre e acerta a cada instante seu passo conseguirá terminar sua travessia com segurança e alcançará uma incrível recompensa pela travessia de sucesso. Mas aquele que deixa a vida levá-lo corre o enorme risco de cometer, mais cedo ou mais tarde, um tropeço fatal.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ SHEMINI 5777:

                   São Paulo: 17h27  Rio de Janeiro: 17h15                    Belo Horizonte: 17h19  Jerusalém: 18h36
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

quinta-feira, 13 de abril de 2017

TROPEÇANDO NO PRÓPRIO ORGULHO - SHABAT SHALOM M@IL - PESSACH II 5777

BS"D
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO PESSACH
VÍDEO PESSACH
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.

TROPEÇANDO NO PRÓPRIO ORGULHO - PESSACH II 5777 (14 de abril de 2017)

"David foi ao barbeiro para cortar o cabelo, como sempre fazia todo mês. Ele começou a conversar com o barbeiro sobre vários assuntos. A conversa então tomou um rumo mais espiritual e eles começaram a falar sobre D'us. Enquanto David era uma pessoa de imensa Emuná (fé) em D'us, o barbeiro era um ateu convicto. O barbeiro disse:
 
- Eu não preciso deste seu D'us para nada. Através do meu esforço eu consigo garantir meu sustento e manter minha família e minha saúde. Além disso, eu não acredito que seu D'us realmente exista. Você só precisa sair na rua para ver que D'us não existe. Se D'us existisse, você acha que haveria tantas pessoas doentes? Haveria crianças abandonadas? Haveria dor e sofrimento? Eu não consigo imaginar um D'us que permite todas essas coisas.
 
David não quis dar imediatamente uma resposta, para evitar uma discussão mais acalorada. Quando o barbeiro terminou o corte e David se preparava para sair, passou na rua um homem com barba e cabelos longos. Ele tinha uma aparência péssima, parecia que não cortava o cabelo ou fazia a barba há um bom tempo. Então David disse ao barbeiro:
 
- Sabe de uma coisa, acho que são os barbeiros que não existem.
 
- Como assim os barbeiros não existem? - perguntou o barbeiro - Eu estou aqui e sou um barbeiro!!!
 
- Não! - afirmou David - Os barbeiros não existem, porque se existissem, não haveria pessoas com barba e cabelos tão longos como aquele homem que está andando ali na rua. Veja, que homem de aparência horrível! Se os barbeiros existissem, eles permitiriam uma pessoa andar pela rua desta maneira?

- Que argumento mais tolo - disse o barbeiro para David - é óbvio que barbeiros existem, mas há pessoas não procuram os barbeiros. Isto é uma opção delas. Se a pessoa quer ficar com a aparência desleixada como este jovem que passou na rua, isto é uma escolha dela, não tem nada a ver com a existência dos barbeiros.

- Que seus ouvidos escutem o que diz a sua boca! - respondeu David - Suas palavras são a resposta ao seu questionamento. D'us existe, mas há muitas pessoas não O procuram, por opção delas. Pessoas como você, que acham que tem tudo na vida por seu próprio esforço e mérito. E é justamente por isso que há tanta dor e sofrimento no mundo.

Neste Shabat continuamos revivendo a Festa de Pessach, na qual comemoramos a liberdade do povo judeu da terrível escravidão egípcia. E no domingo de noite (16 de Abril) novamente é Yom Tov, um dia com mais santidade, no qual nos abstemos de trabalhos construtivos. O primeiro dia de Pessach é um dia de santidade especial, pois foi neste dia que saímos do Egito, mas por que o sétimo dia também é um dia de mais santidade? Pois neste dia D'us fez o incrível milagre da abertura do Mar Vermelho. Por diversas vezes D'us ordenou ao Faraó que deixasse o povo judeu sair. Porém, em sua obstinação e orgulho, ele não escutava os avisos e ameaças. As pragas destruíram a infraestrutura do Egito, mas mesmo assim o Faraó se recusava a se curvar diante da demonstração de força de D'us. Depois que os judeus saíram do Egito, o Faraó ainda reuniu seu exército para persegui-los. O orgulho do Faraó só acabou quando D'us abriu o mar, para que os judeus passassem em terra firme, e fechou-o sobre os egípcios, afogando-os e terminando para sempre a escravidão.
 
Porém, observando o processo de salvação do povo judeu, há algo que nos chama muito a atenção. Em todos os acontecimentos, há um foco muito maior no Faraó do que no próprio povo judeu. Por exemplo, nas dez pragas, a Torá sempre descreve a reação do Faraó, mas raramente menciona o que estava acontecendo com o povo judeu. Por que a Torá colocou os "holofotes" sobre as reações do Faraó, ao invés de ressaltar as reações do povo judeu? Afinal, quem é o protagonista principal da saída do Egito, o Faraó ou o povo judeu?
 
Explica o Rav Shlomo Wolbe zt"l (Alemanha, 1914 - Israel, 2005) que a resposta está no entendimento da diferença entre as primeiras gerações da humanidade e as gerações mais recentes. Nas primeiras gerações, como a geração do dilúvio, a geração da Torre de Babel e a geração de Sdom (Sodoma), havia muitas pessoas com consciência plena da existência de D'us. Apesar disso, estas gerações intencionalmente se rebelaram contra Ele. Já nas gerações mais recentes, apesar do ateísmo ainda estar presente, não vemos movimentos organizados de rebelião contra D'us. Por que as primeiras gerações, que compreendiam a Onipotência de D'us, se rebelaram contra Ele, enquanto as gerações mais recentes não?
 
Além disso, o nível de rebeldia das primeiras gerações é assustador. Rashi (França, 1040 - 1105), ao comentar sobre o dilúvio (Bereshit 6:6), afirma que, apesar de D'us ter planejado a destruição de toda a humanidade através de um dilúvio, Ele se "consolou" pelo fato de ter criado o ser humano na terra e não nos céus, pois se o homem tivesse sido criado nos céus, ele teria convencido até mesmo os anjos a se rebelarem contra D'us. Rashi está nos ensinando até onde chegava o orgulho e a arrogância da geração do dilúvio. Mesmo sabendo da Onipotência de D'us, as pessoas daquela geração desejavam ser independentes a qualquer custo. Mesmo se o homem morasse nos céus, ainda assim ele não se subjugaria a D'us, apesar da certeza de que é Ele que controla os céus e a terra.
  
Algo semelhante podemos enxergar também na história do povo judeu. Quarenta dias depois de D'us ter se revelado ao povo inteiro e ter transmitido pessoalmente os 10 Mandamentos, os judeus fizeram o bezerro de ouro. Como pode ser que o povo judeu, após a maior revelação de D'us na história da humanidade, após ter visto D'us "face a face", construiu um bezerro de idolatria? Se era para seguir uma divindade, qual era a diferença entre servir a D'us ou ao bezerro de ouro?
 
Responde o Rav Wolbe que é mais fácil para o ser humano servir algo que foi criado com as suas próprias mãos do que servir a D'us. As gerações passadas sabiam que foi D'us quem nos criou e que é Ele quem dita as regras. É por isso que era mais fácil servir o bezerro de ouro, que não tem nenhuma força real e não exige nada de nós, do que servir a um D'us Onipotente e que definiu regras para o mundo. Quando D'us quis destruir o povo judeu após a construção do bezerro de ouro, Ele explicou a Moshé o motivo: "Eu vi esta nação, e eis que eles são uma nação de pessoas obstinadas" (Shemot 32:9). D'us quis deixar claro que a raiz da transgressão do bezerro de ouro não era a vontade de fazer idolatria, e sim a obstinação, uma consequência do orgulho e da arrogância do ser humano.
 
Agora podemos entender a diferença entre as primeiras gerações, que reconheciam a existência de D'us e mesmo assim se rebelavam contra Ele, e as gerações mais recentes. As primeiras gerações reconheciam a grandeza de D'us e Sua Onipotência e, justamente por isso, tinham dificuldade de se subjugar a uma Força que eles sabiam ser muito maior do que sua própria força. Já as gerações mais recentes estão tão afastadas da espiritualidade que nem reconhecem mais a verdadeira grandeza de D'us. Portanto, as gerações mais recentes não sentem a necessidade de se rebelar, pois não se sentem ameaçadas pela Onipotência de D'us.
 
Este também é o motivo pelo qual a Torá colocou os holofotes sobre o Faraó e não sobre os judeus quando descreveu o processo de libertação da escravidão. Os longos e terríveis anos de escravidão quebraram os judeus, fisicamente e espiritualmente. O único apoio dos judeus para continuarem vivos no inferno egípcio era a esperada redenção, prometida desde os dias de Avraham. Quando finalmente D'us se revelou, o povo judeu aceitou sobre si prontamente e de bom grado o jugo de D'us. Portanto, durante as pragas, a Torá não precisou focar no povo judeu, pois eles não se rebelaram contra a força de D'us. Eles não tinham nenhum tipo de orgulho que bloqueasse a conexão com o Criador. Já o Faraó, ao contrário, era muito orgulhoso e preferia afirmar: "Não conheço D'us" (Shemot 5:2). Ele se vangloriava que o Nilo, uma das maiores divindades egípcias, foi criado por ele, como está escrito: "Eis que o Nilo é meu. Eu o fiz, para o meu uso e proveito" (Yechezkel 29:3). Por isso a Torá coloca o foco sobre o Faraó, para nos ensinar que as pragas foram direcionadas de forma a sistematicamente subjugá-lo, quebrando sua arrogância e mostrando a ele a grandeza de D'us.
 
Portanto, uma das principais lições que a Torá quis nos ensinar foi a terrível consequência da falta de humildade. Não importa quão grande uma pessoa pensa que é, a realidade é que ela é apenas uma criação e, por isso, deve ser submissa e humilde perante seu Criador. Podemos aprender isto por bem ou, como o Faraó, por mal, através de sofrimentos que são enviados para quebrar a arrogância daqueles que se afastaram de D'us por causa de sua própria honra. Os ateus são, acima de tudo, pessoas arrogantes, pois mesmo diante das provas mais contundentes, ainda assim preferem continuar negando a força de D'us. Um exemplo impressionante é Francis Crick, o vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 1953 pela descoberta da estrutura do DNA. Alguém que entendeu neste nível a complexidade e a perfeição do corpo humano deveria automaticamente entender que existe um "Desenhista" que projetou o mundo. Alguém que entende profundamente de microbiologia sabe que não existe acaso. Porém, Francis Crick preferiu explicar a criação do mundo através da "Panspermia Dirigida", uma teoria na qual credita-se a seres de outros planetas o início da vida na Terra, quando foram "plantadas" no mundo sementes de vida geneticamente programadas para evoluir até chegar ao ser humano. Para Francis Crick, vencedor do Prêmio Nobel, é mais fácil aceitar que fomos criados por seres de outro planeta, limitados e que não exigem nada de nós, do que por um Criador Onipotente, que tem exigências de conduta moral. O problema não é a falta de inteligência, e sim a falta de vontade de enxergar. O pior cego é aquele que não quer ver.
 
Mas isto não acontece somente com os ateus. Até mesmo aqueles mais conectados com as Mitzvót sentem as consequências de não trabalhar o traço de caráter da humildade. Pessoas podem estudar Torá por horas completamente concentradas, mas quando chega o momento da Tefilá (reza) sentem uma enorme dificuldade de concentração, pois são bombardeadas com incontáveis pensamentos aleatórios. Por que isto acontece? Quando fazemos Tefilá, estamos reconhecendo que existe uma Força Superior que controla tudo. Na Tefilá pedimos, entre outras coisas, sustento, saúde e conhecimento, demonstrando que tudo o que temos na vida vem de D'us. Mas o ser humano tem a tendência de "fugir" deste reconhecimento e, por isso, mesmo de forma subconsciente, permitimos que sentimentos de rebeldia surjam em nossas cabeças durante a Tefilá. Isto é uma consequência do nosso orgulho, de esquecermos que tudo vem de D'us.
 
A humildade verdadeira é saber que é D'us que dá tudo o que precisamos. É ele que nos dá a força para trabalharmos e a inteligência para entendermos. Aqueles que acham, como o Faraó, que não precisam de D'us, são justamente aqueles que descobrem, da pior maneira possível, que não somos nada sem Ele.
 
Shabat Shalom e Pessach Kasher VeSameach

R' Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - CHOL HAMOED PESSACH 5777:

                   São Paulo: 17h33  Rio de Janeiro: 17h20                    Belo Horizonte: 17h24  Jerusalém: 18h32
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp