quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

É ENSINANDO QUE SE APRENDE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BÔ 5778

BS"D
O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Grabovsky em Leilui Nishmat de: 
Tzvi Mendel ben Eliahu z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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É ENSINANDO QUE SE APRENDE - PARASHÁ BÔ 5778 (19 de janeiro de 2018)

A Sra. Thompson era uma professora experiente do sexto ano. Ela tinha o costume de, no primeiro dia de aula, dizer aos alunos que gostava de todos igualmente. No entanto, ela sabia que isto não seria verdade naquele ano, já que na primeira fila estava sentado um garoto chamado Teddy. A professora havia escutado coisas muito negativas sobre ele. Sabia que ele não se dava bem com os colegas de classe e vinha muitas vezes para a escola com roupas sujas e cheirando mal. Teddy provavelmente seria daquele tipo de aluno que ela sentiria até mesmo prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos. 

Para piorar, no primeiro dia de aula todos os alunos haviam trazido para ela presentes de boas-vindas. Eram presentes simples, mas embrulhados em papéis coloridos e brilhante, exceto o de Teddy, que estava enrolado em um papel marrom de supermercado. Quando a Sra. Thompson abriu o pacote dele e retirou uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade, os outros alunos deram gargalhadas. Para não envergonhá-lo ainda mais, ela agradeceu o presente, pôs a pulseira no braço e passou um pouco do perfume.

No final do dia, quando todos os alunos já tinham saído, a Sra. Thompson começou a ler a ficha escolar de cada um deles. A ficha de Teddy chamou muito sua atenção. A professora do primeiro ano havia escrito que ele era um menino alegre, brilhante e simpático, com trabalhos sempre em ordem e muito caprichoso. Porém, ela leu nos anos seguintes que a mãe de Teddy estava muito doente, o que começou a afetar seu desempenho escolar. Até que ela chegou às anotações do quarto ano, onde estava registrado que a mãe de Teddy havia falecido, um terrível golpe para ele. A partir daí Teddy se tornou distraído e desinteressado, com graves problemas com os outros alunos.

A Sra. Thompson parou de ler, envergonhada. Sentiu-se ainda pior quando lembrou-se dos presentes que os alunos haviam dado de manhã. Teddy havia ficado até um pouco mais tarde na escola, somente para dizer a ela: "Você está cheirosa como a mamãe". Agora ela entendia o que ele quis dizer com aquela frase. Depois que todos os professores já haviam saído, a Sra. Thompson chorou por muito tempo. Em seguida, ela decidiu a mudar completamente sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Teddy. Com o passar do tempo ela notou que ele só melhorava. Quanto mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava. Ao finalizar o sexto ano, Teddy era o melhor aluno da classe.
 
Cinco anos depois, a Sra. Thompson recebeu uma carta de Teddy, na qual ele contava que havia concluído o segundo grau como o terceiro melhor aluno da turma e que, apesar de ter conhecido excelentes professores, ela continuava sendo a melhor professora que ele tivera na vida. Mais cinco anos e ela recebeu outra carta de Teddy, dizendo que, apesar das dificuldades, ele estava se formando na faculdade. Mais uma vez ele aproveitou para ressaltar que a Sra. Thompson continuava sendo a melhor professora da sua vida. Depois disto, outros quatro anos se passaram e ela recebeu uma carta, desta vez com Teddy contando sobre seu doutorado e suas pretensões de crescer na carreira. A carta terminava com a afirmação de que ela ainda era a sua melhor professora. Mas agora a assinatura dele era mais longa: Doutor Theodore F. Stoddard.

Na primavera seguinte, Teddy escreveu que havia conhecido uma garota e iria se casar. Explicou que seu pai havia falecido alguns anos atrás e ele queria convidar a Sra. Thompson para entrar com ele na cerimônia e sentar-se no lugar que era reservado para a mãe do noivo. A Sra. Thompson aceitou, lisonjeada, o convite. No grande dia, a Sra. Thompson usou aquela pulseira com algumas pedras faltando e passou um pouco do perfume que Teddy havia lhe dado de presente no sexto ano. Quando os dois se encontraram, choraram por um longo tempo. Teddy então falou:
 
- Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando que eu podia fazer a diferença.

A Sra. Thompson, com lágrimas nos olhos, respondeu de volta:

- Teddy, foi você quem me mostrou que eu poderia fazer a diferença. Eu não sabia ensinar até conhecer você.

Na Parashá desta semana, Bô (literalmente "Venha"), D'us mandou sobre o Egito as últimas três pragas, que destruíram completamente toda a estrutura física e psicológica dos egípcios. O Faraó, derrotado e humilhado, finalmente permitiu que os judeus partissem em liberdade. Porém, antes de D'us mandar as últimas três pragas, Ele fez uma "introdução" sobre qual seria o objetivo delas: "Para que você conte nos ouvidos dos seus filhos e dos filhos dos seus filhos o que Eu fiz ao Egito, e Minhas maravilhas que Eu coloquei sobre eles. E então vocês saberão que Eu sou D'us" (Shemot 10:2).
 
Se prestarmos atenção neste versículo, perceberemos que ele desperta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, aparentemente D'us está afirmando que mandou as pragas apenas para que tivéssemos "material" para contar aos nossos filhos. Mas as pragas não foram uma forma de castigar os egípcios por todo o mal que eles nos fizeram? Então por que a Torá escreve que as pragas são "para que você conte aos seus filhos"?

Além disso, todos nós acreditamos em D'us, mas apesar disso estamos sempre lidando com uma difícil questão: como aumentar nossa Emuná (fé)? Aparentemente as palavras finais do versículo estão nos ensinando uma fórmula de como se conectar a D'us: contando aos nossos filhos os milagres que ocorreram no Egito. Porém, há algo contraditório nas palavras do versículo, pois ele começa nos ordenando a transmitir aos nossos descendentes os milagres que ocorreram na saída do Egito, aparentemente para que eles tenham Emuná. Porém, no fim do versículo, a Torá conclui que "vocês saberão", e não "eles saberão". Como entender esta contradição? A transmissão é para desenvolver a Emuná nos nossos descendentes ou em nós mesmos?
 
Explicam os nossos sábios que obviamente um dos principais motivos pelos quais D'us mandou as 10 pragas foi para castigar os egípcios. A prova disso é que os castigos foram "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), isto é, cada castigo veio de maneira minuciosamente calculada para que algum mau ato dos egípcios fosse vingado. Por exemplo, os egípcios faziam com que os escravos judeus tivessem que ir para as florestas caçar animais ferozes. Para que este trabalho se tornasse mais divertido para os egípcios, os judeus tinham que caçar animais como leões, tigres e ursos com as próprias mãos, pois eles não recebiam nenhum tipo de arma para isto. Certamente muitos judeus morreram, de forma dolorosa, devorados por animais ferozes. Medida por medida, na quarta praga D'us fez com que milhares de animais ferozes entrassem nas casas dos egípcios, causando caos, morte e destruição.
 
Porém, além de serem um castigo aos egípcios, os milagres e sinais da saída do Egito presentes nas pragas, que quebraram abertamente as leis da natureza, deveriam estabelecer para o povo judeu uma nova base de Emuná em D'us. Esta Emuná, presente no coração daquela geração que testemunhou os milagres com seus próprios olhos, deveria ser transmitida, de pai para filho, para as futuras gerações. Mas a Torá está nos ensinando outro fundamento importante sobre o que ocorre quando ensinamos algo a outras pessoas: o ensinamento acaba se internalizando em nós mesmos. Quando alguém transmite Emuná aos seus filhos, no final das contas esta Emuná acaba se enraizando em seu próprio coração e se tornando mais real. Desta maneira a Emuná começa a deixar de ser apenas uma crença não palpável para se tornar um conhecimento, algo mais racional e menos emocional. A Torá está nos ensinando que, ao ensinar aos outros sobre a existência de D'us e Seu envolvimento no mundo, a Emuná da pessoa se torna cada vez mais forte e palpável.
 
Mas por que a Torá nos comanda a ensinar aos nossos descendentes sobre os milagres, ao invés de nos comandar a estudar sobre os milagres, se o propósito é internalizá-los em nossos próprios corações? Um famoso psiquiatra chamado William Glasser certa vez fez um estudo sobre absorção de conteúdo. A conclusão do estudo é a "pirâmide de aprendizagem", na qual as porcentagens de conteúdo absorvido variam de acordo com a forma que interagimos com o conteúdo. Por exemplo, quando lemos, absorvemos 10% do conteúdo. Quando escutamos, absorvemos 20%. Quando assistimos algo, absorvemos 30%. Quando vemos e escutamos, absorvemos 50%. Quando discutimos um assunto com outras pessoas, absorvemos 70%. Quando fazemos atos na prática, absorvemos 80%. Quando ensinamos o conteúdo aos outros, absorvemos impressionantes 95%. Este estudo apenas vem comprovar o que os nossos sábios do Talmud (Taanit 7a) já haviam afirmado há mais de dois mil anos: "Diz o Rabi Chanina: Aprendi muito com os meus professores, mais ainda com os meus colegas, mas foi dos meus alunos que eu mais aprendi". Portanto, quando alguém está ensinando algo aos outros, em última instância ele está ensinando algo a si mesmo.
 
Diferente de outras línguas, em hebraico os verbos "estudar" e "ensinar" vêm da mesma raiz, "Lamed". A pessoa que ensina, o "Melamed", na verdade é alguém que está estudando de uma maneira mais intensa, profunda e com mais paixão. De acordo com o judaísmo, o ato de ensinar certamente também é um processo profundo de estudo.
 
A forma com a qual o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) nos ensina a Mitzvá de "Talmud Torá" (estudar Torá) também nos transmite a mesma ideia. Ele afirma que "D'us nos comandou a estudarmos Torá e a ensinarmos". Isto significa que estudar e ensinar Torá não são dois mandamentos separados. Na realidade, não cumprimos plenamente nossa obrigação de estudar Torá se não a ensinamos aos outros. Isto não significa que todo judeu deve procurar trabalho na área de ensino. A Torá apenas não nos isenta de procurarmos oportunidades de dividir nossos conhecimentos com outras pessoas, em especial pessoas de nossas famílias e, principalmente, os nossos próprios filhos.

Portanto, para que possamos estudar de maneira verdadeira, para que nosso estudo possa se tornar uma parte significativa de nossas vidas, devemos também ensinar Torá aos outros. Cada geração é um elo da cadeia de transmissão ininterrupta da Torá entregue a Moshé e da Revelação de D'us no Monte Sinai. Devemos receber as informações das gerações passadas e nos esforçar para transmitir este conhecimento às futuras gerações. Esta é a obrigação de "Talmud Torá", o estudo da Torá. E o maior presente é que, quanto mais transmitimos estes conhecimentos aos outros, mais ele se aprofunda em nossos próprios corações.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ BÔ 5778:

                   São Paulo: 19h38  Rio de Janeiro: 19h23                    Belo Horizonte: 19h20  Jerusalém: 16h26
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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