| | ASSUNTOS DA PARASHAT SHOFTIM - Estabelecimento de Tribunais de Justiça.
- Proibição de colocar árvores e pilares perto do Mizbeach.
- Sacrifícios com defeito.
- Castigos por idolatria.
- Juiz rebelde.
- Escutando os sábios de cada geração.
- O rei de Israel.
- A porção dos Cohanim.
- Adivinhação e Astrologia.
- Profecia.
- Cidades de Refúgio.
- Assassino intencional.
- Preservando os limites das terras.
- Testemunhas.
- Preparando para a guerra.
- Cohen de guerra.
- Pessoas dispensadas da guerra: Construiu uma casa e não inaugurou; Plantou um vinhedo e não redimiu; Noivou e não casou; Está com medo.
- Abertura para a paz.
- Bal Tashchit (Destruição de árvores frutíferas).
- O Assassinato não-solucionado.
| | | A VERDADEIRA MENSAGEM ESTÁ NAS ENTRELINHAS - PARASHAT SHOFTIM 5785 (29/ago/25) "O Rav Yaakov Luban, que mora nos Estados Unidos, estava certa vez visitando Jerusalém. Na noite de Shabat, como ele estava no bairro de Mea Shearim, decidiu ir a um Tish (encontro de Chassidim em torno do seu Rebe, com melodias e inspiração espiritual). Quando chegou ao lugar onde imaginou que o Rebe realizava seu Tish, não havia ninguém. Ele viu passando um judeu yerushalmi, com suas belas roupas de Shabat, e perguntou: "Não haverá o Tish do Rebe?". O homem respondeu que sim, mas explicou que o Rebe fazia o Tish em outro local. Após indicar o endereço correto, aquele judeu yerushalmi iniciou uma conversa com o Rav Luban. Começou a perguntar de onde ele era, de onde era seu pai, de onde era sua família e o que ele fazia. Foi uma conversa de dez minutos, toda ela girando em torno da vida do Rav Luban e de sua família. O Rav Luban pensou consigo mesmo: "Que pessoa educada! Que judeu doce, que demonstra tanto interesse em um estranho que acabou de conhecer. Ele poderia simplesmente ter ido embora após me informar o endereço. Mas não, ele se importou, parou para conversar e ainda se interessou em saber tudo sobre a minha família. Que linda demonstração de hospitalidade!". Ao final da conversa, o judeu yerushalmi disse ao Rav Luban: - Shabos Nit Geret (não convém falar sobre isso no Shabat), mas o senhor tem interesse em comprar antiguidades? Foi um balde de água fria na cabeça do Rav Luban. De repente, aquele judeu yerushalmi, tão simpático, demonstrou ser uma pessoa interesseira. Todo o seu interesse em conhecer o Rav Luban, sua família e seu passado, não passava de uma forma de verificar se ele era um americano rico, a quem poderia tentar vender algo." Devemos manter os olhos abertos sobre a verdadeira intenção das pessoas. Porém, a lição principal que devemos aprender desta história é em relação aos nossos próprios atos. Quando ajudamos as pessoas ou somos simpáticos, é porque nos importamos com o bem do outro ou porque temos segundas intenções? | | Na Parashá desta semana, Shoftim (literalmente "Juízes"), Moshé segue com seus discursos finais e traz alguns assuntos muito importantes, tais como o cuidado com as idolatrias, as cidades de refúgio para casos de assassinatos não intencionais e a preparação do exército para as guerras de conquista de Eretz Israel. O último assunto da Parashá é um tanto enigmático: a Mitzvá da "Eglá Arufá", literalmente "a bezerra degolada". Do que se trata? Se um corpo de uma pessoa assassinada era encontrado no campo, entre várias cidades, o Beit Din determinava qual era a cidade mais próxima e os anciãos dessa cidade precisam trazer uma Kapará (expiação). Eles pegavam uma bezerra, cortavam-lhe a nuca e realizavam alguns procedimentos, detalhados na nossa Parashá e no Talmud (Tratado de Sotá). Entre os procedimentos, os anciãos da cidade deveriam proclamar: "Nossas mãos não derramaram este sangue e nossos olhos não viram (o crime)" (Devarim 21:7). Eles estavam afirmando que aquele morto não havia saído da cidade deles para viajar sem acompanhamento ou sem ter recebido provisões. Era uma declaração de que eles não haviam sido negligentes com a vida daquela pessoa. Há um acontecimento perturbador, difícil de ser entendido, descrito no Talmud (Yoma 23a), relacionado com esta Mitzvá. No Beit HaMikdash, originalmente era utilizado um sistema de competição para determinar qual Cohen realizaria o Serviço diário. Era feita uma corrida e o primeiro Cohen que chegasse ao topo do Mizbeach realizava o Serviço. Isso foi substituído por um sistema de sorteio após um trágico incidente. Dois Cohanim estavam correndo pela rampa que levava ao Mizbeach. Então o Cohen que estava perdendo a corrida pegou uma faca e apunhalou o outro Cohen no coração! O Talmud continua contando que Rav Tzadok levantou-se e disse: "Irmãos, Filhos de Israel, escutem-me. A Torá diz: "Se for encontrado um corpo na terra que Hashem, teu D'us, te dá para possuí-la, caído no campo, e não for sabido quem o matou... expia pela Seu povo, Israel, que Você redimiu, D'us, e não coloque sangue inocente no meio do Seu povo, Israel" (Devarim 21:1-9). A cidade mais próxima ao corpo deve trazer uma expiação. Se o assassinato ocorreu dentro do Beit HaMikdash, quem deve trazer a Eglá Arufá? A cidade de Jerusalém (os habitantes da cidade) ou o Pátio do Templo (os Cohanim)?". O Talmud relata que o povo ouviu o discurso comovente do Rav Tzadok, ficou profundamente impactado e todos desabaram em lágrimas. O Talmud prossegue contando que o pai do Cohen apunhalado aproximou-se de seu filho, que estava à beira da morte, e proclamou: "Que seja uma Kapará pelo povo judeu. Mas saibam que meu filho ainda não está morto. Portanto, a faca com a qual ele foi apunhalado ainda não adquiriu Tumá (impureza espiritual)". O Talmud conclui: "Isso demonstra que, para eles, a preocupação com a impureza dos utensílios do Beit HaMikdash era maior do que a preocupação com o derramamento de sangue". O Talmud então questiona: por que o Rav Tzadok estava especulando sobre quem deveria trazer a Eglá Arufá, se havia uma lei que isentava os anciãos de Jerusalém de trazerem a Eglá Arufá mesmo se Jerusalém fosse a cidade mais próxima? O Talmud explica que era uma pergunta retórica, pois neste caso as leis da Eglá Arufá não se aplicavam. O que o Rav Tzadok queria era comover as pessoas e levá-las às lágrimas. Mas o incidente trágico não era suficiente? Além disso, a história deixa outros pontos obscuros. Um pai viu seu filho sendo apunhalado e morrendo. O que ele disse? Primeiro, declarou que a morte do filho era uma Kapará. Depois, acrescentou: "Não se preocupem, a faca ainda não está impura!". Foi uma reação normal? Normalmente, quando as pessoas vivenciam tragédias pessoais tão terríveis, elas colapsam diante dos sentimentos e de sua dor. No entanto, este pai conseguiu se elevar acima de tudo e dizer: "Estou preocupado com a Kapará do povo judeu, e também que os utensílios do Beit HaMikdash não se tornem impuros". Parece que o Talmud quer ensinar que houve um ato incrível de autocontrole, uma manifestação sobre-humana de nobreza de caráter por parte deste pai. No entanto, a continuação do Talmud desperta um importante questionamento: "Será que o derramamento de sangue era visto como algo banal aos olhos daquela geração, enquanto a observância da pureza dos utensílios era mantida no seu nível padrão, ou talvez o derramamento de sangue tinha o impacto adequado sobre eles, mas eram extremamente exigentes em relação à pureza dos utensílios sagrados, acima do normal?". Em outras palavras, o Talmud está perguntando se na época do Segundo Beit HaMikdash o derramamento de sangue era tão frequente que o pai já estava anestesiado em relação à tragédia pessoal que atingiu sua família. Talvez, em vez de ressaltar o nível elevado de santidade desse pai, a história demonstra o baixo nível espiritual de uma geração na qual o assassinato era tão comum que já não causava mais comoção. A outra possibilidade que o Talmud considera é que o assassinato continuava sendo uma tragédia devastadora e assustadora, a vida continuava sendo preciosa e o pai ficou arrasado com o assassinato de seu filho. No entanto, o que era único naquela geração é que a pureza dos utensílios do Beit HaMikdash era tão importante para eles que o pai foi capaz de dizer: "Perdi meu filho, mas pelo menos os utensílios do Beit HaMikdash foram preservados da impureza". Mas por que o Talmud levantou esta questão? Que diferença faz? Não há consequências na Halachá, nem para aquele momento e nem para o futuro! O Talmud se preocupa com questões sociológicas? O que nos ensina o Talmud se importar em saber se aquele acontecimento raro foi um ato de nobreza ou de decadência? O Rav Chaim Shmulevitz zt"l (Lituânia, 1902 - Israel, 1979) explica que o Talmud está nos ensinando uma lição importante: uma pessoa precisa constantemente analisar suas ações e desconfiar de suas próprias motivações, mesmo quando age de forma aparentemente "religiosa". Podemos realizar atos que parecem nobres, coisas pelas quais poderíamos nos elogiar e dizer: "Veja como sou Tzadik!". Mas devemos nos questionar: será que foi isso mesmo que aconteceu? Realmente foi um ato de altruísmo e nobreza, ou talvez havia outro motivo oculto? É por isso que o Talmud faz essa pergunta. Ela nos ensina que, às vezes, pessoas fazem coisas que à primeira vista parecem atos extraordinários de força espiritual sobre-humana. Porém, talvez não era bem assim. É uma pergunta que precisa ser feita: "Qual é minha verdadeira motivação?". O mais incrível é que o Talmud conclui que realmente o assassinato havia se tornado algo banal e comum. Talvez por isso o Rav Tzadok achou importante despertar o coração adormecido e anestesiado das pessoas, já que o crime não tinha sido suficiente. Explica o Rav Yssocher Frand shlita que, na verdade, não devemos analisar criticamente as ações dos outros e devemos sempre dar a eles o benefício da dúvida. Mas devemos questionar as nossas próprias motivações. Por que fiz isso? O que está por trás da minha atitude? A história do Talmud, à primeira vista, parecia ser um ato de autocontrole sobre-humano. Mas os seres humanos são complexos. Há múltiplas camadas em cada pessoa. Somos como cebolas, é possível ir descascando camada após camada, até que finalmente o núcleo verdadeiro se revela. Precisamos desconfiar, não tanto dos outros, mas principalmente de nós mesmos. O que realmente motiva nossos atos? Essa é a arte da introspecção. Isso é o que o movimento de Mussar defendia: examinar a si mesmo e julgar a si mesmo. O versículo inicial da nossa Parashá diz: "Juízes e policiais colocará para você" (Devarim 16:18). Nossos sábios explicam que quem precisa de juízes e policiais é principalmente a própria pessoa. Devemos sempre nos policiar e questionar: "Por que eu fiz isso? Fui altruísta? Foi Leshem Shamaim ou havia algum outro fator em jogo? Eu faria se não fosse em público?". Quando nos iludimos dizendo: "Veja como sou um Tzadik", entramos em perigo. Mas se a pessoa se questiona e se cobra constantemente, então fará o que é correto. SHABAT SHALOM R' Efraim Birbojm | | Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima. --------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno. -------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l. -------------------------------------------- Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com (Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai). | | | | | | |