quinta-feira, 11 de agosto de 2022

AMOR PELAS MITZVÓT - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5782

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PARASHÁ VAETCHANAN



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MENSAGEM DA PARASHÁ VAETCHANAN

ASSUNTOS DA PARASHÁ VAETCHANAN
  • Moshé implora para entrar na Terra de Israel.
  • Fundamentos da Emuná.
  • Obediência a D'us.
  • Exílio e Retorno.
  • Cidades de Refúgio.
  • Repetição dos Dez Mandamentos.
  • Shemá Israel.
  • Mitzvá da Mezuzá.
  • Perigos da Prosperidade.
  • Recordando o Êxodo e transmitindo para as futuras gerações.
  • Advertência contra a assimilação quando entrarem na Terra de Israel.
BS"D

AMOR PELAS MITZVÓT - PARASHÁ VAETCHANAN 5782 (12/Ago/22)

Certo ano, não havia nem mesmo um único Etrog em toda a cidade de Berditchev. O Rav Levi Yitzchak zt"l (Polônia, 1740 - Ucrânia, 1809) estava terrivelmente perturbado por não conseguir cumprir a Mitzvá dos Arbat HaMinim na Festa de Sucót. Ele pediu aos seus alunos que ficassem atentos a qualquer pessoa vindo do mercado de Berditchev que pudesse ter um Etrog. Muitos dias se passaram, mas nenhum Etrog foi encontrado.

Dois dias antes de Sucót, o Rav Levi Yitzchak foi informado que um mercador que circulava por Berditchev tinha um Etrog. O homem foi chamado e o rabino implorou para que ele permanecesse na cidade em Sucót. Seria um mérito incrível dar a centenas de judeus a oportunidade de cumprir aquela preciosa Mitzvá. No entanto, o mercador recusou, dizendo que estava longe de casa, em uma longa viagem de negócios, e que queria estar com a família para Sucót. Nenhuma bajulação ou dinheiro poderia fazê-lo mudar de ideia.

- Se você ficar - disse o Rav Levi Yitzchak, desesperado - eu te prometo um lugar perto de mim no Gan Eden.
 
O mercador aceitou na hora. Ele não era tolo, sabia reconhecer um bom negócio. Imediatamente, sem que o mercador soubesse, o Rav Levi Yitzchak enviou mensageiros por toda Berditchev, ordenando que ninguém permitisse que o mercador entrasse em qualquer Sucá. Na noite de Sucót, quando o mercador procurou uma Sucá para fazer as refeições, encontrou todas as portas fechadas. As pessoas explicaram que, por ordem do Rav Levi Yitzchak, eles não tinham permissão para deixá-lo entrar. Enfurecido, o mercador confrontou o rabino.
 
- É assim que você retribui um favor? Sacrifiquei estar com minha família em Sucót, e você me impede de cumprir a Mitsvá da Sucá?

- Somente com uma condição você poderá entrar em uma Sucá - disse o Rav Levi Yitzchak, com firmeza - Você deve me liberar da minha promessa de compartilhar o Gan Eden com você.

O mercador ficou em um dilema. Ele havia sacrificado estar com a família em Sucót apenas por causa da promessa do Rav Levi Yitchak, e agora perderia os dois, pois não estaria com sua família e nem compartilharia o Gan Eden com o rabino. Porém, após muita reflexão, ele disse:

- Eu o libero de sua promessa. Para mim, cumprir a Mitzvá da Sucá é mais importante do que o Gan Eden.

O Rav Levi Yitzchak abraçou o mercador e o convidou a entrar na Sucá. Com um enorme sorriso, disse:
 
- Agora você vai realmente compartilhar o Gan Eden comigo. O Gan Eden não pode ser adquirido tão facilmente. Você não tinha méritos suficientes. No entanto, agora que você estava disposto a desistir de seu Gan Eden para cumprir a Mitzvá da Sucá, você merecerá estar perto de mim no Gan Eden.

Nesta semana lemos a Parashá Vaetchanan (literalmente "E implorou"). Moshé continuou com seus discursos de despedida, preparando o povo judeu para a entrada na Terra de Israel, alertando principalmente sobre os perigos do contato com os outros povos e a possível assimilação que poderia ocorrer, causando uma perda de identidade e colocando em risco a continuidade do povo judeu.

Há algo que chama a atenção nas palavras iniciais de Moshé. Ele começou a descrever seus muitos pedidos para que D'us o perdoasse pelo seu erro de ter golpeado a pedra, anulasse o decreto e permitisse que ele entrasse na Terra de Israel. Quantas vezes ele pediu? Nossos sábios explicam que a palavras "Vaetchanan" tem valor numérico 515. Este foi o número de vezes que Moshé implorou a D'us, mas sem sucesso, pois a resposta de D'us foi negativa, já que existiam vários cálculos espirituais envolvidos nesta decisão.

Rashi
(França, 1040 - 1105) explica algo interessante sobre a linguagem utilizada por Moshé. A palavra "Tachanun" significa "Súplica". A linguagem "Chanun" é sempre utilizada quando se refere a um presente gratuito. Isto significa que Moshé pediu a D'us a permissão para entrar na Terra de Israel como um presente gratuito, sem levar em conta seus méritos. Porém, sabemos que Moshé era um grande Tzadik, tinha muitos méritos, uma vida inteira dedicada ao seu crescimento espiritual. Então por que ele pediu para D'us um "presente gratuito", ao invés de pedir algo em troca dos seus méritos?
 
Além disso, por que Moshé queria tanto entrar na Terra de Israel? Explica o Talmud (Sotá 14a) que o povo judeu foi ordenado a cumprir muitas Mitzvót, mas há algumas que só podem ser cumpridas dentro da Terra de Israel, como Shemitá e Maasser. Era isso que Moshé queria, cumprir mais Mitzvót, novas Mitzvót que ele ainda não havia cumprido. Porém, se durante a vida inteira ele havia cumprido tantas Mitzvót, e tantas vezes, por que implorou tanto por mais algumas? Ele não estava satisfeito com o que já tinha construído?

Na realidade, a própria pergunta é parte da resposta. Há pessoas que não se importam em perder Mitzvót. Se não conseguem chegar ao Beit Haknesset para fazer Tefilá, pensam: "Paciência, não consegui chegar". Se não conseguem colocar Tefilin, pensam: "Não tem problema, amanhã eu coloco". Se vivem fora da Terra de Israel, não ficam chateados por causa das Mitzvót que não conseguem cumprir. Moshé, ao contrário, amava as Mitzvót. Mesmo que tinha todos os seus dias repletos de Mitzvót, ele vivia com o sentimento de que a sua busca pela perfeição ficaria "manchada" caso qualquer Mitzvá estivesse faltando. Para ele, não poder entrar na Terra de Israel era desesperador. Sua vontade de cumprir todas Mitzvót o levou a implorar, como um pobre destituído, pela oportunidade de cumprir mais algumas Mitzvót.

Em geral, as pessoas amam a vida no mundo material. Porém, há dois tipos de amor completamente diferentes. Há aqueles que amam o mundo material pelas possibilidades de cumprir Mitzvót e sair daqui com os "bolsos" cheios de méritos, e há aqueles que amam o mundo material pelos prazeres que ele oferece. Como sabemos diferenciar entre os dois?

As pessoas que amam o mundo material pelos prazeres que ele oferece são aquelas que fazem deste mundo a principal preocupação de suas vidas. Elas estão dispostas a fazer de tudo para obter prazeres e alcançar seus desejos materiais. Porém, muitas vezes, são tão obcecadas para alcançar seus objetivos imediatos que são capazes de abrir mão de suas vidas neste mundo caso não obtenham o que desejam. Todos nós conhecemos muitos casos de pessoas que tinham tudo o que o mundo material pode oferecer, como dinheiro, prazeres, poder e honra, e ficamos surpresos quando escutamos que estas pessoas se suicidaram ou morreram de overdose. O que faltou para elas? O entendimento correto e o reconhecimento do valor verdadeiro da vida neste mundo. Para estas pessoas, a vida se resume a apenas a aproveitar os prazeres materiais, como descreve o profeta: "Vamos comer e beber, pois amanhã morreremos" (Yeshayahu 22:13).

Essa é a forma "Essav" de viver a vida. Yaacov ofereceu um prato de lentilhas pela primogenitura. O que a primogenitura representava? Futuramente os primogênitos seriam os responsáveis pelo Serviço Divino. Essav disse: "De que me adianta a primogenitura se eu vou morrer?" (Bereshit 25:32). Ele vivia apenas o mundo material, o prazer imediato. Ele trocava as Mitzvót pelos desejos materiais. Yaacov, ao contrário, deu todo seu dinheiro a Essav em troca de um lugar para ser enterrado junto aos seus antepassados na Mearat HaMachpelá. Ele tinha claridade que o objetivo desta vida não eram as aquisições materiais, e sim as espirituais.

Yaacov transmitiu aos seus descendentes esta forma de ver a vida. Grandes sábios do povo judeu tinham claridade de que não vieram a este mundo pelos prazeres materiais passageiros. Eles entenderam o valor de cada instante da vida em seu objetivo de construir sua eternidade. O Gaon MiVilna zt"l (Lituânia, 1720 - 1797), em seu leito de morte, começou a chorar e disse: "Como é difícil partir deste mundo, o "mundo dos atos", onde é tão fácil cumprir Mitzvót. Como o Tsitsit, que custa algumas poucas moedas e, através dele, a pessoa pode chegar a níveis espirituais elevados, a ponto de receber a Presença de D'us. Onde encontraremos isso no mundo das almas? No "Mundo da Verdade", mesmo que a pessoa faça todo o esforço do mundo para cumprir uma simples Mitzvá, não conseguirá". Mesmo no final da vida, o Gaon MiVilna demonstrou o seu amor pela vida neste mundo, o mundo das oportunidades, o mundo onde podemos cumprir Mitzvót a cada instante e instante.

Para pessoas que vivem desta maneira, cada Mitzvá deixada de lado representa uma distância maior ao objetivo final: alcançar a perfeição. Portanto, a falta de cada Mitzvá é sentida por eles como a falta de um membro do corpo. Uma pessoa saudável, mas que passou pelo trauma de perder um braço, não se consola sabendo que seus outros membros são perfeitos. A falta de um braço não pode ser compensada com o bom funcionamento do resto do corpo. Da mesma maneira, para um Tzadik, não importa quantas Mitzvót ele possa ter cumprido na vida, a falta de cada uma delas é dolorosa como a falta de um membro do corpo. Grandes Tzadikim, como Moshé Rabeinu, não exigem nada em troca de suas Mitzvót. Eles sabem que as Mitzvót são sua vida, seu oxigênio. Foi por isso que Moshé pediu a D'us um "presente gratuito": a oportunidade de cumprir novas Mitzvót, de preencher a "parte do seu corpo eterno" que estava faltando. Que possamos viver desta maneira, amando as Mitzvót, aproveitando todas as oportunidades, para sairmos completos deste mundo.

"Aquele que não se importa em perder tempo, sinal que não entendeu o verdadeiro valor da vida". 

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 
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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

A CAUSA DAS QUEDAS ESPIRITUAIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5782

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MENSAGEM DA PARASHÁ DEVARIM

ASSUNTOS DA PARASHÁ DEVARIM
  • Moshé começa a relembrar os principais acontecimentos
  • Bronca "encoberta" de Moshé.
  • Apontando juízes sobre o povo.
  • Episódio dos espiões.
  • Encontro com Essav (Terra de Seir).
  • Encontro com Moav.
  • Encontro com Amon.
  • A conquista de Og.
  • A herança de Reuven, Gad e metade de Menashe.
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A CAUSA DAS QUEDAS ESPIRITUAIS - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5782 (05/ago/22)

O Rav Shlomo Zalman Auerbach zt"l (Israel, 1910 - 1995) estava no hospital, ao lado da cama de sua amada esposa, que estava lutando pela vida. Infelizmente o pior aconteceu: ela não aguentou e faleceu. O Rav Shlomo Zalman se sentiu completamente devastado. Ele estava saindo do hospital, bastante abatido, acompanhado dos seus filhos, quando de repente um rapaz jovem atravessou correndo o corredor do hospital e gritou:
 
- Rav Shlomo Zalman, Rav Shlomo Zalman. Mazal Tov! Acabei de ganhar um filho!
 
Os filhos do Rav Shlomo Zalman quiseram mandar aquele rapaz embora, mas o Rav Shlomo Zalman fez um sinal para que os filhos não interrompessem o rapaz. Em um esforço sobre-humano, o Rav Shlomo Zalman abriu um lindo sorriso, característico dele, e disse:
 
- Mazal Tov. Estou muito feliz por você. Que vocês tenham muitas Brachót. Que esse bebê possa ter muita saúde e possa ser grande em Torá, em Mitzvót e em bons atos.
 
Assim que o rapaz se afastou, o semblante do Rav Shlomo Zalman novamente caiu, e ele voltou ao seu estado de luto e tristeza. Seus filhos, inconformados, questionaram:
 
- Pai, você não podia ter mandado aquele rapaz embora? Você está enlutado, sofrendo! Certamente ele entenderia se você dissesse que acabou de falecer sua esposa!
 
- Tenho certeza que ele entenderia - disse o Rav Shlomo Zalman - Mas este é o momento mais feliz da vida deste rapaz. Ele veio me dar a notícia com o rosto brilhando. Se eu tivesse contado a ele que estava enlutado, eu teria destruído aquele momento de alegria dele. Que direito eu tenho de fazer isso?"
 
Este é o poder da Torá. Ela consegue nos transformar em pessoas melhores, com total autocontrole. Mesmo em momentos de sofrimento e luto, a Torá nos ajuda a mudarmos nossa reação diante dos eventos.

Nesta semana começamos o último Livro da Torá, o Sefer Devarim, também conhecido como "Mishnê Torá", que significa literalmente "a repetição da Torá", pois este Livro traz os discursos de despedida de Moshé antes do seu falecimento e da entrada do povo judeu na Terra de Israel. E o que Moshé falou em seus discursos finais? Ele recordou os principais acontecimentos dos 40 anos em que o povo judeu vagou pelo deserto, entre eles muitos erros graves que o povo cometeu, como o Bezerro de ouro e o erro dos espiões.
 
O erro dos espiões, que causou com que o povo judeu chorasse no deserto sem motivo, nos conecta com a próxima parada do Calendário Judaico, logo após o final do Shabat: Tishá Be Av, o dia mais triste do ano, o dia no qual choramos e nos enlutamos pela destruição dos nossos dois Templos Sagrados. Porém, o nosso Segundo Templo já foi destruído há quase dois mil anos! Por que choramos até hoje?
 
Nos ensina o profeta: "Alegrem-se com Yerushalaim e se regozigem por ela todos os que a amam. Que se alegrem com ela todos os que por ela choram" (Yeshayahu 66:10). O Talmud (Taanit 30b) aprende destas palavras que todo aquele que se enluta por Yerushalaim tem o mérito de vê-la em sua alegria. Entretanto, há algo que chama a atenção neste ensinamento. Quando falamos sobre a alegria de Yerushalaim, a priori estamos falando sobre um evento futuro, quando D'us nos permitirá reconstruir nossa cidade e nosso Templo Sagrado. Portanto, deveria estar escrito que todo aquele que se enluta por Yerushalaim "verá a sua alegria", e não "vê", no presente! Qual é a alegria que aquele que se enluta por Yerushalaim tem agora?
 
Segundo o Rav Chaim Vologziner zt"l (Lituânia, 1749 - 1821), a resposta está em um evento trágico que ocorreu na vida do nosso patriarca Yaacov. Após enviar seu filho preferido, Yossef, para saber como estavam seus outros filhos, Yaacov recebeu as roupas de Yossef completamente rasgadas e ensanguentadas. Parecia que ele havia sido destroçado por um animal feroz. Yaacov se enlutou por seu filho durante 22 anos, algo que o fez sofrer muito e envelhecer. Porém, o Talmud (Pessachim 54b) nos ensina que D'us decretou a todos os enlutados que os entes queridos falecidos vão sendo aos poucos esquecidos do coração, isto é, um espírito de consolo faz a pessoa enlutada conseguir retomar a vida. Se existe esta força espiritual de consolo, por que Yaacov passou 22 anos enlutado, como está escrito "Mas ele (Yaacov) se recusou a ser consolado, e ele disse: 'Pois eu vou descer, por causa do meu filho, como um enlutado para a sepultura'" (Bereshit 37:35)?
 
Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que o consolo somente é mandado por alguém que realmente faleceu, mas ninguém aceita o consolo por uma pessoa que ainda está viva, mesmo que acredite que a pessoa esteja morta. Está decretado que uma pessoa morta deve ser esquecida do coração, mas não uma pessoa viva.
 
O mesmo se aplica à Yerushalaim. Se há quase dois mil anos ainda choramos por ela, e não nos consolamos, isso nos ensina que Yerushalaim não morreu. É isso o que o Talmud está nos ensinando. Obviamente todo aquele que se enluta por Yerushalaim se alegrará quando a cidade e o nosso Templo Sagrado forem reconstruídos. Porém, já há uma alegria imediata: a constatação de que Yerushalaim não morreu.
 
Entretanto, se Yerushalaim não morreu, por que não nos enlutamos por ela sempre, sem interrupção, como Yaacov, já que não há consolo pelos que estão vivos? E mais do que isso: até mesmo em Tishá be Av, a "data de falecimento" de Yerushalaim, muitos não conseguem se emocionar e sentir a dor do luto! Nossos sábios trazem uma dura resposta para este questionamento. Se Yerushalaim não está morta, e mesmo assim nos consolamos com sua destruição, isso é um sinal de que estamos, neste assunto, na categoria de "mortos", e que qualquer sentimento em relação à destruição dos nossos Templos Sagrados se apagou dentro de nós. Somente os vivos se enlutam pelos mortos, mas os mortos não se enlutam pelos vivos. Isso significa que aquele que se enluta por Yerushalaim já experimenta uma segunda alegria imediata: saber que está espiritualmente vivo.
 
Fora a importância de sentir a dor pela destruição de Yerushalaim e dos nossos Templos Sagrados, precisamos entender exatamente qual foi o erro que levou a estas tragédias, para podermos nos esforçar para consertar e termos o mérito de nos alegrarmos com a reconstrução do Beit Hamikdash. O Talmud (Baba Metsia 85a) nos ensinando que esta pergunta foi feita até mesmo pelos maiores sábios e profetas da época, como está escrito: "Quem é o homem tão sábio que pode entender isso? E quem é aquele a quem a boca de D'us falou, para que o declare? Por que a terra foi destruída?" (Yirmiahu 9:11). De acordo com o Talmud, isso foi falado pelos sábios, mas eles não souberam explicar. Isso foi falado pelos profetas, mas eles não souberam explicar. Até que veio D'us e pessoalmente explicou: "Pois eles abandonaram a Minha Lei, que Eu coloquei diante deles, e não deram ouvidos à Minha voz, nem andaram de acordo com ela" (Yirmiahu 9:12). Rav Yehuda acrescentou que aquela geração não fazia Berachá antes de estudar Torá.
 
Porém, este ensinamento do Talmud é difícil de ser entendido, pois é sabido que os judeus foram castigados com a destruição do Primeiro Templo por estarem tropeçando nas três piores transgressões da Torá: idolatria, assassinato e relações ilícitas. São transgressões tão graves, e tão óbvias, que não entendemos o questionamento do profeta Yeshayahu e a afirmação do Talmud de que nenhum sábio ou profeta conseguiu explicar!
 
Portanto, precisamos explicar que a pergunta "Por que a terra foi destruída?" não veio esclarecer qual transgressão causou a destruição do Templo Sagrado, isso já era algo sabido. A pergunta era: qual é o motivo original pelo qual o povo judeu se desviou dos caminhos de D'us. O povo judeu, quando entrou na Terra de Israel, conduzido por Yehoshua, estava em um nível espiritual muito elevado. Como cometeram estas três transgressões tão graves? É isso que o profeta Yeshayahu estava questionando. Os sábios da geração avisaram que haveria a destruição e repreenderam o povo, pois os viam transgredindo, mas não conseguiam explicar o motivo que os levou a fazer transgressões tão graves. Também os profetas advertiram o povo sobre a destruição, mas também não souberam explicar o motivo daquela queda espiritual tão grande. Até que veio D'us pessoalmente e explicou: pois eles haviam abandonado a Torá.
 
Mas algo assim tão marcante não foi percebido pelos sábios e profetas? A resposta é que "abandonar a Torá" não necessariamente significa se afastar completamente do estudo e do cumprimento das Mitzvót, mas se enfraquecer nestas áreas. Quando a pessoa já não estuda Torá com entusiasmo, já não escuta a Voz de D'us e já não anda nos Seus caminhos. É uma queda lenta e silenciosa, mas constante. Rav Yehuda acrescentou que eles não faziam Berachá antes de estudar Torá. Isso não é um motivo por si só, e sim mais um indicador de que, aos olhos daquela geração, a Torá não tinha mais tanta importância. Mesmo que eles estudavam Torá, o estudo não ajudava a fazê-los voltar aos caminhos corretos.
 
O pilar para chegarmos ao nível de temor a D'us, bons traços de caráter e cumprimento das Mitzvót é o estudo da Torá. Sem a Torá, não conseguimos servir D'us de maneira completa. Que possamos, através da Torá, consertar nossos erros e nos transformar em pessoas melhores, para termos o mérito de ver a alegria de Yerushalaim novamente. 

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