sexta-feira, 16 de abril de 2021

CRESÇA VOCÊ, AO INVÉS DE DIMINUIR O OUTRO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT TAZRIA E METSORÁ 5781

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
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PARASHIÓT TAZRIA E METSORÁ



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ASSUNTOS DA PARASHÁ
 
PARASHAT TAZRIA
  • Impureza ao dar à Luz.
  • A Tzaráat.
  • Carne viva numa mancha.
  • Tzaráat numa infecção.
  • Tzaráat na queimadura.
  • Pedaço de calva.
  • Manchas brancas turvas.
  • Calvície.
  • Isolamento do Metsorá.
  • Descoloração das Roupas.
PARASHAT METSORÁ
  • Processo de purificação de um Metsorá.
  • Oferenda do Metsorá pobre.
  • Descoloração em casas.
  • Fluxo Masculino.
  • Descargas Seminais.
  • Menstruação.
  • Fluxos Femininos.



 
BS"D

CRESÇA VOCÊ, AO INVÉS DE DIMINUIR O OUTRO - PARASHIÓT TAZRIA E METSORÁ 5781 (16/abr/ 2021)

 
O Rav Goldsmit estava dando uma aula na sinagoga, como fazia todos os dias. De repente, dois novos alunos entraram um pouco atrasados, fizeram um tímido aceno e sentaram-se. O tema da aula era muito interessante e o rabino gesticulava muito, esbanjando energia.
 
Porém, algum tempo depois, algo chamou a atenção do rabino. Ele insistia que seus alunos não trouxessem celulares para a sinagoga, para que não interrompessem os estudos e as Tefilót com toques e mensagens. Porém, para a sua decepção, os novos alunos estavam concentrados só no celular, não tiravam os olhos da tela.
 
- Que tremenda falta de educação, vir a uma aula de Torá e ficar mexendo o tempo todo no celular! - pensou o rabino - Por que não ficaram em casa?
 
Mais um tempo se passou e os dois continuavam no celular, concentrados, como se não estivessem no meio de uma aula. Que desrespeito absurdo! O rabino começou a ficar indignado. Uma aula tão interessante, tão importante, e aqueles dois homens não davam a mínima atenção, preferiam ficar mexendo no celular!
 
Após quase uma hora de aula, o rabino terminou e todos se levantaram para ir embora. Os dois novos alunos fizeram um sinal de agradecimento e rapidamente foram embora. O rabino se sentiu ofendido com aquele comportamento inconveniente dos dois homens. Foi então que o Rav Bergman, outro rabino da sinagoga, se aproximou e perguntou:
 
- O que você achou dos dois novos alunos que eu mandei para a sua aula?
 
- Então foi você que os mandou? - perguntou o Rav Goldsmit, não escondendo seu incômodo - Acho que eles não devem ter gostado da aula. Infelizmente sequer prestaram atenção. Ficaram o tempo todo de olho apenas no celular. Nem sei para que vieram!
 
- Você está enganado - riu o Rav Bergman - Eles são pai e filho, e os dois são surdos. Eles têm instalado no celular um aplicativo que capta a voz e automaticamente transforma em texto na tela. Eles prestaram atenção na sua aula toda, não devem ter perdido nem mesmo uma única palavra!
 
O rabino ficou surpreso e envergonhado. Refletindo, ele disse:
 
- Eu deveria ter dado a eles o benefício da dúvida. Acho que fui muito precipitado no meu julgamento...

 

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Tazria (literalmente "Dar à luz") e Metsorá (pessoa que está com a doença espiritual Tzaráat). A Parashá Tazria descreve as manifestações físicas da Tzaráat, a doença espiritual que causava o aparecimento de manchas na pele, nas roupas e nas paredes da casa. Já a Parashá Metsorá descreve o processo de purificação pelo qual a pessoa contaminada pela Tzaraat tinha que passar para que pudesse voltar ao convívio social.
 
Apesar de também estar associada a outras transgressões e traços de caráter negativos, o principal motivo da contaminação com a Tzaráat era o "Lashon Hará", a conversa caluniosa. De acordo com o Talmud (Arachin 15b), o nome "Metsorá" vem do termo "Motsi Shem Rá", que significa "aquele que traz o mal nome", isto é, aquele que causa danos ao seu companheiro ao denegri-lo e rotulá-lo como sendo uma pessoa ruim.
 
O processo de cura era extremamente trabalhoso, para que o transgressor sentisse o peso do seu erro e percebesse que as transgressões têm consequências muito negativas. Em primeiro lugar, o Metsorá precisava ficar completamente isolado, fora do acampamento, por pelo menos sete dias. Era um momento de reflexão, de entender a gravidade dos seus atos, de quanto é prejudicial querer afastar as pessoas umas das outras. Depois disso, ele trazia para o Mishkan uma oferenda contendo vários elementos: dois pássaros vivos, madeira de cedro, hissopo e lã tingida de vermelho. Cada um destes "ingredientes" carregava um simbolismo que estava associado aos traços de caráter que haviam causado a transgressão. O cedro era alto, como o orgulho do transgressor. Os pássaros voam sobre os outros animais, como esta pessoa, que se acha superior aos outros. Além disso, continham os traços de caráter que poderiam ajudá-lo a evitar erros no futuro, como o hissopo, um arbusto muito baixo, e a lã tingida de vermelho, cuja coloração era obtida através de um verme. Ambos lembravam o transgressor da importância da humildade, um lembrete de que no fundo não somos nada, então como podemos julgar os outros e nos considerarmos melhores que eles?
 
Além disso, o Metsorá precisava oferecer um cordeiro como "Korban Chatat" (sacrifício de culpa). O Cohen pegava o sangue desta oferenda e esfregava na orelha direita, no polegar direito e no dedão do pé direito, como parte do processo de purificação final, como está escrito: "E o Cohen colocará na parte média da orelha direita do homem que está sendo purificado, e no seu dedão da mão direita, e no seu dedão do pé direito" (Vayikrá 14:25). Porém, o que chama a atenção nesta estranha parte do processo de purificação do Metsorá é que ela também era encontrada em outra cerimônia: a consagração do Cohen, quando ele era "inaugurado" para iniciar os Serviços espirituais no Mishkan (Shemot 29:20). Mas qual é a conexão entre estas duas cerimônias? Por que o Cohen, uma das pessoas mais elevadas do povo, dedicado apenas à espiritualidade, deveria passar em sua inauguração pelo mesmo processo que passava uma pessoa que acabou de ser expulsa da sociedade como resultado de seu comportamento reprovável?
 
Há outros dois ensinamentos que podem nos ajudar a entender a conexão entre as duas cerimônias. A Torá nos ensina que a primeira serpente da história andava ereta e era originalmente o rei de todos os animais. Porém, depois de instigar Chavá a transgredir, a serpente foi castigada com duas maldições: a perda dos seus membros, tendo que se arrastar sobre o seu ventre, e a incapacidade de saborear sua comida, já que, ao rastejar, ela comeria pó. Ensina o Talmud (Taanit 8a) que a serpente, que também simboliza o Lashon Hará, no futuro proclamará que, da mesma forma que ela é incapaz de saborear e sentir o prazer da sua comida, também não há satisfação em falar Lashon Hará. Já outra fonte do Talmud (Baba Batra 165a) relata que uma minoria de pessoas é suscetível aos desejos de promiscuidade, a maioria é tentada pelo roubo, e todos são suscetíveis à transgressão do Lashon Hará (explicam os comentaristas que esta afirmação do Talmud se aplica às pessoas que não estudam as leis de guardar a fala e não se cuidam em relação ao Lashon Hará). Porém, estes dois ensinamentos parecem contraditórios. Geralmente o homem é motivado pelos prazeres e pela gratificação, o que explica a tentação pela promiscuidade e pelo roubo. Porém, se não há proveito nem satisfação na transgressão de Lashon Hará, o que causa com que todas as pessoas tropecem nesta terrível transgressão?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que as pessoas têm um desejo profundo de perceber seu próprio valor. Nossa sociedade promove a competição como forma de avaliar nosso valor, isto é, avaliamos nosso valor nos comparando com as pessoas à nossa volta. Infelizmente essa maneira de autoavaliação é repleta de perigos. Em primeiro lugar, nunca somos realmente encorajados a desenvolver totalmente nosso próprio potencial, pois o sucesso é alcançado superando os outros, e não nos desafiando a sermos tudo o que poderíamos ser. Além disso, em vez de nos aplicarmos e desenvolvermos nossos talentos, às vezes escolhemos o caminho de menor dificuldade e resistência, que é nos elevar pisando nos outros, pois ao rebaixarmos os outros, nos iludimos acreditando que somos melhores do que eles. No entanto, em vez de nos sentirmos realizados, ficamos nos sentindo cada vez mais vazios e improdutivos. Quanto maior o potencial de uma pessoa, maior o vazio que fica quando ele não é preenchido. Por esta razão, os maiores críticos, aqueles que mais falam mal dos outros, normalmente são os indivíduos mais talentosos, mas que, infelizmente, escolheram o caminho mais fácil, ao tentar se sentir realizados diminuindo os outros, ao invés de se esforçarem para se desenvolver e atingir seu verdadeiro potencial através do esforço e da superação.
 
É justamente esse desejo de sentir seu valor próprio que estimula a pessoa a falar Lashon Hará. Mesmo que o Lashon Hará não seja algo que nos dê prazer, todos acabam sendo afetados, pois temos a necessidade de nos sentirmos realizados. Qual seria o antídoto para este comportamento negativo? Focarmos no nosso próprio crescimento, no atingimento do nosso potencial, sem nos compararmos uns com os outros. O Cohen é o indivíduo que personifica a autorrealização. Ele tinha um papel de destaque dentro do povo judeu, mas por ter desenvolvido seu potencial, não por ter diminuído os outros. O processo inaugural pelo qual ele passava ressaltava o fato dele ser uma pessoa de destaque. Esta é a mensagem de D'us para o Metzorá: "Como o Cohen que vai assumir os Serviços do Mishkan, você também pode ser um indivíduo excepcional, e isto não precisa ser conseguido através da negatividade". O Metsorá deveria aprender com o Cohen a desenvolver seu potencial através do seu próprio esforço e a se elevar através das suas realizações positivas.
 
A natureza humana e a necessidade de nos compararmos com os outros nos faz sermos muitos rápidos no julgamento do próximo, talvez para massagear nosso ego, já que, ao encontrarmos defeitos nos outros, nos sentimos especiais e melhores que eles. Mas isto é querer ser pequeno e limitado. Podemos ser muito mais do que isso. Podemos nos esforçar e atingir o nosso verdadeiro potencial, sem Lashon Hará, sem diminuir ninguém, somente focando na nossa verdadeira competição: sermos hoje melhores do que fomos ontem.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania, Mara bat Chana Mirel, Dina bat Celde, Celde bat Lea, Rivka Lea bat Nechuma, Mordechai Ben Sara, Simcha bat Shengle.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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VÍDEO DA PARASHÁ TZAV
VÍDEO DE PESSACH
ASSUNTOS DA PARASHÁ TZAV
  • Cinzas do Altar.
  • 3 fogos do Altar.
  • Leis da Oferenda de Minchá (Farinha).
  • Oferenda do Cohen Gadol e seus filhos.
  • Leis das Oferendas de Pecado (Chatat).
  • Leis das Oferendas de Culpa (Asham).
  • Presentes dos Cohanim.
  • Leis das Oferendas de Agradecimento (Todá)
  • Pigul e Notar - Oferendas que não são mais aceitas.
  • Proibição de consumir as Oferendas em um estado de impureza.
  • Proibição de comer gordura (Chelev) e sangue.
  • A Porção das oferendas dada ao Cohen.
  • Consagração dos Cohanim.
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sexta-feira, 9 de abril de 2021

ALIMENTANDO SUA SANTIDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHEMINI 5781

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PARASHÁ SHEMINI



São Paulo: 17h37                  Rio de Janeiro: 17h25 
Belo Horizonte: 17h28                  Jerusalém: 18h28
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ASSUNTOS DA PARASHAT SHEMINI
  • O Oitavo Dia - Inauguração do Mishkan.
  • Consagração dos Cohanim.
  • A Presença de D'us desce sobre o Mishkan.
  • A morte dos filhos de Aharon, Nadav e Avihu.
  • Advertência contra embriaguez no Serviço Divino.
  • Completando o Serviço de inauguração.
  • Discussão entre Moshé e Aharon e humildade de Moshé.
  • Leis alimentares (Kashrut): Animais, Peixes, Pássaros e Insetos.
BS"D

ALIMENTANDO SUA SANTIDADE - PARASHÁ SHEMINI 5781 (09 de abril de 2021)

 
Em uma noite fria de inverno, o Rav Yechezkel Landau zt"l (Polônia, 1713 - Praga, 1793), mais conhecido como "Node B'Yehuda", estava estudando em casa. De repente, ele escutou um choro que vinha de fora. Ele saiu para ver o que estava acontecendo e se deparou com um jovem rapaz não-judeu, sentado no meio-fio, chorando. O rabino aproximou-se dele e perguntou por que ele estava chorando. O jovem respondeu:
 
- Meu pai é padeiro. Após o falecimento da minha mãe, ele casou-se com uma mulher muito má. Todos os dias ela me obriga a ir ao mercado com cestos carregados de pão e, ao retornar, tenho que entregar o dinheiro para ela. Hoje, no entanto, ocorreu uma tragédia. Eu consegui vender os pães, mas no caminho de volta para casa eu perdi o dinheiro. Se eu voltar sem nada, a minha madrasta vai me dar uma surra e me castigar. Eu não sei o que fazer, estou vagando pelas ruas, com frio, fome e sede, enrolando para não ter que voltar para casa.

O Rav Landau ficou sensibilizado, com pena daquele jovem, e perguntou qual era a quantia perdida. O rapaz respondeu que eram vinte moedas. O rabino então tirou essa quantia do bolso e deu ao rapaz. Além disso, ele acrescentou mais algumas moedas, para que o rapaz pudesse comprar um pouco de comida.

Passaram-se trinta anos e o rabino já tinha se esquecido do ocorrido. No último dia de Pessach, tarde da noite, O Rav Landau escutou batidas na porta. Um homem entrou apressadamente, muito agitado, dizendo que era uma questão de vida ou morte. O rabino convidou-o a sentar e ele começou a falar:
 
- Eu me lembro da bondade que o senhor fez comigo há muitos anos, quando me salvou da fome, do frio e da surra da minha madrasta. Por isso, me senti na obrigação de retribuir a bondade recebida. Um indivíduo antissemita e muito influente em Praga reuniu todos os padeiros não-judeus, incluindo eu, e sugeriu que, ao final de Pessach, quando os judeus correm para as padarias dos não-judeus para comprar pão*, colocássemos veneno nos pães, para matar o maior número possível de judeus. Este indivíduo garantiu que todos os padeiros seriam bem recompensados por isso. Rabino, por favor, use sua autoridade para salvar a comunidade judaica.

O rabino agradeceu muito ao padeiro pela importante informação. No dia seguinte, foi divulgado em todas as sinagogas da cidade, em nome do Rav Yechezkel Landau, que seria aplicada uma pena rígida a quem ousasse comprar pão em uma padaria de um não-judeu, pois era risco de vida. Todos os judeus de Praga obedeceram e nenhum pão assado naquele dia foi adquirido. Os judeus de Praga vivenciaram uma grande salvação.
 
* É permitido comer pão da padaria de um não-judeu: quando não há alternativa; se for de uma panificadora e não de uma pessoa particular; e se o pão não tiver em sua composição nenhum ingrediente não-Kasher.

 

Nesta semana lemos a Parashá Shemini (literalmente "O oitavo"), que começa descrevendo a inauguração do Mishkan e o momento no qual a Presença de D'us repousou sobre ele, como se D'us tivesse vindo "residir" junto com o povo judeu. E a Parashá termina com outro assunto interessante: as leis de Kashrut. A Torá indica os animais, peixes e aves permitidas ao consumo. Além disso, a Torá ensina sobre a proibição de comer insetos e répteis. Como nas frutas e verduras é comum encontrarmos pequenos insetos, a verificação é obrigatória.
 
Porém, as leis de Kashrut da Parashá despertam um grande questionamento. O Sefer Vayikrá é dedicado a assuntos de Kedushá (santidade), pureza e impureza espiritual, como os Korbanót, as contaminações espirituais, como o contato com os mortos ou certas emissões do corpo humano, e os processos de purificação. Então por que as leis de Kashrut aparecem neste Sefer? Qual é a relação entre Kashrut e Kedushá?
 
A pergunta fica ainda mais forte quando prestamos atenção em um dos versículos finais: "Pois eu sou o D'us de vocês. Se santifiquem e sejam santos, pois Eu sou Santo, e não impurifiquem suas almas através dos répteis que rastejam sobre a terra" (Vayikrá 11:44). Qual é a relação entre consumir animais asquerosos como os répteis, algo que parece estar ligado apenas com o nosso corpo, com a santidade, algo ligado à nossa alma?
 
Para responder estes questionamentos, antes de tudo precisamos definir o que é Kedushá. A resposta está em uma Parashá chamada "Kedoshim", onde a Torá nos ordena a vivermos com santidade, como está escrito: "Sejam santos, pois Eu, Hashem, teu D'us, sou Santo" (Vayikrá 19:2). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que viver com santidade significa se afastar das imoralidades e das transgressões. O Talmud (Yevamot 20a) vai além e afirma que a Kedushá é atingida quando nos santificamos através do que é permitido para nós. Isto pode ser resumido em uma palavra: autocontrole. Conforme a pessoa se purifica e vai adquirindo autocontrole até mesmo nas coisas que são permitidas, ela vai chegando ao nível de se desapegar do mundo material. E quanto mais ela se desapega, mais consegue abrir mão dos seus desejos. E se a pessoa abre mãos dos seus desejos, ela consegue começar a perceber as necessidades dos outros e a considerar o sofrimento do próximo. O mesmo ocorre no sentido contrário: quanto menos Kedushá, mais apegada a pessoa vai estar ao mundo material e menos conseguirá abrir mãos de seus desejos em prol do próximo. A falta de Kedushá leva a pessoa ao egoísmo e falta de sensibilidade. Kashrut e a Kedushá andam juntas, pois é justamente na comida, um prazer ao qual somos expostos várias vezes por dia, onde mais podemos exercer o nosso autocontrole.
 
Esta relação entre comida e Kedushá aparece em um interessante ensinamento do Talmud (Yomá 82b). Uma mulher grávida, após sentir cheiro de comida, teve um desejo incontrolável de comer em Yom Kipur. Foram se aconselhar com o Rabi Yehuda Hanassi, que disse: "Sussurrem no ouvido dela que hoje é Yom Kipur". Assim fizeram e a mulher se tranquilizou. Aquele bebê tornou-se o Rav Yochanan, um dos maiores sábios do Talmud. Houve outro caso de uma mulher que também sentiu o cheiro de comida e teve um desejo incontrolável de comer em Yom Kipur. Foram se aconselhar com o Rabi Chanina, que também sugeriu que sussurrassem no ouvido dela, mas ela não se acalmou e precisou comer. Dela nasceu Shabtai Atsar Peiri, um homem que, durante os anos de escassez, acumulava frutas para inflacionar os preços, enriquecendo às custas dos pobres.
 
A forma como estes dois casos estão escritos no Talmud nos dá a impressão de que a recompensa e o castigo foram "Midá Kenegued Midá" (medida por medida). Porém, se a transgressão de desrespeitar o jejum de Yom Kipur era na área de "Bein Adam LaMakom" (entre a pessoa e D'us), então o filho dela deveria ter cometido transgressões na mesma área, como comer coisas proibidas ou desrespeitar o Shabat. Por que o castigo dela foi ter um filho que enriquecia às custas dos pobres, uma transgressão na área "Bein Adam Lehaveiró" (entre a pessoa e seu companheiro)?
 
Explica o Rav Yaacov Naiman zt"l (Bielorússia, 1909 - EUA, 2009) que a total falta de autocontrole daquela mãe que desejava comer em pleno Yom Kipur, a incapacidade de vencer suas próprias vontades, fez com que seu filho desenvolvesse apenas o amor próprio e não se importasse com os outros. Assim nos ensina Shlomo HaMelech: "Aquele que busca seus desejos se isola" (Mishlei 18:1). Isto significa que aquele que aquele que vive atrás de seus desejos e vontades acaba se afastando de todos os seus amigos e companheiros. Os desejos e os traços de caráter das pessoas são muito diferentes entre si, e as vontades de uma pessoa não são iguais às vontades de seu companheiro. Aquele que é dominado por suas vontades e desejos certamente se distanciará do amor pelas criaturas, pois ele está muito distante da Kedushá, do desapego, e pensa somente em si mesmo.
 
E qual foi a recompensa da mãe que teve autocontrole? Dela nasceu o Rav Yohanan, que além de ser um dos maiores sábios da sua geração, também era um incrível ser humano. O Talmud (Brachót 20a) nos ensina que o Rav Yohanan costumava se sentar no portão de entrada do local de imersão das mulheres. Ele era muito bonito e queria que as mulheres olhassem para ele para que pudessem ter filhos bonitos. Daqui vemos a incrível sensibilidade do Rav Yohanan. Ele abriu mão de sua própria honra para fazer o bem aos outros. Ele não queria a beleza guardada só para si, sem "concorrência". Ao contrário, ele queria que todos fossem bonitos como ele. Uma incrível demonstração de desapego, Midá Kenegued Midá com o ato de sua mãe.
 
De acordo com o Rav Yaacov Naiman, daqui aprendemos um fundamento importante: para sentir o sofrimento dos outros e evitar ganhar às custas da perda do próximo, é necessário viver com Kedushá. Uma criança educada em um ambiente de Kedushá chega a níveis mais elevados de bondade e preocupação com o próximo. Há uma dica disto no conteúdo da Parashá Kedoshim, que fala principalmente de Mitzvót "Bein adam Lehaveiró", nos ensinando que ser "Kadosh" não significa apenas guardar o Shabat da maneira correta, mas também ser uma pessoa mais humana e preocupada com o próximo.
 
Estamos vivendo em uma geração cada vez mais mesquinha e sem educação, de pessoas que não desenvolveram bons traços de caráter, que pouco se importam com os outros. Há 60 anos, quando Albert Sabin desenvolveu a vacina contra a poliomielite, ele poderia ter ficado milionário. Porém, ele renunciou aos direitos de patente da vacina, para permitir que crianças de todo o mundo fossem imunizadas. Desta maneira, a doença foi praticamente erradicada. Atualmente, a única motivação de fabricar vacinas é lucrar, mesmo às custas dos menos favorecidos. Por que? Pois as pessoas foram educadas a serem competitivas, a permitirem tudo, a querer sempre mais. O mundo procura fórmulas para conter a violência e a delinquência juvenil. Porém, não há outra maneira a não ser aproximando os jovens da Kedushá. A Kedushá do Shabat, do estudo da Torá, das Mitzvót. Somente isto levará os jovens ao autocontrole, ao desapego e à diminuição do amor próprio.
 

SHABAT SHALOM

 
R' Efraim Birbojm

 

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l, Reuven ben Alexander z"l, Mechel ben Haim z"l, Yaacov ben Israel z"l.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
VÍDEO DA PARASHÁ TZAV
VÍDEO DE PESSACH
ASSUNTOS DA PARASHÁ TZAV
  • Cinzas do Altar.
  • 3 fogos do Altar.
  • Leis da Oferenda de Minchá (Farinha).
  • Oferenda do Cohen Gadol e seus filhos.
  • Leis das Oferendas de Pecado (Chatat).
  • Leis das Oferendas de Culpa (Asham).
  • Presentes dos Cohanim.
  • Leis das Oferendas de Agradecimento (Todá)
  • Pigul e Notar - Oferendas que não são mais aceitas.
  • Proibição de consumir as Oferendas em um estado de impureza.
  • Proibição de comer gordura (Chelev) e sangue.
  • A Porção das oferendas dada ao Cohen.
  • Consagração dos Cohanim.
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania, Mara bat Chana Mirel, Dina bat Celde, Celde bat Lea, Rivka Lea bat Nechuma, Mordechai Ben Sara, Simcha bat Shengle.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l, Reuven ben Alexander z"l, Mechel ben Haim z"l, Yaacov ben Israel z"l.
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